segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Deolinda, ou como é chato não vermos graça em nós próprios

Ando ligeiramente farta da falta de sentido de humor, da inexistência de poder de encaixe e egocentrismo generalizado que leva a que pensem que tudo é pessoalmente ofensivo.
Tudo se melindra muito, tudo anda muito comichoso, ora porque a Maité Proença faz (mau) humor com os tugas, ora porque os Deolinda falam na escravatura e inércia da juventude, ora porque alguém decide falar acerca de pontos frágeis que provocam azias.
Porque se ofendem tanto os portugueses?
Outro dia, nessa comovente rede social chamada Facebook, dei por mim a ser constantemente aniquilada de uma certa caixa de comentários, só por fazer humor (provavelmente mau, não sei). Às tantas percebi que tudo o que dizia que não revestisse concordância, era apagado pura e simplesmente. Ali só havia lugar a comentários elogiosos, bem dizentes. Ali tudo tinha que reflectir a luz que irradiava da pessoa em questão e fiquei fodida.
É muito mais fácil o traço vermelho da censura por cima do que não se quer escutar, do que fazer cair por terra um argumento, argumentando também.
Já não se sabe conversar com alguém que não tenha a nossa opinião, essa é que é essa.
E agora vou ali ouvir Deolinda e já volto.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Neuro Bebé

Hoje na consulta com o Pediatra do António fiquei a saber o porquê de ele andar a acordar todos os dias às 5 da manhã.
- É uma fase.
E eu a pensar que ia ficar só nesta mítica frase-guarda-chuva, onde encaixa praticamente tudo, quando o homem continua a falar:
- Enquanto ele não começar a andar, enquanto não atingir esse objectivo, vai andar mais ansioso, com o sono mais agitado (confirma-se). Depois de atingido o objectivo ele serena. Mas é provável que se repita com a fala. Quando estiver a começar a aprender a falar volta a ansiedade.
É absolutamente incrível a capacidade de o ser humano se angustiar, meu Deus. O meu baby já tem ansiedades que lhe tiram o sono, o que será dele aos 3 anos?

Aqui muito provavelmente está com a angústia de não saber ainda ler.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Pessoas que Viram (e veneraram) a Cisna Negra

Respondam a esta pequena de cérebro que vos escreve:
- Além do toc-toc-toc das sapatilhas de ballet no soalho, do ruf-ruf-ruf dos tecidos a rasparem, da interpretação da Natália-Homem-do-Porto, que nos transportam para dentro dos corpos dos que dançam com grande realismo, que grande cena viram vocês neste filme já mítico na blogosfera?
Tinha ouvido dizer coisas como:
-É a isto que leva a ambição, ou as coisas que alguém é capaz de fazer para singrar, mas não vi nada disso, só alguém perturbado e com alucinações.
Por momentos ainda tive esperança que a "rival que não era rival" estivesse a meter-lhe ácidos no leitinho e era ela a portadora da tal ambição desmedida, mas não, nem isso, ela já era esquizo antes de ter sido escolhida para cisna e a coisa foi escalando.
Aqui não há ambição, mas loucura, só isso.
É um filme bom sim, mas a minha medida não encheu.
E agora atirem ovos a esta pobre de espírito que nada entende de nada.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Fashionizando (divagando sobre moda)

-Ainda não consegui dominar a arte de retirar um cabide dependurado numa loja HM. Talvez precise de comer um bife de 700 gr antes de me dedicar a essa árdua tarefa, mas de cada vez que penetro no interior desse armazém sueco e tento tirar uma peça de roupa de um varão, das duas uma, ou tenho que colocar os dois pés a fazer pressão na parede enquanto os braços puxam, ou se consigo arrancar a camisinha de algodão e percebo que não é o meu número, voltar a metê-la no sítio e procurar de novo o número certo, é coisa para me deixar com uma quebra de açúcar.
Estou plenamente convencida de que os senhores da HM querem bater um record de roupas penduradas por varão.
E já agora, é impressão minha, ou as filas para pagar demoram o triplo do tempo das filas da Zarex?
- Não consigo gostar daquelas botas estilo tamanco holandês mas em bota. Sim, há gostos para tudo, mas aquilo não entra no meu sistema imunitário e tenho sempre vontade de me rir às gargalhadas de cada vez que vejo uma gaja toda convencida nuns tamancos daqueles.
- As camisas pi-pi para bebés do Continente são imbatíveis e Made in Portugal.
Para quê gastar rios de dinheiro em camisas Jacaddi feitas na China, se posso ter camisas igualmente giras feitas em Portugal, ah e a 10 euros.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Dia do São Valentinho

Não há definitivamente na história dos dias foleiros dia mais foleiro.
Se houvesse namorado meu que se lembrasse de me colher uma flor de um jardim público (cheia de caca de cão muito provavelmente),de me oferecer um ursinho de peluche, perder a cabeça com um frasco de perfume, chegar-se à frente com um jantar à luz de velas, um cartãozinho com corações cintilantes, ou uma almofada do mesmo formato para colocar na parte central do meu leito no dia 14 de Fevereiro, esse homem não seria para mim.
Lamento decepcionar os corações quentes que pulsam neste dia brilhante, mas para mim é mesmo apenas um dia enjoativamente foleiro e comercial.
Eu cá não gosto de amores no dia 14 de Fevereiro, sou uma gaja chata e torcida que gosta de fazer as coisas fora do calendário comercial.
Hoje só para chatear vou ser pouco romântica. Amanhã volto ao meu velho eu, mas hoje, hoje vou ser uma cabra insensível :)

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Assim Sim



Colin se estás aí desse lado a ler-me, como sei que é teu costume, quero que leves este elogio a sério. Eu não elogio à toa e se digo que mereces muito mais do que uma reles estatueta de um careca chamado Oscar, é porque mereces.
Senti cada parcela da tua timidez, morri de embaraço por ti, vibrei com as tuas pequeníssimas conquistas, comovi-me com a tua persistência e tenacidade.
O Jorge VI deve estar neste preciso momento a sorrir da tumba, tal como eu sorri quando saí da sala de cinema.
Sem sombra de dúvida um filme maravilhoso :)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Um Post Parvo

O que é que passa pela cabeça dos ricalhaços deste mundo para comprarem um Porsche que não é um Porsche, mas uma espécie de jipinho do ursinho Gummy chamado Cayene?
Ora bem eu se tivesse dinheiro e disposição para comprar um Porsche, pois que seria carrinho desportivo, descapotável, Carrera 911. É belo, veloz, cheio de estilo e glamour, ao mesmo tempo discreto e nada foleiro como o Ferrari, foda-se é um Porsche.
Agora andar a exibir as chavinhas, a calça amarela pintainho, o sapatinho de berloque, o ar de melhor gajo do mundo e depois entrar no jipinho Cayene, é que não.
Ah eu cá tenho um Porshe! Desculpa, mas não, tu tens é uma espécie de avô fofinho do inigualável desportivo.
E acho que acabei de facto de escrever o post mais parvo de sempre, mas o que é que querem, isto ocorre-me muitas vezes, aliás, sempre que vejo alguém de ares superiores montado nessa fofura.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Continuo sempre a assustar-me com a solidão que sinto nas grandes decisões.
É como estar sentada num precipício com os pés a baloiçar e se não baloiço de uma determinada maneira resvalo. Tenho que manter o ritmo, o equilíbrio, o balanço perfeito, mas em última instância estou só na minha decisão, completamente só.
Por muitas coisas acertadas que me digam, por mais que esteja rodeada de boas pessoas, a hora da verdade é só minha e o salto de fé em mim própria custa.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Monetáriamente Deprimida

Cobraram-nos a matrícula da Alice juntamente com a mensalidade do mês de Fevereiro. Protestámos, vociferámos, praguejámos, mas a realidade é que no documento de inscrição assinado por nós em Julho de 2010, no item 31 e troca o passo estava lá esta merda e digo merda, porque é de facto uma gigantesca merda e eu ando cansada de sentir que temos pago o cú e as calças para a Alice se limitar a trazer viroses para casa.
Olha, isto é um rectângulo! Já ela tinha aprendido. Olha isto aqui é um círculo! Já ela tinha aprendido. Olha, já escreve o próprio nome: Yes, já escrevia antes. Oh que pedagógico, já sabe esperar a sua vez. Yep, já sabia.
O que raio andam os putos a fazer antes da primária na escola? Confere: A trazer viroses para casa.
Não estou a ser totalmente justa, pois ela gosta muito de brincar com as amiguinhas ( e consequentemente ser contaminada com viroses).
Hoje perdi a cabeça e desatei a fazer uma estimativa do dinheiro que poupámos por ela ter ficado em casa até aos 4 anos e foi uma somazita razoável. Se ela tivesse entrado aos 12 meses na escola, teríamos largado até hoje cerca de 17 000 Euros. Coisa pouca portanto.

*Sei que referi demasiadas vezes a palavra Virose, mas a realidade é que a Alice (e o António por tabela) têm-nos oferecido o Inverno mais deprimente, mais cansativo, mais debilitante da história das nossas vidas e a pobre Alice já perdeu quase 3 quilos à conta disto.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Para o António no seu 1º Aniversário



Este refrão é todo para ti meu amor de sorriso doce.
Estás há 1 ano nas nossas vidas e cada dia que passa é melhor ter-te por perto, escutar as tuas gargalhadas, sentir as tuas mãos na minha cara, ver-te olhares a tua irmã com paixão.
O meu mundo ficou cheio de açúcar desde o dia 4 de Fevereiro de 2010 e só Deus sabe como um bocadinho de açúcar compensa tantas outras coisas.
Amo-te.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O Meu Modesto Contributo Para o Mundo Culinário

Não sou original na cozinha e não adoro cozinhar, mas não sei porquê adoro livros de culinária e programas de malta que cozinha.
Nunca compro os livros, mas perco-me a folheá-los nas livrarias, excepção feita a esta pequena pérola que de tanto folhear decidi que estava na altura de o trazer para casa e foi só a melhor coisa que poderia ter feito.
Sim, bem sei que é comida para putos, para os convencer a comer e a terem gosto pela comida e pelos sabores, mas tudo o que está neste livro eu também gosto, aliás, adoro.
Hoje mesmo decidi fazer queques de aveia e banana com a Alice (que é A esquisita de serviço) e ficaram esta coisa bela de se ver e de se comer.
Aqui fica a minha sugestão para quem tenha putos esquisitos/para quem goste simplesmente de pratos saudáveis e saborosos, sendo que uma coisa não tem que excluir a outra :)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A Palavra de Honra

A nossa palavra é das coisas mais preciosas que temos. Esperem, a nossa palavra e o nosso bom nome.
Mas a nossa palavra e o nosso bom nome não nos são oferecidos por alguém, não saem numa rifa, não são gratuitos. A nossa palavra e o nosso bom nome somos nós que construímos, letra a letra, sílaba por sílaba, muitas vezes com dor, com decepção, com alicerces fundos e seguros que custam a erguer e que são as nossas atitudes. Só assim se consegue ser à prova de abalos e de dúvidas.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O Casamento é uma Prova de Remo

Gostava de poder dizer que é fácil, cor de rosa e de outras tantas tonalidades fofinhas, mas a realidade é que um casamento depois da chegada dos filhos passa por caminhos duros, cheios de socalcos e descidas íngremes. Temos dias em que nos limitamos a remar, sem conversa desnecessária, sem romantismos, sem tempo para perder tempo, sem balelas, apenas palavras de ordem, como os remadores profissionais perfeitamente sincronizados.
Os nossos músculos dependem dos músculos do nosso parceiro e sabemos exactamente onde temos que exercer mais força e onde poderemos esperar a força dele. Se esta sincronia falha, tudo resvala e a velocidade perde-se. Ficamos à deriva.
Temos que saber entender que os primeiros tempos da paternidade são apenas isso, primeiros tempos e que muitos outros dias virão, cheios de nós enquanto casal e cheios de nós enquanto pais, sem exclusões.
Mas ao princípio é duro e não é tanto o amor que vence tudo, pois o amor também pode ser minado por tantas pequenas obrigações e rotinas, é a cumplicidade, é termos ali ao nosso lado alguém que rema connosco sem hesitar e que quando a noite cai e o silêncio apazigua o nosso corpo cansado, nos dá a mão sem pedir mais nada.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

18 de Janeiro de 2006:

O dia em que te vi pela primeira vez. Recordo cada minuto desse dezoito de Janeiro.
18 de Janeiro de 2011:
Mais um dia em que entendi que tudo brilha mais desde que entraste na minha vida.
O meu coração engordou desde que te conheci e engorda a cada sorriso, a cada conquista, a cada passo, a ponto de já não caber dentro do meu peito.
Parabéns meu amor, minha filha querida.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Cheiras bem, mas enjoas-te?

De há um par de anos para cá desenvolvi uma espécie de alergia cósmica a quase todos os perfumes. Adoro muitos deles no início, mas aí passado um mês já não os posso cheirar, por muito suaves que sejam.
Tento disfarçar a coisa borrifando o perfume para o ar e mergulhando sensualmente na nuvem, como se assim o cheiro ficasse mais esbatido, mas não resulta e lá passo eu o dia enjoada com o meu próprio cheiro, a pedir uma água de colónia de bebé ou coisa que o valha.
Há apenas uma excepção a tudo isto. Um perfume que está na minha vida desde sempre e que nunca passa de moda, que nunca me enjoa e ao qual recorro quando tudo o resto falha.
O seu frasco vintage (ahaha) e o seu odor a citrinos são bálsamos para as minhas narinas estafadas e eu agradeço que, apesar da passagem dos anos e dos milhões de perfumes que se inventaram (alguns com nomes de cantores pop, outros criados por actores e outros tantos pelo diabo que os carregue) este perfume tenha ficado.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Maridos Trambolhos

Apesar de o Hugo ser um bom companheiro de compras, não gosto particularmente de ir às lojas acompanhada, prefiro sempre uma incursão rápida e indolor a sós, pois regra geral sei bem o que quero e vou directa ao assunto, sem grandes carências de opiniões e bitates alheios, por isso incomoda-me um bocadinho os maridos trambolhos que reviram os olhos, bufam, rogam pragas em voz alta, vão para a porta da loja fazer pressing psicológico às gajas.
Como mulherio, expliquem-me como é que conseguem continuar a vossa incursão pela loja se levam um gajo assim atrás? Porque é que não o deixam em casa, ou no café mais próximo? Acaso sofrerão de masoquismo crónico?

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Cavem-me Daqui P'ra Fora

Assistir a esta campanha presidencial e perceber que estes são os nossos candidatos a Presidentes da República, dá-me vontade de pegar numa pá e só parar de escavar quando tiver chegado à Suécia.
Um que não abria a boca enquanto Presidente, diz agora tudo o que nunca conseguiu dizer, numa verborreia verbal pejada de perdigotos e mandíbulas desossadas.
Outro com voz de velhota que definha depois de 345 avc's, diz que foi preciso coragem para um médico como ele largar tudo e abraçar este empreendimento.
Outro declama poesia, enquanto ataca e se defende de coisas chatas e cretinas.
Depois há outros de ar saloio e deprimente e que ainda não entendi bem se saíram do rancho folclórico, juntamente com a Maria CS, ou se são apenas assim para me chatearem.
Juro-vos que estas presidenciais só me dão vontade de clamar pela Monarquia. O D. Duarte perto destes senhores é um Rei.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Os Pontos Nos Meus I's

Que não se gostasse particularmente do Carlos Castro enquanto Cronista Social e figura pública é uma coisa, que se ache o crime perpetrado contra ele mais desculpável por ele ser homossexual e por o criminoso ser um -jovem -rapaz -de -Cantanhede-tão-querido-e-tímido-e-fofinho-e-ingénuo-e-desencaminhado-pelo-maricas-perverso é outra totalmente diferente.
Senhores houve um crime hediondo, com requintes de sadismo e perversidade que me enojam e arrepiam além do possível, mas sinto que a grande preocupação das gentes que falam do menino é esclarecer que ele não é gay e que é bom moço, fazendo passar a ideia de que o Carlos Castro é que o desencaminhou.
Mas afinal de contas quem é que foi morto e mutilado com um saca rolhas aqui? Foi o menino de Cantanhede? Ah pois, bem me parecia que não.
Ando fartinha do nosso povo, fartinha.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O Clube da Maternidade

E hoje que temos uma amiga prestes a conhecer a sua filha pela primeira vez, não consigo deixar de pensar como é avassaladora esta primeira entrada no clube da maternidade.
Não digo de forma alguma que nos transformemos em super pessoas como num passe de magia, mas digo que não existe rigorosamente nada na nossa vida que nos obrigue a ajustar tantos ponteiros, a engolir tantas certezas, a vacilar e andar em frente tantas vezes seguidas, a confiar nos nossos instintos, mesmo quando a razão nos grita o contrário. Não existe rigorosamente nada que se assemelhe aos sobressaltos cardíacos bons e maus que chegam com um filho, ao sentirmo-nos cheias e vazias quase ao mesmo tempo, ao querermos tudo e não conseguirmos metade.
Este clube é fodido e maravilhoso, grande e redutor, alto como uma montanha e tantas vezes razo como um vale. É definitivamente esquizofrénico, mas não trocava o meu cartão de sócia por nada do mundo.