Gosto muito da escola da Alice. Tem espaços verdes, fazem piqueniques nos dias de sol, brincam tanto quanto trabalham e é um ambiente luminoso e alegre, que me inspira alegria de cada vez que entro nos seus portões. Muitas vezes saio de lá com vontade de cantar o Sound of Music.
Mas quando fizer 3 anos, o António marchará para a pré-escola e, por muitas voltas que se dê, não é possível manter os dois na mesma escola. Por isso, a Alice seguirá para uma escola pública para fazer a primária.
Que sorte que temos, com uma escola básica a um minuto a pé aqui de casa. Por isso, ontem decidimos ir espreitar a escola.
Demos as mãos e caminhámos os poucos passos que separam a nossa casa desse edifício "idílico".
À medida que nos aproximávamos, esquivando-nos das pedras da calçada soltas e dos cagalhões caninos pelo caminho, uma sensação de tristeza foi invadindo o meu olhar.
Um pré-fabricado, rodeado de cimento, salpicado de mato aqui e ali. Valetas, calhaus e muito poucas condições de segurança. Respirámos fundo e dissemos: Não é assim tão mau. Podemos vir levá-la a pé e isso é do caraças. Ouvimos a campainha do recreio tocar aqui em casa e uma coisa compensa a outra.
Depois fomos ver outra, que fica a 3 minutos de carro. O edifício mais composto, apesar de ter pedaços de parede soltos. Mas o recreio, caraças. O recreio é um pedaço de cimento com degraus de cimento a caírem aos bocados.
Sei que sou comichosa, mas a sensação de desolação ficou.
Pensei nos cortes que este governo encavador fará na educação, no cimento que rodeava o espaço e respirei fundo. Não é o fim do mundo, mas é um mundo mais cinzento, sim senhor. Custa assim tanto rodearem as escolas com um bocadinho de verde? Sempre enganava o olho.
Morreu Carlos Ruiz Záfon
Há 19 horas
























