terça-feira, 10 de abril de 2012

Mundo Virtualmente Chato

Depois de ler este post da minha querida e mui inteligentíssima Joaníssima e mais este da mui sensível e maternal Lady, ou mais não sei quantos que tenho preguiça de linkar, venho aqui dizer que não mexem comigo os blogues que desfilam as compras, os sapatos, as roupas, as carteiras, os gastos pessoais.
Estou-me a cagar.
Tal como sempre caguei para os meus colegas de liceu que diziam quanto tinham custado os seus ténis, ou exibiam as suas belas t-shirts de marca, com orgulho de prémio nobel da medicina, ou os seus carros, ou as suas férias na Quarteira (esse pedaço de paraíso algarvio).
É apenas uma questão de educação, de sensibilidade.
Obviamente que não tem nada de mal. Não prejudica ninguém, mas eu acho um bocado pindérico.
Jamais me ocorreria espalhar aos sete ventos o meu guarda roupa, dia após dia, ou as minhas últimas compras, principalmente numa época em que tanta gente conta os tostões.
Até porque, verdade seja dita, morreriam todos de tédio.
Não sinto inveja, não me dá vontade de coçar sítios estranhos do meu corpo. Apenas não sinto vontade de ver de que formas gastam os outros o seu dinheiro.
Confesso que também ando um bocado enjoada do facebook e da malta que tira fotos aos acidentes mortais, ou que decide fotografar-se em frente do prédio do maluco de Toulouse, para espetar com a foto no seu mural.
Farta da fina barreira que separa o virtual do real, que vicia, manipula, estraga o que possa haver de genuíno.
Em suma, ando com uma overdose de narcisismo alheio. Já me basta o meu.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Não custa repetir

Eu sei que já disse que era dos melhores dos últimos tempos, mas faço questão de dizer outra vez:
Vejam.



domingo, 8 de abril de 2012

A Perfeição Não Existe

E ter esta espécie de certeza adquirida dá-nos uma certa paz de espírito.
É que estar sempre a exigi-la, a procurá-la, a gritar por ela, a tentar encontrá-la em tudo e todos, cansa como o diabo (digo diabo, porque hoje é domingo de páscoa e ficava mal estar a dizer outra coisa).

sábado, 7 de abril de 2012

America's Next Top Clown/ou Quando Ele era Ela



Sim, eu sei que este senhora já existe há décadas e há décadas que ando para falar sobre ele, mas nunca calhou. Só que hoje, ao olhar para uma concorrente que escutava os conselhos dela, com um olhar sôfrego por sabedoria de passerele, eu pensei, pela enésima vez:
Mas o que é esta merda?
Depois temos o outro membro do júri, que fala um bocadinho melhor e parece ter um bocadinho mais de massa acinzentada, mas que parece saído de um duche de bronze e retocado a pincel.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

A dor do Divórcio

Se o divórcio é um mal necessário para muitos casais e, muitas vezes uma libertação de um ambiente hostil que se respirava em casa e nas suas vidas, a verdade é que, muitas vezes, quando existem filhos na equação, conduz a situações ainda mais graves do que as existentes anteriormente.
Perdi a conta a quadros familiares que se transformam em jogos de interesses, tanto para os pais, como para os filhos.
A partir de uma certa idade, os miúdos também sabem como manipular um pai-pós-divorciado. Vão-se passando de um lado para o outro, ao som dos seus próprios interesses e os pais, esses, desesperados pelo amor, pela atenção, por serem os vencedores do seu coração, na estúpida guerra do divórcio, deixam-se manipular, fingem que acreditam que aquela passagem para o seu lado é desinteressada e rejubilam, esfregando na cara do ex essa vitória.
Sempre defendi que deve ser uma luta duríssima, essa de permanecer à tona, de permanecer sereno, quando se sai de um divórcio cheio de feridas, de mazelas (sejamos, também, sinceros) de cornos.
Como é que vou dizer ao puto que a mãe, que me encornou, é uma boa mãe e que ele deve continuar a obedecer-lhe e a olhar para ela como um exemplo?
A sério, haverá tarefa mais dura?
E muitos putos (já mais crescidos, entenda-se), sentindo esta instabilidade, esta fragilidade, saltam para cima de todas as brechas que encontram, tirando proveito e pedindo em troca, exigindo que o seu amor, a sua atenção, tenham uma contrapartida.
Não faço a mais pálida ideia de como manter a saúde de uma família partida em pedaços. Apesar de o tom pedo-psicológico destas linhas, estou a quilómetros de distância de saber a resposta, por isso, talvez o melhor fosse mesmo encontrar uma ajuda profissional. Um piloto experiente que saiba os passos a dar para uma aterragem mais tranquila. Tentar resolver ao som do coração não basta, é que não basta mesmo.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

SOS

Manifestações onde os polícias descarregam frustrações nos manifestantes e onde um dos suspeitos de ter lançado um betardo, alega não ter passado de um estalinho de carnaval e afirma ter partilhado uma chouriça com a polícia.
Cortes de mais subsídios, especulações sobre a eternização do roubo do 13º e 14º mês.
Fecho de mais serviços de urgência nocturnos, taxas de desemprego que sobem, Presidente da República que se recusa a comentar, pois nunca está no lugar oportuno, nem na hora adequada e quando decide abrir a mandíbula, é para arrotar alarvidades. Concordo, tal como ele diz, que não está no lugar certo, pois imagino-o sempre a fazer patuscadas no quintal da vivenda Mariani, de chanato no pé e t-shirt manga cava, ao invés de conversações sobre o estado da nação.
Manifestações que me deixam presa numa interminável fila de trânsito, com o miúdo a ter ataques de pânico, só para perceber que desfilam envergado os trajes de rancho e, provavelmente com chouriças também e acordeão.
Greves que deixam quem paga o roubo do passe, sem passar para lado nenhum.
Ministros com cara de verme gosmento, outros com cara de sapo lambido. Deputados novinhos e betinhos, que entendem tanto da vida como um jovem adolescente a beber margueritas na discoteca Lux e que, no entanto, ousam ditar os nossos destinos, com o peito cheio de nada.
Supermercado mais caro, gasolina a níveis nunca vistos, facturas de electricidade, onde a maior parte do nosso dinheiro vai para merda, alheia ao nosso bem estar.
Notícias na internet que dão conta da crise, despida, transvestida, exposta, minuto a minuto, para nos atormentar em pequenas doses diárias de fel.
Farta, farta, farta, farta.

terça-feira, 3 de abril de 2012

metro quê?

A sério que existe por aí mulherio que acha piada a homens que ponham creme nos cotovelos, gritem de cada vez que sai uma colecção nova de calçado desportivo, vulgo, téne, que vibrem com desfiles de moda. Gostem até de comparecer aos mesmos e saibam o nome de todas as marcas de sapateiros, ups, designers de calçado feminino?
Eu sei que há gostos para tudo e também gosto de pessoas que cheirem a lavado e se vistam sem parecerem saídas do caixote do lixo, mas há que impôr limites
Se puserem hidratantes e anti-oxidantes e disfarçadores-de-olheiras, não me contem. Apareçam já com o produto final, sem detalhes, porque eu tenho a tendência (machista, bem sei) de não me entusiasmar com o lado de gaja de um gajo.

Da Morte, essa velhaca

"Oh! Não compreende sequer esta palavra: morte. Na sua idade, não significa nada. Na minha, é terrível. Sim, compreendemo-lo de repente, não sabemos porquê nem a propósito de quê. Então, tudo muda de aspecto na vida.
Por mim, há 15 anos, sinto-a minar-me como se trouxesse cá dentro um animal a roer-me. Dei por isso aos poucos, mês a mês, hora a hora, a abalar-me assim como uma casa que vai abater. Desfigurou-me tão completamente que já não me reconheço. Já não tenho nada de mim, do homem radiante, fresco e forte que era aos 30 anos (...) Sim, ela vai realizando, a velhaca, docemente, terrivelmente, a longa destruição do meu ser, segundo a segundo. Agora, sinto-me morrer em tudo o que faço. Cada passo me aproxima dela, cada movimento, cada respiração apressa a sua odiosa tarefa. Respirar, dormir, beber, trabalhar, tudo o que fazemos é morrer. Viver, em suma, é morrer (...) descubro-a por toda a parte. Os insectos esmagados no caminho, as folhas que caem, o cabelo branco descoberto na barba de um amigo, dilaceram-me o coração e gritam: Aí está ela! Estraga-me tudo o que faço, o que como, bebo, tudo o que gosto.
Ninguém volta mais. Nunca. Guardam as formas das estátuas, os cunhos com que se fazem os objectos iguais; meus desejos não voltarão mais. No entanto, nascerão milhões, biliões de seres, que terão, no espaço de alguns centímetros quadrados, nariz, olhos, testa, faces, boca como eu, sem que jamais, qualquer coisa de mim que seja reconhecível, reapareça nessas criaturas inumeráveis e diferentes, embora quase semelhantes (...)


segunda-feira, 2 de abril de 2012

É impressão minha,

1-ou o Jamie Oliver está cada vez mais parecido com um leitão?
Caramba, que só o imagino num espeto, com uma meia laranja na boca.
2 - ou o Ídolos (português) é um desfile de candidatos patéticos, que já perceberam que também podem ter fama por se fazerem de atrasados mentais (sim, estamos em Portugal), candidatos assim-assim e candidatos mauzinhos? Onde é que andam as vozes a sério?

domingo, 1 de abril de 2012

Intouchables



Há muito tempo que não gostava tanto de um filme.
A sério.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Avacalhada ou Abandalhada, ou...

Sei que estou a um passo de dar entrada para o clube do abandalhamento pessoal, quando:
Percebo que adormeci com a luz acesa e, horror dos horrores, deixei sair dos meus belos lábios, um pequeno e quase imperceptível, mas mesmo assim repugnante, fio de baba.
Decido entrar na pizzeria para almoçar com os miúdos, olho para a minha puída Sweat-Shirt Abercrombie and fitch (Sim, roam-se de inveja os que são de se roer de inveja) e tenho uma chuva de nódoas de origem duvidosa na zona abdominal, mangas e ombros. Secas, asquerosas, fossilizadas e bastante chamativas.
Lembrar-me de colar post-its em todas as assoalhadas da casa e na porta da rua:
- Não permitir abraços dos miúdos,logo após a ingestão de bolacha Maria e na constância de constipações.
- Não comer esparguete sem envergar um fato de celofane sobre a indumentária.
- Retomar o sábio, mas esquecido, hábito de me olhar ao espelho antes de sair de casa.

Reflexão (pouco) Católica

Eu sei que cada caso é um caso, que a excepção confirma a regra e que não pode pagar o justo pelo pecador, mas cada vez tenho menos simpatia por freiras.
Quando lhes dá para a frieza, distanciamento, amargura, ressabiamento, fujam delas como o diabo da cruz.
Também as há doces, serenas e entregues à missão, mas as outras. As que fogem do caminho, as que professam uma coisa e fazem outra, as funcionárias da repartição pública de Deus, estragam o quadro todo e consigo até imaginar-me a açoitá-las.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Do Limbo, vos desabafo

Nunca tive talento para me auto-promover. Jamais poderia segurar nas mãos um troféu que me lembrasse aquilo que alcançara, à custa do meu próprio (e salutar) ego, que possuo em escassas doses.
Vejo-me de uma forma estranha e insegura. Do alto da minha crónica falta de jeito para falar sobre mim, preciso que me vejam e me expliquem e me equacionem e me valham a pena. Pois de mim não gosto de dizer, nem de falar, nem de me achar, nem encontrar.
É estúpido e, provavelmente, trata-se, mas enquanto não for possível recorrer a um comprimido para isto, fico muitas vezes, à espera de respostas que não chegam, de mails que não regressam ao remetente sob forma de reply, de manuscritos que partem e não regressam sob forma alguma.
A questão é que tenho uma história escrita há vários meses. Uma história que acho que vale a pena pôr em livro e, como não cometi nenhum crime, não tenho um blogue de sucesso estrondoso, não sou vedeta social, não apresento programas de televisão. Enfim, como não faço a ponta de um corno dessas coisas desejáveis para se editar um livro em Portugal, vejo-me remetida para o limbo dos manuscritos e das expectativas presas pela trela invisível das editoras, que desejam sucessos garantidos à partida.
Eu podia torturar crianças e ser um sucesso de vendas, mesmo antes de começar a escrever. Podia assassinar alguém e pagarem-me antecipadamente a escrita de um livro que descrevesse o crime. Podia até fazer um blogue voltado para o sucesso rápido e eficaz, distribuindo conselhos "de graça", falando sobre homens e mulheres e maternidade e cães, mas não. Não sei fazer nada disso. Sou uma incapaz social. E, com a graça de Deus e, não existindo agentes que promovam as minhas letras por mim, não sei fazer pela vida.
E é isto. Hoje sinto que de nada vale aquilo que se escreve, mas sim quem o escreve. E é triste. Triste ao ponto de ter que escrever sobre isso.
Ainda não sei bem como partirei daqui, desta apatia, deste medo que me tolhe as pernas, impedindo-as de seguir em frente, mas alguma coisa sei que terei que fazer.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Nas nossas mãos

Acho que muita merda, em termos sociais, está, ou pode estar, nas nossas mãos. As associações de moradores, os condomínios, os agrupamentos do que quer que seja, são a forma mais espantosa de fazermos alguma coisa pelo nosso núcleo, pelo nosso bairro, pela nossa rua.
Eu decidi não ficar mais calada de cada vez que vejo o dono de um cão-cagador-de-parque-infantil, em acção, ou melhor, em não-acção.
Hoje mesmo, num parque natural que tenho aqui perto de casa, com um pequeno parque infantil, uma mãe, enquanto via o seu filho brincar, fingia não ver o seu cão a cagar o mesmo espaço. Tratei de a alertar para o cagalhão. Fez-se de estúpida, que não tinha visto e ai que ofendida que está, ai que não é preciso dizer-me nada, mas engoliu que se lixou e limpou.
Senti-me realizada. Menos um cagalhão num espaço verde.

domingo, 25 de março de 2012

O Atrofio da espécie

O que é que passa pela cabeça das mulheres, vestidas com largos vestidos, tipo bibe, sapatos que parecem meias e ganchinhos na cabeça, para imaginarem que conseguem cativar as crianças com histórias sobre a mitologia e o cosmos?
Eu, fã assumida da Casa das Histórias da Paula Rego, hoje vi-me apanhada numa destas histórias (supostamente infantis) por acidente, pois que passava pelas galerias e fui abordada, a fim de ficar a ouvir com os miúdos, a história que seria contada.
Assim fiz, até porque o público era escasso e tive uma certa pena da tal pipi-dos-sapatos-redondos.
Como é óbvio, o António, com dois anos, não consegue ficar quedo e mudo a escutar sobre a filosofia e o cosmos e os deuses e Deus e Zeus. A Alice já consegue disfarçar a seca, mas um puto de dois anos, precisa de mais esforço para ser cativado.
Depois de alguns: Mããããe e Oláááá! A atrofiada rapariga contadora de fábulas esotéricas, decide pedir-me que saia com ele, pois que não consegue sobrepor-se ao ruído.
Queria aqui dizer-lhe que regressasse à instrução primária e relembrasse as coisas que a cativavam nessa altura. Não é um exercício assim tão difícil.
Voz de lesma+Zeus+partir ovos crus e dizer que é a formação do universo não são a forma mais directa para o cosmos infantil, sim?
O facto de se vestir como uma criança, não a aproxima das crianças. Acredite.
E agora vou ali morder uma almofada e dar chapadas na minha própria cara, por não a ter mandado de volta para o pipi-de-sua-mãe e já volto.

sexta-feira, 23 de março de 2012

O dinheiro mais mal gasto

Dos últimos anos (não é semanas, nem meses, mas anos mesmo)


Isto é não ter a menor, repito, menor noção do que é ler histórias para crianças. Enfiar isto na secção infantil, mesmo ao lado das músicas do Panda e da Maria Vasconcelos, é um engodo.
Tudo em verso erudito. Cada fábula dura um minuto e a leitura é feita sem entoação, sem emoção, monocórdica e chata como o caraças (para não dizer chata comoocaralho).
Estou furiosa. FURIOSA.

quinta-feira, 22 de março de 2012

"Pais sem Stress são um mito"

Olhem só que texto giro.


Concordo com quase tudo o que li aqui. Ser perfeito durante toda a paternidade/maternidade é interpretarmos um papel. Um papel que não nos deixa viver a maternidade como ela é de verdade. Um misto de contradições, de sentimentos bons e maus, de tudo e de nada. De cansaço e exultação. De felicidade e neurose.
Sim, vamos stressando a níveis diferentes e, à medida que os meses passam, com coisas diferentes. Até atingirmos um nível em que stressamos com o que é verdadeiramente grave. Vamos aprendendo a contornar o stress e a reciclá-lo. Mas stressamos, sim e isso não faz de nós seres imperfeitos na arte de criar putos, mas seres-humanos.
Confesso que o exemplo que desejo dar aos meus filhos, não é o de um ser inalcansável, pleno de paz, serenidade e sabedoria e sorrisos constantes a todas as horas do dia e da noite. Um ser que nunca erra. Isso não existe e vai frustrá-los mais tarde, quando eles próprios tiverem que lidar com as suas próprias vidas, tentando sempre alcançar e copiar a utópica perfeição materna.
Quero que eles olhem para mim e, no conjunto, consigam ver que sou uma pessoa de carne e osso que, no balanço final, deu sempre o seu melhor e nunca os olhou como uma pedra no caminho de um sonho, pois eles fazem parte dos meus sonhos.
Sorrir-lhes quando acordam de manhã (de manhã e não às 3 da manhã) e abraçá-los à noite, antes de adormecerem são coisas que saem de dentro do coração, sem esforço e que nos fazem sentir que estamos no caminho certo.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Dia Mundial da Poesia / ou porque ela ajuda a combater o colesterol

"No ciclo eterno das mudáveis coisas
Novo Inverno após novo Outono volve
À diferente terra
Com a mesma maneira
Porém a mim nem me acha diferente
Nem diferente deixa-me, fechado
Na clausura maligna
Da índole indecisa.
Presa da pálida fatalidade
De não mudar-me, me infiel renovo
Aos propósitos mudos
Morituros e infindos"

Ricardo Reis

Não conheço nem um cagajésimo dos poetas de todo o mundo, mas, no meu íntimo instinto, sei que jamais poeta algum falará de mim como ele fala.

terça-feira, 20 de março de 2012

Coisas que me revolvem a alheira de mirandela interna

- Perceber que a moda Maria Antonieta na corte francesa está nas ruas. Que cena é esta de usar uma liga na coxa, com um laçarote de seda, sobre as meias de rede? A sério? Está na moda, é?
- Pessoas que dizem preferir mil vezes os animais às pessoas. Sim, eu entendo que os animais são muito puros e muito fiéis e muito lindos e idílicos e as pessoas são todas muito más e mentirosas e cruéis e tenho a certeza que existem pessoas muito piores que certos animais necrofagos, mas caraças, há qualquer coisa na generalização deste conceito, que inverte toda a minha escala de valores.

Não desmaiem os púdicos

Farta de todos os Keep Calms que infectam este mundo de fofura. Farta de todas as cor-de-rosuras e perfeições de moda e de espírito e de frases feitas em autocolantes virtuais. Farta das boas vindas à Prima Vera, com entusiasmo primaveril e inocente.
Aqui fica o único Keep Calm que me faz algum sentido.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Oh Yeah



E quando faço um zapping nocturno, e sem esperança de encontrar qualquer coisa que me mantenha a pestana aberta, e dou de caras com estas duas, na Rtp2?
É caso para dizer, Oh Yeah, pois que, apesar dos anos terem passado sobre os episódios, continuam igualmente cómicas e maravilhosas e nem um bocadinho desactualizadas :)
Que série, que série.

domingo, 18 de março de 2012

Sobrevivi à tinta magnética

Depois de quatro demão da famosa tinta magnética, que de magnético tem pouco (já encomendei uma sacada de extra-strong magnets no e-bay) mais duas demão de um salmão com problemas de estômago, aqui estou eu. Viva, porém sem braços e sem articulações das mãos.
Ainda quero espetar com umas pinturas sobre o salmão desmaiado, mas só depois de sair do coma (não confundir com cama, da qual tenho saído várias vezes por noite e logo de manhã bem cedo).

E assim se transforma um blog sobre coisa nenhuma, num blog de bricoleira.


Nota de rodapé pintado:
Tive que abreviar o nome do meu filho, pois fiquei sem letras magnéticas e, das muitas abreviaturas possíveis para o nome António, escolhi esta, a fim de homenagear esse grande e mítico homem musical da musicalidade portuguesa

sábado, 17 de março de 2012

Conclusão da semana.

Não sentirmos pena de nós próprios é um exercício complicadíssimo.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Espaços mortos e a tinta magnética




Com o evento dos computadores portáteis, o escritório cá de casa, enquanto espaço com útil finalidade, está morto.
Tenho uma parede cheia de placards com fotos, desenhos, postais, "criações artísticas" dos miúdos. Uma caixa com brinquedos, uma secretária descomunal, que alberga o meu velhinho e bajoulo computador, mas onde daria perfeitamente para fazer uma refeição para 6 pessoas, um armário com códigos e manuais (seleccionados da razia que fiz na última mudança) de Direito, clássicos da literatura que herdei do meu avô e voilá. Eis um espaço que não me serve para nada.
O meu coração remodelador palpita por uma mudança de visual. Palpita por um sofá-cama da IKEA, fofo e macio. Mesinhas de trabalho para a criançada. Móveis organizadores para os puzzles, jogos e afins, puffs, um tapete redondo, uma secretária mais maneirinha e o toque de mestre: Pintar a parede que tem os placards com tinta magnética, para poder prender tudo o que me der na gana com simples imans.
E é isto. Um post decorativamente cretino.
Como é óbvio, só vou ter orçamento para a tinta, por isso é o que farei. Talvez ponha à venda a loiça inútil que repousa no mais inútil louceiro, a secretária que é mesa de jantar-rústica e, com esses trocos consiga, pelo menos as mesinhas para os putos.

quinta-feira, 15 de março de 2012

"A Mulher é o único ser que quer mudar, mesmo quando está bem"



Há medida que os anos vão passando no meu calendário, as minhas exigências e prioridades em relação àquilo que importa, vão girando e mudando de posição, como uma roda gigante, daquelas onde conseguimos avistar a cidade inteira quando estamos lá em cima, ou apenas o chão de cimento, quando ficamos em baixo.
Se no princípio de tudo, eu queria sempre a vista inteira da cidade. Desejava tudo de alguém. Desde as flores, aos beijos, aos poemas, à filosofia, às tiradas excepcionais, ao romantismo irrepreensível (daqueles que vimos nas comédias românticas), ao gosto pela mesma música. A pessoa que seria a minha metade, teria que me encher de tudo a todas as horas e minutos, pois eu não merecia menos. Hoje, aos-mais-para-os-quarenta-do-que-para-os-trinta, são muito mais as vezes em que aprecio a firmeza do chão de cimento, às tonturas da vista lá de cima.
Hoje sei que não é possível tudo, todos os dias e a todas as horas e que exigir isso de alguém, em modo permanente, é uma espécie pontapé em nós próprios. É pedir o fracasso.
Entendermos que podemos estar bem, sem termos que ter tudo a cada instante, é uma prova de que conseguimos largar um bocadinho do pêlo feminino que nos cobre a pele, e que nos foi incutido desde cedo pelos contos das princesas beijadas, que viveram felizes para sempre com o seu príncipe perfeito e imaculado.
As relações têm mácula e aceitarmos a possibilidade das nódoas, da falibilidade alheia, é meio caminho andado para vivermos livres das ânsias femininas que nos consomem.
É que isto de ser mulher, não confunde só os homens. Muitas vezes põe-nos doentes.


*Frase ouvida na entrevista do MST, ao Dani Oliveira.

quarta-feira, 14 de março de 2012

cansada

Depois do stress da operação (apesar de simples, eu sei, mas não deixou de custar), à minha filha e de ela se ter portado como um verdadeiro copo de açúcar e doçura (tirando o acordar da anestesia, em que revivi o exorcista inteiro).
Depois de o António ter apanhado escarlatina nos dias que antecederam a operação e nós não sabermos se ela teria a bactéria, ou não e, logo, se teria que ser adiada a intervenção, ou não.
Depois de vários dias de nervoso miúdinho e grandinho.
Depois de muitas decisões e desempates médicos, em que tive que reaprender a ouvir o que dizia o meu instinto.
Depois de passado o pior, de a tosse nocturna ter desaparecido, juntamente com os adenóides. Depois de eu querer beijar o otorrino por me ter devolvido as noites sem tosse (entendo agora os desenhos na sua parede e percebo que devem ter sido as mães a desenhá-los).
Hoje o António acorda de novo todo às pintinhas.
Foda-se. Estou tão cansada do exercício da enfermagem, vinte e quatro, sobre vinte e quatro horas, mas tão cansada, que só me apetece ganir.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Onde Estará

Onde estará aquele que me levará embora os minutos vazios da noite, cheios da sombra da rotina e os trocará por emoção?
Onde estará aquele que me arrancará daqui, em direcção a tudo o que tem para me contar e me transportará nos seus lábios de letras sem fim, até ao seu mundo?
Onde estará aquele que me comoverá e me fará carregar para sempre a sua história, bem dentro daquelas memórias que não acabam nunca?
Em que prateleira dormirá, à espera que as minhas mãos o encontrem, à espera que dele me falem, aguardando voltar à vida, mais uma vez através do olhar de alguém, do meu olhar?
A Melissa falou-me neste livro, mas estava longe de imaginar que seria um grande amor.
Agora parto em busca do próximo. Falhando muitas vezes, superando outras, desistindo outras tantas, mas sempre à espera de um outro grande amor, que pareça conhecer-me desde sempre e ao qual me apeteça retornar vezes sem conta, em pensamento.

sábado, 10 de março de 2012

Drive Cobra






Nesta fase da minha vida, divido os filmes em duas categorias:
Os que me fazem adormecer.
Os que não me fazem adormecer.
O Drive manteve-me bem acordada, sim senhora, mas trouxe-me à memória um filme mais antigo, com esse mítico e irrepreensível actor, Silvestre EstAlone.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Celebre o dia da Mulher II

Acabei de receber um SMS da Midas: Celebre o dia da mulher com um check-up gratuito.
Será que vão fazer rastreio da mama?
Mas quem é que trata do marketing das oficinas? Serão os próprios mecânicos? É que, a sério...

Celebre o Dia da Mulher

E venha à Santogal. Na compra de dois tapetes para o carro, oferecemos uma lavagem.
Este é, provavelmente, o SMS mais enternecedor que já recebi em toda a minha existência feminina.
É preciso um conhecimento íntimo da mulher, uma sensibilidade exagerada, uma profundidade materna para engendrar uma publicidade assim.
Que mulher é que resiste a isto, ãh?
Eu vou já a correr celebrar o dia da mulher e comprar dois tapetes para o carro, um para cada lado.

domingo, 4 de março de 2012

Coisas Sobre-humanas e outras

Reynaldo Gianecchini diz, numa revista da cusquice, que só conheceu amor e sorriso com o cancro.
Uma qualquer empalitada famosa, afirma na capa de uma publicação cor de rosé moisé, que nada a deita abaixo.
Depois temos todo um conjunto de recém mamãs que saem da maternidade e afirmam, enquanto posam com um bebé sob uma fralda de pano, que os seus filhos são uns bens dispostos e uns paz-d'alma.
Pois eu tenho novidades chocantes para os leitores destas revistas. Novidades que talvez vos pareçam demasiado rudimentares, ou terra-a-terra, mas aqui vão elas.
- Há malta que, efectivamente, fica triste por ter um cancro e que não consegue entender, porque porra é que aquela merda lhe foi acontecer.
- Há mulherio que chora e deprime quando lhe metem os palitos e fica um bocadinho deitado abaixo.
- E a maior parte dos bebés porta-se bem em ambiente hospitalar. Mas deixem-nos só chegar a casa, para verem o que é bom para a tosse.
E pronto, era só isto.

sexta-feira, 2 de março de 2012

To Die For

Não, não é um par de sapatos. É uma das melhores massas que provei nos últimos tempos :)
E é pena que não aliciem este blogue com publicidade, porque me venderia bem facilmente por um carregamento deste esparguete.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Pelo vosso olhar



Para mim, a melhor parte de vocês, não foi as fraldas e as cólicas e os biberons, os babetes e os aviões com a colher de sopa.
Para mim, a melhor parte, se é que há melhores partes deste todo de ser mãe, não foram os choros, os banhos, as botinhas de lã que nunca chegaram a usar, ou as noites mal dormidas e o ovo no carro.
Para mim, a parte mais incrível nisto de vos ter, é poder partilhar as minhas coisas de criança convosco e reviver tudo pelos vossos olhos. É como renascer.
Não sei explicar isto que sinto, quando vejo de novo o ET com a Alice, ou quando lhe explico os Goonies e o barco pirata desse filme da minha infância.
Não sei colocar para fora a emoção de vos sentir crescer para o meu mundo. De vos ver na minha vida lá atrás e agora, aqui à frente.
Querer que sejam felizes onde eu fui e felizes onde não fui.
A Alice perguntou-me quem era aquele homem que cantava no rádio do carro e eu respondi-lhe que era a Tracy Chapman, uma mulher com voz poderosa, que conseguia enfiar centenas de palavras num único refrão e que eu ouvia quando tinha 13 anos.
E ela quis ouvir, porque eu ouvia quando tinha 13 anos, como se pudesse imaginar-me mais pequena.
Quando, digam-me, quando no raio das nossas vidas, nos sentiremos mais protagonistas do que isto?
Bem sei que depois o pano cai e eles percebem que somos apenas pessoas banais e repletas de defeitos e inseguranças. Há quem nunca recupere da decepção, há quem aprenda a construir novos heróis, há quem veja os pais a vida inteira como heróis. Só sei que, enquanto depender de mim, hei-de aproveitar cada segundo deste protagonismo de me viverem, como se fosse a coisa mais incrível do mundo.
Aquele filme ali em cima, é um filme que quero muito ver com ela e depois com ele. Um filme lindo e, como não poderia deixar de ser, baseado num livro de John Irving.
Também já comprei a 30 Diabos da Enid Blyton e ando a controlar-me para não comprar já os volumes todos da Condessa de Segur.

My son

Ele dança de alegria quando percebe que atendo ao seu pedido e vou tirar uma fatia de queijo do frigorífico.
Sim, ele dança, levantando os braços para o céu e produzindo pequenos gritos eufóricos, quando percebe que vai comer queijo.
Segura na fatia de queijo e senta-se num cantinho, entregando-se àquele êxtase gastronómico.
Os maiores prazeres da vida são os mais simples. E ele sabe disso como ninguém.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Vou passar a fazer as minhas próprias t-shirts

Há quem passe os dias a formar equações mentais, fórmulas matemáticas, teorias abstractas, absolutas, números empilhados, subtraídos e ao quadrado.
Eu passo os dias a dobrar roupa lavada, a arrumar loiça e a formar frases dentro da minha conturbada mente.
Quanto mais ansiosa ando, mais frases se formam, como numa banda desenhada, cheia de balões de pensamento sobre a minha imagem domesticamente pateta.
Vai daí, pensei que podia imprimir estas frases em t-shirts e fazer fortuna. Podia abrir uma livraria onde se vendessem livros, bolos de chocolate, café e, claro, as t-shirts com frases estúpidas, lamechas, inteligentes à brava, sentimentais, cómicas, irónicas e, para variar um bocadinho, fazer uma coisa que me desse gozo.
É quando dobro as cuecas e tento encontrar o par das meias azuis escuras, separando-as das pretas, que as "melhores" frases me chegam, em ondas de inspiração orgásmica:
Não te Esqueças de Ler Para Esquecer.
Come Chocolate, Lê Livros, Sonha Alto.
Preocupa-te Menos, Lê Mais.
Lava Menos Loiça, Lê Mais.
Faz Amor, Lê Livros, Chora menos.
Lê para curares as dúvidas.
Quem lê é quem é.
Quem Precisa de Um Amante, Quando Tem Um Bom Livro?
Lê-me, Que eu Gosto.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O Homem Mais Charmoso da noite



E o filme "Beginners", pelo qual ganhou a oscareta, também não é nada de se deitar fora, não senhor :)



Nota final e demasiado relevante para não ser comentada:
O Billy Crystal está viciado em botox e a Sandra Bullock fez qualquer coisa à cara, que a deixou tlemendamente palecida com os novos memblos do Conselo Gelale da Edp.
Depois disto, acho que estou perfeitamente capacitada para integrar equipas de crítica cinematográfica, numa qualquer revista da especialidade. Aguardo ofertas.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Descubra as Diferenças

E em noite de Óscares, deixo aqui o meu contributo para a história da crítica cinematográfica:




O que não quer de todo dizer que não tenha gostado do filme do Spielberg.
Já do tão falado Hugo Cabret, vou ali meter as mãos no meu próprio gasganete e apertar até tossir as entranhas.
Sim, tem uma beleza visual grande e grandes planos e grande realizador, mas quando os formigueiros invadem as minhas articulações e os bocejos saem em catadupas de baba da minha boca, a coisa não é boa.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O meu novo Fetiche (em termos de ódio, entenda-se)



Mandarei fazer um alvo para pendurar na parede com a trombinha deste menino betinho.
Atirarei ovos bastante podres, tomates bastante maduros e fraldas fermentadas na direcção desta carinha de mete nojo, ai que não posso, ai que sou tão importante, ai que tenho um garfo espetado na anilha, ai que sou deputado, ai que bonito que sou, ai que vou debitar mais uma tirada profunda e pedante para a corja dos funcionários públicos.
A sério que este menino pode dizer o que lhe apetece e ninguém lhe dá umas vergastadas naquele tu-tu, ou estalos sucessivos naquela trombinha de mete nojo?

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O que pensar...

De um médico que tem dezenas de desenhos de pacientes infantis colados nas paredes do consultório?
Bem, dizem vocês. Pois claro. Um puto que se dá ao trabalho de fazer um desenho ao seu médico. Isto revela muito acerca - quanto mais não seja - da simpatia do senhor.
E sim, o meu olhar tranquilizou-se perante tantas manisfestações de carinho. Até ao momento em que se deparou com um desenho bastante infantil, cuja dedicatória era:
Adoro-te, meu otorrinolaringologista.
A partir desse momento fiquei estupidamente desconfiada que era o próprio médico a fazer os desenhos na parede.
Sim, eu sei. Estou a ficar louca.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Pessoas Chatas (que não se podem coçar)

As pessoas chatas não acham graça a si mesmas, nem aos outros. É tudo muito sério, muito ofensivo, muito tudo.
Enquanto nós, seres patéticos e inferiores, rimos, como perfeitos idiotas que somos e deixamos as lágrimas escorrerem, a barriga entrar em espasmos dolorosos e o corpo descomprimir. As pessoas chatas colocam a sua cara de chatas e nem com uma lanterna frontal na testa, conseguem encontrar a graça que nós, portadores de qi inferior à média e moral bastante duvidosa, encontramos à primeira cavadela.
As pessoas chatas são, regra geral, moralistas e adoram uma bela lição de monotonia harmoniosa e bocejante sobre o mundo perfeito e à prova de gozo que nos rodeia, quer dizer, que as rodeia, às pessoas chatas.
As pessoas chatas são um objecto de tortura social para a minha pessoa e lamento que não haja mais aulas de yoga de riso gratuitas, ou cócegas forçadas, para quem precisa de descontrair a musculatura facial de vez em quando.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Nervoso grandinho

Fiz o curso de Direito, com direito a orais obrigatórias a todas as cadeiras. Ninguém dispensava de ir ao castigo oral, por muito boas que fossem as notas na escrita.
Queria a minha faculdade distinguir-se por formar alunos exemplares (ahahahah). Um aluno de Direito teria que saber articular-se, que saber falar, saber desenrascar-se, sem cábulas nos códigos que lhe valessem.
Vai daí, depois de ter passado por dezenas de orais e de ter perdido alguns anos de vida (quase todos, diga-se de passagem) com o nervoso que sentia, de cada vez que tinha que me submeter a esse castigo, perdi os nervos para quase tudo o resto na minha vida.
O quê? É preciso ir ao dentista? Canja de galinha, comparado com as orais.
O quê? É preciso ir parir? Isso não é nada, perante a recordação de algumas humilhações públicas pelas quais passei nos exames orais.
O quê? É preciso ir arrancar o dedo mindinho? A sério? Piece of Cake. Houve muitas vezes em que dava o meu mindinho para alguém ir fazer o exame oral por mim.
E assim foi. O curso teve o condão de me tirar os nervos para tudo o que veio a seguir na minha vida.
Até ao dia de hoje:
Já é certo que a Alice vai tirar os adenóides e pôr drenos nos ouvidos. Já tem a consulta com a anestesista marcada e eu nunca me senti tão nervosa na minha vida.
Sim, chamem-me piegas, cretina, exagerada, mãe-galinácea. Eu sei que é super simples, blá, blá, blá. A minha cabeça sabe isso tudo. Mas o meu coração pára de segundo a segundo e eu borro-me de cada vez que inspiro e expiro.
Uma coisa sou eu, outra coisa, aliás, outro departamento, são os meus filhos.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Olhá c'á coisas /ou Separados à nascença

Sou só eu que encontro semelhanças assustadoras entre estas quatro míticas e incontornáveis personagens da vida rural, ups, real?
Miss Pipoca

Miss Piggy

O Arrumadinho

O Betinho

São todos eles ambos irmãos e não sabem.

*Tirando a minha ídola, Miss Piggy, mais ninguém me autorizou a rapinar imagens da internet. Por isso, o mais provavel é incorrer numa pena suspensa, ou de trabalho cívico a limpar grafitis dos muros da cidade. Desde já, as minhas desculpas e auto-vergastadas públicas por este acto insano da minha parte.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A (puta da) Loucura

No meio de tanto défice cerebral, de tanto vício, compulsão, ou carência química. No meio de tanta deturpação enlouquecida, de tanta inversão moral, de tanto recalcamento, trauma e outros que tantos tormentos do passado e do futuro. No meio de tanta merda ao contrário e de tanta gente pouco sã, permanecer mais ou menos saudável, é tarefa para deixar qualquer um maluco.
É impressão minha, ou o mundo é, cada vez mais, dos loucos?
Isso, ou estou a ficar maluca.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Pessoas assim-assim

Sei que já falei dos maus mentirosos, mas hoje é dia de falar dos mentirosos medíocres. Aqueles que tentam detalhar a peta, ornamentando-a com pequenas petazinhas decorativas, mas ao fazerem-no, estragam o cenário todo, com aquele pequeno detalhe decorativo.
Podem conseguir enganar os distraídos e crédulos, mas aqueles mais atentos, os que reparam no detalhe fora do contexto, sabem que a peta está ali.
A arte da boa peta não é, de todo, para todos e muito menos para as pessoas assim-assim.
Ando assim-assim cansada das petas alheias e a precisar urgentemente de uma lufada de sinceridade na minha vida.
Também acho fastidiosas as pessoas que fazem tudo mais ou menos. As que ajudam um bocadinho, de acordo com as conveniências, as que dão apenas meia força, porque não conseguem ir além das suas forças, as que escutam apenas o que lhes convém e dizem apenas o que lhes interessa.
Enfim, pessoas assim-assim, queria dizer-vos que vos acho um imenso marasmo de monotonia e que não adianta mentirem assim-assim comigo. Chega a ser triste a forma patética como vos vejo esvoaçar, em plena divagação, quando vos vejo completamente despidos, sem a peta. E aquilo que vejo é triste.

Dia 4 de Fevereiro



No dia 14 de Fevereiro e com 10 dias de atraso em relação ao teu segundo aniversário, escrevo-te aqui, meu filho doce e de pele suave, que te amo.
Sei que me entendes, quando passo a mão pelo teu cabelo curto e te peço paciência comigo, pois nem sempre sou o poço de paciência materna que era quando a tua irmã era mais nova e era apenas ela.
Sei que sabes que te quero, quando nos abraçamos de olhos fechados. Sei que sentes que te amo, que te respiro e inspiro, que te aceno com saudade a cada pequeníssima despedida.
Sei que sabes que adoro ver-te na janela à minha espera, sei que sabes que adoro os nossos almoços e que adoro ouvir os teus suspiros de prazer, enquanto mastigas o que quer que seja que eu cozinho e me sorris, cúmplice.
Contigo é tudo tão diferente, mas tão infinitamente bom.
Puxas-me, louco de alegria, sempre que vês a lua no céu e obrigas-me a pegar-te ao colo, para melhor espreitares a imensidão escura e densa que te emociona, como se elas, a lua e as estrelas, pudessem fugir a qualquer instante, e eu peço interiormente que nunca esqueças as luas e as estrelas todas que vimos juntos, na janela da nossa casa, na nossa vida, meu amor.
Parabéns. E espero que tenhas gostado do teu bolo :)

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Há coisinha mais horrenda

Há coisinha televisiva mais horrenda do que os anúncios da Optimus, com a música dos Beatles?
Todos eles, sem excepção, foram vomitados por cada um dos orifícios deste organismo que vos fala. Mas este último com o Marco Paulo a cantar em inglês foleirez, arrasa comigo. ARRASA COMIGO.

Didn't We almost have it all


Hoje dei-me conta da quantidade de músicas dela que (ainda) sei de cor. Hoje lembrei-me dos desgostos de amor chorados, dos slows dançados, dos beijos trocados, ao som das suas músicas e da sua maravilhosa voz.
Hoje lembrei aquele primeiro single alegre de uma jovem de calças de ganga e top branco que Just Wanted To Dance With Somebody e chorei um bocadinho, tal como já tinha chorado um bocadinho quando a vi na Oprah, disforme e queimada por anos de abuso e consumo de drogas.
Enfim, um desperdício e um vazio imenso no grupo das grandes divas da banda sonora da minha vida.
Nunca fui grande fã da Celine Dion, nem da Mariah Carey, nem de nenhuma dessas grandes pirosas da música pop, mas a Whitney, meu Deus, a Whitney sempre teve um lugar cativo no meu coração, até porque foi ao som de uma música dela (I Look To You), que passei o dia do nascimento do António, contando as horas para dar entrada no hospital e imaginando como seria o meu filho, dedicando-lhe em silêncio aquela música.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Crónica de uma gruta publicitária



Tal como acontece com os cotos de sabonete no interior da casa, no exterior, existe uma guerra antiga entre os habitantes deste chalet:
A retirada dos jornais gratuitos, panfletos que anunciam excursões ao restaurante Zé dos Leitões e ao Freeport Alcochete, cartõezinhos com nomes de canalizadores, jardineiros, domésticas, baby-sitters carinhosas, prostituição ao domicílio, enfim, penso que todos vocês que não conseguem manter o autocolante do "PUB NÃO, OBRIGADO" colado na porra da caixa do correio (porque vos gamam o mesmo), acreditarão que não estou a exagerar, quando vos digo que habita na minha caixa do correio, uma pequena floresta de papel.
À medida que os dias passam, vejo-o pescar a correspondência no meio do lixo com minucioso cuidado (vá, eu também), para que nada verta para o exterior do pequeno compartimento. Tira o que lhe interessa e volta a enfiar tudo lá para dentro. Até ao dia em que a nortada lhe dá com força (à portinha do correio, entenda-se) e é ver o jornal A Dica e tudo o que é merda de papel, espalhado pelo jardim, agarrado às sebes, colado às paredes, dilacerado pela relva. E ele, querido, passa-lhes por cima com devotado cuidado, com carinho até. Rodeia folhas, dá a volta a uma página rasgada, até ultrapassar todos os obstáculos.
É enternecedor ver que há coisas com as quais podemos contar sempre, que não mudam mesmo. Dá uma sensação de segurança.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Crónica de um coto de sabonete

Existem coisas da intimidade doméstica entre um homem e uma mulher, às quais já me habituei sem grandes dramas.
Não queres tirar o rolo do papel higiénico vazio do suporte?
Tudo bem, há coisas bem piores na vida. Eu tiro, sem grande drama. Apesar de o esforço físico empreendido na tarefa me desgastar o pulso, eu faço-o uma e outra e outra e outra vez, até me sentir a Dama do Rolo do papel higiénico.
Ele acaba o champô e não deita o frasco vazio fora. Fica ali a enfeitar a banheira, dias a fio, enquanto vai usando o meu champô e o das crianças, sem piar? Tudo bem, como gaja prática, desenvolvi o hábito de ir agitando os frascos, sentindo-lhes o peso com uma mão, enquanto esfrego o cabelo com a outra. Multi-tasking é o meu nome do meio.
Mas no meio de todas estes pequenos dramas domésticos sem importância, existe um em particular que não consegui ainda tolerar e que tem ajudado a entupir as minhas artérias de um veneno chamado stress raivoso:
O Sabonete gasto. Ele termina o sabonete e deixa o coto ressequido e cheio de rachas, sob o sabonete novo. Ou seja, se não sou eu a deitar fora o fóssil carcomido, teriamos hoje um Empire State Building de cotos de sabonete.
A semana passada cheguei ao meu limite e, farta de gastar palavras, passei à acção. Peguei no coto e deixei-o ao lado do lavatório, qual prova irrefutável de desmazelo masculino.
Não reparou.
Dia seguinte: Pego no coto e espeto com ele ao lado do desodorizante masculino.
Não reparou.
Dia Seguinte: Pego no coto e enfio-o em cima da escova de dentes dele. Afastou-o e pousou-o com carinho ao lado do lavatório.
Dia Seguinte: Pego no coto, fecho o tampo da sanita e pouso-o sobre o tampo. Ahahaha, penso eu, com esta é que não estás a contar. Vais ter que perceber, vais ter que aprender. Aguardo em ânsias expectantes a lição que tudo aquilo lhe ensinará.
Feita estúpida, vou fazer xixi e deito o coto fora.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Epidural, para quê?

Alguém meteu as vistas num programa bastante péssimo no TLC (só podia), cujo tema principal não consegui deslindar, mas que metia uma mãe que teve um orgasmo quando pariu e ficou felicíssima e fez disso alarido público?
Depois ficou muito decepcionada, porque no nascimento do segundo filho não teve outro orgasmo.
Será que a mulher, quando o puto crescer, lhe contará: Ai filho, que lindeza de momento comovente e sensual que foi o teu nascimento. Olha aqui o filme, não foi lindo? Agora sou eu a gemer de prazer, enquanto tu me provocavas orgasmos múltiplos.
Sabem aquele mulherio que se pela por contar, a outras grávidas, a história dramática do seu parto, que envolveu duzentas horas de trabalho de parto, transfusões, rasgões, pontos, enfermeiros e médicos fdp e experiências de quase morte? Pois, nada a ver. Este é um relato Kama Sutra do parto.
Quanto a mim, dispenso ambos os dois eles, os relatos.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Não Sei como é que Ela Consegue



Depois de ter ido ver "As Marretas", como bem diz a Alice, pois o filme é uma verdadeira marretada na cabeça de tão mau, cheguei a casa e pus-me a ver este pouco promissor filme. Com a sempre igual Carrie e seus sempre iguais sorrisos e muletas de medíocre actriz, a coisa não prometia a ponta de uma cornada, mas eu sou fraca e também preciso dos meus momentos light de vez em quando, por isso lancei mãos a este empreendimento de dar o benefício da dúvida a um filme que tem tudo para ser uma bosta.
O problema é que o filme foi tudo menos light para mim. Se já tinha levado com uma marreta de sono na tola, à conta dos Marretas, pois que levei com uma marreta de más recordações, ao ver esta mãe que tenta singrar no trabalho e na maternidade em simultâneo.
Senti na pele cada borbulha de stress, cada alfinetada de impotência, cada batimento cardíaco acelerado e estou até agora com um amargo de boca, que não sei definir.
Porque é que é tudo tão mais fácil para os gajos?
É claro que o filme terminou com uma solução de compromisso e com um chefe irascível, que se revelou fofinho e compreensivo, mas a vida real nem sempre tem chefes fofinhos e compreensivos e a maior parte das mulheres que quer singrar na carreira e ser mãe com todas as letras, acaba a ser derrotada pela ansiedade.
Posto isto, estou a dever um post ao meu filhote docinho que fez ontem dois anos.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Silvina

Se antes, quando era muito jovem e muito profundamente profunda, entendia que era necessário sofrer para dar valor à felicidade, hoje, mais para os quarenta, do que para os trinta, acho que, tirando aqueles grandes filhos da puta, ninguém deveria ter que sofrer. É claro que não podemos fugir ao sofrimento, nem negar que ele existe, nem fechar os olhos e esperar que passe. Às vezes é preciso aceitá-lo, suportá-lo, aprendê-lo, conversá-lo, cantá-lo, até. É preciso arrancar dele uma qualquer espécie de filosofia, para não ser totalmente vão, mas necessário? Não me façam rir, quer dizer, chorar. Não é necessário para nada.
Há quem viva horrorizado face à perspectiva do sofrimento alheio, há quem não queira simplesmente ter nada que ver com ele, pois bem bastam as chatices diárias que moem e deprimem. Para quê entrar em vidas que não nos pertencem? Para quê olhar o lado menos bom, se podemos fingir que nada é menos bom?
Tal como eu disse, o sofrimento não é preciso para nada, mas existe e, como tal, não sei fingir que não está lá, nem varrê-lo para debaixo de um tapete imaginário, só para não encher os meus dias da poeira dos outros.
Se ontem vos perguntei por um blogue à séria, hoje deixo-vos a minha mais importante descoberta no mundo dos blogues: Episódios de Rádio.
A Silvina deu-me toda uma nova perspectiva de como lidar com o lado menos bom. A forma despudorada e despretenciosa com que fala de tudo. Sem dramas exacerbados, sem levezas exageradas. Apenas com a grande e singela magia dos humildes, faz com que me ensine a respirar fundo todos os dias.
Parabéns, Silvina. Apesar de, muito provavelmente, não o imaginares sequer, és mesmo uma inspiração.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Qual é o vosso

Best of the best blogue?
O que é que me aconselham (partindo do princípio que alguém vai responder a este apelo desesperado).
Morro de preguiça de navegar em busca de blogues interessantes, o meu computador está mais lento do que nunca, por isso um bocadinho de papinha feita é o ideal para actualizar os meus favoritos :)

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Momentos Kodak

Farto-me de passar pela ciclovia, passeios, estradas perigosas e lá estão eles e elas. Os novos mitos urbanos e de aldeia, porque nem só de urbanidade vive o mito. Os joggers. Uns elegantes e musculados, outras atléticas e tonificadas, de Ipod e ténis com conta quilómetros e gps. Enfim, os joggers profissionais, que investem em todo o artefacto de quem quer correr com estilo. Parecem nem suar e flutuam pela ciclovia, quais aparições celestiais de bruma. Depois temos os joggers patéticos, que correm com verdadeiro desespero: Calças de fato de treino desbotadas e comidas pela traça, deixando adivinhar um pedacinho de rego de rabo, ténis furados no dedão e com a sola gasta e torta, camisola polar larga e tudo o que se possa imaginar de menos profissional e estiloso. Eles arrastam-se, arfando e badalando as mamas e o rabo pelo tartan improvisado. Ali está um ataque cardíaco, um avc, um desmoronamento muscular prestes a acontecer e eu penso sempre se não será melhor parar o carro e chamar o 112, ou oferecer-lhes boleia, pois morro de pena daqueles trambolhos que correm como se tentassem chegar ao carrinho de oxigénio mais próximo.
Não tem a ver com serem gordos, ou magros. Tem a ver com o facto de não terem qualquer estilo a correr. Parecem desarticulados e desengonçados e a sensação que me dá é que vão padecer ali mesmo.
Eu pergunto-me: Porque não caminham? Porque raio têm eles que correr? Não exijam tanto de vocês próprios, queridos mitos urbanos.
Mas no meio de todas estas figuras inusitadas, com que me deparo de cada vez que corro ao lado da ciclovia (no meu carro, claro está), a que mais adorei, a que nunca, por muitos anos que viva esquecerei, foi um senhor dos seus 70 anos. Cabelo grisalho comprido e esvoaçante, calções de lycra brancos e em tronco nú. O homem patinava como se estivesse num ringue de gelo, ouvindo aplausos imaginários e, do meio do nada, obrigando-me a travar para melhor observar a cena, saltou da ciclovia em patins, directamente para a estrada do Guincho e ergueu a perna, em pose profundamente artística, tal e qual esta menina da fotografia.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Trust

Continuo a achar que a coisa mais difícil de recuperar, depois de perdida, é a confiança.
Por muito que tentemos retomar as coisas tal como eram antes de quebradas, jamais voltarão a ser iguais.
Ficará sempre uma névoa, um tom baço em cada gesto, em cada atitude, em cada silêncio.
Mesmo quando se fale verdade, imaginaremos mentira. Mesmo quando se jure, a palavra perdeu todo o seu poder. E quando a nossa palavra perde o valor, então de nada vale falarmos.
Podemos tentar recuperar os laços antigos, mas estes já não prendem como antes. A ligação foi interrompida e ficará para sempre desfiada naquele lugar.
Aceitar isto e seguir em frente, ou aceitar que não dá para seguir em frente assim, tornam a vida de quem trai e de quem é traído, estupidamente fodida.
Por isto, é tão importante sermos leais e fieis, em todos os sentidos. Acho que estas duas características, são das merdas mais satisfatórias que podemos ter na nossa vida.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Odeio Profundamente

O Carnaval.
Quero despachar a treta da máscara para a Alice levar para a escola, mas as máscaras para miúdas são um pesadelo para qualquer mãe que odeie o carnaval.
Enquanto que, para os rapazes há toda uma variedade estonteante de super-homens, piratas, homens-aranha, cowboys, hulks, Buzz-Lightyear's-ao-comando-estelar. Para as raparigas há... PRINCESAS. Vestidos horripilantes, no género camisa de noite de poliester e ponto final. Ah, também há fadas, mas confundem-se perigosamente com princesas.
Vi uma máscara gira da Jesse do Toy Story, mas recuso-me a pagar quase 50 euros por uma treta que se usa uma vez.
Há a hipótese de a mascarar de bruxa, pois ela gosta e sempre seria diferente, mas a realidade é que as máscaras de bruxa parecem vestidos de princesa, mas em preto, ou roxo.
Já pensei cortar dois buracos num lençol e mascará-la de fantasma, ou comprar-lhe uma cabeleira loira e um bigode falso, mas temo o falhanço total desta minha ideia, face a uma multidão de colegas mascaradas de... Princesas.
Vai daí, o mais provavel é ter que render-me à monarquia mesmo.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

3 constatações completamente vazias

-Comprei um gel de banho em promoção. Os 50% a mais e à borliú, foram o suficiente para me fazerem enfiar o frascalhão dentro do carrinho do supermercado, sem sequer o snifar primeiro. Conclusão: Ando a tomar banho com um gel de banho que cheira a Pronto enriquecido com cera de abelha. Cheiro a móvel.
- A dança da Ellen DeGeneres no seu programa (que tragicamente enfiaram no lugar da minha gurú Oprah) é o momento televisivo mais patético do meu dia e pergunto-me vezes sem conta, como, meu Deus, como é que esta gaja tem tanto sucesso apenas a ser pateta?
- O final do casamento da Heidi K. e do Seal deixou-me abananada e eu não me abanano com qualquer final de matrimónio.

Culpa

Gostava de poder sentir menos culpa, pois sei que, se a culpa fosse menos densa, eu viveria uma vida melhor.
Mesmo quando sei que não errei, ela insiste em chegar nos momentos mais sós. Quando me precisava só para mim, ela vem e diz-me que não devo, que há quem me precise, que não tenho esse direito meu, de me ter só para mim.
Tento virar-lhe costas, viver uma vida de plena resolução e firmeza, mas as pernas tremem. Penso duas, três vezes e a segurança foge, com a cobardia dos fracos.
Encho-me de teorias espantosas. Teorias que põem a mulher no mesmo patamar do homem, do pai, do marido e por breves minutos sinto o poder retomar ao meu corpo e encher-me o pensamento de mim e da força que quero para mim todos os dias. Mas ela chega de novo, por muito que a empurre, que a ignore, que a renegue. Ela chega sempre para me dizer em surdina que não tenho esse direito.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Perdoname

A música da Carminho com o espanholhinho imberbe e fofinho dá-me uma certa vontade de vomitar a entranha.
Sim, tem tudo para fazer verter uma lágrima, até mesmo duas, vá, mas eu agora ando assim, uma grande vaca, insensível ao lacrimejar musical.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A-D-O-R-E-I




Uma mistura de Nikita, com Silêncio dos Inocentes em ambiente refrescantemente sueco.
Fiquei presa do primeiro ao último minuto, sendo que são muitos minutos de filme.
E não, não vi a versão sueca e não li a trilogia (se bem que acho que não vou resistir).

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Depois de escrito, deixa de ser meu

Ela perguntava-lhe se ele era um homem romântico, pois só um homem tremendamente romântico poderia ter escrito o que ele havia escrito. Perguntou-lhe se idolatrava a mulher e se era capaz de tudo por ela, pois havia uma passagem no seu livro que...
Ele desviava o olhar e lutava contra a sua própria timidez. Notava-se que lhe era penoso dissecar o que havia escrito, que não gostava de fazê-lo, mas ela não reparava e prosseguia a cruzada das perguntas pessoais, fazendo ligações com frases que lera no livro.
Ele acabou por lhe atirar com voz doce, mas firme, que os livros, depois de escritos, já não lhe pertenciam.
Ela não entendeu a deixa. Eu pensei como jamais me ocorreria perguntar a um escritor, que partes daquilo que escrevera lhe pertenciam.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

6 anos

É incrível, como tudo o que eu era antes de ti ficou esbatido, perdido na névoa das coisas pouco importantes.
Bem sei que antes do teu nascimento tive momentos espantosos e marcantes e felizes e tristes, mas nada, de tudo o que fui antes, sobressai a ti.
Vejo fotografias minhas e do teu pai, antes de existires sequer em pensamento e não me parece normal não estares ali no meio de nós, não te amar ainda assim como te amo.
Saber-te nos meus dias todos, faz-me sempre sorrir. Por isso te agradeço, te abraço, te aperto, te beijo, te inspiro bem de perto, para não me esquecer que te tenho e que te devo o melhor da minha vida inteira, Alice.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

X e Y




Nunca esperei que se dessem às mil maravilhas, nem que fossem os melhores amigos do mundo. Rezava para que houvesse alguma cumplicidade e pouco mais, pois sei que isto de alimentar altas expectativas é tramado.
Foi bom não ter esperado imenso, pois foi precisamente imenso que recebi.
Vê-los juntos é uma espécie de terceiro amor. O amor pelos dois, quando estão um com o outro, quando se abraçam, quando brincam, quando caminham de mãos dadas.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Adopções Falhadas

Abre-se sempre uma racha no meu coração quando leio, ou vejo reportagens sobre este tema.
Não sou ninguém para atirar pedras, mas a realidade é que tenho vontade de atirar um saco cheio de pedras à cabeça de quem se acha capaz de empreender esta missão de vida e depois, com a maior ligeireza deste mundo, quando confrontado com os reais problemas que uma criança "marcada" traz consigo, recua e devolve o produto defeituoso.
Eu sei que não seria capaz de ter um cão. Não tenho tempo, não tenho paciência, não tenho espírito, por isso jamais me ocorreria "fazer a experiência" e trazer um cachorrinho para casa. Se não desse, devolvia, sem crise.
Talvez por ter um sentido de responsabilidade quase obsessivo, sei que não seria capaz, por isso remeto-me ao meu próprio egoísmo, sem magoar ninguém.
Falando de pequenas-grandes pessoas, que carregam mágoas grandes demais para a sua idade, a minha paralisia adensa-se. ´
Se adoptasse uma criança de coração cansado. Uma criança rejeitada pelos próprios pais. Se decidisse adoptar uma criança e dar-lhe a minha família. Aceitá-la como parte de mim e dos meus, teria que ser sem rede de segurança. Plenamente, como aceitei os meus próprios filhos, quando vi os seus pequenos corações pulsantes na primeira ecografia e deixei o meu amor por eles crescer, com todas as virtudes e defeitos.
Demasiado exigente? Sim, claro, mas falamos de pessoas, não é? Por isso não sei se seria capaz, por isso jamais arriscaria errar. Jamais arriscaria magoar ainda mais uma criança ferida. Não conseguiria viver comigo própria se falhasse e se tivesse que explicar a uma menina, ou menino, que teriam que regressar a uma instituição, que também esta família não a queria. Eu própria ficaria marcada para sempre e consumir-me-ia eternamente pela culpa.
Vai daí, esta pessoa que escreve meia dúzia de alarvidades por semana, neste espaço parvinho, não seria capaz de assumir esse compromisso.
Vai daí, esta pessoa que tem sacos de pedras para muito poucas situações, consegue encher um saco de pedregulhos para situações assim.
Admiro imensamente, de braços abertos e olhos comovidos, as famílias que recebem crianças e as tornam suas, dando-lhes um lar e o calor de uma família que nunca conheceram. Uma parcela de mim odeia-se por saber que não teria os tomates necessários.
Sou fã das pessoas que adoptam plenamente e que não colocam sequer a hipótese (tal como não o fazem para os filhos biológicos) de devolverem uma criança, porque se dá mal com o cão, porque tem más notas, porque se porta muito mal e é traumatizada e dá muito trabalho curar-lhe as feridas.
Cresçam, senhores. Cresçam e reduzam-se às vossas incapacidades. Preencham carências com outras actividades lúdicas, pode ser?

*A reportagem em questão é esta.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Bom Jornalismo

Acabei de ver uma reportagem da BBC sobre um grupo de ciganos romenos em Londres. Parece que gerem uma espécie de tráfico de crianças, para porem as mesmas a pedir esmola. Têm um BMW estacionado à porta e vivem abastadamente.
O jornalista em questão, observou-os durante meses a fio, abordou-os com a coragem destemida de quem quer fazer a diferença e, por fim, foi até à Roménia, em busca de famílias e de respostas.
Fiquei presa do princípio ao fim. Aquele jornalista (John Sweeney) calvo e meio barrigudo inquiriu, insistiu, defendeu, abordou, observou e fez a diferença entre uma reportagem do caraças e tudo o resto que gostam de intitular jornalismo, mas a que eu chamo, notícia chiclete com comunicador social bem vestido e aprumado.
O jornalismo, quando é assim, feito com tomates e boas histórias, é das profissões mais fantásticas que conheço.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

tu-tus maternos


Sempre me enfadaram de morte as aulas de ballet para criancinhas.
Assistir a uma daquelas festinhas de fim de ano, ou às representações caseiras dos magníficos pliés e saltinhos desajeitados, era como levar com uma bigorna na cabeça.
Sorrisos amarelos, palminhas contidas, exclamações de êxtase com um pézinho menos desajeitado, palitos nos olhos para que não fechassem, eram as muletas possíveis para uma tipa impaciente como eu.
Quantos anos levaria até sair alguma coisa de jeito, era a minha constante pergunta interior. Que nunca era respondida, pois a maioria das crianças borrifa-se no Ballet antes de aprender de facto qualquer coisa interessante.
Vai daí, sempre rezei para que a Alice não fosse dada a essas vontades de tu-tus e sapatilhas e carrapitos, pois só Deus sabe o que me custaria ter que enfrentar representações caseiras da coisa.
É claro que os meus pedidos não foram escutados e já tenho uma filha que me pede para ir para o Ballet e me faz coreografias e representações fascinantes aqui em casa.
Se continuar a pedir-me, sei que vou ceder e que vou lacrimejar comovida, aplaudir entusiasmada e gritar com cada saltinho desajeitado do meu bocadinho de gente, pois ser mãe (também) é descobrirmos alegria no que antes nos arrancava bocejos :)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

É impressão minha

Ou o cartão do Continente já não dá um chavo?
Antigamente descontava sempre alguma coisinha, agora, sempre que estendo o cartãozinho vermelho, tenho a exorbitante quantia de zero euros.
Mais um cartão que vai com os porcos.

50/50



Lidar com o sofrimento alheio por nós, quando temos uma pedra que nos esmaga o peito.
Consolar os que nos sofrem, os que fazem do nosso drama, drama seu, quando o drama é mais nosso do que deles.
Não saber exactamente quando e como sofrer, ou se é bom, ou mau sofrer e em que proporção sofrer sem fazer ruir tudo.
Não conseguir chorar, ou não conseguir parar de chorar, como um rio que se tivesse libertado por dentro, rasgando todas as comportas de defesa.
Termos alguém que nos faça rir e que sinta que rir não é proibido, mas que saiba entender quando choramos.
Este filme tem tudo, absolutamente tudo e, no entanto, transborda de simplicidade.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

PUB

Muito provavelmente movida por uma inveja secreta e venenosa. Motivada apenas pelo ácido que cresce nas minhas entranhas, por ninguém querer publicitar a ponta de um corno neste espaço, venho aqui desabafar sobre a matéria:
Confesso que não consigo ler blogs com neons e quadradinhos de publicidade que pisca.
Também não consigo ler blogs com templates cheios de tralha fofinha e às bolinhas e às risquinhas (alguns bem giros, por sinal).
E o motivo pelo qual não consigo fazê-lo, não se prende com a minha aversão pela versão árvore de Natal blogueira. O meu motivo é ranhoso, pelintra e nada fashion.
A realidade é que o meu pequeno Asus tem enfartes do miocárdio, ou da memória ram, ou rem, ou zen e atrofia por completo ao mínimo contacto com essas realidades blogosféricas.
Demora meses a entrar num desses espaços publicitários e quando entra não consegue abrir nada, ou detém-se a pensar durante horas.
Vai daí cansei-me.
Isso, ou preciso de um computador novo.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Querida Isabel


Allende, eu sempre te amei em segredo. A ti e à Frida Khalo das sobrancelhas cerradas.
Gosto de mulheres fortes e frágeis. De mulheres humanas, que quebram e são quebradas, mulheres cheias de remendos. Gosto de mulheres que não são perfeitas e que não sabem o que querem todos os dias a todos os minutos. Mulheres que são bonitas sem o serem, ou sem o saberem.
Gosto de mulheres que não são evidentes (o mesmo se aplica aos homens).
A beleza demasiado óbvia sempre me enjoou. A profundidade auto-proclamada e publicitada, sempre me fez desconfiar. E os padrões bem definidos sempre me fizeram inveja, nesta minha constante incerteza de saber quase nada.
Por isso, espero que não me desiludas com o teu Caderno de Maya.
Passaste por uma fase menos boa com o Reino dos Dragões e essas histórias do fantástico que não me cativaram. Depois regressaste com a Soma dos Dias e tomaste-me de novo nos teus braços, como naqueles dias na casa dos meus vinte, em que me perdia nas horas da noite com as tuas letras nas minhas mãos.
Agora estou na casa dos meus trinta e é bom como o caraças teres regressado à minha vida.

*Capa mais feia esta.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

(in) Resoluções e Desabafos

Depois de muito reflectir e de não ter feito nem uma resolução para 2012, percebi o porquê desta minha aberração interior (a de não fazer resoluções).
A única coisa que desejo mesmo ardentemente e com todas as minhas forças é saúde para todos. E isso, infelizmente, não depende da minha força de vontade, nem do meu esforço anímico.
2011 foi um ano de muita tosse (meu Deus, tanta), febre, vírus, bactérias, vomitados, dores musculares, urgências, anti-histamínicos, antibióticos, antipiréticos, sprays nasais, humidificadores, desumidificadores, aerossóis.
Noites inteiras sem dormir, a velar e a zelar por sonos pouco tranquilos e a rezar para que se tranquilizassem. Rezas interiores para que passasse depressa, para que passasse tudo para mim. Os meus olhos vermelhos que olharam, vezes sem conta, olhinhos corajosos e pacientes.
Por tudo isto, eu sei. Eu tenho a mais pura das certezas absolutas, que enquanto houver saúde, tudo se remedeia.
É claro que, no meio do cansaço, agradeço por não ser nada mais grave. Mas mói. Muitas coisas pouco graves desgastam e tiram forças para outras coisas, que talvez fossem importantes.
Agora há uma palavra nova: Adenóides. Apesar de terem um tamanho normal, provocam tosse, provocam e agarram tudo o que há de mau pelo ar. E eu espero e aguardo por tudo o que me mandam esperar e aguardar, mas sem força para resoluções de ano novo, pois a única coisa nova que quero aqui em casa, é saúde.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Meta aqui o Playmobil



A sério, não há nada melhor do que isto para guardar todas as pequenas peças, vestidinhos, bonequinhos, cabeças de bonequinhos, pernas de bonequinhos, sapatinhos, jarrinhos. Enfim, tudo o que vem com os Playmobil e que se dispersava pela casa inteira.
A que eu comprei tem dois lados, dá para regular o tamanho das divisórias e custou 4.90 (ou 4.99, não me lembro) no Continente :)
Tem a vantagem de a própria arrumação dos artefactos ser, em si, uma distracção para durar vários minutos seguidos.
Sinto-me a Martha Stewart da arrumação em série.
E já estou a imaginar os carrinhos do António dentro de uma destas.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Made in Portugal

Se eu visse a Casa dos Segredos, não teria qualquer problema em admiti-lo, pois cheguei a uma altura da minha vida em que não minto sobre o lixo televisivo a que assisto. Todos nós precisamos de uma certa dose de abstração de vez em quando e eu não sou diferente.
Só que nunca assisti àquela merda. Entre miúdos doentes, falta de tempo para mim, falta de tempo para namorar, para respirar, não iria certamente gastar os poucos minutos que tenho livres a ver comportamentos símios em directo.
Para isso tenho o National Geographic.
Ouvi comentários, apanhei momentos, sim. Vi pessoas a coçar o rabo e com mamas grandes, vi chungaria, daquela que dói mesmo, e nada mais.
Mas ontem, na passagem de ano caseira, cairam-me os olhos na TVI (sim, algumas vezes eles caem) e vi um ser de bigode e fato de treino de nylon cor de rosa e preto, a grunhir qualquer coisa em directo. Parece que era o pai de uma das concorrentes (uma de franja loira) e ali estava ele, em pleno reveillon a debitar sabedoria paterna, num canal aberto, com direito a vários minutos de tempo de antena, simplesmente porque é pai de uma acéfala que tem um segredo e participou num Reality Show sobre vida selvagem.
E então fez-se luz e eu percebi finalmente o que é preciso fazer-se para se vencer em Portugal:
Não é trabalhar para ganhar dinheiro. Não é estudar, nem ter algum valor intelectual, ou espiritual.
O que é preciso para se ter valor em Portugal, é coçar o rabo em directo, mostrar o rego em fio dental, e provar que não se sabe nada além de um par de mamas. Quem conseguir ser menos em tudo, será premiado com o voto de quem gasta o seu tempo a ver este circo.
O que é preciso para lançar um livro em Portugal, é mandar um prédio pelos ares, ter sido casada com uma pessoa acusada de pedofilia, ou filha de uma pessoa acusada de pedofilia.
O que é preciso para se ser alguém em Portugal é ser-se ninguém.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

American Tune

Sim, eu já estive em Nova Iorque algumas vezes, mas ao contrário de muita gente que se passeou pelas avenidas geometricamente perfeitas e com nome de números, eu não olho para os filmes hoje em dia e revejo a minha humilde pessoa na Times Square, ou na esquina da 5ª avenida com a rua 23 ao quadrado.
Não consigo fazer isso. Simplesmente, porque, mesmo quando andava por lá, me sentia dentro de um filme, ou de uma música de Simon e Garfunkel.
Nunca consegui abstrair-me do cinema, dos táxis amarelos, da banalidade das limusines, ou da certeza de ter visto o Woody Allen em cada tipo baixinho que se cruzava comigo. As pretzels, os cachorros quentes vendidos na rua (e que os protagonistas devoravam, enquanto falavam sobre o sentido da vida) faziam parte de um esquema montado para me levar a crer que eu não estava mesmo ali de verdade.
Chiça, aquilo era eu dentro de um guião escrito por alguém que não eu.
Até hoje, quando me revejo nas fotografias, com o Naked Cowboy a tocar guitarra atrás de mim e uma Pretzel (horrível, por sinal) na mão, acho que foi tudo uma montagem.
Humildemente confesso que nunca nenhuma cidade (ou país, já agora), me levou tão longe na ficção, como os Estates. Era como se conhecesse tudo aquilo desde sempre.
Não fiquei com memórias deste, ou daquele sítio, simplesmente porque as memórias daquela cidade pertencem ao mundo inteiro.
Nesse sentido, é uma cidade um bocadinho prostituta, que abre as pernas ao imaginário de todos, não deixando que ninguém roube um bocadinho do seu coração.
E não é uma prostituta qualquer, é uma prostituta cara como o raio que a parta.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Oprahhhhhhh

Sim, eu sei que ando neurótica por o programa da Oprah ter terminado.
Afinal de contas, a minha guru deixará de me acompanhar ao princípio da noite e eu deixarei de ficar mais sábia e de lacrimejar e de me sentir pequena e grande e boa e má e tudo ao mesmo tempo.
O que é que se há-de fazer, eu adoro a mulher.
Pérolas como (estou a citar de memória):
"Perdoar é abdicar da esperança de que o passado poderia ter sido diferente".
"Escutem sempre os vossos pressentimentos. Primeiro eles chegam sob a forma de sussurros que só nós parecemos escutar. Mais tarde transformam-se em gritos, quase impossíveis de negar".
Reportagens sobre Martin Luther King, genocídios, racismo, xenofobismo, pais de merda, pais corajosos, pessoas doentes, pessoas lutadoras, pessoas vis, viagens, decoração, guerra e uma vida inteira de possibilidades.
Cenas destas. Cenas que nos prendem, que nos colam o rabo ao sofá quando o programa dela começa e que nos fazem suspirar quando termina. Cenas que nos fazem sentir minúsculos, ou grandes. Que nos fazem pensar.
Por tudo isto, sei que vou lacrimejar perdidamente quando a sua ausência se fizer sentir na minha vida televisiva.
Será que o canal dela vai estar disponível nos nossos cabos?
Deprimi.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Conselhos fundamentais da maternidade

Não usar roupa escura quando se tem um bebé constipado. O contraste do ranho no preto, ou no azul escuro, ou no verde escuro é inevitável e dá um aspecto suavemente badalhoco.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Iluminatus est

Eu cá acho uma rebarbada treta, uma poeira para a vista, um exagero para inglês ver (ou não ver, neste caso), um teatro para idiotas, não haver iluminação de Natal em Lisboa.
Uma Câmara criativa certamente arranjaria soluções para iluminar a merda da Avenida da Liberdade sem que a Troika nos enviasse para o quinto dos infernos monetários.
Ai que somos tão poupadinhos, estão a ver? Andamos a cortar na luz. Estão a ver como somos bons e poupamos no mês de Dezembro? Olhem só!
Temos funcionários camarários que são absolutas pedras na engrenagem, não funcionamos, chateamos com requerimentos, estupidimentos, entupimentos, adoramos a burocracia, daquela que não deixa ninguém fazer nada, mesmo que esse alguém queira investir na cidade, mas poupámos bué neste mês de Natal.
Ir a Lisboa mostrar as iluminações à criançada sempre fez parte dos nossos percursos de Natal e ajudaria a tornar este Natal, impregnado de crise e vestido de negro, um bocadinho mais luminoso. Agradeço à CML a poupança de dona de casa, mas dispenso. Acendam mas é a bosta das luzinhas, sim?

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Todas as nenhumas certezas do mundo

Fico sempre fascinada quando leio pessoas transbordantes de certezas, seguras de si e do seu futuro. Pessoas que sabem exactamente o que desejam para si e para os seus e que não se desviam um milímetro. Pessoas plenas de maternidade, de conjugalidade, de genialidade e outras tantas palavras que poderia inventar, terminadas em "ade".
Mulheres bem resolvidas (o que é que elas resolveram?), com maridos saídos de um filme da Disney, putos que não dão um pum, nem produzem ramelas e vidas com drama estrategicamente colocado nas entrelinhas, só para parecer real e suscitar algum compadecimento geral.
Eu também já fui assim, tinha resmas de leis e certezas não sujeitas a excepção. Sabia o que queria e o que não queria, até começar a viver fora do guião que tinha escrito para mim.
Quanto menos se vive (em todos os sentidos), mais leis não sujeitas a revisão se constroi.
Eu lá aprendi que o melhor é ir metendo plasticina nos meus planos e ir fazendo ginástica para aprumar os músculos que sobem e descem, ao sabor da vida.
Porque a própria vida, meninas e meninos, é a primeira a tramar-nos o esquema.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Acabou o drama

Acabei de ouvir no telejornal que os especialistas defendem a fantasia do Pai Natal. Os pais devem alimentá-la aos filhos.
E pronto, acabou-se o meu drama. Continuarei a alimentar, até eles, no seu devido timing, perceberem que é rebarbada tanga.
No entanto, faço questão de salvaguardar os Pais Natal dos Shoppings. Tipos suspeitos que recebem criancinhas aterrorizadas no colo. Esses, eles já sabem que são a fingir.
O verdadeiro, aquele que chega de trenó puxado por renas e, de vez em quando aparece aqui em casa com um sino, não anda pelas superfícies comerciais. Tem mais do que fazer.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Não, eu não estou com uma mantinha

sobre o corpo, a olhar a lareira crepitante e a sorrir com o momento idílico, como aparentemente, toda a gente tem feito ultimamente (a inveja é nojenta, sim). A minha lareira fuma mal e a última vez que a crepitámos ficamos com sequelas pulmonares permanentes e com a casa a cheirar a churrasqueira de Alvalade.
Também não estou com uma chávena de cacau quente a acariciar o pêlo do gato que não tenho e a suspirar, enquanto leio as páginas de um bom livro de vampiros, ou de assassinos em série.
Também não estou a ver uma comédia romântica, enquanto beberico um copo de tinto e passo o dedo sobre o rebordo do copo de cristal que não tenho.
Estou a fazer algo bem mais superior, bem mais erudito e repleto de sensibilidade humana:
Estou a chorar a morte do querido líder.

domingo, 18 de dezembro de 2011

www.solidão.com

Naquela pequena sala de si própria, ela escreve a alguém que não conhece sobre coisas suas.
Naquele pequeno sofá usado só de um lado, de pernas cruzadas e corpo frio pelo espaço que sobra, ela pede conselho a alguém que julga perfeito. Perfeito pela vida que (d)escreve naquele blogue, naquela página de facebook, naquele espaço virtual em que se pode ser tudo, desde que se seja capaz de agilmente o descrever em letras.
Naquela vida sonhadora, ela sonha poder ser dele, como a outra é dele. A outra linda, perfeita, de armário cheio de encanto e cabeça arrumada.
Naquela noite cheia de horas por passar, ela risca-as, às horas, uma a uma, como rasgões na pele e desabafa com ele, pede-lhe conselho, guarida, protecção. No fundo, pede-lhe atenção. Um minuto que seja. Ela imagina-o retirando tempo ao seu tempo ocupado para se dedicar a ela e às suas perguntas e anseios.
Ele responde-lhe. Ela sente-se importante na vida desse alguém tão importante que não conhece, mas que jura conhecer do avesso.
Tirando os 1345 amigos que tem no facebook, não tem ninguém. Por isso precisa de ouvir das letras de alguém o que poderia reter escutando uma voz do outro lado do telefone. Os conselhos que julga supremos, são apenas uma opinião, mas ela diviniza-os, engrandece-os, ao ponto de não achar possível que ele erre.
Ele sente-se Deus. Ele faz a diferença na vida dessa pessoa. É bom sentirmos que somos importantes para alguém. É inebriante sentirmos que temos poder sobre outra pessoa qualquer. Então, ele escreve sobre isso e sente-se ainda mais importante quando lhe chovem elogios de bondade sobre os ombros erguidos de vaidade.
Gasta horas e horas dos seus dias em frente a um monitor feito de maçãs Macintosh e sente-se grande. Grande como Deus. O Deus das pessoas sós.
Ela olha as horas e fecha o seu computador, abraçando-o como um tesouro único que não quer perder.
O telefone não tocou, a campainha não tocou, a sua vida não saiu dali.
Puxa o cobertor sobre o corpo frio. Levanta-se num ápice e verifica de novo o seu mail. Inbox vazia.
Volta a ler os mails trocados. Fecha de novo o portátil.
Deita-se. Os seus pés frios buscam em vão um lugar quente nos lençóis de Inverno. Apaga a luz e chora.
Ele sorri. Sabe exactamente sobre o que escreverá no dia seguinte.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Tic-Tac-Ti-Ta-T-T.............

Cada vez me convenço mais que a vontade de ter mais filhos é directamente proporcional às ajudas que se tem.
O meu relógio biológico eclipsou por completo. Não dá horas, minutos, segundos, dias, nem semanas.
Depois de estar há mais de um mês a ouvir tossir de noite, o meu organismo entrou em modo de auto-defesa e estou desconfiada que engoli os meus próprios ovários.
Quando vejo um bebé fofinho e pequenino sorrio e penso: Chiça, que fofura, cutchi cutchi, ainda bem que não é meu.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Ansiolíticos e negócios florescentes

Depois de uma ida à farmácia e de lá ter deixado uma pequena fortuna, o meu cérebro deprimido conseguiu carburar uma brilhante ideia:
Um projecto de lei que obrigasse este governo à comparticipação a 100% dos ansiolíticos, ou da erva (ainda não decidi o que compensa mais). Não basta a voz do nosso Ministro das Finanças, que nos embala na sua cadência dormente. É preciso de facto entorpecer os sentidos a outro nível, para não desatarmos todos aos tiros.
Uma vez que a taxa de suicídio e de mortalidade deve disparar em breve, pensei num bom negócio: Uma funerária que tenha no seu catálogo de possibilidades, caixões de cartão reciclado a preço de saldo.
Só boas ideias de negócio. Como é que eu não tirei Gestão?

domingo, 11 de dezembro de 2011

Feiras de Natal à Tugalesa

As nossas feiras de Natal têm que meter a Zon, ou a Meo e respectivas mascotes saltitantes a aterrorizar os putos.
As nossas feiras de Natal têm que meter patrocínios ao Pai Natal pela Zon, ou Meo. Duendes com logotipos da Zon, ou da Meo, ou quiçá, dos preservativos Control, ou de uma marca de vodka.
As nossas feiras de Natal têm música tecno e comes, muitos comes, entre os quais salpicão, queijo da serra, chouriços vários, hot dogs, farturas, pães com chouriço.
As nossas Feiras de Natal têm tanto de Natal como o Red Light District (minto, este sempre tem luzes vermelhas).
Estou com uma depressão na catacumba da tola. Fui à Feira de Natal nos jardins do Casino do Estoril e plena do espírito da época. Ou seja, vim com um crepe, um pão com chouriço e uma dúzia de castanhas no bucho. Minto, venho também com três sacos de amostras que a mascote da Nestlé estava a distribuir.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Talento Bruto

Hoje, sem justificação que me justifique, nem que esfarrapadamente me desculpe, parei no programa matinal da tvi e descobri que o tema desse mítico, profundo e abrangente talking showing, era Picha e Coina, essas duas famosas localidades da nossa portugalidade. Famosas, não pela gastronomia, não pela beleza natural, não pelo raio que as parta, mas pelo seu nome.
As lágrimas, as gargalhadas, as chalaças feitas em redor dos dois locais com nome de pilinha e pi-pi, levaram-me a crer que o próximo programa será sobre um local no mapa chamado cocó, esse tema de humor acutilante e profundo, que faz furor na pré-primária e que arranca gargalhadas à criançada toda (eu incluída).
Ahahahahahaha, picha e coina. Ahahahahahah que original, que certeiro. Ó meu Deus, quem se terá lembrado disto? Como é que não vão estes criativos para Holywood, ou para a BBC?

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A Sério?

Porque é que abro o meu gmail e descubro que uma merda qualquer pornográfica invadiu o meu blog de comentários encriptados (ou lá o que é aquela merdunce aos quadradinhos com a palavra sex no meio).
A sério? Realmente? Aqui? Vão lá para outra esquina, pode ser? Aqui, o mais perto da pornografia que vão encontrar é um post sobre as desvantagens do fio dental.
Tudo o que existe de mais patético parece insistir em acontecer-me.

To Have or Not to Be, ou qualquer coisa assim

Outro dia ouvi um realizador de cinema, americano e milionário, dizer que percebeu que o dinheiro não era importante. Despojou-se assim dos casarões, dos carrões, dos milhões e de tudo o que acabasse em ões na sua vida. Ficou mais feliz.
Isto é espectacular, espiritualmente superior, é todo um outro nível de sabedoria de vida. Mas uma pessoa que faça contas ao dinheiro para comprar comida e peúgas para os filhos, ou que tenha os dentes podres, porque não pode pagar o dentista, jamais atingirá este nível de espiritualidade.
Enfim, o que eu quero realmente dizer é que é preciso ter-se dinheiro para se poder afirmar que não se precisa dele.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Absolutamente fascinada e apaixonada

Pelo raio do tabuleiro que comprei no Ikea.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Reflexão tão vaga e cretina como outra qualquer, mas minha

O nível de exigência que temos para com os nossos amigos, está proporcionalmente ligado à nossa própria auto-estima.
Aceitarmos amizades medíocres, carregadas de pequenas decepções, de pequenos arranhões infectados, é aceitarmos que não merecemos melhor.