quinta-feira, 8 de abril de 2010

Meu Querido Corpinho

Hoje é dia de ir vacinar a Alice e o António e não sei se por causa disso, se pelo Hugo estar todo entrevadinho das costas e não se levantar de noite quando o bebé acorda, sinto que cheguei ao meu limite físico. O meu corpinho resistiu a nove meses de gravidez com um gigante no seu interior, 5 dos quais sem dormir mais de duas horas seguidas, uma anemia pós-parto, dois meses e qualquer coisa a acordar de 3 em três horas e durante o dia a ouvir chorar quando paro de abanar a espreguiçadeira.
Tenho momentos em que adormeço mesmo quando estou a falar com alguém e outros em que não sei se estou a sonhar, ou acordada. Entre tudo isto tenho que fazer de conta que estou estou mais ou menos porreira para a Alice continuar a acreditar que estou viva e oiço efectivamente o que ela me diz.
Enfim meu querido corpo, obrigada pelo esforço, aguentaste bastante sim senhora, sem RedBull, sem choques eléctricos que te estimulassem, nada além da cafeína. Agora chegou a hora de cederes, desmaia-te para aí, esconde-te debaixo do tapete, finge que gripaste, mas ir vacinar os dois não que tu não te aguentas.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Diz que é Metro e que também é Sexual

A sério que há mulheres que acham piada quando o marido sai para a manicure porque as cutículas estão um desastre?
A sério que há mesmo mulherio que se sente atraído por homens que vão fazer hidtratação ao cabelo, que esfregam creme nos cotovelos, compram pochetes Louis Vuitton ou fazem esfoliação de rosto uma vez por semana?
Jurem?
Não sou tão das cavernas que ache que um homem se deve esfregar com palha de aço e sabão azul e branco, mas se apanhasse o Hugo a hidratar os cotovelos na casa de banho, qualquer coisa dentro de mim morreria, disso não tenho a menor sombra de dúvida.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Coragem debaixo de água


Sozinha em casa. A Alice (minha ajudante principal nestas coisas do banho) em casa da avó a arejar a mona. Decido gozar o banho do António a dois. Eu e ele com as minhas canções absolutamente estúpidas, os meus cuchi-cuchis mais melosos do que o normal e um olhar embevecido de parte a parte.
Viro-o de barriga para baixo, a posição que ele mais gosta quando está de molho e toca de dar aos pés. Parece que tem duas barbatanas incorporadas de tanto espernear na brincadeira.
- Olha o meu sapinho, chapinha, chapinha. - As coisas ridículas que saem da boca de uma mãe que se apanha sozinha são do pior.
Estou eu neste mel todo quando começo a ouvir o que parecem ser as Cataratas do Niagara dentro da casa de banho, mais precisamente sobre os meus pés.
- Mas que raio?
De tanto chapinhar o António conseguiu a proeza de tirar a tampa do ralo. Só tenho tempo de enfiar o dedo no mini-ralo e estancar a potencial inundação caseira. Os meus pés já estão submersos. Com uma mão seguro o António e com a outra mão tapo o ralo. Não vale a pena gritar por socorro. Calculo quantos litros leva uma banheira daquelas, chapinho com os pés gelados na piscina que se formou na casa de banho.
- Os cuchi-cuchis dão lugar a merdas e porras. E o cenário idílico a uma catástrofe natural.
Procuro a tampinha com o olhar esgazeado, mas não a vejo sob a espuma. O meu dedo no ralo começa a apresentar sinais de fadiga, tal como o António que desata no seu berreiro habitual.
Num gesto de coragem heróica tiro o dedo e com a mão livre procuro a bosta da tampa. Quando finalmente a encontro e espeto com ela no ralo, já só sobra meio litro da água dentro da banheira, o resto está a inundar a casa de banho.
Como sou uma gaja super cool ainda arranjo sangue frio para vestir o António enquanto lavo o pézinho no Oceano Atlântico do Wc.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Ora dá Cá o Pé




Diz que estes sapatos são inspirados no pézinho dos Massai, que quem anda com eles trabalha os glúteos, que é como quem diz a bela da peidola, que melhora a postura lombar e tira muitas das dores relacionadas com o dorso. Diz que estes sapatos fazem tudo pelo nosso corpinho. Tonificam, emagrecem, endurecem. Só lhes falta falarem connosco, ajudando-nos a nível psicológico.
É claro que como típicos criadores de sapatos amigos do pé enveneraram-nos a nível estético. Ai doi-te as costas? Queres perder centímetros de rabo? Ora então toma lá e anda com estes tanques de guerra na rua. Podes ter a certeza que te arruínas a nível social e do engate, mas ficas sem o rabo gordo em poucos meses.
Haviam de me pagar para andar com uma coisa destas nos pés, chiça que pavor do design de chulé.

domingo, 4 de abril de 2010

2 Meses Comigo

Comigo nunca aconteceu como diziam as outras mães que acontecia.
Comigo não chegou de rompante bem na sala de partos, nem nos dias seguintes como uma luz, um fenómeno paranormal.
Comigo não foi tiro e queda como sempre ouvi dizer que era.
Comigo foi entrando de mansinho, em surdina, pé ante pé, com bastante timidez, até um dia acordar e perceber que estava tomada, irremediavalmente tomada de amor.
Tenho esta parte estranha no meu coração que nunca se deixa surpreender por nada, mas que já bateu e parou, acelerou e desacelerou vezes sem conta, principalmente por razões de amor, principalmente pelos meus filhos (e como ainda é estranho falar no plural).
Fui aprendendo mais de ti ao longo dos dias, uns atrás dos outros, sem pressa, como uma maré que enche cheia de vagas. Fui amando mais de ti a cada olhar, a cada toque, a cada som, a cada sorriso.
Fui amando mais de ti a cada choro, a cada banho, a cada passeio, a cada colo.
Fui amando mais de ti até saber que já és o ar que respiro, que já não sei chegar a casa e não te sentir, que já não concebo o meu quarto sem as tuas pequenas mãos que se agitam quando escutas a minha voz.
Fui amando mais de ti com uma única e absoluta certeza, a de que este amor não tem retorno possível, é o amor de uma vida inteira, enchendo até as páginas do meu passado, de todo o tempo antes de ti, que agora não faz o menor sentido.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Entre o Começo e o Fim


Sempre gostei de imaginar o meio dos algarismos inscritos nas campas.
"Entre o começo e o fim" é como chamo a tudo o que viveram os que repousam ali naqueles lugares de culto.
As frases inscritas na pedra, tentando perpetuar sentimentos. As fotografias gastas em que se vislumbram rostos sorridentes, nostálgicos, jovens, velhos.
A minha imaginação voa de cada vez que passo os portões de um cemitério e sinto desde a ponta dos dedos ao mais fundo de mim, todas as vidas que terminaram ali de uma forma absolutamente avassaladora.
Sei que já ali não vive nada, mas o peso dos que ficam cobre tudo de uma forma única.
O cemitério onde senti maior simbiose entre a vida e o final dela foi aqui na Cornualha (St. Ives).
A natureza que nos engolia os sentidos, o cheiro a mar salpicado de verde acalmavam certamente os que haviam perdido alguém naquele lugar.
E pensei como todos os sítios de repouso deveriam ser exactamente assim, sem necessidade de flores sobre as lápides, pois tudo em redor delas era uma homenagem, um convite à lembrança serena, à reflexão, àquela saudade de sabor agridoce.
Lembro-me perfeitamente de me ter sentado ali e de não ter experimentado nenhuma das sensações pesadas dos outros cemitérios rodeados de muros de cimento, de jazigos, de flores plastificadas. Aqui tudo estava no seu devido lugar e a morte essa tenebrosa inimiga, sentida como parte da vida.

*Completa e absolutamente inspirada por este texto.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Penso Logo Existo

No carro.
- Mãe?
- Yes filha.
- Quando tu te casaste com o pai eu já estava na tua barriga?
- Não.
- Então onde é que eu estava?
- Hmmmm, ainda não existias.
Um momento de silêncio. Sinto os neurónios dela a fervilharem.
- Que disparate mãe.
- Disparate porquê?
- Eu tinha que estar em algum lado, não é?
O meu cérebro sonolento não dá para tanto e emudeço.
- Devia estar onde estão os bebés que ainda não existem claro.
- Claro Alice, é isso mesmo. Há um sítio onde estão todos os bebés em fila à espera para existirem.
Chiça que uma mulher não pode adormecer em serviço no carro.

terça-feira, 30 de março de 2010

Divagações do caneco


Se há coisa que torna uma cidade feia que se farta é a roupa a secar nas janelas. Odeio passar na rua e ver as cuecas gigantescas, as cintas de velhota até aos sovacos, as meias, os lençóis com flores laranjas dos anos 70.
Porque é que tenho eu que ver aquilo? Deprime-me.
E já agora outra pergunta completamente sem nexo, mas que me tem vindo à cabeça vezes e vezes sem conta, sim porque eu também tenho um lado fashion.
Depois de tantos anos a tentar esquecer o horror que foi a moda nos anos 80 porque raio tinham que a ressuscitar? Caramba.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Pelo Olhar Dela

Fui dar contigo sozinha, sentada de pernas a baloiçar muito concentrada em qualquer coisa que tinhas posto sobre a tua mesinha redonda. Aproximei-me em silêncio não querendo estragar o teu momento, mas morta de curiosidade para ver o que te prendia a atenção daquela forma.
Quando vi o que seguravas nas mãos pensei como todos os dias consegues surpreender-me e como a tua doçura compensa todas as rabujices do mundo.
Olhavas uma fotografia minha e do teu pai de há 8 anos atrás com uma imensa praia por trás e o ar mais jovem deste mundo.
- Gostas de nos ver aí?
- Posso ficar com esta fotografia mãe?
- Claro que sim.
- Gostava de a ter aqui no quarto.
A minha cabeça fez mil e um filmes. Primeiro que andavas triste por causa do nascimento do teu irmão e com saudades de quando éramos só os três, depois pensei que tinhas medo de nos perder.
- Gosto de vos ver juntos, sabes.
Os filmes pararam imediatamente. A Alice é assim mesmo, sensível até à ponta dos cabelos, comove-se com a mesma facilidade que eu e sim, parece que gosta mesmo de ver os pais juntos, só isso.
É tão fácil apaixonarmo-nos pelo olhar dos nossos filhos, mas tão fácil...

domingo, 28 de março de 2010

Mães Culpadas

Sei que sou melhor mãe quando decido ir ao cinema sozinha e deixo o Hugo com as crias por umas horas. Mas não foi fácil chegar a este estado de espírito, acreditem que não foi mesmo nada fácil.
Gostava de saber quantos anos, ou gerações serão necessárias para que as mães se libertem daquele estranho sentimento de culpa que as consome só por estarem longe dos filhos por umas horas, só porque não conseguem dar de mamar, só porque se sentem abaixo de cão mil e uma vezes por dia e acham que deveriam sentir-se sempre nas nuvens.
Gostava de saber de onde veio este estranho complexo que mexe no interior de uma mãe porque não faz as coisas da forma que uma minoria com ares de coisa divina decidiu inventar e dizer que era lei.
Gostava de saber o que é que leva uma mãe a sentir-se na lama porque pede ajuda, quando ao longo de toda a História as famílias viviam juntas, inter-ajudando-se, valendo-se, revezando-se.
Enquanto penso em tudo isto dou uma trinca na minha chamuça vegetariana do Celeiro e olho o relógio. Ainda faltam 10 minutos para o filme começar. Penso na Alice e no António e dá-me uma tremenda dor de amor pelos meus filhos. Deixo aquilo tudo invadir-me, bebo o meu sumo natural e sei que quando chegar a casa vou levar mais paciência, mais dedicação, mais carinho, pois livrei-me do sentimento de culpa e consegui ganhar espaço para a saudade.

sexta-feira, 26 de março de 2010

À mesa do jantar

Tento ouvir o que o Hugo me conta acerca de um congresso no Estoril, ao mesmo tempo a Alice grita qualquer coisa para o telemóvel desligado e refila com a amiga imaginária ( Tony Blekens não me perguntem porquê) acerca da insistência dela em ligar-lhe à hora do jantar, o António vai chorando na espreguiçadeira que é como quem nos diz, balancem isto até os meus miolos chocalharem e lá vou eu balançando com um pé e o Hugo com o outro inconscientemente até já andarmos a dar ao pé, mesmo quando não temos a espreguiçadeira nas imediações.
Eu tento, juro que tento prestar atenção ao que o Hugo me conta, mostro o meu olhar mais concentrado, apesar de cerrado pelo ruído intenso à nossa volta, mas a realidade é que não consigo ouvir uma palavra, ou melhor, os meus ouvidos escutam e eu não apreendo. Ele acaba por perceber e diz deixa estar. A Alice desliga furiosa o telemóvel e termina a conversa imaginária, o António continua a miar. Eu, bem eu apenas quero comer a minha refeição em silêncio sem ter que usar mais do que o meio neurónio que me resta.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Soren Filho ainda te lembro

Talvez devido ao facto de ser a tal adolescente cheia de profundidade neurótica e com tendência para a melancolia voluntária, sempre adorei Filosofia. Ouvir falar dos grandes pensadores, desde o chato Kant ao reaccionário Marx sempre me pôs a cabeça em fogo e o coração aos pulos. Como é que existiam pessoas que dedicavam a sua vida a pensar sobre o devir e questões tão essenciais como "uma pessoa nunca entra duas vezes no mesmo rio", ou "Deus está morto"? Como é que esta malta se lembrava de ser filósofa, de criar pensamento atrás de pensamento como modo de vida?
Vivia assombrada por aquilo tudo e escrevia tiradas desses homens que me ficavam a martelar na tola dias a fio, consumida na genialidade, no devir, na existência de Deus provada por equações de neurónios. Chiça que divino pontapé na cabeça era aquela malta pensante e como eu desejava também lembrar-me de coisas interessantes para provar.
De todos eles o que mais mexia comigo era um tal de Soren Kierkegaard, dinamarquês depressivo e soturno.
Dizia ele que as decisões importantes, aquelas de vida ou morte, do todo, ou do nada eram tomadas no escuro, na mais completa solidão, no abismo da dúvida e que só podiam ser suportadas por uma coisinha chamada fé.
Anos mais tarde, quando já não queria saber de filosofia para nada, nem dos grandes pensadores, haveria de me lembrar disto recorrentemente, vezes e vezes sem conta e ainda hoje acho que esta é uma grande verdade. Que quando temos que decidir sobre alguma coisa importante, por muitas opiniões que busquemos a decisão vem apenas e só de dentro de nós, alicerçada em quase nada...

quarta-feira, 24 de março de 2010

Este País não é Para Crianças

Quanto mais países civilizados conheço, mas merdoso acho este nosso país para quem tem crianças. Sim a luz é inconfundível, o clima não é mau de todo, ainda somos razoavelmente pacatos, mas estamos a quilómetros de distância de entender o que é uma cidade amiga das crianças, que convide ao passeio, que crie espaços de lazer com qualidade em cada quarteirão e espaços verdes que não sejam vandalizados por cães, poias dos mesmos, lixo, grafittis e tudo o que transforma a potencial serenidade que se quer quando se passeia um bebé, em local agressivo.
Hoje, amarela de sono, saí para apanhar um bocado de sol com as minhas crias. Como não vivo nos Estados Unidos, onde regra geral existe um parque com P maíusculo a uma distância a pé da nossa casa e passear nas imediações sem ficar com os bofes de fora é para esquecer, tive que me enfiar no carro com tudo o que isso implica e conduzir até um local que me pareceu agradável. Estacionei e percebi que não havia passeio por onde empurrar o carrinho e dar a mão à Alice. Além dos carros mal estacionados, da pedra da calçada solta a cada metro, das passadeiras que começam e acabam num gigantesco degrau, o próprio passeio era um cagalhoto de tamanho, sem largura para dar um espirro.
O que deveria ser um passeio para descontrair, serviu para me deixar ainda mais exausta e eu pensei caramba, que artistas habilidosos estes que planeiam as nossas cidades. Os tipos excedem-se nesta arte sádica de fechar tudo aos deficientes e pessoas que querem simplesmente descontrair.
Senhores vão viajar sim? Ponham os olhos em países tão distantes como Espanha por exemplo. Por isso é que os shoppings estão sempre à pinha.

Recordações de Mim

Durante toda a minha juventude repousei um pé no melodrama e outro no bom humor.
Se sabia de algum filme que pusesse a plateia a chorar, ou de algum livro cuja história de amor terminasse de forma trágica lá estava eu no dia da estreia, ou devorando as páginas do romance até as lágrimas inspiradoras saltarem dos meus olhos comovidos. A neura sempre me inspirou de uma forma quase divina e quanto mais fundo descia nesse estado de espírito adolescente, mais me dava para escrever coisas profundas à brava.
Se não me fizesse chorar não prestava. Se a história retratada não envolvesse alguma dose de sofrimento amoroso não me soava real, pois para mim, as histórias inesquecíveis eram as que me faziam suspirar durante dias a fio. Não tinha rigorosamente medo nenhum da sensação de tristeza, muitas vezes abraçava-a até como alguém que abraça uma bebida inebriante.
Mas por mais esquizofrénica que possa parecer era também a adolescente mais bem humorada da turma. Não havia nada que não fosse sujeito ao meu escárnio bastante irritante. Tudo era possível de converter em riso e até tinha o costume de me reunir com uma amiga à noite só para podermos assistir ao mítico "Perdoa-me" com a Fátima Lopes e gozar do primeiro ao último segundo. Mas era um gozar com ciência, com detalhe e não um gozo rasco qualquer.
Hoje em dia olho para mim e vejo que não mudei tanto assim. A única diferença é que já pouca coisa me faz chorar e tanta, mas tanta coisa me dá vontade de rir...

terça-feira, 23 de março de 2010

Cuchi Cuchi Cuchi, olha a mãe aqui!

Acho que ainda não falei aqui do primeiro sorriso consciente do António, aliás de todos os sorrisos dele que fazem as insónias forçadas de uma mãe valerem a pena.
Pensariam vocês que depois de cuidar dele com afinco, carinho e amor, alimentando-o, embalando-o, proferindo-lhe palavras poéticas o seu sorriso se dirigiria a mim, este ser superior e cheio de sabedoria. Mas desenganem-se.
Depois vem o pai, esse homem paciente e brincalhão capaz de arrancar sorrisos às pedras da calçada. Mas também não foi ele o alvo de tão doces manifestações de alegria.
Estarão vocês a pensar que a Alice teve o privilégio de ser sorrida pelo mano, mas até ela viu as suas expectativas quebradas.
Pois é, o meu filho não só sorriu pela primeira vez como "fala" que se farta com as "japonesas" do meu quarto e não, não são meninas de nacionalidade japónica que habitam nos meus aposentos, mas aquele misto de cortina com estore que decora com elegância as minhas janelas.
O meu filho prefere tecidos elegantes à cara de parva da mãe, sem dúvida que tem bom gosto.

domingo, 21 de março de 2010

O Arroto das 3 da Manhã é Lixado

Alguém sabe quando é que os nossos filhos começam a fazer extravagâncias do género: Dormirem 5 horas seguidas?
É nestas alturas que lamento não ter feito um registo detalhado de como foi o primeiro pum, o segundo arroto, o terceiro bolsado da Alice, assim sempre ia comparando e quem sabe suspirando de alívio com os resultados da análise comparativa.
Conheci uma mãe que metia o filho a arrotar depois dele comer o bife com batatas fritas. Já eu pondero seriamente a hipótese de desistir deste feito no primeiro mês. Não há pancadinhas, posições sentadas, ou esticadas que lhe projectem o ar pela boca fora em tempo útil. Até já tentei arrotar a ver se ele me imitava e nada, sinto-me a mãe mais incompetente do mundo e dou por mim a pensar nas flatulências do meu filho demasiadas vezes por dia para ser considerada uma mulher sã.

sábado, 20 de março de 2010

Amores Perfeitos

Porque é que tudo o que acaba se endeusa? Talvez porque a distância atenua os defeitos e faz crescer a saudade, talvez porque a história não foi escrita até ao fim com todos os parágrafos inerentes, talvez por não terem os dois caído naquela rotina que mói, talvez por tanta coisa que ficou por dizer se lembre apenas o bom.
O tempo e a distância são filtros que deixam à tona apenas o que desejamos lembrar.
Por isso os amores terminados antes de tempo são perfeitos e inesquecíveis, precisamente por não terem sofrido toda a erosão que desgasta os outros, os que vivem os amores até ao fim.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Pais Merdosos

Hoje vou remar contra a maré e falar de pais merdosos. Precisamente por estar muito bem servida de pai em todos os sentidos e mais algum custa-me muito saber que nem todos os filhos têm a minha sorte.
Eu tinha a quem entregar os trabalhos que fazia na escola neste dia, mas sabia que nem todos os meninos tinham destinatário para as redacções, molduras feitas de molas da roupa, copinhos para canetas e tudo o que se fazia na sala de aula com tanto entusiasmo. Sabia e estranhava. Hoje sei e fico triste.
Hoje penso como é que se pode ter um filho e não querer saber dele uma vida inteira, ou ter um filho e abusar dele física e psicologicamente, infligindo feridas emocionais para uma vida inteira.
Hoje penso como a parte mais fácil de todas é gerar e pôr no mundo um filho e como o lado mais importante é tantas vezes esquecido por dar mais trabalho.
Hoje penso que, tal como se chumba no exame de condução e não se pode conduzir, também certas pessoas deveriam ser chumbadas no teste de ser pai e não poderem ter filhos.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Com a Cenoura na Boca


Hoje enquanto via na televisão esta orquestra vienense que dá concertos com produtos frescos, soprando nos nabos, batucando nas abóboras, tocando violino com alhos-franceses percebi que entre muitas verdades universais há uma que é mais universal que as outras:
Há malucos para tudo.
Um dos "músicos" dizia com o ar mais intelectual deste mundo:
" O fascinante nesta arte é que podemos estar a tocar e os instrumentos a desfazerem-se ao mesmo tempo, pois são matéria viva".
Pois está claro, é belo, artístico, profundo ver um pepino desfazer-se com a saliva de quem o sopra, ou quiçá um tomate esguichando sob pressão de tão bela melodia. Envolver os ouvintes na música leguminosa até o seu ser vibrar de emoção, fazê-los chorar com a cebola, ou bater palmas acompanhando o baterista-abobreiro não é de facto tarefa fácil, acredito que devam ter um orgulho infinito naquilo que fazem.
E não deixa de ser fascinante imaginá-los de peito cheio respondendo à pergunta:
-O que é que faz?
- Sou músico.
-A sério?! Ai que interessante. E o que é que toca?
-Um nabo.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Diálogos Recorrentes Em Qualquer Loja Perto de Si

- E o nosso cartãozinho (o Zinho é muito importante) já tem?
- Não.
- E vai querer fazer?
- Não obrigada.
- Mas conhece as vantagens?
-Ora então delicie-me com as vantagens por favor.
-Depois de gastar 1 milhão de euros em compras tem direito a um vale de 5 euros.
- Mas isso é absolutamente irresistível, prendam-me para não fazer já vinte cartões, ai que não me aguento e em qualquer produto?
-Nos produtos que estiverem sujeitos a esta brilhante oferta e que geralmente estão expostos naquela pequena prateleira de esquina.
- Qual?
- Aquela ali escondida atrás da porta.
- E o que é que tenho que preencher?
- Quase nada, só este impressozinho (zinho mais uma vez) com nome, morada, profissão, e-mail, telefone, data de nascimento.
- Vão-me enviar sms por dá cá aquela palha?
- Como assim minha senhora?
- Quando penso que o meu telemóvel apita com uma mensagem romântica, é apenas a Prenatal a dizer-me que já chegou a colecção da Hello Kity por exemplo, acordando-me o bebé com o sinal de mensagem a entrar.
Sorriso amarelo.
- Vão inundar o meu mail com publicidade da treta?
- Só quando fizermos alguma promoção exclusiva para os nossos clientes.
- Exclusiva?
- Sim, apenas para quem tem cartão, não para qualquer gato pingado.
Agora digam-me sinceramente, alguém resiste a encher a carteira de cartões de tudo quanto é loja? Até da Loja do Chinês?

terça-feira, 16 de março de 2010

De Contradição em Contradição

Chegados da maternidade:
- Deixa estar o som da televisão alto. Podem falar à vontade, eu quero habituá-lo a dormir com barulho, afinal de contas sou uma mãe descontraída e nada tensa. É o segundo, não é?
Após 1 mês sem dormirmos bem de noite:
- Estás louco? Baixa isso! Ele só agora é que adormeceu, se o acordas vais-te arrepender para o resto da tua vida, que é como quem diz levas com um tijolo na cabeça! Shiuuuuuuu o bebé finalmente adormeceu e se ele acorda????!!!! Nãããããããão!!!!!

segunda-feira, 15 de março de 2010

Amigas

Hoje lembrei-me de quando as amigas eram o melhor do mundo. Lembrei-me da importância que revestia aquele encontro no café para podermos falar sobre o que nos assolava o coração e divagar horas e horas seguidas sobre um certo olhar, o que significava, o que deixava de significar. Se tinha olhado de lado era uma coisa, se tinha dito uma palavra era outra, se tinha sorrido era a luz ao fundo do túnel, amava-me, ou amava-a perdidamente e não havia lugar para o que quer que fosse além da mais pura das esperanças.
Depois os telefonemas (não havia sms) a toda a hora apenas e só para a pormos a par daquele novo estado de espírito, daquela ideia genial sobre coisa nenhuma, daquela frase tirada de um livro e que tudo nos dizia e ela ali, pronta para nos ouvir e nós prontas para a ouvirmos também com uma paciência ilimitada.
Quero continuar a acreditar que não há como a amizade no feminino e custa-me brutalidades sentir concorrência em vez de cumplicidade, empurrões pelas costas no lugar da mão dada, pois bem aqui dentro recuso-me a largar a adolescência no que toca à pureza de sentimentos.

domingo, 14 de março de 2010

Porquê?

Já me perguntei isto vezes e vezes sem conta, mas é quando acabo de dar banho aos miúdos no final do dia (tarefa dividida com o Hugo) que sinto mais na pele e no cerebelo esta questão:
PORQUE RAIO O TRABALHO MATERNO/DOMÉSTICO não é remunerado?
É das tarefas mais duras da história laboral, sem horário para começar, nem para terminar, a abarrotar de horas extraordinárias, sem direito a baixa por doença, nem por insanidade mental, sem direito a férias, nem feriados, sem reconhecimento social nem fiscal.
Na minha modesta opinião é um dos pilares sociais que sustenta as futuras gerações e não tem nem um mísero código de actividade?
Está na hora de mudar.

sábado, 13 de março de 2010

António Feio

Não sei o que é estar gravemente doente, nunca senti na pele a minha própria mortalidade através de uma doença, apesar de sentir muitas vezes profundamente os confrontos dos outros com o fim, a luta, a esperança morta e ressuscitada uma e outra vez, até vencerem, ou não a batalha.
Também sei que toda a gente lida de forma diferente com as suas próprias dificuldades. Uns com constante tristeza, outros de sorriso nos lábios, uns insistindo em dividir o fardo com os mais próximos, outros não querendo incomodar e todos eles estão no seu direito de caminharem ao seu próprio ritmo, de sofrerem na exacta medida do que conseguem.
Por nada disto me ser indiferente sorri por dentro ao ver o António Feio num programa da Sic (não me lembro do nome) e fiquei presa do princípio ao fim única e exclusivamente pela forma como soube fazer-se alvo do seu próprio humor com uma inteligência e suavidade de fazer inveja a muitos Jay Lenos da vida e afins.
Barbara Guimarães:
- Verdade ou mentira que rir dá saúde?
António Feio:
- Está claro que é mentira, olhem para mim, ganho a vida a rir e não tenho puto de saúde.
E com isto eu só posso concluir que há pessoas que encaram as doenças da mesma forma como sempre viveram a sua própria vida. São absurdamente coerentes e comovem, comovem muito enquanto nos fazem rir.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Benzá Deus

Cresci embalada pelas crendices das avós que a tudo rezavam e a todos os santos intercediam por todas as causas.
Elas tinham (e têm) uma relação privilegiada com Deus, com Santo António, com Santa Ana (minha madrinha de baptismo, sim é verdade), são íntimas dos santos de cada dia e de cada hora.
Se alguma coisa se perdia era o responso a Sto António rezado com divino fervor, se circunstâncias menos boas decidiam descer sobre a vida de alguém milagres eram exigidos, se a conversa era proteger as netas de males maiores vinham as medalhas de Nossa Senhora das Graças, os escapulários, os amuletos carinhosos.
Sempre achei ternurento e jamais questionei o poder de tudo aquilo, ia guardando o que me davam, distribuindo pelos mais diversos locais de perigo. No carro, dentro da minha carteira, na mesinha de cabeceira. Eu estava e estou escudada para as mais diversas ameaças.
Mas de todas as crenças e superstições houve uma que sempre me fascinou. A bênção das medalhas e de objectos afins. É que nada parecia resultar se não estivesse devidamente benzido. Aquilo maravilhava-me, era como um toque de varinha mágica que conferia poderes especiais às minhas medalhas. As minhas eram benzidas, toma lá. E as tuas? Não, então não valem!
Benzidas eram mais divinas, mais milagrosas, mais protectoras, mais santas. Só que à medida que o tempo foi passando a magia foi desaparecendo, dando lugar a uma visão um bocadinho mais chata do mundo, por isso de cada vez que ofereço uma medalha por um qualquer motivo religioso e me perguntam:
- Está benzida, está? - Só me apetece é ganir.

Ando Movida a...

Se me perguntarem de que material sou feita ultimamente, o que é que me corre nas veias, que seiva pulsa dentro de mim (ahahah), o que é que me faz colocar um pé à frente do outro sem acidentes, o que é que me motiva além das palavras, o que é que me faz abrir os olhos todos os dias, para ser absoluta e estupidamente sincera, teria que responder:
Café.

quarta-feira, 10 de março de 2010

De Luz

As minhas mãos empurram o carrinho, a mão dela mergulha no meu bolso para atravessarmos a estrada, as mãos dele agitam-se sobre a pequena manta polar e caminhamos.
Apesar do frio que nos envolve, o sol ajuda a não pensar em nada de triste e aquece-nos a ponta do nariz.
Só hoje percebi como o sol nos andava a fazer falta, só hoje percebi como não há nada melhor do que um dia de Inverno coberto de luz.
Hoje senti também que uma família de quatro é bom.

terça-feira, 9 de março de 2010

A - És Sexy B - És Frigída C - És um Mono

Sempre adorei ver a dedicação com que algumas mulheres (e homens também que eu sei) preenchem aqueles intermináveis testes que saem nas revistas femininas e mais modernamente no livre dans la face (Facebook).
Gastam horas a percorrer as 234 perguntas com 3 alíneas cada sobre os mais diversos temas:
Que animal és tu?
Que filme és tu?
Que comida és tu?
Quão sexy és tu?
És bem resolvida?
Estás preparada para amar?
Sabes partilhar?
És egoísta?
Eu já tentei por mais de uma vez responder à séria, mas dou por mim a deturpar sempre as respostas, porque raio lhes hei-de dizer a verdade? É muito mais divertido obter os resultados que acho melhores, não é?
Tal como naqueles testes psicológicos que nos iam fazer à escola, em que nos mostravam borrões de tinta. Chiça sinceramente alguém via alguma coisa naquilo além de tinta desbotada?
Mas para não me acharem psicologicamente débil dizia sempre que via as coisas mais incríveis do mundo.
E pronto aqui me confesso. Não sei dizer a verdade em testes, é que a verdade consegue ser tremendamente aborrecida.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Em Caso de Acidente Não Ligar

O meu cunhado teve um pequeno acidente de carro e decidiu ligar à GNR para que se deslocassem ao local a fim de (adoro esta frase) tomarem conta da ocorrência. O puto é novo e tem a carta há pouco tempo, não aprendeu ainda que muitas vezes chamar as forças nacionais republicanas em vez de ajudar complica. Pelo menos a mim já me aconteceu sofrer dois acidentes nos quais a minha inocência bradava aos céus, pois num deles levámos com um carro que se despistou em cima e outro bateram-me na peida do meu saudoso Peugeot 205 e das duas vezes conseguiram sacar uma multa aqui à vítima, uma por inspecção atrasada e outra por não ter posto o triângulo a assinalar o acidente, quando tinha ficado sem a mala do carro no embate.
Enfim, avançando na narrativa, o rapaz liga a fim de pedir que se desloquem lá e aqui vos deixo o diálogo surreal:
- Boa tarde, eu gostava de participar um acidente, será que podiam vir aqui?
- Ora bem e hmmmm, o acidente já se deu?
Era caso para responder:
- Deixe cá ver, penso que vou bater daqui a mais ou menos cinco minutos e dez segundos.

O Blogue da Laurinda

Se algum dia me passasse pela cabeça gostar de ser outra mulher, a Laurinda Alves seria certamente a mulher que almejaria.
Tem uma casa com soalho em madeira e vista sobre Lisboa, anda sempre de máquina fotográfica no bolso para imortalizar as coisas mais inesperadas com que se cruza, fazendo-o sempre com uma sensibilidade ternurenta, faz voluntariado nos cuidados paliativos e conta-nos como vê a dor, o próximo, a família com palavras doces sem abandonar a noção da realidade. Tem amigos de todo o mundo, de todas as cores, de todas as inclinações e dá jantares descontraídos onde conversam pela noite dentro. Tem um filho que toca piano e ensaia em casa, enchendo as paredes de notas de música. Frequenta cursos onde se preenche do que acha importante, sorri com simplicidade, escreve bem como tudo e é humilde.
Às vezes parece-me uma vida demasiado boa para ser real, mas era exactamente assim que queria ser se algum dia quisesse ser alguém além de mim.

sábado, 6 de março de 2010

É Complicado? Nem por isso, mas sim.


Passado um mês não posso dizer que tudo tenha entrado nos eixos, não posso dizer que já conheço todo e qualquer som do meu filho, que ele se acalma assim que vem para os meus braços, que não me vou deitar de noite ainda a tremer de medo e angústia sem saber o que esperar. Passado um mês não posso dizer que sou uma super mãe com super poderes e super paciência. Passado um mês ainda me estou a adaptar a carregar de novo com o "ovo" até ao carro e a destilar 100 litros de água corporal de cada vez que preparo tudo para sairmos de casa. A propósito, passado um mês ainda demoro cerca de uma hora e meia até conseguir efectivamente sair de casa.
Passado um mês soube-me pela vida ter ido ver o último filme da Meryl Streep de mão dada com o Hugo e ter pensado como é que é possível esta mulher interpretar qualquer papel na perfeição.
O que faz uma história bem escrita é que ficamos com vontade de escrever a nossa própria história assim. Adorava ter um negócio como o daquela mãe, juntar os filhos em redor de uma mesa gigante para o pequeno almoço e saber fazer croissants de chocolate :)

sexta-feira, 5 de março de 2010

Brinquedos que Resultam


Eu que acho brinquedos para recém-nascidos o verdadeiro desperdício monetário rendi-me a esta Lua Musical da Chicco. Ao mesmo tempo que emite uma luz suave de presença vai intercalando Mozart e Bach no tom certo, nem alto, nem baixo e sem deturpações infantis de músicas que não precisam de ser adocicadas para serem perfeitas e apaziguadoras.
O único contra é adormecer-me a mim, dando-me uma vontade quase incontrolável de me enroscar em posição fetal e chuchar no dedo, quando quem precisa de ser adormecido é o António...
Este post é de verdadeiro valor e interesse nacional.

Bullying

Pergunto-me em que estado de desespero estaria aquela criança de 12 anos para tomar a decisão de terminar com a própria vida atirando-se a um rio.
Como é que se sentiria todos os dias nas idas para a escola, todas as noites antecipando o que o esperava, perguntando-se porque é que o teriam escolhido como alvo das mais cobardes agressões, angustiando-se, temendo, tremendo, calando?
Eu sempre disse que ninguém bate as crianças em ternura e em sadismo, pois quando decidem aplicar maldade a outras crianças dificilmente são igualadas.
Onde é que estava a Escola, onde é que estavam os professores, os contínuos? Onde é que estava todo um grupo de pessoas que supostamente estão lá para proteger?
As próprias escolas e os pais em casa deveriam educar as crianças no sentido de protegerem vítimas deste tipo de agressão, a não ficarem indiferentes. Vi há tempos um programa sobre este tema em que algumas escolas pioneiras no combate ao Bulling ensinavam colegas a defender colegas sempre que assistissem a agressões. Juntavam-se, formando um círculo em redor da criança, um círculo protector e muitas já tinham conseguido "salvar" outras crianças de situações de perigo.
Este fechar de olhos, fingir que não é connosco, que nada percebemos, começa nas escolas e segue pela vida fora como um tumor silencioso que mina tudo à sua volta, terminando em sociedades individualistas de merda.

quinta-feira, 4 de março de 2010

António



Às vezes sinto que só a distância nos traz o verdadeiro conhecimento de tudo.
No momento em que nasceste sentia-me a flutuar, a uma distância considerável da realidade, era como se não estivesse realmente ali, como se tudo não passasse de um sonho regado com sons de instrumentos metálicos, o toque da mão do teu pai no meu rosto, as vozes dos médicos.
Passado um mês começo finalmente a acordar da letargia emocional de ter sido mãe novamente e a sentir que estás mesmo aqui na minha vida, que já me olhas, que já me escutas, que já sentes a minha mão no teu rosto com uma satisfação diferente.
Passado um mês volto a sentir que tudo passa demasiado depressa para conseguirmos andar a par e passo com o mundo à nossa volta. Por isso vou tentar parar um bocadinho de vez em quando e perceber que já entraste mesmo nas nossas vidas meu amor. Parabéns pelo teu primeiro mês de vida.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Deprimi

Ai eu saí do hospital com o meu peso original.
Ai eu larguei tudo na sala de partos.
Olha para mim, recuperei a silhueta numa semana, sou assim mesmo é genético.
Parece que estive grávida de uma ervilha, nem se nota que fui mãe há um mês!
Dieta eu? Achas? Bastou-me dar de mamar e em poucas semanas fiquei esguia como esparguete.
Já uso os meus jeans de antigamente.
Não usas cinta pós parto, assim nunca mais vais ao sítio.
Aiiiiiiiiiii!!!!!!!!!!!!!!!!
Mas serei a única gaja a ter saído da maternidade com barriga de 4 meses?
Serei a única a abominar a cinta pós parto e a não conseguir sentar-me com ela enfiada nas costelas e a sair-me das camisolas?
Serei a única gaja que chora porque a falta de horas bem dormidas lhe dá fome?
Deprimi.

terça-feira, 2 de março de 2010

Be Thankful


Gosto de decorar a porta da rua. Bem sei que a maioria das pessoas só o faz no Natal, mas não sei porque raio não hei de ter todo o ano a porta cá de casa enfeitada.
Vi esta frase e não resisti, pois geralmente esqueço-me de me sentir agradecida por tudo de bom que vai surgindo na minha vida. Como pessoa banal que sou, mais são as vezes que suspiro pelas pequenas merdas, do que aquelas que agradeço pelas grandes coisas.
Assim antes de entrar em casa limpo os pés ao tapete e leio a frase para dentro, interiorizando-a para que não descole com facilidade:
BE THANKFUL

segunda-feira, 1 de março de 2010

Morde Aqui no Pescoço

Pela ciclovia fora até ao meu querido Parque Condes Castro Guimarães de mão dada com a Alice e com a outra mão livre tentando empurrar o carrinho do António, praticamente sonâmbula pelas noites em claro, penetro no interior do Parque e qual não é o meu espanto quando um cartaz brutal preso na fachada do Palácio dos Condes me diz que aquilo agora é um Colégio. Paro a tentar absorver a informação. Mas que bosta é esta? Um colégio? Mas desde quando?
- São os vampiros.
Uma voz feminina desperta-me do estado catatónico. A segurança do parque aborda-me cheia de mistérios.
- As gravações. Todas as semanas é uma histeria aqui no Parque, por isso gostam mais de vir às segundas, quando o museu está fechado. Vá lá ver, estão ali em cima, vá ver, vá.
- Ver os vampiros?
- Da Lua Vermelha, não me diga que não sabe o que é?
Tiro os meus óculos escuros e exbibo todo o meu olheirame no seu mais pleno explendor. Ela pára de sorrir, provavelmente pensa que faço parte do elenco. Eu e os meus rebentos vampíricos.
- Ninguém sabe, mas eu digo a toda a gente que eles gravam aqui. É uma balbúrdia, depois estão sempre a dizer corta por causa da assistência.
- Então vá lá, diga-me onde é que estão os meninos vampiros, faça-me ganhar o dia.
- Ali mesmo em cima, está a ver.
E lá seguimos os três... Pelo caminho oposto.
Mas fiquei contente por a senhora achar que aqui a cara pálida ainda atravessa a adolescência, a sério que fiquei.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Reflexão sobre este Amor

Apercebi-me com alguma calma e muita nostalgia que nós mães veremos sempre os nossos filhos da mesma forma. Eles são quem segurámos no colo, quem acalmámos nas noites de choro, a quem demos a mão para transmitir segurança num certo momento, a quem cantámos para que adormecessem, com quem conversámos sobre o que os apoquentava, quem beijámos durante o sono noites e noites sem fim. Os nossos filhos serão sempre bebés, crianças, jovens, adultos condensados numa única pessoa. Muitas vezes vamos querer pegar-lhes de novo ao colo e já não poderemos fazê-lo. Outras tantas desejaremos que nos perguntem sobre tudo e sobre nada e eles já não recorrerão a nós para as questões importantes. Mas nós mães permaneceremos aqui de braços prontos para dar colo durante uma vida inteira.
Em oposição a este sentimento imutável, os filhos mudarão sempre os sentimentos em relação a nós. Passaremos de heroínas a chatas. De companheiras que tudo entendem, a adultas que nada percebem. Muitos filhos verão mais tarde os pais como um fardo, pesado demais para carregarem sozinhos, depositando-os numa daquelas antecâmaras da morte mesmo quando teriam condições para não o fazer e nunca lembrarão que aquela pessoa agora tão pesada nas suas vidas, foi quem lhes acalmou as dores nas noites de pranto, quem lhes levou o medo embora com a sua mera presença.
Por tudo isto estou cada vez mais certa que este amor é de facto o mais puro de todos, aquele que nada pede em troca além de um sorriso nos lábios dos filhos e que se conforma mesmo quando é preterido por tantas outras coisas menos importantes.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Pôr-me a Mexer

Um dos meus traumas de infância, além de todas as psicoses familiares corriqueiras, foi sem dúvida a Educação Física no colégio de Jesuítas que frequentei.
Nem era tanto pelo professor, conhecido por apalpar o rabo das alunas enquanto as ajudava a fazer cambalhotas e pinos, mas sim pela minha total e absoluta falta de jeito para o exercício. Era ver-me a fugir da bola quando se jogava futebol e eu via o esférico projectar-se na minha direcção, balançar-me no sopé da corda quando era suposto trepar por ela acima como um símio, bater os dois pés antes de executar um aparatoso salto sobre o "cavalo" (acho que era assim que se chamava o aparelho) e ficar-me por aí voltando para trás à socapa.
Quando era salto em comprimento sobre um extenso areal nunca acertava com os passos a dar antes de cair de rabo na areia. Se era preciso correr à volta do colégio lá ficava eu sentada à espera da última volta para me juntar aos otários que corriam os santificados quilómetros. Enfim, um pavor, um pesadelo que me valia sempre uma brutal negativa a ginástica.
Desenganem-se os que pensam que eu pesava 210 quilos aos 10 anos, pois era até bem lingrinhas. Talvez isto tenha uma qualquer explicação genética quem sabe, mas a minha predisposição para mover o lombo sempre foi zero.
Por isso a minha decisão de fazer abdominais até que a voz me doa e uma barra de ferro se parta na minha barriga está a ser tão dura...

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Calcante no Acelerador


Tenho séria admiração pelo mulherio que consegue conduzir de saltos altos, pois para mim tamanha proeza enquadra-se na categoria das artes circenses.
Fazer o ponto de embraiagem com o conhecido sapato plataforma é como ter dois muros nas solas dos pés, ou seja, o equivalente e espetar com um calhau no acelerador.
Também não me ajeito no pedal com havaianas. A tropical chanata escorrega-me dos pés como manteiga e entre fazer força com os dedos para que aquilo não se perca entre o travão e o resto dos pedais e concentrar-me em conduzir minimamente bem, perco litros de suor.
Saltos agulha são para mim a suprema agonia pedálica. Como é que alguém no seu perfeito juízo entra num carro, com filharada atrás e se dispõe a chegar vivo a algum lugar com aquilo calçado na pata? Os pés apontam para cima e toda a barriga da perna fica retesada com o esforço centrífugo da coisa.
Credo como admiro a arte de conduzir bem calçada. Devia haver uma alínea na carta de condução que habilitasse as condutoras nessa modalidade, pois estou em crer que são mesmo precisas aulas especiais para aprender a travar suavemente com sapatos destes.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Perder-me Um Bocadinho Todos os Dias

A máquina da roupa gira sem parar. Sobre ela acumula-se uma pequena pilha à espera de ser dobrada, enquanto ele se agita nos meus braços.
Consigo fazer coisas que nunca imaginei possíveis com ele ao colo e a arte de me desdobrar em duas, ou três é aperfeiçoada a cada dia que passa.
Sinto-me cada vez mais longe de mim, como se me perdesse entre a música de embalar mal entoada e as fraldas de pano que dobro em quatro como um autómato.
Estou certa que o primeiro mês de vida de um bebé é o mais complicado. Aquele em que sentimos que nunca nada voltará a ser igual, que nós jamais retomaremos hábitos antigos. Vem-nos tudo à cabeça e choramos por nós. Pela Ana solteira antes de tudo, pela Ana que marcava uma viagem em cima da hora por puro impulso, pela Ana antes da mãe, antes da mulher, antes de todas as camadas que se seguiram.
Depois respiro fundo e escuto a respiração dele, frágil, indefeso, dependente do que lhe dou. Limpo as lágrimas com a mão que está livre e vejo a Alice com os seus desenhos coloridos a cantarolar a cada tarefa que se propõe. Fungo e olho as fotografias do nosso casamento.
Sim, tudo vale a pena. Cada camada que me acrescentaram fez de mim mais Ana e sei que tudo voltará um dia mais cheio ainda, cheio de tudo o que realmente importa...

Adenda de extrema importância a propósito da pergunta da Joaníssima: Eu não uso fraldas de pano no rabo do António, mas para milhentos outros fins :)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Envelhecer Bem

Adoro entrar num café, ou num restaurante e ver um grupo de senhoras de idade em amena cavaqueira, produzindo as mais agradáveis gargalhadas.
Percebo que se arranjaram para a ocasião, não esquecendo de pintar os lábios e envergar encharpes coloridas. Percebo que adoram a companhia umas das outras e que aquele momento é genuíno. Sinto a cumplicidade daquelas amizades e sorrio, desejando ser exactamente assim quando for mais velha.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Sofrer por Antecipação

Só de pensar que o Hugo vai voltar ao trabalho daqui a duas semanas as palmas das mãos ficam suadas, a boca seca e um calafrio avassalador espalha-se por tudo o que é recanto de mim.
Sempre fui daquelas pessoas que sofrem por antecipação e deixam que aquilo que ainda não chegou estrague o presente. Quando é que vai ser diferente?

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Os Opostos Atraem-se (?)

Sim, pode até ser verdade. Uma daquelas verdades que vem escrita nos pacotinhos de açúcar da Nicola. Mas a minha questão é:
Os opostos duram?
É que estou em crer que a erosão das diferenças, juntamente com a erosão dos anos dá uma trabalheira incrível.
Sim já sei que aprenderam muito com os conflitos de opinião, mas caramba, devem andar bastante cansados...
Não gosto de fotocópias, nem de papel químico, mas aprecio um sorriso cúmplice, que surge apenas quando se sente exactamente a mesma coisa. Ou será que sou apenas uma grande preguiçosa emocional?

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Diário de uma Noite em Nossa Casa

1 DA MANHÃ QUARTO ANA E HUGO - NOITE
uá uá uá uá ué ué ué
- Hugo faz o biberon, os meus olhos não descolam.
Hugo levanta-se cambaleante e com um olho aberto e outro fechado prepara a dose.
ué uá ué uá
Ana levanta-se aos tropeções e tira o bebé da cama.
Hugo dá-lhe o biberon. Ana fecha os olhos caindo num sono reparador de 10 minutos. Ana levanta-se e tenta que ele arrote sem sucesso. Coloca cuidadosamente o bebé de volta na cama. Deita-se e dá a mão ao marido qual companheiro de infortúnio. Fecham os olhos. Passados dois minutos:
Ué ué uá uá uá uá uááááááááááááááá
Ana pega no bebé.
Uáááááááááá
Hugo pega no bebé
Uééééééééééééééééééééééééé´
- Ele só se cala se andares a passear com ele ao colo.
- E se ele fosse passear macacos?
- Dá cá, deixa-me mudar-lhe a fralda. Olha arrotou, pode ser que melhore.
Uééééé uááááááá icups icups icups icups
- Agora está com soluços.
- O aero Om?
- Não sei.
- Segue o rasto pegajoso.
- Está aqui!
Segue-se a molha da chupeta no dopping dos bebés.
Silêncio.
- Vá, deita-o agora.
Silêncio.
Seguramos na mão um do outro, fechamos os olhos e tentamos dormir nos dois minutos que sabemos separarem aquele momento do próximo choro.
Uééééé uááááááá
- Eu vou.
Ana percorre mais ou menos 1 quilómetro dentro do quarto com o António nos braços até que um suspiro profundo lhe diz que pode deitá-lo.
Sem palavras enrosca-se na cama em posição fetal e espera (a esperança é mesmo a última a morrer) que ele durma cinco horas seguidas, repetindo em voz baixa:
- Isto é só uma fase, isto é só uma fase.
Ana e Hugo caem num sono profundo, lágrimas remelosas escorrem-lhes dos olhos moribundos.
3 DA MANHÃ:
Uá uá uá uá uá uá ué ué ué ué

sábado, 20 de fevereiro de 2010

A Pochete de Ranho

Ontem numa repartição pública observava uma senhora de meia idade que conversava animadamente com uma amiga enquanto esperava a sua vez. Chamou-me a atenção, pois do seu pontiagudo nariz escorria um fio de ranho, daquele ainda transparente, não conspurcado por infecção mais grave.
O que faria ela, para onde verteria o pingo, interromperia a conversa? Tudo era suspense para mim que sucumbia ao tédio de 20 pessoas à minha frente. Aquilo era o êxtase de entertenimento no marasmo total da espera.
Já cabeçeava eu, vergada pelas noites de insónia Antonial, quando a senhora decide sacar, qual espada desembainhada sem pudor, de dentro da manga do casaquinho de malha, do lenço de papel húmido e usado, mole, esburacado, repugnante e como se nada fosse continuou a conversa gesticulando com aquela peça na mão, erguendo-a bem alto, ou baixando-a consoante a entoação que dava à própria voz, espalhando micróbios em seu redor.
Imaginei-lhe o pulso molhado pelo ranho guardado, o casaquinho usado e guardado milhares de vezes já carcomido pelo muco nasal e sustive o vómito.
Assoar-se era mentira, já que preferia continuar a agarrar naquele pedaço de papel, ao invés de tentar limpar-se com ele. E quando finalmente leva aquele trapo ao pingo, tentando encontrar um milímetro de papel ainda seco para o fazer, qual não é o meu assombro, quando o amarfanha arranjando espaço dentro da manga para o guardar de novo.
Chiça que nunca entendi a mania de guardar ranho nas mangas, de reciclar Renova Eucalipto com o zelo de ambientalista ranhoso. Alguém me explica por favor? Nojooooooo!!!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Adoro-Vos (no plural)


Ver-te pela primeira vez nos braços do teu pai, sentir-te junto a mim, cheirar-te num reconhecimento mútuo, apertar-te, sentir a tua pele com a ponta dos dedos, beijar-te, matar cada bocadinho da saudade de não te ver durante nove meses. Tudo isso foi suplantado por esta imagem.
Eu sei que deveria render-me a todas as emoções supostas, mas esta foi a maior de todas, suposta, ou não.
Foi minha também, vivia-a em cada segundo, respirei-a, pesei-a com a medida de amor exacta que se sente por dois filhos que se conhecem pela primeira vez.
O vosso encontro foi um dos momentos mais fortes da minha vida. Adoro-vos filhos (e como ainda é estranho falar no plural).

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Ainda Não é o Momento

Ontem alguém trouxe champanhe para comemorar o nascimento do António e eu dei por mim a brindar com o meu filhote ao colo, toda comovida. Enquanto se fazia barulho em excesso e hip-hip-urras, dei por mim a um cantinho, sentada a soprar para o copo de champanhe, como se estivesse a segurar uma caneca de café, ou de chocolate quente. Soprei, soprei, até aquilo ficar menos a escaldar. Quando percebi o que estava a fazer tive a certeza que ainda não estou bem pronta para beber...

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Alguém me Indica um Bom Vinho?

Apercebi-me agora que já posso beber um bom vinho tinto (ahaha como se eu percebesse alguma coisa de bons vinhos) e deixar aquela sensação de conforto percorrer-me as veias.
Já não estou grávida!
O único problema é ser vencida na batalha do sono e cair de cara no chão para não mais despertar. Mas que se lixe, vou pedir ao Hugo que durma uma noite com o António para eu poder ceder suavemente aos efeitos calmantes da uva fermentada, que é como quem diz, ficar com uma leve embriaguez...
Aceitam-se sugestões de tintol, se bem que acabei de ver num blogue uma fotografia daquela rara casta de 2010 de seu nome "Sexy" e provavelmente é mesmo esse que vou comprar para me sentir poderosa.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

As Noites em Branco (ou mais precisamente de cal)

Eu disse que o António parecia tranquilo? Hã? A sério que disse?
Não devo ter batido na madeira o suficiente. Já devia saber que os bebés esperam uma semaninha até mostrarem a sua verdadeira potência. Provavelmente para não serem deixados na maternidade.
O meu querido filhote que é a verdadeira doçura durante o dia, à noite transforma-se no Mr. Choro de alta fidelidade. Provavelmente habituado aos ritmos da minha barriga, onde despertava assim que batiam as 9 da noite, não quis ainda abraçar as nuances do mundo exterior, decidindo simplesmente não dormir com a lua e temperando a madrugada com os seus estridentes acordes.
Quando finalmente conseguimos fechar os olhos inchados e pisados pela tortura da privação de sono a Alice entra radiosa juntamente com o sol e diz:
- Mãe estou cheia de fome!
Pronto, estou oficialmente Zombie, nem consigo encontrar o ponto de exclamação no computador. Para onde será que ele foi?

sábado, 13 de fevereiro de 2010

É Carnaval e Levo Tudo a Mal

Sai uma ex-grávida-anémica ao shopping, fraca e frágil em busca de filmes para ver em família, quando a cada esquina do recinto salta um puto mascarado.
São miúdas já com 14 anos mascaradas de princesas com vestidos feitos de lençóis, chapéu bicudo no cocoruto da tola e véu, varinha mágica na mão. São meninos Zorros de bigode mal desenhado e a desferir golpes de espada na minha direcção, são bebés de berço já prontos para Torres Vedras e os pais orgulhosos, peito cheio a exibir a máscara da cria, ao invés de se esconderem atrás de cada pilar, de se afastarem e fingirem que não conhecem a criança de lado nenhum.
É o horror, o caos, o pesadelo. Ai como odeio o carnaval!
Ainda me lembro quando, ao conduzir plácidamente o meu bólide à noite levei com um saco de água em cima lançado por um grupo de putos reguilas e ia ficando ali mesmo morta de susto. Travei a fundo e persegui a criançada pela noite dentro até me pedirem desculpa de joelhos enquanto gritavam: É carnaval, ninguém leva a mal!
Então não leves a mal este carolo, toma!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Alice e o Mano

Querida Filha
Sabes que bem no meu intímo sempre esperei o pior e desejei o melhor para quando o teu irmão nascesse. Foram 4 anos de muita cumplicidade a duas, de rotinas doces, um bocadinho amargas de vez em quando, almoços com pizza e sumos de laranja, mãos dadas, conversas fantásticas e perguntas exasperantes.
Quatro anos em que nos construimos, em que nos relacionámos e fortalecemos. Daí o meu medo que não reagisses bem à chegada de um novo elemento aqui em casa. Mas vejo agora que tudo o que poderia funcionar contra, funcionou a favor e que quanto mais sentes que te amo, menos medo tens de perder o meu amor.
Ontem quando fui espreitar o teu irmão e vi o teu boneco preferido de guarda, velando o seu sono, bem metido no meio dos lençóis dele, percebi que não tinha que me preocupar mais...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Factos


1 - Quem me disse que mudar fraldas a rapazes é mais fácil que mudá-las a raparigas, mentiu-me com quantos dentes tinha na boca. Os bebés Antónios têm uma bisnaga de longo alcance fora de controlo entre as pernas e não há volta a dar-lhe. Nem dodots em cima, nem truques baratos nenhuns. Ele gosta de usar o seu poder de rega nas superfícies ao seu redor, incluindo os pais e tenho dito.
2 - Os biberons Dr. Brown não fazem bolhinhas de ar.
3 - Custa mais acordar de noite ao segundo filho, muito mais.
4 - Baby Blues é uma realidade incontornável na minha pessoa. Hoje ao ouvir o hino americano num programa qualquer chorei. De cada vez que olho a Alice choro. Vejo uma pedra da calçada mais brilhante e comovo-me.
5 - Quando nos banhos da maternidade o meu marido é o único a dar efectivamente banho ao filho em vez de estar a filmar como os outros pais, sei que o amor que sinto por ele é profundo.
6 - Escolhi a melhor médica de todas para trazer o meu filho ao mundo e ter uma médica assim faz TODA a diferença. Não é qualquer uma que massaja os pés frios a uma grávida enquanto ela leva uma epidural e se abraça a ela na despedida da última consulta.
7 - Nos poucos momentos em que não cedo ao cansaço tenho amado imenso. Já não me lembrava que se podia amar tanto...

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Regresso :)

Gostava de vir aqui cheia de inspiração e dizer as coisas mais bonitas do mundo. Pintar de poesia tudo o que reveste o meu coração. Mas vai ficar para mais tarde, pois estou mesmo cansada. Tão cansada como não me lembrava ser possível ficar.
Hoje deixo as coisas mais práticas, só para retribuir a vossa preocupação, interesse e carinho que mais uma vez me encheram de luz.
O António nasceu com 38 semanas e do alto dos seus 3.950 (eu sei que gostam de saber estas coisas) ergueu bem alto o choro para que o pai (que assistiu à cesariana firme, bem disposto e querido) o pudesse ver antes de mim e dar-lhe as boas vindas juntamente comigo.
Parece que não posso ter mais filhos nos próximos séculos, pois a suite presidencial que albergou Mr. António está nas lonas, mas não fiquei nem um bocadinho combalida com a novidade, pois o número 2 sempre foi um dos meus favoritos.
O que me deitou mesmo abaixo fisicamente foi uma grande perda de sangue e consequente anemia que me transformou numa personagem vampírica e me fez desaparecer em cada uma das fotografias idílicas na maternidade.
Daí o cansaço crónico que se abateu sobre o meu corpinho...
Tenho um marido que se revela o melhor do mundo nas adversidades, uma filha que transpira doçura e cuidado com um mano mais novo e um bebé que olha para mim com os olhos trocados de amor e (BATE NA MADEIRA) parece ser muito tranquilo.
Prometo voltar mais inspirada quando o ferro começar a fazer efeito.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Um Final que é o Começo de Tudo

Acordámos os três muito cedo. Acordámos os três com um único pensamento:
António.
Expectativas, divagações, imaginar o rosto dele em conjunto, sonhar, temer um pouco, tremer outro tanto. Tudo isso acaba hoje, para dar espaço a mais um grande amor nas nossas vidas.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Os Lugares da Nossa Infância

Porque é que os lugares mágicos da nossa infância, que habitaram o nosso imaginário durante anos e anos, perdem toda a magia quando revisitados na idade adulta?
Lembro-me de uma casa gigantesca em Moledo do Minho,com o chão em madeira muito velha, uma fonte enorme bem no meio do jardim e um terraço do qual se via o comboio a passar.
Pertencia à minha bisavó Irene e suas irmãs solteironas Gigi e Nhónhó que lá habitavam com a Rosa, uma criada que estava com elas desde pequena.
A casa de Moledo pintou durante muitos anos a minha memória e lá ficou sob a bitola do meu olhar de criança.
Por isso quando lá voltei passados anos o meu coração bateu descompassado à medida que o carro entrava na rua e os meus olhos preparam-se para a emoção de rever aquele palácio que guardara com tanto carinho nos meus sonhos. Mas nada me preparara para o choque que estava prestes a sofrer:
As ervas daninhas no diminuto jardim, uma fonte ridiculamente pequena de um menino a fazer xixi, as portadas de madeira pendentes e chorosas, quebradas por anos de abandono e o tamanho agora vulgar daquela casa, fizeram com que percebesse que aquilo que guardamos com olhos de criança é sempre muito maior do que a realidade.
Os palácios são apenas casas, os jardins labirínticos onde se jogava às escondidas, são na realidade pequenas parcelas de terreno e nós, acho que essa é a parte pior, nós nunca mais faremos do pequeno grande, do banal mágico, do chato aventura.
Nós, bem, nós crescemos irremediavelmente juntamente com o olhar que temos do mundo.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Agora sim um Post de Baby Blog


Correndo o risco de babyblogar aqui o estaminé até ao enjoo, mas não resisti em partilhar.
Agora sim, sinto que está mesmo próximo. Já ficámos os três a contemplar, a imaginar, a dar corda à música no coelhinho, a passar as mãos sobre o fresco dos lençóis.
Já temos um pedacinho dele no nosso quarto.

O Meu Café de Manhã


O sol mal acordou e escuto os teus passos na direcção do meu quarto. Ficas a olhar-me como se fosse o bastante para me despertares e é.
Não me custa sair da cama que não me oferece descanso decente e seguir-te até ao andar de baixo. Pois quando tenho a cabeça a mil à hora, ficar na cama apenas agrava o estado de pensamentos constantes.
Ponho o café a fazer e só quando escuto o barulho da água a borbulhar no interior da cafeteira de vidro começo verdadeiramente a despertar.
Por isso odeio Nespresso. Sim é prático, rápido e eficaz, mas não vai entrando lentamente no meu sistema e o sabor, meu Deus, o sabor é artificial, quase plástico.
A minha velhinha cafeteira de vidro consegue acordar-me com a mesma doçura da minha filha e vai deixando um aroma por toda a casa. O aroma das minhas manhãs.
Encho uma caneca fumegante e vejo o Many Mãozinhas, gozando cada segundo da nossa rotina matinal, sabendo que em breve vai estar tudo diferente. Tudo menos o café. Sem café pela manhã o meu dia não corre da mesma maneira, é que não corre mesmo...

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

É o Bicho É o Bicho

Uma coisa que me irrita quase tanto como a frase: "Eu quero continuar a ser eu mesmo" arrotada com imensa facilidade nos programas de revelação de talentos, é a famosa frase:
"Eu sempre tive o bichinho cá dentro", ou melhor ainda" Eu espero ter ficado com o bichinho".
Mas que bichinho? Pelo amor de Deus! Se têm a bicha solitária purguem-se. Se é bicho que dá comichão cocem, se é Alien deixem-no sair, mas não me falem mais no bichinho de forma carinhosa e doce que eu não aguento!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Why Worry


Porque esta música sempre me acalmou.
Porque esta música sempre me afastou de mim própria de cada vez que os pensamentos fugiam por caminhos incertos.
Porque esta música sempre me comoveu e porque não a escutava há anos. Hoje precisei de a ouvir até as palavras fazerem parte de mim:
Why Worry.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O que Será que Será

Olho as datas dos iogurtes dentro do frigorífico e percebo que quando expirarem o meu filho já terá nascido.
Dou-me conta que posso espreitar a previsão metereológica para o dia 4 de Fevereiro.
Olho o meu quarto despedindo-me de todos os elementos que deixarei de usar por uns tempos. Os meus livros, o espaço ao lado da minha cama, onde ficará a cama dele, o cheiro que muito em breve será diferente, pois cheirará a mais uma pessoa nas nossas vidas.
Imagino a desorganização da chegada, o reboliço, o revirar dos ponteiros do relógio em função de um pequeno ser.
O meu cérebro está quase 100% vidrado neste começo de viagem, deixando de lado tudo o que não tenha importância.
António e Alice são as duas únicas palavras no meu pensamento. Como reagirá a minha filha, como reagiremos nós, como será.
Desculpem a falta de originalidade, mas nesta última semana enquanto três aqui em casa, todo o meu pensamento voa para o resto das nossas vidas.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Ao Mulherio

Um aspecto giro à brava neste mundo tão feminino da gravidez é ouvir as histórias de partos de outras mulheres.
É impressão minha, ou não existe uma única mulher à face da terra com uma história normal, ou pelo menos, com uma dose de drama mais suave?
Depois mesmo sem perguntarmos fazem questão de contar tudo, tudo, tudo e ainda trazem à baila narrativas acerca de amigas que iam esticando o pernil e de médicos negligentes e de hospitais infernais.
Enfim eu limito-me a responder que não vale a pena desenrolarem mais o fio à meada, porque não vou ter um parto dito natural. Os olhinhos ficam roídos com este muro de betão que é a minha indiferença e então são capazes de se saírem com uma pérola deste género:
"Ai mas conheço uma mulher que fez cesariana e esqueceram-se do IPod dentro do útero dela, não estás bem a ver a cena, de cada vez que fazia xixi ouvia a Gaivota dos Amália Hoje".
Mulherio, as grávidas não querem saber de drama. Guardem as vossas histórias para quem as queira realmente ouvir está bem?

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Ai as Minhas Cruzes, Ai a minha Rica Vidinha, Aiiiiiii

Se durmo de lado dói-me a anca. se durmo para cima não respiro, de barriga para baixo impossível, sentada tenho fechado os olhos por uns minutos, até a cabeça começar a balançar.
Se fico de pé picam-me os pés. Se fico sentada picam-me os pés e as pernas.
De cada vez que me levanto dou os primeiros passos a coxear com uma dor num sítio que ainda não defini.
Se como demais, se ando demais, se falo demais falta-me o ar.
Se me emociono não lacrimejo afogo-me em lágrimas.
Se me dizem que estou inchada sinto-me um monstro, se me dizem que estou elegante grito que me mentem.
Olho as minhas calças de ganga estilosas da Replay abandonadas no armário e sinto o peso do tempo que durará a nossa separação.
Nada, repito, nada serve de abrigo à minha barriga que desponta sempre por debaixo de cada trapinho inútil. A minha vaidade impede-me de sair à rua descalça, por isso lá vou desapertando os ténis mais um bocadinho todos os dias.
E assim se passa a última semana de gravidez. Se me vierem com a conversa de que vou ter saudades deste estado de graça sei precisamente o que fazer. Qualquer coisa que envolva uma panela e uma cabeça...

Descubra as Diferenças


domingo, 24 de janeiro de 2010

Para Onde Vão as Nossas Meias

Durante anos a fio, do alto da minha credulidade infantil pensei que as roupas que de vez em quando não voltavam para o meu armário tinham desaparecido pelas mãos da fada das roupas, uma fada terrível que levava a roupa das crianças para a transformar noutra coisa qualquer digna de fadas.
É claro que a fada era apenas a minha mãe que de acordo com uma selecção nazi de gosto nada coincidente com o meu, deitava fora sem dó, nem piedade tudo aquilo que não gostava na minha indumentária. Foi a queda da minha inocência.
Mais tarde na minha vida adulta convenci-me que as meias que ficavam subitamente desirmanadas, à espera que o seu par amado retornasse à gaveta, eram sugadas pelo cano da máquina de lavar, ou roubadas pela organização mafiosa dos ladrões de peúgas.
Mas parece que o seu destino era bem menos romântico. Acabei também por descobrir que as cavernas de Ali Babá onde se escondiam os pares fugidos eram nem mais nem menos que as capas dos edredons.´
Se algum dia decidirem abanar uma capa de edredon acabada de lavar vão descobrir no seu interior tesouros que nunca imaginaram reaver...

sábado, 23 de janeiro de 2010

Book Lovers Never Go To Bed Alone


E de repente uma saudade imensa de quando me perdia horas a fio nas páginas de um livro. De quando passava os dedos pelas capas do Gabriel Garcia Marquez e prometia a mim mesma que leria tudo dele, tal como lera tudo da Isabel Allende.
Também me lembro quando jurei ler tudo que conseguisse ler de Tolstoi e Dostoievsky, cada conto de Tchekov com uma espécie de beatude, de braços abertos para cada mundo, sentindo as diferenças que o simples facto de nascer num certo país imprimia nas letras de quem escrevia.
Não tinha limites, horários, quebras à minha vontade. Era dona de mim e do meu tempo.
Hoje já não procuro nas livrarias os livros mais escondidos, vou aos escaparates, aos últimos lançamentos. Hoje o tempo já não me pertence e tenho que fintá-lo, ganhá-lo, lutar por ele quase com fúria.
Hoje já não me posso perder nas páginas de um livro mais difícil, mais intrincado, pois cedo ao cansaço da rotina. O meu espírito pede qualquer coisa que não mace, que não canse, que não dê luta. O meu espírito é agora um pouco menos meu e mais dos outros e assim me entrego à saudade de quando procurava as páginas mais escondidas nas prateleiras menos visíveis. Assim cedo à saudade de mim.
Apesar de odiar guardar coisas só porque sim, há uma peça de roupa da qual não consigo desfazer-me. Uma velha e gasta camisa de noite, larga e gigante repleta de livros e de letras que dizem:
"Book Lovers Never Go To Bed Alone".
Agarro-me a essa frase com a certeza de que um dia voltarei a resgatar o gosto pela leitura, pela boa leitura.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Pergunta de Grávida

Grávidas deste mundo, ou entendidos na matéria, aqui segue a pergunta mais bizarra e assustadora desta grávida:
Alguma de vocês teve um bebé que no final da gravidez em vez de descer colocando-se naquela posição entre-pernas perfeita, subiu?
Estou convencida que o António está a trepar por mim a cima. A minha barriga está cada vez mais subida, diria até suspensa por uma estranha lei de gravidade e sinto o estômago literalmente esmagado, o que leva aos fenómenos nocturnos mais desconfortáveis e inusitados do bairro (nem me atrevo a descrevê-los aqui).
Já falei com ele e expliquei-lhe que não vai sair pela boca e também não vale a pena tentar fugir do inevitável agarrando-se ao cume da montanha, mas ele não ouve, ou finge que não ouve...

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Descascar um Ovo


Se me perguntarem o que é que mais me custa na cozinha eu teria que dizer: Descascar ovos cozidos. Há coisa mais cretina do que tentar soltar aquela casca que ora se agarra, ora se solta às lascas, escaldando-nos os dedos, fazendo-nos bufar, praguejar, maldizer o momento em que decidimos fazer Salada Russa para o jantar?
Também já percebi que há ovos que se descascam melhor que outros, só não entendi bem porquê. Será da galinha? Uma tem o rabo mais duro de roer que a outra? Uma é a galinha dos ovos de casca dura, outra dos ovos de casca porreira?
Em segundo lugar nas tarefas impossíveis está tentar tirar uma casca de ovo que caia por acidente na mistela que estamos a preparar, seja um bolo, ovos mexidos, massa de panquecas. Alguém consegue tirar a casca do líquido? Para quando uma invenção nesse sentido? É que é tramado trincarmos pedaços de casca mais tarde.
E enfim, aqui estou eu a falar sobre cascas de ovo como se não fosse a coisa mais estúpida do mundo, mas tudo para distrair a minha mente catatónica, tudo...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

À Beira de um Ataque de Pânico


Agora que sei a data em que o bebé vai nascer (mais dia menos dia) a coisa tornou-se avassaladoramente real. Não há volta a dar, vamos ter a nossa vida virada ao contrário, fazer piruetas, malabarismos, alfinetes nos olhos noite e dia e esquecermos quem somos durante uma carrada de tempo.
A coisa está a tornar-se tão evidente que bloqueei. Vou sentar-me no sofá e esperar que passe. O resto da família que viva por mim, que eu vou ficar aqui a acumular energia para o que aí vem.
Logo agora que devia estar a tomar café com amigas em tom de despedida temporária, namorar intensamente com o meu marido doente do coração, brincar pela rua fora com a Alice, aqui estou eu catatónica, em transe. Da minha boca apenas sai:
Como é que me fui meter nesta outra vez?
Isto de querermos ser pais tem uma grande dose de espírito de aventura e eu sempre fui uma pessoa aborrecida, comodista e racional, alguém que não gosta de acampar, nem de fazer viagens de mochila às costas...
Como é que me fui meter nesta outra vez?

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Há Palavras Assim

Há expressões absolutamente fantásticas. Daquelas que não escutamos durante anos e de repente, saídas assim do nada, do silêncio repleto de tédio das mesmas expressões ouvimos da boca de uma bisavó:
- Vê lá se não queres uma palmada no tutu!
Como é que fui esquecer a palavra tutu, como é que nunca a utilizei para ironias polidas do género:
Aquele senhor gosta de levar no tutu, não te parece?
Aquela senhora é uma dor de tutu, não achas?
Credo que tutu tão gordo!
O meu tutu está inflamado, passa aí o Halibut!
É oficial, hoje mesmo reabilito esta palavra na minha vida. Acho indecente que a deixem morrer.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O meu Amor Por Ti - 4 anos


4 anos de ti, de ti connosco, de ti comigo.
4 anos em que me perdi um bocadinho só para me reencontrar mais cheia de tudo o que importa.
4 anos em que aprendi a dormir com os olhos fechados e os ouvidos ligados, em que aprendi a acordar ao som da tua voz.
4 anos em que aprendi a sentir na palma da minha mão a tua mão e o calor que fica depois de a soltares.
4 anos do teu cheiro, dos teus cabelos, dos teus sons, dos teus passos na minha direcção.
4 anos de brincadeiras, conversas, perguntas intermináveis.
4 anos de alguns desesperos, cansaços, saudades daquilo que ficou, mas tão repletos de compensações.
4 anos do único sentimento digno de ser chamado Amor. O amor no sentido mais puro da palavra. Sem egoísmos, sem sombras, sem trocas, sem exigências, sem adornos.
Aqui tens o meu coração nas tuas mãos e tantas vezes nas minhas. Aqui me tens filha. Muitos Parabéns!

sábado, 16 de janeiro de 2010

PARA OS ENFERMEIROS

Isto de passarmos uns dias no interior de um hospital, ainda que apenas de visita como foi o meu caso, traz-nos sempre uma perspectiva espantosa de dentro das coisas. Uma visão que só quem passou por ali guarda.
Hoje gostava de falar dos enfermeiros. Não sobre aquilo que eles pensam da sua profissão, dura, mal paga, tantas vezes deprimente, cheia de líquidos orgânicos, catéteres, sangue, fezes, urina, maus cheiros, gemidos, gritos. Tão cheia de decadência humana que muitas vezes os desumaniza, transformando-os em autómatos que cumprem funções atrás de funções já sem o entusiasmo do princípio de tudo. Enfim, não sob este ângulo, mas sob o ângulo de quem precisa deles, de quem os vê chegar como uma lufada de ar fresco, como uma ponte entre o doente e o médico.
Será que os enfermeiros sabem como importam na equação de tudo? Como o som dos seus passos no chão de linóleo significa o quebrar da solidão tantas vezes sentida por quem está na cama de um hospital?
Será que eles sabem mesmo que uma expressão sorridente, ou mal encarada faz toda a diferença do mundo para quem está do lado de cá?
Será que eles sabem que fazem parte da gigantesca corrente que salva vidas, que ameniza dores, que trata as feridas? Ou com o passar dos anos vão esquecendo que são importantes na equação final?
Acreditem que não são meros acumuladores de tarefas ingratas. Esta simples visita gostou de se sentir apoiada, de ver que além de se preocuparem com o marido enfermo, também arranjavam tempo para se preocuparem com a minha gigantesca barriga e fazerem-me sentir um bocadinho menos cansada...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Inspirar e Expirar

Nunca pensei que o simples facto de deixar de escrever por 3 dias suscitasse preocupação por parte daqueles que costumam ler as parvoíces que desenvolvo por aqui. Digo-vos já que fiquei tremendamente sensibilizada.
Aconteceu qualquer coisa sim, mas não comigo, nem com o António que continua bem agarrado à minha barriga.
O Hugo teve uma suspeita de enfarte que acabou por não se confirmar. Até não sabermos o que tinha provocado electrocardiogramas e análises alarmistas foi duro. Fizeram-se exames arriscados e urgentes, passou-se pelos Cuidados Intensivos e finalmente respirámos de alívio (relativamente) quando nos disseram que um vírus, provavelmente de uma infecção pouco grave, tinha migrado para o miocárdio, causando-lhe danos.
O Hugo já está bem, mas continua sob o tecto do hospital e eu sob vários tectos, incluindo aquele que suporta o desgaste físico de uma grávida de termo, o desgaste emocional de alguém que pensou que podia perder o marido e o pai dos filhos e o desgaste de tudo junto.
Não tenho tido forças para quase nada além de prosseguir as tarefas maternais, de mulher e manter-me de pé. Daí a minha ausência.
Um telefonema do Miguel (do Cheirinho a Éter) para os cuidados intensivos comoveu-me muito, bem como a atenção constante da Melissa que se ofereceu para tudo menos para parir por mim (infelizmente), a Rita, a Luísa. Hoje uma mensagem da Joaníssima, ontem da Ana. que mesmo sem saberem o que se passava pressentiram que algo me mantinha ausente e alguns telefonemas e mensagens que me sensibilizaram muito deram-me alento para pensar que os anjos surgem sob as formas mais inesperadas e daqui, de um mundo relativamente novo para mim.
Obrigada por me fazerem sentir digna de atenção numa altura em que todas as minhas atenções voam para longe de mim.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

www.netcabo.chiça.com

Porque é que de cada vez que um técnico da Netcabo, neste caso dois técnicos, penetram na nossa casa para ligar, arranjar, solucionar, trazer novo equipamento, saem deixando atrás de si um rasto de destruição? Neste caso fiquei sem telefone e sem e-mail, depois te ter pedido um novo serviço.
Alguém me explique que qualificações são requeridas a um candidato a técnico desta porcaria. Estou desconfiada que nem a pré-primária é precisa.
Além de toda a incompetência a que já nos acostumaram aqui em casa os dois cromos que apareceram hoje tinham um bafo de bode que me impestou a casa inteira.
Mas o pior, o mais dramático de tudo isto é que sei que não há alternativas melhores. Nada funciona bem neste país e só nos apercebemos disso quando os problemas surgem...
*O momento mais surreal aconteceu quando me era ditada a palavra-passe para que ligasse os computadores à nova net e escutava com olhos esbugalhados o que era transmitido à minha parva pessoa:
Espanha-Faca-Meia-Sete-leva-número-bicho.
Só depois de escrever as palavras todas e daquilo dar erro é que percebi que o senhor só queria mesmo dizer a primeira letra das palavras que ia inventando ao sabor da imaginação...

domingo, 10 de janeiro de 2010

Aqui Rapa-se Mais Frio do que Na Ucrânia

Agora que a bimby está a fazer a sopa de feijão, os meus pés estão quentes como duas batatas assadas com umas meias bem grossas e esticados na direcção do meu puff, aqui me sento para vos fazer uma pergunta de grandessíssima importância:
Porque é que em Portugal se sente mais frio do que na Ucrânia?
As casas estão mal isoladas e são estupidamente quentes no Verão e arcas frigoríficas no Inverno? - BINGO!
A Electricidade é tão parvalhonamente exorbitante que só permite aquecer a divisão onde nos encontramos no momento sem termos que ligar à Cofidis para pedir um empréstimo e entregarmos a casa e o carro como garantia? - BINGO!
E este congelamento lento não se passa só nos nossos lares, temos também as escolas, onde, por muito dinheiro que se gaste nas propinas e mensalidades, nenhum cêntimo é investido para aquecer as salas de aula onde os miúdos ranhosos chegam a casa de ranho congelado no queixo.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Faz-me rir que eu gosto

Se tivesse que escolher uma qualidade em alguém, tirando aquelas qualidades do costume, como o bom carácter e outras tantas do género. Definitivamente escolheria o sentido de humor.
Há coisa mais chata do que alguém que não sabe rir-se de si próprio, que não sabe rir-se connosco, de nós, para nós?
Há coisa melhor do que estarmos com alguém que nos faz rir quando menos esperamos, que sabe fazer uma piada inteligente de uma situação parva e que percebe sempre onde queremos chegar, mesmo quando não somos assim tão evidentes?
Atenção não falo de palhaços cansativos que se riem com filmes para retardados mentais e nos fazem ficar com dores musculares no rosto de tanto forçarmos o sorriso. Falo de pessoas com genuina graça, cada vez mais raras diga-se de passagem...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Orgasmize-se em Cascais


Yupi!!!! Acabei de saber que as fotografias da Clara Pinto Correia a orgasmizar estão expostas no Centro Cultural de Cascais. Não estranhei, pois de facto trata-se de uma expressão cultural e artística ímpar. Ver as várias expressões de êxtase da bióloga fotografadas pela sua cara metade durante o coito (não sei se anal se vaginal) é digno de Centro Cultural, sem a menor sombra de dúvida.
Como moro em Cascais e sou uma gaja que gosta das artes, em vez de ir à Casa das Histórias da Paula Rego, vou um bocadinho mais abaixo ao Centro Cultural e cultivo-me para um ano inteiro.
Só não tenho bem a certeza se as fotografias retratam o êxtase sexual, ou simplesmente o alívio depois de uma enorme dose de prisão de ventre superada. É que o título da exposição podia ser: O alívio da defecação.

Aquela Estalagem



A Estalagem do Muchaxo na Praia do Guincho é daqueles sítios maravilhosamente decadentes, que viveu a era do Glamour e dos exílios da realeza, assistindo a quase tudo.
Batida pelo vento e salpicada pelas ondas do mar que teima em corroer tudo à sua volta, a Estalagem mantém-se, já não tão glamorosa, já não tão brilhante, mas para mim mágica.
Adoro ir lá num dia frio de Inverno, sentar-me numa das suas mesas encaixadas na pedra, com vista para a praia e lembrar-me de todas as tardes que lá passei a estudar, a conversar sobre coisa nenhuma e o mundo inteiro, a olhar o mar e a sentir-me a pessoa mais completa do mundo. Fomos lá no dia de ano novo e a Alice também se rendeu aos seus "encantos".
Eu sou uma pessoa de praia no Inverno, por muito parvo que possa parecer, e aquela Estalagem decadente, onde não tenho coragem de pedir nada além de café, ou torradas, é o cenário perfeito para uma pessoa de Inverno como eu.
Na entrada estão expostas algumas fotografias dos seus tempos áureos, com caras da arte, da monarquia, da política que por lá passaram e paro sempre para as olhar, quanto mais não seja para me lembrar que, apesar de velhinha, a Estalagem já teve a sua dose de vida e agora descansa, olhando a Praia do Guincho.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A Martha Stewart que Há em Mim


Adoro uma boa cama. A abarrotar de almofadas, várias colchas a decorar, um edredão onde nos afundamos. Adoro entrar num quarto que tenha uma cama assim, idílica e estática, como numa revista.
Na prática nunca consegui tamanho feito. Imaginar o trabalho de tirar todas aquelas almofadas à noite antes de adormecer, ou voltar a colocar o amontoado depois da cama feita sempre me retirou a força anímica para investir numa caminha de sonho.
Penso que só quem tem uma empregada todos os dias tem camas assim. Ou então uma Martha Stewart da vida que alisa a fronha milimétricamente e faz disso ciência.
Mas posso sonhar, passar a mão pelas camas montadas nas lojas, atirar-me para cima delas e imaginar-me a ler um livro enterrada naquele conforto quase sensual.
Entro sempre na Zara Home, mesmo que não compre nada. Adoro as colchas, os acessórios, os preços razoáveis, tudo.
Como nota final pergunto apenas a uma qualquer dona de casa perfeita que passe por aqui se sabe algum truque para dobrar aqueles lençóis de elástico. Há anos que tento e acabo sempre suada, a praguejar, quase enrolada neles como uma múmia e sem sucesso. Cantando a derrota e depondo armas enrolo-os tipo croquete a atiro-os pelo ar.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Extremos

Não gosto de extremos.
Agora que penso bem nisso, acho as pessoas extremistas tremendamente aborrecidas.
Extremistas com o ambiente, com uma religião, com um partido polítco, com uma opinião.
Extremistas com uma pessoa, com uma decisão, com uma obsessão.
Extremistas que não mudam, que não ouvem, que não saem do mesmo sítio, quase batendo o pé em jeito de birra, repetindo vezes sem conta os mesmos pensamentos, como um mantra.
Muitas vezes penso que os extremistas são surdos. Surdos para o resto do mundo. Não vale a pena falar-lhes, pois ainda que nos olhem enquanto expomos o nosso ponto de vista, percebemos que chispam de indignação. Escutam sem fazerem um esforço para entenderem outro ponto de vista diferente do deles.
Quem não pensa como eu está errado e ponto final.
Os extremos e pessoas agarradas com pés, mãos, unhas e dentes a alguma coisa aborrecem-me de morte e quase sempre perdem a razão mesmo quando a têm...

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O Casamento Light

Qual é a chave do sucesso de alguns casamentos que duram uma vida inteira e porque é que outros falharão com uma rapidez avassaladora?
Não me digam que é apenas o amor, porque não é. O amor não resolve tudo, ajuda muito sim, mas não é A solução e o amor também pode ser morto sem dó nem piedade pelo casal.
Penso que a imaturidade com que muita gente entra no casamento, sem saber bem o que é que significa uma vida com outra pessoa, com tudo o que isso tem de bom e de mau, pesa no falhanço. Principalmente numa geração em que o egoísmo e o egocentrismo são cultivados desde cedo.
Penso que é importante partilhar o mesmo tecto antes de se partir para o casamento, pois só conhecemos verdadeiramente alguém depois de vivermos juntos e assim já não nos podemos queixar de grandes surpresas.
Também uma grande dose de esforço, de empenho, de cedências, de construção diária. O casamento não é o fim de uma etapa, mas sim o começo de tudo e se não estiverem os dois na mesma onda, dificilmente o barco se aguentará quando uma das partes não rema.
É apenas uma reflexão de alguém que já viu demasiadas separações acontecerem por falta de empenho e que sente que o casamento simplesmente se banalizou. Hoje em dia as pessoas casam-se e têm filhos como quem vai beber um café...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Meninas Mulheres

Quando só nos apetece rebolar como croquetes num colchão e a nossa actividade cerebral é idêntica à de uma linha recta, folheamos revistas fúteis, lemos livros do Dan Brown e ouvimos os gemidos no Ídolos, em vez de publicações científicas, livros de teor profundo e o Canal História.
Em vez de debatermos questões culturalmente relevantes, damos por nós a falar para as páginas de uma revista foleira cujas letras nem lemos e a criticarmos as escolhas musicais e vozes fraquinhas do Ídolos português.
E agora que já me justifiquei até à exaustão, aqui vai uma pérola de futilidade:
Alguém me explique como é que a filha do Tom Cruise é considerada a miúda mais fashion (o que quer que isso signifique) dos putos famosos.
Agora anda sempre de saltos altos e vestida à senhora. Tenho a sensação que não lhe dizem não a nada. A menina quer sapatos brilhantes de salto, força. A menina quer mini-saias tigradas e carteirinhas Chanel e força. Caramba fico chocada com estas senhorinhas de 3 anos que em vez de andarem com os sapatos da mãe às escondidas em casa, andam vestidas como a mãe na rua...

domingo, 3 de janeiro de 2010

Meninos da Mamã 2

Sempre desdenhei das mães de rapazes que contribuem para a crescente taxa de meninos da mamã no nosso país. Elas ensinam os rebentos nada mais nada menos do que a arte de dependerem da mãe para tudo, de compararem cada mulher à sua imagem, de manterem uma espécie de cordões invisíveis que os prendem à sua asa, mesmo quando já passaram dos 40. Elas tecem teias tão fortes e misteriosas que impedem a cria de voar do ninho, mesmo quando já tem barba, pelos nas pernas e voz grossa.
Os meninos da mamã não sabem lavar roupa na máquina, passar uma camisa a ferro, cozinhar uma refeição sem perguntarem à mamã como é que ela faz.
Os meninos da mamã comparam as refeições da mulher com as da mãe, nem que se trate apenas de uma simples torrada. Enfim, eu nunca gostei de meninos da mamã. Aliás, estou profundamente convencida de que eles são o motivo pelo qual o nosso país não anda para a frente. E agora, bem agora, prestes a ser mãe de menino estou à rasca.
Será que vou conseguir quebrar a tradição portuguesa e obrigá-lo a fazer a cama?
Será que vou conseguir fugir à tentação de querer ser a protagonista eterna na sua vida?
Será que vou conseguir ser uma sogra porreira, controlando-me para não esvoaçar como uma melga em redor das relações do meu bebé (ahahah)?
Estou preparada para pagar pela boca, até porque nunca fiz nenhuma destas perguntas quando estava à espera da minha filha e isto só pode ser um sinal que já ultra pergunto, ultra protejo, ultra esvoaço em redor do menino...
Ai cruzes o que será de mim se não ensinar o meu filho a programar uma máquina de lavar roupa?

sábado, 2 de janeiro de 2010

A Única Coisa que Peço Hoje

De todas as coisas que quis, nenhuma passava por aqui.
De todos os futuros que imaginei, nenhum deles tinha a cor deste presente.
De cada palavra sonhada, nenhuma formava as frases que me chegam hoje.
De cada dia, hora, minuto contado, escutado nos ponteiros barulhentos, nenhum me anunciou quando deixaria de contar até acontecer.
De todos os abraços apertados nas noites sem sono, em que os sentia exactamente na intensidade desejada, nenhum se revelou tão intenso.
Por isso deixei de sonhar com tanta força, deixei de esperar, de contar, de prever, de imaginar ao pormenor. Por isso deixei que a vida tomasse todos os rumos fora de mim para mais tarde o caminho me encontrar.
Viver é uma mistura do que conseguimos e do que a vida nos consegue. O desejo não funciona sem a nossa força e a nossa força jamais se move sem desejo.
Se sonharmos demais nunca alcançaremos, se não sonharmos de todo jamais empreenderemos.
A única coisa que peço hoje, no segundo dia de 2010, é o equilíbrio entre os dois lados de mim.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

zzzzzzzzz

Será possível que sem ter bebido uma gota de vinho nem de champanhe, sem me ter deitado além das 2 da manhã me sinta com uma grandessíssima ressaca?
Será que estou a largar um ano inteiro de cansaço num só dia? É o que parece.
Meu Deus o que é que me aconteceu? Dormir, por favor, deixem-me dormir 2010 e eu prometo que me porto bem...