domingo, 30 de outubro de 2011

Estou Aqui

Toco no teu rosto fresquinho e encosto o nariz na curva do teu pescoço. A tua pequena mão bate no redondo do meu ombro e dizes-me desse forma que gostas do meu colo, que estás onde deves estar naquele instante de pequena carência.
Queres depois descer até ao chão e correr. Não olhas para trás, para mim. A importância que me deste há pouco, fugiu contigo e com os teus minúsculos sapatos que correm à velocidade da tua alegria.
Alargo os meus passos e sigo-te de perto, mas distante. O suficiente para poder acorrer se precisares de mim. Não sabes que te sigo e continuas veloz na tua corrida pelo mundo. Queres reter tudo nas mãos, nos olhos, na palma dos pés. Sorris a desconhecidos. Eu não importo já. Nada atrás de ti te chama. És curioso e destemido e eu penso que não te comando. Por muito que queira manter ligados a ti os meus invisíveis fios de amor, não te comando.
Depois paras e olhas por cima do ombro. Ali estou eu, a tua guardiã silenciosa. Sorris. Confirmas-me e voltas a correr em direcção ao mundo.
Digo-te em voz só minha, sem que me entendas, ou escutes: Estou aqui, bebé. Estarei aqui, às vezes parece que sempre estive. É aqui que te pertenço. É aqui que tudo faz sentido.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O Fado Desgraçadinho

Ermelinda, a quinta de 9 irmãos, enviuvou cedo e ficou com três filhos nos braços. Aos 21 anos teve que regressar a casa dos pais, onde ficou numa pequena assoalhada, juntamente com os três filhos. Dormiam os quatro num pequeno colchão. Os pais eram gente pobre, carregados de carências afectivas e monetárias, mas acolheram-nos.
Dois anos mais tarde, Ermelinda conhece Tancredo e pensa ter encontrado o amor.
Tancredo era soldador numa pequena fábrica metalúrgica e mal ganhava para o seu próprio "comer", mas decidiram casar e foi já de bucho cheio que Ermelinda assinou os papéis no registo civil.
À saída do registo, o casal é atropelado. Tancredo perde um braço e o seu trabalho de soldador. Ermelinda dá à luz um par de gémeos, que nascem tolhidos pela prematuridade e com graves problemas respiratórios.
No hospital, Ermelinda apaixona-se por Joaquim, o senhor da limpeza e volta para casa dos pais. Tancredo não lhe perdoa a traição e com o braço saudável, atinge-a com ácido no rosto, deixando-a para sempre desfigurada. Joaquim não suporta viver com uma mulher marcada e foge.
Ermelinda chega a casa dos pais com os cinco filhos e de bucho novamente cheio. Arranjam-se como podem no pequeno colchão...
Esta é uma história de ficção, mas qualquer semelhança com a realidade não é pura coincidência.
E eu agora pergunto:
Porque porra é que um fadinho dramático, uma história de vida miserável, vem sempre acompanhada de várias levas de putos?
Ora deixa cá engravidar mais um bocadinho, xa cá ver onde é que cabe mais um.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Na Natação (a parte boa)

Desde que passei por um período turbulento na minha vida, período esse em que me transformei numa espécie de bola de stress e tensão, veias pulsantes e tudo, que tenho vindo a aprecisar coisas estupidamente normais.
O que antes era tarefa desgastante, agora é prazer.
O que antes era stressante, agora é canja de galinha com massinha de letras.
O que antes era um frete, agora é perfeitamente suportável.
Por isso, levar a minha filha à natação, já não é o correr no balneário, apressar, suar, ver tipas nuas e mães destravadas a lutarem por um duche vazio. Levar a Alice à natação é o meu momento zen.
Enquanto as restantes mães tagarelam sem cessar (de onde se conhecem elas, meu Deus) sobre as escolas, vidas, futilidades, olhando de cinco em cinco minutos para a piscina, para picar o ponto, eu encosto o queixo na pedra fria e fico ali, de pé a olhar a minha menina crescida em modo non-stop.
Não penso em mais nada, não quero saber de mais nada. Só os seus movimentos incertos, a sua coragem, a sua toca cor-de-rosa a despontar dentro e fora de água é que movem o meu olhar e aquecem o meu queixo gelado pelo contacto com a superfície fria.
Ela faz-me corações com as mãos e pisca-me o olho, eu retribúo. Naqueles 50 minutos, sou dela a cem por cento.
Sempre pensei que seria incapaz de me entregar à meditação, mas vejo agora que não é assim tão difícil despejar o corpo e a mente do que não importa. Basta-me ficar ali, a ver um bocadinho de mim fora de mim. Um bocadinho de mim tão mais corajoso, tão mais cheio de virtudes do que eu, um bocadinho de mim que não sou eu.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Brinquedos Cretinos e Horrendos

Já perdi há muito a ilusão de encontrar brinquedos bonitos, originais e com 2% de parte didáctica. Hoje em dia, a malta que inventa brinquedos, combate ferozmente pela criação mais horrenda, ou mais cretina do universo.
No meu top 5 estão estas duas pérolas:
Um mini skate para andar com os dedos das mãos. Ui, que emoção, que adrenalina, que perigo não deve proporcionar este desporto em dois dedos. Tem rampas, ferramentas, o diabo a sete e é tão caro quanto idiota.
E esta coisa com ar de prostituta morta viva, que de boneca não tem nada.



terça-feira, 25 de outubro de 2011

"Cook Yourself Thin"



Adoro este programa. Quero provar de tudo e fazer de tudo.
Apesar de estas tipas adorarem contar as calorias de cada prato e eu não perceber um boi sobre calorias, tudo o que fazem tem um aspecto rigorosamente delicioso e, segundo elas, sem culpas.
Gosto de ver a forma como convertem pratos nocivos para a saúde, em comida-não-provocadora-de-enfartes.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Já repararam...

Que, desde que surgiram em Portugal os armazéns IKEA, toda a gente tem a casa igual?
Quem entra numa, entra em todas :)
A propósito de IKEA, é impressão minha, ou aquilo já não é tão barato como era?
Onde é que está a política do acarrete o esqueleto da mobília, monte aquela merda toda ( tentando não enlouquecer) e pague menos?


Entrevista de emprego para o IKEA

terça-feira, 18 de outubro de 2011

AHAHAHAHAHAHA

O Governador do Banco de Portugal deixou um conselho sensato ao povo português:
Têm que poupar mais.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Estado de Emergência Mental

Depois das medidas-para- deixar-a malta-em-pelota do governo, milhentas vozes se levantaram.
Perguntam vocês:
Vozes de protesto? Vozes de compadecimento?
E eu respondo:
Não.
A maior parte das vozes que escutei por este mundo virtual, foram vozes de regozijo. Ufa, ainda bem que ganho menos de 1000 euros, ufa, acho muito bem que a classe média pague, xiça, ainda bem que sou pobre. Eles que vão masé trabalhar, os mandriões que ganham esses milhões de euros. O que me leva a concluir que quem ganha mais de 1000 euros é milionário e não trabalha.
Somos um país de facto triste, onde parece que ganhar razoavelmente, por um trabalho que se faça bem, é vergonha (sendo que ganhar bem, não é ganhar 1000 euros).

Desabafo inspirado neste post.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Estamos fecundados, estamos

Não se pode prender a malta que nos conduziu a este excremento financeiro?
Não se pode empalá-los?
A única safa é deixar o povo todo em cuecas e debaixo da ponte?????
A sério, é ultrajante. Sinto-me encolhida de medo.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Os Pequenos Monstros

Há uns meses atrás, enquanto observava uma criança de 5 anos a dar ordens a uma empregada doméstica, copiando a forma como a própria mãe tratava a funcionária, estremeci.
A empregada ia sorrindo amarelamente e lá ia fazendo o que a criancinha ordenava, uma vez que a mãe achava muita gracinha àquele pequeno clone do seu feitio de merda.
Na escola da Alice há muitas crianças peneirentas e de nariz empinado e quando vejo as mães das ditas, entendo tudo. São clones.
Atitudes, gestos de desprezo, peneiras, arrogância em crianças tão pequenas, regra geral, são uma espécie de copy-paste do comportamento a que assistem em casa.
É claro que existem crianças difíceis, teimosas, menos dóceis, cujas atitudes têm uma grande dose de feitio incorporado. Feitio esse que os pais lá vão tentando adoçar em desespero, mas ainda assim, tentando dobrá-los um bocadinho.
Esses pequenos monstros, serão um dia monstros de tamanho normal e isso custa-me e assusta-me. Aliás, assombra-me.
Se há (pouco, mas ainda assim algum) poder que um pai tem é o poder de fazer a coisa certa. O poder de deixar uma pequena impressão digital no coração dos filhos, para que quando cresçam, ou ainda em tenra idade, saibam distinguir o certo do errado.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Depressão

O António Barreto diz que Portugal vai desaparecer e eu acredito.
Relacionado com a prostituta da crise e com o desânimo geral que se respira a cada anúncio do governo, nunca vi tanta malta depressiva no parque.
Hoje uma senhora de ar triste e de mochila às costas, senta-se perto de nós, abre a mochila e, não, não tira uma bazuca, nem uma granada de mão, mas um pacote xl de pão de forma e ali fica ela a alimentar os pavões. Sorriu tristemente para nós e disse: Esta é a minha única alegria.
É claro que ela podia estar triste por um milhão e meio de motivos, além do facto de o nosso país estar a desaparecer, mas por uns segundos, apeteceu-me ficar ali sentada com ela, a dar pão aos pavões.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Giseleeeeeee

A quem é que chocou o anúncio da Hope, com a Gisele Bundchen?
A sério que há alguma mulher que tivesse ficado moralmente chocada com aquilo?
Sinceramente, quanto a mim, é mais uma sátira ao bicho homem, do que à condição feminina.
Chocou-me muito mais ver a Helena Coelho em lingerie, agarrada a uma tábua de passar a ferro, do que ver a Gisele a usar a lingerie para dar a volta à cabeça de um gajo.
Se há alguém que deva ficar ofendido aqui é o Homem :)
Quanto ao envolvimento governamental num anúncio de lingerie, nem sequer consigo comentar esta atrocidade.

Povo madeirense, obrigadinha por mais uma ronda desta merda

sábado, 8 de outubro de 2011

Rapidinha Ao Estilo d'A Mulher Certa

Sei que canto horripilantemente mal, quando passa Angels do Robbie Williams no rádio do carro e fico a ouvir zunidos e ligeiramente nauseada com a minha própria voz.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Zzzzzzzzzzz Paris Zzzzzzzzzzz

Estou num estado tão pateticamente sonolento, que meço a qualidade de um filme pelo facto de adormecer, ou não, enquanto o vejo.
Quando o sono se entranha e nos provoca dores nos ossos e articulações, está na hora de repensarmos seriamente os filmes que escolhemos para ver. Tudo me soa a canção de embalar, os diálogos, a banda sonora, os sorrisinhos, as bombas que explodem, os tiros, os murros, os chavões, os beijos, as paisagens.
Quando o nosso filho insiste em acordar às 4 da manhã, ou num dia bom, às 6, qualquer filme que me ponham à frente é um drunfo.
Neste caso, falo do Meia Noite em Paris, com o Owen Wilson e a sua voz à la Woddy Allen a fazerem cafoné na minha cabeça.
Tenho a certeza de que se estivesse menos consumida por este estado sonâmbulo, tudo teria sido diferente. Mas Paris nunca foi a cidade da minha vida e o Owen Wilson está longe de ser o meu actor de eleição, por isso, muitos foram os momentos em que cabeceei vergonhosamente.
Acho que este filme é fofinho e despretencioso, bem ao estilo do Woody. Também acho que dá uma bela lição sobre os roaring twenties a um adolescente que comece agora a vibrar com o Hemingway e a Gertrude Stein (estive na campa dela no Pere Lachaise, quando tinha 19 anos), mas eu estou velha e só quero poder dormir uma noite inteira. Por isso, Paris, lamento desapontar-te, mas meia noite é muito tarde para mim :)

sábado, 1 de outubro de 2011

Não sei o que se passa

Mas a realidade é que alguns comentários aparecem no meu mail, mas não aparecem aqui...
Não tenho a mais pequena ponta de jeito para desvendar estes mistérios, por isso vou esperar que a doença passe por si.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O circo do touro

Ligeiramente farta das pedras atiradas ao Miguel Sousa Tavares e porque sou ligeiramente do contra, venho aqui dizer que me irritam mais os Circos do que as touradas.
Falo das touradas com forcados que pegam o touro de caras. Falo de cavalos, cavaleiros e de touros com tomates, que investem sobre os cavaleiros como tanques de guerra e que me fariam fazer cocó nas calças só de estar a 100 metros deles.
Por outro lado, confesso que ver uma cambada de malta a fugir de um touro numa praça, a levar cornadas no traseiro, ou a atirar-se em massa para cima de um vitelo embasbacado, é coisa que me faz primitiva comichão. Mas uma tourada à séria, não sei porquê, juro que não sei e estas merdas não se explicam, emociona-me e arrepia-me. Isso faz de mim uma tipa básica, bárbara e filha da prostituta? Se calhar sim.
Agora o circo. O circo onde se levam as crianças, o circo que move multidões, o circo onde se enfiam animais de grande porte em jaulas, onde se amestram esses mesmos animais para que façam gracinhas diárias durante a vida inteira, isso sim é coisa para tirar a dignidade a um ser vivo como eu.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Mais uma constatação sem ponta de interesse para a humanidade

A maternidade, tal como uma doença, ou um grande desgosto na vida de alguém, tanto pode adoçar, como azedar uma pessoa.
Tanto pode tornar alguém mais condescendente, como mais irascível. A uns a humildade toca, a outros é a petulância que chega para ficar. Com uns o egoísmo dissipa-se um pouco, com outros intensifica-se.
Uns concluem que pouco dominam da vida, outros sentem que dominam o mundo com teorias inabaláveis.
Tal como em tudo na vida, as experiências não nos afectam a todos da mesma forma.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Pelo olhar dos meus filhos

De todos (tão poucos) olhos sobre mim, os teus são os que mais me emocionam.
São os que me olham (ainda) sem mácula. São os que me olham perfeita, mesmo quando estou longe de o ser
No reflexo dos teus olhos é onde gosto de me ver.
Não quero espelhos, nem miragens numa qualquer água turva de alguém. Quero os teus olhos grandes, castanhos e meigos que me fitam, como se fosse a pessoa maior da tua vida.
Não preciso de elogios, de palavras amontoadas dentro das frases dos outros.
Não preciso dos sons pouco verdadeiros, que se libertam dos lábios de sorrisos que me falam sem verdade.
Preciso apenas do teu olhar para me sentir maior, dentro de tudo o que é pequeno em mim.
Sei que em breve deixarei de ser quem buscas com esses olhos imensos e densos de amor, mas enquanto for eu o teu conforto, serei grande.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A Comida é Fodida

A comida é mesmo o vício do século e o mais complicado, mais tortuoso, mais lixado de conseguir largar. Uma vez que não é ilegal, nem socialmente mal visto.
Os programas que apelam ao alimento polulam e enchem-nos a vontade. As carências emocionais, as frustrações, os traumas do passado, são muitas vezes substituídos por aquele conforto gustativo.
Alimentar a família é também motivo para alimentar o nosso vazio, que parece nunca ficar cheio e a coisa prolonga-se no tempo. Cada dieta uma tortura, cada garfada uma culpa abissal.
Acho que posso agradecer não sei bem a quem, o facto de não ter propensão para arrecadar muitos quilos, porque em dias como o de hoje, acho que marchava tudo o que ocupasse as laterais e dianteiras do meu frigorífico.
O que vale é que só tinha sopa, arroz branco e azeitonas.
Excusado será dizer, que as azeitonas já eram.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Eu cá é mais isto




Eu sei que cada um tem o seu amortecimento televisivo-cerebral favorito.
Depois de um dia esgotante de um trabalho mal pago, com patrões filhos da puta e frustrações várias a todos os níveis, é normal que se anseie por um bocadinho de comportamento primata, para descomprimir, mas eu é mais isto.
Não há reality shows que me façam mudar de canal, quando algum destes está a dar no Discovery :)

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

De Loucuras, Valsa Lenta

A loucura é uma coisa que me assusta como a merda (adoro desperdiçar a palavra merda).
Principalmente, porque um louco nunca tem consciência do seu estado demencial. O que o leva sistematicamente a concluir que todos em seu redor padecem da demência de o chamarem louco. Todos os que o rodeiam são de facto os loucos, biltres, desgraçados, tarados e, acreditem que passados uns dias na presença de malta com distúrbios na glote cerebral, começamos a sentir o frémito da loucura tomar conta de nós.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A todos os que andam pelo mundo virtual




Não percam este documentário/filme.
A sério, não percam.
Dá todo um novo alento à frase: Nem tudo o que parece, é.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O meu sonho recorrente


Quanto maiores são os problemas supérfluos, maior é a vontade de viver do que a terra me dá.
Tenho sonhado acordada com isto:
Sou dona de uma quinta imensa e preocupo-me com as condições do clima.
Leio, escrevo e as minhas dores de cabeça dão-se à conta das colheitas e dos animais que crio.
Levanto-me antes da luz do sol e canso o corpo. Canso-o de tal forma, que nada me sobra na mente. Nada além de um livro, ou de uma folha de Word em branco, à espera de ser fertilizada.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Esqueçam tudo o que pensavam saber sobre sensualidade nocturna



Não, não é uma miragem. Na secção de lingerie de uma mega-loja, meti os olhos nisto.
Passei pelo corredor da roupa interior masculina e também havia versão masculina desta peça sensual.
Tremi de sensualidade imaginária, ao visualizar-me com uma cena destas, de roca na mão e a espernear com birra, porque o Hugo não vestiu o dele.
À noite, quando me der vontade de fazer chichi, também vai ser super prático, mas jogando pelo seguro, é melhor enfiar uma fralda.
Também não tenho que me preocupar em cair pela escada abaixo, pois lembraram-se de meter anti-derrapante debaixo dos pés.
E eu a pensar que já não podia ficar mais sexy do que sou. Descobri a pólvora.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

A minha suja, empoeirada e emporcalhada de chulet gourmet, croc

Quis embelezá-la, colocar-lhe um adorno digno do meu pé 39 e simplesmente apaixonei-me por esta Marge Simpson. Perdi a cabeça e adquiri este adorno milionário.
Linda de morrer, glamorosa, adepta da laca e de voz sexy. A Marge é o que qualquer mulher ambiciona ser quando se tornar num desenho animado.
Exibi-a com orgulho, cruzei a perna e abanei o tamanco em frente dos meus sogros, numa de os escandalizar mesmo.
A minha sogra teve a reacção escandalizada que esperava. Sorriu e disse-me:
Que linda lagartinha que tens no sapato, Aninhas.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Não é o fim do mundo em cuecas, mas...

Gosto muito da escola da Alice. Tem espaços verdes, fazem piqueniques nos dias de sol, brincam tanto quanto trabalham e é um ambiente luminoso e alegre, que me inspira alegria de cada vez que entro nos seus portões. Muitas vezes saio de lá com vontade de cantar o Sound of Music.
Mas quando fizer 3 anos, o António marchará para a pré-escola e, por muitas voltas que se dê, não é possível manter os dois na mesma escola. Por isso, a Alice seguirá para uma escola pública para fazer a primária.
Que sorte que temos, com uma escola básica a um minuto a pé aqui de casa. Por isso, ontem decidimos ir espreitar a escola.
Demos as mãos e caminhámos os poucos passos que separam a nossa casa desse edifício "idílico".
À medida que nos aproximávamos, esquivando-nos das pedras da calçada soltas e dos cagalhões caninos pelo caminho, uma sensação de tristeza foi invadindo o meu olhar.
Um pré-fabricado, rodeado de cimento, salpicado de mato aqui e ali. Valetas, calhaus e muito poucas condições de segurança. Respirámos fundo e dissemos: Não é assim tão mau. Podemos vir levá-la a pé e isso é do caraças. Ouvimos a campainha do recreio tocar aqui em casa e uma coisa compensa a outra.
Depois fomos ver outra, que fica a 3 minutos de carro. O edifício mais composto, apesar de ter pedaços de parede soltos. Mas o recreio, caraças. O recreio é um pedaço de cimento com degraus de cimento a caírem aos bocados.
Sei que sou comichosa, mas a sensação de desolação ficou.
Pensei nos cortes que este governo encavador fará na educação, no cimento que rodeava o espaço e respirei fundo. Não é o fim do mundo, mas é um mundo mais cinzento, sim senhor. Custa assim tanto rodearem as escolas com um bocadinho de verde? Sempre enganava o olho.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

cheirinho a éter

Hoje, enquanto o Miguel C estava sentado no nosso jardim, descalço e com o à vontade que só velhos amigos conseguem.
Hoje, enquanto os filhos dele e da M. brincavam com os meus filhos.
Hoje, enquanto falava na sua ida para Lausanne, com aquela expectativa de quem desbravará em breve uma nova vida.
Hoje, enquanto sentia sermos todos amigos desde sempre, agradeci à blogosfera e tive pena. Aquela pena egoísta, mas sem maldade, de ter que os perder para os Alpes.
Miguel, espero que não mudes o nome do teu blog para Cheirinho a Queijo e que sejam muito, mas muito bem sucedidos em terras da Nestlé.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

tenho estado a pensar

De quantas formas se pode encavar a classe média?
Ainda não tenho as contas todas feitas, mas tenho quase a certeza mais ou menos absoluta, de que são muitas. Existe uma espécie de Kama-Sutra de encavanço e este governo está a experimentar todas as posições.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

verdades e constatações mais ou menos universais

Não há rigorosamente nada que pague a sensação de nos deitarmos de consciência tranquila.
Nós somos muito mais aquilo que fazemos, do que aquilo que dizemos.
A família, no final das contas, dos dias, das decepções, das mágoas, das dores, é mesmo o mais importante.
Há coisas que, depois de ditas, apodrecem tudo em seu redor.
Os segredos são coisas nojentas, que precisamos de partilhar com alguém, para não ficarmos com bolor por dentro. Mas envenenamos a outra pessoa com a mesma matéria fecal, partilhando a doença.
Foi provavelmente por isso, que surgiu a figura da confissão.
Queria muito poder enfiar uma mochila às costas, ou uma malinha com rodas, que sempre é mais confortável e partir de viagem para um lugar qualquer longe do mundo dos outros.

sábado, 3 de setembro de 2011

LV, RL ou outros que tantos que não me fashionizam

Longe vão os tempos dos baús de porão, do conceito de longa viagem, da solidez que vinha com o nome Louis Vuitton.
Hoje em dia é apenas sinónimo de status, novo riquismo, pinderiquice completa e absoluta.
Que me perdoe quem tem uma LV velhinha, dos tempos em que ter uma era igual a nada, pois que ninguém conhecia bem a marca, mas a realidade é que, ainda que ganhasse o Euro-milhões, jamais me passaria pela cabeça entrar numa loja desta marca e abastecer-me da cabeça aos pés de pochetes, bolsinhas de meter na cintura, ténis, carteiras, só para adquirir o status à pressão.
Noutro registo, o que é que passou pela cabeça do meu querido Ralph Lauren, para espetar com cavalos à escala real nos polos, camisas e afins? É a pensar nos míopes?
Teriam que me pagar para andar com um cavalão ao peito e não o contrário.



segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Do alto da minha (in)sapiência

Se há coisa gira nisto de ser mãe, ou pai, é podermos debitar conselhos e vermos os olhinhos ingénuos deles abrirem na potência máxima, enquanto escutam as palavras (para eles) sábias da mãe, ou do pai.
Nunca achei saber grande coisa sobre a vida, ou sobre o que quer que fosse, pois sempre entendi que a minha vida não é a vida de mais ninguém. É só a minha vida, os meus problemas, as minhas buscas e concretizações, que não são necessariamente as dos outros.
Mas para vocês, filhotes, aqui vai uma reflexão:
Construam sempre uma história com o vosso parceiro, antes de decidirem ser pais. Viagem, criem memórias a dois, façam questão de escrever umas páginas sem mais personagens além de vocês. Só assim aguentarão a sucessão de tarefas, de obrigações, de pequenas rotinas, de submersão que virão com os filhos.
Só assim conseguirão continuar a remar com o vosso parceiro, a um ritmo sereno, pois já sabem como foram antes deles e é precisamente isso que sabem que voltará passado um tempo.
Segurem-se à história que fizeram lá atrás e esperem por ela, quando o romantismo não surgir todos os dias por cansaço, quando não houver tempo, nem força para namorar, pois que não há ajudas, quando a coisa estiver tão romântica, como uma tigela de canja e umas pantufas, vocês poderão sorrir e recordar o que já foram. Poderão dar a mão ao vosso parceiro, com a certeza de que são mais do que isso.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Agora a sério

Tenho tido minutos de puro deleite. Bem sei que são apenas minutos, mas mesmo assim, adoro quando os meus filhos estão sentados a brincar juntos na areia. O António põe e tira conchas do balde cerca de 348716 vezes por minuto, depois leva pedaços de areia à boca e saboreia, enquanto a irmã tenta limpar-lhe as mãos.
Esses breves momentos, em que tudo parece encaixar no lugar e em que mais ninguém quer estar noutro lugar qualquer, são absolutamente perfeitos.

De férias

Na teoria, porque na prática vim apenas ficar cansada num lugar diferente.
Mas não posso realmente queixar-me das dores no lombo e na cabeça e nos pés e nos braços, pois o facto é que estou a cansar-me no Algarve, onde não chove, venta apenas um bocadinho e há bué malta a falar estrangeiro.
Outro dia, aqui na piscina do pedaço, vi uma mãe de 3 putos insuportáveis, a espalhar creme protector na cara do marido, no nariz, no pescoço e nos bracinhos, como se ele fosse também uma criança indefesa, que não dominasse a ciência de espalhar protector em zonas acessíveis à sua própria mão.
Pensei para mim, que há mulheres do caraças e donas de uma maternidade que brota infinitamente do seu interior.
Se o Hugo me pedisse para lhe espalhar protector na carinha, depois de uma sessão de espalhar creme aos putos, que gemem e reclamam e fogem, o mais provável seria atirar-lhe com o frasco de creme ao trombil.
E pronto, agora vou voltar a ser fofinha.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Nos balneários, parte não sei quantas

Cada dia nos balneários da natação da Alice, é um dia de novidade.
Ontem, um bando de velhotas todas nuas em amena cavaqueira.
Terão vindo da hidroginástica, onde verteram pequenas pingas de chichi nas águas onde a minha filha mergulhou? Terão vindo de uma sessão de grupo no banho turco? Terão vindo de uma aula de musculação do glúteo? Não faço a mínima ideia, mas ainda estou a tremer com o susto e a sofrer de stress pós-traumático.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Pessoas que não carpe diem nem um bocadinho de nada

Existem pessoas que, com um dia de sol absolutamente perfeito, insistem em pensar que pode ficar cinzento.
Existem pessoas que, com uma vida boa como tudo, insistem em travar naquele pequeno calhau pelo caminho e tropeçar em modo non-stop, gritando que dói e que é um calhau maldoso e que não deveria estar ali. Pessoas que não sabem contornar o pequeno obstáculo, com medo do caminho à sua frente e para ali ficam, a tropeçar vezes sem conta no mesmo calhau, porque já não sabem o que é a vida sem o queixume pelos pequenos calhaus.
Existem pessoas que, com os dias inteiros pela frente, gemem por aquele pedaço de futuro que não desejam, mesmo que ainda não tenha acontecido.
Existem pessoas que, em frente de um jardim florido, reparam naquela erva daninha que cresceu ao lado de uma das flores e matutam nela horas infindas, esquecendo, assim, de gozar o momento.
Existem pessoas que não sabem afastar-se, para melhor apreciarem a pintura e ficam às cabeçadas num pequeno detalhe de merda que não conseguem entender, precisamente porque não se afastam apenas uns passos.
É claro que não precisamos de andar sempre aos sorrisos e a declamar poesia, embriagados de felicidade pela vida, mas chiça, tanta miserabilidade enjoa um bocadinho muito grande.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Penduricalhos e afins

Odeio com fervor apaixonado as etiquetas gigantes nas t-shirts.
Odeio com fervor desequilibrado umas fitinhas que agora decidiram enfiar em tudo o que é t-shirt, como se fosse fundamental pendurarmos as t-shirts em cabides, ou no raio que as parta.
Odeio ter que cortar quilos de papel e de tecido, de cada vez que chego a casa com t-shirts novas, repletas de penduricalhos desnecessários.
Odeio ter comprado um pacote de cuecas na Women's Secret, todas giras (apesar de cheias de etiquetas). Chegar a casa e perceber que cada uma delas tem escrito um dia da semana.
Há coisa mais triste do que envergar uma cueca a dizer quarta-feira a um domingo?
Fora da zona de penduricalhice, mas não deixando de me enervar de forma ligeira, odeio pegar numa revista social e deparar-me com 100 páginas de mulheres, ou ex-mulheres de futebolistas. São de facto, as pessoas mais sem interesse à face do mundo da revista da cusquice. Pelo menos para mim.
E pronto.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Força Hipnótica

Não se deixem levar pelas forças do mal. Sejam fortes e resistam até ao fim. Não colaborem com a malta que nos quer deixar apenas em cuecas amareladas e meias esburacadas.
Hoje, durante a entrevista da Judite Sousa ao nosso Ministro das Finanças, percebi finalmente porque é que não há revoltas na rua e fogo e pedras atiradas ao governo e incendiários enlouquecidos e homens bomba.
O homem hipnotiza com a voz.
Tenham muito cuidado. Quando o nosso Ministro estiver a falar sobre as próximas medidas que tomará para nos deixar em pelota, procedam à introdução de tampões de silicone no orifício auricular. Se não tiverem poder de compra para os tampões, deixem o material ceroso invadir o tímpano.
Só assim, a vossa força permanecerá intacta e não se deixarão levar pela sonolência- bloqueadora-de-raciocínio que a voz do homem produz.
Desde a voz do Xanana Gusmão que um homem não me deixava assim.

Ser a Tua Mãe

Enquanto bebes o teu leite com chocolate e trincas os mini-queijinhos flamengos que adoras, olho-te e deixo que a minha admiração transborde.
Gostas do Garfield e do Snoopy (tal como eu), ris-te com o Homer Simpson, apesar de não perceberes nada do que ele diz e eu olho-te e deixo que a minha admiração se entorne pelo que resta de mim inteira.
Tens dois dentes de leite que já abanam das suas frageis estruturas e eu sinto já saudades dos teus pequenos dentes cor de arroz, que sempre definiram o teu riso. Ver-te com um sorriso de dentes crescidos, vai deixar-me triste e contente ao mesmo tempo, como se ficar triste e contente em simultâneo, fosse a nossa melhor definição.
Olho-te com o teu irmão, na praia, no teu quarto, dentro da pequena tenda que vos comprei e adoro a forma como o apertas e a paciência infinita que tens com as birras dele (é claro que nem sempre tens paciência, mas quando tens compensa tudo).
Olho-te com os teus livros de dinossauros, com os teus óculos escuros do Winnie the Pooh. Olho-te na natação, nas tuas pequenas conquistas e coragens e sinto-me afogada na imensidão que é isto de ser a tua mãe.
Como é que eu sou a tua mãe? Eu, uma pessoa desajeitada, tímida, que, em tantos aspectos, ainda se sente mais filha do que mãe.
Como é que eu sou a tua mãe, Alice?
Ontem disseste-me que eu e o pai te escolhemos antes de teres nascido e eu tenho que te dizer que, ainda que tivessemos podido escolher como serias, jamais teriamos sonhado com tanto.
Não imagino a minha vida sem a tua vida dentro.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Evil Beach

Esta semana tenho ido sozinha para a praia do Guincho com os miúdos.
Sempre achei que não seria espiritual, nem fisicamente forte para empreender tal tarefa solitária, mas recompus-me, dei vários estalos consecutivos em mim própria, proferi insultos na direcção da minha cobarde e maricas pessoa e marchei para a praia do ciclone, a fim de encher os pulmões das crias com ar do mar.
Afinal de contas, falamos em ir à praia e não de uma prova de montanhismo.
Mas hoje, agachados na trincheira de um Pára-Vento, com o António a trepar por mim acima e a ganir o tempo inteiro, enquanto a Alice sacudia a toalha negligentemente para cima de nós. Hoje, enquanto trepava a duna de regresso ao carro com o António ao lombo e o saco com as toalhas no ombro. Hoje, enquanto tentava chegar ao mar, entre os gritos birrentos do meu filho e os gritos de excitação da minha filha, só para ser acometida de dores reumáticas-de-contacto-com-água-do-guincho. Hoje cheguei, enfim, ao meu limite. O limite da duna e do vento desta praia temperamental.
Eu sei que há mais praias nesta terra chamada linha, mas eu sou uma gaja teimosa e esperançosa e como vivo a 7 (não 5, nem 10) a 7 minutos do Guincho, insisto em trepar a duna, entricheirar-me e queixar-me depois.
Agora vou ali ganir de dores nas costas e suspirar pelos tempos em que conseguia estar numa praia, deitada a ler e a ouvir as gaivotas ao longe e já volto.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

As Bolas

Não há nada que se compare ao sabor de uma bola de berlim degustada no areal :)
É um dos pequenos grandes prazeres de uma vida. Os gritos dos putos ao longe, os gritos dos meus putos de perto e o açúcar espalhado em redor dos lábios dos três.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Em Memória da Memória

Dizem que, quando as pessoas morrem, as divinizamos. Ficam perfeitas. Todas as curvas apertadas de carácter se esbatem, todos os erros cometidos em vida se amenizam, todas as atrocidades levadas a cabo se relativizam e aquela pessoa, relativamente intragável em vida, é agora santa.
Dizem que, quando as pessoas morrem, se transformam numa espécie de livro, onde só os capítulos com as passagens bonitas permanecem e são lidos com solenidade.
Eu cá acho que não é nada disso.
Acho que, quando alguém importante parte dos nossos dias, as coisas más permanecem sim. Mas o mais incrível, é que começamos a sentir saudades dessas coisas que tanto nos aborreciam.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Fecuntata Est Ana

Adoro quando me tratam como uma retardada mental (sem ofensa para os retardados mentais).
Desde o médico na urgência que insiste comigo que a dermatite que se instalou nas minhas palpebras, se deve a um produto que eu usei, mesmo depois de lhe ter dito 345 vezes que nem sequer me maquilho, nem usei nada de novo nos últimos 10 anos. Ele faz uma expressão de "falo com uma retardada mental" e contradiz-me com expressão de enfado. Agarra-se àquela merda e insiste até à morte, ignorando o que lhe digo. Talvez porque dê demasiado trabalho arranjar outra justificação para a bosta da dermatite, talvez porque me julgue mesmo uma pessoa com falta de oxigenação cerebral. Eu acabo por dizer que tudo bem, se ele diz que é da maquilhagem, eu maquilhei-me sim, com umas sombras da loja do chinês. Talvez assim ele se sinta menos frustrado e eu menos tonta.
Receita-me um creme fantástico e uns anti-histamínicos e deixa a retardada sair.
Venho a descobrir mais tarde, com uma médica a sério, que me tinha receitado um creme altamente alergéneo, por isso eu não melhorava.
À conta de não melhorar, não posso arranjar as sobrancelhas, esse sim, um dos meus únicos vícios de estética.
Também adoro quando me falam sobre trabalho, como se eu fosse a tipa mais burra à face da crosta terrestre. Abrem muito os olhos para mim e gritam com voz cavernosa na direcção desta débil de espírito. Adoro que me humilhem e que me façam sentir pouco digna do salário milionário que me pagam.
É mesmo assim que se motivam equipas. Qualquer psicólogo acabado de formar o confirma.
Venham mais vinte, que eu deliro. Sentir-me rebaixada é do melhorzinho que existe. Faz tão bem à pele, que lhe confere um tom rubro, descamado e vibrante.
Só não fiquem em choque se, um dia mais tarde, esta débil de espírito, num acesso de oxigenação súbita da massa grey, vos mandar fecundarem-se lentamente e com dor, sim?

sábado, 6 de agosto de 2011

Steven, o meu herói

No tempo do jogo do elástico, dos estalinhos de carnaval. No tempo em que andava de bicicleta à volta de um quarteirão, onde hoje em dia não deixaria andar os meus filhos à vontade. No tempo em que ia e vinha do colégio a pé. No tempo em que ouvia Lp's do Jason Donovan e da Belinda Carlisle. No tempo em que os amigos eram irmãos e os irmãos eram amigos, havia filmes de aventuras.
Não era preciso uns óculos 3D, nem bilhetes que custassem o rabo e as calças. Não era preciso pipocas, nem coca-colas. Não era preciso mais do que um bom filme de aventuras e, meu Deus, se havia bons filmes de aventuras.
Todos os meus preferidos tinham um nome. Ora fosse o produtor, ou realizador, não importava. Se tivesse lá escrito Steven Spielberg, seria certamente inesquecível.
No topo da lista dos inesquecíveis, está o Goonies. Devo tê-lo visto mais de 15 vezes e continuo a achar-lhe o mesmo fascínio que achei aos 10 anos.
Não há quem melhor tenha sabido entrar no meu imaginário, como este homem. Obrigada Estêvão por me teres feito sonhar, rir, chorar, apaixonar dezenas e dezenas de vezes.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Face-maçada

Isto do facebook é muito maçador.
Senão, vejamos: Temos uma relação com alguém no mundo real e vão a correr amigar-nos na rede social, pois se a coisa não se der virtualmente, parece mal, parece que não nos conhecemos de verdade. Essa relação real é quebrada, por um motivo, ou por outro e lá temos nós que ir desamigar no livro-da-face, se não a coisa parece que não aconteceu.
Gerir a realidade real e a realidade virtual, pode ser de facto tremendamente maçador.
Tão maçador, que só de escrever sobre isso bocejei.

A propósito da Frida Kahlo

Não aprecio particularmente quadros que a minha filha pequena conseguisse pintar.
Gosto de sentir que nem num milhão de anos, conseguiria pintar uma merda daquelas. Isso sim, faz-me ficar especada em frente de uma qualquer manifestação de engenho alheio.
Ah, a arte é para fazer pensar, vamos pôr um par de luvas e um rolo de papel higiénico em cima de um banco e dizer que é arte. A malta vai adorar, vai reflectir sobre a conjuntura da reciclagem do papel e a simbologia da luva no pensamento contemporâneo. Não é para mim. Desculpem lá, mas aqui a grosseira e ligeiramente labrega pessoa, gosta de outro tipo de cenas.
A Frida Khalo, mesmo antes de saber alguma coisa sobre o significado tão pessoal das suas pinturas, sempre me meteu um bocadinho de medo. A sua imagem dura, os seus quadros agressivos, aquilo não seria para pendurar na parede de uma casa minha, pois era a história dela. Sempre pintou mais para si, do que para os outros.
Mas este quadro, ontem em particular, disse-me muito. Apesar de não querer dizer nada daquilo que senti ao olhá-lo, achei que pertencia ao meu momento.
Estavam ali as duas Anas e uma rompia com a outra. Uma ajudava a outra a superar-se a si própria. Uma esvaziava-se e outra se enchia.
Um bocadinho esquizofrénico, sim, mas ontem a arte, esta arte, fez um bocadinho parte do meu dia e eu tive que me render às evidências:
A arte pode ir além da técnica, sim. A arte pode fazer-nos pensar.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Comodismo

É mais fácil ficar numa situação que nos magoa, do que sair da situação que nos magoa.
Juro.
Sinto-me estupidamente cobarde, agarrada a coisas que não importam, mas que eu digo que importam, só para me convencer que estou a agir da forma certa.
Queria ser uma gaja cheia de coragem, mas limito-me a encher o depósito da paciência, que se tem revelado com uma capacidade extraordinária.
O problema é que fico sem paciência para as coisas que importam de verdade.

Atenção, que não me refiro a nada de muito importante e isso é o que mais me irrita.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

No Ginásio Parte 2

Além da malta toda em pelota, verifiquei que existe uma balança no balneário.
Ri-me para dentro, quando vi uma rapariga a entrar no balneário, transpirada, vinda de uma aula e ainda em modo-body-pump, aos saltinhos energicamente irritantes.
Enfim, a rapariga entra na sala da pelota e a primeira coisa que faz é ir pesar-se.
Hmmmm, xa cá ver se já emagreci alguma coisinha depois da aula, hmmmmm.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Palavrões

Hoje podia passar o dia inteiro a dizer palavrões. Daqueles rebuscados, antiquados, insultos grotescos, ou elaborados. Palavrões.
Porque há dias em que só um bom palavrão define e resume tudo o que nos vai por dentro.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Lista de Intenções Para Um Total Make-Over

Preciso urgentemente de pijamas que não tenham o Rato Mikey, a Pantera Cor de Rosa, ou cuja parte de cima não seja uma t-shirt que deixei de usar no dia-a-dia (para passar a usar à noite).
Preciso urgentemente de deixar de pensar que as boxers do Hugo podem ser uma parte de baixo de um pijama feminino, quando conjugadas com a minha irresistível t-shirt da Marge Simpson.
Preciso urgentemente de meias que não tenham tucanos, animais da selva, corações, ou pequenas flores e de investir em colants sexys.
Preciso urgentemente de qualquer coisa que ainda não consigo definir bem, mas que tem a ver com o facto de trabalhar em casa e de estar a transformar-me lentamente num bicho do mato, daqueles bem chatos.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Pais cocó

Ontem, numa das nossas incursões domingueiras pelo parque infantil, presenciámos o desespero de uma mãe, que tentava que o marido/pai jogasse à bola com o puto. O homem estava confortável, com o seu telemóvel, debaixo do frondoso arvoredo e julgava-se o rei do pedaço. Achava, com toda a certeza, que a sua mera presença, ainda que passiva, fosse o suficiente para a mulher não se queixar de mais nada.
"Eu só tenho deveres, deixei de ter direitos!", gritava ela ao homem, que repousava sob a sombra do arvoredo. E aquilo chamou a minha cuscuvilheira atenção e pôs o meu diminuto cérebro a carburar.
Acabei por concluir, sozinha com os meus botões, enquanto via o Hugo a empurrar o António no baloiço, que mais depressa me levaria ao divórcio um marido que fosse um pai merdoso, do que só um marido merdoso.
Não há rigorosamente nada mais desesperante do que assistir à fraca performance de um pai que se encosta, que não reage, que não colabora. Que acha que tudo aquilo que faz é um extra, um bónus, quando na realidade é uma obrigação inerente à sua condição de pai.
Por isso, meninas que lêem esta gaja-demasiado-rabugenta-para-ser-verdade, escolham bem o macho com quem vão constituir prole. É que vão ficar ligadas a ele para toooooda a vida, mesmo que o divórcio chegue e não há coisa mais chata, do que estar ligada a um homem que não sabe ser um bom pai para os vossos filhos.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Chamem-me taradinha do pudor

Não me atirem pedras os adeptos/fanáticos do ginásio, mas desde os tempos de colégio que não frequento balneários e nessa altura vestíamos e despíamos a roupa numas casinhas individuais, que aquilo era colégio de pudor jesuíta.
Foi, então, com estúpido assombro que, ao levar a Alice às suas aulas de natação, constatei que a malta anda toda nua de um lado para o outro.
Olha, vou tirar o colar! Espera, deixa-me tirar a cueca também!
Olha, esqueci-me de tirar a aliança! Espera, não consigo tirá-la se não desapertar o soutien!
Malta, olhem, vou secar o cabelo! A roupa aquece muito, enquanto o secador está ligado.
Foda-se, mas em casa, quando saem do banho, vão a pingar todos em pelota pela casa?
Juro que ainda hei-de entender esta embriaguez corporal, mas por enquanto, ainda estou na fase de observação.
Quando vai o Hugo com a Alice, têm que ficar no balneário masculino...

domingo, 17 de julho de 2011

Agora já percebi tudo

A tendência televisiva é para programas de combate à obesidade. Seja através do exercício físico maluco e de incentivos monetários, de bandas gástricas, de by-passes gástricos, de cirurgias estéticas. Eu meto num canal qualquer e lá estão pessoas com excesso de peso a sofrerem para se livrarem dele.
Meto noutro canal e lá estão a falar da comida enquanto vício, enquanto droga do século XXI e eu tremo de cada vez que me apetece comer um doce, depois de uma tarde neurótica. Enfio linhaça na sopa e tomo pastilhas de Omega3 ao pequeno-almoço.
Depois mudo de novo o canal e vejo que a tendência é programas de cozinha. Chefes desvairados, sarcásticos, mulheres com orgasmos culinários, bolos de alto gabarito, malta a lamber os dedos e a rapar o tacho e fico com vontade de cozinhar freneticamente para a minha família. De ter sempre a casa a cheirar a bolos acabados de fazer.
Em que é que ficamos, senhores? Isto é programação esquizofrénica e é precisamente esquizofrénica que me sinto.

sábado, 16 de julho de 2011

Sufoco

Quando estou rodeada de pessoas verdadeiramente imbecis, desprovidas de humanidade, desconhecedoras da palavra humildade e com várias costelas cínicas no esqueleto vertebral, os meus ponteiros ficam descompassados e deslizam pelo mostrador da minha paciência a uma velocidade estonteante.
Jamais me terão como amiga e pergunto-me como é possível sequer terem amigos, movidos por algo além do interesse.
Penso nos meus próprios amigos e como seria bom tê-los ali naquele momento, para limparem o ar com as suas risadas e feitio cristalino.
Tenho dias em que sufoco. Pura e simplesmente sufoco.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

15.07.1975


Sim, já tenho 36 anos. Poderia dizer que não me sinto com 36, que estou aí para as curvas, que sou uma jovem em todos os sentidos, que a minha pele brilha mais agora, do que nos sebos da adolescência, mas estaria a mentir.
A realidade, é que são mais os dias que me sinto com 63, do que com 36.
Sei que, quando chegar à velhice pura e dura, me sentirei com vinte, mas agora sinto-me apenas irritadiça, cansada, generalizadamente podre.
O que vale é que tenho saúde :)
*E nem de propósito. Este é o 1000º post :) Caramba, tantos disparates que já aqui escrevi. Mas não os escreveria noutro lugar qualquer.

domingo, 3 de julho de 2011

Amar

O amor aumenta, decresce, amaina, explode, enfarta-se, fica faminto.
O amor é vertical, horizontal, em espiral e desenha gráficos pouco lineares.
O amor cansa e descansa.
O amor é paciente, impaciente, quente, gelado, preguiçoso, frenético.
O amor é chato como a potassa, faz tanta falta como o raio que o parta.
O amor deseja-se ardentemente, ou deseja-se ardentemente não tê-lo.
O amor é diluído numa profunda amizade, ou destruído numa louca e criminosa antipatia.
O amor é sereno, histérico, profano, sagrado, grávido do mundo inteiro e esvaziado logo de seguida.
O amor é esquizofrénico.
Há apenas uma forma deste sentimento que se mantém como um gráfico linear, em sentido crescente. Uma forma de amor que não sofre as mutilações do tempo e dos dias dentro desse tempo.
Há apenas uma forma de amar que nos estica e nos ensina que amar não mata, antes ressuscita e faz viver, uma e outra vez, ao longo de uma sucessão de números do nosso calendário.
A forma como amamos os nossos filhos.

sábado, 2 de julho de 2011

Se eu pudesse

Andava sempre com uma pequena máquina fotográfica.
Não teria perdido a oportunidade de fotografar as três jovens loiras, bronzeadas, vestidas com motivos florais, todas giras e surfistas num volkswagen carocha descapotável. Do carro saía uma música animada e elas cantavam efusivas e com uma alegria tão própria da melhor das juventudes.
Não estivesse eu em Cascais e poderia jurar que tinham saído de uma série juvenil passada em Beverly Hills.
Só que no banco do pendura ia um velhote.
Tinham que ter visto, para entenderem.
Também teria fotografado um burro escanzelado que seguia à frente do meu carro outro dia, no caminho para o Cascais-shopping.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Irmãos

O António vê a irmã no meio de muitos meninos vestidos de igual. Ele já sabe a mesa onde ela lancha e estende o dedo em riste para ela, com um sorriso de orelha a orelha.
Quando estaciono o carro perto da escola e lhe digo: Vamos buscar a Alice? Ele agita-se, numa excitação enternecedora.
Chateiam-se, gritam-se, empurram-se, têm ciúmes, mas entre os dois já existe um elo forte e invisível, só deles.
As doenças são a dobrar, as birras são a dobrar, o cansaço é a triplicar, a roupa para lavar é a quadriplicar, mas, no final do dia, quando a casa dorme e eu entro nos seus quartos, gosto de os sentir dois. Gosto de os saber um do outro. Gosto que se tenham um ao outro e adoro ver quatro pratos na mesa.

Pequena e acolhedora



Como todas as grandes músicas.
Nunca entendi o porquê de umas músicas nos dizerem tanto e outras tantas não nos dizerem nada.
Esta diz-me muito e acolhe-me sempre nos seus braços, de cada vez que a escuto.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Sei que preciso de um tempo para mim

Quando dou por mim, sentada na sanita, com o António a tentar atirar a chupeta para dentro da mesma, enfiando-a entre o meu traseiro e o tampo.
Sim, sei que sou patética.
Sou uma patética cansada.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Com o Corpo Tramado

Tremo, suo, tenho ligeiros ataques de pânico e volto a tremer, a suar e hiperventilar, só de pensar na junção destas duas palavras: Praia e António.
Praia já não é sinónimo de descanso há alguns anos, mas estou plenamente convencida que este ano terei que carregar um saquinho de soro com Red Bull pela praia e uma fralda para incontinentes.
Sinto-me cada vez mais uma espécie de pajem dos meus filhos, principalmente do mais novo.
Não mexas aí, vem cá, espera aí, não metas o caracol na boca, não esmagues o caracol, não desligues a televisão, não ligues a televisão, não fujas pela porta só porque ela está aberta!!!!
António, vem à mãe, vem cá fofinho, não te voltes a fechar na casa de banho, vais cair, vais magoar-te, entalar-te, decepar-te!
Doce ilusão a minha, que julgo valer a pena proferir palavras de aviso na direcção dele.
Doce ilusão, ou preguiça dolorosa e esperança vã de não ter que levantar-me pela milionésima vez para correr atrás dele.
Sinto-me velha. A sério, o meu corpo está uma carcaça. Os filhos são exigentes espiritualmente sim, mas a nível físico tramam-nos o corpo e eu estou com o corpo tramado.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Já não cheira a merda

Eu sou a pessoa mais politicamente céptica do planeta, mas sinto que se respira outro ar em S. Bento, já não cheira tanto a merda como cheirava.
Gosto que um dos nossos ministros ande de vespa, gosto que o nosso PM viaje, dentro da Europa, em classe económica, gosto que a sua mulher pense que é a Michelle de Massamá, gosto que a Presidente da Assembleia da República seja mulher, gosto que não estejam a pensar em férias nesta altura tramada.
São coisas perfeitamente cretinas, mas gosto à brava de todas e cada uma delas.
Agora vá, já estou de olhos fechados à espera da parte que irá doer.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Salsicha Nobre

Fui só eu que fiquei estupidamente contente com o "chumbo" do Fernando Nobre?
E como é que aquele homem ainda ficou para a segunda volta?
Aliás, como é que ele, vendo que estava a ser motivo de fricção entre CDS e PSD, ficou tanto tempo colado ao desejo de poder?
Espero a qualquer momento notícias do homem barricado no WC da Assembleia da República, com explosivos, a exigir a recontagem dos votos.
Há pessoas patéticas e depois há o Fernando Nobre.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Rubrica: "como saltar para a cueca da SUA mulher em 5 minutos"

Quando a mulher é a sua mulher há já alguns anos, esqueça a escrita. Tirando as listas de supermercado e alguns sms fofinhos a dizerem: Amo-te muito, praticamente nenhuma letra será trocada entre vocês.
O truque para saltar para a cueca da esposa é simples:
Dizer-lhe que hoje trata do jantar, dos putos, da loiça e aspira, enquanto ela relaxa com um copo de vinho tinto. Proceda a estas tarefas enquanto suspira o quanto a vida dela é dura e admirável.
Simples, não é?
Só não garanto que, depois das tarefas todas concluídas, a libido se mantenha, mas vale a pena tentar.

Nova Rubrica: "Como Saltar para a Cueca de uma mulher em 2 dias"

Queridos homens e rapazes deste universo virtual,
Venho por este meio mostrar a minha amizade para convosco, e deixar-vos algumas dicas de engate rápido no gatilho.
Vejo que perdem tanto tempo em roupas cool, sapatos estilosos, carros topo de gama, jeitos no cabelo, perfumes, enfim, tudo aquilo que caracteriza a metro sexualidade (seja lá o que isso for), quando poderiam ter as mulheres todas do mundo aos vossos pés a custo zero.
Ontem, em conversa com a Melissa, percebi que a mina de ouro dos possíveis engates, reside na escrita. Sim, ouviram bem, as mulheres enlouquecem por um gajo que escreva.
Se escrever bem, é o êxtase. Se escrever bem sobre sentimentos, são os orgasmos múltiplos. Se escrever bem, escrever sobre sentimentos e não tiver medo de expor o seu lado mais íntimo, é a entrega total e sem reservas, possível pedido de casamento e paternidade dos filhos que carregará.
Ele pode ser um gadelhudo, barrigudo, com pelos no nariz. Ele pode ser calvo, esquelético e sem pelos em lado nenhum. Não importa, desde que escreva bem.
Concluímos também que o contrário raramente acontece. Os gajos estão-se a cagar para a forma como uma mulher escreve.
Encaram a escrita da fémea, principalmente quando escreve sobre feelings, uma coisa banal, constrangedora até.
Por isso, andamos a pensar, eu e a Melissa, em abrirmos um workshop para iniciação à escrita sentimental masculina, lado a lado com cursos de auto-ajuda para o engate.
Aceitam-se inscrições e prometemos resultados rápidos.

sábado, 11 de junho de 2011

Depois de uma manhã no Chiado

Pergunto:
A loja Muji, essa meca japónica das caixinhas com separadores e agendinhas e caderninhos e cenas que adoro, não se lembrou das pessoas com cadeirinhas de bebé, ou cadeiras de rodas?
Ao deparar-me com um lance de 6 escadas dentro do próprio 1º andar (sendo que o acesso aos restantes andares é feito apenas por uma imensa escadaria), dirigi-me ao balcão e perguntei pelo acesso para pessoas com mobilidade condicionada.
- Ah, se quiser, chamo o segurança para a ajudar com a cadeirinha do bebé.
- Ah, que giro, então e se for alguém numa cadeira de rodas? O segurança faz o quê? Leva-a ao colo e passeia-se com ela pelos corredores?
Acho esta merda inadmissível numa loja que abre portas nos dias de hoje, INADMISSÍVEL.
A partir de hoje, cagarei na Muji. Quero que a Muji se Muji. Aliás, cagarei no Chiado inteiro (para grande desgosto meu).

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Ser um bocadinho mais ou menos

É sair de Portugal, em busca de melhores condições de vida e regressar porque se tem saudades da Feijoada à Transmontana, do Cozido à Portuguesa, dos Pastéis de Bacalhau e de nata, ou daqueles de massa tenra.
Ser um bocadinho mais ou menos é achar que está tudo mal, mas nada fazer para que tudo fique um bocadinho menos mal.
Ser um bocadinho mais ou menos é ir a um concurso que procura talentos, apenas com um bocadinho de talento.
Ser um bocadinho mais ou menos é separar os lixos, mas continuar a cuspir para o chão.
Ser um bocadinho mais ou menos é votar no Partido dos Animais, por achar que estes merecem mais o nosso voto, do que as outras pessoas no boletim de voto que supostamente, representam pessoas.
Ser um bocadinho mais ou menos é ir fazendo quando está de chuva e perder a vontade de fazer quando está de sol.
Ser um bocadinho mais ou menos é, no final das contas, ser português e ser português nos dias que correm é um bocadinho mais ou menos.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

A A

Já não sou dona de mim. O meu coração pertence-vos irremediavelmente.
Este músculo que me mantém viva, é agora vosso e bate convosco e por vocês, compassando e descompassando o ritmo ao ritmo dos vossos pequenos gigantescos corações.
Isto de amar um filho, é das sensações mais maravilhosas e mais assustadoras do mundo.
Ficamos donas de um universo inteiro de emoções, mas muito sozinhas nos medos próprios de quem gosta assim demais.

Posição Fetal de Mim Mesma

Regressar à posição fetal e fixar um ponto bem longe. Daqueles pontos que nunca chegamos a ver de verdade, pois o nosso olhar fica turvo pelo sono acumulado.
Silêncio e não ter que produzir pensamentos, nem frases, nem piadas, nem coisas estupidamente inteligentes.
Não ter que cozinhar.
Não ter que arrumar.
Era isto que queria.
Ah e podia ser só durante um dia, que já me sabia a pato.

domingo, 5 de junho de 2011

Hoje, em dia X, é isto

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!

José Régio

segunda-feira, 30 de maio de 2011

A Arte do Enrabanço


Em Portugal enraba-se muito e várias vezes ao dia.
Enraba-se porque se tem uma vida medíocre e é preciso não deixar os outros alcançarem objectivos.
Enraba-se, porque se tem frustrações e é urgente descarregá-las em quem se atravessa no caminho.
Enraba-se, porque sim, porque nim, porque não? Enraba-se.
Em Portugal quem não avança, não deixa avançar, quem não progride adora lançar areia na engrenagem dos que querem progredir.
Em Portugal se falta um carimbo para se salvar a vida a alguém, não se salva a vida, pois que falta um carimbo.
Em Portugal dificulta-se, puxa-se para trás, diz-se que não só porque sim.
Em Portugal o enrabanço mútuo e do Estado para com o seu Povo atinge níveis de verdadeira sodomia.
Por isso é tão bom, quando se cruza alguém no nosso caminho que nos desencrava, que nos empurra para a frente, que nos descomplica a vida.
Por isso, quando outro dia o rapaz da Emel, que se preparava para me passar um papelinho, decidiu perdoar-me a "grave infracção" com um sorriso (e não, não foi pela minhas pernas boas), aquilo me soube a milagre.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O mundo podre em que vivemos

Ontem, ouvi da boca de um sociólogo (a propósito do tal filme da miúda a ser espancada) aquilo que temo há já algum tempo:
"Hoje em dia, as coisas não existem antes de serem partilhadas on-line."
Ando a remoer nisto e a pensar nisto e a odiar isto, pura e simplesmente, porque é cada vez mais verdade.
Se não partilharmos a nossa vida on-line, fica tudo em suspenso. Não vivemos de facto aquele momento. Passamos o momento em si a fotografar, a filmar, a documentar. Só quando o vemos publicado, é que a coisa faz sentido, através das reacções dos outros.
Recuso-me a entregar-me a esta merda, recuso-me a achar saudável páginas do facebook de crianças de 5 e 6 anos.
Recuso-me a ser moderna a este ponto.
Já sei que o mais provável é vir a engolir as minhas recusas todas num futuro próximo, mas deixem-me lá ter as minhas teorias por mais uns tempos.

terça-feira, 24 de maio de 2011

A Prostituição a vários níveis

Gosto de ver que a prostituição vai bem de saúde. Em época de crise, é preciso fazermo-nos à vida e, se para isso, for preciso ir para uma tribo ser cuspida, lambida, cheirar entranhas de carcaças de bode, dormir ao relento, carregar com fardos em cima de hérnias discais, limpar o cú a calhaus, ser proibida de tocar em água, simplesmente porque se é mulher, ser equiparada aos animais precisamente pelos mesmos motivos, bora aí.
Falaremos nós de tesos e desempregados?
Pois claro que não, falamos de malta famosa não sei bem porquê. Mas famosa, caraças e, supostamente com carreiras tão interessantes, como empresariado, futebolismo, vedetismo e estupidez.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Época de Guronsan/Água das Pedras/Chá preto

Que é como quem diz:
Época de campanha eleitoral.

sábado, 21 de maio de 2011

Este Levava-me ao Altar



Já passei a fase de vibrar e sonhar com carros todos giraços e estilosos e potentes e charmosos.
Também não sonho com sapatos, nem com carteiras de todos os tamanhos e formatos, pois acabo sempre por andar com a mesma carteira o ano inteiro (padeço da maleita preguiça-da-troca-da-malita).
Quanto às rodas, gosto de um carro fiável, seguro, com espaço na bagageira e pouco mais.
Mas de cada vez que me cruzo com uma coisa destas, o meu olhar fica estupidamente vidrado. Não sei se é pela garra, pela força, pela pujança que transmite. Mas imagino-me no Campo em Inglaterra, rodeada de ovelhas e lama, encaminhando-me para a minha quinta na Escócia, montada numa merda destas.
Depois, se qualquer coisa corresse mal pelas terras de Sua Majestade, vendia o bicho e, com o dinheiro, comprava um T2 em Albufeira.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Clube de Vídeo

Ainda me lembro do primeiro VHS que tivemos em casa. Um bajoulo da Grundig, que me provocou arrepios de emoção, quando penetrou no interior da nossa casa.
Seria possível? Poderíamos nós ver filmes sem ir ao cinema, rever outros tantos no aconchego do lar, meter pause, para a frente, para trás, as vezes que nos apetecesse?
Lembro-me do ritual de ir ao Video-Centro que tinha aberto ao fundo da rua e passar horas a escolher os filmes para o fim de semana, ou para aquela tarde de férias. Percorria as filas de títulos, emocionada por tantas possibilidades.
Nos primeiros tempos de namoro com o Hugo, lembro-me perfeitamente do ritual de irmos alugar filmes para o fim de semana e de como era bom andarmos pelo Block-Buster, ou pelo minúsculo clube de vídeo deste sítio onde moro, onde uma rapariga sem o menor gosto para filmes, me aconselhava sempre os filmes errados e eu, gaja bem educada e tímida, quando os devolvia, dizia sempre que tinha gostado muito.
Pensava muitas vezes que, quando tivesse filhos, os levaria a escolherem filmes, a correrem entre as prateleiras infantis e a vibrarem, tal como eu vibrei durante tantos anos.
Mas a internet chegou e, feliz ou infelizmente, o ritual do clube de vídeo foi desaparecendo. Fechou o Block-Buster, o Video-Centro passou para um contentor e o pequeno clube de vídeo do sítio onde moro, passou a abrir só a partir das 5 da tarde e ontem, quando passei por lá de carro, apercebi-me que tinha fechado também esta pequena ilha resistente de fantasia para alugar.
E pronto, tenho saudades.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Zzzzzzzzzzzzzz - pausa - Zzzzzzzzzzzzzzzzzz

Que organizada que sou. Não tenho moleskines, nem Ipad's, nem post-its, mas sei reger o meu tempo pelo tempo dos outros, mais concretamente pelo tempo dos miúdos.
O meu tempo caminha em função do tempo dos meus filhos e eu sinto-me a deusa do lar.
Olhem para mim tão cheia de organismos organizados, olhem para mim a conseguir fazer tudo, sendo que tudo inclui uma palete de tarefas tão dispares, como trabalhar, alinhavar um arroz de atum, mandar a roupa suja pela escada abaixo, dar banho a um bebé de dentes a nascer, tentar que os dentes nasçam, tentar que o bebé durma. Ouvir a filha mais velha a dizer que está aborrecida e sentir-me a melhor e a pior mãe do mundo em várias fracções de segundo.
Olhem para mim tão completa, tão de bem com o universo cósmico, paralelo e afins.
Cai a noite e deposito-os nas suas camas. Conclúo que amo muito os meus filhos quando eles dormem.
Depois acho que a noite é minha e planeio ler, ver filmes, notícias sobre o gajo que viola empregadas de hotel, séries, dar a mão ao Hugo.
Olhem para mim ainda jovem, ainda culta e informada.
Às 10 da noite preparo-me para ser a Anacê independente e maravilhosa. Meto o filme na televisão, inspiro profundamente o ar que rodeia uma gaja estupidamente interessante e... Adormeço.
À 1 da matina acorda o bebé, pois que chora, pois que está incomodado com a merda dos dentes que rompem sem romperem, que massacram.
Acalma-se o bebé. Anacê inspira, roda e rebola pela cama abaixo e acima e não consegue adormecer.
Passados anos, lá caio num sono profundo e volto a acordar, pois que a filha mais velha tosse, pois que não serena, pois que precisa de se assoar e de pôr soro e de tossir até cuspir a alma (a dela e a nossa).
E agora é altura de parar de me descrever a mim e aos meus dias e noites. Corro o risco de ficar deprimida.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A outra vida

Nas fotografias tudo é perfeito.
Elas mostram apenas aquele cagagésimo de segundo de felicidade e congelam-na, para podermos recordá-la vezes sem conta.
O sorriso pode ter sido rasgado apenas para a objectiva. Pode até ter surgido uma discussão violenta, um choro, uma birra, uma expressão zangada, um bufar de impaciência, logo após o disparo do botão. Elas não mostram o cansaço, o silêncio incomodado, nem o calor que se fazia sentir. Elas não mostram nada do que vai por dentro. Mas o que ficou foi aquele sorriso, naquele lugar bom e assim a vida parece uma sucessão de momentos perfeitos. Assim apetece até acreditar que é possível.
É claro que não falo das fotografias que revelam o lado negro da vida, das fotografias de jornalistas que nos impressionam, comovem,incomodam. Falo das nossas fotografias, daquelas que escolhemos, ou não partilhar. Daquelas que fazem a nossa vida parecer magnífica aos olhos dos outros.
Ando farta da obrigação de fotografar tudo.
Bem sei que imortalizar a felicidade em pequenos frames, é das coisas mais mágicas que possuímos, mas é uma prisão tremenda.
Quero ver pelos meus olhos. Descansar da obrigatoriedade de imortalizar tudo e todos.
Quero viajar sem máquinas, só com a máquina da minha memória.
Sei que jamais cumprirei este objectivo, porque me sinto culpada quando não fotografo, mas é um ideal que vai tomando forma no meu interior cansado das obrigações do mundo.

domingo, 15 de maio de 2011

Um beijinho no teu coração

Desculpem as amigas que já me enviaram beijinhos no coração (sei que foram todos de coração), mas de cada vez que escuto esta frase, imagino o orgão ensanguentado, latejante. Feito de músculo, veias e artérias e o grégório sobe pela glote.
Em última instância, lembro-me sempre do filme "Indiana Jones e o Templo Perdido", em que há um tipo sinistro que arranca corações com a mão e os come.
Imaginar alguém a dar um beijo ali, digamos que não me comove. Acho um bocado vampiresco.
Outra que também me leva às nuvens é: Abracinho.
Eu sei que todos os abracinhos são de facto estupidamente fofinhos, mas eu cá gosto mais de abraços e de bacalhaus.
Abracinho é abraço de anão.
E hoje é isto.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Odeio Sonhar

Não sei o que é que pensam do assunto, mas eu cá odeio sonhar.
Se o sonho é mau, fico com o dia envenenado. E primeiro que me convença que não passou tudo de um sonho, peno muito.
Por exemplo, se sonho que o Hugo me abandonou, passo o dia todo de trombas com ele, pondero até o divórcio e faço questão de lhe mostrar que aquela merda que ele fez, não se faz.
Se sonho que alguma coisa acontece às crias, passo os dias seguintes angustiada, mal disposta, com uma sensação de fim de linha.
Se o sonho é bom, peno na mesma, pois odeio acordar de um sonho que me põe feliz. Odeio a sensação de que tudo não passou de um sonho e fico frustrada o resto do dia, por aquela merda fascinante que me aconteceu, não ter de facto acontecido.
Sonhar acordada também não curto. Acho chato, acho que me desconcentra, que me desnorteia, que me estupidifica.
Vai daí, concluí que os sonhos sonhados, mais não são do que partidas sádicas que pregamos a nós próprios e vou procurar na net comprimidos para deixar de sonhar.

domingo, 8 de maio de 2011

Di Profundis Pensamentus

Quero dormir.
Quero ceder a um filme chato que passa na televisão, enroscar-me no sofá e deixar-me adormecer, sem ser acordada passados dois minutos e meio.
Quero acordar por mim própria.
Quero dormir.
Quero deixar de me sentir sempre cansada.
Quero dormir.
Quero dormir como se tivesse levado com um tijolo na cabeça.
Quero dormir.
Se repetir isto muitas vezes, pode ser que consiga.

sábado, 7 de maio de 2011

A Casinha da Matilde

A propósito de mulheres determinadas, conheço uma que teve uma filha há três meses atrás e viu o seu emprego desaparecer.
Em vez de ficar a lamentar-se pelos cantos, decidiu que podia tentar uma coisa que realmente gostasse de fazer e assim nasceu este blogue.
Ontem, pedi-lhe que me arranjasse uma solução para a Miss Desenho que tenho cá em casa e que anda sempre de folhas e canetas atrás para todo o lado onde vamos.
Aqui está o que ela improvisou em 24 horas :)

sexta-feira, 6 de maio de 2011

A Feminista que nasceu em mim

Nunca gostei de feminismo, de machismo, de nazismo, de putismo, ou do que quer que fosse que terminasse em Ismo e que dissesse que uns são melhores do que outros.
Mas, os dias, os meses e os anos passam e dou por mim a valorizar cada vez mais o bicho fémea, sem Ismos.
Há gajas estupidamente completas, ousadas, ambiciosas, corajosas, inteligentes, sensíveis.
Basta andarmos a vaguear pela blogosfera para sentirmos que há muito mais mulherio completo do que poderia imaginar-se.
Mães que se dedicam a causas e aos filhos. Mulheres que escrevem com o coração na ponta dos dedos, sem se desligarem do seu lado racional. Esposas que esperam os maridos em viagem, ficando com os filhos. Esposas que acompanham o marido em viagens, por amor.
Mulheres que vão à luta por elas, sem motivos de amor. Mas que iriam à luta por amor, se fosse caso disso.
Mulheres que se empenham apaixonadamente numa missão, para logo a seguir se entregarem com a mesma paixão a outra coisa qualquer.
Caraças, a mulher é sim um bicho fascinante, que se atira de cabeça, sem perder a cabeça. Que rasga o coração e ao mesmo tempo estanca a hemorragia que um coração rasgado provoca.
Tenho pena de não ser tão fascinante como elas, mas admiro-as mesmo assim, muito.
Também tenho pena que haja tanto mulherio preocupado em desconstruir outro mulherio, com inveja de mulherio diferente. Pois a amizade no feminino é uma das coisas mais brilhantes que se pode ter na vida.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O Choque, o horror

Então e vocês perguntam, tal como eu:
Como é que a Suíça nunca está em crise?
Todos os países na mais profunda merda e a Suíça sempre nos trinques, com malta a emigrar para lá a torto e a direito, com Alpes e flores e vaquinhas.
Durante muitos anos pensei que era por causa dos chocolates, dos relógios e do fondue de queijo.
Aquele povo tem uma sorte do caneco, pensava eu, enquanto lia as histórias da Heidi e da Abelha Maia. Sustentar toda uma economia com chocolate e queijo, é do caralhinho sim.
Por isso, hoje fiquei tão chocada com esta notícia.
Foi a queda de um sonho que acalentava desde a mais terna infância. Um sonho feito de vaquinhas roxas e brancas e de pão mergulhado em queijo a ferver.
Lacrimejei.

Foi isso e ter ficado a saber que os Estados Unidos fizeram uma cerimónia fúnebre, respeitando os rituais muçulmanos, do bicho que dizem ter morto.
Sim, eu ainda acredito no Pai Natal.

domingo, 1 de maio de 2011

Amar-vos

De tudo o que escolhi e que me escolheu. De todos os lugares que conheci e que me conheceram. De todos os dias que preenchi e que me preencheram. De todos os passos que conduzi e que me conduziram. De toda a minha vida, numa imensidão de lados que não vi, que desejei, que programei, que destinei. De todo o meu passado vão, ou repleto de sentido. De tudo o que vi e escutei. De tudo o que senti na ponta dos dedos e na carne feita de sangue do meu coração. De todas as coisas boas e más. De tudo o que sou, vocês são, irremediavelmente.
Vocês são a minha vida inteira para trás e para a frente. Do avesso e do direito.
Quero-vos tanto, quanto me cansam. Amo-vos tanto, quanto a dor do medo de vos perder.
É tudo proporcional a vocês.
Amo-vos com o amor que doi e que apazigua, com a calma enervada dos que esperaram tudo e nada.
Amo-vos completamente, até ficar vazia.
Alice e António. Os dois A's que me fazem e desfazem de amor.

domingo, 24 de abril de 2011

24 de Abril de 2011

É oficial. Não sinto nostalgia pela ditadura.
Não é por não ter vivido essa realidade que não me sinto nostálgica, pois muitas são as vezes que tenho saudades, ou nostalgia de alguma coisa que nunca vivi. E também muitas são as pessoas da minha idade que apregoam a Outra Senhora com voz rouca de emoção, sem nunca terem tido o "prazer" de se cruzarem com ela na vida.
Eu cá gosto pouco de ditaduras. Só o nome me chateia. Alguém que é duro e que dita. Não é para mim, que gosto de ajudar a fazer as regras que me regem, de as questionar, de as poder pensar em voz alta, ou em palavra escrita.
Também sei que a minha querida democracia tem passado muito no meu país, pois o povo desta terra, gosta de ser governado sem dores de cabeça. Gosta que mandem nele. Não está habituado a esta inovação de ter algum poder. A malta por aqui gosta de ter uma mãe tirana, que decida por eles, sem que tenham que pensar. Ir votar é trabalhoso. Desenhar uma cruz, um martírio. Fazer parte do destino de um país é sobre-humano.
Isto também vale para os que abusam deste bonito sistema e se valem dele, para ditarem os nossos destinos, para se encobrirem sob o seu suave manto, para manipularem debaixo do seu véu.
Mas ainda assim, não tenho nostalgia, nem suspiro por sistemas que são duros e que ditam.
A Democracia continua a ser o mais perfeito dos imperfeitos sistemas. Pena é que ainda não tenhamos percebido a melhor forma de o usar.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Dentro do Meu Coração

Dentro do meu coração, habitam filmes pequeninos. Filmes que nunca foram sucessos de bilheteira, que nunca foram sucessos ponto. Mas que nunca esqueci. Vá-se lá saber porquê, há duas mãos cheias de filmes pequeninos dentro da minha vida. Filmes que não sofreram a erosão do tempo na minha memória. Filmes que me fazem feliz por tê-los visto.




quarta-feira, 20 de abril de 2011

Porquê?



Ontem, num rápido e infrutífero zapping pela vasta gama de canais disponíveis, apercebi-me que a malta hoje em dia tem orgasmos com pessoal que grita, manda à merda, humilha e espezinha os outros.
São gordos achincalhados, aprendizes de cozinha escaldados verbalmente, concorrentes que julgam ter talento, atirados para uma poça de lama. Enfim, é só escolher. Há um humilhador presente em cada sucesso televisivo e vários humilhados que se oferecem com prazer, em troca de uns dólares.
E eu pergunto porquê?
Atenção, eu não digo que não sinto um certo deleite com este tipo de terrorismo, só não sei é porquê. Certamente que existem dezenas de psicólogos disponíveis para avançar com uma explicação. Mas até lá, vou refrear este instinto primário de parar a ver por uns minutos, um programa humilhante-depressivo, como os mirones que param para usufruir de um belo acidente de automóvel na estrada.

sábado, 16 de abril de 2011

Então é isto que temos?

Agora a sério, vocês estão a gozar comigo, não é? Vá, deixem-se desse humor sádico e venham de lá os candidatos para governarem esta choldra.
O quê? Esses não são só a primeira parte do número de circo? São mesmo esses biltres que é suposto governarem a coisa?
E aquele senhor que quer bater com o martelinho no trono da Assembleia da Ré-Pública, não é um figurante do Vítor Hugo Cardinalli-secção-palhaços-tristes? Ele existe mesmo?
Ãh, ãh. Não há assim uma espécie de FMI que traga uma ajuda? Uma equipa sueca, ou norueguesa de malta que nos queira endireitar e devolver-nos um sentido de esperança?
Ah, não há? Boa. E onde é que eu ponho a cruz, sem sentir que estou a espetar com uma cruz no meu próprio lombo?
Ok, vou continuar a dar ao neurónio, pode ser que entretanto, me sinta mais iluminada.
Até a luz chegar, acabaram-se as notícias. É que uma pessoa frágil, é bem capaz de chegar ao final do mês e premir um gatilho na têmpora, só pelo simples facto de assistir a um telejornal por dia.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Fetiches

Assim que fecho a última página de um livro de que tenha gostado, atiro-me para dentro da net e cusco tudo o que há para cuscar sobre o seu autor, locais descritos, personagens.
Se o escritor já morreu, planeio viagens aos locais onde viveu quando escreveu as suas obras, faço questão de visitar a campa, sonho em olhar o mesmo céu que ele olhou, encontrar a casa onde viveu.
É claro que na maior parte das vezes, nada disto se concretiza. Tirando as viagens pela net e pelo google. Mas sou assim, cuscuvilheira acerca dos meus ídolos.
Lembro-me de, há muitos anos atrás, ter lido uma biografia da Isadora Duncan e de ter ido a Paris nesse ano, arrastando as minhas amigas ao Cemitério Pére Lachaise, só para descortinar a campa dessa tipa de vida trágica. As minhas companheiras bufaram, protestaram, não entenderam. Para elas era a campa do Jim Morrison e pouco mais, mas para mim, aquele local de repouso eterno era um mar de potencial. Era a oportunidade de agarrar um bocadinho (ainda que o bocadinho mais mórbido) da vida dos inalcançáveis.
Queria descobrir todas as campas pouco concorridas e sentar-me ali, de conversa com os meus ídolos.
Visitar a casa onde nasceu e a casa onde viveu o Mozart. Imaginá-lo ali, a tocar as suas primeiras obras, a dormir, a respirar, foi do mais mágico que já me aconteceu.
Por tudo isto sei que um dia, quando tiver acumulado muitos milhões de dólares, organizarei a minha viagem de sonho, com passagem por todas as aldeolas, cidades, tascos, por onde já passaram os meus fetiches :)

domingo, 10 de abril de 2011

O Meu Novo Inspector Catanni



Enquanto via hoje o Tropa de Elite II e constatava que no Brasil se fazem filmes ao mesmo nível dos Estates, pensava nas semelhanças entre este Roberto Nascimento e o meu querido Corrado Catanni da série O Polvo.
O olhar entristecido por muita merda vista, a expressão insondável e dura, mas cheia de sentimentos, enfim, se já tinha gostado do I, este Tropa de Elite II encheu-me cada buraquinho das medidas.
Adorei o filme e adorei as representações de cada um dos actores.
Vou deixar aqui uma expressão que apanhei de um dos polícias corruptos FDP, para outro polícia corrupto FDP. Quem sabe um dia não a uso:
Se sê quer me foder, me beija cara.

sábado, 9 de abril de 2011

Saudades do Volume no Máximo

Tenho saudades de ouvir música.
Não como barulho de fundo, ou como acompanhante de uma qualquer tarefa, mas ouvi-la, com toda a atenção e dignidade que merece.
Tenho saudades do volume no máximo, sem vozes a pedirem-me que baixe o som, ou sonos imperturbáveis.
Tenho saudades de ouvir uma ópera e não me dedicar a mais nada, além de sentir o balanço de cada nota entoada no meu interior.
Tenho saudades de fingir que rejo uma orquestra com uma esferográfica, de fingir que canto alguma coisa de jeito, tentando acompanhar os meus heróis e heroínas vocais.
Tenho saudades de me comover com uma voz, com uma ária, com uma nota estudadamente deslocada.
Tenho saudades de prestar homenagem à música com um copo de vinho e um cigarro (hoje em dia, teria que ser imaginário).
Tenho saudades de quando era antes de tudo, do quanto era antes de o tempo ter passado e me ter roubado estes momentos.
Hoje em dia, o único sítio onde me dou ao luxo de ouvir música com o volume no máximo, é nas minhas raras viagens de carro sozinha. Mas não presto aí homenagem à música. Assim que chego ao meu destino, desligo abruptamente o carro, sem grandes cedências e aquilo faz-me mal. Cortar assim a voz de alguém porque cheguei ao supermercado, é fodido, ofensivo até.

E pronto, usei tudo isto, como uma maneira subtil de limpar a minha reputação. Não podia vangloriar-me acerca dos Roupa Nova, sem deixar escrito que também curto outro género de música. Chiça, que sou mesmo polivalente e perfeita

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Mulherio nascido nos anos 70



Digam-me que também ouviam Roupa Nova, como se disso dependesse a vossa vida :)
O Youtube é de facto uma cena fascinante. Estou bem capaz de ficar a tarde inteira a entoar os refrões deste meu grupo de meninice.

As Novelas da Minha Vida



Se me perguntarem o que é que faz uma novela inesquecível, não consigo responder. Pelo menos sem pensar um bom bocado sobre o assunto.
Sei que existem personagens que nunca esqueci, por muitos anos que tenham passado. Personagens interpretadas por actores pouco bonitos por fora e com um mundo inteiro por dentro.
Na altura em que as novelas me prendiam do primeiro ao último episódio, tudo era mágico. Eu conseguia passar o final de tarde feliz, porque à hora do jantar, teria aquela história à minha espera e os destinos daquelas pessoas, mais um bocadinho fechados a cada capítulo.
Os horários eram inalterados e respeitados, a história era contada magistralmente e tudo aquilo se revestia de uma grandiosidade que eu, do alto da minha pré-adolescência, venerava.
Não era preciso passar-se muito em cada episódio. Não havia a pressa, o consumo fácil, o zapping. Tudo era contado com tempo.
O Sinhozinho Malta, a Viúva Porcina, A Tieta, o Professor Astromar, a Perpétua, a Fedora, a Fernanda Montenegro (todas as personagens que interpretou), o Paulo Autran, ainda habitam no meu imaginário e ainda dou por mim a repetir em voz alta, certas frases.
Lembro os chavões, os tiques, os trejeitos, que cada actor decidiu puxar para o seu personagem e sorrio, cheia de uma estranha nostalgia.
Hoje em dia, com a banalização das novelas e a preferência dada à aparência física, em detrimento do talento, tudo perdeu a magia. Nada fica na memória, nada nos agarra com a determinação de antigamente e a novela que passou há uns meses atrás é facilmente trocada, ou confundida com as dez que passam durante um dia.
O que é que aconteceu para a magia ter fugido?
Provavelmente fui apenas eu que cresci. Mas qualquer coisa dentro de mim, me diz que não vai haver outro Lima Duarte, ou outra Fernanda Montenegro que imortalizem personagens da mesma forma e isso é triste, caraças.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Fecundação de uma Cidadã numa Manhã


Vamos tentar não falhar a árvore e centrar bem a coisa. Hmmmmm, é só alinhar as riscas com o tronco eh voilá!!! Uma obra prima da arte de escolher inteligentemente o local de uma passadeira.


A cadeirinha vermelha que se consegue ver, alberga o meu puto. Não tem tracção às quatro rodas, nem rodas de dimensões generosas e resistentes. É uma cadeirinha holandesa, feita para passeios de alcatrão, lisos e sem buracos. Ainda hei-de registar a patente de cadeiras para putos portugueses. Vão ser as Hummer dos bebés.
Mas eu ainda tenho força para superar obstáculos. Já as duas velhotas de braço dado que passaram por mim nesta aventura, estavam aterrorizadas, receosas pela própria vida. E não era para menos.

Atravessei este cenário de guerra, para chegar a outro cenário miserabilista, deprimente, suicídio-provocador. As instalações da Segurança Social, com mais bebés por milímetro, do que propriamente adultos. E quase posso jurar que vi um Nenuco embrulhado numa manta, nos braços de uma rapariga desesperada por atendimento prioritário.
As persianas quebradas, um calor de fazer nascer fungos, um cheiro a sovaco, a peido. Enfim, eu juro-vos, que como trabalhadora independente que sou, ter que me deslocar a estes antros para cumprir com uma qualquer obrigação, me deixa ensandecida, fecundada ao ponto da loucura.
Eu quero cumprir, mas tudo ali me leva a fugir, tudo me afasta, tudo me dificulta a vida, tudo, tudo, tudo.
É oficial. Só quem nunca viajou até um país civilizado, acha esta merda idílica.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Mãe e Alice

A tua mão direita pousa sobre o lado esquerdo da minha cara, enquanto dizes que vais ter saudades minhas e que vais pensar em mim ao longo do dia.
Olho o desenho que fizeste de manhã, enquanto esperavas que te fizesse o pequeno-almoço. No desenho leio: Mãe e Alice. Palavras que escreves já com a desenvoltura dos mais crescidos.
Olho vezes sem conta aquelas duas palavras e junto-as dentro do meio do meu coração, enquanto olho a pilha de desenhos que se amontoam na porta do frigorífico.
Sei que somos uma da outra para sempre. Não é sermos possessivamente uma da outra. Não é acharmos que nos pertencemos como donas. É pertencermo-nos dentro deste amor que sentimos e que mais ninguém sente. Porque mais ninguém sabe o que é ler Mãe e Alice naquele desenho na porta do frigorífico e sabermos que tudo até ali foi certo, apesar de muitos erros. Que tudo até ali foi a direito, apesar de tantas curvas. Tudo até ali foi para juntar estas duas palavras no meio do meu coração.
Mãe e Alice.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Azares de Caca

Verdade seja dita, não são muitos nem graves. Mas moem.
Por exemplo, as caixas do supermecado. Faça eu o que fizer, vou sempre escolher as que empanam. Ou porque a senhora à minha frente decide pagar com tickets, ou vouchers, ou lá que merda é aquela. Ou porque o artigo do cliente à minha frente não tem preço e é preciso ir investigar, a 10 Km de distância e não há forma de o homem dizer que deixa ficar o produto.
Ora porque é mudança de caixa e é preciso retirar a gaveta com os trocos e fazer o aparatoso log-in do novo funcionário. Ora porque fui escolher o novato que não consegue passar nada no código de barras e tem que escrever tudo à la pata.
Enfim, juro-vos que não há dia no supermercado que não leve com um bloqueio assim.
Depois temos as famosas chaleiras azuis, motinhas Piaggio de caixa fechada, que continuam a preferir a dianteira do meu carro quando estou atrasada.
Quando vejo o par de sapatos que procurei uma vida inteira (ahahaha) nunca, mas nunca, nunca, nunca,nunca há o meu número.
Também nunca respondo à letra a ninguém no timming certo. A melhor, mais eloquente e brilhante resposta surge sempre no caminho de volta a casa, quando o diálogo perfeito se desenrola na minha cabeça e dou estalos a mim própria por não ter dito exactamente aquilo, daquela forma.
Enfim, podia passar a noite inteira nos azares de caca, que são muitos e pequenos, mas auto-enfadei-me. Uma capacidade que tenho desenvolvido a um ritmo alucinante nos ultimos tempos.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Adoptar

Podia gastar muitas linhas a falar do que sinto sobre isto.
Tanto me revolta, quando entendo que as crianças adoptadas, são entendidas como matéria descartável, que se pode devolver quando não agrada. Ou que são escolhidas em função da idade, cor de pele, ou de cabelo. Como me encanta, de cada vez que vejo uma criança ganhar uma nova vida e conhecer o significado da palavra família.
Sei que há pessoas capazes de distribuir amor a estes miúdos carentes, sei que há pessoas, heterossexuais, homossexuais, verdes, castanhas, amarelas, solteiras, casadas, amantizadas, capazes de serem excelentes pais e mães para estes meninos que nada conhecem do que é ter uma casa para onde regressar depois da escola. Um porto seguro e quente, onde os beijem antes de adormecerem e onde os façam sentir que importam e que são válidos.
Por isso me chateam os entraves a isto. As picuinhices, as merdices, as burocracias.
Por isso admiro tanto quem luta por uma criança sem ninguém e a faz um pouco sua, mostrando-lhe que é possível conhecer o lado de dentro do amor, criando laços que jamais existiram, construindo um passado do zero, de peito aberto.

domingo, 3 de abril de 2011

Berlusculhoni

Para quê senhores? Para quê investirem na realização de uma reportagem sobre o perfil de Berlusconi, quando tudo podia ter-se resumido à exibição desta clássica imagem?


Juntamente com a imagem, podiam ter-se lembrado de exibir em modo non-stop, as imagens de quando este senhor levou com uma miniatura da Catedral de Milão na fronha.
Eu cá teria agradecido.