segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Em Busca de Um Grande Amor

Se para uns é tremendamente simples encontrar um companheiro de vida, para outros é uma tarefa desgastante, cheia de decepções, de vazios, de desistências e esperanças renovadas constantemente, até todo este saltar emocional se transformar num gigantesco cansaço e os levar a desistir.
Se para uns não há grandes exigências, pedem tão pouco para si que chega a ser doloroso para quem os vê, para outros todos os requisitos e alíneas devem ser preenchidos, nunca entendendo que a perfeição humana não passa de uma grande utopia.
Se para uns a busca foi simples e frutífera, para outros a busca parece interminável e infrutífera.
É também certo que para algumas pessoas o amor, talvez por ter sido tão rapidamente conseguido, talvez por imaturidade emocional, não se reveste daquele valor que damos às coisas raras e difíceis de alcançar. Esquecem-se de valorizá-lo a cada dia que passa. Como os montanhistas que chegam finalmente ao mais alto cume e dali contemplam a grandiosidade do que conseguiram alcançar, assim devíamos fazer de vez em quando em relação ao amor, uma espécie de fotografia panorâmica geral, um balanço, uma contemplação.
Mas andamos tão preenchidos com a estrada bem no meio dos olhos que nos esquecemos de parar na berma e simplesmente olhar a paisagem.
A busca por um amor é diferente para toda gente, não há formas convencionais, nem poções mágicas que nos façam tropeçar nos braços de alguém perfeito. Muitas vezes são necessárias várias pessoas erradas para encontrarmos a pessoa certa. Outras vezes não. O que é certo é que temos que estar disponíveis para recebê-lo e não termos medo de sair da estrada mais confortável da vida, pois é muitas vezes nos caminhos de terra batida, pequenos e bucólicos que encontramos as paisagens mais deslumbrantes...

*O mote para esta reflexão sem grandes conclusões saiu daqui.

domingo, 29 de novembro de 2009

Estou na Lua


Renault 5 em sétima mão estacionado à porta do liceu. Apenas uma coisa funcionava bem naquele meu primeiro carro, o rádio e meu Deus como esta música tocava, tocava e tocava e como me deixava bem disposta...
Acabei de sentir tudo de novo. É bom perceber que certas músicas ainda nos deixam assim.

Sugestão de Natal ou de Outro dia Qualquer


Um Dia de Alison Mcghee e Peter h. Reynolds


A Mãe e Eu de Maria Teresa Maia Gonzales

Porque só me apetece ficar enroscada debaixo de um cobertor polar com a minha família, porque bolos e chocolate quente são as variáveis no meu cérebro neste domingo frio e cinzento, porque os domingos nunca inspiraram ninguém, hoje não tenho nada de jeito para dizer, por isso decidi partilhar convosco um pouco do que os outros dizem em forma de livro, mais concretamente duas pérolas bem ternurentas da literatura infantil que repousam na prateleira da Alice. Dois livros que não me canso de lhe ler e que ela não se cansa de escutar.
São aquelas letras perfeitas para as mães e para os filhos, uma vez que comovem umas e enternecem outros com a mesma intensidade.
Aqui fica a minha sugestão a sério que não se vão arrepender.

sábado, 28 de novembro de 2009

A Parte Mágica Verde e Encarnada


Parece que sim, que hoje o dia foi passado a natalizar a casa.
Quanto às cores desta época sempre fui um bocadinho conservadora, árvores pretas ou roxas não são bem o meu filme. O Natal para mim sempre foi verde e encarnado, polvilhado de branco.
A Alice está neste momento às escuras na sala, só com as luzes da árvore a iluminarem o seu olhar perfeitamente maravilhado.
Esta sim é a parte mágica desta época.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Un Italiano Vero, ou Spaghetti Pomodoro

Adoro ouvir falar italiano, a música que parece sair daquele idioma é qualquer coisa que me hipnotiza ao ponto de beber cada palavra. Ao ponto de um insulto soar a música, o nome de um prato gastronómico dito pelo empregado de mesa, ser certamente mais apelativo que o próprio prato. Podiam falar italiano comigo a noite inteira que mesmo não entendendo nada, escutaria sem qualquer sacrifício.
O francês bem falado, ou o inglês aristocrata também me adoçam os ouvidos sim senhora, mas nada, nada chega aos calcanhares de um chorrilho de insultos proferido por uma Mamma italiana, ou de uma música popular cantada com aquele timbre incomparável.
Qualquer dia perco a cabeça e enfio-me num curso de italiano, se bem que sou um bocadinho tímida para falá-lo como ele merece, de peito cheio, cantando bem alto cada palavra.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Este é que é o Nível mais Baixo de Desleixo




Retiro tudo o que disse no post anterior sobre ter chegado ao ponto mais baixo de desleixo. Depois de ter recebido estas fotografias por mail, meus queridos e sensuais cornos de rena, eu sou uma Miss Universo.
Eu que não vou ao supermecado com calças de fato de treino, pois sei de antemão que vou encontrar alguém que não vejo há anos, alguém que certamente me irá achar na mó de baixo, quando o que mais queria era esfregar-lhe na cara o meu sucesso (ahahah). Eu, Anita, cujo único pecado foi ter sido apanhada a cozinhar de cornos na cabeça peço publicamente desculpas a mim mesma, pois sou uma deusa quando comparada a certas espécies de animais selvagens à solta nos supermecados.
Ver isto fez-me bem ao ego e deu-me um bocadinho de enjoos gestacionais.

Os Cornos


Sabemos que chegámos ao nível mais baixo de desleixo quando o nosso marido chega a casa do trabalho e nos apanha a fazer o jantar com uns cornos de rena na cabeça, depois lança-nos um olhar de quem pergunta: Para onde é que foi a mulher esbelta e maravilhosa de outrora?
Em minha defesa:
A Alice cravou-me este belo artefacto natalício.
Eu odeio cozinhar com o cabelo a cair-me na cara e tinha os elásticos todos no andar de cima.
Subir as escadas, para uma paquiderme em hora de quebranto é tarefa utópica.
E podia continuar a minha argumentação inteligente até ao infinito, não fosse a contradição de neste preciso instante estar com os cornos a segurarem-me a franja.
Meu deus, será que isto quer dizer alguma coisa?????

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O Terror da Mama ou Ordenha Materna

À medida que o tempo para conhecer o meu filho encurta alguns medos vão surgindo, principalmente durante a noite, quando o sono se interrompe por tudo e por nada e a cabeça voa para bem longe da almofada.
Por mais surreal que vos possa parecer a minha angústia-mor é a mama.
Ao contrário do que publicitam em tudo o que é livro, curso de preparação para o parto, filme, cartaz de rua, revista da especialidade, corredores das maternidades. Dar de mamar à Alice não me aproximou mais dela. Não me fez sentir nenhuma das coisas com que me lavaram o cérebro durante os nove meses de gravidez. Aliás, todas essas coisas que escrevem, dizem e apregoam serviram apenas para me fazer sentir a pior das mães por não retirar qualquer prazer divino-maternal na ordenha.
A pingar leite, com uns sutiãs que se abriam, algodões tamanho XL ensopados, bombas que o Hugo usava como um verdadeiro camponês no estábulo, sendo que a vaca era eu, dores de trepar pelas paredes, acordar de meia em meia hora para sacar da mama dorida e cansada, retirou-me 90% da paz que precisava para me sentir mãe e deprimiu-me como nada ao longo destes quase quatro anos me deprimiu.
Odiei cada minuto daquela rotina, mas por causa de toda a campanha facciosa-pró-mama achei que não era normal uma mãe sentir-se assim. Onde é que estava o elo, a ligação transcendente, aquela mística mamária?
Depois os conselhos, os olhares, as mezinhas, as corridas para o hospital onde a enfermeira-chefe me sacava leite com uma seringa (sem agulha é claro) transportaram-me até à quinta dimensão e eu chorava. Chorava por não sentir aquele elo, aquele apelo e por achar que era menos mãe por pensar sequer em desistir daquela tortura.
O que é certo é que o elo nasceu, a intimidade surgiu finalmente e eu pude curtir a minha filha no dia em que decidi trocar a teta pelo biberão, no dia em que aceitei que não era uma má mãe por não gostar de sacar da mama de meia em meia hora e quando percebi que dar-lhe leite em pó não era a mesma coisa que lhe enfiar cianeto pela goela abaixo.
As mulheres são todas diferentes, mas dar, ou não dar de mamar não é o que as define como boas, ou más mães.
A Alice nunca tomou um antibiótico e tirando dois episódios de febre, o último dos quais, há pouco tempo, nunca teve nada de grave.
Sempre me preocupei com a alimentação dela, com os legumes, o peixe, a fruta e sinceramente facciosos-da-mama-que-não-admitem-outra-realidade se olhassem mais para o que os putos comem na fase pós lactente isso sim seria um bom investimento na saúde infantil.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O Gene que Me Falta

Às vezes adorava ser como aquelas mães nórdicas com os putos às costas, que dão a volta ao mundo com o bebé aos gritos pendurado no lombo e o alimentam com o que vão recolhendo pelo caminho, seja McDonalds com coca-cola no biberon, ou feijoada com couve lombarda em estômago lactente.
Adorava ter a descomplicação de deixar a fralda com cocó verter cá para fora até o rabo explodir e quando isso acontecesse, com um sorriso tranquilo, enfiar o bebé no capot do carro com 20 graus negativos e mudar tudo ali mesmo.
Adorava ficar indiferente ao choro, às birras, ao cansaço e passear-me com as crias pela 5ªAvenida com o mesmo à vontade com que as passeava no parque infantil.
Adorava descomplicar, desdramatizar, relativizar, dizer que "tudo se cria".
Mas não tenho, sou uma chata do caraças, uma preocupada, uma cocózinha, alguém que não tem paciência para birras e que gosta de zelar pelos sonos dos putos, sabendo que são esses sonos que nos dão tréguas.
É precisamente por isso que sei não ter dentro de mim o gene de parideira/mãe de prole infinita que assiste a tantas mulheres. É precisamente por isso que quando me perguntam para quando o terceiro, estando eu ainda à espera do segundo, a única coisa que me ocorre é um desferir um soco...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Uma Médica Cool, ou Nem Por Isso?

O que pensar quando a médica que escolhemos para ajudar o nosso filho a nascer se vira para nós depois de nos mandar subir para cima da balança a fim de ver quanto é que aumentámos de peso desde o mês passado e diz:
"A Balança Quinou"
1 - Tem duas filhas adolescentes e apanhou-lhes a linguagem cool.
2 - Gosta de fumar brocas no intervalo das consultas e dá-lhe para usar calão a seguir. O que nos leva imediatamente à hipótese seguinte:
3 - Também gosta de fumar brocas antes das cesarianas e vai com certeza dizer-me com um grande sorriso e de bisturi na mão enquanto come uma sandocha pós-ganza: Já quinaste Ana?
4 - Engordámos tanto de um mês para o outro que ela simplesmente entrou em bloqueio linguístico e para não dizer "Ó minha granda vaca o que é que tens andado a comer?" sorri e diz que a balança quinou.
Prefiro acreditar que foi uma das primeiras três hipóteses. Até lá acho que tenho uma médica muito porreira.

Tradição ou Chatice?


Ontem saímos já tarde para comer castanhas na rua. Finalmente um bocadinho de frio para lembrar que já é mais Inverno que Verão e para nos saber bem o fumo quente com cheiro a brasa, projectado na nossa direcção.
Sentados os três nas escadas de um prédio a saborear aquela que considero a melhor das iguarias de rua, pensei no histerismo que se criou em redor dos novos pacotinhos de castanhas. Os cabelos que se puxaram com o fim do papel de jornal, ou das páginas amarelas. Ai que a tradição já não é o que era, ai que nos querem acabar com o papel enrolado do jornal, ai que desgraça para onde é que vai o país!
E ri-me, ri-me com a estupidez de tudo aquilo, pois a mim dá-me muito mais jeito comer castanhas naqueles pacotinhos bonitos, não me retira rigorosamente prazer nenhum o facto de ter aquilo na mão em vez de um amarfanhado de notícias ou números de telefone e que me perdoem os defensores da tradição castanheira, mas o sítio onde me dão as castanhas é-me perfeitamente indiferente, pois sou de tal modo apaixonada por elas que até as comia do chão se não estivesse ninguém a olhar (e, por quem me tomam, se ainda estivessem dentro da casca).
Não estamos a falar de café bebido num copo de plástico que fica quase sem sabor. Isso sim seria mais do que motivo para uma revolução em massa por parte do povo.
Quanto a coisas como o papel que envolve a castanha sou tradicionalista, mas nem tanto...

domingo, 22 de novembro de 2009

À Superfície

É incrível como ainda me espanto, me embasbaco, me choco de cada vez que vejo mais um pai destruir o património emocional de um filho com uma ligeireza estúpida, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Fazer filhos é fácil, fazer-lhes gracinhas e cuchi cuchi no queixo enquanto eles se babam é cagada, mudar fraldas e gabar-lhes o jeito para a muda é um peido, agora não os traumatizar, tentar mantê-los sempre à tona quando tudo o resto desmorona, puxá-los com todas as forças à superfície quando a vontade é deixar a própria vida afundar, isso sim é de gabar.

sábado, 21 de novembro de 2009

Reaprender o Natal

Hoje escrevo para ti, pois quando passeávamos à sombra das decorações de Natal e a tua mãozinha puxava a minha para que visse cada luz, cada coroa, cada árvore, com um entusiasmo comovente eu sorri, gritei, apontei seguindo sem esforço o teu entusiasmo, muito embora nunca tenha vibrado antes com esta época, sempre tenha desdenhado do Pai Natal e nunca tenha tido em casa nada além de suspiros por estar a chegar a quadra natalícia, como se de extermínio se tratasse.
Ontem decidi pela terceira vez na minha vida que gostava do Natal. Não pelos presentes, não pelo consumismo, não pelo bacalhau, pelos sonhos, pelas rabanadas, pelo Bolo Rei, mas por ti meu amor.
Tens-me ensinado tanto ao longo destes quase 4 anos que nem ouso começar a agradecer-te, pois perder-me-ia em tudo, em cada frase, em cada gesto, em cada abraço e eu não quero perder-me, não hoje, não agora que te tenho no lado mais quente de mim.
Sei que vou escrever uma lista para o Pai Natal contigo, que vou deixar-te decorar a árvore sem me preocupar com a estética, que vou abrir as portas para que a tua alegria inunde mais uma vez esta casa e que vou fazer sempre o possível e o impossível para que esse brilho de deleite no teu olhar nunca se perca como o meu se perdeu, pois é através desse olhar que a minha vida ganha todo o sentido do mundo.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Estas Coisas Acontecem... Mas Tantas?


Sim eu sei, isto começa a parecer um muro das lamentações domésticas, mas eu tenho que expurgar a minha raiva algures e que melhor lugar do que este cantinho cheio de olhos prontos a lerem as minhas idiotices caseiras e ainda por cima simpáticos à brava?
Depois de quase dois meses à espera dos famosos puxadores de princesa (como a Alice lhes chamou desde o dia em que os viu) lá fomos buscá-los hoje de mão dada e um brilho enternecedor no olhar da minha filha que liga a estas coisas da decoração.
Chegadas a casa a bricoleira de serviço, que é como quem diz, eu, lá arregaça as mangas e de chave de cruzes em punho e com dores nas cruzes, começa a trocar os puxadores antigos por estas (caras como um raio) borboletas coloridas.
Suada, de joelhos no chão, a fazer o pino, com a língua de fora lá consegui espetar com o borboletame na cómoda. A Alice batia palmas, encantada com aquele novo elemento no seu quarto e eu corada, mas a cantar vitória.
A sensação de euforia durou até começar a meter a pata nas asas, puxar para abrir a gaveta e....... Yupi!!!!! Ficar com as borboletas na mão, partidinhas da silva. Mas que belo material sim senhora, olha que se partiu mais uma, olha e mais outra! É vê-las levantar voo das gavetas a uma velocidade estonteante.
Liguei para a loja e é claro que o velho, milenar, caquético comentário da gaja da loja surgiu:
- É a primeira vez que recebemos uma reclamação e já trabalhamos com essa fábrica há anos...
- Há sempre uma primeira vez para tudo minha querida, vá preparando a massa para me devolver, sim?
Depois lembrei-me da Alice, a um canto, olhos brilhantes mas de tristeza, a frustração estampada no rosto e tentei resolver a coisa com Super Cola 3. Escusado será dizer que estou com as mãos sem qualquer espécie de sensibilidade, nem sei como não fico com o teclado colado nos dedos. À beira de um ataque de nervos, cheia de super cola 3 nas manápulas e a praguejar contra meio mundo, a minha filha diz-me:
- Deixa estar mãe, essas coisas acontecem...
Esta miúda existe?

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Socorro!!!!!!

Aqui a dona de casa inteligente decidiu começar a lavar a roupinha do bebé, mais precisamente, as lãs. E como o meu tempo disponível já não é certamente igual ao que tinha quando estava à espera da Alice, altura em que lavei tudo à mão. Decidi armar-me em boa e inteligente e lavar tudo na máquina. Até aqui tudo bem, a minha máquina tem um programa de lãs que deu conta do recado.
Ai que orgulho doméstico que senti ao tirar todas aquelas peças de lã fofinhas e cheirosas de dentro da máquina, ai como me ri de mim própria por ter lavado tudo à mão no antigamente. E para completar este ciclo de sorte e convencimento vai de enfiar tudo na máquina de secar que também tem um programa para lãs. Ai que lindo. Sim que idílico, se aqui a estúpida, otária, distraída, abécula da Ana não se tivesse enganado no símbolo e no lugar daquele novelozinho de lã vai de carregar num botão que tem um sol desenhado. Um sol de calor, de bafo, de inferno de labaredas!!!!!
Metade da roupa não serve agora a um feto de 5 meses...
Alguém sabe de um truque milagroso que devolva o tamanho original à roupa encolhida até ao tamanho de uma bactéria por uma mãe-parva-que-devia-era-estar-quietinha?

Ando Farta

Ando farta da minha caixa de correio electrónico cheia de alertas de sabonetes que fazem cair a pele, de casos de queimaduras graves depois de se temperar carne com limão e tomar banho na piscina a seguir.
Ando farta dos relatos de assaltos no Cascais-Shopping durante a noite, farta dos novos métodos de burla telefónica. Farta do perigo que certas substâncias presentes em tudo quanto é gel de banho representam para o risco de cancro.
Ando farta da Dona Ermingarda que está muito mal por causa de uns comprimidos que tomou, ou da vacina que levou.
Ando farta das teorias da conspiração de laboratórios farmacêuticos e do Tamiflu, farta das teorias contra a vacina da Gripe A.
Ando farta dos e-mails com correntes de oração, de pedidos, de abaixo assinados que temos que enviar a um milhão de pessoas.
Ando farta dos Power Point Shows com músicas do Senhor e paisagens sublimes.
Ando farta de toda esta informação paralela nunca sujeita a confirmação, mas na qual todos acreditam piamente, como se saíssem directamente da boca de um prémio Nobel da ciência, ou da química.
Ando farta dos dramas e alertas que todos os dias decidem enviar-me. Aliás, ando tão, mas tão farta que já nem sequer os leio. Abro a tampa do caixote do lixo e decido viver apenas com os meus próprios dramas.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Eu Pergunto Apenas: QUE BOSTA É ESTA??????



Hoje fiquei a saber que um conceituado arquitecto, tão conceituado que nem me lembro do nome, a pedido da igreja e ao que parece com os donativos dos crentes, defecou este projecto para a nova igreja de S. Francisco Xavier no Restelo. Chama-se "igreja-Caravela".
Já está em andamento a construção desta Notre Dame portuguesa, desta obra prima de arte sacra, desta ideia de génio de um criador não menos genial.
Os padres calaram e comeram, quem sabe pensando estar perante um milagre da criação, profundo demais para o seu entendimento, os crentes que deram os donativos eram entrevistados atrás das árvores, não querendo dar a cara ao proferirem uma opinião menos bonita, ou quem sabe com vergonha de terem contribuído para tamanho embelezamento da paisagem do Restelo.
Agora eu pergunto:
Para conseguirmos um alvará para fazer uma obra em casa temos que recorrer ao suborno, mas é possível parir um excremento arquitectónico destes impunemente?
Mas que merda é esta no meu horizonte visual? Ainda se fosse a Arca de Noé, pronta a navegar quando o tsunami atingisse Lisboa...

Em Sobrancede das Ratas Nasceu o Menino

Se há coisa que adoro ao ponto de pôr o volume no máximo e os olhos ficarem vidrados no ecrã da televisão, é a ida dos jornalistas ao local onde o suposto criminoso nasceu, sondando vizinhança, comerciantes locais, cães, gatos e tudo o que mexa.
Por isso é claro que não perdi a ida à santa terrinha do Armando Vara, de onde parece que saiu aos 7 anos de idade.
- "Ai era um santo menino, amigo do seu amigo, educadinho, bom filho, nunca se lhe conheceu um inimigo"
Nesta altura já estou a suspirar e a implorar por uma alminha criativa que responda:
- O quê o Armandinho? Desde os 3 anos que engrupia as pessoas. Aos 4 montou um esquema em que limpou as contas bancárias da Dona Ermegilda e do Senhor Emílio dos Caracóis e nunca mais ninguém o viu. Torturava animais, apanhava cães vadios e espetava-lhes palitos nos olhos. Um sem vergonha de um puto. Eu sempre disse que ele ia dar no que deu!
No dia em que um jornalista brilhante for de abalada à Vila de Sobrancede das Ratas, terra natal de um político manhoso e conseguir um testemunho do género, posso seguramente afirmar que o profissional teve o furo de uma vida e eu vejo finalmente realizada uma fantasia :)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Morte ao Bicho!!!!!!!!!!!

Desde tenra idade, mais precisamente, desde o dia em que ouvi a história da Cigarra e da Formiga que me convenci que esses bichinhos armazenadores compulsivos, trabalhavam no Verão para se recolherem no Inverno cheios de mantimentos.
Mas ao que parece isso só se aplica às pêgas das formigas dos contos de fadas. Porque pela minha zona elas não recolhem, não ibernam, não se resguardam, estou até convencida que não têm casas, aliás, têm sim, a minha cozinha.
Então não é que acordo, olheiruda, rezingona, preguiçosa, penetro na cozinha para fazer a única coisa que me comove pelas manhãs, o café e apercebo-me que a minha bancada está negra e mexe????
E que a caixa dos pastéis de Tentugal que o Hugo trouxe de Coimbra ganhou pés????
O que fazer? Fechar a porta da cozinha, voltar para a cama e repetir até à exaustão que foi um sonho? Ligar o aspirador e sugar as sacanas até não restar nenhuma? Pegar na caixa dos pastéis de Tentugal e tentar salvar pelo menos um? Ou varrê-las com CIF Spray cozinhas seguido de pano molhado?
Pois é, aqui a otária optou pela última e higiénica solução.
A Alice olhou-me de forma estranha quando entrou na cozinha atraída pelo meu praguejar e me observou a exterminar formigas enquanto dizia:
Morram sacanas! Sacanas! Sacanas!
E é assim que uma mãe deita por terra as tentativas de educar o rebento no respeito por todos os animais, já que ela se juntou a mim no extermínio...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A Clausura e a Loucura

Doente à vez com a Alice, ora dormi mal de noite porque estava mal disposta, ora dormi mal de noite porque ela estava mal disposta.
Ora punha eu o termómetro, ora punha nela o termómetro.
Ora era eu que tomava ben-u-ron, ora era ela que tomava anti piréticos.
No meio de tudo isto e feitas as contas, estamos há quase duas semanas de molho, que é como quem diz piréticas, pirulas, à beira da loucura caseira.
Por isso hoje decidi que era dia de sair. Quis lá saber da chuva, das três lâmpadas que se fundiram quase em simultâneo cá em casa, da camisa branca que saiu azul da máquina, da noite de ontem em que só preguei olho às 3 da matina.
Eu quis lá saber da loiça empilhada no lava loiças, ou das mil e uma coisas que se podem sempre fazer numa casa, porque hoje a tarde seria nossa, das convalescentes.
A seguir ao almoço damos um giro. E pronto sentámo-nos para almoçar, vestidinhas, maravilhosas, quando a meio do almoço a Alice começa a queixar-se de má disposição e depois de passar algum tempo a ignorar os lamentos dela, costumeiros quando não quer comer mais, ela estende-me os braços enfia-se no meu colo e vomita-me toda.
Até chegar ao lava-loiças da cozinha conseguiu vomitar-me o cabelo, o pescoço, a camisa e a cozinha inteira.
Parece que afinal a clausura não se rompeu hoje.
Quem diz que os filhos não são a maior e a mais inexorável mudança da nossa vida, não sabe o que diz. Quem diz que os filhos não viram a nossa vida ao contrário, a abanam bem abanada e nos deixam tantas vezes sem fôlego à procura daqueles dias em que podíamos simplesmente descansar, também não sabe o que diz.
Eu entretanto já não sei o que faço, só sei que estou cansada ah e amo muito a minha filha.