quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Bacancias

Nas minhas férias tive oportunidade de observar muita gente. Gente com miúdos mil vezes mais chatos que os meus, gente a ter que suportar birra, atrás de birra, atrás de birra, mães que passavam o jantar inteiro levantadas do buffet para a mesa e vice-versa e a cortar carne aos quadradinhos, enfim, gente que, tal como nós, pouco descansava. Gente mal educada, gente discreta, gente javarda, gente menos javarda e gente assim-assim.
Da gente javarda recordo-me de uma mãe na praia a gritar para o filho de cerca de um ano e meio, que teimava em correr pela praia:
- OLHA QUE BEM AÍ O HOMEM MAU, OLHA QUE TE LEBA EMBORA, ANDA CÁ ANTES QUE LEBES NA CARA!!!!! AIIIIIII OLHA O HOMEM MAU ALI ATRÁS DO CHAPÉU!!!!!
Parte nº 2 e quanto a mim a mais hilariante que escutei, enquanto a dita mãe corria atrás do puto com uma garrafa de água mineral, tentando vertê-la para dentro dos calções de banho do miúdo:
- ANDA CÁ, NUM OUBISTX??? ANDA CÁ P'RÁ MÃE TE LAVAR A PILA!!!!!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Só sei que vou chorar

Habituei-me tanto a ter-te todos os dias o dia todo na minha vida durante 4 anos e meio, que vou precisar de outros 4 anos e meio para me habituar a ter-te menos vezes por dia.
Para a semana começas a escola e, racionalidades e pedagogias arrumadas na gaveta, confesso-te em segredo, porque ainda não consegues ver além do meu sorriso: Vou chorar muito. Vou andar na rua, empurrar o carrinho do teu mano e olhar em volta à tua procura. Vou ligar o rádio do carro e ficar à espera que cantes comigo. Vou pedir-te que ponhas a chupeta ao mano quando ele chorar e só depois perceber que tenho que ser eu a ir pô-la. A minha mão vai ficar fria e esquecida dentro do bolso com saudades do calor da tua e os meus passos vão fazer sempre intervalos regulares à tua espera.
Não sei como vai ser. Sei apenas que tem mesmo que ser e que te amo e quando amamos assim sorrimos sempre, mesmo quando dentro do nosso coração chove torrencialmente.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A Bota Botilde

Confesso que estou um bocadinho farta da Bota Botilde, das nostalgias da Bota Botilde, do encantamento pela dita bota nos dias que correm.
Eu tive uma. Lembro-me perfeitamente da argola para enfiar o pezinho e saltar sobre o sapato roxo e feioso dezenas de vezes, até as canelas tremerem de exaustão.
Mas ver a minha alma lacrimejar hesitante, porque o homem associado a essa peça de calçado foi condenado por crimes que me revolvem o estômago. Usar o argumento da bota para achar impossível alguém cometer crimes, não me parece.
Ainda se fosse o jogo do elástico, aí sim poderia até desculpar, agora a bota botilde? Essa coisinha feia e sem graça? No way.

domingo, 5 de setembro de 2010

Melhor que a Angelina e muito mais Jolie

Estou a ver o Enemy At The Gates no Hollywood (um grande filme com o Jude Law e a Rachel Weisz) e concluo sem grandes delongas, que mil vezes mais gira que a mítica Angelina Jolie, que quanto a mim me parece sempre acometida de uma crise alérgica labial depois de ter sido picada por um ferrão da Abelha Maia, é a Rachel Weisz, caramba, ela é mesmo bonita.

sábado, 4 de setembro de 2010

Massagens na Pança e um soco na vaidade

Na praia, com a Alice por uma mão e a prima dela de 7 anos pela outra, avistamos um puto a ser enterrado na areia por um bando de miúdos. Já só tinha a cabeça de fora e tanto Alice como prima ficaram em êxtase a olhar aquela brincadeira.
- Tia, podemos enterrar-te assim? - Pergunta a minha sobrinha.
- Podemos, podemos mãe? - Pergunta uma Alice dividida entre o terror de me perder nas profundezas da terra e a excitação de escavar um buraco do tamanho do mundo.
- Meninas, vá calma lá com vocês, olhem para mim e leiam os meus lábios: N-Ã-O!!!! Ainda para mais, já sei a quem vai calhar escavar o buraco.
- Ó vá lá, vá lá, vá lá, vá lá.
- NÃÃÃÃÃÃOOOOOOO!!!!!
- Está bem tia, eu já percebi. É porque tens outro bebé na tua barriga, não é?
E enquanto profere esta afirmação dos demónios, faz festinhas na pança encolhida até às costas de uma Anacê demasiado embaraçada para responder.
Chiça que a criançada sabe espetar facadas com tanta sinceridade, não?

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A Urgência do Crescimento dos Putos

Confesso-me ignorante no que toca a escolas e putos, pois só sei das aventuras dos filhos de pessoas próximas de mim. A Alice entrará este mês, mas cai fora do usual, pois vai mais tarde do que é costume. Ultrapassando esta bela introdução, há de facto coisas que me fazem um bocadinho de chateamento cerebral:
Porque carga de água metem os putos a comer sozinhos desde o berço? Sim, eu compreendo que seja impraticavel, alimentarem dezenas de crianças individualmente à hora das refeições, mas se o nosso puto é daqueles que não tem prazer em comer e pensa que o prato à frente dele é um mero suporte de material de brincadeira, lixam-nos a vida em casa, pois temos a criança a brincar com a comida em vez de introduzi-la na bocarra e a recusar-se a ser alimentada por nós. Um bebé de 1 ano, se não for portador de um apetite voraz, associando automaticamente o prato com comida ao saciar da fome, vai inevitavelmente brincar, atirar, projectar, gritar, enquanto o chão, paredes, tecto, mesa e afins são pintados com tinta alimentar.
Há quem ache que tudo isto é pedagogicamente encantador, que os miúdos devem ser atirados para a independência desde o útero, mas eu só pergunto:
Qual é a pressa?
Não é verdade que todos os miúdos, mais cedo, ou mais tarde comem as suas refeições sozinhos? Então e se for um bocado mais tarde, é crime pedagógico? É incompetência materna?
Ai que horror, os teus filhos ainda não comem sozinhos?
Olha não, é que se eu ficasse à espera que comessem sozinhos, olhando-os em hipnotizante encantamento, enquanto me cagavam a casa toda, fecundando-me a paciência até ao infinito, desconfio que por esta altura pesariam 2 quilos, eles e eu.
Se der fantástico, se não der, não deu.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Radio-televisão-portuguesa nº2

Enquanto estive de férias (sim a dura, podre e malcheirosa realidade é que regressei hoje) descobri toda uma panóplia televisiva paralela. Condenada aos 4 canais generalistas e a dezenas de outros sem o menor interesse, redescobri o canal 2.
O telejornal da rtp 2 vê-se sem qualquer tipo de esforço, nem vontade incontrolável de zapingzar de cada vez que me deparo com 30 minutos de informação futebolística e lá passam realmente notícias. Os programas sobre a vida selvagem prendem do primeiro ao último minuto e caramba, descobri esta série de programas sobre bairros problemáticos que adorei, sem favor nenhum, adorei mesmo.
Regressada a casa e aos 1234567 canais disponíveis, fiz uma promessa a mim própria: A Rtp 2 vai ocupar os meus olhos carentes de qualidade e vai reconectá-los com o meu pobre cerebro atrofiado por meses de Discovery and living e Sic Mulher.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Charlotte Bronte


Das três irmãs Bronte a minha preferida.
Um dia, não muito distante, assim quero acreditar, pegarei em mim, nos meus pés e olhinhos e partirei à descoberta dos locais onde nasceram e viveram as irmãs Bronte, Jane Austen, Shakespeare e tentarei respirar um bocadinho do ar que respiraram.
É que eu tenho este fetiche por seguir os passos, as vidas, até os túmulos de pessoas que admiro, vasculhar fotografias, biografias, pinturas, cenários, casas, ambientes até à exaustão.
A Charlotte Bronte tem o condão de me prender da primeira à última página e de fazer das personagens apagadas, pouco bonitas e supostamente insípidas, minhas heroínas e portadoras de verdadeiros vulcões interiores.
Comprei um livro dela para ler nas férias e descobri que só não tenho tempo para ler os livros que não conseguem prender-me...

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Guardar este momento

Nunca fui grande amante de praia, de calor, de areia, de creme protector, de confusão. Para mim praia é no final da tarde e é sentir o cheiro a sal na pele antes de me vestir para jantar. Estes cheiros e sons trazem de volta coisas boas e ter de volta coisas boas faz-me bem, por isso hoje queria parar o relógio e suspender o calendário. Deixar-me ficar a sentir a brisa húmida que vem do mar, o som das ondas ao longe, os gritos das crianças que brincam, as gaivotas que temperam o entardecer.
Queria que nada do que é bom terminasse e que pudesse guardar este momento para sempre numa pequena caixa que se abrisse para deixar sair o ruído deste dia de cada vez que me sentisse triste.

É impressão minha, ou isto parece uma letra sentimental da Mafalda Veiga? É assim, o ar da praia solta a lamechas que há em mim.

sábado, 28 de agosto de 2010

Férias, ou nem por isso

Fomos parar a um hotel servido por uma praia com 10 cm de comprimento, espaço esse partilhado por barcos de pescadores e alminhas que desconhecem a palavra distância mínima da toalha alheia.
Fomos parar a um hotel cuja praia de tamanho normal mais próxima se situava na mais bela e por explorar localidade algarvia chamada Armação de Pêra. Localidade ímpar na sua natureza selvagem e sem construções em altura, onde arranjar um buraco para o carro e outro para uma toalha de bidé no areal nojento é mais difícil do que espetar uma bandeira no topo do Everest. Localidade que muitos portadores da nossa portugalidade parecem achar paradisíaca, avaliando pela forma sedenta com que fluem nas ruas apinhadas e desgovernadas, ou com que sacam das toalhas para o dia todo na selva barulhenta.
Fomos parar a um hotel com uma vista magnífica sobre o mar, mas sem podermos sair da piscina por todos aqueles motivos acima. Vai daí mudámos.
E agora, apesar de já ter descoberto que o António não gosta de praia e chora para ir embora, ao passo que a Alice chora quando vai embora, apesar de me ter conformado em passar as manhãs com o meu baby debaixo dos pinheiros, enquanto o Hugo vai para areia com a Alice, apesar de já ter entendido que férias com dois miúdos de idades diferentes são uma espécie de gestão de recursos humanos paterno-maternos, em que pai e mãe se revezam e raramente se encontram, sinto que tenho as coisas controladas.
A praia gigantesca a três minutos de distância a pé, os pinheiros que nos dão sombra e os finais de tarde no areal a quatro, já dão um certo cheirinho a férias e caramba, férias, apesar de cansativas, são boas.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Lá, lá, lá

Com voz esganiçada, mas alegre, canto:
Eu vou, eu vou, bazar daqui eu vou, Lá lá lá lá lá lá lá lá lá, eu vou, eu vou.
Malas, malinhas, malões, sacos, saquinhos, sacalhões, baldes de praia, cadeirinhas, garrafões e marmitas com feijões, mas eu vou, eu vou, bazar daqui eu vou, lá lá lá lá lá lá lá lá lá, eu vou, eu vou!!!
Acho que nunca estive tão contente por viajar até essa mítica e deserta região por explorar chamada Allgarve...

*A parte das marmitas e garrafões é ficção, mas é de facto a única coisa que não levamos.

domingo, 22 de agosto de 2010

Toddlers and Tiaras

De cada vez que tenho um lampejo deste programa absolutamente vomitante chamado Toddlers and Tiaras, pergunto-me, como é que é possível.
Possível existirem mulheres destas a parirem miúdos, possível existir um país onde é permitido este tipo de concurso, possível existirem pais que assistem impávidos e serenos à esquizofrenia da mulher para com as filhas/filhos, possível conceber-se este tipo de concurso para bebés.
Estas mães, com graves problemas de identidade e traumas de infância, que fazem questão de viver o sonho da Cinderela através das filhas obrigam as miúdas (e miúdos também sim) a passarem pelo crivo de jurís, dentes postiços, unhas falsas, bronzeado artificial, vestidos de cabaret, laca no cabelo, prémios de dinheiro, frustrações, competição, vaidade, futilidade, tudo em nome dos seus próprios sonhos.
Roça a psicopatia, ouvi-las justificarem tudo com o bem estar e gozo das filhas e depois ver as crianças com birras, amuos, sono, impaciência por terem que se sujeitar ao desfile de beleza infantil.
Eu gostava de tecer aqui uma verdadeira tese sobre como é triste vermos estas coisas acontecerem e ninguém fazer nada quanto a isso, mas a realidade é que só me ocorre a palavra bigorna, juntamente com a cabeça destas mães.

sábado, 21 de agosto de 2010

Choramingar e coisas assim

Dou ao pé para o acalmar num embalar mais ou menos suave, pisco-lhe o olho e respiro fundo. Sei que vai melhorar quando o que quer que seja que o põe de mau humor for embora.
Até lá tento pensar nas coisas boas, só nas coisas boas, mas o choramingar não deixa, o choramingar só me faz pensar em choramingar e mais nada ao cimo da minha vida inteira interessa, só interessa que ele pare, que me dê um momento de silêncio.
Li algures num blog demasiado estranho para o linkar aqui que existem estudos que dizem que quando o bebé chora a culpa é da mãe, as cólicas são culpa da mãe, a ansiedade do bebé é culpa da mãe e penso: Caramba há mesmo mães que vivem assim, que pensam assim, que se culpam assim? E há mesmo estudos que se debruçam sobre coisas tão estúpidas assim, como descobrir culpados para a má disposição de um bebé?
Há, parece que há sim.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Não sei por onde vou...

Fazer planos é pedir, na maioria das vezes, decepções.
Andar à deriva, sem marcos, nem propósitos também não é saudável, pois consome-nos uma espécie de cegueira para a frente que nos atormenta o espírito.
O ser-humano precisa de algumas certezas, mas não todas. Apesar do conforto que dá o calendário cheio de tracinhos e objectivos por alcançar, o desconforto por não conseguir alcançá-los consegue ser sempre pior.
Por isso decidi fazer planos à minha medida, não me sobrecarregar e não me lançar nas malhas da auto flagelação de cada vez que os falho.
Sabermos a nossa medida é bom e caminharmos de acordo com a força do nosso coração é sensato.
Há uma frase, se não me engano, do José Régio, cantada pela Maria Bethânia, que diz mais ou menos assim:
"Não sei por onde vou, só sei que não vou por aí"
E é isto, tem que ser isto.

domingo, 15 de agosto de 2010

Apalavronada

Juro que não sei o que se passa comigo, mas de cada vez que escrevo sai-me um palavrão. Estou verbalmente incontinente e suspeito que é por não poder praguejar em voz alta perto da Alice e vá, do António também. É como quando falta a água aqui em casa e me dá para padecer de sede a cada instante.
Apesar de não ter rigorosamente nada contra, nunca tive veia para o palavrão escrito em modo non stop, nem para falar como uma habitante de um bairro problemático algures no mapa citadino, por isso estranho-me.
Se esta maleita andar a afectar mais alguém é favor dizerem-me, a fim de me sentir menos solitária e desprezível. Até lá tentarei desdramatizar e gritar uns dois ou três palavrões por hora pela janela fora a ver se isto vai embora.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Dramas de Beleza ou Aqui também se usa Chanel

Entre as joias, diamantes e Ferraris, o Hugo ofereceu-me nos anos um conjunto de gel de banho, creme para o corpo e perfume Chanel. Nada de gozos nem de assobios invejosos, porque eu também tenho direito a ser absoluta e irremediavelmente fashion e, surpresa das surpresas, o perfume e seus sucedâneos não cheiram a velha gaiteira, são fresquinhos como gosto.
Problema nº1:
Não tenho coragem de lavar as partes baixas com o gel de banho Chanel, acho indecente.

Ontem queria ter comprado na Body Shop uma luva-esponja, daquelas que tiram as células mortas, porque tenho-as para dar e vender, principalmente na massa cinzenta, mas tive preguiça de ir à dita loja e acabei por comprar uma esponja com o mesmo propósito, mas rasca do Continente.
Problema nº2
Esfolei-me viva.

Hoje atingi o patamar mais reles de uma mulher fashion e comprei uma caixinha de roupa interior numa grande superfície/loja-tipo-feira. Cheguei a casa, abri a embalagem e as pintinhas amorosas na loja, haviam-se transformado numas bolas descomunais de velhota.
Problema nº3
Deito aquela merda fora, ou guardo para usar numa noite de incontinência?

Coisas que já sei

Acho graça à quantidade de coisas que posso dizer que já sei. Coisas das quais fiz teorias, frases, conjecturas e finalmente tirei conclusões. Coisas simples, menos simples, mais ou menos desarranjadas. Coisas.
Coisas de que posso falar se me pedem conselho, ou que guardo para mim se não me pedem.
A coisa que me chegou hoje de sopetão foi simples. Chegou com uma clareza quase cristalina, daquelas que admitem poucas dúvidas e deixou-me triste.
Entendi que, a maior parte das vezes, quem nada pede, nada recebe. Que quem bem se comporta não é visto, nem premiado.
Ao contrário de quem faz merda a vida inteira. Este sim é visto, ajudado, coberto de atenções e pézinhos de lã.
Premiar a merda através de excesso de zelo e ignorar aquele que não apresenta problemas, é das coisas mais idiotas que podemos fazer e magoa.
E esta coisa eu já sei.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Polaroids da Minha VIda

Não sei se é só a mim que acontecem estes momentos fotográficos da minha própria vida. Momentos em que consigo remeter tudo para a minha lente de focagem manual e parar a imagem, congelando-a dentro do meu coração.
Ontem aconteceu-me ficar a olhar a minha família e sentir que tudo estava onde deveria estar. A Alice fazia uma festinha nos cabelos do irmão, o Hugo ouvia as notícias e eu tive a certeza que o mundo, o meu mundo, era um lugar onde queria estar.
Depois tudo terminou, o ruído regressou, o calor invadiu cada partícula da minha pele cansada, a Alice deu início a mais uma sessão de cantorias enlouquecidas, o António choramingou assustado, o Hugo refilou com nada de especial e a rotina instalou-se subtilmente, obrigando-me a usar a lente de focagem automática.
Tenho dias em que preciso muito de ver fotografias. Lembrar as que tiro com o olhar e as que tirei com a máquina ao longo dos anos. Sempre que revejo algumas imagens de momentos importantes, ou que não importaram assim tanto, amo com mais força e tenho mais uma vez a certeza de que o caminho que trilhei faz afinal de contas todo o sentido.

domingo, 1 de agosto de 2010

Para Vocês...

Que ainda têm paciência para passar por aqui e ler esta espécie montanha russa de temas, venho dizer-vos que estou cansada. Nunca pensei chegar a um ponto em que a fonte das letras tivesse secado, mas secou mesmo e eu preciso parar.
Não sei se por um dia, um mês, mas o ritmo será temporariamente diferente do que costumava ser.
Preciso de recuperar forças, inspiração, motivação e até lá ficarei em modo pause, tentarei ler uma página de um qualquer livro por dia e manter-me sã até pousar os ossos sobre uma espreguiçadeira no Algarve.
Entretanto lembrem-me para nunca mais marcar férias só para o final de Agosto, é que já não tenho idade para esperar tanto e ultimamente a única coisa que ocupa o meu pequeno e mirrado cérebro é a imagem de um pequeno almoço buffet num hotel com uma praia aos seus pés.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Pensamento de raspão

Se a imbecilidade e burrice pagassem imposto, os cofres do Estado estavam a transbordar e acabava a crise.

Porque não há outra maneira de dizer isto: Doença filha da puta

Não escolhe idades, credos, feitios bons, ou maus. Não olha à importância de alguém na vida dos outros, não quer saber do antes, nem do depois. Chega muitas vezes em silêncio, como um ladrão que protege a sua conduta pelo escuro da noite e quando se dá por ela, já está escondida por todos os cantos.
Causa um sofrimento físico atroz na tentativa, muitas vezes vã, de a combater.
Há várias vertentes desta doença e quando ouvimos que ela se instalou num lugar em particular, sentimos que não vai valer a pena a luta, mas a esperança acende, apaga e reacende nos olhos de quem leva a doença dentro de si, de quem a sente crescer apesar de tudo, de quem sente o seu corpo ceder a essa besta que o consome dia após dia.
De todas as doenças, de todos os males e de todas as mortes, há esta que me enerva em particular.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Nós

A rotina, as tarefas diárias que desgastam, o cansaço, o comodismo, o pouco tempo para nós, conduzem-nos muitas vezes a uma distância que não pedimos. Chegamos ao final do dia e queremos apenas vegetar. Sim, eu sei que está tudo errado, que as super mulheres e as super mães arranjam sempre forças para serem sexys, bombásticas, carinhosas e amorosas com os maridos. Mas muitas são as noites em que adormeço mesmo antes de chegar à cama e em que sinto tanta vontade de me produzir, como de ir arrancar um dente a sangue frio.
Também são muitos os dias em que mesmo quando a pergunta é simples, a resposta sai torta. Mas tudo isto se explica, tudo isto tem forma e justificação, não é nada que chegue de mansinho e que não consiga nomear.
Só que hoje, quando o vi chegar mais cedo, cansado e encalorado. Tudo para poder levar a filha à praia. Hoje quando vi o olhar meigo dele na direcção da Alice, o coração que pára e dispara ao sabor do coração dos filhos, senti que estava ao lado da pessoa certa e que por muito que desapareçamos em detrimento dos filhos, tenho a certeza absoluta de que ressurgiremos com mais força depois de tudo isto.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Carta ao Filho

A Melissa teve que escrever uma carta ao Gabriel. A escola pediu-lhe que escrevesse umas palavras ao filho e ela escreveu.
Achei uma ideia mágica, que já me ocorreu dezenas de vezes, criei até um espaço onde o faço com alguma frequência, pois para mim não há como perpetuar sentimentos através da palavra escrita.
Enquanto escrevemos sentimos tudo de novo, com uma força sem igual, como se cada palavra nos fizesse reviver, renascer e amar uma e outra vez de todas as vezes que voltarmos a ler o que escrevemos.
Depois acho, talvez com alguma ingenuidade não sei, que eles vão gostar de saber do nosso amor por eles, quando já tiverem idade para entender melhor as coisas do coração.
Por isso em jeito de desafio convidava os que por aqui passam a escreverem uma carta aos vossos filhos (ou a quem quer que ocupe o vosso coração) e a publicarem-na nos vossos espaços.
Eu sei que escreverei em breve mais uma carta para eles e sei também que vou sentir uma imensa dose de conforto quando o fizer.
Experimentem lá e depois digam-me qualquer coisa :)

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Melgas

Melgas, zumbido de melgas, comichão de melgas, sensação de melgas, cheiro a asa de melga queimada por quilómetros de voo.
Tudo isto numa casa perto de mim, mais concretamente, na minha própria casa.
Conclusões: Aqueles aparelhos amigos do ambiente que se metem nas tomadas e que emitem sons de baixa frequência não resultam, pelo menos com as melgas da minha zona que devem ser surdas.
Chapadas a mim própria, tentando um flagrante delito não resultam.
Aparelhos inimigos do ambiente com veneno no seu interior resultam, mas as pêgazinhas, conseguem sempre picar antes de sucumbir.
Além deste calor pestilento, odeio tudo o que está associado a ele, melgas incluídas claro.

A Vontade de Ir

Acordei com a sensação de que gostava de sair daqui. Não importava para onde, importava apenas sair.
Na bagagem o suficiente para recomeçar e dentro das minhas mãos apenas as mãos daqueles que amo.
Partiríamos empurrados pela vontade de ir ao encontro de qualquer coisa e adormeceríamos ao som do comboio que balançava suavemente nos carris. A Alice encostada no meu ombro, o António junto ao meu coração e o Hugo de braço enlaçado sobre todos.
Foi assim que acordei hoje, mas cedo percebi que tudo ficaria igual e que a força para sair de dentro dos dias semelhantes, não tinha despertado comigo neste dia demasiado quente.

domingo, 25 de julho de 2010

Cocozando All Day Long

Agora que o meu baby "fala" com os seus brinquedos, chucha no dedo indicador com expressão reflexiva e cruza os pés, como se os baloiçasse descontraidamente nos degraus de um alpendre, podia também fazer cocós num esquema mais ou menos decente e engraçado. Mas não, ele quer ser diferente, por isso decidiu tomar o caminho mais longo da cagada, que é como quem diz, distribuir o mesmo cocó pelas várias horas que compõem um dia.
Senão vejamos, faz um minúsculo de manhã cedo e diz pause, faz outro pequeno a meio da manhã e diz pause, continua depois do almoço e grita pause, mudo-o e assim que se sente fresco, alivia o restinho que tinha ficado, mais ao meio da tarde temos já a segunda parte da cauda da serpente e assim continua largando o seu composto químico até ao anoitecer e a mãe dele, neste caso eu, a trocar fralda atrás de fralda, atrás de fralda, atrás de fralda, atrás de fralda, livrando-o de pequenos e ridículos troços da mesma cagada.
Agora digam-me, porque não largar tudo como uma fartura tamanho xl? Porque não? Eu preferia, juro que preferia dar cabo do assunto com uma pá e um balde, do que andar todo o santo dia de colherzinha de chá.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Biltres

Desculpem lá esta minha nova fixação na Assembleia da República e seus trabalhadores, mas durante a noite, tropeço no AR Tv, esse conhecido canal de entertenimento e não consigo evitar que se me revolvam as entranhas.
Ontem dei de caras com uma Comissão de Acompanhamento para o Ambiente e Planeamento, com a nossa charmosa ministra Passarinha e fiquei catatónica. A conhecida Mamila Jameira (que é como quem diz Jamila Madeira) falava, falava, falava, falava e não dizia rigorosamente, e quando digo rigorosamente é mesmo assim, nada, a ponta de um corno. Passo a exemplificar:
"A questão em discussão é de relevante interesse para o conhecimento mais aprofundado da mesma e logicamente, para que nos inteiremos de tudo a que a questão respeite em questão", ficou nisto horas, entre coçadelas de nariz, qual jogador da bola a ser entrevistado. Atrás dela um sujeito enviava SMS non stop, enquanto a eloquente política continuava naquele ram-ram de fazer desesperar o mais paciente dos seres.
Eu só pergunto uma coisa: Somos nós que pagamos aquela verborreia vazia? É do nosso bolso que sai o carcanhol para alimentar comissões sobre nada?
Haja paciência para aturar esta cambada de biltres, haja paciência! Se pudesse corria tudo à bengalada!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Uma Questão de (des) Respeito

Eu sou um bocado antiquada no que respeita à solenidade de certos cargos públicos. Penso que não há nada a fazer quanto a isto, pois se tenho um lado da caixa torácica idiotamente liberal, o outro lado é estupidamente conservador. Não raras as vezes os dois andam à bulha: Ó porque é que estás a ser tão retrógrado? Diz um lado. E tu, porque é que tens a mania que és p'rá frentex? Responde o outro.
De maneira que o meu lado torácico conservador acha que um deputado, quer pela função que desempenha, quer pela solenidade que reveste o seu local de trabalho (ou pelo menos deveria revestir em teoria), deve vestir-se com o mínimo de decoro.
Não imaginam como me enerva ver alguns deputados, do alto da sua eloquência, aos gritos inflamados, vestidos como se tivessem acabado de chegar de uma pijama party. Vê-se que nem se deram ao trabalho de tirar as nódoas da t-shirt preta desbotada para irem arrotar postas de pescada na Assembleia da República. Desconfio até que não tocam num sabonete há mais tempo do que ouso supor e isso irrita-me, dá-me uma comichão de sujidade psicológica e sinto que quem anda ali a botar sentenças em nome do povo devia pelo menos ter um aspecto lavado.

Sou assim, o que é que se há de fazer...

Quando tenho um desabafo com alguém, a coisa pior que me podem fazer é um grande drama, um teatro brutal em torno de uma situação banal.
Desdramatizem-me, façam-me rir, dêem-me estalos, mas juntarem lenha, querosene e gasolina ao pequeno melodrama interior é que não. Não suporto, fico sem vontade de voltar a desabafar.

Vi a Luz!!!

Hoje fui vacinar o António à Clínica Europa e tenho que vos dizer que andei a dormir durante anos e vi finalmente a luz. Caramba, por 9 euros posso ir tranquilamente entre as 9 e as 18, ser atendida em 5 minutos e usufruir de uma maravilhosa vista sobre o mar.
No final das vacinas, a Alice não quis ir-se embora e ali ficámos na recepção com vista sobre o mar da marginal, eu a beber café de máquina automática, a Alice a jogar um jogo que levou consigo e o António adormecido e em estado de choque.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Este País Não é Para Ninguém Ponto.

No seguimento do meu dia de ontem, hoje continua a saga de ser portuguesa em terras lusas.
Esta manhã pergunto do alto da minha ingenuidade, inocência, ou tacanhice cerebral:
Porque é que não podemos vacinar as crianças em qualquer centro de saúde? Porque é que tem que ser no da área de residência?
Da última vez que fui vacinar o António avisaram-me: No mês que vem vamos entrar em obras, por isso ligue antes de vir para saber onde é que estamos. Então e porque é que não posso ir com ele a outro Centro de Saúde? Ah, sabe é que o processo dele está aqui e não pode ir a outro sítio vaciná-lo. Que grande e rotunda estupidez, penso eu.
Hoje lá telefono para o Centro de Saúde a fim de saber onde raio estão aquelas almas a dar picas. Liguei cerca de 200 vezes, o que as senhoras fazem é atender o telefone e pousá-lo, ficando eu a ouvir as conversas das lesmas ao longe. Grito, insulto, volto a gritar e nada. Ali fica o telefone pousado e a minha raiva e impotência a crescer de forma avassaladora.
Nada é fácil por aqui, mas é que mesmo nada.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Este país não é para bebés/ Desabafo

Estou de gatas, não é de rastos, é de gatas mesmo. Não aguento mais andar pelas ruas de Cascais com o carrinho e a Alice de mão no bolso de trás das minhas calças. Não estou a exagerar, hoje senti que se desse mais um passo me desfazia num monte de ossos na estrada.
Tive que ir aos Correios buscar uma carta registada e o parque onde costumo deixar o carro estava fechado para obras, parei num sítio com parquímetro e percebi que não tinha moedas, abri a porta do carro e a porta raspou no passeio, ficando literalmente presa no chão, devido à inclinação, só consegui desencravá-la a pontapé. Tirei cadeirinha, ovo com António, Alice e fui à procura de um café que me destrocasse uma nota para o parquímetro (zona vermelha), ao descer o passeio na passadeira, a cadeirinha encravou na grelha de esgoto mesmo sobre a passadeira e a Alice tropeçou no gigantesco passeio que antecede essa merda chamada passadeira portuguesa, do outro lado da zebra uma árvore descomunal, abarcando toda a extensão de passeio e bloqueando a passagem, entre socalcos e buracos lá contornei a árvore, só para cair noutro buraco na calçada. Consegui chegar ao café onde me trocaram as moedas e lá empreendi o caminho de volta até ao carro, já com o senhor da Emmel a subir pela rua e a espumar com uma erecção só de ver um carro sem papelinho (o meu). Lá fui de novo até aos correios, tendo que dar uma volta de quilómetros até encontrar uma zona onde pudesse subir com a cadeirinha e quando finalmente vi o conteúdo da carta registada, era uma conta para pagar. Arrasto-me de volta e a Alice diz-me que quer dar uma voltinha por Cascais. Respiro fundo e digo-lhe que sim e lá vamos nós sobre passeios que terminam abruptamente, calçada rebentada e esburacada, inclinações súbitas, onde tenho que andar com a cadeirinha em duas rodas, carros mal parados, um vento ciclónico, buzinas. Um ambiente agressivo, onde é impossível passear-se com prazer, é uma prova de obstáculos pura e simples, finda a qual, a força para repor o ovo no carro e a cadeirinha no porta bagagens simplesmente desapareceu. Só queria sentar-me na beira do passeio e desmaiar.
Nunca fui de andar a dizer mal de Portugal a torto e a direito, mas nestas alturas odeio viver cá, a sério que odeio.
Ontem na loja para crianças Imaginarium, no chão bem no centro do espaço, brinquedos empilhados em exposição, dirigi-me à empregada da loja e disse-lhe que afastasse aquilo dali, que queria passar e não conseguia. Se entrasse ali alguém de cadeira de rodas, como seria?
Ela lá afastou aquela ideia de génio do meu caminho, mas teve que me ver bufar centenas de vezes de cada vez que esbarrava em alguma coisa.
Odeio as nossas lojas, odeio a nossa calçada, odeio a falta de infra-estruturas a pensar nas pessoas com constrangimentos motores. Nada é fácil aqui, nada e eu estou cansada. Cansada ao ponto de começar ao pontapé a tudo o que esteja no meu caminho.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

O Bicho Peão

Quando conduzo sou bastante civilizada no que diz respeito a peões, mas há certo tipo de pessoal pedonal que me tira do sério, nomeadamente o peão peneirento.
Esta raça de peão é caracterizada por deslizar na passadeira, como se desfilasse na passerele, demora horas infindas a cruzar a estrada e arrasta-se, deixando um rasto de langonha atrás de si, goza connosco, olha-nos de lado enquanto solta risinhos para o telemóvel e hoje quase podia jurar que a top-model feiosa que deixei atravessar na zebra sacou do seu espelhinho de bolso e retocou a maquilhagem enquanto a ursa esperava dentro do carro.

domingo, 18 de julho de 2010

O meu bebé

Tenho curtido muito o meu bebé. Pela primeira vez sozinha com ele conheço-o mais um bocadinho e percebo como tenho andado distraída e pouco atenta a cada pequeno progresso que ele faz, a cada ruído novo, cada olhar ternurento, cada sorriso rasgado e desdentado, o seu cheirinho doce, a sua pele macia e os seus braços em forma de rolinhos que não param quietos.
Hoje deitei-o na minha cama de manhã e deixei que ele ficasse a falar comigo e a puxar-me o nariz, enquanto eu dormia mais uma hora e ele ficou sem chorar, apenas a olhar a cara da mãe adormecida.
Ontem sentámo-nos os dois no sofá de pernas cruzadas, ele encaixado no meu colo e ouvimos dezenas de músicas juntos, sem protestos, sem resmunguices, a casa era nossa e nós um do outro sem divisão de atenção, sem partilha. Ficou completamente louco com a música já antiga da Des'ree "Life".
Temos sido 100% egoístas e vivido apenas de sopas e carinho e eu aprendi um bocadinho mais sobre nós...

sábado, 17 de julho de 2010

Setembro em Mim

Em Setembro vou ver-te de mochila às costas e acenar-te com um sorriso confiante, enquanto te afastas mais um bocadinho de nós.
Em Setembro vais deixar o que foi o nosso mundo durante 4 anos e entrar num mundo onde já não estarei para te proteger a cada instante.
Em Setembro crescerás mais um bocadinho, tal como cresceste em Fevereiro depois do teu irmão ter nascido.
Sei, agora mais do que nunca, que serás sempre a minha menina e que o meu coração baterá sempre ao compasso do teu.
Estou para sempre presa neste feitiço que me lançaram tu e o teu irmão desde o dia em que nasceram, irremediavelmente entrelaçada, enredada nos vossos passos e se umas vezes é a melhor sensação do mundo, outras é uma espécie de abismo sem fim à beira do qual me sento a baloiçar os pés, esperando que a sensação de perda de mim termine.
Os nossos filhos roubam-nos e devolvem-nos a dobrar, arrancam-nos do nosso mundo, para nos atirarem de novo à vida com um simples abraço. Os nossos filhos são a ténue barreira que se sente quando fechamos os olhos e temos a certeza que tudo faz sentido.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A Chorar Baba e Ranho

A Alice foi com o pai 3 dias para casa dos meus sogros no Algarve, saíram agora de noite para aproveitarem bem o sábado e eu fiquei aqui com o António nesta casa demasiado silenciosa.
Imaginá-los de carro à noite, noutra casa sem mim, imaginá-los a uma distância superior a 20 quilómetros da minha pessoa deixa-me desolada, pois nunca nos separámos assim ao meio.
E aqui estou eu feita parva à espera que o telemóvel toque e que ele me diga que chegaram bem, para que o meu sono possa chegar.
E aqui estou eu do alto dos meus 35 anos acabados de fazer, agarrada ao coelhinho de peluche que ela me deixou.

Sofrer é Fodido

Sim, eu sei que é importante sofrer para se dar valor às alegrias, que quem não experimenta alguma espécie de sofrimento ao longo da vida, seja ele amoroso, ou de outro nível qualquer, pode tornar-se uma pessoa um bocadinho menos vivida, mas borrifei-me no filosoficamente correcto, se pudesse abolia o sofrimento de toda a gente.
Procurei, a sério que procurei arduamente outra palavra mais bonita para colocar a seguir a sofrimento, mas não encontrei, é que sofrer é definitivamente fodido.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

A Meio Caminho dos 40

Hoje senti mais uma vez que já não tem graça fazer anos, mas que é bom estar viva e bem de saúde para os fazer.
Hoje senti que a minha filha vibra mais com este 15 de Julho do que eu e isso comoveu-me e fez com que plantasse um sorriso nos lábios por ter alguém que acordasse antes de mim toda excitada por ser o dia do meu aniversário.
Hoje faço 35 e sinto-me com 35, mas por fora obviamente que pareço uma miúda de 20 :)

quarta-feira, 14 de julho de 2010

No Super, ou na Farmácia?

De cada vez que percorro os corredores de um supermecado tenho a sensação crescente de que me encontro numa farmácia. Hoje por exemplo dei de caras com uma lata de leite condensado "rico em cálcio", outro dia foi a Maionese "Rica em Ómega 3", comer os chocolates Kinder também equivale a beber um copo de leite, é igualzinho. Os cereais de chocolate extra carregados de sacarose e afins também têm montes de vitaminas que ajudam ao crescimento e a treta do leite mimosa infantil também tem muitas letras correspondentes a várias vitaminas, mas vejam só, tem açúcar!!!
Se houver por aí alguém com os níveis de colesterol elevados que vá ao supermecado comprar maionese rica em ómega 3, ou alguém que compre latas de leite condensado pela sua riqueza em cálcio, digam-me por favor que é para eu lhe dar um estalo.

terça-feira, 13 de julho de 2010

MEC

Outro dia saí no final da tarde para um passeio lúdico, o que nos últimos tempos significa sair sozinha de carro, nem que seja para ir à M24 comprar feijão frade e atum para o jantar, sendo que foi precisamente esse o caso. Enfim, saí, liguei o rádio e antes de mudar a estação, coisa que faço mesmo antes de ouvir o que está a dar, detive-me a escutar aquele tipo que respondia a umas perguntas. Detive-me porque reconheci aquela voz acelerada e meia lunática, polvilhada por dezenas de "não é?" e bafejada pela mais pura das genialidades. No preciso momento em que soube que era o Miguel Esteves Cardoso o alvo da entrevista o meu pé saiu do acelerador e a minha pressa para fazer o jantar eclipsou-se como que por magia.
Ali estava ele a responder a tudo sem filtros, mas ao mesmo tempo naquele tom de boa educação britânica que torna impossível a alguém ouvi-lo sem um sorriso de orelha a orelha.
Entre outras coisas disse que, tirando Agustina, todos os romancistas portugueses eram basicamente uma merda e disse-o como se debicasse um scone e bebericasse o seu chá pelo meio da frase.
Já tinha chegado à bomba de gasolina e em casa as coisas estavam estupidamente atrasadas, mas fiquei ali parada dentro do carro a ouvi-lo falar até ao fim, com uma sensação de pura satisfação por ter aquele tempo para mim.
Dentro do carro, estacionada na M24 eu ouvi o Miguel Esteves Cardoso e senti que os meus neurónios estavam lentamente a encontrar o caminho de volta...

Escolher um médico para nos pôr o filho no mundo

Penso que não há nada mais importante do que a escolha da médica que nos ajudará a pôr os filhos no mundo. Importa a sua competência sim, mas não é menos importante a sua dose de humanidade, simpatia, sensibilidade.
As grávidas são seres complexos, cheios de camadas e níveis de sensibilidade, que precisam de ser apaziguadas a cada consulta. Eu sempre soube isto e sempre quis que fosse a minha médica de sempre a fazer o parto da Alice, mas como ela não fazia partos no hospital que eu queria, troquei-a por uma médica que o fizesse e todas as consultas foram distantes, apáticas, sem telefones trocados, sem nada além de dados de análises e datas agendadas. Nunca tive empatia com ela, mas lá aguentei até ao final, ouvindo-a falar do almoço que tomaria com o anestesista, durante o nascimento da minha primeira filha. Senti-me um número e não gostei, por esse mesmo motivo, quando me soube à espera do segundo filho, não caí na asneira de muitas mães que se fixam no mesmo médico para sempre, criando uma espécie de mito em redor de quem lhes mete os filhos no mundo, seja bom seja mau.
Fiquei com a Dra. Maria João Mendonça e com as suas gargalhadas, partilhas, olhares de cumplicidade. Fiquei com a médica que me tratava sempre pelo primeiro nome, me falava das próprias filhas e da sua vida e me dava dois beijinhos na entrada e na saída.
Fiquei com a médica que me fez festinhas durante a anestesia, que me sorriu assim que entrou na sala de cesarianas, que ligou para o Hugo antes de eu entrar, que me telefonou para o telemóvel assim que soube que eu estava com uma anemia, que disse que odiava ter que me provocar dores, mas que ia ter que sentir o útero, mesmo depois de já ter sido palpada por 234 enfermeiras e médicas que nem abriram a boca durante o palpanço. E, por incrível que pareça, saber que ela sabia que doía como tudo, atenuou a dor.
Eu fiquei com a médica humana e competente, pois quero acreditar que as duas coisas não são incompatíveis de forma alguma.
Mas também sei que há muita gente que não pensa assim, que ainda sofre daquele complexo de inferioridade, que acha que um médico para ser a sério tem que ser frio, não olhar nos olhos e passar a consulta inteira a escrever no processo. Quanto mais distante e inacessível, mais competente e estudioso deve ser.
Se me perguntarem o que prefiro, um médico humano e incompetente, ou um antipático, frio topo de gama, terei que responder: Porque raio tenho eu que escolher entre as duas? Porque não uma terceira alternativa que englobe as melhores características dos dois lados?
Quando é que os médicos vão aprender que um tratamento menos distante é meio caminho andado para que o paciente se sinta mais pessoa e menos algarismo?

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Um Quarto Mágico é Possível




Depois de muito hesitar, de muito namorar, virar e revirar a embalagem, duvidar do seu real poder de projecção, de achar e desachar caro, decidi comprar e caraças estou rendida a esta joaninha que projecta estrelas.
A Alice, que tinha uns autocolantes com estrelas fluorescentes sobre a cama e adorava adormecer a olhar aquele pequeno céu improvisado, agora adormece sob um gigante céu estrelado, como só se vê nas noites passadas num qualquer deserto distante (imagino eu) e eu só me apetece ter um céu assim no meu quarto...

domingo, 11 de julho de 2010

Desejo de Dezembro



Quando estou mais cansada quero Dezembro, uma cabana de madeira na montanha, uma lareira acesa, cheiro a bolos, livros e revistas espalhados num gigantesco sofá, café numa caneca, mantimentos na despensa e a família segura perto de mim.
Hoje estive o dia inteiro a pensar que gostava de estar nesse sítio que mora onde imagino e demorar-me lá, como se recuperasse de um longo verão de ruído.
Hoje queria silêncio, interrompido apenas por passos enterrados na neve lá fora e pela respiração sossegada das crianças a dormirem por perto.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Fazer do mau bom e seguir em frente

Tenho amigas que agradecem aos pais terem-lhes mostrado como se ama de verdade, sem condições, horários, nem prazos de validade para esticarem uma mão de ajuda, incondicionalmente.
Tenho amigos que me dizem que tudo devem a quem os criou e lhes deu as directrizes de vida, pois na falta de oráculos-guia, recorrem às memórias do que lhes foi passado pelos seus próprios guardiões, os pais.
Conheço quem queira deitar a cabeça no colo da mãe quando tudo o resto falha aos 40 anos porque foi assim que sempre fez desde menino e é esse abrigo que busca instintivamente.
Depois conheço quem passe a maior parte da vida buscando os seus próprios valores, tacteando apenas com o coração o que será melhor para si, contando apenas com o seu próprio instinto, sabendo por onde não quer ir, por ter percorrido já aquele caminho demasiadas vezes e saber que não é por ali que quer levar os filhos.
Às vezes viver sem estrelas-guia, sem conselhos sábios, sem recordações não é fácil. Mas pode sempre pegar-se na falta de mapas, de bússolas, de rotas traçadas com amor e tentar imprimir pontos cardeais nos filhos. Fazer de tudo para que eles sintam que sempre tiveram um lugar importante e não se limitaram a ser pedras no caminho da felicidade de alguém.
Não repetir os mesmos erros é a chave, mas uma chave que muitas vezes magoa ao ser rodada.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A Tusa Artística Portuguesa



Nós somos merdosos em quase tudo é bem verdade, mas em termos de mentes criativas conseguimos sublimar a merdice, pois somos medíocres, medíocres a armar ao pingarelho, que é o pior que se pode ser.
É triste constatar que nem numa revista que vende gajas nuas classudas, conseguimos arranjar gajas com classe, mas mais triste ainda é julgarmos que enfiarmos Jesus Cristo numa capa de uma revista erótica é arte.
Sim ai que tusa que deve dar esta capa, ai o génio criativo por detrás desta ideia brilhante, ai tanta intelectualidade mal compreendida por pessoas um bocadinho broncas como eu.

Actifed Fede

A assoar narizes, é o título da minha vida nos últimos dias.
Primeiro o do António com Narinel até já não me restarem forças para puxar mais. Depois a Alice com febre, depois o meu próprio ranho com bastantes semelhanças a uma queda de água paradisíaca, só que sem a parte do paradisíaca. E finalmente, o ranho da Alice novamente em unissono com o meu.
Hoje em desespero de causa tomei um Actifed, apesar de saber a moca estranha que esse medicamento me produz no cérebro e foi definitivamente a coisa mais idiota que poderia ter feito com duas crianças em casa. Acho que tive alucinações e tudo. Entrei na cozinha e tinha loiça suja até ao primeiro andar. Fechei a porta e voltei a abrir, belisquei-me e ainda não percebi se alucinei, ou não.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Quando me Olhas Assim

Quando me olhas assim, todas as equações de razão que fiz até hoje perdem o sentido e diluem-se nesse teu olhar pequeno, mas firme.
Quando me olhas assim, do fundo desses olhos ternos, sei que todas as contas que deitei à vida antes de ti jamais me dariam esta resposta.
Quando me olhas assim, tenho a certeza agridoce que antes de ti não era ainda completamente eu, que precisei da tua presença para ser esta pessoa que tenta guardar-te.
Quando me olhas assim, os prós e contras que desenhei com afinco antes de te decidir, esbatem-se num único sentimento e sorrio com a tentativa de tantos em racionalizarem o que se sente.
Quando me olhas assim, a transbordar alegria por mim, fecho os olhos e tento reter-te, a tua imagem, o teu cheiro, o teu som, pois sei que, apesar de ser ainda eu, sou também um bocadinho tua.
Queria ter-te escrito dia 4 de Julho e dizer-te que estás connosco há 5 meses (e comigo há 14) mas sabes como tem andado a nossa vida aqui em casa, sem tempo e cansada´pelas rotinas de todos.
Hoje fazes 5 meses e 3 dias e é um dia tão bom como qualquer outro para te celebrar meu amor.

terça-feira, 6 de julho de 2010

A Marcha dos Pinguins

É tão bom quando tropeçamos em blogues com textos assim. É bom, porque é raro e as coisas raras levam tempo a encontrar, mas depois de entrarem calmamente dentro de nós, num mar de palavras que nos fazem tanto sentido, é dificil voltarem a sair.
Gosto de partilhar convosco as minhas leituras de eleição, por isso aqui fica:

De uma maneira geral, no mundo ocidental - na concepção que nós, europeus, temos da 'ocidentalidade' - já serão poucos os que se casam por interesse. Ainda assim, continua a haver por aí muita gente presa a relações às quais só sobra a forma, porque estão há muito vazias de conteúdo.

A dada altura, na nossa vida, todos nós já experimentámos manter vivos os laços que nos uniam a alguém, pelo simples facto de acreditarmos - e nessas alturas acreditamos piamente - que é impossível uma coisa tão lógica, como estarmos junto 'daquela' pessoa, deixar de existir. Infelizmente, todos o sabemos - ou aprendemos, por vezes, aos trambolhões - a aritmética das emoções e dos afectos não é uma ciência exacta e nesta coisa dos sentimentos, dois mais dois nem sempre são quatro.

Um amigo e ex-colega contava-me há tempos o seu desaire [na altura] recente. Desabafava a sua pouca sorte e lamentava a falta de ajuda cósmica. Dei-lhe uma palmadinha nas costas e aconselhei-o a seguir em frente. Terá sido de pouco uso o "caga nisso e bebe a cerveja, que gajas há muitas", mas, nestes casos, o que é que de inteligente se pode dizer a quem acha que o mundo (o seu) está a desabar?

Em momentos de confissões sacramentais, fico sempre sem jeito e sem argumentos. Eu, que, de uma maneira geral, tenho opinião formada ou a formar sobre tudo e mais alguma coisa. Nessas ocasiões, olho para o meu interlocutor e julgo simplesmente inútil perder-me em argumentos que tentem convencer aquele sujeito, feito em merda, de que a vida é uma coisa bestial.

Hoje, por e-mail, o tal amigo voltou ao tema. Agora, sonhador, encantado e, de novo, apaixonado. Isso pôs-me a pensar.

Homens e mulheres são diferentes, mas, independentemente dos genitais que o Senhor nos deu, ser pénis ou vagina interessa muito pouco quando aquilo de que se trata é de entregas e devoluções.

O facto de aceitarmos, às vezes com leviandade, partilhar a nossa vida, de mão beijada, com alguém, é, à partida, um risco sujeito a consequências potencialmente desastrosas. A nossa geração, esta dos finais dos anos 70 e princípios da década de 80, tornou demasiado fácil o compromisso, sem se dar ao trabalho de o aprofundar. As relações, as que o chegam a ser, já o são antes de o deverem ser. Hoje eu já te amo, amanhã estarei a viver contigo.

Num ápice, viramos todos imperiais mal tiradas. Dentro do copo, só espuma, sem cerveja. À primeira adversidade, porque não criámos laços sólidos, questionamos tudo e destruímos as leis da física que, cinco minutos antes, tínhamos por universais. Pegamos no saco do lixo, damos um nó, dois e levamos para o contentor. No regresso, estaremos prontos para outra.

Felizmente, restam-nos ainda exemplos felizes, de gente que perdura no tempo. Conheço casais assim. Novos e velhos. Gente feliz e não apenas contente. Homens e mulheres que, com ou sem semelhança de género, não querem saber viver separados.

Uma relação é uma partilha: que não implica que cada parte se anule, que deixa espaço para a individualidade, mas uma partilha que se constrói, aos poucos, devagar. E será sempre uma ralação. Às vezes, estar com alguém, fazer por dar certo, é chato ao ponto de não apetecer mais.

Sou um aprendiz desta coisa que é viver. Aos disparates, conheço-os a todos. Já me anulei, já desprezei e já fui indiferente. Quis estar e arrependi-me profundamente de ter estado. Enganei-me na pessoa e enganei-me a mim próprio. Vivi num permanente estado de ansiedade. Nesse aspecto, tornei-me um homem mais adulto. Pelo menos, inspiro e expiro sem comprometer os batimentos cardíacos.

Escrevi uma vez que os meus pais são o meu modelo. Continuo convencido disso e os seus trinta anos de casamento feliz (complicado, mas feliz) são a prova de que estou certo. A minha mãe tem um feitio difícil e o meu pai é um homem solitário, com poucos amigos. Ele aturou-a e ela fez-lhe companhia. Não me contentarei jamais com menos do que aquilo que eles representam. O seu exemplo será sempre o meu guia. Serei paciente e persistente. Ainda assim, esgotadas todas as possibilidades, preferirei o caminho mais sinuoso, se assim tiver de ser, e tomarei decisões difíceis, se não as puder simplificar.

Mesmo que a tropeçar no meu pé 45, espero nunca me esquecer de como é que se ama alguém: ao meu jeito, no meu defeito e na minha ingenuidade. Por isso, obrigo-me ao dever de querer perceber a mesma verdade - e o mesmo presente - no olhar de quem estiver comigo, seja eu um jovem à beira dos trinta ou um sexagenário com bicos de papagaio.

Esta manhã, ao acordar, olhei para a mulher que amo e pensei o quanto ela é importante na minha vida. O quanto cresci ao lado dela. Naquele fragmento de tempo, revivi um sem número de momentos que partilhámos os dois. Nem todos felizes, muitas discussões e desentendimentos, mas sempre intensos. Os quilómetros que fizemos, a aventura em que nos metemos e as precipitações que protagonizámos. Não sei medir o tamanho do sentimento que nos mantém juntos. Não sei, se o pesássemos, se a balança estaria equilibrada. Talvez não. Não faço ideia onde estaremos daqui por uns meses. Contudo, ao vê-la despenteada, ainda a dormir, não me importei com nada disso. Limitei-me a recordar o seu riso, a sua irreverência, o seu feitio ainda pior que o da minha mãe e o quanto gosto dela quando me faz detesta-la.

Ao meu amigo, agora, não querendo estragar o momento, talvez lhe dissesse que até prova em contrário nos limitamos a viver apenas uma vez, o que, para lá do cliché, é motivo bastante para não perdemos tempo com quem não quer perder tempo connosco. Acrescentaria, porém, que o melhor é não pensar muito no assunto.

Crepitando

Estou completamente desfeita e derretida. Desfeita, porque o António esteve muito constipado e a Alice doente. Derretida, porque odeio calor, do fundo do meu organismo que o odeio sem contemplações.
Os miúdos ficam irritadiços, as nossas forças fogem para outro planeta, o cérebro perde a pouca genica existente, as noites são mal dormidas, as melgas atacam-nos porque deixamos as janelas abertas, os carros quando deixados ao sol transformam-se em verdadeiros fornos crematórios. Enfim, por muito que pense não consigo encontrar uma única coisa boa neste calor do inferno. Para mim 26 graus é mais do que suficiente para poder gritar que verão tão fixe aos quatro ventos.
Agora vou ali dar um grito histérico à janela e já volto. Se não voltar é porque os meus ossos estão a servir de churrasco aos cães da vizinha.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Mulheres Machistas

Pior, um milhão de vezes pior do que um homem machista, é uma mulher que padeça desse flagelo cultural. Então se for uma mulher supostamente moderna, jovem e cheia de ambições chega a ser bizarro ver a contradição entre aquilo que aparenta e aquilo que realmente é.
"Ai que eu sou uma mulher tão moderna que até enjoo de boa! / Deixa cá ver isso querido, essas coisas não são tarefa de homem!" - Sendo que essas coisas incluem tarefas tão árduas como encontrar o pacote do leite no frigorífico.

domingo, 4 de julho de 2010

O que será que será

Será que daqui a um mês vamos ver o baby do CR7 de orelha furada com uma pedra de diamante?
Será que o bebé nasceu de pochete LV debaixo do braço?
Será que a Dona Dolores vai tomar bem conta do Cristianinho Júnior?
Será que a mãe do Cristianinho pediu uma soma avultada para prescindir da guarda?
E por último, mas não menos importante, será que existem fraldas Dolce e Gabana? É que eu não sei como é que a família vai fazer sem fraldas de grife.
Tanta dúvida que me atormenta neste dia do anúncio da paternidade. A maioria de nós, comuns mortais, anuncia a futura maternidade/paternidade, mas ele é muito à frente e poupa-nos 9 meses de expectativa, ele diz que já foi pai, mesmo antes de sabermos que ia ser.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

A Sopa da Pedra

Depois de ler o conselho da ministra da saúde para combater a crise e de sentir que se debruçou profunda e estudiosamente sobre o assunto, rodeada de pareceres técnicos e artigos publicados sobre a matéria, fico aliviada.
Um alívio profundo, daqueles que arrepiam e comovem, por me saber protegida pelos que tomam conta da gestão do meu país.
Os nossos ministros são o creme de la creme da Europa, quiçá até do globo em matéria de combate à crise e penso que poderão partilhar com os seus pares esta bomba atómica, que usada com ciência e método, combaterá não só o flagelo económico como os níveis de colesterol da humanidade.
Quando a ministra da saúde nos diz para fazermos sopa em vez de comermos fast food a fim de darmos um pontapé na crise, sabemos que o dinheiro gasto a pagar o ordenado destes craques políticos foi certamente o mais bem empregue de sempre e temos a certeza interior que em casa dela só se come sopa da pedra, mas daquela pedra bem grande.

A Nossa Casa é Onde Descalçamos os Sapatos



Os pares azul escuro e encarnado mantêm-se do mesmo tamanho, apesar de os donos terem crescido muito por dentro, um novo par cor de rosa para uns pés que cresceram dois números e o par minúsculo para alguém cujo coração bate acelerado de cada vez que avista os donos dos outros sapatos.
Está assim a nossa casa, com 4 pares de sapatos e 4 corações a transbordar.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Eu, uma dona de casa (quase) perfeita

Depois de ter sido convencida por uma gestora doméstica de alto gabarito que fazer um menu para a semana inteira é coisa para resultar em cheio, entre risinhos de gozo comigo própria por tentar ser uma Martha Stewart portuguesa e cantilenas tradicionais, pus-me a abrir armários, congelador e afins e a escrever uma lista com os pratos que iria confeccionar durante os vários dias da semana.
Por ter gozado aqui com as donas de casa perfeitas me penitencio, me chibato, me espanco. Esta merda resulta.
Em vez de perder metade do dia a decidir o que é que vou fazer para o jantar, sair para o supermercado com uma receita na cabeça e voltar com dezenas de compras inúteis, eis que tenho a coisa decidida com antecedência e sem ter que sair porcaria nenhuma, pois tudo foi pensado com os ingredientes que já repousavam cá em casa.
Também deu para equilibrar a coisa com peixe num dia, carne no outro, leguminosas, atum, enfim, cada dia uma variedade diferente.
Comovi-me com esta dica genial, a sério que sim.
A partir de agora tentarei fazer sempre um belo menu semanal que isto de ser imperfeita, planeando tudo à ultima hora e sofrendo com dúvidas, atrás de dúvidas afinal dava muito mais trabalho do que ser perfeita.
Já só me falta uma bata, uma chanata, uma rede na cabeça e qualquer dia até pão confecciono em casa.
Lá, lá, lá, lá, lá.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Visão Periférica

A minha visão periférica sempre foi extensa, foram muitas as vezes que cheguei a pensar que quase podia ver o que acontecia atrás de mim.
Lembro-me de uma noite em que com um prato de churrasco na mão e conversando com alguém à minha frente, consegui apoiar a cabeça da Alice e resguardá-la de uma aparatosa queda nas escadas ao meu lado.
Adquiri a chamada técnica do olho no burro e outro no cigano, que é como quem diz, um olho na Alice, outro no António e com jeitinho noutro lugar qualquer.
Se o Hugo fala comigo, consigo virar um olho para ele, outro para a minha filha e um ouvido no andar de cima atento a possíveis choros. Sou polivalente, mas nesta constante dispersão pelas periferias, perco-me e deixo de saber relaxar.
Sinto que preciso de recuperar o meu olhar em frente e para dentro, sinto que a minha visão periférica me desgasta, mas por enquanto é só assim que consigo olhar...

domingo, 27 de junho de 2010

Idiota Kompraste E Agora? (IKEA)

Podia ficar horas a falar do IKEA e de como gosto de ir lá almoçar aos dias da semana por uma bagatela, passear-me pelas "casas" montadas para cativar, as cozinhas acolhedoras, os sofás aconchegantes, a zona dos miúdos uma ternura, podia escrever rios de palavras acerca da preocupação com o bem estar dos putos, das sanitas miniatura nas casas de banho, dos fraldários maravilhosos, dos micro-ondas disponíveis para aquecer a comida deles, enfim, aquele espaço é fixe e sinceramente apetece-me sempre levar tudo.
Mas depois há o lado negro, retorcido, maldoso até daquele armazém sueco, pois nada e quando digo nada, é mesmo nada vem numa única peça.
Compramos um garfo e vem com livro de instruções para ajudar a montar os dentes do talher. Compramos uma almofada e temos que ser nós a meter as penas de ganso lá dentro, seguindo as instruções.
As coisas que comprámos lá foram objecto de suada montagem pelo homem cá de casa, pois o meu cérebro tem uma assumida incapacidade para ir além dos legos. Metam-me uma cadeira com vinte peças para montar e eu tenho um ataque de ansiedade só de olhar para o saquinho com as porcas e parafusos. Por tudo isto e por achar que a maioria das gajas é mais ou menos como eu (adoro generalizar, para me sentir menos só), acho o IKEA sádico, mostra-nos aquelas mobílias maravilhosas todas montadas e depois manda-nos ir buscar ao armazém 10 caixotes onde repousa a cómoda que queremos levar.
Bem sei que na Suécia eles levam esta coisa da igualdade de direitos e obrigações mesmo a sério, mas podiam ter dado uma abébia na montagem de móveis. É que se me falha o Hugo, como conseguirei eu comprar aquela cadeira de baloiço?

sábado, 26 de junho de 2010

Um olhar que me fascina




Sou só eu que acho estes dois estupidamente parecidos?

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Envelhecer Bem


Podia falar da Meryl Streep, mas escolhi a Sally Field porque costumam dizer que sou um bocadinho, sublinho o bocadinho, parecida com ela e eu gosto. Gosto porque desato a imaginar-me uma Sally Field daqui a uns anos e é exactamente assim que desejaria envelhecer.
Não critico quem gosta de se preservar das marcas que os anos imprimem, e só Deus sabe como os meus cabelos brancos, que a cada dia que passa ganham terreno aos castanhos, me angustiam, mas eu não me imagino injectada e inchada de botox, nem a sujeitar-me a cirurgias para fugir ao tempo. Por isso gostava mesmo de conseguir envelhecer sem complexos e de preferência com a cabeça boa.

As melhores conversas do mundo

Hoje no carro, enquanto ouvíamos esse mítico ex-jogador da bola que canta ópera chamado Andrea Bocelli, a Alice delirava tentando acompanhá-lo nos agudos. Vai daí decidi partilhar com ela que aquele cantor de voz tão maravilhosa, não conseguia ver, era cego.
- Que horror mãe, coitado. Mas como é que as pessoas deixam de ver? Caem-lhe os olhos?
Tento não rir.
- Não Alice, às vezes nascem sem conseguirem ver, outras vezes são doenças que vão pondo os olhos mais fracos, até deixarem de conseguir funcionar, os olhos ficam doentes também.
Silêncio.
- Mas já viste como ele canta tão bem?
Silêncio. Eu sei que quando a resposta é silêncio o cérebro dela carbura a todo o gás.
- Mãe, ele se calhar olhou para o sol com óculos 3D e ficou cego.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

A crueza dos dias

Queria muito começar uma série de coisas. Tenho um projecto bem dentro da minha cabeça e não arranjo tempo, nem força anímica para terminá-lo. Entre lavar, dobrar, arrumar, subir e descer escadas para atender o António que faz sestas de 20 minutos durante o dia. Entre a atenção constante que a Alice me pede, as sopas, o jantar e almoço, esgoto-me e é precisamente esgotada que me sinto.
O meu corpo aguenta muito, apesar de as minhas costas já terem conhecido melhores dias, mas a minha mente, essa está frágil, pequenina e regenera-se a ver programas estúpidos na televisão, ou a navegar na internet. É a forma que ela encontrou de não pensar demasiado, de não aprofundar, de não se desviar para dentro de mim...
Sei que as coisas vão mudar e que a força para concretizar chegará inevitavelmente, mas neste momento nada parece conseguir resgatar-me deste marasmo interior, nada.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Ajudem Alguém a Concretizar um Sonho

Há quem fique parado à espera que as coisas com as quais sempre sonhou caiam algures lá de cima e aterrem bem no centro das suas vidas sem sentido.
Há quem se resigne com as vidas que leva e passe os dias a queixar-se da sua má sorte.
Depois há toda aquela classe de pessoas corajosas que ousam. Fartas de acordar para a mesma realidade decidem virar o jogo.
Eu sempre defendi, um pouco cinicamente, que até para ousar é preciso dinheiro. Pois com filhos e hipotecas para pagar, os sonhos passam sempre para segundo plano.
Mas aqui temos uma mulher que foi um bocadinho mais longe e teve uma ideia, no mínimo brilhante, para ultrapassar esse obstáculo monetário.
Decidiu desfazer-se dos seus bens materiais num leilão em que todos vocês podem participar e assim juntar algum dinheiro para correr atrás do seu sonho e dar um pontapé na tal vida resignada.
Ajudarmos alguém a concretizar o desejo de uma vida melhor está sim ao nosso alcance e também nos faz acreditar que é possível.

Este é o post que explica a ideia.

terça-feira, 22 de junho de 2010

The Sex, The City and Shoes

Tive uma epifania, tardia bem sei, mas percebi finalmente o porquê do fetiche Manolos, Jimmy choo, Louboutin, Pradas e enfim, tudo o que soe a designer de chulé Nova Iorquino e que ocupa tanto espaço nos cérebros femininos dos nossos tempos.
Uma das minhas irmãs mais novas perguntava-me outro dia se eu gostava da série Sexo e a Cidade, é que ela via agora tudo de uma assentada pela net, ao que lhe respondi que costumava ver todos os episódios lá muito atrás no tempo e que sim, que gostava, principalmente da Samantha.
Comecei então a reparar que de cada vez que estava com ela a miúda trazia um par de sapatos diferente, cada um mais alto e destrambelhado que o outro. Daí a começar a escrever a suspirar pelas marcas acima referidas foi um passo pequeno, do tamanho de um salto raso.
Conclusão: A série O Sexo e a Cidade é perigosa, transforma miúdas alfacinhas em Nova Iorquinas, sem lhes ensinar que a calçada portuguesa não foi concebida a pensar nos Louboutin e faz da Sarah Jessica Parker uma diva da moda que todo o mulherio quer seguir, quando na realidade, tem esta grande pedra no sapato. Chiça que até eu tinha mais estilo nos anos 80...

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Viajar Assim é Viagem

Senti a humidade na palma da tua mão e desenlacei os nossos dedos, trazendo na pele um bocadinho do nosso calor.
Andámos muito, tanto que perdi a conta aos passos que não cheguei a contar. A minha mão ficou de novo fresca e buscou a tua mão guardada dentro do bolso, num gesto que a protegia do frio.
Aquela cidade era nossa e conseguíamos sentir o cheiro fresco da novidade como um bálsamo que não nos cansávamos de inspirar uma e outra vez, até sentirmos tudo a girar à nossa volta.
O cansaço do final do dia era bom, queria dizer que tínhamos visto tudo e, no entanto, tanto ficara ainda por ver.
Viajar sempre foi para nós renascimento enquanto dois, enquanto cada um. Viajar é e será sempre um dos grandes prazeres da minha vida, sinto já falta do arrepio que antecede a manhã da viagem e saudades de sentir saudades dos que ficam.
Ontem perdi-me nas nossas fotografias e passei o dedo sobre o papel mate, como se assim pudesse voltar ali, àqueles lugares onde fomos felizes.

domingo, 20 de junho de 2010

Filho

Filho, filho, filho, filho. Não me canso de repetir esta palavra e por muito que a repita soa-me sempre a novidade. Tão diferente de filha, tão nova, tal como tu.
Sou daquelas pessoas um bocadinho parvas que pensam que assim que dizem bem de alguma coisa ao mundo, no dia seguinte ela avaria-se, estraga-se, modifica-se, mas acho que é meu dever dizer-te que tens sido suave e se deixares de o ser amanhã mesmo não importa.
És suave meu amor, sorris muito, inventaste uma espécie de tosse para chamares a atenção e sorris para quem quer que se atravesse no teu caminho, mesmo para quem não te olha.
Já comes sopa e papa, entre as duas preferes os legumes. Choras quase sempre durante o processo, mas comes e não ficamos duas horas nessa tarefa, é coisa para 10 minutos.
Queria dizer-te obrigada por seres tão paciente com a tua irmã, por nunca chorares quando ela te pega desajeitadamente ao colo, nem quando grita e corre como uma doida à tua volta. Sabes que ela gosta muito de ti, de verdade, mas ainda não se habituou a essa coisa de ter que me dividir.
Queria dizer-te que foi muito querido da tua parte facilitares as coisas aqui em casa com ela e comigo.
Amanhã não sei como serás, mas hoje és o lado mais suave do tecido da minha vida e eu gosto de passar a mão nas tuas bochechas e sentir fisicamente o que sinto todos os dias aqui dentro.

P'ra Não Te Julgares Esguia toma lá

Porque é que fui pegar naquela túnica, porquê?
Aquela que tenho guardada por nunca ter tido coragem de a deitar fora e que aguarda paciente o dia em que ficarei de novo esguia e escorregarei no seu interior como um fio de esparguete.
Maldita hora em que pensei que podia já voltar a usá-la. Primeiro estiquei os braços para cima, como se me rendesse às evidências e depois comecei a puxadela para baixo, sim, consegui entrar nela é um facto. Sim, aguentei 5 minutos com os sovacos em modo-pressão-torturante. Foram 5 minutos agudizantes, interrompidos apenas pelo som de tecido a rasgar.
Mas o drama, o verdadeiro filme de terror foi conseguir sair de dentro da maldita túnica. Acho que desloquei a clavícula.

sábado, 19 de junho de 2010

A Prostituta da Ironia

Que não seria o Saramago chegar ao outro lado e dar de caras com... Deus.

Rotina

Eu até era boa a fugir da rotina de vez em quando, mas nos últimos tempos estou tão atolada, emaranhada, enrolada em tantas pequenas tarefas repetidas hora após hora, dia após dia, que não tenho vencido a corrida, estou a perdê-la miseravelmente.
A rotina muitas vezes salva-nos, outras tantas vezes mata-nos.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O Clube do Verniz Risqué

Há realmente cabeças tão vazias como as que tenho lido por aí, ou aquilo é apenas show off para se tornarem mulheres mais fashion e serem aceites pelo mítico clube do Verniz Risqué?
É que às vezes entro em certos espaços e posso jurar a pés juntos que estou na twilight zone.
Uns têm o condão de me proporcionar valentes gargalhadas é certo, quando dissertam em torno de temas tão fascinantes como a tortura que foi escolher a roupa nessa manhã e depois fotografam-se, como se envergassem os trapos mais chiques do planeta feira. Mas outros, enfim outros são apenas vazios, folhas e folhas virtuais cheias de nada.
É claro que a blogosfera, como a própria vida cá fora, tem de tudo, mas não deixa de ser curioso ver como a maioria das bloggers parece ter andado a cheirar demasiado verniz, verniz Risqué entenda-se.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Raquel

Conheci a Raquel numa altura um bocadinho louca da minha vida, fomos colegas de turma e cúmplices por pouco tempo no espaço do calendário, mas por uma eternidade no espaço aqui dentro de nós.
Fã incondicional de Robert Smith, vestia-se de preto, usava doc martens e era viciada em coca-cola. Juntamente com a expressão pensativa vinha o sorriso por acréscimo, mas um sorriso que chegava tarde, quando a empatia brotava das nossas conversas e a troca de ideias e paixões se instalara já irremediavelmente.
Era muito sensível, mas uma sensibilidade que fervilhava por dentro. Com ela tinhamos que nos dar ao trabalho de retirar as várias camadas que a protegiam. Como também sou um bocadinho assim, não tive pressa de esperar e ir passando as folhas do seu livro, uma a uma.
Afastámo-nos porque a vida nos afasta tantas vezes das pessoas que nos dizem tanto, mas nunca deixei de pensar naquela rapariga morena, cheia de vida por dentro das suas palavras e de cada vez que ouvia Cure lembrava-me como se fosse ontem e sorria de saudade.
Passados uns anos recebi um telefonema a pedir-me um favor e assim foi, ela veio ter comigo e senti-a um bocadinho perdida.
Desde então perdi-lhe o rasto. Recusei-me a apagar o telefone de casa dos seus pais e passou de uma agenda de papel para o meu telemóvel. Era daqueles números que não conseguia apagar da agenda, por muitas limpezas que fizesse à lista de contactos.
Estes caminhos da internet têm muitas coisas más, mas têm também a magia de nos religar a amigos e a Raquel veio cair de novo no meu pequeno caminho.
Apaixonou-se por um holandês, fez a sua trouxa e rumou com ele de carro para o país das socas, moinhos e bicicletas onde está há 10 anos. Com uma força de vontade arrepiante, aprendeu aquela língua que não lembra a ninguém e terminou o seu curso de psicologia em holandês...
A Raquel é minha amiga e gosto de ter amigos assim, porque gosto de pensar, com muito pouca humildade confesso, que todos nós temos um bocadinho os amigos que somos.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Tiradas Profundas

Adoro pensamentos escritos em páginas de livros pequeninos e cheios de pinturas a óleo, em anúncios televisivos, em pacotes de açúcar. São os chamados pensamentos descartáveis, ou avulso. Para aquelas pessoas que não podem pensar mais profundamente sobre nada, por estarem de costas voltadas à sua massa cinzenta, são bálsamos de sabedoria. Vejamos alguns exemplos, uns pensados por terceiros, outros pensados pelo meu próprio recheio craniano:
- Parar não é morrer, é simplesmente deixar de viver.
- Não pense mais no passado, recorde-o apenas.
- Em frente é que é o caminho, atrás é tudo o que ficou anteriormente.
- Deixar de caminhar não é parar, é apenas ausência de movimento.
- Eu não penso, reflicto e reflectir é bonito.
- Eu não tenho medo, temo apenas o pior.
Enfim, tudo coisas comoventes e profundas à brava. Mas o que gosto mesmo, o que me diverte à séria, é perceber que há quem se identifique com eles :)

terça-feira, 15 de junho de 2010

A minha Loiça é Outra

Além de jóias, uma outra coisa na qual não me ocorre gastar dinheiro é em loiça. Sim, eu sei que não é normal, que uma gaja que é gaja gosta do seu serviço da Vista Alegre, das suas chávenas de porcelana fina e de terrinas da sopa dentro de um enorme e pesado louceiro. Eu odeio.
Odeio porque ficamos agarradas ao serviço uma vida inteira e eu gosto muito de variar.
Odeio porque é tralha e ganha pó.
Odeio porque é sempre demasiado frágil para ir à máquina e tudo o que não possa ir à máquina está riscado da minha lista.
Odeio, esta é talvez a razão mais importante, porque não poderia atirar pratos à cabeça do Hugo quando me chateasse com ele, ou simplesmente partir a loiça toda para descomprimir.
Tenho uma espécie de louceiro parvo onde amontoo o meu elegante serviço da area infinita e os meus copos de cristal do IKEA, porque aqui quando se reúne a família toda é mesmo muita malta e não cabiam nos armários da cozinha.
Nesse louceiro rústico (um bocadinho rústico demais, já que até tem portas empenadas de origem) também repousam tímida e aristocraticamente umas chávenas de chá e café desse ícone chamado Vista Alegre, porque a minha sogra faz questão de me dar umas peças a cada Natal, mas são iguais ao serviço da area, só que mais caras e, lá está, não podem ir à máquina.
Gosto de olhar para elas enquanto beberico o meu café matinal por uma caneca com uns dizeres muito inteligentes que trouxe de Praga e elas gostam de olhar para mim. A nossa relação fica por aqui.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Nigela, Nigela c'a ganda noja

Acabei de ouvir a Nigella Lawson no seu sotaque queque e aristocrático dizer no seu programa:
"Se não estivesse aqui lambia o balcão".
Depois de um bocadinho de sumo da salada de frutas ter caído sobre o mesmo.
Já estou a imaginá-la em casa a lamber o chão quando um bocado do molho de mostarda do bife verte da pratada no caminho para o quarto.

Amo-te até nos matarmos

A semana passada ouvia o Seinfield a falar sobre o seu novo programa " The Marriage Ref" e como lhe tinha surgido a ideia de criar aquilo.
Discutia com a mulher em frente a um amigo e as coisas começaram a tornar-se incómodas para este, que dá uma desculpa para sair, ao que o Seinfield responde:
- Não, tu ficas! Ficas e vais resolver esta discussão. Quem é que tem razão, eu ou ela? É que senão ficamos aqui o dia inteiro e nunca chegaremos a conclusão nenhuma.
E assim surgiu a ideia de um programa onde existisse um árbitro a decidir sobre as contendas dos casais.
Eu adoro o Seinfield, o seu humor, a sua maneira inteligente de gozar com o quotidiano e a forma como consegue transformar um assunto banal numa pérola da risada. Portanto fiquei ali a ouvi-lo falar das discussões entre casais, a falar dos tons de voz e do que simbolizam, a falar das discussões que começam por causa do cão e terminam a insultar os sogros. Das discussões que até começam de forma inofensiva e no meio do turbilhão um dos membros do casal solta uma bomba atómica do género: És uma merda na cama!
Foi uma entrevista hilariante (na Oprah) e que me deixou a pensar nas nossas próprias discussões de cáca aqui em casa e como, no fundo, todos os casais têm estes padrões.
Eu não tenho um tom de voz específico para fazer passar certas emoções, mas tenho olhares. O pior deles todos é o que o Hugo chama de "olhar à matadora". Quando lhe lanço este olhar em concreto ele sabe que há qualquer coisa que não fez, ou que fez mal, ou que tem que ir a correr fazer.
Pensando bem no assunto, o casamento tem tantas, mas tantas coisas que podem ser transformadas em momentos de humor que o Jerry Seinfield tem programa para a vida inteira :)

Troca comigo por um dia

Ontem adoeci a valer. Devo ter comido qualquer coisa estragada e caí de cama.
O Hugo ficou portanto com todos os ministérios aqui de casa.
Estava tão mal disposta que nem tentar tentei. Deixei-me ficar caída na cama como um trapo velho a gemer.
No final do dia vi aquela expressão ligeiramente enlouquecida e impaciente que costumo ter quando ele chega do trabalho nos dias de semana...

sábado, 12 de junho de 2010

A Ti que Vais ser Mãe

A ti que vais ser mãe digo-te que segures bem este momento. A partir de hoje nenhum dia será igual ao anterior e todos os dias voarão para fora das tuas mãos a uma velocidade assustadora, fazendo-te aterrar com os pés no chão a cada voo levantado, apenas para levantares voo de seguida, aterrando e voltando a partir como numa montanha russa interminável.
A ti que vais ser mãe digo-te que esperes o melhor e guardes dentro do teu bolso uma reserva de chocolates para quando correr pior.
A ti que vais ser mãe digo-te que não é como dizem, nunca é. Mas acaba sempre por ser melhor do que algum dia imaginaste. Não todos os dias, mas naqueles momentos em que sabes que tudo até ali fez sentido por ele.
A ti que vais ser mãe digo-te que não há razões escritas, nem pensadas para o que está prestes a acontecer. Os actos de fé não se organizam em equações de prós e contras, são pequenos movimentos do coração que aperta e desaperta até te tirar o ar, até que não consigas mais viver sem o fazeres. E tu já o fazes. Já és mãe, mesmo provendo apenas ar e nutrientes ao teu filho.
A ti que vais ser mãe e que te comoveste quando viste os filhos desta tua amiga antiga pela primeira vez, digo-te que ficarei sempre tão feliz pelas tuas conquistas, como pelas minhas próprias vitórias.
Parabéns.

O Bentley dos Métodos de Tortura

Pensei que tinha encontrado o método de tortura perfeito com a festa de anos dos miúdos, mas estamos sempre a aprender e de facto o topo de gama da tortura chinesa é levar os miúdos ao registo civil para fazermos os três o cartão do cidadão.
Qualquer repartição pública sem senhas desde as 10 da manhã é por si só um ex-libiris do sadismo, mas com duas crianças é o suicídio em potência.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Lixo Orgânico

Adoro, mas adoro a valer as pessoas que se dão ao trabalho de criar identidades em cima do joelho para virem dizer o que lhes apetece. Ou aquelas cujo perfil não está disponível para consulta e que soltam risadas de satisfação enquanto escrevem o que lhes dá na telha.
Este espaço é meu, é um bocadinho como a minha casa e na minha casa não gosto de deixar o lixo a apodrecer na cozinha, prefiro deitá-lo nos contentores próprios para o efeito.
Se quiserem arrotar postas de pescada, daquela pescada já com bolor, façam-no no vosso espaço, afinal de contas é vosso e nele escrevem o que bem entenderem, tal como eu faço aqui.
"Ai tão má que ela é, ai que ditadora horrorosa que não permite comentários ofensivos, nem desagradáveis, que parva, afinal porque é que não nos deixa escrever aqui o que queremos? Só pode ter medo, ou vergonha!".
Pois é meninos é isso mesmo, morro de vergonha e sou uma espécie de ditadora feroz, mas só dentro da minha própria casa. Na casa dos outros mandam eles.
Agradeço todo o trabalho e dedicação que tiveram em deixar o vosso contributo pleno de emoção por estes lados, mas tudo aquilo que considerar matéria orgânica em decomposição vai fora.

Update em cima do joelho:
Olha que giro, as pessoas que vieram despejar resíduos pós digeridos por estas bandas criaram todas o seu perfil em Junho de 2010, ainda agora chegaram a estas paragens e já acumularam tanto lixo...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Com o Passar dos Anos

Com o passar dos anos fui perdendo paciência para pessoas pouco claras nas suas acções, nos seus gestos, nas suas palavras.
Com o passar dos anos tornei-me um bocadinho alérgica à ambiguidade de feitios e de frases. Ter que dissecar, investigar, palpitar, sobre o feitio de alguém causa-me ansiedade.
Alguém que diz o que sente e que sente o que diz, sem grandes filtros, alguém em cujo olhar leia sinceridade, alguém cujos gestos se coadunam com aquilo que apregoa, será sempre alguém que me pacifica.
Também me tenho afastado de pessoas detentoras de verdades universais, que não admitem brechas, que têm sempre resposta para tudo e se julgam os seres mais perspicazes à face da Terra. Inflexíveis. Para mim são pessoas que não sentiram ainda os solavancos no caminho, os desvios, os temporais que tantas vezes nos obrigam a enveredar por atalhos, afastando-nos das tais verdades universais.
Com o passar dos anos fui ganhando e perdendo batalhas, sorrindo e chorando, abraçando e empurrando, correndo, ou parando quando tivesse que ser.
Vou tentar continuar a caminhar. Agora com uma mão dada à minha filha e outra mão dada ao meu filho. Sei que os passos que decidir levar a cabo terão sempre aquelas duas mãos no horizonte e o meu coração a acompanhá-los constantemente e isso torna o meu percurso mais firme do que alguma vez foi...

O Método de Tortura Mais Eficaz do Mundo

Se querem torturar alguém com requintes de malvadez, mas daqueles requintes mesmo requintados a atirar para o sádico, levem-no a uma festa de anos de putos. Ah e com motas movidas a baterias que nunca mais acabam, bem ronronantes e com os putos sem terem dormido a sesta e atirarem-se todos das motas e trotinetes abaixo.
Chiça tanto primo que tem a Alice e todos a fazerem anos de seguida.
Estou oficial e estupidamente morta. Morta e surda.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

E o Dia Chegou

Nunca pensei dizer isto tão cedo, mas a minha filha de 4 anos está apaixonada.
Acorda a falar nele, suspira de saudades, diz que não consegue tirá-lo do pensamento, faz festinhas na fotografia, anda com um ar murcho e pensativo e só falta mesmo perder o apetite para completar o quadro.
E perguntam vocês: Como é que ainda não a amarraste com algemas à cama, ou ligaste a marcar hora para um pedo-psiquiatra Anacê? Que raio de mãe desnaturada és tu?
Enfim, ainda não fugi com ela para o Polo Sul, porque a paixão da Alice é...
O Woody. Esse cowboy lingrinhas com perninhas de grilo é a primeira paixão da minha filha.

Gravei-lhe o filme que passou no Disney Channel, entretanto já o viu, sem exagero, mais 30 vezes e já foi vê-lo 3D ao cinema. Hoje liguei para a loja da Disney do Colombo a perguntar se tinham lá algum Woody, que a minha filha estava perdida de amores e precisava de se abraçar a ele. Parece que têm. O Hugo está então incumbido (sem que a Alice imagine) de se enfiar no trânsito da 2ª circular depois do trabalho e só vir para casa com o genro pela mão.
Sinto-me velha a valer. Caramba, não tarda está a suspirar por um qualquer actor de carne e osso e daí a nada por um colega de escola...

terça-feira, 8 de junho de 2010

Dias Assim

Hoje tive um dia demasiado estúpido para ser importante. Quis sair de manhã e não consegui, quis sair de tarde e saí demasiado tarde.
Ouvi choramingar o dia inteiro e senti-me a pessoa com menos paciência à face da terra.
Gritei, refilei, barafustei e no começo do silêncio nocturno, quando a casa escureceu de choro e reclamações senti-me estranhamente culpada.
Entrei no quarto dela e enfiei o rosto na curva do seu pescoço, pedindo-lhe desculpa baixinho. Ela já a dormir respondeu entre sonho e realidade:
- Não faz mal mãe, adoro-te.
Depois regressei ao meu quarto e olhei aquela bolinha chorona e risonha a dormir como só as crianças conseguem dormir, envolto em harmonia e passei a mão sobre os seus cabelos desalinhados.
- Desculpa lá bebé, amanhã vai ser melhor.
Um pequeno suspiro disse-me que estava tudo bem, que não há semanas inteiras cheias de dias bons. Uns são melhores do que os outros, até para ele.

As Mulheres e as Mães

A propósito deste texto gerou-se nas minhas amizades femininas uma pequena conversa sobre a mulher/mãe dos dias de hoje.
A Rita dizia-me que a culpa do cansaço materno era da mulher, que muitas das vezes se recusava a dividir tarefas com o marido, por achar que ele não as levava a cabo na perfeição, por achar que o homem não nasceu para cuidar de putos, por achar que é seu dever carregar com o peso do planeta Terra e do resto da Universo às costas.
Em suma, a Rita acha que a mulher se mete em trabalhos extra, quando devia saber dividir mais.
E eu pensava: Meu Deus, isto vem do princípio dos tempos e ainda é passado de geração em geração através das próprias mães de meninas e meninos.
As mães de meninas que as ensinam que é seu dever exclusivo fazer as coisas do lar e as mães de meninos que não os ensinam a fazer as coisas do lar.
A Melissa dizia-me que a mulher carrega vários fardos no lombo:
O fardo do trabalho fora de casa, o fardo do trabalho dentro de casa, o fardo de no final de um dia de cadela ainda ter que supostamente estar maravilhosa para o marido. Como é que depois disto ainda restam forças para se dedicar à escrita? Gaja sofre mais sim, porque gaja não consegue desligar o botão.
Quando e como é que isto vai mudar?
Quando é que a mulher vai relaxar e dividir sem pesos na consciência o que tiver que ser dividido?
Quando iremos nós desligar o botão?

segunda-feira, 7 de junho de 2010

A Verdade Acerca do Casamento

No início do nosso namoro o Hugo gravou-me um Cd cheio de músicas com significado. Uma delas era a "Feiticeira" do Luís Represas e lembro-me de imaginar aquele rapaz magrinho (na altura) a sorrir com o encaixe perfeito das palavras do refrão na sua bela namorada (eu, também magrinha na altura):
De que norte, de que lida, de que deserto de morte, vieste tu feiticeira, inundar-me de vida, lá, lá, lá.
E eu ouvia aquilo e sentia-me mágica, capaz de enfeitiçar assim alguém com tanta chama, que luxo, que romântico encher uma pessoa de vida. Porque nós também nos vemos através do olhar dos outros, eu gostava da forma como ele me via. Eu era A feiticeira dele.
Os anos passaram, os filhos vieram e eu deixei de ser feiticeira, pelo menos todos os minutos do dia. Tenho manhãs em que o refrão poderia ser:
De que covil, de que gruta, com que vassoura ranhosa, vieste tu minha bruxa, atazanar-me a vida, lá, lá, lá.
A vida de casados é assim mesmo. Uns dias feiticeira, outros bruxa, outros dias mágicos, outros de magia negra.
Mas no final o que conta é sabermos que mesmo nos piores momentos ele não foge da bruxa, pega na vassoura dela e voam os dois juntos em direcção ao sol posto.

sábado, 5 de junho de 2010

O Nosso Corno Pré Histórico

Quando vejo as multidões de corno de plástico cor-de-laranja-Galp a soprarem como se fosse o som mais melodioso do planeta e a abrirem as fileiras de dentes num sorriso futebolístico, cheios de orgulho nacional, em êxtase tântrico porque viram a Selecção antes de partir para outro Continente, sinto que afinal ainda estamos muito próximos dos nossos antepassados pré-históricos, ou o que é pior, mais primitivos do que eles.
Também gosto muito de ver as casas aqui nas redondezas com bandeiras de Portugal hasteadas nos quintais e os carros já com motivos verdes e encarnados. O patriotismo sempre me comoveu, principalmente quando é sentido assim com tanto fervor por causa de uma bola. Quando não há campeonatos internacionais desta coisa chamada futebol as bandeiras bem podem servir para limpar o rabo, assoar o nariz, ou puxar o lustro ao carro a um Domingo, mas quando há bola "a gente somos muito portugueses".
Somos o mais antigo País-Nação do mundo e isso reflecte-se nestes gestos tão simples como forrar o encosto do carro com uma bandeira nacional.
Mobilizamo-nos e gritamos como adolescentes pelos jogadores do esférico, espiamos as casas e vidas deles, escutamos longas entrevistas como se ouvíssemos mestres da oratória e sabemos bem cá no fundo que isto é que faz uma nação.
Dêem-nos uma equipa de futebol que faça golos, uns cornos da galp para fazer muito barulho, umas bandeiras do país para apoiar os jogadores e fazer almofadas com elas e não precisamos de mais nada para nos sentirmos realizados como indivíduos nacionais.
Há c'orgulho do camandro em ser portuguesa, afinal o Crestenane Ronalde é tuga!!!

O Sexo não vem à Cidade

Não sei porquê, mas não estou com a menor pachorra para ir ver o Sexo e a Cidade 2.
Gostei muito do 1, mas vi a apresentação da sequela e deu-me vontade de fechar os olhos em antecipação do desastre.
Posso estar completamente errada, mas acho que não vou arriscar. Estou sem paciência para gastar o pouco tempo que tenho em filmes medíocres.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

4 Meses de Ti


O nome António ainda me parece demasiado adulto para ti que tens o sorriso mais doce do mundo.
Gostas de andar no marsúpio encostado ao meu corpo e a sorrir para toda a gente, desde o sapateiro desdentado, à senhora antipática do outro lado do balcão do café que se vê obrigada a largar a indiferença e olhar-te.
Os teus sons agora são mais meus e eu um bocadinho mais tua também.
Olhas as maluqueiras da tua irmã com um olhar sério que logo se transforma em gargalhada e olhas o teu pai como se tivesses ligado um interruptor de luz bem dentro dos teus olhos.
Gostas de tocar com o pé na grade da cama e segurares na mão a chupeta que logo atiras pelo ar, desesperado por ainda não conseguires encontrar o caminho da boca.
Não sei que cumplicidades teremos, que brincadeiras preferirás, se gostarás das mesmas músicas que eu, dos mesmos livros, se respeitarás os meus humores e eu os teus. Sei apenas que estarei aqui ao teu lado tentando dar-te sombra nos dias quentes e aquecer-te quando o teu coração se sentir mais frio.
Por enquanto envolvo-te no meu abraço apertado e desejo no meu íntimo que nunca te fartes dos meus braços...

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Ismael e Chopin



Virámos hoje a última página. Eu com um nó na garganta, a Alice com o olhar brilhante.
Porque é que todos os livros para crianças não são assim?
O Hugo entrou no quarto e deixou-se ficar na cama a ouvir, eu tirei genuíno gozo de cada linha e a Alice, apesar de ainda ser um bocadinho "pequena", sensibilizou-se com o final.
Foi o nosso primeiro livro a sério, com mais de dez páginas juntas que levou algumas noites a terminar, e não podia ter escolhido melhor.
Sem palavras complicadas, mas cheio de significado, acho que posso dizer que o Miguel Sousa Tavares escreveu esta história com a mão da mãe sobre o seu ombro, o sussurro do piano de Chopin ao ouvido e o filho dentro do coração.

Só Porque a Joaníssima Pediu Aqui Está a Minha Cozinha



Joaníssima melher tu na tens nada que me desafiare a metê-la que ê meto logo. Mas só de um ângulo que o resto estava um bocado desarrumado :)
E agora pouco falta para fotografar details da minha casa e encher o blog deles como se fosse a coisa mai linda do mundo.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Às futuras mães de segundos

Comigo aconteceu e se puder dizer-vos que será normal sentirem-se assim direi.
Quando o António nasceu uma nostalgia tremenda abateu-se sobre mim e sobre o Hugo. Um aperto na garganta constante de cada vez que olhávamos a Alice, uma vontade imensa de abraçá-la a todo o instante, um recordar vívido do nascimento dela e de todas as fases pelas quais passou e nós com ela. Olhar as fotografias de quando ela era bebé levava-me às lágrimas e só desejava poder tê-la nos braços tal e qual tinha agora o António.
Foi muito estranho o primeiro mês, pois carregava a sensação constante que me tinha tirado a ela um bocadinho e sentia-me culpada por isso, tentando desdobrar-me em mil para atender a todos ao mesmo tempo, desejando sempre que ela sentisse exactamente a mesma dose de amor que sempre tinha sentido.
É claro que acabei por entender que era possível conciliar amores, tempos e ajustar ritmos. Ela também entendeu muito melhor do que eu. Mas a sensação "manchou" o primeiro mês com o António em nossa casa.
Eu tinha tudo preparado, tinha todos preparados por mim antes do nascimento, lia em todo o lado que o amor se desdobrava, que era maravilhoso. Mas o maravilhoso demorou a chegar, demorou cerca de um mês.
Hoje olho-os e sinto que não roubo nada a nenhum deles, mas esta serenidade não veio de rompante, como aliás nada vem na minha vida.

terça-feira, 1 de junho de 2010

A Cozinha é o Coração da Casa




O coração de uma casa é a cozinha. É nela que acabam as conversas, que se juntam os amigos em volta de canecas de café. É nela que dá vontade de ficar a sentir o aroma de um bolo que coze no forno. É na cozinha que passam as crianças cheias de perguntas e ficam a mergulhar o dedo na massa do bolo, é na cozinha que sentimos conforto no final do dia.
Estou longe de ter a cozinha dos meus sonhos, com uma mesa redonda encostada a uma janela rasgada sobre o jardim, onde pudesse sentar-me a tomar o pequeno-almoço sozinha, ou com o resto da família. Mas isso não me impede de continuar a salivar de cada vez que vejo fotografias da cozinhas cheias de alma.
Só me pergunto porque é que cada vez se investe menos nas cozinhas quando se desenha uma casa, ou um apartamento?
Nos apartamentos vemos corredores estreitos e sem alma, nas casas aposta-se em salões de baile em detrimento das outras divisões.
Se um dia desenhasse uma casa teria uma cozinha onde me desse vontade de fazer panquecas ao pequeno almoço todos os dias e onde coubesse o meu coração inteiro.

Abriu a Época da Colher!

Pois é o António vai iniciar-se nas colheradas. Até tremo só de pensar como foi com a Alice. Lembro-me que cheguei a dar-lhe papa a tocar gaita de beiços e com um balde da praia na cabeça.
Vamos esperar que com ele seja diferente, afinal de contas ele ri-se para toda a gente( objectos inanimados incluídos) enquanto a Alice só se ria para os pais e olhava o resto do mundo com sobrolho franzido, também há de ser diferente na questão dos pratos. E eu sou uma mulher crédula, ou se não sou, passo a ser que é para não desesperar antes de começar...
Wish me luck.