sábado, 2 de fevereiro de 2013

Querida Silvina,





Hoje quero o Notting Hill todo na tua vida, porque não mereces menos do que o Notting Hill na tua vida.
Tenho pensado muito em ti e desejado todas as coisas boas do mundo inteiro na tua direcção.
Acredita que, se pensamentos serenos e positivos tivessem o poder de voar para perto de ti, estarias cheia, plena de amor em teu redor, pois não mereces menos do que o amor do mundo inteiro, ainda que concentrado apenas numa pessoa, pertinho de ti.
Este país é maravilhoso na luz, no mar, na comida, no calor, nas pessoas que te querem bem. Mas não te proporciona o conforto e a tranquilidade de um bom sistema de saúde, como o que tens aí, no qual possas confiar sem reservas, se não dizia-te, com a firmeza dos que têm certezas absolutas: Vem.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.
Eugénio de Andrade


quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Vida num instante

Mostrem-me tudo, menos velhinhos a arrumarem os seus pertences em sacos de plástico, a empacotarem a sua vida em sacos de supermercado, empilhados à porta de casa, porque não têm dinheiro para a renda.
Mostrem-me tudo menos as lágrimas dos mais idosos, confrontados com uma estrada sem saída e um passado sem utilidade, de onde avistam já o fim com clareza.
Mostrem-me tudo, menos vidas inteiras de trabalho e dedicação dentro de sacos de plástico.
Este país vive uma época muito dura, mas os nossos idosos e crianças deviam, respectivamente, olhar para trás e sentir que valeu a pena, olhar para a frente com a certeza de que valerá a pena.

Logística

A logística que preciso de organizar de cada vez que tenho alguma coisa para fazer é absolutamente extraordinária.
Se, depois de o plano todo traçado, chamadas feitas, pedidos de ajuda lançados, trajectos alternativos delineados, me desmarcam a merda do compromisso, ou o movem para outro horário, fico rigorosa e absolutamente fecundada.
É favor não tratarem a gestão do meu tempo com desprezo e ligeireza. É que esta merda dá trabalho. Dá trabalho e desgasta.
Prioridades para algures no futuro:
Não, não é uma Pochete Chanel.
É um motorista/baby-sitter para levar e trazer as crianças, quando as minhas pernas e braços não conseguirem esticar mais.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Vou contar-vos uma história

Sabem que às vezes as frases mais impressionantes chegam de quem menos esperamos. E ontem, a minha avó veio aqui a casa, com ar compenetrado e sério e eu pensei que ela tinha já lido o livro. O livro que tem um padre que recebe cartas e sei lá mais o quê capaz de o lançar no Index da Opus Dei (sim, parece que eles têm essa lista fofinha).
Tinha lido o meu livro duas vezes (para melhor o entender, entenda-se) e, do alto do seu profundo catolicismo praticante, disse-me que tinha ficado muito comovida.
Do alto dos seus quase 90 anos, ela nunca tinha pensado nos padres (aqueles que são bons naquilo que fazem) enquanto pessoas, abnegadas, que vivem em função dos outros. Nunca tinha pensado na solidão profunda que eles poderiam sentir ao longo da sua missão.
"Exigem-lhes muito, exigem-lhes a perfeição constante e diária, os sermões pouco chatos e comoventes, mas não pensam neles enquanto seres humanos, enquanto pessoas."
- Este padre, coitado - Dizia ela, quase comovida - ao ler aquela primeira carta, sentiu-se confrontado com um sentimento que nunca tinha conhecido. Aquelas palavras, coitadinho, tocaram-no profundamente, porque nunca lhe tinham falado assim e ele sentiu, pela primeira vez na sua vida, amor. Ele sentiu amor.
E ela, a minha avó, de quase 90 anos-de-ir-à-missa-todos-os-dias, resumiu na perfeição o António e retirou-lhe toda a camada de "pecado", que pudesse surgir a um olhar pouco atento.
O António era a pessoa mais sozinha do mundo, por isso as cartas de Alice o emocionaram tanto. As cartas dela foram as palavras de amor que ele jamais escutara. Desde o António pequenino, ao António homem, nunca lhe tinham falado assim. E ele sentiu que tinha finalmente encontrado aquilo que buscara uma vida inteira.
O amor, seja em que sentido e reflexo for, jamais será pecado. É um dos sentimentos mais límpidos e imaculados do mundo.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Como é que vocês, mulherio charmoso

Conseguem pintar-se todos os dias das vossas vidas?
Não tanto pelo pintar em si, esse acto de pura criatividade milagrosa. Não tanto pelo colocar de estuque e sombreado e betonilha, mas mais pelo processo posterior de se desmaquilharem.
Quantos quilos de algodão gastam por noite? Quantas horas de vida passam no processo de esfregarem os olhos até ficarem com a órbita virada ao contrário, só para se aperceberem que ainda parecem um panda, no final do processo?
Admiro-vos imenso. A sério.
Para as que usam calças de cintura descaída. Como é que o fazem? Como é que conseguem não passar a vida a flectir as pernas, a fim de que vosso belo rego fique pudicamente escondido ,ou a cueca, com o dia da semana, permaneça na invisibilidade?
E hoje são estas as minhas dúvidas insanáveis, que me separam do resto das pessoas que admiro. Hoje é isto.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Ler é o melhor remédio

E se eu disser que já li para não enlouquecer, quando os exames da faculdade consumiam o meu corpo e o meu gasto cérebro pelas trezentas interpretações possíveis a dar a um artigo legal?
E se eu disser que já li para acreditar que, um dia, me apaixonaria como os personagens da Jane Austen, ou para entender o conceito de Amizade, com o mítico Alberoni, bem lá atrás nos meus vintes?
E se eu disser que já viajei para bem longe, que já senti cheiros, vi rostos, passeei e sentei-me em mesas de café e comboios russos, que já segurei mãos frias de personagens, consolando-as de uma perda qualquer?
E se eu disser que já li para esquecer e para lembrar?
E se eu disser que já li para me sentir completa, quando o vazio me preenchia a rotina?
E se eu disser que já li para me libertar e para me sentir presa ao chão?
E se eu disser que já troquei programas irrecusáveis, por um bom livro e se eu disser que continuarei a recusá-los pelo mesmo motivo?
E se eu disser que não existe (quase) nenhum prazer que iguale uma noite passada com uma boa história?
E se eu disser que já senti várias ressacas de histórias e personagens que não queria ter deixado presos na palavra fim?
E se eu disser que odeio que me aborreçam com perguntas chatas, ou com telefonemas da treta, quando estou a meio de um capítulo do caraças?
E se eu disser que prefiro um livro que me amorteça a tola, do que um programa de televisão que me deixe em coma cerebral?
Se as pessoas entendessem que um livro não é assim tão caro, para a catadupa de emoções, viagens, sentimentos, que é capaz de nos proporcionar, talvez decidissem ler mais :)

No reply

Devíamos poder desdizer, desfazer, desenviar.
Bem sei que as palavras faladas, ficam. Daí termos que ter cuidado com aquilo que dizemos, pois as palavras, tanto podem ajudar a curar, como a ferir de morte alguém.
São instrumentos de precisão que devemos usar com cautela, sempre.

Odeio arrepender-me de um e-mail, ou mensagem enviada. Quando é que inventam um pequeno bracinho virtual que vá lá à frente arrancar, da caixa de correio, ou de mensagens do outro, a mensagem que se mandou?
Isso é que era.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A Vida Continua

É um dos clichés mais batidos do mundo.
É utilizado como conforto, como motivação, como ânimo, como alento. Como incentivo a continuarmos em frente, apesar de tudo.
Mas, para mim, sempre foi a frase mais avassaladora do mundo.
Não há qualquer tipo de conforto num "a vida continua".
A vida, por vezes, devia parar por nós. Se não a vida, os outros, se não os outros, nós próprios.
A solenidade dos nossos problemas, dos nossos dramas, deveria ser respeitada pela vida, nem que fosse apenas por um segundo.
Os filhos deixariam de pedir que lhes limpássemos o rabo, os maridos e mulheres deixariam de sentir fome e carências afectivas, o trabalho não revestiria a urgência de alimentar a família, a família não pediria nada, não nos pediria nada.
E é isto que penso de um "a vida continua". Sim, é claro que a vida passa bem sem nós e prossegue nos dias e minutos, sem nos oferecer a menor importância. No seu egoísmo de vida. Todos sabemos isso. Mas, caraças, às vezes era bom a vida parar por nós, sim, nem que fosse apenas por um minuto.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Hoje foi um dos primeiros dias do resto da minha vida

Não sei como é que é com os outros, mas comigo foi assim, hoje.
Hoje acordei e belisquei-me várias vezes. Depois fui fazer pequenos-almoços, com vontade inexistente para tarefas mundanas e necessidades orgânicas, uma vez que o mundo mais não era do que um suporte necessário aos meus pés pouco precisos.
Voltei a beliscar-me, certifiquei-me que o chão continuava debaixo dos meus pés e que as nuvens continuavam do outro lado da janela.
Fui ver se os meus filhos continuavam aqui e se o mundo não se tinha evaporado para um lugar inacessível qualquer.
Saí de mão dada com o António e fui a ouvi-lo choramingar o caminho todo, mas tudo me soava distante e distorcido. As pessoas que se cruzavam comigo pareceram-me estranhamente normais para o dia que era e fiquei lixada por ninguém partilhar a minha bolha.
Fiz várias paragens. Primeiro no carrinho do Noddy, onde coloquei 1 euro e fiquei a ouvi-lo cantar com a ursa Teresa, depois no urso à porta de uma loja, onde o António fez questão de parar para ter uma conversa inadiável com o bicho. E as pessoas continuavam na mesma, como se nada fosse. Como se o mundo hoje não se sentisse diferente.
As pessoas prosseguiam as suas rotinas, ostensiva e ofensivamente.
Depois entrei, de mão dada com o meu filho, que nada sabe disto de entrar devagar nos sítios e pousei os olhos sobre as prateleiras à sua procura.
E ali estava ele, lado a lado com Os Homens que Odeiam as Mulheres e com mais qualquer título que não vi, pois que tudo se desfocou à minha volta.
Ali estava a minha história, pronta para entrar na vida de toda a gente que quisesse recebê-la.
Ali estava eu. Mas já não era eu. De todo. Era a história, cujo destino me pertenceu um dia, mas agora livre para habitar dentro do destino de alguém.
Por isso hoje foi importante.
Hoje foi um dos muitos primeiros dias importantes da minha vida. Hoje foi um recomeço e os recomeços merecem ser celebrados sempre.

um post do caraças

Aqui.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Sós

Às vezes acho que, se falássemos com alguém sobre aquilo que verdadeiramente sentimos, não chegávamos ao ponto de não retorno.
Às vezes acho que, se comparássemos mais vidas com a nossa vida, entenderíamos que não é assim tão diferente com o resto do mundo.
Às vezes acho que, se ouvíssemos mais acerca da banalidade alheia, a nossa rotina não pareceria tão só.
Às vezes acho que, apesar de nos sentirmos sós tantas vezes, não somos os únicos a sentirmo-nos sós tantas vezes.
Sendo únicos, não o somos de todo e é bom sabermos isto. Como uma espécie de certeza de coisa nenhuma importante.
É que cansam as máscaras, cansa a perfeição. É tudo tão melhor quando tiramos as camadas que nos cobrem. É tudo tão melhor e sentimo-nos tão menos sós.

Palavras para quê (2)

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Definir o amor

Definir o amor é das tarefas mais tramadas do mundo.
Não é escrever dele, sobre ele, para ele. Isso é a parte mais fácil. Há pessoas a fazê-lo desde sempre.
Mas falá-lo em voz alta e ter que provar por poucas palavras faladas, que sabemos disso. Do amor, é tarefa hercúlea.
Condensar um sentimento tão vasto é praticamente impossível.

correndo o risco de já vir tarde, mas...

Então a Casa dos Segredos ainda não acabou?
Ainda há mais segredos, ou é só pastilha elástica?

Acho que é a primeira vez na minha existência televisiva que não faço puto ideia de quem é quem, o que é que se faz, quem pina com quem, quem é mais reles que quem. Não faço. Nunca consegui ver mais do que 3,2 segundos e tenho alguma pena, porque quando estou na fila do supermercado e olho as capas das revistas, recheadas de caras dos segredos, não sei quem são e não me entretenho assim na fila do supermercado.
Ler os rótulos das pastilhas elásticas e sondar variedades de limão e piri-piri da chiclete, não é suficiente para me acalmar a impaciência.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Novidades :)

Pois que parece que o livro estará nas livrarias, à espera de quem lhe pegue, a partir do dia 24 de Janeiro.
Pois que parece que o lançamento é dia 14 DE FEVEREIRO (Sim, desmarquem todos os programas de fim de tarde com os vossos adorados e adoradas, para esse mítico dia), às 18.30, na Bertrand das Amoreiras.
Entretanto, vou exercendo pressão psicológica e chantagem emocional convosco, para que não me deixem sozinha no dia 14 de Fevereiro e para que não deixem as páginas do livro cerradas por muito tempo :)
Eu não queria ser chata, mas acho que serei. É uma inevitabilidade incontornável dos chatos. Serem-no.

domingo, 20 de janeiro de 2013

o meu grilo falante

diz-me santinho quando espirro, mesmo antes de eu espirrar.
diz-me que tudo vai correr bem, mas que se estivesse no meu lugar, estaria exactamente como eu.
diz-me para sair da estupidez e acordar para a vida, diz-me para adormecer um bocadinho e esquecer.
diz-me que sim, que não, que tem certezas, que talvez.
fala-me das fracções de pensamento que lhe afrontam a tola.
fala-me de mim, melhor do que eu. Fala-me de si, abrindo partes escondidas por anos de silêncio imposto.
fala-me de uma coisa em particular que estranhou, sabendo que estranharei também.
fica contente com as minhas conquistas, como se fossem suas e senta-se na plateia de mim própria, aplaudindo a minha vida.
o meu grilo falante é feito de um material indolor, inodoro e de ph neutro, que não me irrita quase nunca.
Tenho sorte. Tenho muita sorte por ter esta espécie de espelho de mim própria, que ora me reflecte fazendo-me entender que brilho. Ora me esconde, fazendo-me ver que o momento é de reclusão.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

E voltando ao tema recorrente do vapor

Eu sei que já falei nisto, mas nunca é exagero repetir:
Malta, a sério. O tempo mais mal gasto da nossa vida é a passar a ferro. Já fizeram as contas ao tempo útil de vida que perdem em frente a uma tábua? A menos que vos dê prazer e descontraia (há gostos para tudo), mandem o ferro pastar. Ou se não conseguirem fazê-lo totalmente, façam-no para aqueles itens que não precisam assim tanto de tirar as rugas.
Eu sou uma mulher mais livre, desde que faço isso.
E dou por finda a rúbrica sobre eletrodomésticos e tarefas da domesticidade da vida privada.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

serviço público

Descobri que a maleita da minha máquina de lavar roupa, que estava à beira de um avc, era, atentem bem: O detergente líquido/gel, que sempre lhe botei nas entranhas.
Estava com as tubagens completamente bloqueadas pela gosma mais nojenta que possam imaginar. Um visco, um ranho mal cheiroso em que se transformou o gel e que não deixava a pobre respirar convenientemente. Podendo a qualquer momento bloquear e atirar-me com a água toda de retorno para o chão flutuante.
Disse o ladrão certificado que veio aqui desmontá-la, soprar e lavar os tubos, que quem não lava a temperaturas muito elevadas e usa detergente líquido (qualquer marca), corre este risco, pois o gel não se desfaz convenientemente.
Vai daí, estou oficialmente a dar pó à minha máquina e tirei duas brilhantes conclusões com mais este incidente electrodoméstico:
Qual mestrado, qual doutoramento, qual pestana queimada. Metam-se na arte de arranjar máquinas e canos. Isso sim, é um negócio do pénis.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Começo a ficar

Absolutamente farta de mim. Mim não tem piada. Mim é demasiado até para mim.
Preciso de abstrair-me de mim. Queimar incenso, beber um chá com vodka, enquanto vejo os acumuladores de tralha, no TLC, lembrando-me para não me acumular em demasia, que já me cheiro a mofo.
Agora é que dava jeito Yoga.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

palavras para quê

Nossa Senhora está no facebook, nosso Senhor também.
Não havia, portanto, nenhum argumento válido para esta pérola não estar.
Se quiserem amantizar-se, força.

.

 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O contexto do amor

Disseram-me uma vez que o amor, por si só, não vendia.
Sentaram-me numa pequena mesa redonda, olharam-me nos olhos brilhantes de expectativa e disseram-me que era preciso um contexto. Não bastava uma boa história de afectos. Os afectos teriam que ter lugar no período de Salazar, na Segunda Guerra Mundial, no grande terramoto de 1755.
A culpa não era minha que o amor não fosse vendável por si só. A culpa era da dificuldade de vender uma história de amor sem contexto. A menos que eu fosse alguém estupidamente conhecido. O que não era, de todo, o caso.
Eu, que sempre acreditei que uma boa história podia passar-se numa carruagem suja de metro, num banco de jardim, dentro de uma casa no meio de lugar nenhum. Eu, que sempre acreditei que bastavam os afectos para tornar o contexto irrelevante, morri um bocadinho por dentro.
Vim para casa pensar num contexto onde pudesse passar-se a minha história. Um contexto que pudesse encher o olho, que pudesse atrair as pessoas para a sinopse.
Arranjei logo dois bons contextos, a minha cabeça fervilhou de ideias o dia inteiro. Mas à noite, quando tudo toma forma dentro de mim, quando os monstros entram e não consigo virar as costas à verdade. À noite eu quis que o contexto se fodesse.
Dois dias depois, enviava de novo a história de amor sem contexto para outra editora. Uma das poucas para onde ainda não tinha enviado.
Uma semana depois ligaram-me. Alguém tinha acreditado que o amor podia acontecer em qualquer lugar. Alguém tinha acreditado nas minhas palavras e tinha as ferramentas para fazê-las vingar.
E assim, posso dizer-vos, com as garantias de alguém sem importância nenhuma, que o amor acontece-nos sob todas as formas, todos os dias das nossas vidas, em todos os lugares. É só estarmos atentos e não deixarmos de acreditar.

Comida e Amor

Desde sempre que a comida, o alimento é associado a conforto e amor.
Quem providencia a comida às crias, é quem mais as ama. A reunião familiar em redor de uma mesa com comida é tida como um momento de união.
A mãe que acha que o filho nunca comeu de mais, havendo sempre espaço para um segundo almoço, um segundo lanche, uma terceira vez. A mãe que quer sentir-se no topo da lista das que providenciam o alimento preferido do filho.
A mulher que conquista pelo estômago.
E eu pergunto porquê? De onde vem isto de associarmos comida com amor?
Não que eu faça diferente. Gosto de ter um bolo à espera da minha filha quando ela chega da escola, pois sei que isso lhe traz uma sensação de conforto. Mas porquê?
Porque é que comida, não é simplesmente isso mesmo. Comida?

sábado, 12 de janeiro de 2013

Em defesa da Pepa

Ainda não percebi o motivo de tanto alarido.
Não desfazendo no Pequeno Nicolas, são, ou não são os desenhos animados mais fixes que andam aí?


sinto-me tão mais confortada

Descobri que Nossa Senhora está no Facebook. Vou pedir-lhe amizade.

O que não nos mata, torna-nos mais fortes

Sempre tive dúvidas em relação a esta frase.
Umas vezes acho que sim, absolutamente sim.
Outras vezes sinto que nos torna mais frágeis e com tiques nervosos.
Outras tantas, sinto que nos deixa em coma.
Nada é linear, nem mesmo as frases que parecem feitas para nós.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Nem tudo são más notícias

lembram-se da reportagem daquele sem abrigo e do seu cão, que passou na sic?
Parece que os espectadores da sic já ajudaram. O senhor já tem emprego e casa :))))
Às vezes sabe bem ouvir uma boa notícia, para variar.

canina

Parece que 17000 pessoas assinaram uma petição para salvar um cão que matou um bebé.
Parece que 17000 pessoas se deram ao trabalho de pensar no cão que matou um bebé, com profunda pena, arranjando desculpas, afirmando que talvez não tivesse sido bem assim e que a história está mal contada.
Parece que 17000 pessoas acham importante salvar um cão que matou uma criança, quando a criança ainda nem foi a enterrar.
Confesso que nem sequer pensei no cão. Um cão que ataque mortalmente alguém deve ser removido do convívio social e ponto final. Não há grandes raciocínios a fazer. Há riscos que não se correm por motivo algum.                              
Eu pensei nas pessoas. Nos adultos que permitiram o convívio de um bebé com um animal portador de mandíbulas de tubarão. Um animal que num minuto está bem e no outro se pode passar (afinal de contas, espantem-se, é um animal), porque o bebé o pisa, lhe grita, lhe enfia o dedo nos olhos (sim, as crianças tendem a fazer isso aos animais).
Eu pensei nos milhares de acéfalos por esse mundo fora (basta googlarem) que insistem em comprar animais com potencial assassino, sem terem mão neles, julgando ficar assim  imbuídos de poder, ou fazerem uma espécie de tunning ao seu status.
Que características tem um pitbull, ou um dog argentino, ou um akita, ou um merdita, diferentes de outra raça de cão,  que os torne assim tão apelativos e irresistíveis? O que é que os diferencia assim tanto, para a malta querer ter um? Cheira uma baixa de insulina num diabético melhor do que os outros, por exemplo? É excelente com idosos e deficientes? A única diferença é a fama que têm, uma fama merecida dizem as estatísticas, uma fama injusta, dizem os fanáticos.
Juro que gostava que me explicassem, porque é que, com centenas de raças de cães, a malta embica precisamente para aqueles e os passeia com descontração, muitas vezes arrastadas pelos bichos, sem açaime e sem mão, incomodando-me, assustando-me, não me deixando andar tranquila com os meus putos na rua?
Que direito têm eles de impor o seu cão na vida dos outros, sem se darem sequer ao trabalho de açaimá-los como manda a lei?
Que direito têm eles de colocar em risco a vida dos próprios filhos, porque acham piada a ter um cão daquele género?
Como é que se corre o risco, como? Se existe 10% de hipóteses que sejam, de o meu cão poder passar-se dos carretos e matar o meu filho, porque tem potencial físico e mental para o fazer, eu não vou correr esse risco jamais.
"Em nove anos, nunca fez mal a ninguém". Só me faz lembrar os jornalistas que vão à aldeia do assassino, ouvir os vizinhos dizerem: "Ele era amigo do seu amigo". Ou quando vou a uma loja reclamar de uma merda que avariou e oiço o funcionário: "mas nunca tivemos nenhuma reclamação".
O grande problema dos cães ditos potencialmente perigosos, é que são, regra geral, adquiridos por malta que diz coisas deste género e isto chateia-me, põe-me canina.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

O Inverno do Chumbo

Serve de banco de apoio para os putos chegarem ao lavatório, serve para fechar com estrilho na cara de alguém que não se cale, serve como arma de arremesso e de defesa pessoal, serve para construir uma pequena cabana de papel.
Não serve para ler fora da cama, a menos que possuam dois braços robóticos que vos segurem no tijolo.
Não serve para lerem, enquanto degustam uma chávena de café (que linda esta imagem), pois não conseguem segurá-lo apenas com uma mão.
Não serve para levarem dentro do bolso do casaco, qual edição de bolso dos Capitães da Areia, a menos que tenham bolsos do tamanho de uma embarcação. E, neste caso, nunca é demais ressalvar a proibição de se inclinarem à beira rio, para espreitarem aquele peixe com bigodes que nada.
E pronto. Isto não quer dizer, de todo, que não goste de calhamaços. Quando a história é boa, eu até agradeço que nunca mais acabe.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

O Paciente Inglês


Tinha 21 anos e esperava sempre por um filme com a expectativa dos que aguardam a chegada de um grande amor. Era aquele que me arrebataria e me transportaria para bem longe dos meus dias sempre iguais.
O cinema sempre foi o lugar onde me era permitido sonhar. Chegava a sair de uma sessão e entrar na seguinte, para ver outro filme.
Andava à espera deste filme há meses. Por isso mesmo, entrei  na sala de cinema com a certeza de que iria assistir a uma história inesquecível.
Enganei-me. Foi uma tremenda decepção. Tirando a maravilhosa Juliette Binoche e a sua história, aquele casal gelado, de aspecto germânico não criou a menor empatia com o meu exigente coração e a história pouco me disse.
Mas a música, meu Deus, a música emprestou toda a emoção que faltava.
A banda sonora deste filme é simplesmente brilhante e ainda me acompanha nos dias em que preciso de chegar àquele lado onde ninguém me encontra.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Ohmmmmmm

A oportunidade surgiu quando reencontrei uma velha amiga que era agora professora de yoga. Decidi deixar de ser cobardolas e penetrar numa aula experimental, pois sempre senti que me faltava alguma da espiritualidade, tranquilidade e alma meditativa dos que se viram para o mundo de dentro, a fim de se conectarem com o universo de fora. Além da elasticidade, exercício e controlo da respiração, que este corpinho tenso e mole, se é que é possível estes dois adjectivos conviverem, ansiava por conhecer.
Vai daí, lá fui eu. Disposta a conectar-me com as energias do universo. Disposta a aprender a meditar ao som de Enya, ou ruídos da natureza modo cd. Disposta a ser uma gaja que sabe exalar e inalar tranquilidade, enquanto consegue pentear o cabelo com os dedos dos pés e entoar um mantra.
Depois desta experiência de 1 hora e meia, fiquei a conhecer ainda mais aspectos fascinantes sobre a minha pessoa. A saber:
- Não consigo manter os olhos fechados para meditar. A curiosidade de ver se os outros estão também de olhos fechados, ou se fazem batota, se o sol desponta lá fora, se o tecto tem teias de aranha, se alguém tem um macaco pendurado no nariz, vence sempre.
- Não consigo abstrair-me do que é que vou fazer para o jantar, do que é que tenho que trazer do supermercado, das calças de lycra que entram pelo meu regabofe adentro e que tento ajeitar sem que ninguém repare que me mexo do estado meditativo.
- A Enya continua a dar-me vontade de sair a correr, com um par de asas, pulando de nenúfar em nenúfar, pelos penhascos irlandeses, qual bailarina que nunca cumpriu o sonho de dançar e depois de se lançar num vórtice de voo pelo penhasco, se espatifa em soninho profundo lá em baixo.
- Estar deitada num colchão de ginástica, a escutar uma maré que vai e que vem, enquanto uma voz nos relaxa e impele a esquecer tudo o que há de supérfluo, é uma oportunidade única para eu bater um choco.
Além de tudo isto, fiquei uma semana a andar de pernas abertas.






E quando

Fazemos o telefonema para a assistência técnica, explicamos detalhadamente o problema do qual padece a nossa máquina de lavar a roupa, com pormenores, datas da ocorrência, comportamentos estranhos na centrifugação, limpeza do filtro já efectuada, perspectivas negras e angústias e a resposta é:
- Só um momento que vou passar aos colegas da assistência técnica.
 E percebemos que estivemos a partilhar a vida da nossa máquina com a pessoa errada e que teremos que repetir tudo com outra pessoa diferente.

*É oficial. Sou a pessoa com menos sorte, pelo menos em Portugal Continental, em matéria de electrodomésticos.

sábado, 5 de janeiro de 2013

As Mães ditadoras e cagadoras de sentenças

A propósito disto e disto eu tenho que voltar a falar sobre a amamentação e decisões sobre tudo o que implica os nossos filhos e a nossa forma de criá-los. Não sob a perspectiva de quem deu, ou não de mamar, já que das minhas mamas sei eu, mas da perspectiva da culpa.
Uma mãe, principalmente no primeiro filho, é um ser que se questiona, se culpabiliza, se martiriza, se auto julga a cada instante. Não há, portanto, necessidade de opiniões não solicitadas e intrusivas. Pois a mãe já fez as suas ponderações, antes de os outros as fazerem e apenas ela sabe o que é melhor para si e para o seu rebento.
Se correr bem, correu, se correr mal, correu. Não é o fim do mundo.
Cada mãe sabe da sua mama. Cada mãe sabe do seu filho.
Se mais mulheres se preocupassem em denunciar, por exemplo, situações de maus tratos a menores, ao invés de andarem preocupadas com a opção pela ordenha industrial ou artesanal de cada mulher, insinuando que o amor materno se mede pelo volume de leite sugado dos seus peitorais, ou com a escolha do ensino público, ou privado para os filhos, o mundo seria um lugar melhor e a maternidade uma experiência mais serena.
Adoro a cumplicidade feminina, mas deixem-me que vos diga, que quando lhes dá para serem competitivas no desempenho da maternidade, não há quem as ature.


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

lálálálá

Que bom aspecto que tem o trailer do filme Os Miseráveis. A história é boa, os actores parecem-me benzinho, a imagem excelente Então digam-me lá uma coisinha:
PORQUE CARAÇAS TINHAM QUE OS PÔR A CANTAROLAR???????!!!!!
Odeio filmes/musicais. Odeio.
Estamos no meio de uma cena altamente dramática e com elevada carga emocional e o personagem desata a cantar, qual filme da Disney? Nop, não é para mim.

As pequenas coisas que estragam tudo

Um homem pode falar sobre cocó, caganeira, desarranjo intestinal. Um homem pode passar horas infindas a dissertar sobre cores, formas e feitios, locais de descarga e a fazer piadas sobre o troço. Um homem que consiga ouvir-me explanar teorias sobre diarreia, qual criança que vibra de cada vez que se fala cocó, sem julgar a graduação do meu q.i., é de facto alguém com quem, certamente, gostarei de partilhar boas gargalhadas.
Agora não poderá jamais deixar a suspeita, ainda que subtil e leve, que efectivamente caga.
Um homem não caga. Fala sobre isso com um à vontade espetacular, formula piadas profundas, mas jamais nos deixará perceber quando e onde faz ele a sua descarga.
Portanto, aqui deixo eu o meu contributo sapiente na arte para um casamento harmonioso:
Não digam ao que vão quando têm que ir. Apaguem o rasto e apregoem aos sete ventos que padecem de um defeito físico raro, que consiste na arte de não passar merda pelo vosso organismo.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Capitães da Areia

Atirem-me areia para a boca e para os olhinhos se quiserem, mas nunca tinha lido Jorge Amado.
Nunca tive coragem de penetrar na linguagem tão carregada do Brasil. Adoro ouvir falar, ou melhor, cantar, porque os brasileiros não falam, cantam. Mas ler é outro departamento e sempre sofri de um auto boicote de leitura a tudo o que estivesse em português do Brasil.
Enterro agora a cabeça debaixo do pequeno livro que leio e desfiro vários golpes no meu próprio crânio com a capa do mesmo, para expiar este pecado capital.
Tem acontecido uma coisa absolutamente fascinante com os Capitães da Areia. Dou por mim a ler em voz alta, para ouvir o fraseado.
Escrever com o dom da oralidade, sem perder o tom das letras é puta de difícil cara, mas o Jorge Amado conseguiu-o com um coxame às costas.
Vou acabar este livro com fluência no calão do Brasil e anotar cada palavrinha maravilhosa que descubro. Palavras que só os brasileiros usam para definir coisas chatas e sem graça.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Para vocês aí desse lado. Um convite

Para todos os que ainda passam por aqui em busca de alguma coisa que vos faça sentido.
Para todos os que passam só de vez em quando, mas continuam a passar, ainda que de vez em quando.
Para todos os que gostam, os que gostam assim-assim, os que vão gostando, consoante a disposição solar, ou hormonal do momento
Para todos os que acham que isto faz algum sentido, ou sentido nenhum.
Gostava muito que aparecessem no lançamento do meu livro. Gostava mesmo muito.
Bem sei que aquilo que eu gosto, ou deixo de gostar, pode bem ser igual ao litro para a maior parte de vocês, mas é que eu gostava mesmo de vos conhecer, de vos ver materializados à minha frente, como que por magia :)
Topam?

# Vou dando novidades quanto à data e ao local, mas para conseguir dormir melhor, uma vez que isto de lançamentos é absoluta novidade para mim, a menos que falemos de lançamentos de sacos do lixo para o contentor, gostava de saber a vossa inclinação para este convite que vos faço.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

É obrigatório sonhar

Se ficar é morrer, partamos.
Se viver é ter que abdicar daquilo que nos é confortável, sintamo-nos incómodos. O incómodo será apenas temporário. Tomará do nosso tempo o estritamente necessário à conquista da vida. Da nossa vida.
Se tememos perder-nos, deixemo-nos de temores e ousemos arriscar um novo caminho.
É nos caminhos novos que se descobrem renovadas verdades de nós próprios. É nos caminhos novos que pode bem assistir-se ao milagre do inesperado.
Se é do risco que fugimos, por comodismo conformado dos que nada chamam de diferente, arrisquemos até que faça ferida. A ferida sarará para nos recordar que é possível sobreviver a quase tudo. Menos à morte.
Se já nada nos comove, se já nada nos move avassaladora e irreversivelmente. Se já nada nos impele a sairmos dos limites de nós próprios. Se sonhamos nada, é nada que somos. É nada. E então mais vale entregar os pontos de uma vez por todas. Mais vale o limite da terra sobre o nosso corpo frio e sem vida, do que o limite imposto à nossa inerte alma mutilada.
Sonhemos então que é possível continuar a sonhar.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Natal... Na província neva

Natal... Na província neva.

Nos lares aconchegados,
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.

Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo,
Stou só e sonho saudade.

E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei!

Fernando Pessoa




Para a Silvina



Para a Silvina, desejo-lhe todos os abraços do mundo, todos os beijos trocados, todos os significados possíveis da palavra amor.
Para ela desejo um mundo inteiro de sentimentos bons por si própria. Porque ela é muito provavelmente, a pessoa mais merecedora deles que conheço.

Não é assim tão complicado


Cresci sem grande amor ao Natal. Nunca ninguém fingiu gostar das festividades, nem nunca ninguém colocou um bocadinho de magia, ainda que fingida ( como, aliás, toda a magia) durante dois dias seguidos.
Cresci a pensar que o Natal mais não era do que hipocrisia e frete supremo e foram precisos alguns anos até aceitar esta época com serenidade, sem complexos. Com a relevânica que merece.Nem de mais, nem de menos.
Foi preciso olhar pelos olhos da minha filha para reaprender tudo o que desaprendi na minha infância.
Temos saúde (ó meu Deus, como importa celebrar isto), temos amigos, temos família (ainda que ligeiramente disfuncional) e temos amor.
E não faz mal tirarmos um dia do calendário, para celebrarmos o que realmente importa, com doces, vinho e o diabo a sete (blasfémia).
Sim, é claro que podemos fazê-lo todos os dias sob todas as formas.
Mas termos datas fixas, em que eles já sabem que se celebrará de determinada maneira. Em que eles antecipam a reunião familiar com expectativa comovente, abrindo janelinhas de um calendário. Termos datas fixas que nos recordem a importância de termos tudo aquilo que nos é fundamental, é bom.
É bom, sim. E não me lixem os bons na minha vida. Deixem-me agarrá-los com força, enquanto os há.
Por isso, acho importante pegar nestes dois dias e tentar, repito, tentar, entre pratos de papel para deitar fora, bocados de rabanada colados nos sofás, putos enlouquecidos pela excitação, migalhas de bolo rei dentro da cama e familiares chatos como piolhos púbicos, fazer deles uma boa memória.
Não é assim tão complicado. Nós é que gostamos de complicar.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Porque nem só de cabrice se trilha o caminho da maternidade

Andei perdida.
Durante demasiado tempo, escrevi apenas para ti. Para que te lembrasses sempre que escrever é o que mantém vivo o nosso amor.
Não cabiamos aqui. Aqui era apenas o meu lado menos triste. Menos sério. E esqueci que o Vontade de Regresso, foi criado para que jamais me esquecesse da importância de ter para quem regressar, quando se parte. As coisas importantes na minha vida, nem sempre se revestiram de facilidade, pois foram coisas do coração e termos que correr por aí, de coração exposto e despido, para que qualquer um possa lê-lo, interpretá-lo, amachucá-lo é difícil. É coisa de grandes pessoas e eu sou uma pessoa pequena, cheia de medos e inseguranças.
Por isso, o meu coração saiu um pouco daqui. Criei um espaço onde escrevia o quanto eras importante, para que soubesses sempre, pela palavra escrita, que eras o meu amor maior.
Depois nasceu o teu irmão e a ponta dos meus dedos desenhou vezes sem fim, palavras para os dois, para um de vocês e de novo para os dois, pois sempre fiz questão de vos envolver dentro do que mais me importava a mim. Dentro das letras que me dizem e que vos descrevem.
Ontem percebi que também vocês me escrevem já.
Tenho as tuas folhas riscadas, guardadas como um tesouro, António.
Tenho as tuas cartas, escritas com a incerteza dos primeiros passos, com os erros das primeiras letras unidas, mas com mensagens determinadas e constantes. Mensagens de amor. E guardo-as dentro das páginas do livro que leio todas as noites, para lhes poder mexer. Dentro das gavetas onde vou diariamente, debaixo do meu pequeno e gasto computador.
Tenho-as sempre por perto, para que possa relê-las e saber-me importante. Saber-me enorme, saber-me merecedora de um amor maior.
Vocês têm sido o caminho mais sinuoso e mais a direito da minha vida.
Vocês são aquilo que importa. E eu hei-de regressar aqui, de vez em quando, de coração exposto e despido, sem medo de amachucá-lo, pois ele bate na mesma e é lamechas, sim. Tão lamechas quanto o coração de uma mãe consegue ser. Mas isso não é necessariamente mau. Isso sou eu.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Detesto tentar gostar

de pessoas, de filmes e, acima de tudo, de livros.
Não deveriamos ter que tentar gostar. Tentar gostar é um dos esforços mais inúteis do planeta. Ou se gosta, ou não se gosta.
O gostar mais ou menos, cai na esfera do não gosto, mas causa-nos aquele impulso estúpido de não desistir logo. Pode ser que melhore, pode ser que esteja enganada, pode ser que...
É precisamente o que me está a acontecer com este livro. Alguém me explique, por favor, o que é que leva alguém a pensar que a sua vida profundamente bocejante, reveste alguma espécie de interesse para o comum dos mortais, como eu?
É certo que ainda não cheguei a meio do livro, mas até agora, fiquei a saber mais sobre a vida do criador do Peanuts (charlie Brown e companheiros) do que da história do auto biografado.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Abracemos a nossa Cabrice

Um dia ainda vou escrever crónicas (adoro a palavra crónicas, dá todo um outro status às merdas que alguém decide escrever) que ajudem as mulheres a sentirem-se menos culpadas.
Crónicas que as ajudem a perceber que nenhuma mãe é perfeita e que todas nós gritamos com os putos de vez em quando e desejamos embarcar numa nave espacial em direcção a Marte, só para termos um bocadinho de silêncio.
Não é crime de lesa majestade, se os putos não andarem com a roupa bem passada e jantarem cachorros quentes de vez em quando. Tal como não é crime de lesa pátria não andarmos constantemente aprumadas para irmos despejar o lixo, ou passear o cão.
Todos, repito, todos os putos fazem cenas e são insuportáveis de vez em quando. Os vossos crianços não têm que ser perfeitos para serem amados. Digo-vos, sinceramente, apesar de ter a certeza absoluta de que os meus filhos se adoram um ao outro. Muitas são as vezes em que tenho que apanhar pedaços do meu próprio cérebro pelo chão, quando ambos decidem pedir-me justiça e que decida qual deles tem razão e que interceda e que reaja e que faça qualquer coisa.
Mil vezes pior do que o Juiz Decide, é a Mãe decide, sem martelo para bater sobre a mesa, nem sobre as suas ricas cabeças.
Ter que passar o dia inteiro a fingir que não sou uma cabra cruel de vez em quando, é cansativo, caraças. Muito cansativo. Libertemo-nos do estigma da perfeição e assumamos a nossa cabrice esporádica. Não é crime, é apenas humano.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Onde é que ouvi isto?

Não me lembro onde, mas era mais ou menos assim:
Muitas vezes os medíocres singram, porque têm uma capacidade notável para promover a sua pessoa.

Urgências para 2013

Deitar a maior parte da minha insegurança no caixote do lixo sentimental.
Deixar de usar garfos de metal nas frigideiras anti-aderentes.
Ambas com a mesma ordem de urgência.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

meninos da mamã (um tema recorrente)

A minha alma fica sempre um bocado atrofiada, de cada vez que vejo um pai, ou uma mãe impedir os filhos machos de brincarem com cozinhas e ferros de passar.
Os putos gostam de fazer os cozinhados e servir cafés, mas não podem, pois que não é coisa de rapaz e são constantemente chamados à atenção por isso.
Muitas vezes estas proibições chegam das mulheres que mais se queixam de os maridos não fazerem a ponta de um corno. Vai daí, o melhor que se lembram de fazer é boicotar as capacidades dos próprios filhos.
Alguém que me explique esta mentalidade, porque eu não chego lá.
Quer dizer, eu até entendo barbies, mas caraças, uma cozinha?
Não é assim que vamos contribuir para uma geração livre de meninos da mamã.
É importante o ninho e as raízes, sim. Mas mais importante ainda, são as ferramentas que lhes damos para conseguirem voar sozinhos.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

prefiro atirar notas de euro pela sanita

a gastar dinheiro em:
Velinhas perfumadas-que-me-provocam-náusea-incontrolável.
Ambientadores que se ligam às tomadas, ou que projectam esguichos de cheirinho para o ar, quais mini câmaras de gás, que nos apanham desprevenidos com odor fantasmagórico. Sendo que estou plenamente convencida dos danos cerebrais a longo prazo, que a exposição aos esguichos e odores acarreta.
Ambientadores que, supostamente, servem para apertar após uma ida à casa de banho e resolver toda a questão do cheiro das nossas entranhas.
Cenas para colorir a água do autoclismo, ou perfumar a mesma.
Odeio. Se a vossa casa cheira mal, ficará apenas a cheirar a merda com perfume.



terça-feira, 11 de dezembro de 2012

adenda para a gralha

que quer fazer bolachas de manteiga de amendoim e não sabe o que é papel celofane (shame on you, sua Martha Stewart de terceira categoria).

Dicas para Desenrascar com classe

Agora a sério, quem é que não anda teso, ou com falta de vontade de gastar dinheiro em presentes para adultos-que-já-têm-tudo?
Apesar de aqui em casa termos instituido a regra (maravilhosa, diga-se de passagem, tirando a parte em que eu própria não tenho direito a presentes) de presentes só para putos, também sei que poderemos gostar de dar mimos a pessoas de tamanho crescido, que os mereçam, claro está.
No Ikea, têm estes frascos para especiarias. Um pack de 4 custa 3,50€.
Se tiverem Bimby, saquem uma receita de doce de abóbora, de laranja, de marmelo, de cocó, porque é certo que sairá bem e com esforço zero. Depois podem gabar-se e dizerem que gastaram imenso tempo na trabalhosa confecção da compota caseira.
Se não tiverem bimby, comprem um frasco de geleia de um fruto qualquer e vertam o conteúdo para dentro dos frasquinhos. Podem gabar-se da confecção à mesma, mas certifiquem-se que fogem à questão, sempre que vos perguntam como fizeram o doce. Utilizem frases vagas e evasivas e sorriam muito.
Depois, peguem num pequeno penduricalho da árvore de natal (não falo de bolas gigantes de vidro, claro está), daqueles que têm um fio para prender, ou um lacinho, ou até aqueles identificadores de prendas, com um pequeno fio e coloquem em redor da rosca do frasco, para personalizarem.
Podem fazer um upgrade e acrescentarem uns biscoitinhos de gengibre com motivos natalícios. Neste caso, teria mesmo que comprar feitos, pois todos os meus biscoitos ficam perfeitos para partir cremalheiras.
Agora façam vénias ao meu génio natalício e gritem oh-oh-oh

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

dissecando os maridos das outras



1- Esta é, muito provavelmente, a música mais ingénua jamais escrita por um gajo.
2- Por outro lado, é também uma das músicas mais perigosas em termos de lavar o cérebro aos nossos pequenos rebentos femininos.
Vejamos:
"Toda a gente sabe que os homens são brutos (...) Toda a gente sabe que os homens são lixo (...) Que cheiram muito a vinho (...) abaixo de bicho"
Ora, pois que isto está tudo muito certo, mas porquê estragar tudo com o refrão?
"Mas os maridos das outras não, pois que os maridos das outras são o pináculo da perfeição" (...)???!!!!
Tenho novidades chocantes para ti, Miguel Araújo. Novidades que talvez possam colapsar esse coração ingenuamente teenager. E vou dar-tas em modo canção, deixando-te com a minha refinada poesia:
"Mas os maridos das outras são, mas os maridos das outras são, iguaizinhos ao meu maridão".
Aos 37 anos, já deixei de pensar que os outros maridos das outras são melhores do que o meu.

Quanto ao ponto número 2:
Acho chato ouvir a minha filha de 6 anos cantarolar para o pai:
"Toda a gente sabe que os homens são lixo e que cheiram muito a vinho"
Não havia necessidade de macular tão pequeno cérebro com letrinhas que, apesar de justas, precisam de percorrer o caminho necessário à assimilação.

De resto, confesso, que não fosse passarem-na tantas vezes na rádio, eu aprenderia a adorar esta canção, tirando o refrão.
Até porque tenho sempre vontade de assobiar e bater com a mãozinha no volante, ao ritmo dela. Tem qualquer coisa de Hawai e de Jack Johnson, que me deixa sempre bem disposta :)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

pessoas

que decidem ficar paradas à beira da passadeira para peões, como se fosse o sítio mais idílico para conversarem, ou pensarem na vida.
Pessoas que me obrigam a parar para vos deixar passar, quando na realidade não têm o menor desejo de atravessar. Algumas até esbracejam, para que eu retome o meu caminho, quase ofendidas com a minha travagem:
Arranjem lá um banquinho de jardim, sim?

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

* "You is Good, You is Kind, You is important"

Ontem, enquanto olhava as fotografias de Natal da escola da Alice e via o seu cabelo em desalinho. Ontem, quando me preparava para lhe dizer:
- Caramba, mas não sabiam pentear-te? Olha só para o teu cabelo, que desgraça!
Virei-me para ela e dei de caras com o seu olhar risonho, pleno de orgulho pelas fotografias, a transbordar vontade de partilhá-lhas comigo.
Ontem mordi a língua e guardei as considerações para mim.
- "Estás tão bonita Alice, olha só para este sorriso, que maravilha!"
E fiz questão de espetar com uma das fotografias na minha parede magnética, bem no centro.
Ontem e todas as noites, quando vou deitá-los e aconhegá-los, faço questão de lhes dizer:
- És a(o) melhor filha(o) do mundo. Vou sempre estar pertinho de ti e ajudar-te em tudo. Sempre, sempre, sempre.
Ele ainda não percebe patavina das minhas considerações maternas, mas gosta do mimo e já responde que me adora.
Ela fica nas nuvens.
- Sabes, Alice, quando fores mais crescida vou sempre ajudar-te. Vou ajudar-te com os teus filhotes, com as tuas dificuldades. Vou fazer festas com as tuas alegrias.
- Mãe?
- Sim.
- E se eu tiver tantos filhos como os dálmatas?
-Cof.Cof (quase me borro pelas pernas abaixo). Bem, nesse caso vou precisar da ajuda de mordaças, cordas e algemas, mas conta comigo . Conta sempre comigo.


*A  Aibileen, do livro "As Serviçais", sussurrava estas palavras ao ouvido da menina que ajudava a criar, como se assim pudesse imprimir-lhe o amor próprio que os pais da criança lhe negavam.
O que me leva a outra questão, se ainda não leram as Serviçais, deviam.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Jaikei Rolando

Esta senhora andou demasiado tempo presa ao universo Harry Poteriano. Se tivesse começado a escrever mais cedo sobre universos reais, eu já teria papado todos os livrinhos dela.
Ela escreve muito bem e este é um livro do caraças.

3 coisinhas estupidamente complicadas de fazer, depois de ter sido mãe

1
- Telefonemas em silêncio.
Quanto mais cerimonioso é o telefonema, maior o ruído de fundo. Ao ponto de parecer que estou a atender a chamada directamente da jaula dos macacos, no jardim zoológico.
2
- Ter a televisão só para mim e ver filmes a qualquer hora do dia que contenham cenas de sexo, sem estar constantemente a olhar por cima do ombro. Aliás, ver filmes a qualquer hora do dia (tirando o horário nocturno) ponto.
3
- Não  revirar os olhos até ao interior do cérebro, de cada vez que oiço Miska, Muska Mikey mouse.  Estou prestes a cometer um raticídio nesta casa.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

:) :) :)

De todas as palavras que me ocorrem, nenhuma representa realmente aquilo que estou a sentir.
Tentei várias vezes, mas não descobri um único título que dignificasse o que aconteceu hoje.
Talvez porque nenhuma frase tenha o poder de espelhar um sonho, quando esse sonho salta para dentro da nossa vida, com um descaramento absurdo. Escancarando portas, durante tanto tempo fechadas, libertando grãos de pó, depositados na quietude das coisas que não se concretizaram e deixando a vida acontecer-nos.
É que a vida acontece-nos, sim. Tenho a certeza disso.
Hoje aconteceu-me a mim.
Se tudo correr bem (e tem que correr bem), a minha história vai ficar guardada entre uma capa e uma contra-capa, com uma pequena lombada lateral. A minha história ganhará vida ao som dos vossos olhos.
E se isto não é felicidade, não sei o que será :)

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Bons Hábitos

Este Natal gostava de pendurar estas pantufas espaciais à porta.
Não, nada tem que ver com presentes no sapatinho. Era mais para os calcantes dos convivas de Natal, chuvosos, enlameados e com hipotética caca de cão, ficarem lá fora.
Aqui está outra merda que deveriamos adoptar dos países mais a norte e do Japão. Deixar os sapatos à porta.
Eu já faço isso com a família mais chegada e acreditem, tenho poupado litros de detergente para o chão.

*Já estou a imaginar a malta toda com estes chinelos sexy a pisar suavemente o soalho flutuante, sem um som :)


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Donas de casa imperfeitas, não desesperem

E na senda do post anterior, eis que me ocorre  falar sobre outras tantas questões que nos aprisionam na domesticidade imposta (que linda frase).
Quantas vezes temos ânsias quando temos que fazer um mega jantar com mais de 8 pessoas?
Quantas vezes vencemos esse medo, compenetrando-nos que, de facto, até nem cozinhamos assim tão mal e damos efectivamente o jantar, mas como não temos criadas de servir (também adoro esta designação), ficamos o tempo inteiro enfiadas na cozinha, a levantar pratos e a dar em loucas, não usufruindo realmente do convívio?
Minhas amigas (dito em tom da amiga Olga), eu tenho duas soluções para isto. Postas em prática ao longo de vários jantares natalícios com mais de 15 pessoas aqui em casa:
Esqueçam lá o serviço de loiça pipi e os copinhos de cristal e abracem os pratos, copos e talheres de papel. O êxtase absoluto é uma toalha gira de papel (há muitas que parecem tecido e tudo), para que no final do cumbibio possam envolver aquela merda toda na toalha e despejar no lixo, juntamente com alguns convidados chatos.
Se têm problemas em relação ao que os outros vão pensar (eu já passei essa fase). Recebam-nos com uma garrafa de vinho na mão e um copo (para os mais enologamente esquisitos, podem ser copos de vidro) e perceberão que, depois de dois copos de um bom tinto, as pessoas estão-se basicamente a cagar para tudo o que seja parcimónia e querem é conversar.
Dispam-se do karma da dona de casa perfeita e tornem-se numas gajas mais descontraídas.
É claro que existem mullheres que não precisam de nada disto, pois não vertem nem uma gota de suor com estas coisas, mas não é o meu caso.
A mesa pode ficar linda com coisas descartáveis, acreditem.
Agora sim, estou pronta para escrever um manual sobre o assunto.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Mil vezes melhor do que queimar soutiens,

que sempre impedem as mamas de baloiçar ao sabor dos passos e as aconchegam num pedacinho esponjado de tecido, teria sido queimarem tábuas e ferros de engomar.
Mulheres que vivem sob o jugo da roupa irrepreensível, mulheres que pensam que o caracter e reputação dos filhos se define pela impecabilidade do tecido que os reveste e com que se apresentam na escola, ainda que os filhos digam merda e as mandem para o caralho. Não é tarde para vós. A patologia que vos foi imposta pelos vossos antepassados, sogras e mães, tem cura.
Para quem ainda não se rendeu às evidências da perda de tempo pura e simples em que consiste a actividade engomadeira e insiste num colarinho retesado, aqui ficam algumas dicas para deixar o vício. Pequenos passos, que ajudam à cura:
Comecem por cagar nas t-shirts. Uma t-shirt bem dobrada é mais  do que suficiente.
Os lençóis: Dobrem-nos em quatro, com ajuda, e passem o ferro sobre o lençol já dobrado, só para que possa caber no armário.
Camisas dos putos: Para começar e, como é Inverno, passem apenas as golas.
Camisas dos gajos: Eles que façam o que bem entenderem.
Inspirem e expirem e iniciem esta prática de libertação. Verão resultados imediatos, que vão desde rejuvenescimento da pele, a tempo para ler enquanto se faz cocó e terão o choque da vossa vida, quando compreenderem que são bem capazes de ser felizes, com a roupa enrugada.
É caso para dizer: Antes a roupa do que a pele.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Alguém que me explique, por favor



O sucesso desta merda.
Juro que não entendo a necessidade de se vestirem como retardados (sem ofensa para estes) para atraírem a miudagem.
Se as músicas forem de qualidade não é preciso tanto circo. Acreditem.
É isto e música clássica para bebés. Música clássica por si só não é suficiente para os bebés? É preciso enfiarem xilofones e caixinhas de música de fundo?


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

reticências

Se tenho dias em que acredito na força cósmica do universo. Outros tenho em que penso que o acaso é o único mestre nisto da vida e que essa merda do universo que  nos traz e nos leva o bom e o mau, em directa proporção com as nossas energias, foi inventada por alguém sob o efeito de drogas leves, ou embriagado consigo próprio.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A minha comida confortável *

De todas as comidas que me confortam a ialma, uma lata de sopa de tomate, com um ovo escalfado, está certamente no top 10.
Já experimentei fazer sopa de tomate várias vezes, mas, apesar do sucesso da demanda, nunca ficaram verdadeiramente como a da Heinz.
É um jantar mais do que suficiente para a minha mente e estômago :)
Descobri no programa da vaquinha da Nigela, que os Gnocchi de batata (nunca fui fã), podem ser cozinhados com um salpico de azeite numa frigideira, até ficarem torrados e crocantes. Meus deuses. Também entraram directamente para o top 10, assim que experimentei. Vão bem com tudo, até com uma simples tosta de fiambre de perú ao jantar :)

Agora aguardo convites para escrever livros de culinária, pois, logo a seguir às biografias históricas, parece que é o que toda a gente escreve.


*tradução parva da expressão confort food

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

socorro

O ano passado, no dia 25 de Dezembro, pela fresca, coloquei na lareira, uma agenda que a minha filha tinha namorado à minha frente, numa loja de brinquedos. Dei gritos mentirosos e eufóricos e ela desceu, quase caindo das escadas, para se deparar com o presente na lareira.
Sorriu, mãos trémulas e olhar assustado, pesquisando ao seu redor, para confirmar que o pai natal himself tinha abandonado a casa e desembrulhou a famosa agenda, com autocolantes, cadeado e o diabo a sete. Olhou-me nos olhos e perguntou:
- Mãe, como é que o pai natal sabia que eu queria esta agenda? Eu não lhe escrevi nada!!!
-O Pai Natal tem poderes e lê os pensamentos das crianças. - Respondi em tom de mistério.
Ela sorriu, perfeitamente satisfeita com a minha resposta e abraçou a agenda contra o peito. Orgulhosa por ter sido lembrada pelo barbudo.
Eu sorri com a minha resposta inteligente. Apesar de continuar a sentir-me culpada pela treta.
No meu íntimo, porém, sabia que isto não podia durar para sempre e que chegaria o dia em que a treta que construí em redor do senhor barbudo e barrigudo, se tornaria impossível de gerir. Pois bem, sei que esse dia chegou, quando apanho a Alice, de olhos fechados e mãos nas têmporas a olhar para o catálogo do Toys r' us.
- O que é que estás a fazer? - Pergunto.
- A pedir presentes ao Pai Natal.
- Mas, mas, mas e o que é que lhe vais pedir?
- Chiu, não é preciso dizer nada, ele sabe no que é que estou a pensar.
Estou fodida.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Agora a sério,

o vídeo do Professor Martelo é a gozar, certo?
Quando a coisa já estava que não se aguentava, eis que surge o Pai Natal a representar o subsídio de Natal e eu tive que fechar os olhos de vergonha.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

fucked up by their parents (porque não fica bem em português)


Estou a terminar um livro que me emprestaram e que tem várias biografias de mulheres famosas.
Já no fim da última história de vida, posso concluir que:
Todas foram "fodidas" no passado pelos pais. Transportam traumas, abandonos, indiferenças, falta de afecto.
Depois temos 3 grupos diferentes:
As que passaram o resto da vida a repetir os erros que as traumatizaram.
As que passaram a vida inteira obcecadas, a tentar fazer o oposto.
As que ficaram presas num limbo de insegurança, ora fugindo, ora congelando pelas memórias.

E, assim, depois deste estudo psicológico, tornado possível pelas biografias de divas famosas, conclúo que os pais têm um poder fenomenal para traçar o rumo sentimental dos filhos, para o bem e para o mal. E é o rumo sentimental, que definirá tudo o resto.

*A biografia vencedora, evidentemente, foi a da Audrey Hepburn. Que mulher querida, linda e humilde, meus deuses. Quando for à Suíça, visitarei certamente a sua casa e a sua última morada.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Sensibilidade e bom senso

Numa época de crise profunda e de miséria disfarçada em que vivemos, numa época de, mais do que justificadas, sensibilidades à flor da pele, é de senso comum que não se fale em público, quando de figuras públicas se trata, tudo aquilo que se pensa.
Aliás, esta regra aplica-se à vida em geral.
Eu posso pensar que somos todos uma cambada de preguiçosos, que se sobre-endivida e vive de aparências e choraminguices, mas, por uma questão de respeito à maioria que não o é e que sofre efectivamente na pele esta profunda crise.  Uma maioria que se debate todos os dias com o esticar de um orçamento miserável, ou com a falta de orçamento, uma maioria que trabalha com afinco, apenas para ver o seu salário real, já de si miserável, diminuir dia após dia. Por respeito a essa maioria, calo o bico.
É evidente que a senhora Jonet tem um trabalho de voluntariado louvável, mas não menos louvável do que as famílias que, com graves dificuldades financeiras, arranjam sempre um extra, para contribuirem para o Banco Alimentar. Famílias, sem as quais, o Banco Alimentar nem sequer sobreviveria. Famílias essas que agradeciam que a senhora fizesse uma retratação.
Noutros moldes, diferentes, mas da mesma maneira ofensivos. Ofende-me o silêncio do Presidente da República. Ofende-me o Não Comento, Não é a altura apropriada, este não é o momento. Porque, afinal de contas, estamos a pagar-lhe um ordenado, para ele não fazer a ponta de um corno.
Também me ofendem os banqueiros que gritam para um microfone: "Ai aguenta, aguenta".
Enfim senhores, a cena é:
Há coisas que devemos guardar para a intimidade da mesa de jantar, em família.
Há outras que devemos falar, mesmo quando os nossos tomates estejam a sentir-se do tamanho de ervilhas.
É tudo uma questão de sensibilidade. Sensibilidade e bom senso.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Eu também tenho conselhos inteligentes a dar para combater a crise

Para um amigo meu, que ganha 600 euros por mês e que tem de despesas fixas:
100 euros para a pensão de alimentos do filho
300 euros para a renda da pequena casa
passe social para pagar
Água
Luz
Gás
Supermercado

Ouve esta sapiente pessoa que te escreve e segue estes conselhos, que te conduzirão a um destino de bem estar monetário sem igual:

Deixa de ser esbanjador e não vás beber café a um café. Leva um copo térmico de casa e senta-te em frente do café. Mas não precisas de comprar o copo térmico, porque é caro. Pensa na ideia de um copo térmico, enquanto bebes café por um copo de vidro.
Não vás para o shoping. Apanha ar fresco com o puto e vai para o parque, mas vai a pé. Imagina que vais de carro. É exactamente a mesma coisa e sorri, enquanto pensas que poupas na gasolina.
Come mais sopa e menos carne. Mas quando estiveres a comer a sopa, imagina que comes um bife do lombo. É tudo uma questão psicológica.
No Inverno, passa a tomar duche apenas uma vez por semana. É o suficiente. Se não for, pensa que é e pensa que poderás dar-te ao luxo de, uma vez por mês, entrares de facto no café para uma bica.
Ensina o teu filho que não pode ter aquele pequeno brinquedo que tanto deseja. O consumismo é para os fracos de mente e tu não queres que o teu filho ajude a dar cabo do que resta do nosso país, com o seu desenfreado consumismo. 
Tenta ter sempre um pé de meia, para uma eventualidade, como por exemplo, o teu filho cair na escola e precisar de tirar uma radiografia de urgência.
Agora agradece-me esta visão brilhante que te ofereci e aguenta. Ai aguenta, aguenta e não mexe.




quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Devemos estimá-los na velhice




E esta frase aplica-se, não só aos nossos queridos idosos, mas também aos nossos carros, que nos acompanharam ao longo dos momentos mais importantes das nossas vidas.
São pequenos sinais que fazem com que tema sinais mais graves.
Pequenas coisas sem importância, como os pneus mais uma vez nas últimas, as luzes que se vão apagando, uma após a outra, fundindo-se sem dó, nem piedade, um barulho na suspensão, que ignoramos com autismo e sorriso forçados.
Enfim, eu quero convencer-me que o meu carro teve uma ideia luminosa e não mais uma luz fundida (que é para não dizer fodida).
Quero convencer-me que ainda está bom para mais 100 000 Km (e provavelmente está). Mas já não há aquela descontração natural, que me fazia galopar por montes e vales com confiança absoluta. Agora sinto que tenho que tomar conta dele. Estar atenta aos sinais, fazer-lhe festinhas no lombo e acompanhá-lo até à minha ruína financeira.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Onde gosto de mergulhar o indicador

Existem dois recipientes que não posso ter em casa. A saber:
Latas de leite condensado.
Frascos de nutella.
Tento utilizar estes dois ingredientes para os fins supostamente correctos, mas acabo sempre por abrir latas e frascos e lamber o conteúdo até me sentir agoniada.
É precisamente por isso que nunca os compro. Se a receita leva leite condensado, o mais certo é metade da lata acabar directamente no meu estômago.
Mas aí de 6 em 6 meses, cedo à tentação e vejo se consigo disciplinar-me a sério.
A semana passada comprei um frasco de nutella e já o usei para um Empire State Building de panquecas, que todos comemos, pois aguentam-se no frigorífico alguns dias.
Já o usei para um bolo de iogurte, que decidi enriquecer com duas colheres de sopa de nutella e, pasmem, já o usei para fazer sandochas para os putos.
Agora, que já provei a mim mesma ser capaz de manter os dedos longe do frasco, está na altura de lamber o pequeno resto que sobrou. Afinal de contas, também sou filha de Deus e ando um bocado carente.

domingo, 4 de novembro de 2012

Grande Venda Book Lovers

 A Evolução de Calpurnia T. 11 euros, com portes para Portugal Continental
 Jerusalém, de Gonçalo M Tavares - 8 euros, com portes de envio para Portugal Continental
 O Lar da Senhora P. para crianças peculiares - 11 euros, com portes para Portugal Continental
A história da Rapariga Bonita 10 euros, com portes de envio para Portugal Continental.

Se quiserem ver sinopses e comparar preços da Wook, podem clicar nas imagens.
Se estiverem interessados em ficar com algum destes livros (estado impecável), mailem-me para:
avontaderegresso@gmail.com

sábado, 3 de novembro de 2012

Os lugares fresquinhos no lençol

Ela- Sabes aquela sensação boa na barriga, quando encontras um lugar fresquinho no lençol, com os pés?
Eu - Sei. No Verão é maravilhoso, mas no Inverno não gosto, fico sempre sem me mexer, para não descobrir lugares frios no lençol.
Ela - Eu gosto sempre e sinto sempre isso quando estou na tua cama.
Eu - Mas a tua cama também tem lugares fresquinhos no lençol.
Ela - A tua tem muito mais.

Estávamos escritos

Estávamos escritos.

Não porque as estrelas nos traçaram o rumo.
Não porque um punho divino nos desenhou os dias.
Não porque o destino o decidiu.
Estávamos escritos,
porque nos escrevemos assim, um do outro.
Nunca acreditei em histórias de amor predestinadas, nem nos passos que dizem dar por nós, nesse estranho caminho de amor.
Mas acredito que nos escreveram e que, por isso, passámos a escrever-nos, como se sempre nos tivéssemos falado assim, através das missivas que nos endereçaram um ao outro por engano.
Aprendi que se ama por aquilo que somos quando escrevemos.
Aprendi que não há essa coisa de se ser distante daquilo que se escreve. Quando se escreve por amor, somos exactamente aquilo que escrevemos.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Porque é que não se deve ter a tv ligada ao jantar?

Para não correr o risco de apanhar o anúncio a um remédio para as unhas putrefactas, enquanto levo uma garfada de esparguete à boca.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Rain drops keep falling on my cheesy feet

Nunca tive cuecas com princesas e fadas, como as minhas coleguinhas da primária e nunca tive galochas repletas de bonecada cor de rosa.
Não que não quisesse, queria e muito, mas porque sempre insistiram na chata sobriedade do meu calçado e roupa interior infantil.
O máximo dos máximos que consegui conquistar foram umas galochas azuis escuras, banais e discretas, mas que davam para chapinhar nas poças com as minhas amigas de colégio. Chapinhava também no interior das minhas próprias galochas, pois o chulé acumulado tornava a tarefa do chapinhanço uma cena exterior e interior.
Poderia vingar-me hoje em dia, consumindo coloridas galochas com compulsão traumática, mas nada disso. Não me sinto particularmente atraída pela coisa.
Detesto ver mulherio aperaltado, numa festa, quiçá num cocktail de lançamento de um livro e com um galochame, de cor berrante, até à virilha. Se for de uma certa e determinada marca, usada por latifundiários britânicos no meio dos  lamaçais do latinfúndio, as pessoas convencem-se que podem usar aquela merda em todo o lado, faça chuva, ou faça sol, na cidade, ou no campo, porque está na moda.
Mas tudo bem, galochem-se à vontade, que eu continuarei fiel ao meu téne revestido de material impermeável e a evitar poças de água a todo o custo.

domingo, 28 de outubro de 2012

Porque é que não podemos

Manter a hora alterada da parte da manhã e voltarmos a alterar a dita da parte da tarde?
Seria perfeito.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Toy Story, ou a história do António



Sei que o Toy é mesmo meu filho, quando entro na sala, onde ele olha vidrado para o seu último fetiche cinematográfico, com uma atenção absolutamente comovente, respeitando a solenidade da cena em questão (que me faz lacrimejar de cada vez que a revejo, confesso).
A última cena do Toy Story 3, em que o Andy adolescente dá os seus brinquedos a Bonnie e se despede deles.
Eu percebo que há alguma coisa que mexe com ele, mas que ele próprio não entende ainda bem. Afinal de contas ainda nem chegou aos 3 anos, é mais do que compreensível. A banda sonora triste, os olhinhos dele que não piscam, a sala em silêncio.
Faço-me anunciar e o meu filho, sem se virar, enxota-me com a mão, dizendo: Sai, mãe, sai. Adeus!
Ele quer curtir o momento comovente sozinho.
Sou exactamente assim. Momentos comoventes são para curtir sozinha.
Por muito egocêntrico que isto possa parecer, principalmente quando estamos longe do virtuosismo, gosto de imaginar que os nossos filhos podem de facto trazer pedacinhos de nós no seu código genético.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Se isto for verdade

Atiro desde já algumas pedras, muito provavelmente cheias de julgamento pecaminoso.
Não é o primeiro casal que namora anos e anos a fio, depois tem um puto e cabum.
Mas aparecer já com outra gaja, enquanto a mulher toma conta do bebé em casa, cheia de hormonas a borbulharem no seu interior, é mesmo reles.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

As Telenovelas e as saudades

Acho que uma das coisas que me faz ficar agarrada a Downton Abbey, é o facto de ser uma telenovela, mas em bom e em condensado.
Vai dando um cheirinho de todos os núcleos e mantendo vários plots acesos, deixando coisas em aberto para o futuro e fazendo tudo aquilo que se costuma fazer numa novela.
Sinto saudades dos tempos em que nos debatiamos com o futuro dos personagens, com a distribuição das cenas. Sinto saudades da vida que elas próprias ganhavam, saindo um pouco das nossas mãos e deixando de nos pertencer. Cometendo loucuras, excessos, gestos românticos, ou nobres, sacanices e heroísmo. Sinto saudades daquela equipa, com quem sempre me senti em casa.
Também lembro com humor aquelas situações em que tinhamos uma ideia luminosa para um certo personagem, uma cena bombástica e sem igual. Mas depois, para podermos sustentar essa ideia no tempo, tinhamos que arcar com as consequências que dela surgiam e lá vinha o enchimento de chouriços, até termos uma ideia de génio para a sua conclusão.
É precisamente isso que está a acontecer com o Bates e a Anna. Estão de molho. Ela lá vai fazendo umas visitas e umas pesquisas, ele lá vai tendo uns conflitos prisionais.
As cenas dos dois na prisão são para encher chouriços e é bom constatar que também existe indústria de enchidos no que de melhor se faz lá fora.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A beleza de dias de Outono como o de hoje

Podia falar de mantas, sofá, pantufas, canecas de chá e séries na tv em modo non stop.
Podia falar de aconchego, de tricot, ou qualquer espécie de trabalho de lavores, de cadeiras de baloiço e lareira crepitante.
Mas falarei das lesmas que invadem as paredes exteriores da casa, falarei de gosma, falarei de bafio, de pegajoso, de cabelos eternamente despenteados, repetirei gosma e falarei  nos suores húmidos que me afrontam.
Dias como o de hoje, dias de cemitério, de tumba, de assombração gosmenta, deviam ser punidos por lei.
A propósito de séries, sofás e tumbas. Existem mesmo pessoas que curtem a série Walking Dead em modo série de cagaço?
Aquela merda é cómica e os zombies são demasiado lentos e atrofiados, até para zombies.

domingo, 21 de outubro de 2012

Publicidade para quem tem distúrbios de personalidade

Ando a odiar, com certo fervor febril e crescente, um anúncio que passa na televisão, a uma frigideira de cerâmica.
Fico contente por saber que podemos andar à cacetada com a frigideira, na banca de pedra, que aquilo aguenta.
Só deus sabe, a quantidade de frigideiras que tenho danificado à conta das cacetadas na bancada.


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

santa paneleirice

Parece que está na moda desafiar alguém para ir beber um Latte, ou um Caramel Macchiato. É muito Carrie Bradshaw,  muito Quinta Avenida e a malta vai atrás, como gado. Ainda que beba o dito caramelo maquilhado (só o nome produz-me espasmos na glote) debaixo da escada rolante de um qualquer Centro Comercial em Alcabideche, vai de imaginar que está na Big Apple, exalando sensualidade, como Samantha Jones, debitando decibéis de inteligência criativa, como Carrie.
Não tenho paciência para esta paneleirice. Pior do que Lattes, só mesmo cupcakes. Ó bem que peço uma bica, ou bem que peço uma meia de leite, ou um galão, ou bem que peço um queque, ou um bolo de arroz. Tudo o resto só serve para entupir artérias e provocar o suicídio em massa dos meus, já de si parcos, neurónios.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Querido Paulo,

Neste momento, estás na posição mais tramada de todas. Eu sei que sim, eu sei (miminho e festinha na cabeça, vá).
Se deres um murro na mesa, poderás ser acusado de provocar uma tempestade política e afundar ainda mais este país. Ferramenta usada até à exaustão, por quem não deseja que dês um murro na mesa.
Se ficares calado e conivente, não dormirás bem de noite e a calvice chegará, ainda mais galopante.
Se tentares remendar as coisas no secretismo de reuniões políticas, não remendarás nada. E a mesa, em redor da qual se reunem os que nos governam, ficará por esmurrar, com toda a libertação que tal gesto implica.
Por isso te escrevo, assumindo aqui, com todas as consequências sociais, de gozo e políticas que isso trará sobre mim, que votei em ti e que espero o que não espero do próprio Presidente da República, que nada diz, nem comunica, de nada nos valendo. Ou do Primeiro Ministro, que está apostado em enterrar-nos até ao ponto de não-retorno.
Escrevo-te para te dizer, que pior do que estamos é impossível ficarmos.
Por isso, dá um murro na mesa, por mim, por todos nós, pelos meus filhos e a sua geração.
Dá um murro na mesa e diz: CHEGA!
Ana C.

Fazer o bem

Fazer o bem, ou fazer o que está certo, nada tem de glorioso, ou divino.
Fazer a coisa certa, produz bem-estar químico, orgânico e  psicológico. É uma sensação boa como tudo.
Vai daí, e tirando os psicopatas, que têm ausência de consciência, eu acredito que as pessoas que agem sempre de acordo com o seu próprio prazer e bem-estar. As pessoas que olham para o mundo como sendo apenas a sua casa, revertendo dramas alheios nos seus próprios dramas, negando qualquer tipo de ajuda ao próximo, se isso implicar sair da sua zona de conforto, vivem estupidamente atormentadas.
O egocentrismo e egoísmo puros, quando se vive em sociedade, ou em família e para quem tem alguma espécie de consciência, é fodido.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Momentos de Mudança

Acabei de ver a reportagem da Cândida Pinto, "Momentos de Mudança", na Sic, sobre um pequeno empresário que teve que fechar as portas da sua pequena empresa e foi simplesmente perfeita.
Triste, mas perfeita em todos os sentidos. É a isto que eu chamo jornalismo.
Deixou-me com um nó na garanta do primeiro ao último minuto.

Agora vou ver o primeiro episódio da 3ª temporada de Downton Abbey, a ver se retomo o entusiasmo, que isto de ficar meses à espera da 3ªtemporada, é de tirar a pica a qualquer um.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Puro Humor

Estamos cada vez mais pobres, mas o governo insiste em tratar-nos como milionários.
Fizemos as contas aqui em casa e ainda pensamos que esta merda dos escalões é gozo, só pode.
Adoro a devolução fictícia de um subsídio. Acho de um humor negro-sádico absolutamente genial.
Noutra linha, adorei ouvir o filho do Zorro (zorrinho) justificar a compra dos carros para o grupo parlamentar do PS. Outra linha de gozo fascinante. Acabou-se o ALD e tivémos que fazer outro. Fizemos uma poupança de 10.000 euros em relação ao contrato anterior. Não podemos adquirir Renaults Clios, nem Corsas, tem que ser à lá grande, porque Zorro que é Zorro, não se monta em qualquer mula. Eh, Zorrinho!!!!
Continuem a gozar-nos que eu sorrio. Sorrio, que é para não chorar.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

8 anos e 1 dia de conjugalidade






Se algum dia fizer 40 anos de casada e me perguntarem qual é o segredo para um casamento de idade tão avançada, não vou fazer a menor ideia do que responder. Tal como não faço puto ideia de como cheguei aos 8 anos.
Cada um sobrevive às coisas da sua maneira. E se há feitios que se complementam (a surdez de um dos cônjuges inclui-se neste compartimento) outros há que se complementam mais ou menos e outros tantos que não se complementam a ponta de um corno e que até podem durar uma vida inteira.
Há quem insista em atribuir o sucesso matrimonial às suas próprias qualidades altruístas, mas eu ainda ando muito longe do altruísmo, quanto muito tenho a qualidade de não gostar de me chatear, apesar de eu própria ser  uma chata do caraças. Por isso, francamente, não sei como é que o meu marido ainda me atura.
No entanto, existem dois, ou três conselhos que, a seu tempo, darei aos meus putos. A saber:
Existem limites que não devem ser ultrapassados nunca, por isso, não façam cocó em frente aos respectivos cônjuges.
Por muito que possam ser consumidos pela falta de verba, nunca se esqueçam de um aniversário e de uma lembrança que o assinale. Já fizemos um ano de contenção de presentes, mas não resultou. Fiquei amuadíssima e trombuda. Quando uma mulher diz que não quer nada, está apenas a tentar ser porreira.
Perguntem ao vosso pai pela morada da florista onde encomenda as minhas flores. Não existem ramos mais bonitos, podem crer.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Fãs incondicionais e absolutos



Depois de Gru o Maldisposto, do chato do Faísca (chato é pouco, que bosta de filmes) e do Gato das Botas. A nova obsessão cinematográfica do António é o Garfield 1, com a voz do António Feio :) E eu gosto. Aliás, não gosto, adoro.


terça-feira, 9 de outubro de 2012

What Not To Wear

Esta duquesa fofinha, da nossa mais fina aristocracia, está a precisar urgentemente de um workshop com a Kátia Meio-tom (leia-se Kate Middleton). Isso, ou as lâmpadas energéticas que adquiriu no Lidl não dão a pujança necessária ao seu closet e a Lady Di tuga, tem de escolher a indumentária na mais completa escuridão.
De resto, foi bom saber que a filha herdou o seu charme. Sem dúvida, um dos aspectos mais fundamentais na vida de um bebé.

Partilhando Hugo às Postas

Ora então, aqui vos deixo com o Sr. Hugo às Postas:

Adoro o filme Alta Fidelidade e quanto mais velho o vejo mais o entendo. Se pensar em todo o universo de filmes e livros, a personagem do John Cusack, Rob Gordon, é a mais parecida comigo que já encontrei. Na verdade, todos os homens quarentões ou a chegar a isso devem achar o mesmo.
Mas sempre que vejo o filme sinto uma nostalgia enorme e revivo os meus 20 anos na minha cabeça e relembro as carradas de CD’s que faziam parte da minha vida. Se calhar hoje tenho uma ideia mais romantizada do que foi a minha existência nos anos 90 porque, na altura, garanto, nunca lhe achei muito piada.
Nos últimos dias temos levado a cabo uma série de alterações na nossa sala e as minhas dezenas discos das bandas chamadas indie da década de 90 têm de ir à vida. Não há espaço e já não oiço nada em disco e quando quero ouvir qualquer coisa faço-o em Mp3 pelo que, claro, tem sentido dar aquilo a alguém que faça bom uso da sonoridade que coleccionei durante anos. Sinto um aperto no coração em me livrar de tudo, e ao contrário dos meus livros, que são sempre oferecidos à biblioteca de Oeiras, acho que os meus discos merecem algo melhor.
Reparem, foi com Nick Cave que chorei o primeiro amor não correspondido, com os My Bloody Valentine o segundo, com o Tom Waits o terceiro, com os Violent Femmes o quarto, com os Sonic Youth o quinto, Nirvana o sexto…
Percebem a ideia.
Deixo então a pérola:
“What came first, the music or the misery? People worry about kids playing with guns, or watching violent videos, that some sort of culture of violence will take them over. Nobody worries about kids listening to thousands, literally thousands of songs about heartbreak, rejection, pain, misery and loss. Did I listen to pop music because I was miserable? Or was I miserable because I listened to pop music?”


Quanto a esta pérola final, tenho que dizer que não concordo. Para mim, a música pop veio sempre mostrar-me que não estava só na rejeição, desgostos de amor, dor. Nunca mos provocou. A música pop foi, em quase todas as circunstâncias da minha vida, a minha melhor amiga.




segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Já não há super heróis, mas...



Numa época em que tudo está errado na política . Em que ministros tiram cursos a domingos, ou com equivalências de experiência de vida.
Numa época em que tudo sobe, menos o emprego, os salários e os níveis de realização pessoal.
Numa época em que o sentido patriótico nos é exigido até à medula, mas em que bandeiras são hasteadas de cabeça para baixo com calma e descontração naturais,
ele chegou.
Sensual, de sorriso inteligente e poder de moderação sem igual, ele veio para nos fazer esquecer a miséria e a injustiça.
Ele não luta, foge. Ele não tem 1/5 de testículo de coragem, mas tem dois testículos mirrados.
Ele não comunica, usa o estranho, porém heróico, dever de reserva.
Apesar de não usar da sua capacidade vocal para transmitir serenidade ao povo, esbanja a visão da sua cavidade oral, para degustar alimentos.
Ele não suaviza corações destroçados com o seu carisma e beleza invejáveis, mas é pródigo em lições de economia de mercado, debitadas com distante sapiência.
Ele não suscita empatia, simpatia, proximidade, humildade, mas suscita uma espécie de vazio previsível e reconfortante, pois sabemos com o que contar: Dele não sairá nada.
No entanto, é isto que temos. É isto a quem pagamos o ordenado e um polícia à porta para toda a vida.
É isto.
E a mim, perante a visão deste super herói a discursar para a elite, a fugir do povo e a calar-se por dever, só me ocorre gritar:
VIVA O REI!
É o que eu digo sempre: O Cavaco vai conseguir lançar-me nos braços da monarquia.
E fica aqui o desejo interior e secreto de que tenha sido um monárquico a sabotar a posição da bandeira na festa privada do 5 de Outubro.

domingo, 7 de outubro de 2012

Adorei

ver a pequena reportagem na tvi, sobre os leitores nos transportes públicos. Todo o género de pessoas com os seus livros de todos os géneros, nos comboios, barcos, metro.
Foi bom ficar a saber que os livros ainda são uma companhia imprescindível nas vidas de muita gente.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Apesar de andar a dar leite a um gato vadio,

Cada vez me maçam (adoro a palavra maçar) mais os peditórios para os animais.
Outro dia, maçaram-me com uma campanha no supermercado, para que comprasse bens para os animais abandonados. Recorri a todos os velhos truques, como não estabelecer contacto visual e andar a passo de corrida, mas não adiantou. Não quis acreditar quando olhei para a lista de tretas necessárias para ajudar os animais e vi: Brinquedos.
Já sei que todos os seres vivos são importantes, na ordem kármica do universo e que, o mais provável, é eu voltar a este mundo sob a forma de um gafanhoto, com tanto sacrilégio que cometo, mas estou cansada desta inversão de prioridades.
Numa altura em que se luta para ter o que pôr na mesa todos os dias, virem-me pedir brinquedos para animais, é de bradar aos céus.
Aliás, todos os peditórios, tirando os do Banco Alimentar, me chateiam como o caraças. Nunca sei quando é tanga, quanto daquilo vai realmente para a instituição em causa. Irrita-me a quantia certa que eles pedem por uma trampa de um porta-chaves. Irrita-me a agressividade com que me abordam, o olhar de desprezo que me lançam, assim que me nego. Irrita-me tudo.