terça-feira, 29 de maio de 2012

Em Estágio

Para...

Já tenho as coreografias quase todas ensaiadas, uma fita para espetar na testa, uma t-shirt com as mangas rasgadas à dentada e umas calças de ganga com um boné estrategicamente colado no bolso traseiro.
Ando a fazer agachamentos diários, a praticar todos os refrões e a testar os meus assobios de longo alcance.
Descobri que ainda sei a letra de Thunder Road toda de cor e, por isso, tenho rezado uma avé américa todas as noites, a ver se ele canta algumas músicas antigas, enquanto chama por mim, para que suba ao palco.
Estou contigo desde os meus 13/14 anos, boss, não é agora que te vou abandonar.
Amo-te.


domingo, 27 de maio de 2012

Este sim, bateu forte


Uns filmes ligam certos botões, outros desligam, outros nada fazem, nem accionam. Tal como o gosto pelo género literário, tem muito a ver também com momentos que atravessamos na nossa vida.
Já venho muito atrasada, mas vi finalmente o Blue Valentine e gostei imenso, que é para não dizer que adorei.


sexta-feira, 25 de maio de 2012

mudam-se os tempos


Ia escrever sobre os ídolos no meu tempo e os ídolos dos putos hoje em dia.
Ia escrever sobre como as miúdas de hoje conseguem gostar de meninos mais novos, em vez de gajos mais velhos.
Ia escrever sobre como andei com uma fita à Axl Rose na testa e posters do Slash no armário.
Ia escrever sobre o que era sexy no meu tempo e o que é sexy para as miúdas de hoje, que gostam de meninos que bem podiam ser os seus manos mais novos, com laca e franja de ladecos.
Mas depois encontrei várias fotos do Axl em calções apaneleirados de lycra e do Slash, esse cão de água mal cheiroso e mudei de ideias. É tudo uma questão de perspectiva e a perspectiva muda com o passar dos anos.
Aliás, estou plenamente convencida que o Axl fez um tratamento de rejuvenescimento na Suíça e mudou o nome para Justin Bieber.


Blogues com Valor

Se é verdade que hoje em dia somos invadidos por centenas de pessoas convencidas que têm jeito para o artesanato e que enchem meia blogosfera de penduricalhos da loja do chino e missangas e babetes, também é verdade que no meio de tanta oferta, existem verdadeiros talentos. Pessoas que têm realmente jeito e sensibilidade para criar pequenas pérolas.
Apostemos nas mãos portuguesas, em pessoas com talento de verdade, pode ser? Juntemos o útil ao agradável.
Espreitem lá este blogue


quinta-feira, 24 de maio de 2012

Em Construção

Sou uma pessoa mais básica do que refinada.
Se vejo uma tela branca. Vejo uma tela branca. Não teço considerações em redor do nada.
Se vejo um quadro com riscos, não me detenho a tentar encontrar o sentido da vida e a chamar-lhe arte. Vejo apenas riscos e avanço, em busca de um quadro que me diga qualquer coisa. Como por exemplo, que o seu autor tem mais aptidões artísticas do que o meu filho de 2 anos.
Se vejo um filme, cuja crítica enaltece e põe nos píncaros e se esse filme me faz dormir, eu não consigo dizer que é um filme brilhante, só porque uma mão cheia de críticos o entende, ou porque é de um realizador mítico, cujo nome vem antes do título (se bem que tenho essa tendência com os filmes do Clint Eastwood, mas ando a combatê-la com alguma convicção).
Se os meus filhos se portam mal, eu reviro os olhos e digo que estou cansada de os aturar. Não tento justificar o seu comportamento com teorias pedagógicas sobre o desenvolvimento infantil, ou desculpá-los alegando etapas pré definidas pela pedo psicologia. Todos os putos são chatos de vez em quando, ou muitas vezes.
Se vejo um prato maravilhosamente bem decorado com uma ervilha, salpicos de molho, uma meia laranja e um cubo microscópio de carne, não vejo comida e não tenho vontade de comer uma coisa que deveria estar na parede de uma sala de exposições.
Se leio um livro em que tenho que voltar atrás dez vezes, ou relê-lo para entender a mensagem, atiro-o para a pilha de livros a doar à biblioteca, sem qualquer remorso.
E se não era tanto assim antigamente. Agora estou cada vez mais assim. E estou mais chata, terrivelmente mais chata e rabugenta.
Também ando a tentar combater a falta de paciência que me invade com quem tenta tirar sentido da tela em branco, ou com quem tem orgasmos múltiplos com um prato de haute cuisine. Juro que estou em francos progressos quanto a isso. Mas às vezes esqueço-me de que as pessoas não são todas a preto e branco e que o que faz chorar umas, faz rir outras e que o que comove outras tantas, a outras nem sequer belisca.
Sairmos de dentro de nós e sermos tolerantes com as visões alheias, é do mais democraticamente social que existe e eu ando a tentar. Tento e falho, tento e falho. Mas qualquer dia destes tentarei e terei sucesso, tenho a certeza.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Adoro os Tugas

Seja nas autocaravanas, nos pesados, nos parques de campismo, eles cozinham. Qual sandocha, qual quê, se podem cozinhar um ensopado de borrego ali mesmo, à beira da tenda, dentro da roulote, ou no parque de estacionamento dos pesados? Tão mais prático.

domingo, 20 de maio de 2012

Não que eu precise de falar sobre o Kevin, mas...

Partiu com a desvantagem da actriz. Não nutro particular simpatia por esta mulher assexuada e estranha, sempre igual nas suas representações. Sempre baça e melancólica e neurótica e cheia de batalhas interiores angustiantes e, portanto, perfeita para este papel. Mas enfim, face às sugestões e ao zum-zum em redor do filme, lá me dispus a ver e não gostei. Sim, entendi as mensagens todas que era suposto entender e tudo aquilo que não foi dito (mais valia ter lido o livro), mas que estava subentendido. Também houve muita coisa que foi dita, como a mãe ter dito ao filho que podia estar em França, a ser feliz, em vez de estar ali com ele, que foi forte sim, mas nada que me batesse na tola, nada que me fizesse vibrar alguma corda. Não me disse a ponta de um corno, não me tocou, não me fez pensar, não me deu um murro no estômago. Nada. Zero. Limitou-se a arrancar-me vários bocejos. Foi só chato, muito negro, muito neurótico, muito fundo sem retorno. Daquele fundo sem luz. Teria sido um grande filme de terror, isso sim, se tivessem apontado para aí as baterias.

blogues que dariam livros perfeitos e importantes

Sei que já falei neste blogue, mas cada dia me traz uma nova lição. Hoje não foi excepção.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

mas o que fiz eu

para merecer um vizinho que pratica saxofone (e não sexo on phone) a tarde inteira? E desenganem-se os que pensam que é uma cena animada, cheia de Nova Orleães e o diabo a sete. Estou plenamente convencida que o gajo (ou gaja, ainda não descobri o sexo do praticante) tem o reportório todo da Celine Dion para Saxofone. Daqui ao suicídio, ou homicídio vai uma muito curta distância.

Happy Meal

Quando os miúdos estão bem dispostos, companheiros e gostam de cantar ao som do Super Trouper dos Abba, que bomba no rádio do carro (sim, eles são fãs dos suecos). Quando partilham as batatas fritas e os brinquedos do Happy Meal e riem como dois perdidos com as brincadeiras um do outro. Quando ficamos à mesa, sem stress, nem pressas, a molhar todos os ingredientes sólidos na poça de Ketchup partilhado, numa letargia que só nós conhecemos. Quando a Alice fala pelos cotovelos e o António tenta imitá-la, sem fazer qualquer espécie de sentido. Eu tenho a mais nítida certeza de que não trocava a companhia deles por nenhuma outra companhia neste mundo. A sério. *E isto dava um belo anúncio de fast food.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Nem dado

Não faço a mais pálida ideia do que seja, mas tem um palhaço. Uma bola de neve. Um palhaço que a empurra. É o suficiente. Não precisam de me mostrar mais nada para o meu cérebro formular a palavra síntese, que acciona todos os botões vermelhos: TORTURA.

Agora atiras tu, agora atiro eu

Outro dia apanhei o Dr. Oz e a mulher do Dr. Oz (sim ele também já leva a esposa ao programa e ela também escreve livros de auto-ajuda) a atirarem uma bola de pilates um ao outro. Aparentemente era uma dica para um casamento de sucesso. De cada vez que a bola era lançada na direcção de um deles, era dita em voz alta uma "exigência" que se gostaria de ver satisfeita pelo outro. É absolutamente fascinante este fenómeno de todos terem alguma coisa a dizer sobre relacionamentos. E os lugares comuns do diálogo e da comunicação e do olhar olhos nos olhos e de o não querer que o outro seja algo que não é. Maravilha. A sério, há sempre qualquer coisa a dizer e um conselho a dar. Partilhar os segredos do sucesso do matrimónio é sempre fofinho. Vou a uma loja de desporto comprar uma bola de pilates, para poder fazer este jogo aqui em casa. Já nos estou a imaginar a jogar esta merda, a seguir ao jantar e a saltar de nenufar, em nenufar com tanta felicidade e resolução conjugal. Como é que nunca pensei que uma bola de pilates seria uma lufada de ar fresco? Dentro desta linha, também adoro a Maya e os seus conselhos matinais. Gosto da forma como ela pergunta sobre a vida inteira da pessoa que telefona, antes de começar a adivinhar o seu destino. Dito isto, tenho que fazer uma dieta televisiva. A sério.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

blábláblábláblá enche chouriço blábláblábláblá

No Querido Mudei a Casa falam muito mais do que trabalham. Eles falam sobre o conceito da iluminação, sobre a inspiração, sobre o dia que faz lá fora, sobre a textura das cores escolhidas, sobre o ambiente retro mini chique, sobre como o branco expande e o preto encolhe, sobre o primário, sobre o verniz, sobre o prego de tamanho ideal e da bucha certa, eles falam e tentam graças e risos e partidas e falam. Enquanto no Total Makeover já fizeram 3 mansões em pladur, no Querido ainda estão na fase de explicar o que os inspirou a meter o primário da Robialac. No Ídolos falam, falam, chamam atrás para insultar um bocadinho e depois tornam a falar e entra uma música do Gladiador para criar a teia de suspense desejada. Depois debitam mais um pouco e falam mais um quilómetro. Depois entra de novo a música e falam. E nunca, mas nunca mais desenvolvem. Enquanto no American Idol já ouvimos vozes supremas na fase do tudo ao molho em todos os Estados, apreciando as farpelas do Steven Tyler, no Tuga Idol é tudo sofrível. Temos um membro do jurí com expressão de quem se peida por debaixo da mesa e vozes que dificilmente suportariamos no duche do vizinho.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O Culto do Corpo

Tirando a fase da adolescência, em que fazemos todas as maldades e mais algumas ao nosso invólucro, o nosso corpo deveria ser um santuário. Estimado, respeitado,preservado. Se possível, apenas mutilado quando estritamente necessário, para afastar um mal maior sobre ele. Quem já sujeitou o corpo a tratamentos, cirurgias necessárias, maleitas, tratamentos, sente isso melhor do que ninguém. Sente o cansaço e o desgaste da dor, dos cortes, das cicatrizes na pele e na alma e foge de bisturis como o diabo da cruz. Por isso, por saber que existem tantos que não podem fugir à cirurgia, a ideia de sujeitar o meu corpo a um bisturi voluntário, a uma injecção na pele, me é tão medonha. Eu não gosto de hospitais, agulhas, cicatrizes, pontos, recuperações, pois o meu corpo, enquanto me pertencer, é-me muito querido, sim. Sofrer, por mais pequeno que possa parecer o sofrimento, para ter umas mamas maiores, ou uma cara mais nova, não é para mim. Não julgo quem queira resgatar a sua juventude, ou a sua auto-confiança, através de implantes, injecções, liftings, mas eu não conseguiria. Não tem nada que ver com ser bem resolvida com o meu corpo, ou achar-me perfeita. Tem a ver com o respeito que lhe tenho e com a minha total repugnância pela dor desnecessária. É claro que há muitas excepções nesta minha teoria, é claro que sim, mas jamais, como defendia o colunável Dr. Angelo Rebelo em entrevista à Judite Sousa, permitiria, ou incentivaria uma ciurgia de implantes mamários a uma miúda de 14 anos. Que merda de sociedade é a nossa que aceita e acha normal que miúdas a cheirarem a leite, sofram perturbações psicológicas por não terem as mamas da Pamela Anderson e, em vez de as levarem a um psicólogo, as levam a um cirurgião plástico?

terça-feira, 8 de maio de 2012

Tony

Chateada. Chateada porque tenho um grande fraquinho pelo Tony Bourdain e porque achei que a sua equipa de produção pesquisou tanto on-line, que se esqueceu de viver Lisboa. A ideia que transpareceu foi a de uma Lisboa melancólica, sisuda, depressiva e do fado. Ouvi a palavra Crise mais de 200 vezes. E quando o Lobo Antunes diz, entre uma passa e outra, que o Fado é a ditadura e por isso não gosta de o ouvir, com o ar mais carrancudo desde universo, deu-me uma dor no intestino delgado. Sim, Lisboa também é isso, mas não é apenas isso. Até o Zé Diogo Quintela estava tristonho, caraças.

Eu, Mulher, me Manifesto

Sim. Não usamos burka e podemos andar semi-nuas no meio da rua, que a lei não nos penaliza. Sim, na Constituição da República Portuguesa temos os mesmos direitos e oportunidades que os homens. Sim, temos a possibilidade de alcançar as metas que eles alcançam. Mas não nos esqueçamos, por favor, que a casa da partida é totalmente diferente. Nós não partimos com vantagem. Partimos com o preconceito, com os pressupostos, com as cicatrizes de tudo aquilo que foi enraizado no nosso adn durante séculos e isso é fodido. Demasiado fodido. Na maior parte das vezes, conseguimos a proeza de nos dividirmos, sem nunca deixarmos de ser inteiras. Dividimo-nos pelos filhos, pelo marido, pelo trabalho, pela casa, pelo stress. Dividimo-nos a cada instante e reestruturamo-nos no instante seguinte, porque é isso que é suposto. É assim que devemos ser e assim somos, sem perguntas, sem incómodos. E quando falhamos, sentimo-nos miseráveis, porque não é suposto falharmos. Nós temos que ser perfeitas. Se uma mãe é vista no supermercado, a enfiar frutas num saco, com um puto agarrado às canelas aos gritos, outro embandeirado em arco a fazer birra de sono, é uma mãe como outra qualquer. Já se é um gajo no supermercado, a passear-se entre as prateleiras da higiene pessoal, com os putos atrás, é um Deus. Uma ave rara, um pai exemplar. A eles basta-lhes fazerem umas macacadas com os putos, uns passeios e são tidos como os melhores pais do mundo. Uma mãe que faça tudo isso e mais tudo o resto que é suposto, é uma mãe banalíssima (sim, Melissa esta tem direitos de autor, mas é a mais pura das verdades). Uma mãe, nunca será uma mãe excepcional, pois ser mãe tem no seu cerne ser excepcional e, pelos vistos, ser pai não tem. Daí os elogios a um desempenho banal de um pai e a falta deles, quando uma mãe faz exactamente o mesmo. Mas nós, as mulheres, as mães, não somos obsessivamente exigentes. Não queremos glória a cada instante que passa, nem elogios por passar o dia a limpar ranho e a ouvir chorar (se bem que até merecíamos). Queremos apenas que, de vez em quando, nos reconheçam o valor, sem termos que arrancar o reconhecimento à dentada. Desejamos ser notadas pelas pequenas coisas que não deixam a casa cair no final do dia. Que mantêm as vidas de pé e a funcionar o ano inteiro. Queremos apenas sentir que nos apreciam e que nos enxergam, digamos aí uma vez por ano. Pode ser?

segunda-feira, 7 de maio de 2012

As Melhores das Melhores

- Porque é que aquele homem está debaixo de um lençol, mãe? - Hmmmm, não é um homem, é uma mulher. - Porque é que está toda tapada? - Em certas partes do mundo, as mulheres têm que andar assim, cobertas e escondidas. - Escondidas porquê? - Porque os homens acham que é uma falta de respeito as mulheres mostrarem-se. - Mas não é cá em Portugal, pois não? - Não, fica descansada. Silêncio sepulcral. Sim, existem ali muitas fotografias impróprias para crianças, mas o que é que se há-de fazer, tivemos que levá-los connosco, senão nunca mais iriamos. Por essas passei a correr e vi-as apenas de relance (com grande pena minha). Mas a maior parte das fotografias puxaram-nos para dentro delas, como só uma boa fotografia consegue. Adorei.

sábado, 5 de maio de 2012

Nem Pintados de Douradinho

Não consigo encontrar graça nas suas graças, piada nas suas piadas, humor no seu humor. Eu tento, juro que tento, mas não dá. Depois temos esta miúda que cantou no ídolos e que não gosta de ser lembrada disso, nem por isso. E eu, que até gostei dela no ídolos, não consigo aguentar mais do que alguns segundos a escutá-la gorgolejar com elixir dentário e a ver a sua imagem fabricada de cup cake do jazz. Não dá.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

PUB

Não há, neste momento televisivo-radiofónico, anúncios mais cretinos do que os da Depuralina. A sério. Que mentes criativas se terão lembrado de meter uma gaja em cuecas agarrada a um aspirador? Noutra linha, mas ainda assim sobejamente irritante, temos a fotografia da Keira Knightley a fingir que tem vontade de lamber um frasco de perfume, plena de sensualidade e boquinhas.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Domesticamente Imperfeita

Sou um zero no que respeita a economia doméstica. Não tenho queda para a coisa. Esforço-me como tudo, mas nunca consigo ser aquele sucesso evidente e vibrante de tanto mulherio mais capaz. No entanto, existem coisas que já aprendi à minha própria custa. Não são muitas, bem sei, mas são boas e são conclusões tão pertinentes, ou melhores do que muitas dessas teorias das deusas do lar que polulam pelo mundo (sim, a inveja é nojentinha mesmo). A saber (não esquecer de entoar como mantra budista): Nunca comprar o que não preciso, mesmo que esteja em promoção. Se não preciso. Se tenho em casa, é dinheiro que estou a gastar agora sem necessidade. Não comprar bens de primeira nexexidade, como carne e peixe, enquanto não varrer primeiro todos os que tenho no congelador. Aprendi com as profissionais da coisa (e também às minhas custas) que há sempre como aproveitar duas postas de pescada que repousam esquecidas no fundo do congelador, antes de me atirar a um peixe novo. Ontem mesmo, fiz de uma courgete, dois tomates, uma cebola e uma lata de feijão branco, um repasto dos deuses. Qualquer coisa entre o Ratatouille e a feijoada light e dei beijos na minha própria boca com essa conquista tão minha, tão domesticamente perfeita, tão íntima. E sim, continuo sem saber o que aconteceu aos parágrafos.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Solte o Seu Animal Interior.

Querem assistir à largada de touros de Pamplona sem saírem do país? Querem visitar o lado mais selvagem do ser humano, sem mudarem de canal para o TLC, com as paquidérmicas viciadas em cupões, que levam as filhas recém-nascidas a concursos de beleza, enquanto atafulham a casa de merda, dão uma festa de milhões para o primeiro aniversário do bebé e aproveitam para engravidarem sem saberem? Querem descer ao mais baixo, mais baixo não há, da animalidade que existe em cada indivíduo? Querem assistir de camarote a um circo romano, daqueles em que se lançavam os homens às feras, sem contemplações? Querem? É fácil. Observem apenas como os indivíduos se comportam face a uma promoção e vejam esse mesmo comportamento modificar-se em proporção da dimensão da promoção. Por um leve dois, pague 1 são permitidos empurrões e arranhões. Por um leve três pague 1, além daqueles, são ainda permitidas rasteiras, filas de dezenas de metros e insultos. Por 50% de desconto em compras superiores a 100 Euros, vale tudo. Arrancar olhos, homicídios, violações, acidentes de viação, estropiamentos e fazer os funcionários do estabelecimento trabalharem num dia, o equivalente a 1 mês, mas com requintes de malvadez, pois fazem-no no dia que celebra essa espécie estranha, cada vez com menos direitos e garantias. Essa espécie enrabada de manhã à tarde e à noite, chamada TRABALHADOR.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Legos no Campo Pequeno

O mesmo será dizer: Tortura na arena. Milhões de seres humanos acudiram à arena para se especarem em frente de umas trampinhas de lego, com uns comboios pelo meio e umas torres de Belém e Torres de Londres e Eiffel. Entre as pisadelas, fanáticos da fotografia sobre o lego, capazes de cometer crimes por uma boa fotografia do seu puto na construção, tropeções no pavimento mal alcatifado, birras, barulho, gritos, empurrões, consegui arranjar tempo para desferir chapadas na minha própria tromba pelo dinheiro gasto na merda dos bilhetes. Vergonhoso enfiarem o que quer que seja naquele espaço de touros. É que, fora de brincadeiras, senti-me uma vaca claustrofóbica no estábulo.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

As minhas Curtas

Na caixa do supermercado, uma funcionária extremamente simpática e, decididamente tagarela, decide comentar mais de metade dos produtos que eu levo: Bip/Código de Barras. - Ah, eu gosto muito mais destas escovas de dentes, do que as da Colgate. São mais macias e muito mais resistentes. É para ti, esta, é meu menino? Pergunta a senhora, enquanto dá a escova de dentes das princesas para as mãos do embasbacado António. Bip/Código de Barras - Ah, não sabia que o leite mimosa estava com esta promoção. Nada maus estes cupões de 0,50 cêntimos. Mas eu não costumo comprar o da mimosa. Bip/Código de barras - Este pão Pita, é muito, mas muito melhor do que o da Bimbo. O da Bimbo é muito fininho e mole (Da bimbo e não do bimbo, suas mentes porcas). Uma vez, comprei o da bimbo e pus um bocado de carne assada na frigideira e depois maionese e depois enrolei tudo na pita e ficou tão, mas tão bom. É assim que vai fazer? Eu rezei uma pequena oração interior: Obrigada, Deus, por teres evitado que trouxesse os pensos higiénicos Evax, ou os preservativos Control. E porque é que a bosta atrofiante do novo blogger me fez desaparecer os parágrafos, alguém sabe? Odeio mudanças para pior.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Ode à Mãe

Há muitas mulheres que dizem que o facto de terem sido mães, não as modificou nem um bocadinho. Eu não faço parte desse grupo de mulheres, pois, feliz, ou infelizmente, não sou impermeável às coisas que me sucedem. E os filhos sucedem-nos, sim. Acontecem-nos. Inexoravelmente. Para sempre. Não é suposto amarmos assim. Não é suposto o nosso coração bater para insuflar vida para além da nossa, mas ele passa a bater por eles, porque a vida deles acontece na nossa e assim será até ao fim. Enquanto o nosso coração bater, eles estarão vivos. Por isso, não é suposto que deixem de viver antes de nós, porque nos descompassam o coração, porque ele baterá sempre as vezes necessárias para nós e para eles, só que eles já não estão mais aqui e o coração cansa-se. Cansa-se, porque bate por muitas vidas, cego, obediente, instintivo, mas não os respira mais, não os sente, não ouve a sua voz, o som dos seus passos e passa a bater desesperado e sem recompensa. A imagem daquele amor que nasce pequenino e cresce ao longo de uma vida inteira e que é só nosso, não o larga. A imagem do colo, do filho menino, da mão, do quente do seu corpo, dos sussurros, do sono, das conquistas, do filho crescido, dos amores, dos sonhos não morre nunca dentro da mãe que lhe sobrevive. Desde que fui mãe, quando oiço falar de um filho que partiu antes do seu tempo, penso na sua mãe e choro com ela.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

15 de Julho de 1975 e a liberdade

Nasci mais de um ano depois do 25 de Abril de 1974. Mas não deixo nunca de agradecer em silêncio, e em voz alta, o facto de ter nascido num país mais livre. Não tenho saudosismos salazaristas, como muitos que não sabem como se vivia no Estado Novo, ou outros tantos que já se esqueceram, ou outros tantos que até gostaram. Apesar de nunca ter vivido no Estado Novo, não queria ter vivido no Estado Novo. Não quero que o tempo volte para trás, não gosto da palavra ditadura, não gosto da estagnação, da mordaça, das amarras ao pensamento. A democracia, apesar de tudo e de tantos abusos e decepções e tropeções, ainda é um mal menor e a ela agradeço poder votar, poder sair do país, poder ser considerada ser pensante e existente, sem autorizações do macho. Jamais me ocorreria ter saudades do fascismo. Jamais me ocorreria não ficar feliz pelo 25 de Abril.

terça-feira, 24 de abril de 2012

A Prostituta da Alegria de Viver numa Espécie de Campo

Ana sai de casa para ir buscar Alice à escola stop. Ana abre porta da garagem stop. Ana vê uma espécie de alien centopeico, com quinhentas patas asquerosas e para aí com uns 15 satânicos cm de comprimento stop. O que é que a Ana faz? a) esborracha o alien com o seu fino sapato de téne, correndo o risco de apenas o arranhar? b) encontra uma bigorna e atira-a de encontro à filha da putassa, seguindo-se uma dança de pulos sobre a bigorna? c) Pega-lhe pelo rabinho e solta-a de volta à natureza, pois que não se faz mal a bichos? d) tira-lhe uma fotografia (para ter provas materiais, caso o cônjuge a acuse de exagero), enfia-se na viatura e tranca as portas, enquanto reza uma Avé-Maria? Pois...

Dor

Há muitas pessoas avessas a tomarem remédios. Sejam eles xaropes, comprimidos, vacinas, cápsulas de gelatina, efervescentes, injectáveis, supositórios. Preferem aguentar a dor a ingerir esse veneno gosmento chamado medicamento. Elas não gostam, não curtem, não são apologistas e, por isso, aguentam estoicamente a dor de cabeça, ou a azia, ou o desarranjo intestinal, só para não causarem ao organismo virgem o choque do contacto com a droga legalizada. Há quem se recuse a "sofrer" uma epidural, ou quem seja aconselhado a aguentar a dor, pelo bem da humanidade. Pois eu estou longe de ser essa super heroína anti-droga. Se tenho uma dor no dedo do pé e se existir, algures, uma planta rara e tóxica que me alivie a merda da dor, eu estou lá, no topo da montanha a colhê-la com dedicação. Se começa a despontar uma dor de cabeça, que se prevê aguda passados uns minutos, já estou a dar-lhe com o comprimido adquado. Se dizem que a morfina alivía as dores na costura, toca a pedir várias doses e se a epidural é uma barreira entre o meu corpinho e a dor, venha ela, por favor, que eu não nasci para sofrer. Eu quero o alívio imediato, a solução em forma de lamela, a cura milagrosa. Eu quero resolver a questão o quanto antes. Por isso, sou uma conspurcada impaciente, que não gosta do masoquismo implicito à cena de aguentar a dor. Aguentá-la para quê, se existe algures uma droga à minha espera?

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Assunção, diz-lhes que não

A nossa ministra Assunção Cristas(sim, a que tomou a vanguardista e muito eficaz medida de a malta ir trabalhar sem gravata para o bem do país), é constantemente abordada por jornalistas rosa, que a questionam sobre os filhos:
Ah, eles ressentem-se muito com a sua ausência?
Ah, como é que concilia tudo?
Ah, como é que consegue ser mãe e ministra?

Eu queria saber, pois não posso saber tudo neste mundo das revistas e afins, se também fazem essas perguntas aos ministros-gajos.
É que, de tanto ser abordada com perguntas fodidas e cretinas, ela sai-se com respostas no mesmo nível, do género:
"O melhor que posso fazer pelos meus filhos, é dar o meu melhor pelo nosso país."
Acredito que ela não saiba mais como não mandar os jornalistas para o pénis, mas uma resposta destas não é aquilo que um puto deseja ouvir, quando pede à mãe para ir ao Parque.
Espera aí, que primeiro tenho que ir tratar do país.
Deixo aqui um manifesto, utópico bem sei, anti-perguntas cretinas. Ou, em não sendo possível, proponho que formulem essas mesmas perguntas cretinas aos homens do governo, que deixam as mulheres a braços com a família de pai-ausente.

domingo, 22 de abril de 2012

ó mãe,

- Posso pedir-te uma coisa?
- Não me digas que queres mais presentes?
- É só uma coisa. Não são muitos presentes.
acho que reviro os olhos, mas não posso garantir.
- Não achas que tens tido presentes a mais?
- É só mais este.
- O que é que tu queres, diz lá...
- Um corno.
Não, não é uma Barbie, um caderno para pintar, um livro, um Nenuco, uma playstation. A minha filha quer um corno.


Mais tarde, percebi que viu na televisão um homem a beber por um corno, ao estilo idade média.

sábado, 21 de abril de 2012

OHMMMMMMM



Das minhas quase zero virtudes, saber esperar é uma daquelas que está em constante construção.
Sou sempre a primeira a acabar uma refeição, a primeira a chegar, a primeira a sair da sala de cinema (longe vão os tempos em que ficava estarrecida a olhar para os créditos finais do filme. Eu quero é sair antes da maralha toda), a primeira a ficar pronta, a que toma banho mais rapidamente, a que despacha o trabalho em menos tempo.
Detesto comer uma refeição com alguém que nunca mais termina. Já estou eu a pensar na sobremesa, enquanto o parceiro de comida, ainda vai a meio do bife.
Enfim, sou uma chata do caraças. Detesto deitar-me com a sensação que deixei mil coisas por terminar.
Ter putos ensinou-me a refrear as minhas pressas. Ter que parar a ver o cão sarnento que passa, ou a contemplar uma montra cheia de Hello Kitys, ou Faíscas. Ter que desacelerar o passo, ao ritmo dos passos tão pouco apressados das crianças, que estacam por tudo e por nada e que em tudo encontram fascínio e graça, ensinou-me a arte do freio na minha própria pessoa.
Mas não é fácil, não é mesmo nada fácil.
Só muda alguma coisa quando estou de viagem. Adoro parar, contemplar, engonhar nas ruas, deter-me, perder-me, observar. Como se pudesse parar o tempo e ceder finalmente à vida.
No resto dos dias, ando sempre a tentar ganhar tempo, para depois conseguir parar e esqueço-me que parar também é ganhar tempo.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Os Palitos Móveis

Com o advento do telemóvel, meter os palitos a alguém ficou bem mais fácil.
Antigamente, se alguém saía do trabalho, ficava incontactável e facilmente catado, assim que os colegas atendiam o telefone fixo, amarelo mostarda com grandes teclas brancas, e diziam que a pessoa em questão não estava no seu estaminé, a suspeita confirmava-se.
A desculpa de estar em casa de um amigo era difícil de gerir, pois o amigo teria que improvisar uma ida à casa de banho do empalitador, ou outra desculpa igualmente rasca quando o telefone fixo tocasse.
Se alguém dizia que tinha que ficar a trabalhar até mais tarde, era bom que a queca traidora fosse ali mesmo, sobre as gavetas de arquivo, ou a secretária desengonçada.
Estar sempre contactável, poder dizer que se está no trabalho, ou nas compras, ou a fazer jogging, quando na realidade se está num motel de beira de estrada a pinar, é do caraças. Pode sempre invocar-se falta de rede, ou falta de bateria, para as quecas sem interrupções.
Mas, por outro lado, e como nada é perfeito neste mundo, ser-se catado tornou-se bem mais fácil. Há sempre um sms esquecido, registos de chamada para um número suspeito, um voice mail não apagado. Com os Smart Phones a coisa torna-se ainda mais dramática, pois os chats, os facebooks e todas as redes de comunicação, deixam rasto. Um rasto demoníaco, quase impossível de apagar e que exige do encornador uma perícia que não está ao alcance de todos.
Deus dá com uma mão e tira com a outra, é bem verdade.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Quanto mais conheço o mundo, mais amo as crianças

A Alice tem que levar acessórios meus para a escola, a fim de fazer uma surpresa para o dia da mãe. O entusiasmo dela ao ver os meus escassos colares de pedras coloridas foi de uma doçura impagável. Para ela, todos os meus colares de missangas são de diamantes e as minhas pulseiras de couro, simples e sem grandes ornamentos, são a mais bela filigrana.
As pessoas que a Alice ama são todas lindas, e ela não se cansa de o repetir, as vezes necessárias, até que eu própria acredite nas suas palavras. Quer envergue uma sweat-shirt puída e calças de ganga, ou sabrinas prateadas (o máximo do meu esplendor, ultimamente), a mãe dela é a mais bonita de todas as mães, excedendo aos pontos algumas das mães produzidas, que deixam um enorme rasto de perfume, quando levam os meninos à escola.
Para o António, o pequeno e discreto carro do pai é um Ferrari e, de cada vez que vê um igual na rua, estacionado, ou em movimento, grita a plenos pulmões que é o carro do pai, com uma espécie de orgulho desmedido, de amor imenso reflectido em cada gesto. Os seus olhos brilham e o coração acelera, de cada vez que se aproxima daquela humilde viatura, que é a mais veloz e mais gira do seu universo, pelo simples facto de ser a do seu pai.
O amor que eles nos têm, pelo menos até uma certa idade, depende apenas do amor que lhes damos e isso não tem a ver com a beleza que se vê por fora e sim com a mais importante, aquela que se sente por dentro.
Quanto mais conheço o mundo, mais gosto das crianças (há quem diga isto para os animais, mas eu prefiro as pessoas pequenas de tamanho).

terça-feira, 17 de abril de 2012

Lidar com uma Gaja




Não vou falar da melhor série de humor dos últimos anos (sim, eu cá acho que é), mas de um dos melhores personagens de humor dos últimos tempos e que, por acaso (ou não) faz parte desta série: Phil Dunphy.
Ele é o protótipo do gajo bonzinho sempre à toa. Quer fazer tudo bem com a mulher, dizer a coisa certa, fazer o que é suposto, mas sai-lhe sempre tudo ao lado.
Há um episódio em que Phil passa o dia num Spa, rodeado de gajas e elas vão-lhe dando conselhos sobre como se comportar com a mulher, e ele, finalmente, consegue brilhar.
Ela telefona-lhe, em stress, a desabafar sobre um problema qualquer que tem que resolver e ele dispõe-se a resolver por ela. Logo o batalhão de mulheres que o rodeiam no Spa, lhe caem em cima.
Como é óbvio (ou pelos vistos não tão óbvio assim), na maior parte das vezes, queremos apenas uma palmadinha nas costas e que se sintam compadecidos com o nosso stress. Enalteçam-nos e digam-nos que a nossa vida não é fácil, mas que nós vamos conseguir, apesar de tudo.
É simples, não é?
Depois de um dia de birras, gritos, em que nada corre bem. Depois de um dia a fazer de juiz nas "discussões" entre irmãos. Olha agora ela tem razão, olha agora é ele que tem. Larga-o, fala mais baixo, não subas para cima da mesa, não subas tu para cima da mesa, que ele copia tudo o que fazes, anda cá, não fujas, não chores, já passou, já vou, não posso, está bem, eu brinco, agora já chega, fecha a televisão, não comas o sabonete, eu não quero discursos sobre o estado da nação. Só quero um abraço e que me digam que sou a mulher mais fantástica ao cimo da terra.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

(alguns) Dos Livros da Minha Vida que Deram (alguns) dos Filmes da Minha Vida






Ninguém captou tão bem a obscuridade do coração humano como Henry James (wings of the dove e portrait of a lady, entre muitos outros).
Edith Warthon sempre me fez lembrar o próprio Henry James em feminino. Maravilhosa, suave, profunda (The House of Mirth).
E o meu querido Somerset Maugham, cuja leitura aconselho a partir dos 14/15 anos (a sério), deu origem a um dos filmes mais romanticamente perfeitos de todos os tempos, The Painted Veil.
Não acho que os filmes tenham que ser fiéis aos livros nos quais se baseiam, mas quando isso acontece e corre bem, é uma maravilha. Quando o filme se afasta completamente do livro e corre bem, é outra maravilha :)

sábado, 14 de abril de 2012

Saudade em Sintra

Na vila mais mágica, mais poética, mais cinematográfica, mais misteriosa, mais bucólica, mais maravilhosa do país, uma casa de chá que a reflecte na perfeição e onde comi o mais gigantesco e saboroso scone dos últimos tempos, com doce de laranja caseiro.
A última vez que lá tinha estado, num fim de tarde de inverno, mal tinha conseguido apreciar, pois o António era pequeno, ia na cadeirinha e esta mal cabia no meio das mesas com tanta gente que lá estava. Mas hoje, caraças, hoje foi divinal :)
Se quiserem aproveitar este friozinho que ainda cheira a inverno, passem por lá.




Imagens gamadas da net.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Linguagem para pessoas que espetam o corneto na testa e uma curiosidade

Dahhhh, LOL, ROTFOL, OMG, OMFG, NOT, SO NOT, BTW, NOTE TO SELF!!!!!!
A sério, amo toda a gente na mesma, mas já não se aguenta. Toca a inventar coisas novas, como palavras inteiras, por exemplus.

Curiosidade:
Ontem, no telejornal, fiquei a saber que em Santarém se comem Caralhotes. Tenho que googlar caralhotes.
Googlar é uma palavra boa como o google.

Eu e o Co-Sleeping



A sério, eu entendo tudo e todos os argumentos que defendem o co-sleeping, nome giro para tudo ao molho e fé em Deus, mas estou convencida que se aceita isto e se classifica e explica e defende, só para animar os pais, que não conseguem, porque simplesmente não têm força anímica às tantas da madrugada, para contrariar a criançada e eu entendo.
Falo por mim, mas nunca consigo dormir com a cama cheia. Tirando de manhã cedo, quando chove lá fora e nos enroscamos todos naquele sono levezinho, cama cheia, para mim, é sinónimo de insónia e insónia é sinónimo de falta de forças para respirar no dia seguinte.
É claro que não é uma regra inflexível. Tudo muda quando há febres, tosses, viroses, mas a realidade é que o co-sleeping não é para o meu organismo. Depois como é que se pára o hábito? E se eles continuam até aos 20 anos?
Aprendi, às minhas próprias custas, que introduzir hábitos que nos "aprisionem" (e aqui falo de todos) significa escavarmos uma espécie de "buraco", de onde depois não conseguiremos sair facilmente.
Mas isto sou eu e nada garanto em termos de para sempre, nem de coerência nesta cena da maternidade. Eu quero é que seja bom e fácil para todos e o que é bom e fácil para mim, pode muito bem não ser para os outros, bem sei.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Um dia Sem Sapatos

Olhem só que iniciativa gira..
Se o mundo fossem 100 pessoas, 40 não teriam sapatos.
Um bem tão básico para nós e tão raro (ainda) para tantos. Em muitas partes do mundo, possuir um par de sapatos é um luxo, um motivo de orgulho, um sonho difícil de alcançar.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Declarações de Amor



Não gosto do Steve Carrel como actor. Acho que tem cara de parvo e uma tendência para representar sempre da mesma forma. Mas ontem, enquanto o ouvia no programa da Ellen (ok, já estou um bocadinho mais rendida ao estilo dela. Isso, ou preciso de um talk show por noite para sobreviver), comprovei uma vez mais que podemos achar um gajo mau actor como o caraças, mas gostar dele enquanto ser conversante e pensante.
Parece que ele é casado há 16 anos e, quando questionado sobre as coisas românticas que fazia à sua mulher, ele respondeu:
Descarrego sempre a loiça da máquina. A maior parte dos homens pensa que precisa de oferecer brincos de diamantes, mas se descarregarem a loiça da máquina, estão safos.
Em contrapartida, ela deixa-me sempre a máquina do café pronta, para o meu café na manhã seguinte. Levanto-me muito cedo e é só carregar no botão.
Eu acho que isso prova que ela me ama.
Depois de alguns anos de vida em comum, pelo menos para mim, é nestes gestos estupidamente banais que residem as declarações de amor. Por isso, Steve, se me lês (eu sei que sim, com o google translator), quero que saibas que sabes exactamente onde fica o ponto G da tua mulher.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Mundo Virtualmente Chato

Depois de ler este post da minha querida e mui inteligentíssima Joaníssima e mais este da mui sensível e maternal Lady, ou mais não sei quantos que tenho preguiça de linkar, venho aqui dizer que não mexem comigo os blogues que desfilam as compras, os sapatos, as roupas, as carteiras, os gastos pessoais.
Estou-me a cagar.
Tal como sempre caguei para os meus colegas de liceu que diziam quanto tinham custado os seus ténis, ou exibiam as suas belas t-shirts de marca, com orgulho de prémio nobel da medicina, ou os seus carros, ou as suas férias na Quarteira (esse pedaço de paraíso algarvio).
É apenas uma questão de educação, de sensibilidade.
Obviamente que não tem nada de mal. Não prejudica ninguém, mas eu acho um bocado pindérico.
Jamais me ocorreria espalhar aos sete ventos o meu guarda roupa, dia após dia, ou as minhas últimas compras, principalmente numa época em que tanta gente conta os tostões.
Até porque, verdade seja dita, morreriam todos de tédio.
Não sinto inveja, não me dá vontade de coçar sítios estranhos do meu corpo. Apenas não sinto vontade de ver de que formas gastam os outros o seu dinheiro.
Confesso que também ando um bocado enjoada do facebook e da malta que tira fotos aos acidentes mortais, ou que decide fotografar-se em frente do prédio do maluco de Toulouse, para espetar com a foto no seu mural.
Farta da fina barreira que separa o virtual do real, que vicia, manipula, estraga o que possa haver de genuíno.
Em suma, ando com uma overdose de narcisismo alheio. Já me basta o meu.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Não custa repetir

Eu sei que já disse que era dos melhores dos últimos tempos, mas faço questão de dizer outra vez:
Vejam.



domingo, 8 de abril de 2012

A Perfeição Não Existe

E ter esta espécie de certeza adquirida dá-nos uma certa paz de espírito.
É que estar sempre a exigi-la, a procurá-la, a gritar por ela, a tentar encontrá-la em tudo e todos, cansa como o diabo (digo diabo, porque hoje é domingo de páscoa e ficava mal estar a dizer outra coisa).

sábado, 7 de abril de 2012

America's Next Top Clown/ou Quando Ele era Ela



Sim, eu sei que este senhora já existe há décadas e há décadas que ando para falar sobre ele, mas nunca calhou. Só que hoje, ao olhar para uma concorrente que escutava os conselhos dela, com um olhar sôfrego por sabedoria de passerele, eu pensei, pela enésima vez:
Mas o que é esta merda?
Depois temos o outro membro do júri, que fala um bocadinho melhor e parece ter um bocadinho mais de massa acinzentada, mas que parece saído de um duche de bronze e retocado a pincel.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

A dor do Divórcio

Se o divórcio é um mal necessário para muitos casais e, muitas vezes uma libertação de um ambiente hostil que se respirava em casa e nas suas vidas, a verdade é que, muitas vezes, quando existem filhos na equação, conduz a situações ainda mais graves do que as existentes anteriormente.
Perdi a conta a quadros familiares que se transformam em jogos de interesses, tanto para os pais, como para os filhos.
A partir de uma certa idade, os miúdos também sabem como manipular um pai-pós-divorciado. Vão-se passando de um lado para o outro, ao som dos seus próprios interesses e os pais, esses, desesperados pelo amor, pela atenção, por serem os vencedores do seu coração, na estúpida guerra do divórcio, deixam-se manipular, fingem que acreditam que aquela passagem para o seu lado é desinteressada e rejubilam, esfregando na cara do ex essa vitória.
Sempre defendi que deve ser uma luta duríssima, essa de permanecer à tona, de permanecer sereno, quando se sai de um divórcio cheio de feridas, de mazelas (sejamos, também, sinceros) de cornos.
Como é que vou dizer ao puto que a mãe, que me encornou, é uma boa mãe e que ele deve continuar a obedecer-lhe e a olhar para ela como um exemplo?
A sério, haverá tarefa mais dura?
E muitos putos (já mais crescidos, entenda-se), sentindo esta instabilidade, esta fragilidade, saltam para cima de todas as brechas que encontram, tirando proveito e pedindo em troca, exigindo que o seu amor, a sua atenção, tenham uma contrapartida.
Não faço a mais pálida ideia de como manter a saúde de uma família partida em pedaços. Apesar de o tom pedo-psicológico destas linhas, estou a quilómetros de distância de saber a resposta, por isso, talvez o melhor fosse mesmo encontrar uma ajuda profissional. Um piloto experiente que saiba os passos a dar para uma aterragem mais tranquila. Tentar resolver ao som do coração não basta, é que não basta mesmo.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

SOS

Manifestações onde os polícias descarregam frustrações nos manifestantes e onde um dos suspeitos de ter lançado um betardo, alega não ter passado de um estalinho de carnaval e afirma ter partilhado uma chouriça com a polícia.
Cortes de mais subsídios, especulações sobre a eternização do roubo do 13º e 14º mês.
Fecho de mais serviços de urgência nocturnos, taxas de desemprego que sobem, Presidente da República que se recusa a comentar, pois nunca está no lugar oportuno, nem na hora adequada e quando decide abrir a mandíbula, é para arrotar alarvidades. Concordo, tal como ele diz, que não está no lugar certo, pois imagino-o sempre a fazer patuscadas no quintal da vivenda Mariani, de chanato no pé e t-shirt manga cava, ao invés de conversações sobre o estado da nação.
Manifestações que me deixam presa numa interminável fila de trânsito, com o miúdo a ter ataques de pânico, só para perceber que desfilam envergado os trajes de rancho e, provavelmente com chouriças também e acordeão.
Greves que deixam quem paga o roubo do passe, sem passar para lado nenhum.
Ministros com cara de verme gosmento, outros com cara de sapo lambido. Deputados novinhos e betinhos, que entendem tanto da vida como um jovem adolescente a beber margueritas na discoteca Lux e que, no entanto, ousam ditar os nossos destinos, com o peito cheio de nada.
Supermercado mais caro, gasolina a níveis nunca vistos, facturas de electricidade, onde a maior parte do nosso dinheiro vai para merda, alheia ao nosso bem estar.
Notícias na internet que dão conta da crise, despida, transvestida, exposta, minuto a minuto, para nos atormentar em pequenas doses diárias de fel.
Farta, farta, farta, farta.

terça-feira, 3 de abril de 2012

metro quê?

A sério que existe por aí mulherio que acha piada a homens que ponham creme nos cotovelos, gritem de cada vez que sai uma colecção nova de calçado desportivo, vulgo, téne, que vibrem com desfiles de moda. Gostem até de comparecer aos mesmos e saibam o nome de todas as marcas de sapateiros, ups, designers de calçado feminino?
Eu sei que há gostos para tudo e também gosto de pessoas que cheirem a lavado e se vistam sem parecerem saídas do caixote do lixo, mas há que impôr limites
Se puserem hidratantes e anti-oxidantes e disfarçadores-de-olheiras, não me contem. Apareçam já com o produto final, sem detalhes, porque eu tenho a tendência (machista, bem sei) de não me entusiasmar com o lado de gaja de um gajo.

Da Morte, essa velhaca

"Oh! Não compreende sequer esta palavra: morte. Na sua idade, não significa nada. Na minha, é terrível. Sim, compreendemo-lo de repente, não sabemos porquê nem a propósito de quê. Então, tudo muda de aspecto na vida.
Por mim, há 15 anos, sinto-a minar-me como se trouxesse cá dentro um animal a roer-me. Dei por isso aos poucos, mês a mês, hora a hora, a abalar-me assim como uma casa que vai abater. Desfigurou-me tão completamente que já não me reconheço. Já não tenho nada de mim, do homem radiante, fresco e forte que era aos 30 anos (...) Sim, ela vai realizando, a velhaca, docemente, terrivelmente, a longa destruição do meu ser, segundo a segundo. Agora, sinto-me morrer em tudo o que faço. Cada passo me aproxima dela, cada movimento, cada respiração apressa a sua odiosa tarefa. Respirar, dormir, beber, trabalhar, tudo o que fazemos é morrer. Viver, em suma, é morrer (...) descubro-a por toda a parte. Os insectos esmagados no caminho, as folhas que caem, o cabelo branco descoberto na barba de um amigo, dilaceram-me o coração e gritam: Aí está ela! Estraga-me tudo o que faço, o que como, bebo, tudo o que gosto.
Ninguém volta mais. Nunca. Guardam as formas das estátuas, os cunhos com que se fazem os objectos iguais; meus desejos não voltarão mais. No entanto, nascerão milhões, biliões de seres, que terão, no espaço de alguns centímetros quadrados, nariz, olhos, testa, faces, boca como eu, sem que jamais, qualquer coisa de mim que seja reconhecível, reapareça nessas criaturas inumeráveis e diferentes, embora quase semelhantes (...)


segunda-feira, 2 de abril de 2012

É impressão minha,

1-ou o Jamie Oliver está cada vez mais parecido com um leitão?
Caramba, que só o imagino num espeto, com uma meia laranja na boca.
2 - ou o Ídolos (português) é um desfile de candidatos patéticos, que já perceberam que também podem ter fama por se fazerem de atrasados mentais (sim, estamos em Portugal), candidatos assim-assim e candidatos mauzinhos? Onde é que andam as vozes a sério?

domingo, 1 de abril de 2012

Intouchables



Há muito tempo que não gostava tanto de um filme.
A sério.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Avacalhada ou Abandalhada, ou...

Sei que estou a um passo de dar entrada para o clube do abandalhamento pessoal, quando:
Percebo que adormeci com a luz acesa e, horror dos horrores, deixei sair dos meus belos lábios, um pequeno e quase imperceptível, mas mesmo assim repugnante, fio de baba.
Decido entrar na pizzeria para almoçar com os miúdos, olho para a minha puída Sweat-Shirt Abercrombie and fitch (Sim, roam-se de inveja os que são de se roer de inveja) e tenho uma chuva de nódoas de origem duvidosa na zona abdominal, mangas e ombros. Secas, asquerosas, fossilizadas e bastante chamativas.
Lembrar-me de colar post-its em todas as assoalhadas da casa e na porta da rua:
- Não permitir abraços dos miúdos,logo após a ingestão de bolacha Maria e na constância de constipações.
- Não comer esparguete sem envergar um fato de celofane sobre a indumentária.
- Retomar o sábio, mas esquecido, hábito de me olhar ao espelho antes de sair de casa.

Reflexão (pouco) Católica

Eu sei que cada caso é um caso, que a excepção confirma a regra e que não pode pagar o justo pelo pecador, mas cada vez tenho menos simpatia por freiras.
Quando lhes dá para a frieza, distanciamento, amargura, ressabiamento, fujam delas como o diabo da cruz.
Também as há doces, serenas e entregues à missão, mas as outras. As que fogem do caminho, as que professam uma coisa e fazem outra, as funcionárias da repartição pública de Deus, estragam o quadro todo e consigo até imaginar-me a açoitá-las.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Do Limbo, vos desabafo

Nunca tive talento para me auto-promover. Jamais poderia segurar nas mãos um troféu que me lembrasse aquilo que alcançara, à custa do meu próprio (e salutar) ego, que possuo em escassas doses.
Vejo-me de uma forma estranha e insegura. Do alto da minha crónica falta de jeito para falar sobre mim, preciso que me vejam e me expliquem e me equacionem e me valham a pena. Pois de mim não gosto de dizer, nem de falar, nem de me achar, nem encontrar.
É estúpido e, provavelmente, trata-se, mas enquanto não for possível recorrer a um comprimido para isto, fico muitas vezes, à espera de respostas que não chegam, de mails que não regressam ao remetente sob forma de reply, de manuscritos que partem e não regressam sob forma alguma.
A questão é que tenho uma história escrita há vários meses. Uma história que acho que vale a pena pôr em livro e, como não cometi nenhum crime, não tenho um blogue de sucesso estrondoso, não sou vedeta social, não apresento programas de televisão. Enfim, como não faço a ponta de um corno dessas coisas desejáveis para se editar um livro em Portugal, vejo-me remetida para o limbo dos manuscritos e das expectativas presas pela trela invisível das editoras, que desejam sucessos garantidos à partida.
Eu podia torturar crianças e ser um sucesso de vendas, mesmo antes de começar a escrever. Podia assassinar alguém e pagarem-me antecipadamente a escrita de um livro que descrevesse o crime. Podia até fazer um blogue voltado para o sucesso rápido e eficaz, distribuindo conselhos "de graça", falando sobre homens e mulheres e maternidade e cães, mas não. Não sei fazer nada disso. Sou uma incapaz social. E, com a graça de Deus e, não existindo agentes que promovam as minhas letras por mim, não sei fazer pela vida.
E é isto. Hoje sinto que de nada vale aquilo que se escreve, mas sim quem o escreve. E é triste. Triste ao ponto de ter que escrever sobre isso.
Ainda não sei bem como partirei daqui, desta apatia, deste medo que me tolhe as pernas, impedindo-as de seguir em frente, mas alguma coisa sei que terei que fazer.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Nas nossas mãos

Acho que muita merda, em termos sociais, está, ou pode estar, nas nossas mãos. As associações de moradores, os condomínios, os agrupamentos do que quer que seja, são a forma mais espantosa de fazermos alguma coisa pelo nosso núcleo, pelo nosso bairro, pela nossa rua.
Eu decidi não ficar mais calada de cada vez que vejo o dono de um cão-cagador-de-parque-infantil, em acção, ou melhor, em não-acção.
Hoje mesmo, num parque natural que tenho aqui perto de casa, com um pequeno parque infantil, uma mãe, enquanto via o seu filho brincar, fingia não ver o seu cão a cagar o mesmo espaço. Tratei de a alertar para o cagalhão. Fez-se de estúpida, que não tinha visto e ai que ofendida que está, ai que não é preciso dizer-me nada, mas engoliu que se lixou e limpou.
Senti-me realizada. Menos um cagalhão num espaço verde.

domingo, 25 de março de 2012

O Atrofio da espécie

O que é que passa pela cabeça das mulheres, vestidas com largos vestidos, tipo bibe, sapatos que parecem meias e ganchinhos na cabeça, para imaginarem que conseguem cativar as crianças com histórias sobre a mitologia e o cosmos?
Eu, fã assumida da Casa das Histórias da Paula Rego, hoje vi-me apanhada numa destas histórias (supostamente infantis) por acidente, pois que passava pelas galerias e fui abordada, a fim de ficar a ouvir com os miúdos, a história que seria contada.
Assim fiz, até porque o público era escasso e tive uma certa pena da tal pipi-dos-sapatos-redondos.
Como é óbvio, o António, com dois anos, não consegue ficar quedo e mudo a escutar sobre a filosofia e o cosmos e os deuses e Deus e Zeus. A Alice já consegue disfarçar a seca, mas um puto de dois anos, precisa de mais esforço para ser cativado.
Depois de alguns: Mããããe e Oláááá! A atrofiada rapariga contadora de fábulas esotéricas, decide pedir-me que saia com ele, pois que não consegue sobrepor-se ao ruído.
Queria aqui dizer-lhe que regressasse à instrução primária e relembrasse as coisas que a cativavam nessa altura. Não é um exercício assim tão difícil.
Voz de lesma+Zeus+partir ovos crus e dizer que é a formação do universo não são a forma mais directa para o cosmos infantil, sim?
O facto de se vestir como uma criança, não a aproxima das crianças. Acredite.
E agora vou ali morder uma almofada e dar chapadas na minha própria cara, por não a ter mandado de volta para o pipi-de-sua-mãe e já volto.

sexta-feira, 23 de março de 2012

O dinheiro mais mal gasto

Dos últimos anos (não é semanas, nem meses, mas anos mesmo)


Isto é não ter a menor, repito, menor noção do que é ler histórias para crianças. Enfiar isto na secção infantil, mesmo ao lado das músicas do Panda e da Maria Vasconcelos, é um engodo.
Tudo em verso erudito. Cada fábula dura um minuto e a leitura é feita sem entoação, sem emoção, monocórdica e chata como o caraças (para não dizer chata comoocaralho).
Estou furiosa. FURIOSA.

quinta-feira, 22 de março de 2012

"Pais sem Stress são um mito"

Olhem só que texto giro.


Concordo com quase tudo o que li aqui. Ser perfeito durante toda a paternidade/maternidade é interpretarmos um papel. Um papel que não nos deixa viver a maternidade como ela é de verdade. Um misto de contradições, de sentimentos bons e maus, de tudo e de nada. De cansaço e exultação. De felicidade e neurose.
Sim, vamos stressando a níveis diferentes e, à medida que os meses passam, com coisas diferentes. Até atingirmos um nível em que stressamos com o que é verdadeiramente grave. Vamos aprendendo a contornar o stress e a reciclá-lo. Mas stressamos, sim e isso não faz de nós seres imperfeitos na arte de criar putos, mas seres-humanos.
Confesso que o exemplo que desejo dar aos meus filhos, não é o de um ser inalcansável, pleno de paz, serenidade e sabedoria e sorrisos constantes a todas as horas do dia e da noite. Um ser que nunca erra. Isso não existe e vai frustrá-los mais tarde, quando eles próprios tiverem que lidar com as suas próprias vidas, tentando sempre alcançar e copiar a utópica perfeição materna.
Quero que eles olhem para mim e, no conjunto, consigam ver que sou uma pessoa de carne e osso que, no balanço final, deu sempre o seu melhor e nunca os olhou como uma pedra no caminho de um sonho, pois eles fazem parte dos meus sonhos.
Sorrir-lhes quando acordam de manhã (de manhã e não às 3 da manhã) e abraçá-los à noite, antes de adormecerem são coisas que saem de dentro do coração, sem esforço e que nos fazem sentir que estamos no caminho certo.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Dia Mundial da Poesia / ou porque ela ajuda a combater o colesterol

"No ciclo eterno das mudáveis coisas
Novo Inverno após novo Outono volve
À diferente terra
Com a mesma maneira
Porém a mim nem me acha diferente
Nem diferente deixa-me, fechado
Na clausura maligna
Da índole indecisa.
Presa da pálida fatalidade
De não mudar-me, me infiel renovo
Aos propósitos mudos
Morituros e infindos"

Ricardo Reis

Não conheço nem um cagajésimo dos poetas de todo o mundo, mas, no meu íntimo instinto, sei que jamais poeta algum falará de mim como ele fala.

terça-feira, 20 de março de 2012

Coisas que me revolvem a alheira de mirandela interna

- Perceber que a moda Maria Antonieta na corte francesa está nas ruas. Que cena é esta de usar uma liga na coxa, com um laçarote de seda, sobre as meias de rede? A sério? Está na moda, é?
- Pessoas que dizem preferir mil vezes os animais às pessoas. Sim, eu entendo que os animais são muito puros e muito fiéis e muito lindos e idílicos e as pessoas são todas muito más e mentirosas e cruéis e tenho a certeza que existem pessoas muito piores que certos animais necrofagos, mas caraças, há qualquer coisa na generalização deste conceito, que inverte toda a minha escala de valores.

Não desmaiem os púdicos

Farta de todos os Keep Calms que infectam este mundo de fofura. Farta de todas as cor-de-rosuras e perfeições de moda e de espírito e de frases feitas em autocolantes virtuais. Farta das boas vindas à Prima Vera, com entusiasmo primaveril e inocente.
Aqui fica o único Keep Calm que me faz algum sentido.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Oh Yeah



E quando faço um zapping nocturno, e sem esperança de encontrar qualquer coisa que me mantenha a pestana aberta, e dou de caras com estas duas, na Rtp2?
É caso para dizer, Oh Yeah, pois que, apesar dos anos terem passado sobre os episódios, continuam igualmente cómicas e maravilhosas e nem um bocadinho desactualizadas :)
Que série, que série.

domingo, 18 de março de 2012

Sobrevivi à tinta magnética

Depois de quatro demão da famosa tinta magnética, que de magnético tem pouco (já encomendei uma sacada de extra-strong magnets no e-bay) mais duas demão de um salmão com problemas de estômago, aqui estou eu. Viva, porém sem braços e sem articulações das mãos.
Ainda quero espetar com umas pinturas sobre o salmão desmaiado, mas só depois de sair do coma (não confundir com cama, da qual tenho saído várias vezes por noite e logo de manhã bem cedo).

E assim se transforma um blog sobre coisa nenhuma, num blog de bricoleira.


Nota de rodapé pintado:
Tive que abreviar o nome do meu filho, pois fiquei sem letras magnéticas e, das muitas abreviaturas possíveis para o nome António, escolhi esta, a fim de homenagear esse grande e mítico homem musical da musicalidade portuguesa

sábado, 17 de março de 2012

Conclusão da semana.

Não sentirmos pena de nós próprios é um exercício complicadíssimo.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Espaços mortos e a tinta magnética




Com o evento dos computadores portáteis, o escritório cá de casa, enquanto espaço com útil finalidade, está morto.
Tenho uma parede cheia de placards com fotos, desenhos, postais, "criações artísticas" dos miúdos. Uma caixa com brinquedos, uma secretária descomunal, que alberga o meu velhinho e bajoulo computador, mas onde daria perfeitamente para fazer uma refeição para 6 pessoas, um armário com códigos e manuais (seleccionados da razia que fiz na última mudança) de Direito, clássicos da literatura que herdei do meu avô e voilá. Eis um espaço que não me serve para nada.
O meu coração remodelador palpita por uma mudança de visual. Palpita por um sofá-cama da IKEA, fofo e macio. Mesinhas de trabalho para a criançada. Móveis organizadores para os puzzles, jogos e afins, puffs, um tapete redondo, uma secretária mais maneirinha e o toque de mestre: Pintar a parede que tem os placards com tinta magnética, para poder prender tudo o que me der na gana com simples imans.
E é isto. Um post decorativamente cretino.
Como é óbvio, só vou ter orçamento para a tinta, por isso é o que farei. Talvez ponha à venda a loiça inútil que repousa no mais inútil louceiro, a secretária que é mesa de jantar-rústica e, com esses trocos consiga, pelo menos as mesinhas para os putos.

quinta-feira, 15 de março de 2012

"A Mulher é o único ser que quer mudar, mesmo quando está bem"



Há medida que os anos vão passando no meu calendário, as minhas exigências e prioridades em relação àquilo que importa, vão girando e mudando de posição, como uma roda gigante, daquelas onde conseguimos avistar a cidade inteira quando estamos lá em cima, ou apenas o chão de cimento, quando ficamos em baixo.
Se no princípio de tudo, eu queria sempre a vista inteira da cidade. Desejava tudo de alguém. Desde as flores, aos beijos, aos poemas, à filosofia, às tiradas excepcionais, ao romantismo irrepreensível (daqueles que vimos nas comédias românticas), ao gosto pela mesma música. A pessoa que seria a minha metade, teria que me encher de tudo a todas as horas e minutos, pois eu não merecia menos. Hoje, aos-mais-para-os-quarenta-do-que-para-os-trinta, são muito mais as vezes em que aprecio a firmeza do chão de cimento, às tonturas da vista lá de cima.
Hoje sei que não é possível tudo, todos os dias e a todas as horas e que exigir isso de alguém, em modo permanente, é uma espécie pontapé em nós próprios. É pedir o fracasso.
Entendermos que podemos estar bem, sem termos que ter tudo a cada instante, é uma prova de que conseguimos largar um bocadinho do pêlo feminino que nos cobre a pele, e que nos foi incutido desde cedo pelos contos das princesas beijadas, que viveram felizes para sempre com o seu príncipe perfeito e imaculado.
As relações têm mácula e aceitarmos a possibilidade das nódoas, da falibilidade alheia, é meio caminho andado para vivermos livres das ânsias femininas que nos consomem.
É que isto de ser mulher, não confunde só os homens. Muitas vezes põe-nos doentes.


*Frase ouvida na entrevista do MST, ao Dani Oliveira.

quarta-feira, 14 de março de 2012

cansada

Depois do stress da operação (apesar de simples, eu sei, mas não deixou de custar), à minha filha e de ela se ter portado como um verdadeiro copo de açúcar e doçura (tirando o acordar da anestesia, em que revivi o exorcista inteiro).
Depois de o António ter apanhado escarlatina nos dias que antecederam a operação e nós não sabermos se ela teria a bactéria, ou não e, logo, se teria que ser adiada a intervenção, ou não.
Depois de vários dias de nervoso miúdinho e grandinho.
Depois de muitas decisões e desempates médicos, em que tive que reaprender a ouvir o que dizia o meu instinto.
Depois de passado o pior, de a tosse nocturna ter desaparecido, juntamente com os adenóides. Depois de eu querer beijar o otorrino por me ter devolvido as noites sem tosse (entendo agora os desenhos na sua parede e percebo que devem ter sido as mães a desenhá-los).
Hoje o António acorda de novo todo às pintinhas.
Foda-se. Estou tão cansada do exercício da enfermagem, vinte e quatro, sobre vinte e quatro horas, mas tão cansada, que só me apetece ganir.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Onde Estará

Onde estará aquele que me levará embora os minutos vazios da noite, cheios da sombra da rotina e os trocará por emoção?
Onde estará aquele que me arrancará daqui, em direcção a tudo o que tem para me contar e me transportará nos seus lábios de letras sem fim, até ao seu mundo?
Onde estará aquele que me comoverá e me fará carregar para sempre a sua história, bem dentro daquelas memórias que não acabam nunca?
Em que prateleira dormirá, à espera que as minhas mãos o encontrem, à espera que dele me falem, aguardando voltar à vida, mais uma vez através do olhar de alguém, do meu olhar?
A Melissa falou-me neste livro, mas estava longe de imaginar que seria um grande amor.
Agora parto em busca do próximo. Falhando muitas vezes, superando outras, desistindo outras tantas, mas sempre à espera de um outro grande amor, que pareça conhecer-me desde sempre e ao qual me apeteça retornar vezes sem conta, em pensamento.

sábado, 10 de março de 2012

Drive Cobra






Nesta fase da minha vida, divido os filmes em duas categorias:
Os que me fazem adormecer.
Os que não me fazem adormecer.
O Drive manteve-me bem acordada, sim senhora, mas trouxe-me à memória um filme mais antigo, com esse mítico e irrepreensível actor, Silvestre EstAlone.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Celebre o dia da Mulher II

Acabei de receber um SMS da Midas: Celebre o dia da mulher com um check-up gratuito.
Será que vão fazer rastreio da mama?
Mas quem é que trata do marketing das oficinas? Serão os próprios mecânicos? É que, a sério...

Celebre o Dia da Mulher

E venha à Santogal. Na compra de dois tapetes para o carro, oferecemos uma lavagem.
Este é, provavelmente, o SMS mais enternecedor que já recebi em toda a minha existência feminina.
É preciso um conhecimento íntimo da mulher, uma sensibilidade exagerada, uma profundidade materna para engendrar uma publicidade assim.
Que mulher é que resiste a isto, ãh?
Eu vou já a correr celebrar o dia da mulher e comprar dois tapetes para o carro, um para cada lado.

domingo, 4 de março de 2012

Coisas Sobre-humanas e outras

Reynaldo Gianecchini diz, numa revista da cusquice, que só conheceu amor e sorriso com o cancro.
Uma qualquer empalitada famosa, afirma na capa de uma publicação cor de rosé moisé, que nada a deita abaixo.
Depois temos todo um conjunto de recém mamãs que saem da maternidade e afirmam, enquanto posam com um bebé sob uma fralda de pano, que os seus filhos são uns bens dispostos e uns paz-d'alma.
Pois eu tenho novidades chocantes para os leitores destas revistas. Novidades que talvez vos pareçam demasiado rudimentares, ou terra-a-terra, mas aqui vão elas.
- Há malta que, efectivamente, fica triste por ter um cancro e que não consegue entender, porque porra é que aquela merda lhe foi acontecer.
- Há mulherio que chora e deprime quando lhe metem os palitos e fica um bocadinho deitado abaixo.
- E a maior parte dos bebés porta-se bem em ambiente hospitalar. Mas deixem-nos só chegar a casa, para verem o que é bom para a tosse.
E pronto, era só isto.

sexta-feira, 2 de março de 2012

To Die For

Não, não é um par de sapatos. É uma das melhores massas que provei nos últimos tempos :)
E é pena que não aliciem este blogue com publicidade, porque me venderia bem facilmente por um carregamento deste esparguete.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Pelo vosso olhar



Para mim, a melhor parte de vocês, não foi as fraldas e as cólicas e os biberons, os babetes e os aviões com a colher de sopa.
Para mim, a melhor parte, se é que há melhores partes deste todo de ser mãe, não foram os choros, os banhos, as botinhas de lã que nunca chegaram a usar, ou as noites mal dormidas e o ovo no carro.
Para mim, a parte mais incrível nisto de vos ter, é poder partilhar as minhas coisas de criança convosco e reviver tudo pelos vossos olhos. É como renascer.
Não sei explicar isto que sinto, quando vejo de novo o ET com a Alice, ou quando lhe explico os Goonies e o barco pirata desse filme da minha infância.
Não sei colocar para fora a emoção de vos sentir crescer para o meu mundo. De vos ver na minha vida lá atrás e agora, aqui à frente.
Querer que sejam felizes onde eu fui e felizes onde não fui.
A Alice perguntou-me quem era aquele homem que cantava no rádio do carro e eu respondi-lhe que era a Tracy Chapman, uma mulher com voz poderosa, que conseguia enfiar centenas de palavras num único refrão e que eu ouvia quando tinha 13 anos.
E ela quis ouvir, porque eu ouvia quando tinha 13 anos, como se pudesse imaginar-me mais pequena.
Quando, digam-me, quando no raio das nossas vidas, nos sentiremos mais protagonistas do que isto?
Bem sei que depois o pano cai e eles percebem que somos apenas pessoas banais e repletas de defeitos e inseguranças. Há quem nunca recupere da decepção, há quem aprenda a construir novos heróis, há quem veja os pais a vida inteira como heróis. Só sei que, enquanto depender de mim, hei-de aproveitar cada segundo deste protagonismo de me viverem, como se fosse a coisa mais incrível do mundo.
Aquele filme ali em cima, é um filme que quero muito ver com ela e depois com ele. Um filme lindo e, como não poderia deixar de ser, baseado num livro de John Irving.
Também já comprei a 30 Diabos da Enid Blyton e ando a controlar-me para não comprar já os volumes todos da Condessa de Segur.

My son

Ele dança de alegria quando percebe que atendo ao seu pedido e vou tirar uma fatia de queijo do frigorífico.
Sim, ele dança, levantando os braços para o céu e produzindo pequenos gritos eufóricos, quando percebe que vai comer queijo.
Segura na fatia de queijo e senta-se num cantinho, entregando-se àquele êxtase gastronómico.
Os maiores prazeres da vida são os mais simples. E ele sabe disso como ninguém.