segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Não é o fim do mundo em cuecas, mas...

Gosto muito da escola da Alice. Tem espaços verdes, fazem piqueniques nos dias de sol, brincam tanto quanto trabalham e é um ambiente luminoso e alegre, que me inspira alegria de cada vez que entro nos seus portões. Muitas vezes saio de lá com vontade de cantar o Sound of Music.
Mas quando fizer 3 anos, o António marchará para a pré-escola e, por muitas voltas que se dê, não é possível manter os dois na mesma escola. Por isso, a Alice seguirá para uma escola pública para fazer a primária.
Que sorte que temos, com uma escola básica a um minuto a pé aqui de casa. Por isso, ontem decidimos ir espreitar a escola.
Demos as mãos e caminhámos os poucos passos que separam a nossa casa desse edifício "idílico".
À medida que nos aproximávamos, esquivando-nos das pedras da calçada soltas e dos cagalhões caninos pelo caminho, uma sensação de tristeza foi invadindo o meu olhar.
Um pré-fabricado, rodeado de cimento, salpicado de mato aqui e ali. Valetas, calhaus e muito poucas condições de segurança. Respirámos fundo e dissemos: Não é assim tão mau. Podemos vir levá-la a pé e isso é do caraças. Ouvimos a campainha do recreio tocar aqui em casa e uma coisa compensa a outra.
Depois fomos ver outra, que fica a 3 minutos de carro. O edifício mais composto, apesar de ter pedaços de parede soltos. Mas o recreio, caraças. O recreio é um pedaço de cimento com degraus de cimento a caírem aos bocados.
Sei que sou comichosa, mas a sensação de desolação ficou.
Pensei nos cortes que este governo encavador fará na educação, no cimento que rodeava o espaço e respirei fundo. Não é o fim do mundo, mas é um mundo mais cinzento, sim senhor. Custa assim tanto rodearem as escolas com um bocadinho de verde? Sempre enganava o olho.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

cheirinho a éter

Hoje, enquanto o Miguel C estava sentado no nosso jardim, descalço e com o à vontade que só velhos amigos conseguem.
Hoje, enquanto os filhos dele e da M. brincavam com os meus filhos.
Hoje, enquanto falava na sua ida para Lausanne, com aquela expectativa de quem desbravará em breve uma nova vida.
Hoje, enquanto sentia sermos todos amigos desde sempre, agradeci à blogosfera e tive pena. Aquela pena egoísta, mas sem maldade, de ter que os perder para os Alpes.
Miguel, espero que não mudes o nome do teu blog para Cheirinho a Queijo e que sejam muito, mas muito bem sucedidos em terras da Nestlé.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

tenho estado a pensar

De quantas formas se pode encavar a classe média?
Ainda não tenho as contas todas feitas, mas tenho quase a certeza mais ou menos absoluta, de que são muitas. Existe uma espécie de Kama-Sutra de encavanço e este governo está a experimentar todas as posições.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

verdades e constatações mais ou menos universais

Não há rigorosamente nada que pague a sensação de nos deitarmos de consciência tranquila.
Nós somos muito mais aquilo que fazemos, do que aquilo que dizemos.
A família, no final das contas, dos dias, das decepções, das mágoas, das dores, é mesmo o mais importante.
Há coisas que, depois de ditas, apodrecem tudo em seu redor.
Os segredos são coisas nojentas, que precisamos de partilhar com alguém, para não ficarmos com bolor por dentro. Mas envenenamos a outra pessoa com a mesma matéria fecal, partilhando a doença.
Foi provavelmente por isso, que surgiu a figura da confissão.
Queria muito poder enfiar uma mochila às costas, ou uma malinha com rodas, que sempre é mais confortável e partir de viagem para um lugar qualquer longe do mundo dos outros.

sábado, 3 de setembro de 2011

LV, RL ou outros que tantos que não me fashionizam

Longe vão os tempos dos baús de porão, do conceito de longa viagem, da solidez que vinha com o nome Louis Vuitton.
Hoje em dia é apenas sinónimo de status, novo riquismo, pinderiquice completa e absoluta.
Que me perdoe quem tem uma LV velhinha, dos tempos em que ter uma era igual a nada, pois que ninguém conhecia bem a marca, mas a realidade é que, ainda que ganhasse o Euro-milhões, jamais me passaria pela cabeça entrar numa loja desta marca e abastecer-me da cabeça aos pés de pochetes, bolsinhas de meter na cintura, ténis, carteiras, só para adquirir o status à pressão.
Noutro registo, o que é que passou pela cabeça do meu querido Ralph Lauren, para espetar com cavalos à escala real nos polos, camisas e afins? É a pensar nos míopes?
Teriam que me pagar para andar com um cavalão ao peito e não o contrário.



segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Do alto da minha (in)sapiência

Se há coisa gira nisto de ser mãe, ou pai, é podermos debitar conselhos e vermos os olhinhos ingénuos deles abrirem na potência máxima, enquanto escutam as palavras (para eles) sábias da mãe, ou do pai.
Nunca achei saber grande coisa sobre a vida, ou sobre o que quer que fosse, pois sempre entendi que a minha vida não é a vida de mais ninguém. É só a minha vida, os meus problemas, as minhas buscas e concretizações, que não são necessariamente as dos outros.
Mas para vocês, filhotes, aqui vai uma reflexão:
Construam sempre uma história com o vosso parceiro, antes de decidirem ser pais. Viagem, criem memórias a dois, façam questão de escrever umas páginas sem mais personagens além de vocês. Só assim aguentarão a sucessão de tarefas, de obrigações, de pequenas rotinas, de submersão que virão com os filhos.
Só assim conseguirão continuar a remar com o vosso parceiro, a um ritmo sereno, pois já sabem como foram antes deles e é precisamente isso que sabem que voltará passado um tempo.
Segurem-se à história que fizeram lá atrás e esperem por ela, quando o romantismo não surgir todos os dias por cansaço, quando não houver tempo, nem força para namorar, pois que não há ajudas, quando a coisa estiver tão romântica, como uma tigela de canja e umas pantufas, vocês poderão sorrir e recordar o que já foram. Poderão dar a mão ao vosso parceiro, com a certeza de que são mais do que isso.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Agora a sério

Tenho tido minutos de puro deleite. Bem sei que são apenas minutos, mas mesmo assim, adoro quando os meus filhos estão sentados a brincar juntos na areia. O António põe e tira conchas do balde cerca de 348716 vezes por minuto, depois leva pedaços de areia à boca e saboreia, enquanto a irmã tenta limpar-lhe as mãos.
Esses breves momentos, em que tudo parece encaixar no lugar e em que mais ninguém quer estar noutro lugar qualquer, são absolutamente perfeitos.

De férias

Na teoria, porque na prática vim apenas ficar cansada num lugar diferente.
Mas não posso realmente queixar-me das dores no lombo e na cabeça e nos pés e nos braços, pois o facto é que estou a cansar-me no Algarve, onde não chove, venta apenas um bocadinho e há bué malta a falar estrangeiro.
Outro dia, aqui na piscina do pedaço, vi uma mãe de 3 putos insuportáveis, a espalhar creme protector na cara do marido, no nariz, no pescoço e nos bracinhos, como se ele fosse também uma criança indefesa, que não dominasse a ciência de espalhar protector em zonas acessíveis à sua própria mão.
Pensei para mim, que há mulheres do caraças e donas de uma maternidade que brota infinitamente do seu interior.
Se o Hugo me pedisse para lhe espalhar protector na carinha, depois de uma sessão de espalhar creme aos putos, que gemem e reclamam e fogem, o mais provável seria atirar-lhe com o frasco de creme ao trombil.
E pronto, agora vou voltar a ser fofinha.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Nos balneários, parte não sei quantas

Cada dia nos balneários da natação da Alice, é um dia de novidade.
Ontem, um bando de velhotas todas nuas em amena cavaqueira.
Terão vindo da hidroginástica, onde verteram pequenas pingas de chichi nas águas onde a minha filha mergulhou? Terão vindo de uma sessão de grupo no banho turco? Terão vindo de uma aula de musculação do glúteo? Não faço a mínima ideia, mas ainda estou a tremer com o susto e a sofrer de stress pós-traumático.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Pessoas que não carpe diem nem um bocadinho de nada

Existem pessoas que, com um dia de sol absolutamente perfeito, insistem em pensar que pode ficar cinzento.
Existem pessoas que, com uma vida boa como tudo, insistem em travar naquele pequeno calhau pelo caminho e tropeçar em modo non-stop, gritando que dói e que é um calhau maldoso e que não deveria estar ali. Pessoas que não sabem contornar o pequeno obstáculo, com medo do caminho à sua frente e para ali ficam, a tropeçar vezes sem conta no mesmo calhau, porque já não sabem o que é a vida sem o queixume pelos pequenos calhaus.
Existem pessoas que, com os dias inteiros pela frente, gemem por aquele pedaço de futuro que não desejam, mesmo que ainda não tenha acontecido.
Existem pessoas que, em frente de um jardim florido, reparam naquela erva daninha que cresceu ao lado de uma das flores e matutam nela horas infindas, esquecendo, assim, de gozar o momento.
Existem pessoas que não sabem afastar-se, para melhor apreciarem a pintura e ficam às cabeçadas num pequeno detalhe de merda que não conseguem entender, precisamente porque não se afastam apenas uns passos.
É claro que não precisamos de andar sempre aos sorrisos e a declamar poesia, embriagados de felicidade pela vida, mas chiça, tanta miserabilidade enjoa um bocadinho muito grande.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Penduricalhos e afins

Odeio com fervor apaixonado as etiquetas gigantes nas t-shirts.
Odeio com fervor desequilibrado umas fitinhas que agora decidiram enfiar em tudo o que é t-shirt, como se fosse fundamental pendurarmos as t-shirts em cabides, ou no raio que as parta.
Odeio ter que cortar quilos de papel e de tecido, de cada vez que chego a casa com t-shirts novas, repletas de penduricalhos desnecessários.
Odeio ter comprado um pacote de cuecas na Women's Secret, todas giras (apesar de cheias de etiquetas). Chegar a casa e perceber que cada uma delas tem escrito um dia da semana.
Há coisa mais triste do que envergar uma cueca a dizer quarta-feira a um domingo?
Fora da zona de penduricalhice, mas não deixando de me enervar de forma ligeira, odeio pegar numa revista social e deparar-me com 100 páginas de mulheres, ou ex-mulheres de futebolistas. São de facto, as pessoas mais sem interesse à face do mundo da revista da cusquice. Pelo menos para mim.
E pronto.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Força Hipnótica

Não se deixem levar pelas forças do mal. Sejam fortes e resistam até ao fim. Não colaborem com a malta que nos quer deixar apenas em cuecas amareladas e meias esburacadas.
Hoje, durante a entrevista da Judite Sousa ao nosso Ministro das Finanças, percebi finalmente porque é que não há revoltas na rua e fogo e pedras atiradas ao governo e incendiários enlouquecidos e homens bomba.
O homem hipnotiza com a voz.
Tenham muito cuidado. Quando o nosso Ministro estiver a falar sobre as próximas medidas que tomará para nos deixar em pelota, procedam à introdução de tampões de silicone no orifício auricular. Se não tiverem poder de compra para os tampões, deixem o material ceroso invadir o tímpano.
Só assim, a vossa força permanecerá intacta e não se deixarão levar pela sonolência- bloqueadora-de-raciocínio que a voz do homem produz.
Desde a voz do Xanana Gusmão que um homem não me deixava assim.

Ser a Tua Mãe

Enquanto bebes o teu leite com chocolate e trincas os mini-queijinhos flamengos que adoras, olho-te e deixo que a minha admiração transborde.
Gostas do Garfield e do Snoopy (tal como eu), ris-te com o Homer Simpson, apesar de não perceberes nada do que ele diz e eu olho-te e deixo que a minha admiração se entorne pelo que resta de mim inteira.
Tens dois dentes de leite que já abanam das suas frageis estruturas e eu sinto já saudades dos teus pequenos dentes cor de arroz, que sempre definiram o teu riso. Ver-te com um sorriso de dentes crescidos, vai deixar-me triste e contente ao mesmo tempo, como se ficar triste e contente em simultâneo, fosse a nossa melhor definição.
Olho-te com o teu irmão, na praia, no teu quarto, dentro da pequena tenda que vos comprei e adoro a forma como o apertas e a paciência infinita que tens com as birras dele (é claro que nem sempre tens paciência, mas quando tens compensa tudo).
Olho-te com os teus livros de dinossauros, com os teus óculos escuros do Winnie the Pooh. Olho-te na natação, nas tuas pequenas conquistas e coragens e sinto-me afogada na imensidão que é isto de ser a tua mãe.
Como é que eu sou a tua mãe? Eu, uma pessoa desajeitada, tímida, que, em tantos aspectos, ainda se sente mais filha do que mãe.
Como é que eu sou a tua mãe, Alice?
Ontem disseste-me que eu e o pai te escolhemos antes de teres nascido e eu tenho que te dizer que, ainda que tivessemos podido escolher como serias, jamais teriamos sonhado com tanto.
Não imagino a minha vida sem a tua vida dentro.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Evil Beach

Esta semana tenho ido sozinha para a praia do Guincho com os miúdos.
Sempre achei que não seria espiritual, nem fisicamente forte para empreender tal tarefa solitária, mas recompus-me, dei vários estalos consecutivos em mim própria, proferi insultos na direcção da minha cobarde e maricas pessoa e marchei para a praia do ciclone, a fim de encher os pulmões das crias com ar do mar.
Afinal de contas, falamos em ir à praia e não de uma prova de montanhismo.
Mas hoje, agachados na trincheira de um Pára-Vento, com o António a trepar por mim acima e a ganir o tempo inteiro, enquanto a Alice sacudia a toalha negligentemente para cima de nós. Hoje, enquanto trepava a duna de regresso ao carro com o António ao lombo e o saco com as toalhas no ombro. Hoje, enquanto tentava chegar ao mar, entre os gritos birrentos do meu filho e os gritos de excitação da minha filha, só para ser acometida de dores reumáticas-de-contacto-com-água-do-guincho. Hoje cheguei, enfim, ao meu limite. O limite da duna e do vento desta praia temperamental.
Eu sei que há mais praias nesta terra chamada linha, mas eu sou uma gaja teimosa e esperançosa e como vivo a 7 (não 5, nem 10) a 7 minutos do Guincho, insisto em trepar a duna, entricheirar-me e queixar-me depois.
Agora vou ali ganir de dores nas costas e suspirar pelos tempos em que conseguia estar numa praia, deitada a ler e a ouvir as gaivotas ao longe e já volto.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

As Bolas

Não há nada que se compare ao sabor de uma bola de berlim degustada no areal :)
É um dos pequenos grandes prazeres de uma vida. Os gritos dos putos ao longe, os gritos dos meus putos de perto e o açúcar espalhado em redor dos lábios dos três.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Em Memória da Memória

Dizem que, quando as pessoas morrem, as divinizamos. Ficam perfeitas. Todas as curvas apertadas de carácter se esbatem, todos os erros cometidos em vida se amenizam, todas as atrocidades levadas a cabo se relativizam e aquela pessoa, relativamente intragável em vida, é agora santa.
Dizem que, quando as pessoas morrem, se transformam numa espécie de livro, onde só os capítulos com as passagens bonitas permanecem e são lidos com solenidade.
Eu cá acho que não é nada disso.
Acho que, quando alguém importante parte dos nossos dias, as coisas más permanecem sim. Mas o mais incrível, é que começamos a sentir saudades dessas coisas que tanto nos aborreciam.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Fecuntata Est Ana

Adoro quando me tratam como uma retardada mental (sem ofensa para os retardados mentais).
Desde o médico na urgência que insiste comigo que a dermatite que se instalou nas minhas palpebras, se deve a um produto que eu usei, mesmo depois de lhe ter dito 345 vezes que nem sequer me maquilho, nem usei nada de novo nos últimos 10 anos. Ele faz uma expressão de "falo com uma retardada mental" e contradiz-me com expressão de enfado. Agarra-se àquela merda e insiste até à morte, ignorando o que lhe digo. Talvez porque dê demasiado trabalho arranjar outra justificação para a bosta da dermatite, talvez porque me julgue mesmo uma pessoa com falta de oxigenação cerebral. Eu acabo por dizer que tudo bem, se ele diz que é da maquilhagem, eu maquilhei-me sim, com umas sombras da loja do chinês. Talvez assim ele se sinta menos frustrado e eu menos tonta.
Receita-me um creme fantástico e uns anti-histamínicos e deixa a retardada sair.
Venho a descobrir mais tarde, com uma médica a sério, que me tinha receitado um creme altamente alergéneo, por isso eu não melhorava.
À conta de não melhorar, não posso arranjar as sobrancelhas, esse sim, um dos meus únicos vícios de estética.
Também adoro quando me falam sobre trabalho, como se eu fosse a tipa mais burra à face da crosta terrestre. Abrem muito os olhos para mim e gritam com voz cavernosa na direcção desta débil de espírito. Adoro que me humilhem e que me façam sentir pouco digna do salário milionário que me pagam.
É mesmo assim que se motivam equipas. Qualquer psicólogo acabado de formar o confirma.
Venham mais vinte, que eu deliro. Sentir-me rebaixada é do melhorzinho que existe. Faz tão bem à pele, que lhe confere um tom rubro, descamado e vibrante.
Só não fiquem em choque se, um dia mais tarde, esta débil de espírito, num acesso de oxigenação súbita da massa grey, vos mandar fecundarem-se lentamente e com dor, sim?

sábado, 6 de agosto de 2011

Steven, o meu herói

No tempo do jogo do elástico, dos estalinhos de carnaval. No tempo em que andava de bicicleta à volta de um quarteirão, onde hoje em dia não deixaria andar os meus filhos à vontade. No tempo em que ia e vinha do colégio a pé. No tempo em que ouvia Lp's do Jason Donovan e da Belinda Carlisle. No tempo em que os amigos eram irmãos e os irmãos eram amigos, havia filmes de aventuras.
Não era preciso uns óculos 3D, nem bilhetes que custassem o rabo e as calças. Não era preciso pipocas, nem coca-colas. Não era preciso mais do que um bom filme de aventuras e, meu Deus, se havia bons filmes de aventuras.
Todos os meus preferidos tinham um nome. Ora fosse o produtor, ou realizador, não importava. Se tivesse lá escrito Steven Spielberg, seria certamente inesquecível.
No topo da lista dos inesquecíveis, está o Goonies. Devo tê-lo visto mais de 15 vezes e continuo a achar-lhe o mesmo fascínio que achei aos 10 anos.
Não há quem melhor tenha sabido entrar no meu imaginário, como este homem. Obrigada Estêvão por me teres feito sonhar, rir, chorar, apaixonar dezenas e dezenas de vezes.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Face-maçada

Isto do facebook é muito maçador.
Senão, vejamos: Temos uma relação com alguém no mundo real e vão a correr amigar-nos na rede social, pois se a coisa não se der virtualmente, parece mal, parece que não nos conhecemos de verdade. Essa relação real é quebrada, por um motivo, ou por outro e lá temos nós que ir desamigar no livro-da-face, se não a coisa parece que não aconteceu.
Gerir a realidade real e a realidade virtual, pode ser de facto tremendamente maçador.
Tão maçador, que só de escrever sobre isso bocejei.

A propósito da Frida Kahlo

Não aprecio particularmente quadros que a minha filha pequena conseguisse pintar.
Gosto de sentir que nem num milhão de anos, conseguiria pintar uma merda daquelas. Isso sim, faz-me ficar especada em frente de uma qualquer manifestação de engenho alheio.
Ah, a arte é para fazer pensar, vamos pôr um par de luvas e um rolo de papel higiénico em cima de um banco e dizer que é arte. A malta vai adorar, vai reflectir sobre a conjuntura da reciclagem do papel e a simbologia da luva no pensamento contemporâneo. Não é para mim. Desculpem lá, mas aqui a grosseira e ligeiramente labrega pessoa, gosta de outro tipo de cenas.
A Frida Khalo, mesmo antes de saber alguma coisa sobre o significado tão pessoal das suas pinturas, sempre me meteu um bocadinho de medo. A sua imagem dura, os seus quadros agressivos, aquilo não seria para pendurar na parede de uma casa minha, pois era a história dela. Sempre pintou mais para si, do que para os outros.
Mas este quadro, ontem em particular, disse-me muito. Apesar de não querer dizer nada daquilo que senti ao olhá-lo, achei que pertencia ao meu momento.
Estavam ali as duas Anas e uma rompia com a outra. Uma ajudava a outra a superar-se a si própria. Uma esvaziava-se e outra se enchia.
Um bocadinho esquizofrénico, sim, mas ontem a arte, esta arte, fez um bocadinho parte do meu dia e eu tive que me render às evidências:
A arte pode ir além da técnica, sim. A arte pode fazer-nos pensar.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Comodismo

É mais fácil ficar numa situação que nos magoa, do que sair da situação que nos magoa.
Juro.
Sinto-me estupidamente cobarde, agarrada a coisas que não importam, mas que eu digo que importam, só para me convencer que estou a agir da forma certa.
Queria ser uma gaja cheia de coragem, mas limito-me a encher o depósito da paciência, que se tem revelado com uma capacidade extraordinária.
O problema é que fico sem paciência para as coisas que importam de verdade.

Atenção, que não me refiro a nada de muito importante e isso é o que mais me irrita.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

No Ginásio Parte 2

Além da malta toda em pelota, verifiquei que existe uma balança no balneário.
Ri-me para dentro, quando vi uma rapariga a entrar no balneário, transpirada, vinda de uma aula e ainda em modo-body-pump, aos saltinhos energicamente irritantes.
Enfim, a rapariga entra na sala da pelota e a primeira coisa que faz é ir pesar-se.
Hmmmm, xa cá ver se já emagreci alguma coisinha depois da aula, hmmmmm.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Palavrões

Hoje podia passar o dia inteiro a dizer palavrões. Daqueles rebuscados, antiquados, insultos grotescos, ou elaborados. Palavrões.
Porque há dias em que só um bom palavrão define e resume tudo o que nos vai por dentro.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Lista de Intenções Para Um Total Make-Over

Preciso urgentemente de pijamas que não tenham o Rato Mikey, a Pantera Cor de Rosa, ou cuja parte de cima não seja uma t-shirt que deixei de usar no dia-a-dia (para passar a usar à noite).
Preciso urgentemente de deixar de pensar que as boxers do Hugo podem ser uma parte de baixo de um pijama feminino, quando conjugadas com a minha irresistível t-shirt da Marge Simpson.
Preciso urgentemente de meias que não tenham tucanos, animais da selva, corações, ou pequenas flores e de investir em colants sexys.
Preciso urgentemente de qualquer coisa que ainda não consigo definir bem, mas que tem a ver com o facto de trabalhar em casa e de estar a transformar-me lentamente num bicho do mato, daqueles bem chatos.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Pais cocó

Ontem, numa das nossas incursões domingueiras pelo parque infantil, presenciámos o desespero de uma mãe, que tentava que o marido/pai jogasse à bola com o puto. O homem estava confortável, com o seu telemóvel, debaixo do frondoso arvoredo e julgava-se o rei do pedaço. Achava, com toda a certeza, que a sua mera presença, ainda que passiva, fosse o suficiente para a mulher não se queixar de mais nada.
"Eu só tenho deveres, deixei de ter direitos!", gritava ela ao homem, que repousava sob a sombra do arvoredo. E aquilo chamou a minha cuscuvilheira atenção e pôs o meu diminuto cérebro a carburar.
Acabei por concluir, sozinha com os meus botões, enquanto via o Hugo a empurrar o António no baloiço, que mais depressa me levaria ao divórcio um marido que fosse um pai merdoso, do que só um marido merdoso.
Não há rigorosamente nada mais desesperante do que assistir à fraca performance de um pai que se encosta, que não reage, que não colabora. Que acha que tudo aquilo que faz é um extra, um bónus, quando na realidade é uma obrigação inerente à sua condição de pai.
Por isso, meninas que lêem esta gaja-demasiado-rabugenta-para-ser-verdade, escolham bem o macho com quem vão constituir prole. É que vão ficar ligadas a ele para toooooda a vida, mesmo que o divórcio chegue e não há coisa mais chata, do que estar ligada a um homem que não sabe ser um bom pai para os vossos filhos.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Chamem-me taradinha do pudor

Não me atirem pedras os adeptos/fanáticos do ginásio, mas desde os tempos de colégio que não frequento balneários e nessa altura vestíamos e despíamos a roupa numas casinhas individuais, que aquilo era colégio de pudor jesuíta.
Foi, então, com estúpido assombro que, ao levar a Alice às suas aulas de natação, constatei que a malta anda toda nua de um lado para o outro.
Olha, vou tirar o colar! Espera, deixa-me tirar a cueca também!
Olha, esqueci-me de tirar a aliança! Espera, não consigo tirá-la se não desapertar o soutien!
Malta, olhem, vou secar o cabelo! A roupa aquece muito, enquanto o secador está ligado.
Foda-se, mas em casa, quando saem do banho, vão a pingar todos em pelota pela casa?
Juro que ainda hei-de entender esta embriaguez corporal, mas por enquanto, ainda estou na fase de observação.
Quando vai o Hugo com a Alice, têm que ficar no balneário masculino...

domingo, 17 de julho de 2011

Agora já percebi tudo

A tendência televisiva é para programas de combate à obesidade. Seja através do exercício físico maluco e de incentivos monetários, de bandas gástricas, de by-passes gástricos, de cirurgias estéticas. Eu meto num canal qualquer e lá estão pessoas com excesso de peso a sofrerem para se livrarem dele.
Meto noutro canal e lá estão a falar da comida enquanto vício, enquanto droga do século XXI e eu tremo de cada vez que me apetece comer um doce, depois de uma tarde neurótica. Enfio linhaça na sopa e tomo pastilhas de Omega3 ao pequeno-almoço.
Depois mudo de novo o canal e vejo que a tendência é programas de cozinha. Chefes desvairados, sarcásticos, mulheres com orgasmos culinários, bolos de alto gabarito, malta a lamber os dedos e a rapar o tacho e fico com vontade de cozinhar freneticamente para a minha família. De ter sempre a casa a cheirar a bolos acabados de fazer.
Em que é que ficamos, senhores? Isto é programação esquizofrénica e é precisamente esquizofrénica que me sinto.

sábado, 16 de julho de 2011

Sufoco

Quando estou rodeada de pessoas verdadeiramente imbecis, desprovidas de humanidade, desconhecedoras da palavra humildade e com várias costelas cínicas no esqueleto vertebral, os meus ponteiros ficam descompassados e deslizam pelo mostrador da minha paciência a uma velocidade estonteante.
Jamais me terão como amiga e pergunto-me como é possível sequer terem amigos, movidos por algo além do interesse.
Penso nos meus próprios amigos e como seria bom tê-los ali naquele momento, para limparem o ar com as suas risadas e feitio cristalino.
Tenho dias em que sufoco. Pura e simplesmente sufoco.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

15.07.1975


Sim, já tenho 36 anos. Poderia dizer que não me sinto com 36, que estou aí para as curvas, que sou uma jovem em todos os sentidos, que a minha pele brilha mais agora, do que nos sebos da adolescência, mas estaria a mentir.
A realidade, é que são mais os dias que me sinto com 63, do que com 36.
Sei que, quando chegar à velhice pura e dura, me sentirei com vinte, mas agora sinto-me apenas irritadiça, cansada, generalizadamente podre.
O que vale é que tenho saúde :)
*E nem de propósito. Este é o 1000º post :) Caramba, tantos disparates que já aqui escrevi. Mas não os escreveria noutro lugar qualquer.

domingo, 3 de julho de 2011

Amar

O amor aumenta, decresce, amaina, explode, enfarta-se, fica faminto.
O amor é vertical, horizontal, em espiral e desenha gráficos pouco lineares.
O amor cansa e descansa.
O amor é paciente, impaciente, quente, gelado, preguiçoso, frenético.
O amor é chato como a potassa, faz tanta falta como o raio que o parta.
O amor deseja-se ardentemente, ou deseja-se ardentemente não tê-lo.
O amor é diluído numa profunda amizade, ou destruído numa louca e criminosa antipatia.
O amor é sereno, histérico, profano, sagrado, grávido do mundo inteiro e esvaziado logo de seguida.
O amor é esquizofrénico.
Há apenas uma forma deste sentimento que se mantém como um gráfico linear, em sentido crescente. Uma forma de amor que não sofre as mutilações do tempo e dos dias dentro desse tempo.
Há apenas uma forma de amar que nos estica e nos ensina que amar não mata, antes ressuscita e faz viver, uma e outra vez, ao longo de uma sucessão de números do nosso calendário.
A forma como amamos os nossos filhos.

sábado, 2 de julho de 2011

Se eu pudesse

Andava sempre com uma pequena máquina fotográfica.
Não teria perdido a oportunidade de fotografar as três jovens loiras, bronzeadas, vestidas com motivos florais, todas giras e surfistas num volkswagen carocha descapotável. Do carro saía uma música animada e elas cantavam efusivas e com uma alegria tão própria da melhor das juventudes.
Não estivesse eu em Cascais e poderia jurar que tinham saído de uma série juvenil passada em Beverly Hills.
Só que no banco do pendura ia um velhote.
Tinham que ter visto, para entenderem.
Também teria fotografado um burro escanzelado que seguia à frente do meu carro outro dia, no caminho para o Cascais-shopping.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Irmãos

O António vê a irmã no meio de muitos meninos vestidos de igual. Ele já sabe a mesa onde ela lancha e estende o dedo em riste para ela, com um sorriso de orelha a orelha.
Quando estaciono o carro perto da escola e lhe digo: Vamos buscar a Alice? Ele agita-se, numa excitação enternecedora.
Chateiam-se, gritam-se, empurram-se, têm ciúmes, mas entre os dois já existe um elo forte e invisível, só deles.
As doenças são a dobrar, as birras são a dobrar, o cansaço é a triplicar, a roupa para lavar é a quadriplicar, mas, no final do dia, quando a casa dorme e eu entro nos seus quartos, gosto de os sentir dois. Gosto de os saber um do outro. Gosto que se tenham um ao outro e adoro ver quatro pratos na mesa.

Pequena e acolhedora



Como todas as grandes músicas.
Nunca entendi o porquê de umas músicas nos dizerem tanto e outras tantas não nos dizerem nada.
Esta diz-me muito e acolhe-me sempre nos seus braços, de cada vez que a escuto.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Sei que preciso de um tempo para mim

Quando dou por mim, sentada na sanita, com o António a tentar atirar a chupeta para dentro da mesma, enfiando-a entre o meu traseiro e o tampo.
Sim, sei que sou patética.
Sou uma patética cansada.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Com o Corpo Tramado

Tremo, suo, tenho ligeiros ataques de pânico e volto a tremer, a suar e hiperventilar, só de pensar na junção destas duas palavras: Praia e António.
Praia já não é sinónimo de descanso há alguns anos, mas estou plenamente convencida que este ano terei que carregar um saquinho de soro com Red Bull pela praia e uma fralda para incontinentes.
Sinto-me cada vez mais uma espécie de pajem dos meus filhos, principalmente do mais novo.
Não mexas aí, vem cá, espera aí, não metas o caracol na boca, não esmagues o caracol, não desligues a televisão, não ligues a televisão, não fujas pela porta só porque ela está aberta!!!!
António, vem à mãe, vem cá fofinho, não te voltes a fechar na casa de banho, vais cair, vais magoar-te, entalar-te, decepar-te!
Doce ilusão a minha, que julgo valer a pena proferir palavras de aviso na direcção dele.
Doce ilusão, ou preguiça dolorosa e esperança vã de não ter que levantar-me pela milionésima vez para correr atrás dele.
Sinto-me velha. A sério, o meu corpo está uma carcaça. Os filhos são exigentes espiritualmente sim, mas a nível físico tramam-nos o corpo e eu estou com o corpo tramado.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Já não cheira a merda

Eu sou a pessoa mais politicamente céptica do planeta, mas sinto que se respira outro ar em S. Bento, já não cheira tanto a merda como cheirava.
Gosto que um dos nossos ministros ande de vespa, gosto que o nosso PM viaje, dentro da Europa, em classe económica, gosto que a sua mulher pense que é a Michelle de Massamá, gosto que a Presidente da Assembleia da República seja mulher, gosto que não estejam a pensar em férias nesta altura tramada.
São coisas perfeitamente cretinas, mas gosto à brava de todas e cada uma delas.
Agora vá, já estou de olhos fechados à espera da parte que irá doer.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Salsicha Nobre

Fui só eu que fiquei estupidamente contente com o "chumbo" do Fernando Nobre?
E como é que aquele homem ainda ficou para a segunda volta?
Aliás, como é que ele, vendo que estava a ser motivo de fricção entre CDS e PSD, ficou tanto tempo colado ao desejo de poder?
Espero a qualquer momento notícias do homem barricado no WC da Assembleia da República, com explosivos, a exigir a recontagem dos votos.
Há pessoas patéticas e depois há o Fernando Nobre.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Rubrica: "como saltar para a cueca da SUA mulher em 5 minutos"

Quando a mulher é a sua mulher há já alguns anos, esqueça a escrita. Tirando as listas de supermercado e alguns sms fofinhos a dizerem: Amo-te muito, praticamente nenhuma letra será trocada entre vocês.
O truque para saltar para a cueca da esposa é simples:
Dizer-lhe que hoje trata do jantar, dos putos, da loiça e aspira, enquanto ela relaxa com um copo de vinho tinto. Proceda a estas tarefas enquanto suspira o quanto a vida dela é dura e admirável.
Simples, não é?
Só não garanto que, depois das tarefas todas concluídas, a libido se mantenha, mas vale a pena tentar.

Nova Rubrica: "Como Saltar para a Cueca de uma mulher em 2 dias"

Queridos homens e rapazes deste universo virtual,
Venho por este meio mostrar a minha amizade para convosco, e deixar-vos algumas dicas de engate rápido no gatilho.
Vejo que perdem tanto tempo em roupas cool, sapatos estilosos, carros topo de gama, jeitos no cabelo, perfumes, enfim, tudo aquilo que caracteriza a metro sexualidade (seja lá o que isso for), quando poderiam ter as mulheres todas do mundo aos vossos pés a custo zero.
Ontem, em conversa com a Melissa, percebi que a mina de ouro dos possíveis engates, reside na escrita. Sim, ouviram bem, as mulheres enlouquecem por um gajo que escreva.
Se escrever bem, é o êxtase. Se escrever bem sobre sentimentos, são os orgasmos múltiplos. Se escrever bem, escrever sobre sentimentos e não tiver medo de expor o seu lado mais íntimo, é a entrega total e sem reservas, possível pedido de casamento e paternidade dos filhos que carregará.
Ele pode ser um gadelhudo, barrigudo, com pelos no nariz. Ele pode ser calvo, esquelético e sem pelos em lado nenhum. Não importa, desde que escreva bem.
Concluímos também que o contrário raramente acontece. Os gajos estão-se a cagar para a forma como uma mulher escreve.
Encaram a escrita da fémea, principalmente quando escreve sobre feelings, uma coisa banal, constrangedora até.
Por isso, andamos a pensar, eu e a Melissa, em abrirmos um workshop para iniciação à escrita sentimental masculina, lado a lado com cursos de auto-ajuda para o engate.
Aceitam-se inscrições e prometemos resultados rápidos.

sábado, 11 de junho de 2011

Depois de uma manhã no Chiado

Pergunto:
A loja Muji, essa meca japónica das caixinhas com separadores e agendinhas e caderninhos e cenas que adoro, não se lembrou das pessoas com cadeirinhas de bebé, ou cadeiras de rodas?
Ao deparar-me com um lance de 6 escadas dentro do próprio 1º andar (sendo que o acesso aos restantes andares é feito apenas por uma imensa escadaria), dirigi-me ao balcão e perguntei pelo acesso para pessoas com mobilidade condicionada.
- Ah, se quiser, chamo o segurança para a ajudar com a cadeirinha do bebé.
- Ah, que giro, então e se for alguém numa cadeira de rodas? O segurança faz o quê? Leva-a ao colo e passeia-se com ela pelos corredores?
Acho esta merda inadmissível numa loja que abre portas nos dias de hoje, INADMISSÍVEL.
A partir de hoje, cagarei na Muji. Quero que a Muji se Muji. Aliás, cagarei no Chiado inteiro (para grande desgosto meu).

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Ser um bocadinho mais ou menos

É sair de Portugal, em busca de melhores condições de vida e regressar porque se tem saudades da Feijoada à Transmontana, do Cozido à Portuguesa, dos Pastéis de Bacalhau e de nata, ou daqueles de massa tenra.
Ser um bocadinho mais ou menos é achar que está tudo mal, mas nada fazer para que tudo fique um bocadinho menos mal.
Ser um bocadinho mais ou menos é ir a um concurso que procura talentos, apenas com um bocadinho de talento.
Ser um bocadinho mais ou menos é separar os lixos, mas continuar a cuspir para o chão.
Ser um bocadinho mais ou menos é votar no Partido dos Animais, por achar que estes merecem mais o nosso voto, do que as outras pessoas no boletim de voto que supostamente, representam pessoas.
Ser um bocadinho mais ou menos é ir fazendo quando está de chuva e perder a vontade de fazer quando está de sol.
Ser um bocadinho mais ou menos é, no final das contas, ser português e ser português nos dias que correm é um bocadinho mais ou menos.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

A A

Já não sou dona de mim. O meu coração pertence-vos irremediavelmente.
Este músculo que me mantém viva, é agora vosso e bate convosco e por vocês, compassando e descompassando o ritmo ao ritmo dos vossos pequenos gigantescos corações.
Isto de amar um filho, é das sensações mais maravilhosas e mais assustadoras do mundo.
Ficamos donas de um universo inteiro de emoções, mas muito sozinhas nos medos próprios de quem gosta assim demais.

Posição Fetal de Mim Mesma

Regressar à posição fetal e fixar um ponto bem longe. Daqueles pontos que nunca chegamos a ver de verdade, pois o nosso olhar fica turvo pelo sono acumulado.
Silêncio e não ter que produzir pensamentos, nem frases, nem piadas, nem coisas estupidamente inteligentes.
Não ter que cozinhar.
Não ter que arrumar.
Era isto que queria.
Ah e podia ser só durante um dia, que já me sabia a pato.

domingo, 5 de junho de 2011

Hoje, em dia X, é isto

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!

José Régio

segunda-feira, 30 de maio de 2011

A Arte do Enrabanço


Em Portugal enraba-se muito e várias vezes ao dia.
Enraba-se porque se tem uma vida medíocre e é preciso não deixar os outros alcançarem objectivos.
Enraba-se, porque se tem frustrações e é urgente descarregá-las em quem se atravessa no caminho.
Enraba-se, porque sim, porque nim, porque não? Enraba-se.
Em Portugal quem não avança, não deixa avançar, quem não progride adora lançar areia na engrenagem dos que querem progredir.
Em Portugal se falta um carimbo para se salvar a vida a alguém, não se salva a vida, pois que falta um carimbo.
Em Portugal dificulta-se, puxa-se para trás, diz-se que não só porque sim.
Em Portugal o enrabanço mútuo e do Estado para com o seu Povo atinge níveis de verdadeira sodomia.
Por isso é tão bom, quando se cruza alguém no nosso caminho que nos desencrava, que nos empurra para a frente, que nos descomplica a vida.
Por isso, quando outro dia o rapaz da Emel, que se preparava para me passar um papelinho, decidiu perdoar-me a "grave infracção" com um sorriso (e não, não foi pela minhas pernas boas), aquilo me soube a milagre.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O mundo podre em que vivemos

Ontem, ouvi da boca de um sociólogo (a propósito do tal filme da miúda a ser espancada) aquilo que temo há já algum tempo:
"Hoje em dia, as coisas não existem antes de serem partilhadas on-line."
Ando a remoer nisto e a pensar nisto e a odiar isto, pura e simplesmente, porque é cada vez mais verdade.
Se não partilharmos a nossa vida on-line, fica tudo em suspenso. Não vivemos de facto aquele momento. Passamos o momento em si a fotografar, a filmar, a documentar. Só quando o vemos publicado, é que a coisa faz sentido, através das reacções dos outros.
Recuso-me a entregar-me a esta merda, recuso-me a achar saudável páginas do facebook de crianças de 5 e 6 anos.
Recuso-me a ser moderna a este ponto.
Já sei que o mais provável é vir a engolir as minhas recusas todas num futuro próximo, mas deixem-me lá ter as minhas teorias por mais uns tempos.

terça-feira, 24 de maio de 2011

A Prostituição a vários níveis

Gosto de ver que a prostituição vai bem de saúde. Em época de crise, é preciso fazermo-nos à vida e, se para isso, for preciso ir para uma tribo ser cuspida, lambida, cheirar entranhas de carcaças de bode, dormir ao relento, carregar com fardos em cima de hérnias discais, limpar o cú a calhaus, ser proibida de tocar em água, simplesmente porque se é mulher, ser equiparada aos animais precisamente pelos mesmos motivos, bora aí.
Falaremos nós de tesos e desempregados?
Pois claro que não, falamos de malta famosa não sei bem porquê. Mas famosa, caraças e, supostamente com carreiras tão interessantes, como empresariado, futebolismo, vedetismo e estupidez.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Época de Guronsan/Água das Pedras/Chá preto

Que é como quem diz:
Época de campanha eleitoral.

sábado, 21 de maio de 2011

Este Levava-me ao Altar



Já passei a fase de vibrar e sonhar com carros todos giraços e estilosos e potentes e charmosos.
Também não sonho com sapatos, nem com carteiras de todos os tamanhos e formatos, pois acabo sempre por andar com a mesma carteira o ano inteiro (padeço da maleita preguiça-da-troca-da-malita).
Quanto às rodas, gosto de um carro fiável, seguro, com espaço na bagageira e pouco mais.
Mas de cada vez que me cruzo com uma coisa destas, o meu olhar fica estupidamente vidrado. Não sei se é pela garra, pela força, pela pujança que transmite. Mas imagino-me no Campo em Inglaterra, rodeada de ovelhas e lama, encaminhando-me para a minha quinta na Escócia, montada numa merda destas.
Depois, se qualquer coisa corresse mal pelas terras de Sua Majestade, vendia o bicho e, com o dinheiro, comprava um T2 em Albufeira.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Clube de Vídeo

Ainda me lembro do primeiro VHS que tivemos em casa. Um bajoulo da Grundig, que me provocou arrepios de emoção, quando penetrou no interior da nossa casa.
Seria possível? Poderíamos nós ver filmes sem ir ao cinema, rever outros tantos no aconchego do lar, meter pause, para a frente, para trás, as vezes que nos apetecesse?
Lembro-me do ritual de ir ao Video-Centro que tinha aberto ao fundo da rua e passar horas a escolher os filmes para o fim de semana, ou para aquela tarde de férias. Percorria as filas de títulos, emocionada por tantas possibilidades.
Nos primeiros tempos de namoro com o Hugo, lembro-me perfeitamente do ritual de irmos alugar filmes para o fim de semana e de como era bom andarmos pelo Block-Buster, ou pelo minúsculo clube de vídeo deste sítio onde moro, onde uma rapariga sem o menor gosto para filmes, me aconselhava sempre os filmes errados e eu, gaja bem educada e tímida, quando os devolvia, dizia sempre que tinha gostado muito.
Pensava muitas vezes que, quando tivesse filhos, os levaria a escolherem filmes, a correrem entre as prateleiras infantis e a vibrarem, tal como eu vibrei durante tantos anos.
Mas a internet chegou e, feliz ou infelizmente, o ritual do clube de vídeo foi desaparecendo. Fechou o Block-Buster, o Video-Centro passou para um contentor e o pequeno clube de vídeo do sítio onde moro, passou a abrir só a partir das 5 da tarde e ontem, quando passei por lá de carro, apercebi-me que tinha fechado também esta pequena ilha resistente de fantasia para alugar.
E pronto, tenho saudades.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Zzzzzzzzzzzzzz - pausa - Zzzzzzzzzzzzzzzzzz

Que organizada que sou. Não tenho moleskines, nem Ipad's, nem post-its, mas sei reger o meu tempo pelo tempo dos outros, mais concretamente pelo tempo dos miúdos.
O meu tempo caminha em função do tempo dos meus filhos e eu sinto-me a deusa do lar.
Olhem para mim tão cheia de organismos organizados, olhem para mim a conseguir fazer tudo, sendo que tudo inclui uma palete de tarefas tão dispares, como trabalhar, alinhavar um arroz de atum, mandar a roupa suja pela escada abaixo, dar banho a um bebé de dentes a nascer, tentar que os dentes nasçam, tentar que o bebé durma. Ouvir a filha mais velha a dizer que está aborrecida e sentir-me a melhor e a pior mãe do mundo em várias fracções de segundo.
Olhem para mim tão completa, tão de bem com o universo cósmico, paralelo e afins.
Cai a noite e deposito-os nas suas camas. Conclúo que amo muito os meus filhos quando eles dormem.
Depois acho que a noite é minha e planeio ler, ver filmes, notícias sobre o gajo que viola empregadas de hotel, séries, dar a mão ao Hugo.
Olhem para mim ainda jovem, ainda culta e informada.
Às 10 da noite preparo-me para ser a Anacê independente e maravilhosa. Meto o filme na televisão, inspiro profundamente o ar que rodeia uma gaja estupidamente interessante e... Adormeço.
À 1 da matina acorda o bebé, pois que chora, pois que está incomodado com a merda dos dentes que rompem sem romperem, que massacram.
Acalma-se o bebé. Anacê inspira, roda e rebola pela cama abaixo e acima e não consegue adormecer.
Passados anos, lá caio num sono profundo e volto a acordar, pois que a filha mais velha tosse, pois que não serena, pois que precisa de se assoar e de pôr soro e de tossir até cuspir a alma (a dela e a nossa).
E agora é altura de parar de me descrever a mim e aos meus dias e noites. Corro o risco de ficar deprimida.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A outra vida

Nas fotografias tudo é perfeito.
Elas mostram apenas aquele cagagésimo de segundo de felicidade e congelam-na, para podermos recordá-la vezes sem conta.
O sorriso pode ter sido rasgado apenas para a objectiva. Pode até ter surgido uma discussão violenta, um choro, uma birra, uma expressão zangada, um bufar de impaciência, logo após o disparo do botão. Elas não mostram o cansaço, o silêncio incomodado, nem o calor que se fazia sentir. Elas não mostram nada do que vai por dentro. Mas o que ficou foi aquele sorriso, naquele lugar bom e assim a vida parece uma sucessão de momentos perfeitos. Assim apetece até acreditar que é possível.
É claro que não falo das fotografias que revelam o lado negro da vida, das fotografias de jornalistas que nos impressionam, comovem,incomodam. Falo das nossas fotografias, daquelas que escolhemos, ou não partilhar. Daquelas que fazem a nossa vida parecer magnífica aos olhos dos outros.
Ando farta da obrigação de fotografar tudo.
Bem sei que imortalizar a felicidade em pequenos frames, é das coisas mais mágicas que possuímos, mas é uma prisão tremenda.
Quero ver pelos meus olhos. Descansar da obrigatoriedade de imortalizar tudo e todos.
Quero viajar sem máquinas, só com a máquina da minha memória.
Sei que jamais cumprirei este objectivo, porque me sinto culpada quando não fotografo, mas é um ideal que vai tomando forma no meu interior cansado das obrigações do mundo.

domingo, 15 de maio de 2011

Um beijinho no teu coração

Desculpem as amigas que já me enviaram beijinhos no coração (sei que foram todos de coração), mas de cada vez que escuto esta frase, imagino o orgão ensanguentado, latejante. Feito de músculo, veias e artérias e o grégório sobe pela glote.
Em última instância, lembro-me sempre do filme "Indiana Jones e o Templo Perdido", em que há um tipo sinistro que arranca corações com a mão e os come.
Imaginar alguém a dar um beijo ali, digamos que não me comove. Acho um bocado vampiresco.
Outra que também me leva às nuvens é: Abracinho.
Eu sei que todos os abracinhos são de facto estupidamente fofinhos, mas eu cá gosto mais de abraços e de bacalhaus.
Abracinho é abraço de anão.
E hoje é isto.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Odeio Sonhar

Não sei o que é que pensam do assunto, mas eu cá odeio sonhar.
Se o sonho é mau, fico com o dia envenenado. E primeiro que me convença que não passou tudo de um sonho, peno muito.
Por exemplo, se sonho que o Hugo me abandonou, passo o dia todo de trombas com ele, pondero até o divórcio e faço questão de lhe mostrar que aquela merda que ele fez, não se faz.
Se sonho que alguma coisa acontece às crias, passo os dias seguintes angustiada, mal disposta, com uma sensação de fim de linha.
Se o sonho é bom, peno na mesma, pois odeio acordar de um sonho que me põe feliz. Odeio a sensação de que tudo não passou de um sonho e fico frustrada o resto do dia, por aquela merda fascinante que me aconteceu, não ter de facto acontecido.
Sonhar acordada também não curto. Acho chato, acho que me desconcentra, que me desnorteia, que me estupidifica.
Vai daí, concluí que os sonhos sonhados, mais não são do que partidas sádicas que pregamos a nós próprios e vou procurar na net comprimidos para deixar de sonhar.

domingo, 8 de maio de 2011

Di Profundis Pensamentus

Quero dormir.
Quero ceder a um filme chato que passa na televisão, enroscar-me no sofá e deixar-me adormecer, sem ser acordada passados dois minutos e meio.
Quero acordar por mim própria.
Quero dormir.
Quero deixar de me sentir sempre cansada.
Quero dormir.
Quero dormir como se tivesse levado com um tijolo na cabeça.
Quero dormir.
Se repetir isto muitas vezes, pode ser que consiga.

sábado, 7 de maio de 2011

A Casinha da Matilde

A propósito de mulheres determinadas, conheço uma que teve uma filha há três meses atrás e viu o seu emprego desaparecer.
Em vez de ficar a lamentar-se pelos cantos, decidiu que podia tentar uma coisa que realmente gostasse de fazer e assim nasceu este blogue.
Ontem, pedi-lhe que me arranjasse uma solução para a Miss Desenho que tenho cá em casa e que anda sempre de folhas e canetas atrás para todo o lado onde vamos.
Aqui está o que ela improvisou em 24 horas :)

sexta-feira, 6 de maio de 2011

A Feminista que nasceu em mim

Nunca gostei de feminismo, de machismo, de nazismo, de putismo, ou do que quer que fosse que terminasse em Ismo e que dissesse que uns são melhores do que outros.
Mas, os dias, os meses e os anos passam e dou por mim a valorizar cada vez mais o bicho fémea, sem Ismos.
Há gajas estupidamente completas, ousadas, ambiciosas, corajosas, inteligentes, sensíveis.
Basta andarmos a vaguear pela blogosfera para sentirmos que há muito mais mulherio completo do que poderia imaginar-se.
Mães que se dedicam a causas e aos filhos. Mulheres que escrevem com o coração na ponta dos dedos, sem se desligarem do seu lado racional. Esposas que esperam os maridos em viagem, ficando com os filhos. Esposas que acompanham o marido em viagens, por amor.
Mulheres que vão à luta por elas, sem motivos de amor. Mas que iriam à luta por amor, se fosse caso disso.
Mulheres que se empenham apaixonadamente numa missão, para logo a seguir se entregarem com a mesma paixão a outra coisa qualquer.
Caraças, a mulher é sim um bicho fascinante, que se atira de cabeça, sem perder a cabeça. Que rasga o coração e ao mesmo tempo estanca a hemorragia que um coração rasgado provoca.
Tenho pena de não ser tão fascinante como elas, mas admiro-as mesmo assim, muito.
Também tenho pena que haja tanto mulherio preocupado em desconstruir outro mulherio, com inveja de mulherio diferente. Pois a amizade no feminino é uma das coisas mais brilhantes que se pode ter na vida.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O Choque, o horror

Então e vocês perguntam, tal como eu:
Como é que a Suíça nunca está em crise?
Todos os países na mais profunda merda e a Suíça sempre nos trinques, com malta a emigrar para lá a torto e a direito, com Alpes e flores e vaquinhas.
Durante muitos anos pensei que era por causa dos chocolates, dos relógios e do fondue de queijo.
Aquele povo tem uma sorte do caneco, pensava eu, enquanto lia as histórias da Heidi e da Abelha Maia. Sustentar toda uma economia com chocolate e queijo, é do caralhinho sim.
Por isso, hoje fiquei tão chocada com esta notícia.
Foi a queda de um sonho que acalentava desde a mais terna infância. Um sonho feito de vaquinhas roxas e brancas e de pão mergulhado em queijo a ferver.
Lacrimejei.

Foi isso e ter ficado a saber que os Estados Unidos fizeram uma cerimónia fúnebre, respeitando os rituais muçulmanos, do bicho que dizem ter morto.
Sim, eu ainda acredito no Pai Natal.

domingo, 1 de maio de 2011

Amar-vos

De tudo o que escolhi e que me escolheu. De todos os lugares que conheci e que me conheceram. De todos os dias que preenchi e que me preencheram. De todos os passos que conduzi e que me conduziram. De toda a minha vida, numa imensidão de lados que não vi, que desejei, que programei, que destinei. De todo o meu passado vão, ou repleto de sentido. De tudo o que vi e escutei. De tudo o que senti na ponta dos dedos e na carne feita de sangue do meu coração. De todas as coisas boas e más. De tudo o que sou, vocês são, irremediavelmente.
Vocês são a minha vida inteira para trás e para a frente. Do avesso e do direito.
Quero-vos tanto, quanto me cansam. Amo-vos tanto, quanto a dor do medo de vos perder.
É tudo proporcional a vocês.
Amo-vos com o amor que doi e que apazigua, com a calma enervada dos que esperaram tudo e nada.
Amo-vos completamente, até ficar vazia.
Alice e António. Os dois A's que me fazem e desfazem de amor.

domingo, 24 de abril de 2011

24 de Abril de 2011

É oficial. Não sinto nostalgia pela ditadura.
Não é por não ter vivido essa realidade que não me sinto nostálgica, pois muitas são as vezes que tenho saudades, ou nostalgia de alguma coisa que nunca vivi. E também muitas são as pessoas da minha idade que apregoam a Outra Senhora com voz rouca de emoção, sem nunca terem tido o "prazer" de se cruzarem com ela na vida.
Eu cá gosto pouco de ditaduras. Só o nome me chateia. Alguém que é duro e que dita. Não é para mim, que gosto de ajudar a fazer as regras que me regem, de as questionar, de as poder pensar em voz alta, ou em palavra escrita.
Também sei que a minha querida democracia tem passado muito no meu país, pois o povo desta terra, gosta de ser governado sem dores de cabeça. Gosta que mandem nele. Não está habituado a esta inovação de ter algum poder. A malta por aqui gosta de ter uma mãe tirana, que decida por eles, sem que tenham que pensar. Ir votar é trabalhoso. Desenhar uma cruz, um martírio. Fazer parte do destino de um país é sobre-humano.
Isto também vale para os que abusam deste bonito sistema e se valem dele, para ditarem os nossos destinos, para se encobrirem sob o seu suave manto, para manipularem debaixo do seu véu.
Mas ainda assim, não tenho nostalgia, nem suspiro por sistemas que são duros e que ditam.
A Democracia continua a ser o mais perfeito dos imperfeitos sistemas. Pena é que ainda não tenhamos percebido a melhor forma de o usar.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Dentro do Meu Coração

Dentro do meu coração, habitam filmes pequeninos. Filmes que nunca foram sucessos de bilheteira, que nunca foram sucessos ponto. Mas que nunca esqueci. Vá-se lá saber porquê, há duas mãos cheias de filmes pequeninos dentro da minha vida. Filmes que não sofreram a erosão do tempo na minha memória. Filmes que me fazem feliz por tê-los visto.




quarta-feira, 20 de abril de 2011

Porquê?



Ontem, num rápido e infrutífero zapping pela vasta gama de canais disponíveis, apercebi-me que a malta hoje em dia tem orgasmos com pessoal que grita, manda à merda, humilha e espezinha os outros.
São gordos achincalhados, aprendizes de cozinha escaldados verbalmente, concorrentes que julgam ter talento, atirados para uma poça de lama. Enfim, é só escolher. Há um humilhador presente em cada sucesso televisivo e vários humilhados que se oferecem com prazer, em troca de uns dólares.
E eu pergunto porquê?
Atenção, eu não digo que não sinto um certo deleite com este tipo de terrorismo, só não sei é porquê. Certamente que existem dezenas de psicólogos disponíveis para avançar com uma explicação. Mas até lá, vou refrear este instinto primário de parar a ver por uns minutos, um programa humilhante-depressivo, como os mirones que param para usufruir de um belo acidente de automóvel na estrada.

sábado, 16 de abril de 2011

Então é isto que temos?

Agora a sério, vocês estão a gozar comigo, não é? Vá, deixem-se desse humor sádico e venham de lá os candidatos para governarem esta choldra.
O quê? Esses não são só a primeira parte do número de circo? São mesmo esses biltres que é suposto governarem a coisa?
E aquele senhor que quer bater com o martelinho no trono da Assembleia da Ré-Pública, não é um figurante do Vítor Hugo Cardinalli-secção-palhaços-tristes? Ele existe mesmo?
Ãh, ãh. Não há assim uma espécie de FMI que traga uma ajuda? Uma equipa sueca, ou norueguesa de malta que nos queira endireitar e devolver-nos um sentido de esperança?
Ah, não há? Boa. E onde é que eu ponho a cruz, sem sentir que estou a espetar com uma cruz no meu próprio lombo?
Ok, vou continuar a dar ao neurónio, pode ser que entretanto, me sinta mais iluminada.
Até a luz chegar, acabaram-se as notícias. É que uma pessoa frágil, é bem capaz de chegar ao final do mês e premir um gatilho na têmpora, só pelo simples facto de assistir a um telejornal por dia.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Fetiches

Assim que fecho a última página de um livro de que tenha gostado, atiro-me para dentro da net e cusco tudo o que há para cuscar sobre o seu autor, locais descritos, personagens.
Se o escritor já morreu, planeio viagens aos locais onde viveu quando escreveu as suas obras, faço questão de visitar a campa, sonho em olhar o mesmo céu que ele olhou, encontrar a casa onde viveu.
É claro que na maior parte das vezes, nada disto se concretiza. Tirando as viagens pela net e pelo google. Mas sou assim, cuscuvilheira acerca dos meus ídolos.
Lembro-me de, há muitos anos atrás, ter lido uma biografia da Isadora Duncan e de ter ido a Paris nesse ano, arrastando as minhas amigas ao Cemitério Pére Lachaise, só para descortinar a campa dessa tipa de vida trágica. As minhas companheiras bufaram, protestaram, não entenderam. Para elas era a campa do Jim Morrison e pouco mais, mas para mim, aquele local de repouso eterno era um mar de potencial. Era a oportunidade de agarrar um bocadinho (ainda que o bocadinho mais mórbido) da vida dos inalcançáveis.
Queria descobrir todas as campas pouco concorridas e sentar-me ali, de conversa com os meus ídolos.
Visitar a casa onde nasceu e a casa onde viveu o Mozart. Imaginá-lo ali, a tocar as suas primeiras obras, a dormir, a respirar, foi do mais mágico que já me aconteceu.
Por tudo isto sei que um dia, quando tiver acumulado muitos milhões de dólares, organizarei a minha viagem de sonho, com passagem por todas as aldeolas, cidades, tascos, por onde já passaram os meus fetiches :)

domingo, 10 de abril de 2011

O Meu Novo Inspector Catanni



Enquanto via hoje o Tropa de Elite II e constatava que no Brasil se fazem filmes ao mesmo nível dos Estates, pensava nas semelhanças entre este Roberto Nascimento e o meu querido Corrado Catanni da série O Polvo.
O olhar entristecido por muita merda vista, a expressão insondável e dura, mas cheia de sentimentos, enfim, se já tinha gostado do I, este Tropa de Elite II encheu-me cada buraquinho das medidas.
Adorei o filme e adorei as representações de cada um dos actores.
Vou deixar aqui uma expressão que apanhei de um dos polícias corruptos FDP, para outro polícia corrupto FDP. Quem sabe um dia não a uso:
Se sê quer me foder, me beija cara.

sábado, 9 de abril de 2011

Saudades do Volume no Máximo

Tenho saudades de ouvir música.
Não como barulho de fundo, ou como acompanhante de uma qualquer tarefa, mas ouvi-la, com toda a atenção e dignidade que merece.
Tenho saudades do volume no máximo, sem vozes a pedirem-me que baixe o som, ou sonos imperturbáveis.
Tenho saudades de ouvir uma ópera e não me dedicar a mais nada, além de sentir o balanço de cada nota entoada no meu interior.
Tenho saudades de fingir que rejo uma orquestra com uma esferográfica, de fingir que canto alguma coisa de jeito, tentando acompanhar os meus heróis e heroínas vocais.
Tenho saudades de me comover com uma voz, com uma ária, com uma nota estudadamente deslocada.
Tenho saudades de prestar homenagem à música com um copo de vinho e um cigarro (hoje em dia, teria que ser imaginário).
Tenho saudades de quando era antes de tudo, do quanto era antes de o tempo ter passado e me ter roubado estes momentos.
Hoje em dia, o único sítio onde me dou ao luxo de ouvir música com o volume no máximo, é nas minhas raras viagens de carro sozinha. Mas não presto aí homenagem à música. Assim que chego ao meu destino, desligo abruptamente o carro, sem grandes cedências e aquilo faz-me mal. Cortar assim a voz de alguém porque cheguei ao supermercado, é fodido, ofensivo até.

E pronto, usei tudo isto, como uma maneira subtil de limpar a minha reputação. Não podia vangloriar-me acerca dos Roupa Nova, sem deixar escrito que também curto outro género de música. Chiça, que sou mesmo polivalente e perfeita

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Mulherio nascido nos anos 70



Digam-me que também ouviam Roupa Nova, como se disso dependesse a vossa vida :)
O Youtube é de facto uma cena fascinante. Estou bem capaz de ficar a tarde inteira a entoar os refrões deste meu grupo de meninice.

As Novelas da Minha Vida



Se me perguntarem o que é que faz uma novela inesquecível, não consigo responder. Pelo menos sem pensar um bom bocado sobre o assunto.
Sei que existem personagens que nunca esqueci, por muitos anos que tenham passado. Personagens interpretadas por actores pouco bonitos por fora e com um mundo inteiro por dentro.
Na altura em que as novelas me prendiam do primeiro ao último episódio, tudo era mágico. Eu conseguia passar o final de tarde feliz, porque à hora do jantar, teria aquela história à minha espera e os destinos daquelas pessoas, mais um bocadinho fechados a cada capítulo.
Os horários eram inalterados e respeitados, a história era contada magistralmente e tudo aquilo se revestia de uma grandiosidade que eu, do alto da minha pré-adolescência, venerava.
Não era preciso passar-se muito em cada episódio. Não havia a pressa, o consumo fácil, o zapping. Tudo era contado com tempo.
O Sinhozinho Malta, a Viúva Porcina, A Tieta, o Professor Astromar, a Perpétua, a Fedora, a Fernanda Montenegro (todas as personagens que interpretou), o Paulo Autran, ainda habitam no meu imaginário e ainda dou por mim a repetir em voz alta, certas frases.
Lembro os chavões, os tiques, os trejeitos, que cada actor decidiu puxar para o seu personagem e sorrio, cheia de uma estranha nostalgia.
Hoje em dia, com a banalização das novelas e a preferência dada à aparência física, em detrimento do talento, tudo perdeu a magia. Nada fica na memória, nada nos agarra com a determinação de antigamente e a novela que passou há uns meses atrás é facilmente trocada, ou confundida com as dez que passam durante um dia.
O que é que aconteceu para a magia ter fugido?
Provavelmente fui apenas eu que cresci. Mas qualquer coisa dentro de mim, me diz que não vai haver outro Lima Duarte, ou outra Fernanda Montenegro que imortalizem personagens da mesma forma e isso é triste, caraças.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Fecundação de uma Cidadã numa Manhã


Vamos tentar não falhar a árvore e centrar bem a coisa. Hmmmmm, é só alinhar as riscas com o tronco eh voilá!!! Uma obra prima da arte de escolher inteligentemente o local de uma passadeira.


A cadeirinha vermelha que se consegue ver, alberga o meu puto. Não tem tracção às quatro rodas, nem rodas de dimensões generosas e resistentes. É uma cadeirinha holandesa, feita para passeios de alcatrão, lisos e sem buracos. Ainda hei-de registar a patente de cadeiras para putos portugueses. Vão ser as Hummer dos bebés.
Mas eu ainda tenho força para superar obstáculos. Já as duas velhotas de braço dado que passaram por mim nesta aventura, estavam aterrorizadas, receosas pela própria vida. E não era para menos.

Atravessei este cenário de guerra, para chegar a outro cenário miserabilista, deprimente, suicídio-provocador. As instalações da Segurança Social, com mais bebés por milímetro, do que propriamente adultos. E quase posso jurar que vi um Nenuco embrulhado numa manta, nos braços de uma rapariga desesperada por atendimento prioritário.
As persianas quebradas, um calor de fazer nascer fungos, um cheiro a sovaco, a peido. Enfim, eu juro-vos, que como trabalhadora independente que sou, ter que me deslocar a estes antros para cumprir com uma qualquer obrigação, me deixa ensandecida, fecundada ao ponto da loucura.
Eu quero cumprir, mas tudo ali me leva a fugir, tudo me afasta, tudo me dificulta a vida, tudo, tudo, tudo.
É oficial. Só quem nunca viajou até um país civilizado, acha esta merda idílica.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Mãe e Alice

A tua mão direita pousa sobre o lado esquerdo da minha cara, enquanto dizes que vais ter saudades minhas e que vais pensar em mim ao longo do dia.
Olho o desenho que fizeste de manhã, enquanto esperavas que te fizesse o pequeno-almoço. No desenho leio: Mãe e Alice. Palavras que escreves já com a desenvoltura dos mais crescidos.
Olho vezes sem conta aquelas duas palavras e junto-as dentro do meio do meu coração, enquanto olho a pilha de desenhos que se amontoam na porta do frigorífico.
Sei que somos uma da outra para sempre. Não é sermos possessivamente uma da outra. Não é acharmos que nos pertencemos como donas. É pertencermo-nos dentro deste amor que sentimos e que mais ninguém sente. Porque mais ninguém sabe o que é ler Mãe e Alice naquele desenho na porta do frigorífico e sabermos que tudo até ali foi certo, apesar de muitos erros. Que tudo até ali foi a direito, apesar de tantas curvas. Tudo até ali foi para juntar estas duas palavras no meio do meu coração.
Mãe e Alice.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Azares de Caca

Verdade seja dita, não são muitos nem graves. Mas moem.
Por exemplo, as caixas do supermecado. Faça eu o que fizer, vou sempre escolher as que empanam. Ou porque a senhora à minha frente decide pagar com tickets, ou vouchers, ou lá que merda é aquela. Ou porque o artigo do cliente à minha frente não tem preço e é preciso ir investigar, a 10 Km de distância e não há forma de o homem dizer que deixa ficar o produto.
Ora porque é mudança de caixa e é preciso retirar a gaveta com os trocos e fazer o aparatoso log-in do novo funcionário. Ora porque fui escolher o novato que não consegue passar nada no código de barras e tem que escrever tudo à la pata.
Enfim, juro-vos que não há dia no supermercado que não leve com um bloqueio assim.
Depois temos as famosas chaleiras azuis, motinhas Piaggio de caixa fechada, que continuam a preferir a dianteira do meu carro quando estou atrasada.
Quando vejo o par de sapatos que procurei uma vida inteira (ahahaha) nunca, mas nunca, nunca, nunca,nunca há o meu número.
Também nunca respondo à letra a ninguém no timming certo. A melhor, mais eloquente e brilhante resposta surge sempre no caminho de volta a casa, quando o diálogo perfeito se desenrola na minha cabeça e dou estalos a mim própria por não ter dito exactamente aquilo, daquela forma.
Enfim, podia passar a noite inteira nos azares de caca, que são muitos e pequenos, mas auto-enfadei-me. Uma capacidade que tenho desenvolvido a um ritmo alucinante nos ultimos tempos.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Adoptar

Podia gastar muitas linhas a falar do que sinto sobre isto.
Tanto me revolta, quando entendo que as crianças adoptadas, são entendidas como matéria descartável, que se pode devolver quando não agrada. Ou que são escolhidas em função da idade, cor de pele, ou de cabelo. Como me encanta, de cada vez que vejo uma criança ganhar uma nova vida e conhecer o significado da palavra família.
Sei que há pessoas capazes de distribuir amor a estes miúdos carentes, sei que há pessoas, heterossexuais, homossexuais, verdes, castanhas, amarelas, solteiras, casadas, amantizadas, capazes de serem excelentes pais e mães para estes meninos que nada conhecem do que é ter uma casa para onde regressar depois da escola. Um porto seguro e quente, onde os beijem antes de adormecerem e onde os façam sentir que importam e que são válidos.
Por isso me chateam os entraves a isto. As picuinhices, as merdices, as burocracias.
Por isso admiro tanto quem luta por uma criança sem ninguém e a faz um pouco sua, mostrando-lhe que é possível conhecer o lado de dentro do amor, criando laços que jamais existiram, construindo um passado do zero, de peito aberto.

domingo, 3 de abril de 2011

Berlusculhoni

Para quê senhores? Para quê investirem na realização de uma reportagem sobre o perfil de Berlusconi, quando tudo podia ter-se resumido à exibição desta clássica imagem?


Juntamente com a imagem, podiam ter-se lembrado de exibir em modo non-stop, as imagens de quando este senhor levou com uma miniatura da Catedral de Milão na fronha.
Eu cá teria agradecido.

terça-feira, 29 de março de 2011

Para Todos os (bons) Pais

"Porque as coisas, felizmente, estão feitas de uma maneira que chega o dia em que a criança percebe que o pai também tem uma função na sua vida, que é protegê-la. O pai é o guarda armado do seu sono, o defensor da casa e o matador dos monstros e dos perigos. Por isso ela precisa do pai em casa, para a proteger, a si e ao seu mundo.
Mas não é apenas o filho que precisa de sentir que o pai o protege: É o próprio pai que precisa disso, porque o seu instinto assim o reclama. Conheci um pai divorciado, que todos os dias, às 4 da tarde, largava o trabalho e ia espiar a saída do filho da escola. Para não criar problemas com a mãe e não colocar o próprio filho numa situação embaraçosa, nunca se deixava ver. Limitava-se a ficar emboscado à distância, dentro do carro, e seguia-o à distância, enquanto ele caminhava a pé para casa.
E depois voltava para o trabalho, em paz consigo mesmo. Um dia, jurei a mim mesmo, hei-de encontrar este filho já crescido e vou contar-lhe o que ele não sabe, mas que o pai merece que ele saiba."


Acabei de abrir uma pasta muito velhinha, cheia de recortes de jornais, revistas, artigos de vários jornalistas que venerava quando era mais jovem.
Adivinhem lá de quem é este artigo (ainda continuo a venerar a sua escrita).

sábado, 26 de março de 2011

X e Y

Não sou grande fã de comparações entre dois filhos, mas é inevitável não reparar nas diferenças entre uma miúda atinadinha, bem comportada, calma e concentrada e um baby destemido, que se larga e tenta andar quando me vê e cai de testa no chão, várias vezes ao dia.
Enquanto a baby miúda ficava horas a olhar o baby tv, o baby miúdo, pensa que as imagens na televisão são botões, onde ele tem que tocar com a mão inteira.
Enquanto ela gostava de virar as páginas dos pequenos livros, ou empilhar coisas, ele gosta de lamber os vidros das janelas e, mais recentemente, lamber a parte de dentro da porta da máquina da loiça.
E pronto, era só isto.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Qual é o segredo delas?

Porque é que, quando a Angelina Jolie, a Jennifer Aniston, ou a Heidi Klum (não sei se os nomes estão bem escritos, pois tive preguiça de confirmar), saem de casa para irem comprar ovos à mercearia, ou ao talho da esquina encomendar rolo de carne com recheio de chouriça, ou buscar os putos às danças de salão. Apesar de envergarem os trajes mais desportivos e descontraídos do planeta, parecem sempre frescas e maravilhosas? Com aquele bom aspecto invejável.
Olha que linda que ela está de téne roto, t-shirt manga cava branca e calça de ganga desbotada.
Exijo saber esta bosta. Já que eu, de cada vez que saio, para empreender uma das tarefas acima descritas e me esqueço de mudar de roupa (sendo que a minha roupa ultimamente, é a de uma gaja com putos doentes, que mal sai de casa), além de encontrar sempre alguém que não queria encontrar, pareço apenas aquilo que sou:
Uma gaja vestida como se tivesse estado a pintar a casa.

Saber Mandar

É das tarefas mais difíceis de conseguir.
Saber temperar uma crítica com um elogio.
Saber repreender, sem ofender.
Conseguir pôr alguém no seu lugar, sem perder as estribeiras, nem entrar em histerismos.
Dar ordens, sem gritar.
Respeitar, sem se subjugar, nem vergar demasiado a espinha.
Não perder a humanidade, apesar de tudo.
Respirar fundo e tentar sempre saber da vida dos que trabalham para si, não mostrando indiferença, perante as nuances de cada um.
Se há pessoas que nasceram para chefiar, outras há que, quando se apanham com poder na mão, perdem a pouca humildade que possuíam e deixam-se embebedar pelo poder.
Foda-se, que não deve ser fácil. Mas, na minha modesta opinião, estas são algumas das coisas que distinguem um bom chefe, de um chefe sem nível.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Coisas que Fui Apre(e)ndendo

Não é o que se diz que importa. O que interessa mesmo é a forma como se diz, a quantidade de segurança que se imprime ao exprimir um pensamento. Isso sim, é o truque do sucesso.
Há pessoas com tamanha dose de segurança ao exprimirem uma ideia, que mesmo que digam a maior barbaridade do mundo, aquilo soa certo (pelo menos ao ouvido mais superficial).
Nunca vos aconteceu, perguntarem a alguém, onde é que é uma certa rua e esse alguém, apesar de não fazer a mais pálida ideia, vos manda para a direita, depois rotunda, depois esquerda e em frente, até vermos um prédio rosa às pintas? Só para não dizer que não sabe o caminho?
Pois é, o mundo está cheio de malta de peito cheio, emproada, a arrotar segurança, cheia de si. Só que, escarafunchando um bocadinho mais, o que descobrimos é uma mão cheia de nada.

sábado, 12 de março de 2011

Portugueses Pelo Mundo

É o meu programa preferido do momento. Caraças, não perco um e adoro.
Há cerca de duas semanas atrás foi no Japão e, além de ter visto um bar com um Japonês a cantar o fado, percebi também que aquela malta civilizada e tranquila, encara o trabalho como o caminho para o paraíso, enquanto nós, aqui no rabo da Europa, portadores do gene entranhado do catolicismo, o encaramos como castigo.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Tesouros



Carregas sempre contigo um saquinho, malinha de rodas, mochila, para onde quer que vás. Nunca percebi bem porquê, esta tua necessidade de levar qualquer coisa nas nossas saídas, ou a mochila praticamente vazia para a escola, mas é como se ali dentro fosse o teu conforto, um bocadinho da nossa casa.
Ontem, espreitei para dentro do pequeno saco que quiseste levar para o trabalho do teu pai, quando vos fui lá deixar e descobri, que achaste fundamental levar:
-Uma luva transparente de plástico da bomba de gasolina
-Um atacador de sapato
-Uma folha de papel amarela
-Um lápis
-Uma peça de lego
E não sei porquê, provavelmente, porque sou uma irremediável patética, apeteceu-me agarrar no teu saquinho e guardá-lo, como um tesouro meu, daqueles que se enterram, como uma cápsula do tempo e se re-descobrem mais tarde.
Apeteceu-me guardar-te assim, enquanto os teus tesouros são estes.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Sem Tempo

Estou cada vez mais convencida que o nosso nível de desgraça interior, está directamente relacionado com o tempo que temos em mãos.
Se o tempo sobra, aí vem a divagação, a neurose, o drama, a defesa em nome próprio até que a vista turve, o aprofundar e escarafunchar da parte de dentro das coisas, até ao osso.
Quando o tempo foge, pensamos nas melhores formas que temos de fintá-lo e pouco mais.
Penso que tenho que fazer cócegas e cutchi, cutchi ao António e mostrar-lhe que estou aqui, ler uma história à Alice sem adormecer pelo meio, fazer o jantar e arrumar o chalet desmazelado. Juro que não sobra para mais nada.
Isto para vos dizer que comecei a trabalhar.

segunda-feira, 7 de março de 2011

A Depressão Cultural

Ontem fomos ao Museu de História Natural e ao Jardim Botânico.
Se há coisa que me deprime a valer é perceber o pouco que é investido na nossa cultura. E não falo de Teatros, nem Cinema, falo de coisas básicas como Museus.
É triste ver o Jardim Botânico completamente degradado, com edifícios ao abandono.
No Museu de História Natural, a pobreza total. Até as televisões que passam documentários, são velhos caixotes dos anos 80.
Nota-se o esforço para fazer alguma coisa decente com poucos meios, mas nestas merdas é muito difícil não ficarmos com a sensação de que ali há pouco, muito pouco para o que poderia haver.

domingo, 6 de março de 2011

Juízos de valor, quem os não tem.

Eu sou uma pessoa pensante e, como tal, emito juízos de valor a todo o instante, ou se não os emito, projecto-os no meu interior. Tenho valores, não sou amoral, é humano que o faça. Portanto, é apenas humano ter uma opinião quanto a determinado assunto, sendo que o aborto é um assunto sobre o qual temos que emitir juízos, é impossível não o fazer, é estranho não o fazer.
Há duas situações muito claras e que, quanto a mim, nada têm que ver:
Partindo do pressuposto que temos duas mulheres com o mesmo grau de escolaridade e informação.
- Uma mulher grávida de 3 meses que planeou, projectou e desejou a gravidez, perdeu o bebé.
- Uma mulher grávida de 3 meses que:
Não ficou grávida porque se rompeu o preservativo, porque a pílula falhou, porque a pílula do dia seguinte não resultou, porque o namorado não se revelou um filho da puta que fugiu para a pqp. Enfim, engravidou porque se esqueceu que podia engravidar quando copulava e decidiu correr o risco e até se esquece uma e outra e outra vez, repetidamente.
Nenhuma das duas deve ser criminalmente penalizada é ponto assente na minha óptica.
Mas que uma delas tenha direito a um subsídio e a outra não, é a minha opinião também, porque (e não me venham com merdas) não é a mesma coisa.
Tal como não é a mesma coisa eu atropelar alguém intencionalmente, ou atropelar alguém que se atirou para a estrada. Não é a mesma coisa eu dar um soco em alguém por legítima defesa, ou dar um soco em alguém porque estava de mal com a vida.
Enfim, a nossa legislação está pejada de valorações que fazem variar a pena a aplicar, ou o grau de culpa, ou incúria com que se praticou um acto.
Porque é que eu não hei de valorar e achar diferente uma mulher que aborta 15 vezes só porque sim (todos os abortos pagos pelo contribuinte, se entender recorrer ao SNS) e uma mulher que aborta espontâneamente?
Há realmente alguém que ache a situação idêntica?
Ah e como nota de rodapé, eu votei Sim à despenalização, mas voto NÃO a que a situação seja premiada com um subsídio.
Porque ninguém é a favor do Aborto (nem mesmo os que votaram sim, como eu). Mas há de facto pessoas que o encaram com uma ligeireza que me angústia.
E, apesar de não ser subsídio-dependente, pode chocar-me terem cortado os abonos de família aos milionários com mais de 600 euros por mês e não terem abortado o TGV, ou atribuírem subsídios de maternidade a quem aborta por livre e espontânea vontade, equiparando-os aos abortos espontâneos, ou a quem tenha tido efectivamente um puto com todas as despesas inerentes.
Se olharmos para a Suécia (país com uma elevada taxa de Natalidade), onde o apoio do estado a quem tenha putos é total, vemos que o desenvolvimento de um país, se mede também pela forma como se encara e se incentiva a maternidade.
E é este o meu juízo e o meu valor sim e nem percebo do que tenho que me envergonhar.

sábado, 5 de março de 2011

Abortem-se vocês

Adorei ficar a saber da existência de um subsídio de maternidade atribuído a quem, voluntariamente, decide abortar.
Eu tenho dois putos nascidos e em fase de criação e fiquei sem abono de família, sem uma parcela do ordenado paterno, pago mais pelo pão que lhes meto na boca, não posso deduzir tanto no IRS como podia.
Eu passo recibos verdes, pago o cú e as calças para a Segurança Social para nada, porque não tenho direito a nada, quando chega a hora da verdade.
Mas o governo é querido, fofinho até, e decidiu lembrar-nos que nascer em Portugal é uma merda, vai daí oferece um subsídio a quem decida que não quer trazer ao mundo mais um futuro enrabado. É que isto de fecundar o povo também deve cansar, por isso é bom que se trave o nascimento de mais povo.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Deolinda, ou como é chato não vermos graça em nós próprios

Ando ligeiramente farta da falta de sentido de humor, da inexistência de poder de encaixe e egocentrismo generalizado que leva a que pensem que tudo é pessoalmente ofensivo.
Tudo se melindra muito, tudo anda muito comichoso, ora porque a Maité Proença faz (mau) humor com os tugas, ora porque os Deolinda falam na escravatura e inércia da juventude, ora porque alguém decide falar acerca de pontos frágeis que provocam azias.
Porque se ofendem tanto os portugueses?
Outro dia, nessa comovente rede social chamada Facebook, dei por mim a ser constantemente aniquilada de uma certa caixa de comentários, só por fazer humor (provavelmente mau, não sei). Às tantas percebi que tudo o que dizia que não revestisse concordância, era apagado pura e simplesmente. Ali só havia lugar a comentários elogiosos, bem dizentes. Ali tudo tinha que reflectir a luz que irradiava da pessoa em questão e fiquei fodida.
É muito mais fácil o traço vermelho da censura por cima do que não se quer escutar, do que fazer cair por terra um argumento, argumentando também.
Já não se sabe conversar com alguém que não tenha a nossa opinião, essa é que é essa.
E agora vou ali ouvir Deolinda e já volto.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Neuro Bebé

Hoje na consulta com o Pediatra do António fiquei a saber o porquê de ele andar a acordar todos os dias às 5 da manhã.
- É uma fase.
E eu a pensar que ia ficar só nesta mítica frase-guarda-chuva, onde encaixa praticamente tudo, quando o homem continua a falar:
- Enquanto ele não começar a andar, enquanto não atingir esse objectivo, vai andar mais ansioso, com o sono mais agitado (confirma-se). Depois de atingido o objectivo ele serena. Mas é provável que se repita com a fala. Quando estiver a começar a aprender a falar volta a ansiedade.
É absolutamente incrível a capacidade de o ser humano se angustiar, meu Deus. O meu baby já tem ansiedades que lhe tiram o sono, o que será dele aos 3 anos?

Aqui muito provavelmente está com a angústia de não saber ainda ler.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Pessoas que Viram (e veneraram) a Cisna Negra

Respondam a esta pequena de cérebro que vos escreve:
- Além do toc-toc-toc das sapatilhas de ballet no soalho, do ruf-ruf-ruf dos tecidos a rasparem, da interpretação da Natália-Homem-do-Porto, que nos transportam para dentro dos corpos dos que dançam com grande realismo, que grande cena viram vocês neste filme já mítico na blogosfera?
Tinha ouvido dizer coisas como:
-É a isto que leva a ambição, ou as coisas que alguém é capaz de fazer para singrar, mas não vi nada disso, só alguém perturbado e com alucinações.
Por momentos ainda tive esperança que a "rival que não era rival" estivesse a meter-lhe ácidos no leitinho e era ela a portadora da tal ambição desmedida, mas não, nem isso, ela já era esquizo antes de ter sido escolhida para cisna e a coisa foi escalando.
Aqui não há ambição, mas loucura, só isso.
É um filme bom sim, mas a minha medida não encheu.
E agora atirem ovos a esta pobre de espírito que nada entende de nada.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Fashionizando (divagando sobre moda)

-Ainda não consegui dominar a arte de retirar um cabide dependurado numa loja HM. Talvez precise de comer um bife de 700 gr antes de me dedicar a essa árdua tarefa, mas de cada vez que penetro no interior desse armazém sueco e tento tirar uma peça de roupa de um varão, das duas uma, ou tenho que colocar os dois pés a fazer pressão na parede enquanto os braços puxam, ou se consigo arrancar a camisinha de algodão e percebo que não é o meu número, voltar a metê-la no sítio e procurar de novo o número certo, é coisa para me deixar com uma quebra de açúcar.
Estou plenamente convencida de que os senhores da HM querem bater um record de roupas penduradas por varão.
E já agora, é impressão minha, ou as filas para pagar demoram o triplo do tempo das filas da Zarex?
- Não consigo gostar daquelas botas estilo tamanco holandês mas em bota. Sim, há gostos para tudo, mas aquilo não entra no meu sistema imunitário e tenho sempre vontade de me rir às gargalhadas de cada vez que vejo uma gaja toda convencida nuns tamancos daqueles.
- As camisas pi-pi para bebés do Continente são imbatíveis e Made in Portugal.
Para quê gastar rios de dinheiro em camisas Jacaddi feitas na China, se posso ter camisas igualmente giras feitas em Portugal, ah e a 10 euros.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Dia do São Valentinho

Não há definitivamente na história dos dias foleiros dia mais foleiro.
Se houvesse namorado meu que se lembrasse de me colher uma flor de um jardim público (cheia de caca de cão muito provavelmente),de me oferecer um ursinho de peluche, perder a cabeça com um frasco de perfume, chegar-se à frente com um jantar à luz de velas, um cartãozinho com corações cintilantes, ou uma almofada do mesmo formato para colocar na parte central do meu leito no dia 14 de Fevereiro, esse homem não seria para mim.
Lamento decepcionar os corações quentes que pulsam neste dia brilhante, mas para mim é mesmo apenas um dia enjoativamente foleiro e comercial.
Eu cá não gosto de amores no dia 14 de Fevereiro, sou uma gaja chata e torcida que gosta de fazer as coisas fora do calendário comercial.
Hoje só para chatear vou ser pouco romântica. Amanhã volto ao meu velho eu, mas hoje, hoje vou ser uma cabra insensível :)

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Assim Sim



Colin se estás aí desse lado a ler-me, como sei que é teu costume, quero que leves este elogio a sério. Eu não elogio à toa e se digo que mereces muito mais do que uma reles estatueta de um careca chamado Oscar, é porque mereces.
Senti cada parcela da tua timidez, morri de embaraço por ti, vibrei com as tuas pequeníssimas conquistas, comovi-me com a tua persistência e tenacidade.
O Jorge VI deve estar neste preciso momento a sorrir da tumba, tal como eu sorri quando saí da sala de cinema.
Sem sombra de dúvida um filme maravilhoso :)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Um Post Parvo

O que é que passa pela cabeça dos ricalhaços deste mundo para comprarem um Porsche que não é um Porsche, mas uma espécie de jipinho do ursinho Gummy chamado Cayene?
Ora bem eu se tivesse dinheiro e disposição para comprar um Porsche, pois que seria carrinho desportivo, descapotável, Carrera 911. É belo, veloz, cheio de estilo e glamour, ao mesmo tempo discreto e nada foleiro como o Ferrari, foda-se é um Porsche.
Agora andar a exibir as chavinhas, a calça amarela pintainho, o sapatinho de berloque, o ar de melhor gajo do mundo e depois entrar no jipinho Cayene, é que não.
Ah eu cá tenho um Porshe! Desculpa, mas não, tu tens é uma espécie de avô fofinho do inigualável desportivo.
E acho que acabei de facto de escrever o post mais parvo de sempre, mas o que é que querem, isto ocorre-me muitas vezes, aliás, sempre que vejo alguém de ares superiores montado nessa fofura.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Continuo sempre a assustar-me com a solidão que sinto nas grandes decisões.
É como estar sentada num precipício com os pés a baloiçar e se não baloiço de uma determinada maneira resvalo. Tenho que manter o ritmo, o equilíbrio, o balanço perfeito, mas em última instância estou só na minha decisão, completamente só.
Por muitas coisas acertadas que me digam, por mais que esteja rodeada de boas pessoas, a hora da verdade é só minha e o salto de fé em mim própria custa.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Monetáriamente Deprimida

Cobraram-nos a matrícula da Alice juntamente com a mensalidade do mês de Fevereiro. Protestámos, vociferámos, praguejámos, mas a realidade é que no documento de inscrição assinado por nós em Julho de 2010, no item 31 e troca o passo estava lá esta merda e digo merda, porque é de facto uma gigantesca merda e eu ando cansada de sentir que temos pago o cú e as calças para a Alice se limitar a trazer viroses para casa.
Olha, isto é um rectângulo! Já ela tinha aprendido. Olha isto aqui é um círculo! Já ela tinha aprendido. Olha, já escreve o próprio nome: Yes, já escrevia antes. Oh que pedagógico, já sabe esperar a sua vez. Yep, já sabia.
O que raio andam os putos a fazer antes da primária na escola? Confere: A trazer viroses para casa.
Não estou a ser totalmente justa, pois ela gosta muito de brincar com as amiguinhas ( e consequentemente ser contaminada com viroses).
Hoje perdi a cabeça e desatei a fazer uma estimativa do dinheiro que poupámos por ela ter ficado em casa até aos 4 anos e foi uma somazita razoável. Se ela tivesse entrado aos 12 meses na escola, teríamos largado até hoje cerca de 17 000 Euros. Coisa pouca portanto.

*Sei que referi demasiadas vezes a palavra Virose, mas a realidade é que a Alice (e o António por tabela) têm-nos oferecido o Inverno mais deprimente, mais cansativo, mais debilitante da história das nossas vidas e a pobre Alice já perdeu quase 3 quilos à conta disto.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Para o António no seu 1º Aniversário



Este refrão é todo para ti meu amor de sorriso doce.
Estás há 1 ano nas nossas vidas e cada dia que passa é melhor ter-te por perto, escutar as tuas gargalhadas, sentir as tuas mãos na minha cara, ver-te olhares a tua irmã com paixão.
O meu mundo ficou cheio de açúcar desde o dia 4 de Fevereiro de 2010 e só Deus sabe como um bocadinho de açúcar compensa tantas outras coisas.
Amo-te.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O Meu Modesto Contributo Para o Mundo Culinário

Não sou original na cozinha e não adoro cozinhar, mas não sei porquê adoro livros de culinária e programas de malta que cozinha.
Nunca compro os livros, mas perco-me a folheá-los nas livrarias, excepção feita a esta pequena pérola que de tanto folhear decidi que estava na altura de o trazer para casa e foi só a melhor coisa que poderia ter feito.
Sim, bem sei que é comida para putos, para os convencer a comer e a terem gosto pela comida e pelos sabores, mas tudo o que está neste livro eu também gosto, aliás, adoro.
Hoje mesmo decidi fazer queques de aveia e banana com a Alice (que é A esquisita de serviço) e ficaram esta coisa bela de se ver e de se comer.
Aqui fica a minha sugestão para quem tenha putos esquisitos/para quem goste simplesmente de pratos saudáveis e saborosos, sendo que uma coisa não tem que excluir a outra :)