sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O circo do touro

Ligeiramente farta das pedras atiradas ao Miguel Sousa Tavares e porque sou ligeiramente do contra, venho aqui dizer que me irritam mais os Circos do que as touradas.
Falo das touradas com forcados que pegam o touro de caras. Falo de cavalos, cavaleiros e de touros com tomates, que investem sobre os cavaleiros como tanques de guerra e que me fariam fazer cocó nas calças só de estar a 100 metros deles.
Por outro lado, confesso que ver uma cambada de malta a fugir de um touro numa praça, a levar cornadas no traseiro, ou a atirar-se em massa para cima de um vitelo embasbacado, é coisa que me faz primitiva comichão. Mas uma tourada à séria, não sei porquê, juro que não sei e estas merdas não se explicam, emociona-me e arrepia-me. Isso faz de mim uma tipa básica, bárbara e filha da prostituta? Se calhar sim.
Agora o circo. O circo onde se levam as crianças, o circo que move multidões, o circo onde se enfiam animais de grande porte em jaulas, onde se amestram esses mesmos animais para que façam gracinhas diárias durante a vida inteira, isso sim é coisa para tirar a dignidade a um ser vivo como eu.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Mais uma constatação sem ponta de interesse para a humanidade

A maternidade, tal como uma doença, ou um grande desgosto na vida de alguém, tanto pode adoçar, como azedar uma pessoa.
Tanto pode tornar alguém mais condescendente, como mais irascível. A uns a humildade toca, a outros é a petulância que chega para ficar. Com uns o egoísmo dissipa-se um pouco, com outros intensifica-se.
Uns concluem que pouco dominam da vida, outros sentem que dominam o mundo com teorias inabaláveis.
Tal como em tudo na vida, as experiências não nos afectam a todos da mesma forma.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Pelo olhar dos meus filhos

De todos (tão poucos) olhos sobre mim, os teus são os que mais me emocionam.
São os que me olham (ainda) sem mácula. São os que me olham perfeita, mesmo quando estou longe de o ser
No reflexo dos teus olhos é onde gosto de me ver.
Não quero espelhos, nem miragens numa qualquer água turva de alguém. Quero os teus olhos grandes, castanhos e meigos que me fitam, como se fosse a pessoa maior da tua vida.
Não preciso de elogios, de palavras amontoadas dentro das frases dos outros.
Não preciso dos sons pouco verdadeiros, que se libertam dos lábios de sorrisos que me falam sem verdade.
Preciso apenas do teu olhar para me sentir maior, dentro de tudo o que é pequeno em mim.
Sei que em breve deixarei de ser quem buscas com esses olhos imensos e densos de amor, mas enquanto for eu o teu conforto, serei grande.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A Comida é Fodida

A comida é mesmo o vício do século e o mais complicado, mais tortuoso, mais lixado de conseguir largar. Uma vez que não é ilegal, nem socialmente mal visto.
Os programas que apelam ao alimento polulam e enchem-nos a vontade. As carências emocionais, as frustrações, os traumas do passado, são muitas vezes substituídos por aquele conforto gustativo.
Alimentar a família é também motivo para alimentar o nosso vazio, que parece nunca ficar cheio e a coisa prolonga-se no tempo. Cada dieta uma tortura, cada garfada uma culpa abissal.
Acho que posso agradecer não sei bem a quem, o facto de não ter propensão para arrecadar muitos quilos, porque em dias como o de hoje, acho que marchava tudo o que ocupasse as laterais e dianteiras do meu frigorífico.
O que vale é que só tinha sopa, arroz branco e azeitonas.
Excusado será dizer, que as azeitonas já eram.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Eu cá é mais isto




Eu sei que cada um tem o seu amortecimento televisivo-cerebral favorito.
Depois de um dia esgotante de um trabalho mal pago, com patrões filhos da puta e frustrações várias a todos os níveis, é normal que se anseie por um bocadinho de comportamento primata, para descomprimir, mas eu é mais isto.
Não há reality shows que me façam mudar de canal, quando algum destes está a dar no Discovery :)

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

De Loucuras, Valsa Lenta

A loucura é uma coisa que me assusta como a merda (adoro desperdiçar a palavra merda).
Principalmente, porque um louco nunca tem consciência do seu estado demencial. O que o leva sistematicamente a concluir que todos em seu redor padecem da demência de o chamarem louco. Todos os que o rodeiam são de facto os loucos, biltres, desgraçados, tarados e, acreditem que passados uns dias na presença de malta com distúrbios na glote cerebral, começamos a sentir o frémito da loucura tomar conta de nós.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A todos os que andam pelo mundo virtual




Não percam este documentário/filme.
A sério, não percam.
Dá todo um novo alento à frase: Nem tudo o que parece, é.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O meu sonho recorrente


Quanto maiores são os problemas supérfluos, maior é a vontade de viver do que a terra me dá.
Tenho sonhado acordada com isto:
Sou dona de uma quinta imensa e preocupo-me com as condições do clima.
Leio, escrevo e as minhas dores de cabeça dão-se à conta das colheitas e dos animais que crio.
Levanto-me antes da luz do sol e canso o corpo. Canso-o de tal forma, que nada me sobra na mente. Nada além de um livro, ou de uma folha de Word em branco, à espera de ser fertilizada.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Esqueçam tudo o que pensavam saber sobre sensualidade nocturna



Não, não é uma miragem. Na secção de lingerie de uma mega-loja, meti os olhos nisto.
Passei pelo corredor da roupa interior masculina e também havia versão masculina desta peça sensual.
Tremi de sensualidade imaginária, ao visualizar-me com uma cena destas, de roca na mão e a espernear com birra, porque o Hugo não vestiu o dele.
À noite, quando me der vontade de fazer chichi, também vai ser super prático, mas jogando pelo seguro, é melhor enfiar uma fralda.
Também não tenho que me preocupar em cair pela escada abaixo, pois lembraram-se de meter anti-derrapante debaixo dos pés.
E eu a pensar que já não podia ficar mais sexy do que sou. Descobri a pólvora.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

A minha suja, empoeirada e emporcalhada de chulet gourmet, croc

Quis embelezá-la, colocar-lhe um adorno digno do meu pé 39 e simplesmente apaixonei-me por esta Marge Simpson. Perdi a cabeça e adquiri este adorno milionário.
Linda de morrer, glamorosa, adepta da laca e de voz sexy. A Marge é o que qualquer mulher ambiciona ser quando se tornar num desenho animado.
Exibi-a com orgulho, cruzei a perna e abanei o tamanco em frente dos meus sogros, numa de os escandalizar mesmo.
A minha sogra teve a reacção escandalizada que esperava. Sorriu e disse-me:
Que linda lagartinha que tens no sapato, Aninhas.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Não é o fim do mundo em cuecas, mas...

Gosto muito da escola da Alice. Tem espaços verdes, fazem piqueniques nos dias de sol, brincam tanto quanto trabalham e é um ambiente luminoso e alegre, que me inspira alegria de cada vez que entro nos seus portões. Muitas vezes saio de lá com vontade de cantar o Sound of Music.
Mas quando fizer 3 anos, o António marchará para a pré-escola e, por muitas voltas que se dê, não é possível manter os dois na mesma escola. Por isso, a Alice seguirá para uma escola pública para fazer a primária.
Que sorte que temos, com uma escola básica a um minuto a pé aqui de casa. Por isso, ontem decidimos ir espreitar a escola.
Demos as mãos e caminhámos os poucos passos que separam a nossa casa desse edifício "idílico".
À medida que nos aproximávamos, esquivando-nos das pedras da calçada soltas e dos cagalhões caninos pelo caminho, uma sensação de tristeza foi invadindo o meu olhar.
Um pré-fabricado, rodeado de cimento, salpicado de mato aqui e ali. Valetas, calhaus e muito poucas condições de segurança. Respirámos fundo e dissemos: Não é assim tão mau. Podemos vir levá-la a pé e isso é do caraças. Ouvimos a campainha do recreio tocar aqui em casa e uma coisa compensa a outra.
Depois fomos ver outra, que fica a 3 minutos de carro. O edifício mais composto, apesar de ter pedaços de parede soltos. Mas o recreio, caraças. O recreio é um pedaço de cimento com degraus de cimento a caírem aos bocados.
Sei que sou comichosa, mas a sensação de desolação ficou.
Pensei nos cortes que este governo encavador fará na educação, no cimento que rodeava o espaço e respirei fundo. Não é o fim do mundo, mas é um mundo mais cinzento, sim senhor. Custa assim tanto rodearem as escolas com um bocadinho de verde? Sempre enganava o olho.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

cheirinho a éter

Hoje, enquanto o Miguel C estava sentado no nosso jardim, descalço e com o à vontade que só velhos amigos conseguem.
Hoje, enquanto os filhos dele e da M. brincavam com os meus filhos.
Hoje, enquanto falava na sua ida para Lausanne, com aquela expectativa de quem desbravará em breve uma nova vida.
Hoje, enquanto sentia sermos todos amigos desde sempre, agradeci à blogosfera e tive pena. Aquela pena egoísta, mas sem maldade, de ter que os perder para os Alpes.
Miguel, espero que não mudes o nome do teu blog para Cheirinho a Queijo e que sejam muito, mas muito bem sucedidos em terras da Nestlé.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

tenho estado a pensar

De quantas formas se pode encavar a classe média?
Ainda não tenho as contas todas feitas, mas tenho quase a certeza mais ou menos absoluta, de que são muitas. Existe uma espécie de Kama-Sutra de encavanço e este governo está a experimentar todas as posições.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

verdades e constatações mais ou menos universais

Não há rigorosamente nada que pague a sensação de nos deitarmos de consciência tranquila.
Nós somos muito mais aquilo que fazemos, do que aquilo que dizemos.
A família, no final das contas, dos dias, das decepções, das mágoas, das dores, é mesmo o mais importante.
Há coisas que, depois de ditas, apodrecem tudo em seu redor.
Os segredos são coisas nojentas, que precisamos de partilhar com alguém, para não ficarmos com bolor por dentro. Mas envenenamos a outra pessoa com a mesma matéria fecal, partilhando a doença.
Foi provavelmente por isso, que surgiu a figura da confissão.
Queria muito poder enfiar uma mochila às costas, ou uma malinha com rodas, que sempre é mais confortável e partir de viagem para um lugar qualquer longe do mundo dos outros.

sábado, 3 de setembro de 2011

LV, RL ou outros que tantos que não me fashionizam

Longe vão os tempos dos baús de porão, do conceito de longa viagem, da solidez que vinha com o nome Louis Vuitton.
Hoje em dia é apenas sinónimo de status, novo riquismo, pinderiquice completa e absoluta.
Que me perdoe quem tem uma LV velhinha, dos tempos em que ter uma era igual a nada, pois que ninguém conhecia bem a marca, mas a realidade é que, ainda que ganhasse o Euro-milhões, jamais me passaria pela cabeça entrar numa loja desta marca e abastecer-me da cabeça aos pés de pochetes, bolsinhas de meter na cintura, ténis, carteiras, só para adquirir o status à pressão.
Noutro registo, o que é que passou pela cabeça do meu querido Ralph Lauren, para espetar com cavalos à escala real nos polos, camisas e afins? É a pensar nos míopes?
Teriam que me pagar para andar com um cavalão ao peito e não o contrário.



segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Do alto da minha (in)sapiência

Se há coisa gira nisto de ser mãe, ou pai, é podermos debitar conselhos e vermos os olhinhos ingénuos deles abrirem na potência máxima, enquanto escutam as palavras (para eles) sábias da mãe, ou do pai.
Nunca achei saber grande coisa sobre a vida, ou sobre o que quer que fosse, pois sempre entendi que a minha vida não é a vida de mais ninguém. É só a minha vida, os meus problemas, as minhas buscas e concretizações, que não são necessariamente as dos outros.
Mas para vocês, filhotes, aqui vai uma reflexão:
Construam sempre uma história com o vosso parceiro, antes de decidirem ser pais. Viagem, criem memórias a dois, façam questão de escrever umas páginas sem mais personagens além de vocês. Só assim aguentarão a sucessão de tarefas, de obrigações, de pequenas rotinas, de submersão que virão com os filhos.
Só assim conseguirão continuar a remar com o vosso parceiro, a um ritmo sereno, pois já sabem como foram antes deles e é precisamente isso que sabem que voltará passado um tempo.
Segurem-se à história que fizeram lá atrás e esperem por ela, quando o romantismo não surgir todos os dias por cansaço, quando não houver tempo, nem força para namorar, pois que não há ajudas, quando a coisa estiver tão romântica, como uma tigela de canja e umas pantufas, vocês poderão sorrir e recordar o que já foram. Poderão dar a mão ao vosso parceiro, com a certeza de que são mais do que isso.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Agora a sério

Tenho tido minutos de puro deleite. Bem sei que são apenas minutos, mas mesmo assim, adoro quando os meus filhos estão sentados a brincar juntos na areia. O António põe e tira conchas do balde cerca de 348716 vezes por minuto, depois leva pedaços de areia à boca e saboreia, enquanto a irmã tenta limpar-lhe as mãos.
Esses breves momentos, em que tudo parece encaixar no lugar e em que mais ninguém quer estar noutro lugar qualquer, são absolutamente perfeitos.

De férias

Na teoria, porque na prática vim apenas ficar cansada num lugar diferente.
Mas não posso realmente queixar-me das dores no lombo e na cabeça e nos pés e nos braços, pois o facto é que estou a cansar-me no Algarve, onde não chove, venta apenas um bocadinho e há bué malta a falar estrangeiro.
Outro dia, aqui na piscina do pedaço, vi uma mãe de 3 putos insuportáveis, a espalhar creme protector na cara do marido, no nariz, no pescoço e nos bracinhos, como se ele fosse também uma criança indefesa, que não dominasse a ciência de espalhar protector em zonas acessíveis à sua própria mão.
Pensei para mim, que há mulheres do caraças e donas de uma maternidade que brota infinitamente do seu interior.
Se o Hugo me pedisse para lhe espalhar protector na carinha, depois de uma sessão de espalhar creme aos putos, que gemem e reclamam e fogem, o mais provável seria atirar-lhe com o frasco de creme ao trombil.
E pronto, agora vou voltar a ser fofinha.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Nos balneários, parte não sei quantas

Cada dia nos balneários da natação da Alice, é um dia de novidade.
Ontem, um bando de velhotas todas nuas em amena cavaqueira.
Terão vindo da hidroginástica, onde verteram pequenas pingas de chichi nas águas onde a minha filha mergulhou? Terão vindo de uma sessão de grupo no banho turco? Terão vindo de uma aula de musculação do glúteo? Não faço a mínima ideia, mas ainda estou a tremer com o susto e a sofrer de stress pós-traumático.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Pessoas que não carpe diem nem um bocadinho de nada

Existem pessoas que, com um dia de sol absolutamente perfeito, insistem em pensar que pode ficar cinzento.
Existem pessoas que, com uma vida boa como tudo, insistem em travar naquele pequeno calhau pelo caminho e tropeçar em modo non-stop, gritando que dói e que é um calhau maldoso e que não deveria estar ali. Pessoas que não sabem contornar o pequeno obstáculo, com medo do caminho à sua frente e para ali ficam, a tropeçar vezes sem conta no mesmo calhau, porque já não sabem o que é a vida sem o queixume pelos pequenos calhaus.
Existem pessoas que, com os dias inteiros pela frente, gemem por aquele pedaço de futuro que não desejam, mesmo que ainda não tenha acontecido.
Existem pessoas que, em frente de um jardim florido, reparam naquela erva daninha que cresceu ao lado de uma das flores e matutam nela horas infindas, esquecendo, assim, de gozar o momento.
Existem pessoas que não sabem afastar-se, para melhor apreciarem a pintura e ficam às cabeçadas num pequeno detalhe de merda que não conseguem entender, precisamente porque não se afastam apenas uns passos.
É claro que não precisamos de andar sempre aos sorrisos e a declamar poesia, embriagados de felicidade pela vida, mas chiça, tanta miserabilidade enjoa um bocadinho muito grande.