quinta-feira, 15 de março de 2012

"A Mulher é o único ser que quer mudar, mesmo quando está bem"



Há medida que os anos vão passando no meu calendário, as minhas exigências e prioridades em relação àquilo que importa, vão girando e mudando de posição, como uma roda gigante, daquelas onde conseguimos avistar a cidade inteira quando estamos lá em cima, ou apenas o chão de cimento, quando ficamos em baixo.
Se no princípio de tudo, eu queria sempre a vista inteira da cidade. Desejava tudo de alguém. Desde as flores, aos beijos, aos poemas, à filosofia, às tiradas excepcionais, ao romantismo irrepreensível (daqueles que vimos nas comédias românticas), ao gosto pela mesma música. A pessoa que seria a minha metade, teria que me encher de tudo a todas as horas e minutos, pois eu não merecia menos. Hoje, aos-mais-para-os-quarenta-do-que-para-os-trinta, são muito mais as vezes em que aprecio a firmeza do chão de cimento, às tonturas da vista lá de cima.
Hoje sei que não é possível tudo, todos os dias e a todas as horas e que exigir isso de alguém, em modo permanente, é uma espécie pontapé em nós próprios. É pedir o fracasso.
Entendermos que podemos estar bem, sem termos que ter tudo a cada instante, é uma prova de que conseguimos largar um bocadinho do pêlo feminino que nos cobre a pele, e que nos foi incutido desde cedo pelos contos das princesas beijadas, que viveram felizes para sempre com o seu príncipe perfeito e imaculado.
As relações têm mácula e aceitarmos a possibilidade das nódoas, da falibilidade alheia, é meio caminho andado para vivermos livres das ânsias femininas que nos consomem.
É que isto de ser mulher, não confunde só os homens. Muitas vezes põe-nos doentes.


*Frase ouvida na entrevista do MST, ao Dani Oliveira.

quarta-feira, 14 de março de 2012

cansada

Depois do stress da operação (apesar de simples, eu sei, mas não deixou de custar), à minha filha e de ela se ter portado como um verdadeiro copo de açúcar e doçura (tirando o acordar da anestesia, em que revivi o exorcista inteiro).
Depois de o António ter apanhado escarlatina nos dias que antecederam a operação e nós não sabermos se ela teria a bactéria, ou não e, logo, se teria que ser adiada a intervenção, ou não.
Depois de vários dias de nervoso miúdinho e grandinho.
Depois de muitas decisões e desempates médicos, em que tive que reaprender a ouvir o que dizia o meu instinto.
Depois de passado o pior, de a tosse nocturna ter desaparecido, juntamente com os adenóides. Depois de eu querer beijar o otorrino por me ter devolvido as noites sem tosse (entendo agora os desenhos na sua parede e percebo que devem ter sido as mães a desenhá-los).
Hoje o António acorda de novo todo às pintinhas.
Foda-se. Estou tão cansada do exercício da enfermagem, vinte e quatro, sobre vinte e quatro horas, mas tão cansada, que só me apetece ganir.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Onde Estará

Onde estará aquele que me levará embora os minutos vazios da noite, cheios da sombra da rotina e os trocará por emoção?
Onde estará aquele que me arrancará daqui, em direcção a tudo o que tem para me contar e me transportará nos seus lábios de letras sem fim, até ao seu mundo?
Onde estará aquele que me comoverá e me fará carregar para sempre a sua história, bem dentro daquelas memórias que não acabam nunca?
Em que prateleira dormirá, à espera que as minhas mãos o encontrem, à espera que dele me falem, aguardando voltar à vida, mais uma vez através do olhar de alguém, do meu olhar?
A Melissa falou-me neste livro, mas estava longe de imaginar que seria um grande amor.
Agora parto em busca do próximo. Falhando muitas vezes, superando outras, desistindo outras tantas, mas sempre à espera de um outro grande amor, que pareça conhecer-me desde sempre e ao qual me apeteça retornar vezes sem conta, em pensamento.

sábado, 10 de março de 2012

Drive Cobra






Nesta fase da minha vida, divido os filmes em duas categorias:
Os que me fazem adormecer.
Os que não me fazem adormecer.
O Drive manteve-me bem acordada, sim senhora, mas trouxe-me à memória um filme mais antigo, com esse mítico e irrepreensível actor, Silvestre EstAlone.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Celebre o dia da Mulher II

Acabei de receber um SMS da Midas: Celebre o dia da mulher com um check-up gratuito.
Será que vão fazer rastreio da mama?
Mas quem é que trata do marketing das oficinas? Serão os próprios mecânicos? É que, a sério...

Celebre o Dia da Mulher

E venha à Santogal. Na compra de dois tapetes para o carro, oferecemos uma lavagem.
Este é, provavelmente, o SMS mais enternecedor que já recebi em toda a minha existência feminina.
É preciso um conhecimento íntimo da mulher, uma sensibilidade exagerada, uma profundidade materna para engendrar uma publicidade assim.
Que mulher é que resiste a isto, ãh?
Eu vou já a correr celebrar o dia da mulher e comprar dois tapetes para o carro, um para cada lado.

domingo, 4 de março de 2012

Coisas Sobre-humanas e outras

Reynaldo Gianecchini diz, numa revista da cusquice, que só conheceu amor e sorriso com o cancro.
Uma qualquer empalitada famosa, afirma na capa de uma publicação cor de rosé moisé, que nada a deita abaixo.
Depois temos todo um conjunto de recém mamãs que saem da maternidade e afirmam, enquanto posam com um bebé sob uma fralda de pano, que os seus filhos são uns bens dispostos e uns paz-d'alma.
Pois eu tenho novidades chocantes para os leitores destas revistas. Novidades que talvez vos pareçam demasiado rudimentares, ou terra-a-terra, mas aqui vão elas.
- Há malta que, efectivamente, fica triste por ter um cancro e que não consegue entender, porque porra é que aquela merda lhe foi acontecer.
- Há mulherio que chora e deprime quando lhe metem os palitos e fica um bocadinho deitado abaixo.
- E a maior parte dos bebés porta-se bem em ambiente hospitalar. Mas deixem-nos só chegar a casa, para verem o que é bom para a tosse.
E pronto, era só isto.

sexta-feira, 2 de março de 2012

To Die For

Não, não é um par de sapatos. É uma das melhores massas que provei nos últimos tempos :)
E é pena que não aliciem este blogue com publicidade, porque me venderia bem facilmente por um carregamento deste esparguete.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Pelo vosso olhar



Para mim, a melhor parte de vocês, não foi as fraldas e as cólicas e os biberons, os babetes e os aviões com a colher de sopa.
Para mim, a melhor parte, se é que há melhores partes deste todo de ser mãe, não foram os choros, os banhos, as botinhas de lã que nunca chegaram a usar, ou as noites mal dormidas e o ovo no carro.
Para mim, a parte mais incrível nisto de vos ter, é poder partilhar as minhas coisas de criança convosco e reviver tudo pelos vossos olhos. É como renascer.
Não sei explicar isto que sinto, quando vejo de novo o ET com a Alice, ou quando lhe explico os Goonies e o barco pirata desse filme da minha infância.
Não sei colocar para fora a emoção de vos sentir crescer para o meu mundo. De vos ver na minha vida lá atrás e agora, aqui à frente.
Querer que sejam felizes onde eu fui e felizes onde não fui.
A Alice perguntou-me quem era aquele homem que cantava no rádio do carro e eu respondi-lhe que era a Tracy Chapman, uma mulher com voz poderosa, que conseguia enfiar centenas de palavras num único refrão e que eu ouvia quando tinha 13 anos.
E ela quis ouvir, porque eu ouvia quando tinha 13 anos, como se pudesse imaginar-me mais pequena.
Quando, digam-me, quando no raio das nossas vidas, nos sentiremos mais protagonistas do que isto?
Bem sei que depois o pano cai e eles percebem que somos apenas pessoas banais e repletas de defeitos e inseguranças. Há quem nunca recupere da decepção, há quem aprenda a construir novos heróis, há quem veja os pais a vida inteira como heróis. Só sei que, enquanto depender de mim, hei-de aproveitar cada segundo deste protagonismo de me viverem, como se fosse a coisa mais incrível do mundo.
Aquele filme ali em cima, é um filme que quero muito ver com ela e depois com ele. Um filme lindo e, como não poderia deixar de ser, baseado num livro de John Irving.
Também já comprei a 30 Diabos da Enid Blyton e ando a controlar-me para não comprar já os volumes todos da Condessa de Segur.

My son

Ele dança de alegria quando percebe que atendo ao seu pedido e vou tirar uma fatia de queijo do frigorífico.
Sim, ele dança, levantando os braços para o céu e produzindo pequenos gritos eufóricos, quando percebe que vai comer queijo.
Segura na fatia de queijo e senta-se num cantinho, entregando-se àquele êxtase gastronómico.
Os maiores prazeres da vida são os mais simples. E ele sabe disso como ninguém.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Vou passar a fazer as minhas próprias t-shirts

Há quem passe os dias a formar equações mentais, fórmulas matemáticas, teorias abstractas, absolutas, números empilhados, subtraídos e ao quadrado.
Eu passo os dias a dobrar roupa lavada, a arrumar loiça e a formar frases dentro da minha conturbada mente.
Quanto mais ansiosa ando, mais frases se formam, como numa banda desenhada, cheia de balões de pensamento sobre a minha imagem domesticamente pateta.
Vai daí, pensei que podia imprimir estas frases em t-shirts e fazer fortuna. Podia abrir uma livraria onde se vendessem livros, bolos de chocolate, café e, claro, as t-shirts com frases estúpidas, lamechas, inteligentes à brava, sentimentais, cómicas, irónicas e, para variar um bocadinho, fazer uma coisa que me desse gozo.
É quando dobro as cuecas e tento encontrar o par das meias azuis escuras, separando-as das pretas, que as "melhores" frases me chegam, em ondas de inspiração orgásmica:
Não te Esqueças de Ler Para Esquecer.
Come Chocolate, Lê Livros, Sonha Alto.
Preocupa-te Menos, Lê Mais.
Lava Menos Loiça, Lê Mais.
Faz Amor, Lê Livros, Chora menos.
Lê para curares as dúvidas.
Quem lê é quem é.
Quem Precisa de Um Amante, Quando Tem Um Bom Livro?
Lê-me, Que eu Gosto.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O Homem Mais Charmoso da noite



E o filme "Beginners", pelo qual ganhou a oscareta, também não é nada de se deitar fora, não senhor :)



Nota final e demasiado relevante para não ser comentada:
O Billy Crystal está viciado em botox e a Sandra Bullock fez qualquer coisa à cara, que a deixou tlemendamente palecida com os novos memblos do Conselo Gelale da Edp.
Depois disto, acho que estou perfeitamente capacitada para integrar equipas de crítica cinematográfica, numa qualquer revista da especialidade. Aguardo ofertas.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Descubra as Diferenças

E em noite de Óscares, deixo aqui o meu contributo para a história da crítica cinematográfica:




O que não quer de todo dizer que não tenha gostado do filme do Spielberg.
Já do tão falado Hugo Cabret, vou ali meter as mãos no meu próprio gasganete e apertar até tossir as entranhas.
Sim, tem uma beleza visual grande e grandes planos e grande realizador, mas quando os formigueiros invadem as minhas articulações e os bocejos saem em catadupas de baba da minha boca, a coisa não é boa.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O meu novo Fetiche (em termos de ódio, entenda-se)



Mandarei fazer um alvo para pendurar na parede com a trombinha deste menino betinho.
Atirarei ovos bastante podres, tomates bastante maduros e fraldas fermentadas na direcção desta carinha de mete nojo, ai que não posso, ai que sou tão importante, ai que tenho um garfo espetado na anilha, ai que sou deputado, ai que bonito que sou, ai que vou debitar mais uma tirada profunda e pedante para a corja dos funcionários públicos.
A sério que este menino pode dizer o que lhe apetece e ninguém lhe dá umas vergastadas naquele tu-tu, ou estalos sucessivos naquela trombinha de mete nojo?

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O que pensar...

De um médico que tem dezenas de desenhos de pacientes infantis colados nas paredes do consultório?
Bem, dizem vocês. Pois claro. Um puto que se dá ao trabalho de fazer um desenho ao seu médico. Isto revela muito acerca - quanto mais não seja - da simpatia do senhor.
E sim, o meu olhar tranquilizou-se perante tantas manisfestações de carinho. Até ao momento em que se deparou com um desenho bastante infantil, cuja dedicatória era:
Adoro-te, meu otorrinolaringologista.
A partir desse momento fiquei estupidamente desconfiada que era o próprio médico a fazer os desenhos na parede.
Sim, eu sei. Estou a ficar louca.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Pessoas Chatas (que não se podem coçar)

As pessoas chatas não acham graça a si mesmas, nem aos outros. É tudo muito sério, muito ofensivo, muito tudo.
Enquanto nós, seres patéticos e inferiores, rimos, como perfeitos idiotas que somos e deixamos as lágrimas escorrerem, a barriga entrar em espasmos dolorosos e o corpo descomprimir. As pessoas chatas colocam a sua cara de chatas e nem com uma lanterna frontal na testa, conseguem encontrar a graça que nós, portadores de qi inferior à média e moral bastante duvidosa, encontramos à primeira cavadela.
As pessoas chatas são, regra geral, moralistas e adoram uma bela lição de monotonia harmoniosa e bocejante sobre o mundo perfeito e à prova de gozo que nos rodeia, quer dizer, que as rodeia, às pessoas chatas.
As pessoas chatas são um objecto de tortura social para a minha pessoa e lamento que não haja mais aulas de yoga de riso gratuitas, ou cócegas forçadas, para quem precisa de descontrair a musculatura facial de vez em quando.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Nervoso grandinho

Fiz o curso de Direito, com direito a orais obrigatórias a todas as cadeiras. Ninguém dispensava de ir ao castigo oral, por muito boas que fossem as notas na escrita.
Queria a minha faculdade distinguir-se por formar alunos exemplares (ahahahah). Um aluno de Direito teria que saber articular-se, que saber falar, saber desenrascar-se, sem cábulas nos códigos que lhe valessem.
Vai daí, depois de ter passado por dezenas de orais e de ter perdido alguns anos de vida (quase todos, diga-se de passagem) com o nervoso que sentia, de cada vez que tinha que me submeter a esse castigo, perdi os nervos para quase tudo o resto na minha vida.
O quê? É preciso ir ao dentista? Canja de galinha, comparado com as orais.
O quê? É preciso ir parir? Isso não é nada, perante a recordação de algumas humilhações públicas pelas quais passei nos exames orais.
O quê? É preciso ir arrancar o dedo mindinho? A sério? Piece of Cake. Houve muitas vezes em que dava o meu mindinho para alguém ir fazer o exame oral por mim.
E assim foi. O curso teve o condão de me tirar os nervos para tudo o que veio a seguir na minha vida.
Até ao dia de hoje:
Já é certo que a Alice vai tirar os adenóides e pôr drenos nos ouvidos. Já tem a consulta com a anestesista marcada e eu nunca me senti tão nervosa na minha vida.
Sim, chamem-me piegas, cretina, exagerada, mãe-galinácea. Eu sei que é super simples, blá, blá, blá. A minha cabeça sabe isso tudo. Mas o meu coração pára de segundo a segundo e eu borro-me de cada vez que inspiro e expiro.
Uma coisa sou eu, outra coisa, aliás, outro departamento, são os meus filhos.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Olhá c'á coisas /ou Separados à nascença

Sou só eu que encontro semelhanças assustadoras entre estas quatro míticas e incontornáveis personagens da vida rural, ups, real?
Miss Pipoca

Miss Piggy

O Arrumadinho

O Betinho

São todos eles ambos irmãos e não sabem.

*Tirando a minha ídola, Miss Piggy, mais ninguém me autorizou a rapinar imagens da internet. Por isso, o mais provavel é incorrer numa pena suspensa, ou de trabalho cívico a limpar grafitis dos muros da cidade. Desde já, as minhas desculpas e auto-vergastadas públicas por este acto insano da minha parte.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A (puta da) Loucura

No meio de tanto défice cerebral, de tanto vício, compulsão, ou carência química. No meio de tanta deturpação enlouquecida, de tanta inversão moral, de tanto recalcamento, trauma e outros que tantos tormentos do passado e do futuro. No meio de tanta merda ao contrário e de tanta gente pouco sã, permanecer mais ou menos saudável, é tarefa para deixar qualquer um maluco.
É impressão minha, ou o mundo é, cada vez mais, dos loucos?
Isso, ou estou a ficar maluca.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Pessoas assim-assim

Sei que já falei dos maus mentirosos, mas hoje é dia de falar dos mentirosos medíocres. Aqueles que tentam detalhar a peta, ornamentando-a com pequenas petazinhas decorativas, mas ao fazerem-no, estragam o cenário todo, com aquele pequeno detalhe decorativo.
Podem conseguir enganar os distraídos e crédulos, mas aqueles mais atentos, os que reparam no detalhe fora do contexto, sabem que a peta está ali.
A arte da boa peta não é, de todo, para todos e muito menos para as pessoas assim-assim.
Ando assim-assim cansada das petas alheias e a precisar urgentemente de uma lufada de sinceridade na minha vida.
Também acho fastidiosas as pessoas que fazem tudo mais ou menos. As que ajudam um bocadinho, de acordo com as conveniências, as que dão apenas meia força, porque não conseguem ir além das suas forças, as que escutam apenas o que lhes convém e dizem apenas o que lhes interessa.
Enfim, pessoas assim-assim, queria dizer-vos que vos acho um imenso marasmo de monotonia e que não adianta mentirem assim-assim comigo. Chega a ser triste a forma patética como vos vejo esvoaçar, em plena divagação, quando vos vejo completamente despidos, sem a peta. E aquilo que vejo é triste.

Dia 4 de Fevereiro



No dia 14 de Fevereiro e com 10 dias de atraso em relação ao teu segundo aniversário, escrevo-te aqui, meu filho doce e de pele suave, que te amo.
Sei que me entendes, quando passo a mão pelo teu cabelo curto e te peço paciência comigo, pois nem sempre sou o poço de paciência materna que era quando a tua irmã era mais nova e era apenas ela.
Sei que sabes que te quero, quando nos abraçamos de olhos fechados. Sei que sentes que te amo, que te respiro e inspiro, que te aceno com saudade a cada pequeníssima despedida.
Sei que sabes que adoro ver-te na janela à minha espera, sei que sabes que adoro os nossos almoços e que adoro ouvir os teus suspiros de prazer, enquanto mastigas o que quer que seja que eu cozinho e me sorris, cúmplice.
Contigo é tudo tão diferente, mas tão infinitamente bom.
Puxas-me, louco de alegria, sempre que vês a lua no céu e obrigas-me a pegar-te ao colo, para melhor espreitares a imensidão escura e densa que te emociona, como se elas, a lua e as estrelas, pudessem fugir a qualquer instante, e eu peço interiormente que nunca esqueças as luas e as estrelas todas que vimos juntos, na janela da nossa casa, na nossa vida, meu amor.
Parabéns. E espero que tenhas gostado do teu bolo :)

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Há coisinha mais horrenda

Há coisinha televisiva mais horrenda do que os anúncios da Optimus, com a música dos Beatles?
Todos eles, sem excepção, foram vomitados por cada um dos orifícios deste organismo que vos fala. Mas este último com o Marco Paulo a cantar em inglês foleirez, arrasa comigo. ARRASA COMIGO.

Didn't We almost have it all


Hoje dei-me conta da quantidade de músicas dela que (ainda) sei de cor. Hoje lembrei-me dos desgostos de amor chorados, dos slows dançados, dos beijos trocados, ao som das suas músicas e da sua maravilhosa voz.
Hoje lembrei aquele primeiro single alegre de uma jovem de calças de ganga e top branco que Just Wanted To Dance With Somebody e chorei um bocadinho, tal como já tinha chorado um bocadinho quando a vi na Oprah, disforme e queimada por anos de abuso e consumo de drogas.
Enfim, um desperdício e um vazio imenso no grupo das grandes divas da banda sonora da minha vida.
Nunca fui grande fã da Celine Dion, nem da Mariah Carey, nem de nenhuma dessas grandes pirosas da música pop, mas a Whitney, meu Deus, a Whitney sempre teve um lugar cativo no meu coração, até porque foi ao som de uma música dela (I Look To You), que passei o dia do nascimento do António, contando as horas para dar entrada no hospital e imaginando como seria o meu filho, dedicando-lhe em silêncio aquela música.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Crónica de uma gruta publicitária



Tal como acontece com os cotos de sabonete no interior da casa, no exterior, existe uma guerra antiga entre os habitantes deste chalet:
A retirada dos jornais gratuitos, panfletos que anunciam excursões ao restaurante Zé dos Leitões e ao Freeport Alcochete, cartõezinhos com nomes de canalizadores, jardineiros, domésticas, baby-sitters carinhosas, prostituição ao domicílio, enfim, penso que todos vocês que não conseguem manter o autocolante do "PUB NÃO, OBRIGADO" colado na porra da caixa do correio (porque vos gamam o mesmo), acreditarão que não estou a exagerar, quando vos digo que habita na minha caixa do correio, uma pequena floresta de papel.
À medida que os dias passam, vejo-o pescar a correspondência no meio do lixo com minucioso cuidado (vá, eu também), para que nada verta para o exterior do pequeno compartimento. Tira o que lhe interessa e volta a enfiar tudo lá para dentro. Até ao dia em que a nortada lhe dá com força (à portinha do correio, entenda-se) e é ver o jornal A Dica e tudo o que é merda de papel, espalhado pelo jardim, agarrado às sebes, colado às paredes, dilacerado pela relva. E ele, querido, passa-lhes por cima com devotado cuidado, com carinho até. Rodeia folhas, dá a volta a uma página rasgada, até ultrapassar todos os obstáculos.
É enternecedor ver que há coisas com as quais podemos contar sempre, que não mudam mesmo. Dá uma sensação de segurança.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Crónica de um coto de sabonete

Existem coisas da intimidade doméstica entre um homem e uma mulher, às quais já me habituei sem grandes dramas.
Não queres tirar o rolo do papel higiénico vazio do suporte?
Tudo bem, há coisas bem piores na vida. Eu tiro, sem grande drama. Apesar de o esforço físico empreendido na tarefa me desgastar o pulso, eu faço-o uma e outra e outra e outra vez, até me sentir a Dama do Rolo do papel higiénico.
Ele acaba o champô e não deita o frasco vazio fora. Fica ali a enfeitar a banheira, dias a fio, enquanto vai usando o meu champô e o das crianças, sem piar? Tudo bem, como gaja prática, desenvolvi o hábito de ir agitando os frascos, sentindo-lhes o peso com uma mão, enquanto esfrego o cabelo com a outra. Multi-tasking é o meu nome do meio.
Mas no meio de todas estes pequenos dramas domésticos sem importância, existe um em particular que não consegui ainda tolerar e que tem ajudado a entupir as minhas artérias de um veneno chamado stress raivoso:
O Sabonete gasto. Ele termina o sabonete e deixa o coto ressequido e cheio de rachas, sob o sabonete novo. Ou seja, se não sou eu a deitar fora o fóssil carcomido, teriamos hoje um Empire State Building de cotos de sabonete.
A semana passada cheguei ao meu limite e, farta de gastar palavras, passei à acção. Peguei no coto e deixei-o ao lado do lavatório, qual prova irrefutável de desmazelo masculino.
Não reparou.
Dia seguinte: Pego no coto e espeto com ele ao lado do desodorizante masculino.
Não reparou.
Dia Seguinte: Pego no coto e enfio-o em cima da escova de dentes dele. Afastou-o e pousou-o com carinho ao lado do lavatório.
Dia Seguinte: Pego no coto, fecho o tampo da sanita e pouso-o sobre o tampo. Ahahaha, penso eu, com esta é que não estás a contar. Vais ter que perceber, vais ter que aprender. Aguardo em ânsias expectantes a lição que tudo aquilo lhe ensinará.
Feita estúpida, vou fazer xixi e deito o coto fora.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Epidural, para quê?

Alguém meteu as vistas num programa bastante péssimo no TLC (só podia), cujo tema principal não consegui deslindar, mas que metia uma mãe que teve um orgasmo quando pariu e ficou felicíssima e fez disso alarido público?
Depois ficou muito decepcionada, porque no nascimento do segundo filho não teve outro orgasmo.
Será que a mulher, quando o puto crescer, lhe contará: Ai filho, que lindeza de momento comovente e sensual que foi o teu nascimento. Olha aqui o filme, não foi lindo? Agora sou eu a gemer de prazer, enquanto tu me provocavas orgasmos múltiplos.
Sabem aquele mulherio que se pela por contar, a outras grávidas, a história dramática do seu parto, que envolveu duzentas horas de trabalho de parto, transfusões, rasgões, pontos, enfermeiros e médicos fdp e experiências de quase morte? Pois, nada a ver. Este é um relato Kama Sutra do parto.
Quanto a mim, dispenso ambos os dois eles, os relatos.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Não Sei como é que Ela Consegue



Depois de ter ido ver "As Marretas", como bem diz a Alice, pois o filme é uma verdadeira marretada na cabeça de tão mau, cheguei a casa e pus-me a ver este pouco promissor filme. Com a sempre igual Carrie e seus sempre iguais sorrisos e muletas de medíocre actriz, a coisa não prometia a ponta de uma cornada, mas eu sou fraca e também preciso dos meus momentos light de vez em quando, por isso lancei mãos a este empreendimento de dar o benefício da dúvida a um filme que tem tudo para ser uma bosta.
O problema é que o filme foi tudo menos light para mim. Se já tinha levado com uma marreta de sono na tola, à conta dos Marretas, pois que levei com uma marreta de más recordações, ao ver esta mãe que tenta singrar no trabalho e na maternidade em simultâneo.
Senti na pele cada borbulha de stress, cada alfinetada de impotência, cada batimento cardíaco acelerado e estou até agora com um amargo de boca, que não sei definir.
Porque é que é tudo tão mais fácil para os gajos?
É claro que o filme terminou com uma solução de compromisso e com um chefe irascível, que se revelou fofinho e compreensivo, mas a vida real nem sempre tem chefes fofinhos e compreensivos e a maior parte das mulheres que quer singrar na carreira e ser mãe com todas as letras, acaba a ser derrotada pela ansiedade.
Posto isto, estou a dever um post ao meu filhote docinho que fez ontem dois anos.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Silvina

Se antes, quando era muito jovem e muito profundamente profunda, entendia que era necessário sofrer para dar valor à felicidade, hoje, mais para os quarenta, do que para os trinta, acho que, tirando aqueles grandes filhos da puta, ninguém deveria ter que sofrer. É claro que não podemos fugir ao sofrimento, nem negar que ele existe, nem fechar os olhos e esperar que passe. Às vezes é preciso aceitá-lo, suportá-lo, aprendê-lo, conversá-lo, cantá-lo, até. É preciso arrancar dele uma qualquer espécie de filosofia, para não ser totalmente vão, mas necessário? Não me façam rir, quer dizer, chorar. Não é necessário para nada.
Há quem viva horrorizado face à perspectiva do sofrimento alheio, há quem não queira simplesmente ter nada que ver com ele, pois bem bastam as chatices diárias que moem e deprimem. Para quê entrar em vidas que não nos pertencem? Para quê olhar o lado menos bom, se podemos fingir que nada é menos bom?
Tal como eu disse, o sofrimento não é preciso para nada, mas existe e, como tal, não sei fingir que não está lá, nem varrê-lo para debaixo de um tapete imaginário, só para não encher os meus dias da poeira dos outros.
Se ontem vos perguntei por um blogue à séria, hoje deixo-vos a minha mais importante descoberta no mundo dos blogues: Episódios de Rádio.
A Silvina deu-me toda uma nova perspectiva de como lidar com o lado menos bom. A forma despudorada e despretenciosa com que fala de tudo. Sem dramas exacerbados, sem levezas exageradas. Apenas com a grande e singela magia dos humildes, faz com que me ensine a respirar fundo todos os dias.
Parabéns, Silvina. Apesar de, muito provavelmente, não o imaginares sequer, és mesmo uma inspiração.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Qual é o vosso

Best of the best blogue?
O que é que me aconselham (partindo do princípio que alguém vai responder a este apelo desesperado).
Morro de preguiça de navegar em busca de blogues interessantes, o meu computador está mais lento do que nunca, por isso um bocadinho de papinha feita é o ideal para actualizar os meus favoritos :)

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Momentos Kodak

Farto-me de passar pela ciclovia, passeios, estradas perigosas e lá estão eles e elas. Os novos mitos urbanos e de aldeia, porque nem só de urbanidade vive o mito. Os joggers. Uns elegantes e musculados, outras atléticas e tonificadas, de Ipod e ténis com conta quilómetros e gps. Enfim, os joggers profissionais, que investem em todo o artefacto de quem quer correr com estilo. Parecem nem suar e flutuam pela ciclovia, quais aparições celestiais de bruma. Depois temos os joggers patéticos, que correm com verdadeiro desespero: Calças de fato de treino desbotadas e comidas pela traça, deixando adivinhar um pedacinho de rego de rabo, ténis furados no dedão e com a sola gasta e torta, camisola polar larga e tudo o que se possa imaginar de menos profissional e estiloso. Eles arrastam-se, arfando e badalando as mamas e o rabo pelo tartan improvisado. Ali está um ataque cardíaco, um avc, um desmoronamento muscular prestes a acontecer e eu penso sempre se não será melhor parar o carro e chamar o 112, ou oferecer-lhes boleia, pois morro de pena daqueles trambolhos que correm como se tentassem chegar ao carrinho de oxigénio mais próximo.
Não tem a ver com serem gordos, ou magros. Tem a ver com o facto de não terem qualquer estilo a correr. Parecem desarticulados e desengonçados e a sensação que me dá é que vão padecer ali mesmo.
Eu pergunto-me: Porque não caminham? Porque raio têm eles que correr? Não exijam tanto de vocês próprios, queridos mitos urbanos.
Mas no meio de todas estas figuras inusitadas, com que me deparo de cada vez que corro ao lado da ciclovia (no meu carro, claro está), a que mais adorei, a que nunca, por muitos anos que viva esquecerei, foi um senhor dos seus 70 anos. Cabelo grisalho comprido e esvoaçante, calções de lycra brancos e em tronco nú. O homem patinava como se estivesse num ringue de gelo, ouvindo aplausos imaginários e, do meio do nada, obrigando-me a travar para melhor observar a cena, saltou da ciclovia em patins, directamente para a estrada do Guincho e ergueu a perna, em pose profundamente artística, tal e qual esta menina da fotografia.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Trust

Continuo a achar que a coisa mais difícil de recuperar, depois de perdida, é a confiança.
Por muito que tentemos retomar as coisas tal como eram antes de quebradas, jamais voltarão a ser iguais.
Ficará sempre uma névoa, um tom baço em cada gesto, em cada atitude, em cada silêncio.
Mesmo quando se fale verdade, imaginaremos mentira. Mesmo quando se jure, a palavra perdeu todo o seu poder. E quando a nossa palavra perde o valor, então de nada vale falarmos.
Podemos tentar recuperar os laços antigos, mas estes já não prendem como antes. A ligação foi interrompida e ficará para sempre desfiada naquele lugar.
Aceitar isto e seguir em frente, ou aceitar que não dá para seguir em frente assim, tornam a vida de quem trai e de quem é traído, estupidamente fodida.
Por isto, é tão importante sermos leais e fieis, em todos os sentidos. Acho que estas duas características, são das merdas mais satisfatórias que podemos ter na nossa vida.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Odeio Profundamente

O Carnaval.
Quero despachar a treta da máscara para a Alice levar para a escola, mas as máscaras para miúdas são um pesadelo para qualquer mãe que odeie o carnaval.
Enquanto que, para os rapazes há toda uma variedade estonteante de super-homens, piratas, homens-aranha, cowboys, hulks, Buzz-Lightyear's-ao-comando-estelar. Para as raparigas há... PRINCESAS. Vestidos horripilantes, no género camisa de noite de poliester e ponto final. Ah, também há fadas, mas confundem-se perigosamente com princesas.
Vi uma máscara gira da Jesse do Toy Story, mas recuso-me a pagar quase 50 euros por uma treta que se usa uma vez.
Há a hipótese de a mascarar de bruxa, pois ela gosta e sempre seria diferente, mas a realidade é que as máscaras de bruxa parecem vestidos de princesa, mas em preto, ou roxo.
Já pensei cortar dois buracos num lençol e mascará-la de fantasma, ou comprar-lhe uma cabeleira loira e um bigode falso, mas temo o falhanço total desta minha ideia, face a uma multidão de colegas mascaradas de... Princesas.
Vai daí, o mais provavel é ter que render-me à monarquia mesmo.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

3 constatações completamente vazias

-Comprei um gel de banho em promoção. Os 50% a mais e à borliú, foram o suficiente para me fazerem enfiar o frascalhão dentro do carrinho do supermercado, sem sequer o snifar primeiro. Conclusão: Ando a tomar banho com um gel de banho que cheira a Pronto enriquecido com cera de abelha. Cheiro a móvel.
- A dança da Ellen DeGeneres no seu programa (que tragicamente enfiaram no lugar da minha gurú Oprah) é o momento televisivo mais patético do meu dia e pergunto-me vezes sem conta, como, meu Deus, como é que esta gaja tem tanto sucesso apenas a ser pateta?
- O final do casamento da Heidi K. e do Seal deixou-me abananada e eu não me abanano com qualquer final de matrimónio.

Culpa

Gostava de poder sentir menos culpa, pois sei que, se a culpa fosse menos densa, eu viveria uma vida melhor.
Mesmo quando sei que não errei, ela insiste em chegar nos momentos mais sós. Quando me precisava só para mim, ela vem e diz-me que não devo, que há quem me precise, que não tenho esse direito meu, de me ter só para mim.
Tento virar-lhe costas, viver uma vida de plena resolução e firmeza, mas as pernas tremem. Penso duas, três vezes e a segurança foge, com a cobardia dos fracos.
Encho-me de teorias espantosas. Teorias que põem a mulher no mesmo patamar do homem, do pai, do marido e por breves minutos sinto o poder retomar ao meu corpo e encher-me o pensamento de mim e da força que quero para mim todos os dias. Mas ela chega de novo, por muito que a empurre, que a ignore, que a renegue. Ela chega sempre para me dizer em surdina que não tenho esse direito.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Perdoname

A música da Carminho com o espanholhinho imberbe e fofinho dá-me uma certa vontade de vomitar a entranha.
Sim, tem tudo para fazer verter uma lágrima, até mesmo duas, vá, mas eu agora ando assim, uma grande vaca, insensível ao lacrimejar musical.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A-D-O-R-E-I




Uma mistura de Nikita, com Silêncio dos Inocentes em ambiente refrescantemente sueco.
Fiquei presa do primeiro ao último minuto, sendo que são muitos minutos de filme.
E não, não vi a versão sueca e não li a trilogia (se bem que acho que não vou resistir).

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Depois de escrito, deixa de ser meu

Ela perguntava-lhe se ele era um homem romântico, pois só um homem tremendamente romântico poderia ter escrito o que ele havia escrito. Perguntou-lhe se idolatrava a mulher e se era capaz de tudo por ela, pois havia uma passagem no seu livro que...
Ele desviava o olhar e lutava contra a sua própria timidez. Notava-se que lhe era penoso dissecar o que havia escrito, que não gostava de fazê-lo, mas ela não reparava e prosseguia a cruzada das perguntas pessoais, fazendo ligações com frases que lera no livro.
Ele acabou por lhe atirar com voz doce, mas firme, que os livros, depois de escritos, já não lhe pertenciam.
Ela não entendeu a deixa. Eu pensei como jamais me ocorreria perguntar a um escritor, que partes daquilo que escrevera lhe pertenciam.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

6 anos

É incrível, como tudo o que eu era antes de ti ficou esbatido, perdido na névoa das coisas pouco importantes.
Bem sei que antes do teu nascimento tive momentos espantosos e marcantes e felizes e tristes, mas nada, de tudo o que fui antes, sobressai a ti.
Vejo fotografias minhas e do teu pai, antes de existires sequer em pensamento e não me parece normal não estares ali no meio de nós, não te amar ainda assim como te amo.
Saber-te nos meus dias todos, faz-me sempre sorrir. Por isso te agradeço, te abraço, te aperto, te beijo, te inspiro bem de perto, para não me esquecer que te tenho e que te devo o melhor da minha vida inteira, Alice.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

X e Y




Nunca esperei que se dessem às mil maravilhas, nem que fossem os melhores amigos do mundo. Rezava para que houvesse alguma cumplicidade e pouco mais, pois sei que isto de alimentar altas expectativas é tramado.
Foi bom não ter esperado imenso, pois foi precisamente imenso que recebi.
Vê-los juntos é uma espécie de terceiro amor. O amor pelos dois, quando estão um com o outro, quando se abraçam, quando brincam, quando caminham de mãos dadas.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Adopções Falhadas

Abre-se sempre uma racha no meu coração quando leio, ou vejo reportagens sobre este tema.
Não sou ninguém para atirar pedras, mas a realidade é que tenho vontade de atirar um saco cheio de pedras à cabeça de quem se acha capaz de empreender esta missão de vida e depois, com a maior ligeireza deste mundo, quando confrontado com os reais problemas que uma criança "marcada" traz consigo, recua e devolve o produto defeituoso.
Eu sei que não seria capaz de ter um cão. Não tenho tempo, não tenho paciência, não tenho espírito, por isso jamais me ocorreria "fazer a experiência" e trazer um cachorrinho para casa. Se não desse, devolvia, sem crise.
Talvez por ter um sentido de responsabilidade quase obsessivo, sei que não seria capaz, por isso remeto-me ao meu próprio egoísmo, sem magoar ninguém.
Falando de pequenas-grandes pessoas, que carregam mágoas grandes demais para a sua idade, a minha paralisia adensa-se. ´
Se adoptasse uma criança de coração cansado. Uma criança rejeitada pelos próprios pais. Se decidisse adoptar uma criança e dar-lhe a minha família. Aceitá-la como parte de mim e dos meus, teria que ser sem rede de segurança. Plenamente, como aceitei os meus próprios filhos, quando vi os seus pequenos corações pulsantes na primeira ecografia e deixei o meu amor por eles crescer, com todas as virtudes e defeitos.
Demasiado exigente? Sim, claro, mas falamos de pessoas, não é? Por isso não sei se seria capaz, por isso jamais arriscaria errar. Jamais arriscaria magoar ainda mais uma criança ferida. Não conseguiria viver comigo própria se falhasse e se tivesse que explicar a uma menina, ou menino, que teriam que regressar a uma instituição, que também esta família não a queria. Eu própria ficaria marcada para sempre e consumir-me-ia eternamente pela culpa.
Vai daí, esta pessoa que escreve meia dúzia de alarvidades por semana, neste espaço parvinho, não seria capaz de assumir esse compromisso.
Vai daí, esta pessoa que tem sacos de pedras para muito poucas situações, consegue encher um saco de pedregulhos para situações assim.
Admiro imensamente, de braços abertos e olhos comovidos, as famílias que recebem crianças e as tornam suas, dando-lhes um lar e o calor de uma família que nunca conheceram. Uma parcela de mim odeia-se por saber que não teria os tomates necessários.
Sou fã das pessoas que adoptam plenamente e que não colocam sequer a hipótese (tal como não o fazem para os filhos biológicos) de devolverem uma criança, porque se dá mal com o cão, porque tem más notas, porque se porta muito mal e é traumatizada e dá muito trabalho curar-lhe as feridas.
Cresçam, senhores. Cresçam e reduzam-se às vossas incapacidades. Preencham carências com outras actividades lúdicas, pode ser?

*A reportagem em questão é esta.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Bom Jornalismo

Acabei de ver uma reportagem da BBC sobre um grupo de ciganos romenos em Londres. Parece que gerem uma espécie de tráfico de crianças, para porem as mesmas a pedir esmola. Têm um BMW estacionado à porta e vivem abastadamente.
O jornalista em questão, observou-os durante meses a fio, abordou-os com a coragem destemida de quem quer fazer a diferença e, por fim, foi até à Roménia, em busca de famílias e de respostas.
Fiquei presa do princípio ao fim. Aquele jornalista (John Sweeney) calvo e meio barrigudo inquiriu, insistiu, defendeu, abordou, observou e fez a diferença entre uma reportagem do caraças e tudo o resto que gostam de intitular jornalismo, mas a que eu chamo, notícia chiclete com comunicador social bem vestido e aprumado.
O jornalismo, quando é assim, feito com tomates e boas histórias, é das profissões mais fantásticas que conheço.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

tu-tus maternos


Sempre me enfadaram de morte as aulas de ballet para criancinhas.
Assistir a uma daquelas festinhas de fim de ano, ou às representações caseiras dos magníficos pliés e saltinhos desajeitados, era como levar com uma bigorna na cabeça.
Sorrisos amarelos, palminhas contidas, exclamações de êxtase com um pézinho menos desajeitado, palitos nos olhos para que não fechassem, eram as muletas possíveis para uma tipa impaciente como eu.
Quantos anos levaria até sair alguma coisa de jeito, era a minha constante pergunta interior. Que nunca era respondida, pois a maioria das crianças borrifa-se no Ballet antes de aprender de facto qualquer coisa interessante.
Vai daí, sempre rezei para que a Alice não fosse dada a essas vontades de tu-tus e sapatilhas e carrapitos, pois só Deus sabe o que me custaria ter que enfrentar representações caseiras da coisa.
É claro que os meus pedidos não foram escutados e já tenho uma filha que me pede para ir para o Ballet e me faz coreografias e representações fascinantes aqui em casa.
Se continuar a pedir-me, sei que vou ceder e que vou lacrimejar comovida, aplaudir entusiasmada e gritar com cada saltinho desajeitado do meu bocadinho de gente, pois ser mãe (também) é descobrirmos alegria no que antes nos arrancava bocejos :)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

É impressão minha

Ou o cartão do Continente já não dá um chavo?
Antigamente descontava sempre alguma coisinha, agora, sempre que estendo o cartãozinho vermelho, tenho a exorbitante quantia de zero euros.
Mais um cartão que vai com os porcos.

50/50



Lidar com o sofrimento alheio por nós, quando temos uma pedra que nos esmaga o peito.
Consolar os que nos sofrem, os que fazem do nosso drama, drama seu, quando o drama é mais nosso do que deles.
Não saber exactamente quando e como sofrer, ou se é bom, ou mau sofrer e em que proporção sofrer sem fazer ruir tudo.
Não conseguir chorar, ou não conseguir parar de chorar, como um rio que se tivesse libertado por dentro, rasgando todas as comportas de defesa.
Termos alguém que nos faça rir e que sinta que rir não é proibido, mas que saiba entender quando choramos.
Este filme tem tudo, absolutamente tudo e, no entanto, transborda de simplicidade.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

PUB

Muito provavelmente movida por uma inveja secreta e venenosa. Motivada apenas pelo ácido que cresce nas minhas entranhas, por ninguém querer publicitar a ponta de um corno neste espaço, venho aqui desabafar sobre a matéria:
Confesso que não consigo ler blogs com neons e quadradinhos de publicidade que pisca.
Também não consigo ler blogs com templates cheios de tralha fofinha e às bolinhas e às risquinhas (alguns bem giros, por sinal).
E o motivo pelo qual não consigo fazê-lo, não se prende com a minha aversão pela versão árvore de Natal blogueira. O meu motivo é ranhoso, pelintra e nada fashion.
A realidade é que o meu pequeno Asus tem enfartes do miocárdio, ou da memória ram, ou rem, ou zen e atrofia por completo ao mínimo contacto com essas realidades blogosféricas.
Demora meses a entrar num desses espaços publicitários e quando entra não consegue abrir nada, ou detém-se a pensar durante horas.
Vai daí cansei-me.
Isso, ou preciso de um computador novo.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Querida Isabel


Allende, eu sempre te amei em segredo. A ti e à Frida Khalo das sobrancelhas cerradas.
Gosto de mulheres fortes e frágeis. De mulheres humanas, que quebram e são quebradas, mulheres cheias de remendos. Gosto de mulheres que não são perfeitas e que não sabem o que querem todos os dias a todos os minutos. Mulheres que são bonitas sem o serem, ou sem o saberem.
Gosto de mulheres que não são evidentes (o mesmo se aplica aos homens).
A beleza demasiado óbvia sempre me enjoou. A profundidade auto-proclamada e publicitada, sempre me fez desconfiar. E os padrões bem definidos sempre me fizeram inveja, nesta minha constante incerteza de saber quase nada.
Por isso, espero que não me desiludas com o teu Caderno de Maya.
Passaste por uma fase menos boa com o Reino dos Dragões e essas histórias do fantástico que não me cativaram. Depois regressaste com a Soma dos Dias e tomaste-me de novo nos teus braços, como naqueles dias na casa dos meus vinte, em que me perdia nas horas da noite com as tuas letras nas minhas mãos.
Agora estou na casa dos meus trinta e é bom como o caraças teres regressado à minha vida.

*Capa mais feia esta.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

(in) Resoluções e Desabafos

Depois de muito reflectir e de não ter feito nem uma resolução para 2012, percebi o porquê desta minha aberração interior (a de não fazer resoluções).
A única coisa que desejo mesmo ardentemente e com todas as minhas forças é saúde para todos. E isso, infelizmente, não depende da minha força de vontade, nem do meu esforço anímico.
2011 foi um ano de muita tosse (meu Deus, tanta), febre, vírus, bactérias, vomitados, dores musculares, urgências, anti-histamínicos, antibióticos, antipiréticos, sprays nasais, humidificadores, desumidificadores, aerossóis.
Noites inteiras sem dormir, a velar e a zelar por sonos pouco tranquilos e a rezar para que se tranquilizassem. Rezas interiores para que passasse depressa, para que passasse tudo para mim. Os meus olhos vermelhos que olharam, vezes sem conta, olhinhos corajosos e pacientes.
Por tudo isto, eu sei. Eu tenho a mais pura das certezas absolutas, que enquanto houver saúde, tudo se remedeia.
É claro que, no meio do cansaço, agradeço por não ser nada mais grave. Mas mói. Muitas coisas pouco graves desgastam e tiram forças para outras coisas, que talvez fossem importantes.
Agora há uma palavra nova: Adenóides. Apesar de terem um tamanho normal, provocam tosse, provocam e agarram tudo o que há de mau pelo ar. E eu espero e aguardo por tudo o que me mandam esperar e aguardar, mas sem força para resoluções de ano novo, pois a única coisa nova que quero aqui em casa, é saúde.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Meta aqui o Playmobil



A sério, não há nada melhor do que isto para guardar todas as pequenas peças, vestidinhos, bonequinhos, cabeças de bonequinhos, pernas de bonequinhos, sapatinhos, jarrinhos. Enfim, tudo o que vem com os Playmobil e que se dispersava pela casa inteira.
A que eu comprei tem dois lados, dá para regular o tamanho das divisórias e custou 4.90 (ou 4.99, não me lembro) no Continente :)
Tem a vantagem de a própria arrumação dos artefactos ser, em si, uma distracção para durar vários minutos seguidos.
Sinto-me a Martha Stewart da arrumação em série.
E já estou a imaginar os carrinhos do António dentro de uma destas.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Made in Portugal

Se eu visse a Casa dos Segredos, não teria qualquer problema em admiti-lo, pois cheguei a uma altura da minha vida em que não minto sobre o lixo televisivo a que assisto. Todos nós precisamos de uma certa dose de abstração de vez em quando e eu não sou diferente.
Só que nunca assisti àquela merda. Entre miúdos doentes, falta de tempo para mim, falta de tempo para namorar, para respirar, não iria certamente gastar os poucos minutos que tenho livres a ver comportamentos símios em directo.
Para isso tenho o National Geographic.
Ouvi comentários, apanhei momentos, sim. Vi pessoas a coçar o rabo e com mamas grandes, vi chungaria, daquela que dói mesmo, e nada mais.
Mas ontem, na passagem de ano caseira, cairam-me os olhos na TVI (sim, algumas vezes eles caem) e vi um ser de bigode e fato de treino de nylon cor de rosa e preto, a grunhir qualquer coisa em directo. Parece que era o pai de uma das concorrentes (uma de franja loira) e ali estava ele, em pleno reveillon a debitar sabedoria paterna, num canal aberto, com direito a vários minutos de tempo de antena, simplesmente porque é pai de uma acéfala que tem um segredo e participou num Reality Show sobre vida selvagem.
E então fez-se luz e eu percebi finalmente o que é preciso fazer-se para se vencer em Portugal:
Não é trabalhar para ganhar dinheiro. Não é estudar, nem ter algum valor intelectual, ou espiritual.
O que é preciso para se ter valor em Portugal, é coçar o rabo em directo, mostrar o rego em fio dental, e provar que não se sabe nada além de um par de mamas. Quem conseguir ser menos em tudo, será premiado com o voto de quem gasta o seu tempo a ver este circo.
O que é preciso para lançar um livro em Portugal, é mandar um prédio pelos ares, ter sido casada com uma pessoa acusada de pedofilia, ou filha de uma pessoa acusada de pedofilia.
O que é preciso para se ser alguém em Portugal é ser-se ninguém.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

American Tune

Sim, eu já estive em Nova Iorque algumas vezes, mas ao contrário de muita gente que se passeou pelas avenidas geometricamente perfeitas e com nome de números, eu não olho para os filmes hoje em dia e revejo a minha humilde pessoa na Times Square, ou na esquina da 5ª avenida com a rua 23 ao quadrado.
Não consigo fazer isso. Simplesmente, porque, mesmo quando andava por lá, me sentia dentro de um filme, ou de uma música de Simon e Garfunkel.
Nunca consegui abstrair-me do cinema, dos táxis amarelos, da banalidade das limusines, ou da certeza de ter visto o Woody Allen em cada tipo baixinho que se cruzava comigo. As pretzels, os cachorros quentes vendidos na rua (e que os protagonistas devoravam, enquanto falavam sobre o sentido da vida) faziam parte de um esquema montado para me levar a crer que eu não estava mesmo ali de verdade.
Chiça, aquilo era eu dentro de um guião escrito por alguém que não eu.
Até hoje, quando me revejo nas fotografias, com o Naked Cowboy a tocar guitarra atrás de mim e uma Pretzel (horrível, por sinal) na mão, acho que foi tudo uma montagem.
Humildemente confesso que nunca nenhuma cidade (ou país, já agora), me levou tão longe na ficção, como os Estates. Era como se conhecesse tudo aquilo desde sempre.
Não fiquei com memórias deste, ou daquele sítio, simplesmente porque as memórias daquela cidade pertencem ao mundo inteiro.
Nesse sentido, é uma cidade um bocadinho prostituta, que abre as pernas ao imaginário de todos, não deixando que ninguém roube um bocadinho do seu coração.
E não é uma prostituta qualquer, é uma prostituta cara como o raio que a parta.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Oprahhhhhhh

Sim, eu sei que ando neurótica por o programa da Oprah ter terminado.
Afinal de contas, a minha guru deixará de me acompanhar ao princípio da noite e eu deixarei de ficar mais sábia e de lacrimejar e de me sentir pequena e grande e boa e má e tudo ao mesmo tempo.
O que é que se há-de fazer, eu adoro a mulher.
Pérolas como (estou a citar de memória):
"Perdoar é abdicar da esperança de que o passado poderia ter sido diferente".
"Escutem sempre os vossos pressentimentos. Primeiro eles chegam sob a forma de sussurros que só nós parecemos escutar. Mais tarde transformam-se em gritos, quase impossíveis de negar".
Reportagens sobre Martin Luther King, genocídios, racismo, xenofobismo, pais de merda, pais corajosos, pessoas doentes, pessoas lutadoras, pessoas vis, viagens, decoração, guerra e uma vida inteira de possibilidades.
Cenas destas. Cenas que nos prendem, que nos colam o rabo ao sofá quando o programa dela começa e que nos fazem suspirar quando termina. Cenas que nos fazem sentir minúsculos, ou grandes. Que nos fazem pensar.
Por tudo isto, sei que vou lacrimejar perdidamente quando a sua ausência se fizer sentir na minha vida televisiva.
Será que o canal dela vai estar disponível nos nossos cabos?
Deprimi.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Conselhos fundamentais da maternidade

Não usar roupa escura quando se tem um bebé constipado. O contraste do ranho no preto, ou no azul escuro, ou no verde escuro é inevitável e dá um aspecto suavemente badalhoco.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Iluminatus est

Eu cá acho uma rebarbada treta, uma poeira para a vista, um exagero para inglês ver (ou não ver, neste caso), um teatro para idiotas, não haver iluminação de Natal em Lisboa.
Uma Câmara criativa certamente arranjaria soluções para iluminar a merda da Avenida da Liberdade sem que a Troika nos enviasse para o quinto dos infernos monetários.
Ai que somos tão poupadinhos, estão a ver? Andamos a cortar na luz. Estão a ver como somos bons e poupamos no mês de Dezembro? Olhem só!
Temos funcionários camarários que são absolutas pedras na engrenagem, não funcionamos, chateamos com requerimentos, estupidimentos, entupimentos, adoramos a burocracia, daquela que não deixa ninguém fazer nada, mesmo que esse alguém queira investir na cidade, mas poupámos bué neste mês de Natal.
Ir a Lisboa mostrar as iluminações à criançada sempre fez parte dos nossos percursos de Natal e ajudaria a tornar este Natal, impregnado de crise e vestido de negro, um bocadinho mais luminoso. Agradeço à CML a poupança de dona de casa, mas dispenso. Acendam mas é a bosta das luzinhas, sim?

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Todas as nenhumas certezas do mundo

Fico sempre fascinada quando leio pessoas transbordantes de certezas, seguras de si e do seu futuro. Pessoas que sabem exactamente o que desejam para si e para os seus e que não se desviam um milímetro. Pessoas plenas de maternidade, de conjugalidade, de genialidade e outras tantas palavras que poderia inventar, terminadas em "ade".
Mulheres bem resolvidas (o que é que elas resolveram?), com maridos saídos de um filme da Disney, putos que não dão um pum, nem produzem ramelas e vidas com drama estrategicamente colocado nas entrelinhas, só para parecer real e suscitar algum compadecimento geral.
Eu também já fui assim, tinha resmas de leis e certezas não sujeitas a excepção. Sabia o que queria e o que não queria, até começar a viver fora do guião que tinha escrito para mim.
Quanto menos se vive (em todos os sentidos), mais leis não sujeitas a revisão se constroi.
Eu lá aprendi que o melhor é ir metendo plasticina nos meus planos e ir fazendo ginástica para aprumar os músculos que sobem e descem, ao sabor da vida.
Porque a própria vida, meninas e meninos, é a primeira a tramar-nos o esquema.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Acabou o drama

Acabei de ouvir no telejornal que os especialistas defendem a fantasia do Pai Natal. Os pais devem alimentá-la aos filhos.
E pronto, acabou-se o meu drama. Continuarei a alimentar, até eles, no seu devido timing, perceberem que é rebarbada tanga.
No entanto, faço questão de salvaguardar os Pais Natal dos Shoppings. Tipos suspeitos que recebem criancinhas aterrorizadas no colo. Esses, eles já sabem que são a fingir.
O verdadeiro, aquele que chega de trenó puxado por renas e, de vez em quando aparece aqui em casa com um sino, não anda pelas superfícies comerciais. Tem mais do que fazer.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Não, eu não estou com uma mantinha

sobre o corpo, a olhar a lareira crepitante e a sorrir com o momento idílico, como aparentemente, toda a gente tem feito ultimamente (a inveja é nojenta, sim). A minha lareira fuma mal e a última vez que a crepitámos ficamos com sequelas pulmonares permanentes e com a casa a cheirar a churrasqueira de Alvalade.
Também não estou com uma chávena de cacau quente a acariciar o pêlo do gato que não tenho e a suspirar, enquanto leio as páginas de um bom livro de vampiros, ou de assassinos em série.
Também não estou a ver uma comédia romântica, enquanto beberico um copo de tinto e passo o dedo sobre o rebordo do copo de cristal que não tenho.
Estou a fazer algo bem mais superior, bem mais erudito e repleto de sensibilidade humana:
Estou a chorar a morte do querido líder.

domingo, 18 de dezembro de 2011

www.solidão.com

Naquela pequena sala de si própria, ela escreve a alguém que não conhece sobre coisas suas.
Naquele pequeno sofá usado só de um lado, de pernas cruzadas e corpo frio pelo espaço que sobra, ela pede conselho a alguém que julga perfeito. Perfeito pela vida que (d)escreve naquele blogue, naquela página de facebook, naquele espaço virtual em que se pode ser tudo, desde que se seja capaz de agilmente o descrever em letras.
Naquela vida sonhadora, ela sonha poder ser dele, como a outra é dele. A outra linda, perfeita, de armário cheio de encanto e cabeça arrumada.
Naquela noite cheia de horas por passar, ela risca-as, às horas, uma a uma, como rasgões na pele e desabafa com ele, pede-lhe conselho, guarida, protecção. No fundo, pede-lhe atenção. Um minuto que seja. Ela imagina-o retirando tempo ao seu tempo ocupado para se dedicar a ela e às suas perguntas e anseios.
Ele responde-lhe. Ela sente-se importante na vida desse alguém tão importante que não conhece, mas que jura conhecer do avesso.
Tirando os 1345 amigos que tem no facebook, não tem ninguém. Por isso precisa de ouvir das letras de alguém o que poderia reter escutando uma voz do outro lado do telefone. Os conselhos que julga supremos, são apenas uma opinião, mas ela diviniza-os, engrandece-os, ao ponto de não achar possível que ele erre.
Ele sente-se Deus. Ele faz a diferença na vida dessa pessoa. É bom sentirmos que somos importantes para alguém. É inebriante sentirmos que temos poder sobre outra pessoa qualquer. Então, ele escreve sobre isso e sente-se ainda mais importante quando lhe chovem elogios de bondade sobre os ombros erguidos de vaidade.
Gasta horas e horas dos seus dias em frente a um monitor feito de maçãs Macintosh e sente-se grande. Grande como Deus. O Deus das pessoas sós.
Ela olha as horas e fecha o seu computador, abraçando-o como um tesouro único que não quer perder.
O telefone não tocou, a campainha não tocou, a sua vida não saiu dali.
Puxa o cobertor sobre o corpo frio. Levanta-se num ápice e verifica de novo o seu mail. Inbox vazia.
Volta a ler os mails trocados. Fecha de novo o portátil.
Deita-se. Os seus pés frios buscam em vão um lugar quente nos lençóis de Inverno. Apaga a luz e chora.
Ele sorri. Sabe exactamente sobre o que escreverá no dia seguinte.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Tic-Tac-Ti-Ta-T-T.............

Cada vez me convenço mais que a vontade de ter mais filhos é directamente proporcional às ajudas que se tem.
O meu relógio biológico eclipsou por completo. Não dá horas, minutos, segundos, dias, nem semanas.
Depois de estar há mais de um mês a ouvir tossir de noite, o meu organismo entrou em modo de auto-defesa e estou desconfiada que engoli os meus próprios ovários.
Quando vejo um bebé fofinho e pequenino sorrio e penso: Chiça, que fofura, cutchi cutchi, ainda bem que não é meu.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Ansiolíticos e negócios florescentes

Depois de uma ida à farmácia e de lá ter deixado uma pequena fortuna, o meu cérebro deprimido conseguiu carburar uma brilhante ideia:
Um projecto de lei que obrigasse este governo à comparticipação a 100% dos ansiolíticos, ou da erva (ainda não decidi o que compensa mais). Não basta a voz do nosso Ministro das Finanças, que nos embala na sua cadência dormente. É preciso de facto entorpecer os sentidos a outro nível, para não desatarmos todos aos tiros.
Uma vez que a taxa de suicídio e de mortalidade deve disparar em breve, pensei num bom negócio: Uma funerária que tenha no seu catálogo de possibilidades, caixões de cartão reciclado a preço de saldo.
Só boas ideias de negócio. Como é que eu não tirei Gestão?

domingo, 11 de dezembro de 2011

Feiras de Natal à Tugalesa

As nossas feiras de Natal têm que meter a Zon, ou a Meo e respectivas mascotes saltitantes a aterrorizar os putos.
As nossas feiras de Natal têm que meter patrocínios ao Pai Natal pela Zon, ou Meo. Duendes com logotipos da Zon, ou da Meo, ou quiçá, dos preservativos Control, ou de uma marca de vodka.
As nossas feiras de Natal têm música tecno e comes, muitos comes, entre os quais salpicão, queijo da serra, chouriços vários, hot dogs, farturas, pães com chouriço.
As nossas Feiras de Natal têm tanto de Natal como o Red Light District (minto, este sempre tem luzes vermelhas).
Estou com uma depressão na catacumba da tola. Fui à Feira de Natal nos jardins do Casino do Estoril e plena do espírito da época. Ou seja, vim com um crepe, um pão com chouriço e uma dúzia de castanhas no bucho. Minto, venho também com três sacos de amostras que a mascote da Nestlé estava a distribuir.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Talento Bruto

Hoje, sem justificação que me justifique, nem que esfarrapadamente me desculpe, parei no programa matinal da tvi e descobri que o tema desse mítico, profundo e abrangente talking showing, era Picha e Coina, essas duas famosas localidades da nossa portugalidade. Famosas, não pela gastronomia, não pela beleza natural, não pelo raio que as parta, mas pelo seu nome.
As lágrimas, as gargalhadas, as chalaças feitas em redor dos dois locais com nome de pilinha e pi-pi, levaram-me a crer que o próximo programa será sobre um local no mapa chamado cocó, esse tema de humor acutilante e profundo, que faz furor na pré-primária e que arranca gargalhadas à criançada toda (eu incluída).
Ahahahahahaha, picha e coina. Ahahahahahah que original, que certeiro. Ó meu Deus, quem se terá lembrado disto? Como é que não vão estes criativos para Holywood, ou para a BBC?

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A Sério?

Porque é que abro o meu gmail e descubro que uma merda qualquer pornográfica invadiu o meu blog de comentários encriptados (ou lá o que é aquela merdunce aos quadradinhos com a palavra sex no meio).
A sério? Realmente? Aqui? Vão lá para outra esquina, pode ser? Aqui, o mais perto da pornografia que vão encontrar é um post sobre as desvantagens do fio dental.
Tudo o que existe de mais patético parece insistir em acontecer-me.

To Have or Not to Be, ou qualquer coisa assim

Outro dia ouvi um realizador de cinema, americano e milionário, dizer que percebeu que o dinheiro não era importante. Despojou-se assim dos casarões, dos carrões, dos milhões e de tudo o que acabasse em ões na sua vida. Ficou mais feliz.
Isto é espectacular, espiritualmente superior, é todo um outro nível de sabedoria de vida. Mas uma pessoa que faça contas ao dinheiro para comprar comida e peúgas para os filhos, ou que tenha os dentes podres, porque não pode pagar o dentista, jamais atingirá este nível de espiritualidade.
Enfim, o que eu quero realmente dizer é que é preciso ter-se dinheiro para se poder afirmar que não se precisa dele.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Absolutamente fascinada e apaixonada

Pelo raio do tabuleiro que comprei no Ikea.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Reflexão tão vaga e cretina como outra qualquer, mas minha

O nível de exigência que temos para com os nossos amigos, está proporcionalmente ligado à nossa própria auto-estima.
Aceitarmos amizades medíocres, carregadas de pequenas decepções, de pequenos arranhões infectados, é aceitarmos que não merecemos melhor.

domingo, 27 de novembro de 2011

Esclarecimento precisa-se

Mas que moda é esta de fazer pedicures com peixinhos?
Eu alucinei, ou vi uma loja num centro comercial, cheia de aquários com peixes pretos para a malta mergulhar os cascos?
Estou até agora enojada e a pensar quanto teriam que me pagar para enfiar os meus próprios cascos na água cheia de peixes e peles mortas de cascos alheios.
O que é que os peixes fazem? Comem as unhas, limando-as? Trincam as peles do calcanhar? São tipo piranha, ou enguia?
Bilheque.

sábado, 26 de novembro de 2011

Em Choque Catatónico


Acabei de descobrir mais um excremento americano em forma de programa televisivo no canal TLC, na linha do Toddlers and Tiaras. Chama-se Outrageous Kid Parties (deu-me preguiça de procurar um link) e mostra-nos mais um bando de mães (de classe média) desvairadas, que planeiam festas milionárias para os seus putos.
Neste momento estou a ver uma criança que vai fazer 6 anos, a receber um tratamento de beleza, antes de a mãe desembolsar mais de 2.000 dólares por um bolo, 20.000 dólares pelo espaço para a festa e provavelmente mais uns milhares em coisa nenhuma, pois perdi o fio à meada.
Mais uma vez há um pai banana que cede à loucura da mãe tresloucada e uma criança que vai apontando para um bolo de 10 andares num catálogo de bolos e que relaxa numa sessão de tratamento de pele.
A miúda tem birras quando vê o presente que lhe deram e tem birras porque partiu uma unha e tem birras porque, no fundo, é uma criança. E não há ninguém que dê uma paulada na cabeça desta mãe-que-tenta-preencher-o-seu-passado-frustrado-através-da-vida-dos-filhos.
Enfim, americanices.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Casa das Histórias

Aqui está um sítio que já se enraizou nas minhas rotinas. Quer seja para um café na esplanada, quer seja para assistir às actividades infantis, quer seja para beber café, comer uma fatia de pão de ló e, logo de seguida, percorrer as salas preenchidas de imagens, quer seja para correr na relva atrás da Alice e do António. Adoro a forma como esta Casa das Histórias está pensada, para acolher toda a gente, sem barreiras.
Não é peneirenta, nem pedante. É sóbria, sólida, tranquila e convida o comum dos mortais a passear por entre as obras da Paula Rego e de outros autores que ela decide expor.
Confesso-vos que nunca fui grande fã da pintura dela. Apesar de reconhecer o seu talento, sempre a achei desagradavelmente rude (não a ela, mas às suas personagens), mas amo a sua Casa das Histórias e pisco-lhe sempre o olho na saída, agradecendo-lhe ter-me aberto assim as portas da sua casa e prometendo voltar.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Pisar merda é sinal de dinheiro? A Sério?

Se vos disser que tenho uma tipa que passeia a cavalo pela minha rua e que o cavalo decide esvaziar as entranhas em frente do meu portão.
Se vos disser que o cão da minha vizinha snobenta, que é do tamanho de um cavalo, se solta sempre no passeio em frente do meu portão.
Se vos disser que há um gato vadio qualquer que adora vir cagar ao meu relvado.
Se vos disser que outro dia o António pisou a merda do gato e que eu passei com as rodas do carro sobre a merda do cão e do cavalo, mesmo antes de penetrar com o carro na garagem. Enfim, se vos disser tudo isto, vocês, crentes da sapiência popular, dirão que em breve cagarei dólares. E eu quero acreditar que sim, que merda atrai dinheiro e não mais merda. Mas por enquanto a única coisa que tenho cagado são despesas inesperadas mais iva.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Fora de Série



Sempre fui apanhada pelas séries de época da BBC, mais particularmente, por tudo o que fosse baseado em obras da minha adorada Jane Austen.
Donwton Abbey, não sendo BBC, nem baseado em coisa nenhuma, está melhor do que tudo o que já vi dentro deste género.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O Tempo Levou (a minha versão)

Desde 2001, altura em que comecei a namorar com o Hugo, deixei de usar:
VHS
K7
mapas de estrada
Bilhetes de cinema que não pareçam talões de multibanco
disquetes
máquinas com rolo
sapatos de ténis brancos
t-shirts com mangas pelos cotovelos
Casacos de ganga
despertador de mesa de cabeceira
aparelhagem de som
telefones com fio
enciclopédias de papel
canetas de tinta permanente
óculos graduados
Esquentadores sem serem inteligentes
fogão e forno a gás
Levis de cintura subida, mais concretamente, até aos sovacos

Inspirada neste post

domingo, 20 de novembro de 2011

croc made in china, loja do china

Farta de gastar dinheiro em sapatos que lhes servem apenas por uns meses, principalmente se esses sapatos forem feitos na china, como as crocs, decidi investigar junto de quem conhece o meio chino-loja, se por lá haveria "crocs" de inverno made in china e de facto vendidas na pequena china portuguesa. Tendo tido um sim como resposta, incursionei por um desses estabelecimentos dentro. Desci à secção do calçado, movida pela determinação de não sair dali de mãos a abanar (como sempre acontece).
Mas o cheiro a alcatrão e a borracha queimada que exalava daquele magnífico calçado, penetrou com tamanha intensidade nas minhas narinas, que passado uns minutos rodeada de todo o tipo de solas de superior qualidade, quase padeci, vítima de intoxicação fedorenta.
Tenho o nariz dormente até agora e não encontrei porra de crocs nenhumas, só Louboutins de plástico, Fly Chinoise e galochas que cheiravam a cola.
Acho que há males que chegam por bem, pois estou desconfiada que se tivesse encontrado, teria que encomendar sacadas de máscaras de oxigénio para sobreviver ao pivete.
De que merda pestilenta são feitos aqueles calcantes, alguém sabe?

sábado, 19 de novembro de 2011

il pimba divo



Poder tentar, podia. Podia de facto fazer um forcing para abrir a minha mente e o meu espírito a estes senhores. Afinal de contas eles levam a música clássica a toda a gente e retiram-na daquele pedestal elitista. Mas não consigo. Olho para a cara deles e imagino-os a pentearem-se com laca antes de abrirem a boca e a pulverizarem a amígdala com spray de menta. Imagino-os a escolherem o sapato que jogue com a enxarpe e a meterem creme de rosto, antes de subirem ao palco. Imagino-os numa casa cheia de carpetes tigradas e espelhos por todas as divisões e desisto de tentar aceitá-los.
Sou uma cabra snobe, sim. Mas só no que toca à música a atirar para o clássico.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A Nuna Marklina que há em mim

Lembro-me, como se fosse hoje, da nossa primeira aparelhagem a sério. Um trambolho, cheio de tijolos sobrepostos da Pioneer, preta opaca. Com dois decks para as cassetes e um leitor desses mágicos e reluzentes Cd's, que para mim permaneciam um mistério. Para os que tinham uma certa relutância em largar o vinil, tinha ainda um fofinho gira-discos sobre este prédio de som. Por isso eu poderia continuar a ouvir o Born In The USA, do Bruce Springsteen, o vergonhoso álbum do Jason Donovan, o Heaven Is a Place On Earth da Belinda Carlisle e todas as brasileiradas que polulavam na cultura daquele 4ºDtº de um prédio no Lumiar.
As colunas daquela Pioneer, meu Deus, as colunas eram brutais e quando o volume estava no máximo (o que acontecia sempre que me apanhava sozinha em casa), faziam as janelas vibrar, tensas e contidas.
Naquela altura, ao contrário do que sucede hoje em dia, as aparelhagens eram para serem vistas. Quanto maiores, mais estilosas.
Como só tinha Lp's e Singles em vinil e queria, porque queria estrear aquele leitor de cd's, pedi dinheiro à minha mãe e saí em direcção ao Centro Comercial do Lumiar, a fim de comprar o meu primeiro Cd. Tinha uma capa preta e a tromba do meu querido Phil Collins. Foi provavelmente o Cd ao som do qual mais choraminguei, mais slows dancei e mais suspirei.
Depois os Pink Floyd, como é que eu ouvia aquela merda vezes e vezes sem conta? Aquelas músicas que não terminavam nunca (e cuja única parte que eu verdadeiramente curtia era os primeiros 2 minutos), mas que eu tinha que gostar, só porque era cool gostar. Abria as janelas, rodava o volume até ao limite e punha-me ali no parapeito a olhar o infinito e a mandar umas baforadas num cigarro, a curtir o som, armada em boa, só para que as cabeças se virassem para cima, ao som do Whish you Where Here e sorrissem com o meu bom gosto musical...
Olhando para trás, eu também fui o Nuno Markl. É por isso que aquele caixa de óculos, que usa os seus defeitos em seu proveito, tem tanto sucesso com os seus cromos. Há-de haver sempre alguém, como eu, que esteve lá, onde ele esteve :)





segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Estou Tramada

Nunca acreditei no Pai Natal e, antes de ser mãe, sempre defendi que não se devia dar corda ao mítico velhote nas mentes infantis.
Só que, como a maternidade é feita da arte de deglutir sapos uns atrás dos outros e perante a credulidade fofinha da minha filha, nunca tive coragem de lhe negar a existência do barbudo. E pior, mil vezes pior (e por isto me chibato cem vezes em cada omoplata), o meu tio tem-se mascarado para os putos todos os santos Natais. Vem pela rua com um sino e lá entra cá em casa com um saco com prendas, perante a estupefacção generalizada da criançada.´
Ultimamente a Alice tem-me perguntado se o Pai Natal sabe quem ela é, se ainda se lembra onde mora e se ele adivinha mesmo o que as crianças todas querem. No meio de tantas perguntas começa a custar-me à brava ter que inventar as respostas. Sinto que minto descaradamente. Eu, que tantas vezes lhe digo que não se deve mentir.
Só por causa disso já tratei de lhe dizer que a Fadinha dos Dentes não deixa presentes debaixo da almofada coisa nenhuma. Quem o faz são os pais.
Como é que saio desta sem parecer que a enganei este tempo todo?
É o drama, o horror e vem de trenó puxado por renas.

O Choque da Minha Vida

Não, não foram as minhas galochas da moda (que não tenho, pois são cultura-de-fungos-friend) que se derreteram.
Não, não choveu sobre o meu cabelo esticado, nem encolhi a minha melhor camisola de caxemira.
Não, não deprimi porque ainda não começaram os saldos.

Arrastei a máquina de lavar a loiça, a fim de limpar o bedum escondido e ainda estou a hiper-ventilar.
Opção número 1:
Voltar a arrastar a máquina e fingir que não aconteceu nada, tomando vários copos de vinho.
Opção número 2:
Tentar limpar (pelo menos as teias de aranha), ver que fica tudo na mesma e entrar em depressão.
Opção número 3:
Escrever ao Querido Mudei a Casa, pedindo uma cozinha nova e ficcionar a minha história de vida.

A sério, a minha cozinha está podre. Aquele bolor em redor da ficha que liga a máquina da loiça à prostituta da Edp, está à beira de um curto-circuito.

domingo, 13 de novembro de 2011

Confiem em Mim

Numa época em que se liga a televisão e se transmite à humanidade, via facebook, a série que se está a ver naquele instante.
Numa época em que existe uma cena chamada Twitter que permite a alguém actualizar o status, de cada vez que dá um peido de consistência nova dentro do elevador de um prédio em Odivelas.
Numa época em que se partilha o jantar que acabou de ser servido no restaurante, para que se possa, enfim, actualizar os 23412 amigos on-line.
Numa época de Ipad's, Iphones e o diabo a sete mais uma maçã trincada.
Numa época em que o mais merdoso dos filmes há-de ser exibido em 3D, mesmo que seja um monólogo com um personagem sentado em frente ao espelho.
Numa época de emoções que não se sentem, enquanto não forem partilhadas com a comunidade virtual.
Numa época de velocidade furiosa em rigorosamente tudo o que existe.
Digo-vos:
Não revejam o Bambi e o Dumbo. Deixem-nos lá ficar no vosso imaginário. Vão ter uma grande decepção.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Os Grandes Amores


Lembro-me da cassete que ele me gravou quando terminámos tudo, a fim de irmos viver a vida, fosse lá isso o que fosse. Essa mítica cassete continha apenas os pedaços importantes de letras das nossas músicas :
"Since The Last Goodbye, you and i came a long way"
"Little girl i wanna marry you, oh yeah, little girl i wanna marry you, yes i do"
"I Tell myself that i can't hold on forever" "You give my life directon"

E assim continuavam trechos e trechos de letras tremendamente românticas, retiradas do contexto, ou não, só para me transmitir, através das músicas que costumávamos ouvir, o quanto eu era de facto estupidamente importante para ele. Aquela cassete de 60 minutos, gravada dos dois lados e com uma capa personalizada, resistiu à passagem dos anos e dos namorados, dentro do fundo de uma gaveta.
Tinha quinze anos e pensei que jamais voltaria a gostar assim, de manhã à noite, a cada instante de segundo, a cada golfada de ar inspirada e expirada. Chorei, ri, sofri, deixei de sofrer. Afoguei mágoas e renasci finalmente para outro grandessíssimo amor qualquer.
Vários grandes e pequenos amores chegaram e partiram da tal vida que queria viver e a cassete continuou no fundo da gaveta, mesmo quando já não existiam leitores de cassetes em lugar algum.
Cansada dos amores pequenos, tremendos e assim-assim, fiquei sozinha durante o que me pareceu outra vida inteira. Não por escolha própria, mas porque assim foi.
Sozinha estava serena, sem palpitações cardíacas, interpretações de olhares, tons de voz, atitudes a analisar e escrutinar. Enfim, todas essas tretas que cansam o músculo cardíaco até à exaustão.
Sozinha era bom.
Até que sozinha deixou de ser bom.
Então veio aquele que seria o meu maior amor. Aquele que seria o princípio da minha família e eu cresci. Deixei de olhar tanto para trás, de inventar para a frente e comecei a olhar mais para o meu lado.
Abri aquela gaveta, tirei a cassete para fora e puxei pela fita velhinha, até deixar um esqueleto vazio no lugar da cassete transparente cheia de 60 minutos de palavras de amor.
Esse foi, então, o princípio do resto da minha vida.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O Chef que tem dentro de si

Sei que já falei nisto, mas à medida que o excesso de peso se torna uma tragédia fora de moda, tal como o vício do tabaco, ironicamente, entram na moda os programas culinários e os livros lançados por toda a malta que saiba estrelar um ovo e meter uma erva aromática sobre a gema.
Parece que a mulher do Seinfeld lançou um livro de culinária.
E perguntam vocês (e bem): Quem é a mulher do Seinfeld?
Isso mesmo, acertaram, é a mulher do Seinfeld e ensinou a fazer frango assado no programa da Oprah. Fiquei catatónica com tamanha sapiência culinária.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Não digam nada a ninguém,

mas daquilo que já li, de tantos livros comprados, emprestados, devorados pela noite fora, pela tarde dentro, ou pelas manhãs solteiras de domingo. De tanto escritor merdoso, assim-assim, bom, ou genial. Americano, russo, inglês, japonês, brasileiro, italiano e de nacionalidade irrelevante, na relevância da escrita. De tanto homem petulante, ou humilde, de letras escritas com lenta paciência e estudo, ou arrancadas das entranhas num rápido parto.
De todos os escritores que já conheci através do que decidiram escrever, o Eça continua a ser o justo alvo da minha paixão.
Lembro-me ainda das lamurias e queixumes de colegas que tinham que lê-lo e foi por isso com o fraco ânimo de adolescente, que me debrucei sobre Os Maias.
Foi a minha primeira paixão literária e, agora que olho para trás, continua a ser a maior.

domingo, 6 de novembro de 2011

Tragam os violinos



Bem sei que já venho tarde e a más horas falar desta mítica e mais do que romântica união, mas depois de ouvir pela enésima vez que a Duquesa-Pteronodonte de Alba é maravilhosa e que o amor não escolhe idades e que ela é que sabe o que é vida e que ela esteve lindamente a dançar no seu casamento, qual múmia ressuscitada do sarcófago, prestes a desfazer-se em cinzas, não deu mais para controlar a gargalhada.
Sim, ela tem dinheiro e tem direito a ser feliz, é um facto. Se não tivesse dinheiro, apesar de ter o direito a ser feliz, não encontraria um neto que a ressuscitasse com o seu beijo molhado e que a fizesse de feliz dessa forma amorosa. Teria que ser feliz de outra forma qualquer.
Agora para os mais românticos e para aqueles que apregoam (e bem, claro) que o amor não escolhe idades, tenho uma novidade chocante:
Não, ele não está perdidamente apaixonado por ela. A menos que tenha aquela tara de pinar com cadáveres em decomposição.
Atirem calhaus ao meu coração de gelo, mas aqui há amor ao pilim. Ele gosta do pilim dela, ela tenta segurar o pilim dele e vai morrer a tentar.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Oiçam o Karson


E não é que ontem, no programa da Oprah, esta querida e espalhafatosa bichona deu o conselho fashionista do século?
Da sua boca botoxizada saiu um advice que partilho convosco, minhas vítimas ensandecidas da moda:
- As Leggings não são calças! Não são para serem usadas como calças. E eu verguei-me perante a sua sapiência. Ando a dizer isto há séculos.
Agora que terminou o meu minuto de futilidade, vou ali e já venho.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O caixote do lixo em que me transformei

Os meus filhos, além de verem em mim um poço de ternura, amor fofinho e todas as lamechices inerentes ao estatuto que nos traz a maternidade, gostam de me ver como o seu ecoponto privado.
Lenços ranhosos depositados na minha mão, bolachas cuspidas, papéis rasgados, embalagens vazias. Enfim, eu sou um caixote do lixo com olhos.
Às vezes, o cansaço é tanto, que me limito a comer as bolachas cuspidas, só para não ter que levantar de novo a peida em direcção ao caixote do lixo.
Sim, sou triste.

domingo, 30 de outubro de 2011

Estou Aqui

Toco no teu rosto fresquinho e encosto o nariz na curva do teu pescoço. A tua pequena mão bate no redondo do meu ombro e dizes-me desse forma que gostas do meu colo, que estás onde deves estar naquele instante de pequena carência.
Queres depois descer até ao chão e correr. Não olhas para trás, para mim. A importância que me deste há pouco, fugiu contigo e com os teus minúsculos sapatos que correm à velocidade da tua alegria.
Alargo os meus passos e sigo-te de perto, mas distante. O suficiente para poder acorrer se precisares de mim. Não sabes que te sigo e continuas veloz na tua corrida pelo mundo. Queres reter tudo nas mãos, nos olhos, na palma dos pés. Sorris a desconhecidos. Eu não importo já. Nada atrás de ti te chama. És curioso e destemido e eu penso que não te comando. Por muito que queira manter ligados a ti os meus invisíveis fios de amor, não te comando.
Depois paras e olhas por cima do ombro. Ali estou eu, a tua guardiã silenciosa. Sorris. Confirmas-me e voltas a correr em direcção ao mundo.
Digo-te em voz só minha, sem que me entendas, ou escutes: Estou aqui, bebé. Estarei aqui, às vezes parece que sempre estive. É aqui que te pertenço. É aqui que tudo faz sentido.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O Fado Desgraçadinho

Ermelinda, a quinta de 9 irmãos, enviuvou cedo e ficou com três filhos nos braços. Aos 21 anos teve que regressar a casa dos pais, onde ficou numa pequena assoalhada, juntamente com os três filhos. Dormiam os quatro num pequeno colchão. Os pais eram gente pobre, carregados de carências afectivas e monetárias, mas acolheram-nos.
Dois anos mais tarde, Ermelinda conhece Tancredo e pensa ter encontrado o amor.
Tancredo era soldador numa pequena fábrica metalúrgica e mal ganhava para o seu próprio "comer", mas decidiram casar e foi já de bucho cheio que Ermelinda assinou os papéis no registo civil.
À saída do registo, o casal é atropelado. Tancredo perde um braço e o seu trabalho de soldador. Ermelinda dá à luz um par de gémeos, que nascem tolhidos pela prematuridade e com graves problemas respiratórios.
No hospital, Ermelinda apaixona-se por Joaquim, o senhor da limpeza e volta para casa dos pais. Tancredo não lhe perdoa a traição e com o braço saudável, atinge-a com ácido no rosto, deixando-a para sempre desfigurada. Joaquim não suporta viver com uma mulher marcada e foge.
Ermelinda chega a casa dos pais com os cinco filhos e de bucho novamente cheio. Arranjam-se como podem no pequeno colchão...
Esta é uma história de ficção, mas qualquer semelhança com a realidade não é pura coincidência.
E eu agora pergunto:
Porque porra é que um fadinho dramático, uma história de vida miserável, vem sempre acompanhada de várias levas de putos?
Ora deixa cá engravidar mais um bocadinho, xa cá ver onde é que cabe mais um.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Na Natação (a parte boa)

Desde que passei por um período turbulento na minha vida, período esse em que me transformei numa espécie de bola de stress e tensão, veias pulsantes e tudo, que tenho vindo a aprecisar coisas estupidamente normais.
O que antes era tarefa desgastante, agora é prazer.
O que antes era stressante, agora é canja de galinha com massinha de letras.
O que antes era um frete, agora é perfeitamente suportável.
Por isso, levar a minha filha à natação, já não é o correr no balneário, apressar, suar, ver tipas nuas e mães destravadas a lutarem por um duche vazio. Levar a Alice à natação é o meu momento zen.
Enquanto as restantes mães tagarelam sem cessar (de onde se conhecem elas, meu Deus) sobre as escolas, vidas, futilidades, olhando de cinco em cinco minutos para a piscina, para picar o ponto, eu encosto o queixo na pedra fria e fico ali, de pé a olhar a minha menina crescida em modo non-stop.
Não penso em mais nada, não quero saber de mais nada. Só os seus movimentos incertos, a sua coragem, a sua toca cor-de-rosa a despontar dentro e fora de água é que movem o meu olhar e aquecem o meu queixo gelado pelo contacto com a superfície fria.
Ela faz-me corações com as mãos e pisca-me o olho, eu retribúo. Naqueles 50 minutos, sou dela a cem por cento.
Sempre pensei que seria incapaz de me entregar à meditação, mas vejo agora que não é assim tão difícil despejar o corpo e a mente do que não importa. Basta-me ficar ali, a ver um bocadinho de mim fora de mim. Um bocadinho de mim tão mais corajoso, tão mais cheio de virtudes do que eu, um bocadinho de mim que não sou eu.