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sexta-feira, 8 de abril de 2011

As Novelas da Minha Vida



Se me perguntarem o que é que faz uma novela inesquecível, não consigo responder. Pelo menos sem pensar um bom bocado sobre o assunto.
Sei que existem personagens que nunca esqueci, por muitos anos que tenham passado. Personagens interpretadas por actores pouco bonitos por fora e com um mundo inteiro por dentro.
Na altura em que as novelas me prendiam do primeiro ao último episódio, tudo era mágico. Eu conseguia passar o final de tarde feliz, porque à hora do jantar, teria aquela história à minha espera e os destinos daquelas pessoas, mais um bocadinho fechados a cada capítulo.
Os horários eram inalterados e respeitados, a história era contada magistralmente e tudo aquilo se revestia de uma grandiosidade que eu, do alto da minha pré-adolescência, venerava.
Não era preciso passar-se muito em cada episódio. Não havia a pressa, o consumo fácil, o zapping. Tudo era contado com tempo.
O Sinhozinho Malta, a Viúva Porcina, A Tieta, o Professor Astromar, a Perpétua, a Fedora, a Fernanda Montenegro (todas as personagens que interpretou), o Paulo Autran, ainda habitam no meu imaginário e ainda dou por mim a repetir em voz alta, certas frases.
Lembro os chavões, os tiques, os trejeitos, que cada actor decidiu puxar para o seu personagem e sorrio, cheia de uma estranha nostalgia.
Hoje em dia, com a banalização das novelas e a preferência dada à aparência física, em detrimento do talento, tudo perdeu a magia. Nada fica na memória, nada nos agarra com a determinação de antigamente e a novela que passou há uns meses atrás é facilmente trocada, ou confundida com as dez que passam durante um dia.
O que é que aconteceu para a magia ter fugido?
Provavelmente fui apenas eu que cresci. Mas qualquer coisa dentro de mim, me diz que não vai haver outro Lima Duarte, ou outra Fernanda Montenegro que imortalizem personagens da mesma forma e isso é triste, caraças.