Ando numa estranha fúria de deitar coisas fora. Há quem lhe chame preparar o ninho, há quem lhe chame loucura, há quem lhe chame taradice-maníaco-compulsiva-agravada.
A realidade é que já devo ter dado coisas suficientes para fazer uma pequena aldeia algures no Sudão.
Hoje vou dar uma secretária, uma cama, um baú, uma televisão antiga, a mesa onde ela estava, edredons, cobertores, almofadas.
Alguém me agarre por favor, pois corro o risco de regressar a casa um dia destes e não ter nada além das paredes.
De cada vez que esvazio uma prateleira de inutilidades sinto-me mais leve. Isto não pode ser normal. Onde é que eu estava com a cabeça quando decidi guardar tantas almofadas? Bem sei que andei meses em busca da almofada perfeita, mas se nenhuma me agradava porquê guardá-la?!!!
Talvez isto possa ser explicado com uma vida passada, ou não indo tão longe, num passado recente, pois ainda me lembro que na véspera de ir para o hospital ter a Alice tinha trolhas no quarto a terminarem uma obra e jurei para mim mesma que jamais me deixaria apanhar novamente nas malhas da procrastinação.
Eu não sei tudo
Há 1 semana
