terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

MoMA, que se faz tarde

"Nos anos 70, Marina Abramovic viveu uma intensa história de amor com Ulay. Durante 5 anos viveram num furgão realizando todo tipo de performances. Quando sentiram que a relação já não valia aos dois, decidiram percorrer a Grande Muralha da China; cada um começou a caminhar de um lado, para se encontrarem no meio, dar um último grande abraço um no outro, e nunca mais se ver. 23 anos depois, em 2010, quando Marina já era uma artista consagrada, o MoMa de Nova Iorque dedicou uma retrospectiva a sua obra. Nessa retrospectiva, Marina compartilhava um minuto de silêncio com cada estranho que sentasse a sua frente. Ulay chegou sem que ela soubesse... e foi assim." (roubado da Naná).




Um casal normal teria dito qualquer coisa do género:
- Continua a mandar postais, vai com os porcos, vai pastar, vou comprar cigarros e já venho.
Mas este dois foram mais além. Estes dois decidiram que era muito mais porreiro atravessarem a muralha da China e só depois formalizarem a despedida.
Quem é que consegue competir com uma criatividade assim?!
Quantos namoros terminados que se ficaram pelas banalidades de um vai à merda, se sentirão agora humilhados perante tamanha manifestação artística?
E eis que se reencontram. Não na muralha da China, não nos destroços do muro de Berlim, não numa nave espacial. Mas em Nova Iorque, num museu consagrado, numa exposição com uma retrospectiva do trabalho dela (lacrimejo neste instante) sendo que aquela inclui poder passar-se entre duas pessoas completamente nuas (a arte da performance sempre passou ao lado do meu débil entendimento).
Ela sem comer, nem beber (substâncias legais, entenda-se) só a contemplar estranhos em silêncio. Enfim, eu cheguei às minhas muito únicas e óbvias conclusões:
Os ácidos são capazes de coisas grandiosas no espírito humano.





Vontade de Regresso


De todas as categorias de momentos que vivi, as que revejo com a frequência das saudades boas são estas.
De todas as coisas construtivas que podemos fazer por nós, viajar ocupa certamente o pódio, lado a lado com o amarmos alguém de verdade.
Podermos abrir álbuns, ou pastas no computador, com o nome dos destinos que conhecemos, sozinhos, com amigos, com um grande amor, é das sensações mais plenas que orgulhosamente possuímos.
Revisito-as quando me sinto mais perdida na rotina e na minha vila com tamanho de cidade, revejo-as com aquela certeza de que um dia voltarei a elas e passarei por aquelas ruas, entrarei naqueles cafés, contemplarei as certezas dos outros de outras línguas e costumes, provarei dos seus sabores.
Viajar é, sem qualquer sombra de dúvida, um vício, uma angústia por não fazê-las, às viagens, tanto quanto gostaria. Viajar é alegria, encantamento, vontade de regresso.
Viajar é partir para valorizar o que se tem, ou para colocar tudo sob uma perspectiva tão mais ampla do que as fronteiras do nosso país.
Viajar é vida e morro de saudades de me sentir assim, viajante de mim mesma, noutra cidade qualquer.
Morro de saudades de partir.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

sim, eu já sei

que estar nos tops de vendas não significa nada para a generalidade das pessoas, que associa estas categorias a fast food literário.
Existe a ideia generalizada de que um livro que conste da lista dos que vendem relativamente bem, não será certamente flor que se leia, mas esse preconceito podia amainar, pois nem tudo o que vende é necessariamente mau.
A ideia de que as coisas boas não são vendáveis, estão destinadas à ruína, ou votadas ao cemitério dos flops, é chatinha e preconceituosa.
Sim, há muita merda no top, mas também há muita coisa boa :)
Deixem-me então curtir o momento. Porque, para mim, que estou do lado de cá e sinto pela primeira vez na vida isto de encontrar as minhas palavras em tantas casas, é do caraças.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

da rubrica, separados à nascença

rir

De todas as pessoas que conheço, ou pelas letras, ou por viva voz, nenhumas me dão mais prazer (emocional, entenda-se) do que aquelas que se riem comigo.
Nenhumas chegam aos calcanhares das que me fazem rir.
Nenhumas me apaixonam mais do que as que sabem rir por motivo absolutamente nenhum, além daquele que apenas nós parecemos entender.
Nenhuma mente é mais brilhante para mim, do que aquela que me prende pelo humor.
Por isso, acho que se tivesse que escolher uma característica fundamental numa pessoa, daquelas que não envolvem caracter e integridade, claro, seria a capacidade de construir uma situação de humor em qualquer circunstância.
Dizermos alguma coisa absolutamente despropositada e, em vez de nos olharem em choque, como quem levou um soco à má fila, responderem-nos com outra coisa qualquer ainda mais despropositada, é o êxtase.
Um dia ainda organizo um jantar com os meus nonsense favoritos e nem vou precisar de vinho. Eles serão tudo o que preciso para me sentir ébria :)

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

vamos lá a ver uma coisa

Na escrita, tudo tem potencial para nos inspirar. Desde a pedra da calçada, ao cocó canino na estrada, a um texto de alguém.
Na leitura, há livros que nos recomendam, que excedem todas as expectativas e que, se não nos tivessem recomendado, jamais teríamos pegado neles.
É claro que não vale a pena mencionarmos a inspiração que nos chegou da pedra, ou das entranhas de um bicho, pois que eles nada entendem de musas inspiradoras. Agora quando leio algum texto e surge em mim a vontade de escrever sobre a mesma coisa (gralha e Melissa vós tendes esse dom de me provocar frémitos de inspiração), eu menciono e, quando a preguiça ainda não tomou conta dos meus dedos, pasme-se, até deixo um link.
O mesmo quando me recomendam um livro (minha guru literária e não só). Eu gosto de distribuir os créditos a quem de direito.
Daí a cólica (eu sou muito dada a cólicas) subjacente aos meus encontros com espaços virtuais que vivem de inspiração alheia e que a tomam como sua.
Percorro espaços repletos de temas, em que apenas um, ou dois temas (os mais desinteressantes, diga-se de passagem) saem da cabeça do autor.
Tudo o resto é copiado, inspirado, respirado de outro sítio qualquer. Desde as fotos, aos temas, ao pénis.
Passamos o tempo todo com aquela frase "onde é que eu já vi/li isto?".
E isso maça-me.

uishilist

para qualquer altura do ano:
- Alguém que venha cá a casa cozinhar.
- Alguém que fique com os putos uma vez por semana para eu conseguir ir ao cinema acompanhada pelo meu espoiso e aproveitar o cartão zon. Compras 2 bilhetes, pagas 1.
- Alguém que me obrigue a deixar de ver o Encantador de Cães. Eu já falo mexicanês, por osmose e já digo para mim própria, quando lido com os putos: Jui Jave to be Calm jand assertive..
- Alguém que me diga, com meiguice e languidez, que afinal não é sábado, quando toca o despertador.
- Alguém que me obrigue a não ir ler coisas que odeio, só por esbugalhanço de olhos com estupidez alheia.
Enfim, acho que preciso de uma baby-sitter para mim. Ah e uma carteira Cavalinho, que eu dou prioridade às marcas portuguesas (ou aquilo é espanhol?) e gosto de andar com cenas a tiracolo com designação equina.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

www.humildade.com

Das 10 qualidades importantes que um ser humano social deve ter, a que nos faz mais falta, aos tugas, é a humildade.
A quantidade de seres que fazem coisas banais, medíocres até, e se enchem de novo riquismo espiritual, exibindo-se como pavões em rituais de acasalamento, é de bradar aos céus.
Não haverá ninguém que os chame à razão, se é que razão é uma característica possível nestes espécimes, e lhes proporcione um banho de merda, a ver se baixam um bocadinho a cabeça e se reduzem à sua insignificância?
Depois também temos os seres que até podem fazer alguma coisa de especial, mas que estragam tudo com a sua petulância e voltamos à urgência do banho de merda.

considerações sobre a barriga da Kate Middleton

Depois de ver na capa de uma revista, a Kate e o seu príncipe, numa qualquer deslocação de trabalhos forçados a uma praia das Caraíbas, cheguei à depressiva conclusão de que a barriga da Kate com 4 meses de gravidez é mais pequena do que a minha barriga actual.
E é isto.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

eu pensava que

A primeira noite em que dormiu no quarto dela, tinha sido o mais duro corte no cordão umbilical.
Depois, essa noite foi destronada pelo primeiro dia de escola.
E o primeiro dia de escola foi destronado por uma espécie de viagem de finalistas que fizeram quando ela terminou a pré-primária, em que dormiram todos numa casa que a professora tinha no Cartaxo.
Mas como estou sempre a aprender, aquilo ainda não tinha atingido o clímax, pois o insuperável, o imbatível, o primeiro prémio de corte de cordão umbilical foi ontem, quando ela veio da escola sem o dente de cima.
Já lhe tinham caído 4 dentes de baixo, sem grande mossa. Eu até estava a levar bem a coisa, juro. Agora o dentinho de cima, aquele pequeno grão de arroz que sempre lhe caracterizou as feições, aquele dentinho pequeno e perfeito, que formava o seu sorriso único de menina?!!!!
Foda-se, estou de rastos.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Repitam depois de mim: Isto não é um babyblog

Na senda disto, ocorreu-me dissertar, que é como quem diz, defecar as minhas próprias perguntas sobre o assunto:
Se um blogue é, pelo menos eu quero acreditar que sim, uma espécie de reflexo do que nos vai por dentro. Qual é o crime de falarmos sobre o que nos acontece num determinado momento, se é isso que nos ocupa a tola?
Dou como exemplo o massacre com o meu livrinho.
Ora, se é um bebé que vai entrar na nossa vida, é mais do que natural que nos ocupe a mente.
Se é um bebé que já entrou na nossa vida, é humano que nos condicione o cérebro materno.
Bem sei que há muito boa gente a quem um filho nada traz de novo e que em nada as modifica, mas eu não faço parte dessa superior elite. Eu posso ter uma imensidão de coisas que continuam de ferro e cal, como o meu sentido de humor, ou sonhos profissionais. Mas tenho outras tantas que mudaram completamente.
Imaginar uma tragédia natural, como um terramoto, um tsunami, ou um meteorito a estilhaçar-se no quintal, antes de ser mãe, era uma coisa mais ou menos cagativa. Depois de ter sido mãe, é outra completamente diferente. Imagino já possíveis formas de os pôr a salvo, contrai-se-me o coração só de imaginar-me com eles numa situação de vida ou morte, pois agora, a minha vida já não é o mais importante.
A minha equação, balança de medidas e de decisões, a minha mobilidade, anseios, elasticidades emocionais, modificaram-se muito, sim e eu não tenho o menor pudor em gritar aos sete ventos que houve muita merda que mudou e muitos temas dos quais me apetece falar, relacionados com putos.
Sem drama, mulherio. Sem drama.
Termos alguém com quem falar das birras, das etapas, dos brinquedos e livros preferidos, das melhores fraldas. Alguém que também nos escute, quando falamos sobre literatura, ou cinema, ou neuras maternas, sem julgamentos, é bom, pá. É maravilhoso.
Abracem a maternidade sem medos e se não conseguirem voltar às calças pré-gravidez, não há crise. Entrem numa lojinha de gangas e comprem um número intermédio. É que a maternidade é feita de fases e querer pulá-las à força toda, com uma espécie de pavor de se perderem nisto de ter filharada, nem sempre faz bem à psique.
Percam-se lá à vontade, que depois voltam. Palavra de escuteira.

Ando um pouco atrasada nos comentários da actualidade,

mas a renúncia do Papa, só veio reforçar a minha ideia de que a Igreja é composta por homens e não por entidades infalíveis e endeusadas.
Para muitos pode ter tido o efeito da queda de um mito, que é o dos papas até que a morte nos separe. Mas eu gostei de sentir a Igreja mais perto do comum dos mortais.

Nos dias que nos são importantes

Dia 14 de Fevereiro de 2013, cheguei a várias brilhantes conclusões, que isto nós estamos sempre a chegar a conclusões ao longo da vida e quanto mais variadas, melhor:
Nos dias em que precisamos mesmo, as pessoas mais importantes aparecem e as que não aparecem têm boas desculpas, avisando-nos, ou enviando perfeitos representantes.
Nos dias em que precisamos mesmo, vislumbramos orgulho nas caras de uma mão cheia de amigas.
Nos dias em que precisamos mesmo, somos surpreendidos pelas presenças de quem não conhecíamos e que importam de verdade (C. e Mariinha, obrigada).
Nos dias em que precisamos mesmo, percebermos que alguém que não víamos há 25 anos decidiu aparecer e partilhar aquele momento connosco, comove-nos até às entranhas.
Nos dias em que precisamos mesmo, ver um amigo muito antigo subir as escadas de três, em três, apressadíssimo, com duas horas de atraso, enche-nos à mesma o coração.
Nos dias em que precisamos mesmo, ver o sorriso orgulhoso da nossa filha, o piscar de olho e sinal de fixe, feito com o polegar, do nosso bebé e o olhar brilhante do nosso marido, é praticamente suficiente para que mais nada falte.
Nos dias em que precisamos mesmo, a família dá uma ajuda e angaria amigos de todas as facções, idades, preferências partidários e literárias. E uma prima de 90 anos, vem sozinha, de bengalinha, desde o lar onde vive.
Nos dias em que precisamos mesmo, e tirando aquelas honrosas excepções acima referidas, só faz mesmo falta quem lá está.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Sugestões a José Viegas

Fiquei trémula de emoção quando li a intenção de José Viegas, caso fosse abordado por um fiscal das finanças, de o mandar "tomar no cú".
Fico sempre trémula de emoção quando alguém com poder verbal para fazer chegar pensamentos ao país, o faz de forma exemplar.
No entanto, deixo aqui algumas soluções alternativas ao "tomar no cú", numa tentativa de não cair na monotonia verbal, caso decidam adoptar a mesma postura, ao serem abordados por fiscais do fiscú:
Vá ser semeado no ânus!
Faça o favor de ser encavado por um nigeriano pouco meigo.
Vá colher proventos na cavidade obscura.
Guardei a factura no cú, faça-me o jeitinho de a tirar lá de dentro.

*Para que não haja possíveis más interpretações, eu aplaudo de pé Mr. José Viegas e suas intenções verbais. Apenas quis ajudar os contribuintes que quisessem enveredar por outra resposta de conteúdo similar.





sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Amanhã

Às 17.00, estarei na Bertrand do Colombo para uma sessão de dedicatórias amorosas :)
Apareçam!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Ajuda

Não sou nenhuma santa. Também eu viro muitas vezes a cara a fotografias que passam na internet e que pedem ajuda para isto e para aquilo.
Também eu levei muito tempo a passar ao lado de tudo isto, salvo algumas excepções.
Até me ter deparado com isto. Um caso real, de uma menina que me acostumei a ver, em fotos, no facebook, por ser filha de uma grande amiga da Melissa. Sempre ouvi falar da Cecília e da sua luta, primeiro pela vida, depois contra o cancro e sempre me fechei em posição fetal-mental, ao imaginar-me na situação da mãe da Cecília.
Imagino-a todas as noites, antes de adormecer. Pergunto-me sempre: Como estará ela, como estará a esperança dela, o que sentirá ela neste momento que antecede o sono e em que tudo nos vem à memória? Temerá ela muito? Doer-lhe-á muito?
E, mais uma vez fico longe de conceber o que é estar nos seus sapatos, mas envio-lhe, ainda que à distância, muito amor de mãe, para mãe, de mulher para mulher, de ser humano para ser humano.
E agora olho sempre duas vezes para os apelos na internet, sejam eles quais forem, pois ainda que haja muita treta a circular on-line, jamais quero correr o risco de não ajudar quem realmente precise.
Eu já dei a minha ajuda, dentro do que me é possível, para esta mãe e esta filha na sua batalha por salvar a vida desta fofinha e senti-me estupidamente bem.


Não virem a cara a esta menina. Não virem, leiam a notícia relacionada, vão ao facebook para mais detalhes.
Por muito pouco que possamos dar, do pouco se faz muito, quando nos juntamos a sério.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

imaginem

a coisa mais patética que vos poderia acontecer e terão o cenário do que me sucedeu hoje.
No estacionamento do centro comercial, voou-me um garrafão de água do luso para debaixo do carro.Fiquei com um garrafão de água do luso entalado, literalmente, debaixo do carro.
O estrilho era tanto que fui a conduzir praticamente de joelhos no chão, já que sou uma gaja discreta.
Estacionei e, deitada no chão molhado e ligeiramente muito sujo do parque de estacionamento exterior, desferi golpes de guarda-chuva na merda do garrafão, até que ele se soltasse.
Consegui finalmente a proeza. O garrafão voa de novo e entala-se debaixo de um carro que ia a passar.
Isto dava uma curta metragem.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

O pânico, o drama, o horror

E aqui estou eu. Sem nada no cérebro à excepção de dia 14 de fevereiro.
Estou muito bem a caminhar e: Cólica profunda e horribilis.
Estou muito bem a tomar duche e: Cólica profunda e horribilis.
Estou muito bem a pasmar com a notícia da renúncia do Papa e: Cólica profunda e horribilis acompanhada de Avé Maria.
Estou muito bem a meter massa de pimentão no frango e: Cólica profunda e horribilis.
Estou muito bem a dormir e: Cólica profunda e horribilis, acompanhada de tentativa de auto esganamento.
E é isto malta. Padeço DA cólica. Eu sou uma gaja estupidamente tímida e desinteressante, que raios tenho eu para dizer? Mas porque tenho eu que dizer? Dizer é altamente sobrevalorizado. Ter que dizer é tortura.
Dizer nunca foi o meu forte.
Agora vou ali padecer de mais 234 cólicas profundas e horribilis, antes de me lançar nos braços do meu leito e fingir que sou uma pessoa minimamente válida e fascinante.
A propósito de nada de especial, à excepção da tentativa de abstração do dia 14 de Fevereiro e respectiva cólica adjacente. O livro do José Luís Peixoto, sobre a Coreia do Norte está a revelar-se uma nice surprise.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Para vocês, dia 14 de Fevereiro



Aqui está tudo aquilo e aqueles que podem ver, fazer, ouvir e tocar no dia 14 de Fevereiro. (Sim, penso que podem tocar com o dedo indicador no Ricardo Carriço e na Sandra Barata Belo) Adoraria que viessem e trouxessem quem quiserem trazer. Bem sei que o dia do amor deveria definitivamente ser todos os dias, mas este dia é especial, celebrem-no comigo :)

Minha querida amiga,

Se te escrevo por aqui, é apenas porque não consigo deixar de fazê-lo. Escrever sempre me foi orgânico, sempre teve que ser.
Se te escrevo por aqui, é apenas porque quero dizer-te da melhor forma que sei dizer.
Se te escrevo por aqui, é porque conquistaste o lugar mais especial de todos. Aquele lugar que reservo apenas àqueles que me dizem muito. O lugar que me impele a escrever.
Estando tu assim, arranjaste ânimo para me escrever sobre uma das coisas que te deixava triste e essa coisa não era nada do que seria de supor. Essa coisa que te deixava triste, era o facto de não poderes estar presente num dia importante para mim. No dia do lançamento do meu livro, que leste bem antes de estar envolvido numa capa e contra-capa. Parece que tinhas programado uma surpresa, mas não te preocupes com isso, pois surpreendeste-me exactamente da mesma forma quando me revelaste as tuas intenções.
Esta tua preocupação tocou-me de uma forma absurda, pois eu acho sempre, vá-se lá saber porquê, que não mereço uma pessoa tão especial na minha vida.
Levanta-te dessa cama, pelo menos uma mão cheia de vezes por dia, para não te destreinares, para poderes vir ao evento especial que organizarei só para nós. Para aquele pequeno grupo de mulheres que sempre acreditou em mim e que valorizou a minha vida, só pelo simples facto de estar lá, do outro lado deste monitor.
Eu adoro-te miúda e digo-o da melhor forma que sei fazê-lo, digo-o escrevendo.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

!!!!!

O que dizer disto
E disto?
Vamos lá a abrir a mini, o vinho, o champanhe francês, ou vinho espumante português. Percamos a cabeça e abramos uma lata de coca-cola.
Estou nas nuvens. Dividir o top 10 com soft porn é coisa para me fazer celebrar por 1 ano :)

os deuses devem estar loucos

Começo a gostar deste governo.
Juro. São geniais em matéria de se superarem a eles próprios e em matéria de entretenimento.
Quando pensamos que já não podem ser mais elefantes numa loja de cristais, eis se não quando: Franquelim.
Até eu, que sou bronca e bruta como um paquiderme num campo de flores, saberia ter escolhido melhor.
Mas não faço parte do governo, infelizmente, pois ganhariam bastante com a minha criatividade.
Para começar, remodelaria aquela merda toda, mas nem pensar em personagens do BPN. O BPN é como certas novelas que nunca mais terminam e que maçam, a partir do 180º episódio.
Exploraria todo um novo elenco, iria buscar mais processos, mais envolvidos e convidá-los-ia para integrarem quem nos representa, a fim de formarem uma história diferente.
Apostaria no processo casa pia. Bibi é um nome mil vezes mais apelativo do que Franquelim.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Um lugar melhor

O mundo seria certamente um lugar melhor, se as pessoas guardassem mais para si certos pensamentos e ideias luminosas.
Absolutamente ninguém as questiona sobre coisa alguma, mas elas insistem em brindar-nos com a sua opinião, como se esta fosse imprescindível à nossa sobrevivência enquanto seres sensíveis.
A maior parte das vezes dão-na, de peito inchado e expressão de contributo social magnânimo.
Quando as escuto, às opiniões profundamente desnecessárias, imagino-me num filme do Tino, Tarantino, a desferir golpes de sabre, vendo as suas cabeças rolarem, caírem numa poça vermelha pastosa, mas ainda assim, e num banho de realidade desconcertante, apesar de ser um sonho que acalento com ternura, as cabeças separadas do resto do corpo continuam a ladainha.
Há as pessoas que não se mancam e há as pessoas que não sabem desferir golpes de sabre verbais e acabam cheias de feridas auriculares e em órgãos que pulsam com emoção. Pessoas como eu, entenda-se.
Fosse eu tão corajosa, como quando me encontro sozinha, a responder de forma brilhante, com horas de atraso e apenas dentro da minha cabeça, às opiniões fuzilantes dos outros, e seria uma pessoa mais bem resolvida, seja lá o que isso for.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

perguntas importantes

Depois de um dia de merda, é com essa pessoa que querem estar?
Depois de um dia cheio de alegrias, é essa pessoa que desejam abraçar?
Depois de um dia cheio de frustrações, o vosso desejo é desferirem golpes com a caçarola, ou cafeteira elétrica na tola dessa pessoa? Se sim, isso é bom, pois nós descarregamos naqueles que nos são mais importantes. É evidente que é uma cena profundamente injusta, uma vez que deveríamos descarregar naqueles que nos fazem a vida negra, mas enfim, há que aceitar as coisas como são e isto não sei se mudará algum dia.
Riem-se das mesmas idiotices, reparam nas pequenas cretinices em que mais ninguém repara e dividem a cerveja, quando há só uma mini no frigorífico?
Podia continuar aqui o dia inteiro e desbravar todo um futuro a elaborar testes de revistas femininas, mas se já chegaram até aqui com respostas positivas, esqueçam lá a merda que vos deixou furiosos, aquele pequeno detalhe de insensibilidade que vos feriu de morte a alma.
Se chegaram até aqui, acho que estão num nível bem promissor com quem divide o vosso espaço. Abram essa mini e celebrem.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

3 anos

De filho, de mano, de companheiro, de palavras em construção, de amor em sentido crescente, de brincadeiras, de desnorte, de birras, de abraços, de zangas e pazes.
3 anos de passos, correrias, mãos nos meus cabelos, caras furiosas, seguidas de sorrisos , compreensão e impaciência.
3 anos de sofás riscados, com canetas de cor e pedidos de desculpa.
3 anos da tua presença, do teu riso, do teu choro, de ti.
3 anos do mais completo e perfeito amor do mundo. Aquele amor que não conhece retrocessos, por muitos cansaços e desesperos que provoque.
3 anos da perfeição mais imperfeita que conheço, de um passado que já não faz sentido sem ti aqui, perto de mim.
Adoro-te, meu querido de cabelo espetado, cara de zangado e sorriso fácil.
Adoro-te, António.
Muitos parabéns.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Querida Silvina,





Hoje quero o Notting Hill todo na tua vida, porque não mereces menos do que o Notting Hill na tua vida.
Tenho pensado muito em ti e desejado todas as coisas boas do mundo inteiro na tua direcção.
Acredita que, se pensamentos serenos e positivos tivessem o poder de voar para perto de ti, estarias cheia, plena de amor em teu redor, pois não mereces menos do que o amor do mundo inteiro, ainda que concentrado apenas numa pessoa, pertinho de ti.
Este país é maravilhoso na luz, no mar, na comida, no calor, nas pessoas que te querem bem. Mas não te proporciona o conforto e a tranquilidade de um bom sistema de saúde, como o que tens aí, no qual possas confiar sem reservas, se não dizia-te, com a firmeza dos que têm certezas absolutas: Vem.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.
Eugénio de Andrade


quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Vida num instante

Mostrem-me tudo, menos velhinhos a arrumarem os seus pertences em sacos de plástico, a empacotarem a sua vida em sacos de supermercado, empilhados à porta de casa, porque não têm dinheiro para a renda.
Mostrem-me tudo menos as lágrimas dos mais idosos, confrontados com uma estrada sem saída e um passado sem utilidade, de onde avistam já o fim com clareza.
Mostrem-me tudo, menos vidas inteiras de trabalho e dedicação dentro de sacos de plástico.
Este país vive uma época muito dura, mas os nossos idosos e crianças deviam, respectivamente, olhar para trás e sentir que valeu a pena, olhar para a frente com a certeza de que valerá a pena.

Logística

A logística que preciso de organizar de cada vez que tenho alguma coisa para fazer é absolutamente extraordinária.
Se, depois de o plano todo traçado, chamadas feitas, pedidos de ajuda lançados, trajectos alternativos delineados, me desmarcam a merda do compromisso, ou o movem para outro horário, fico rigorosa e absolutamente fecundada.
É favor não tratarem a gestão do meu tempo com desprezo e ligeireza. É que esta merda dá trabalho. Dá trabalho e desgasta.
Prioridades para algures no futuro:
Não, não é uma Pochete Chanel.
É um motorista/baby-sitter para levar e trazer as crianças, quando as minhas pernas e braços não conseguirem esticar mais.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Vou contar-vos uma história

Sabem que às vezes as frases mais impressionantes chegam de quem menos esperamos. E ontem, a minha avó veio aqui a casa, com ar compenetrado e sério e eu pensei que ela tinha já lido o livro. O livro que tem um padre que recebe cartas e sei lá mais o quê capaz de o lançar no Index da Opus Dei (sim, parece que eles têm essa lista fofinha).
Tinha lido o meu livro duas vezes (para melhor o entender, entenda-se) e, do alto do seu profundo catolicismo praticante, disse-me que tinha ficado muito comovida.
Do alto dos seus quase 90 anos, ela nunca tinha pensado nos padres (aqueles que são bons naquilo que fazem) enquanto pessoas, abnegadas, que vivem em função dos outros. Nunca tinha pensado na solidão profunda que eles poderiam sentir ao longo da sua missão.
"Exigem-lhes muito, exigem-lhes a perfeição constante e diária, os sermões pouco chatos e comoventes, mas não pensam neles enquanto seres humanos, enquanto pessoas."
- Este padre, coitado - Dizia ela, quase comovida - ao ler aquela primeira carta, sentiu-se confrontado com um sentimento que nunca tinha conhecido. Aquelas palavras, coitadinho, tocaram-no profundamente, porque nunca lhe tinham falado assim e ele sentiu, pela primeira vez na sua vida, amor. Ele sentiu amor.
E ela, a minha avó, de quase 90 anos-de-ir-à-missa-todos-os-dias, resumiu na perfeição o António e retirou-lhe toda a camada de "pecado", que pudesse surgir a um olhar pouco atento.
O António era a pessoa mais sozinha do mundo, por isso as cartas de Alice o emocionaram tanto. As cartas dela foram as palavras de amor que ele jamais escutara. Desde o António pequenino, ao António homem, nunca lhe tinham falado assim. E ele sentiu que tinha finalmente encontrado aquilo que buscara uma vida inteira.
O amor, seja em que sentido e reflexo for, jamais será pecado. É um dos sentimentos mais límpidos e imaculados do mundo.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Como é que vocês, mulherio charmoso

Conseguem pintar-se todos os dias das vossas vidas?
Não tanto pelo pintar em si, esse acto de pura criatividade milagrosa. Não tanto pelo colocar de estuque e sombreado e betonilha, mas mais pelo processo posterior de se desmaquilharem.
Quantos quilos de algodão gastam por noite? Quantas horas de vida passam no processo de esfregarem os olhos até ficarem com a órbita virada ao contrário, só para se aperceberem que ainda parecem um panda, no final do processo?
Admiro-vos imenso. A sério.
Para as que usam calças de cintura descaída. Como é que o fazem? Como é que conseguem não passar a vida a flectir as pernas, a fim de que vosso belo rego fique pudicamente escondido ,ou a cueca, com o dia da semana, permaneça na invisibilidade?
E hoje são estas as minhas dúvidas insanáveis, que me separam do resto das pessoas que admiro. Hoje é isto.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Ler é o melhor remédio

E se eu disser que já li para não enlouquecer, quando os exames da faculdade consumiam o meu corpo e o meu gasto cérebro pelas trezentas interpretações possíveis a dar a um artigo legal?
E se eu disser que já li para acreditar que, um dia, me apaixonaria como os personagens da Jane Austen, ou para entender o conceito de Amizade, com o mítico Alberoni, bem lá atrás nos meus vintes?
E se eu disser que já viajei para bem longe, que já senti cheiros, vi rostos, passeei e sentei-me em mesas de café e comboios russos, que já segurei mãos frias de personagens, consolando-as de uma perda qualquer?
E se eu disser que já li para esquecer e para lembrar?
E se eu disser que já li para me sentir completa, quando o vazio me preenchia a rotina?
E se eu disser que já li para me libertar e para me sentir presa ao chão?
E se eu disser que já troquei programas irrecusáveis, por um bom livro e se eu disser que continuarei a recusá-los pelo mesmo motivo?
E se eu disser que não existe (quase) nenhum prazer que iguale uma noite passada com uma boa história?
E se eu disser que já senti várias ressacas de histórias e personagens que não queria ter deixado presos na palavra fim?
E se eu disser que odeio que me aborreçam com perguntas chatas, ou com telefonemas da treta, quando estou a meio de um capítulo do caraças?
E se eu disser que prefiro um livro que me amorteça a tola, do que um programa de televisão que me deixe em coma cerebral?
Se as pessoas entendessem que um livro não é assim tão caro, para a catadupa de emoções, viagens, sentimentos, que é capaz de nos proporcionar, talvez decidissem ler mais :)

No reply

Devíamos poder desdizer, desfazer, desenviar.
Bem sei que as palavras faladas, ficam. Daí termos que ter cuidado com aquilo que dizemos, pois as palavras, tanto podem ajudar a curar, como a ferir de morte alguém.
São instrumentos de precisão que devemos usar com cautela, sempre.

Odeio arrepender-me de um e-mail, ou mensagem enviada. Quando é que inventam um pequeno bracinho virtual que vá lá à frente arrancar, da caixa de correio, ou de mensagens do outro, a mensagem que se mandou?
Isso é que era.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A Vida Continua

É um dos clichés mais batidos do mundo.
É utilizado como conforto, como motivação, como ânimo, como alento. Como incentivo a continuarmos em frente, apesar de tudo.
Mas, para mim, sempre foi a frase mais avassaladora do mundo.
Não há qualquer tipo de conforto num "a vida continua".
A vida, por vezes, devia parar por nós. Se não a vida, os outros, se não os outros, nós próprios.
A solenidade dos nossos problemas, dos nossos dramas, deveria ser respeitada pela vida, nem que fosse apenas por um segundo.
Os filhos deixariam de pedir que lhes limpássemos o rabo, os maridos e mulheres deixariam de sentir fome e carências afectivas, o trabalho não revestiria a urgência de alimentar a família, a família não pediria nada, não nos pediria nada.
E é isto que penso de um "a vida continua". Sim, é claro que a vida passa bem sem nós e prossegue nos dias e minutos, sem nos oferecer a menor importância. No seu egoísmo de vida. Todos sabemos isso. Mas, caraças, às vezes era bom a vida parar por nós, sim, nem que fosse apenas por um minuto.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Hoje foi um dos primeiros dias do resto da minha vida

Não sei como é que é com os outros, mas comigo foi assim, hoje.
Hoje acordei e belisquei-me várias vezes. Depois fui fazer pequenos-almoços, com vontade inexistente para tarefas mundanas e necessidades orgânicas, uma vez que o mundo mais não era do que um suporte necessário aos meus pés pouco precisos.
Voltei a beliscar-me, certifiquei-me que o chão continuava debaixo dos meus pés e que as nuvens continuavam do outro lado da janela.
Fui ver se os meus filhos continuavam aqui e se o mundo não se tinha evaporado para um lugar inacessível qualquer.
Saí de mão dada com o António e fui a ouvi-lo choramingar o caminho todo, mas tudo me soava distante e distorcido. As pessoas que se cruzavam comigo pareceram-me estranhamente normais para o dia que era e fiquei lixada por ninguém partilhar a minha bolha.
Fiz várias paragens. Primeiro no carrinho do Noddy, onde coloquei 1 euro e fiquei a ouvi-lo cantar com a ursa Teresa, depois no urso à porta de uma loja, onde o António fez questão de parar para ter uma conversa inadiável com o bicho. E as pessoas continuavam na mesma, como se nada fosse. Como se o mundo hoje não se sentisse diferente.
As pessoas prosseguiam as suas rotinas, ostensiva e ofensivamente.
Depois entrei, de mão dada com o meu filho, que nada sabe disto de entrar devagar nos sítios e pousei os olhos sobre as prateleiras à sua procura.
E ali estava ele, lado a lado com Os Homens que Odeiam as Mulheres e com mais qualquer título que não vi, pois que tudo se desfocou à minha volta.
Ali estava a minha história, pronta para entrar na vida de toda a gente que quisesse recebê-la.
Ali estava eu. Mas já não era eu. De todo. Era a história, cujo destino me pertenceu um dia, mas agora livre para habitar dentro do destino de alguém.
Por isso hoje foi importante.
Hoje foi um dos muitos primeiros dias importantes da minha vida. Hoje foi um recomeço e os recomeços merecem ser celebrados sempre.

um post do caraças

Aqui.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Sós

Às vezes acho que, se falássemos com alguém sobre aquilo que verdadeiramente sentimos, não chegávamos ao ponto de não retorno.
Às vezes acho que, se comparássemos mais vidas com a nossa vida, entenderíamos que não é assim tão diferente com o resto do mundo.
Às vezes acho que, se ouvíssemos mais acerca da banalidade alheia, a nossa rotina não pareceria tão só.
Às vezes acho que, apesar de nos sentirmos sós tantas vezes, não somos os únicos a sentirmo-nos sós tantas vezes.
Sendo únicos, não o somos de todo e é bom sabermos isto. Como uma espécie de certeza de coisa nenhuma importante.
É que cansam as máscaras, cansa a perfeição. É tudo tão melhor quando tiramos as camadas que nos cobrem. É tudo tão melhor e sentimo-nos tão menos sós.

Palavras para quê (2)

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Definir o amor

Definir o amor é das tarefas mais tramadas do mundo.
Não é escrever dele, sobre ele, para ele. Isso é a parte mais fácil. Há pessoas a fazê-lo desde sempre.
Mas falá-lo em voz alta e ter que provar por poucas palavras faladas, que sabemos disso. Do amor, é tarefa hercúlea.
Condensar um sentimento tão vasto é praticamente impossível.

correndo o risco de já vir tarde, mas...

Então a Casa dos Segredos ainda não acabou?
Ainda há mais segredos, ou é só pastilha elástica?

Acho que é a primeira vez na minha existência televisiva que não faço puto ideia de quem é quem, o que é que se faz, quem pina com quem, quem é mais reles que quem. Não faço. Nunca consegui ver mais do que 3,2 segundos e tenho alguma pena, porque quando estou na fila do supermercado e olho as capas das revistas, recheadas de caras dos segredos, não sei quem são e não me entretenho assim na fila do supermercado.
Ler os rótulos das pastilhas elásticas e sondar variedades de limão e piri-piri da chiclete, não é suficiente para me acalmar a impaciência.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Novidades :)

Pois que parece que o livro estará nas livrarias, à espera de quem lhe pegue, a partir do dia 24 de Janeiro.
Pois que parece que o lançamento é dia 14 DE FEVEREIRO (Sim, desmarquem todos os programas de fim de tarde com os vossos adorados e adoradas, para esse mítico dia), às 18.30, na Bertrand das Amoreiras.
Entretanto, vou exercendo pressão psicológica e chantagem emocional convosco, para que não me deixem sozinha no dia 14 de Fevereiro e para que não deixem as páginas do livro cerradas por muito tempo :)
Eu não queria ser chata, mas acho que serei. É uma inevitabilidade incontornável dos chatos. Serem-no.

domingo, 20 de janeiro de 2013

o meu grilo falante

diz-me santinho quando espirro, mesmo antes de eu espirrar.
diz-me que tudo vai correr bem, mas que se estivesse no meu lugar, estaria exactamente como eu.
diz-me para sair da estupidez e acordar para a vida, diz-me para adormecer um bocadinho e esquecer.
diz-me que sim, que não, que tem certezas, que talvez.
fala-me das fracções de pensamento que lhe afrontam a tola.
fala-me de mim, melhor do que eu. Fala-me de si, abrindo partes escondidas por anos de silêncio imposto.
fala-me de uma coisa em particular que estranhou, sabendo que estranharei também.
fica contente com as minhas conquistas, como se fossem suas e senta-se na plateia de mim própria, aplaudindo a minha vida.
o meu grilo falante é feito de um material indolor, inodoro e de ph neutro, que não me irrita quase nunca.
Tenho sorte. Tenho muita sorte por ter esta espécie de espelho de mim própria, que ora me reflecte fazendo-me entender que brilho. Ora me esconde, fazendo-me ver que o momento é de reclusão.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

E voltando ao tema recorrente do vapor

Eu sei que já falei nisto, mas nunca é exagero repetir:
Malta, a sério. O tempo mais mal gasto da nossa vida é a passar a ferro. Já fizeram as contas ao tempo útil de vida que perdem em frente a uma tábua? A menos que vos dê prazer e descontraia (há gostos para tudo), mandem o ferro pastar. Ou se não conseguirem fazê-lo totalmente, façam-no para aqueles itens que não precisam assim tanto de tirar as rugas.
Eu sou uma mulher mais livre, desde que faço isso.
E dou por finda a rúbrica sobre eletrodomésticos e tarefas da domesticidade da vida privada.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

serviço público

Descobri que a maleita da minha máquina de lavar roupa, que estava à beira de um avc, era, atentem bem: O detergente líquido/gel, que sempre lhe botei nas entranhas.
Estava com as tubagens completamente bloqueadas pela gosma mais nojenta que possam imaginar. Um visco, um ranho mal cheiroso em que se transformou o gel e que não deixava a pobre respirar convenientemente. Podendo a qualquer momento bloquear e atirar-me com a água toda de retorno para o chão flutuante.
Disse o ladrão certificado que veio aqui desmontá-la, soprar e lavar os tubos, que quem não lava a temperaturas muito elevadas e usa detergente líquido (qualquer marca), corre este risco, pois o gel não se desfaz convenientemente.
Vai daí, estou oficialmente a dar pó à minha máquina e tirei duas brilhantes conclusões com mais este incidente electrodoméstico:
Qual mestrado, qual doutoramento, qual pestana queimada. Metam-se na arte de arranjar máquinas e canos. Isso sim, é um negócio do pénis.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Começo a ficar

Absolutamente farta de mim. Mim não tem piada. Mim é demasiado até para mim.
Preciso de abstrair-me de mim. Queimar incenso, beber um chá com vodka, enquanto vejo os acumuladores de tralha, no TLC, lembrando-me para não me acumular em demasia, que já me cheiro a mofo.
Agora é que dava jeito Yoga.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

palavras para quê

Nossa Senhora está no facebook, nosso Senhor também.
Não havia, portanto, nenhum argumento válido para esta pérola não estar.
Se quiserem amantizar-se, força.

.

 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O contexto do amor

Disseram-me uma vez que o amor, por si só, não vendia.
Sentaram-me numa pequena mesa redonda, olharam-me nos olhos brilhantes de expectativa e disseram-me que era preciso um contexto. Não bastava uma boa história de afectos. Os afectos teriam que ter lugar no período de Salazar, na Segunda Guerra Mundial, no grande terramoto de 1755.
A culpa não era minha que o amor não fosse vendável por si só. A culpa era da dificuldade de vender uma história de amor sem contexto. A menos que eu fosse alguém estupidamente conhecido. O que não era, de todo, o caso.
Eu, que sempre acreditei que uma boa história podia passar-se numa carruagem suja de metro, num banco de jardim, dentro de uma casa no meio de lugar nenhum. Eu, que sempre acreditei que bastavam os afectos para tornar o contexto irrelevante, morri um bocadinho por dentro.
Vim para casa pensar num contexto onde pudesse passar-se a minha história. Um contexto que pudesse encher o olho, que pudesse atrair as pessoas para a sinopse.
Arranjei logo dois bons contextos, a minha cabeça fervilhou de ideias o dia inteiro. Mas à noite, quando tudo toma forma dentro de mim, quando os monstros entram e não consigo virar as costas à verdade. À noite eu quis que o contexto se fodesse.
Dois dias depois, enviava de novo a história de amor sem contexto para outra editora. Uma das poucas para onde ainda não tinha enviado.
Uma semana depois ligaram-me. Alguém tinha acreditado que o amor podia acontecer em qualquer lugar. Alguém tinha acreditado nas minhas palavras e tinha as ferramentas para fazê-las vingar.
E assim, posso dizer-vos, com as garantias de alguém sem importância nenhuma, que o amor acontece-nos sob todas as formas, todos os dias das nossas vidas, em todos os lugares. É só estarmos atentos e não deixarmos de acreditar.

Comida e Amor

Desde sempre que a comida, o alimento é associado a conforto e amor.
Quem providencia a comida às crias, é quem mais as ama. A reunião familiar em redor de uma mesa com comida é tida como um momento de união.
A mãe que acha que o filho nunca comeu de mais, havendo sempre espaço para um segundo almoço, um segundo lanche, uma terceira vez. A mãe que quer sentir-se no topo da lista das que providenciam o alimento preferido do filho.
A mulher que conquista pelo estômago.
E eu pergunto porquê? De onde vem isto de associarmos comida com amor?
Não que eu faça diferente. Gosto de ter um bolo à espera da minha filha quando ela chega da escola, pois sei que isso lhe traz uma sensação de conforto. Mas porquê?
Porque é que comida, não é simplesmente isso mesmo. Comida?

sábado, 12 de janeiro de 2013

Em defesa da Pepa

Ainda não percebi o motivo de tanto alarido.
Não desfazendo no Pequeno Nicolas, são, ou não são os desenhos animados mais fixes que andam aí?


sinto-me tão mais confortada

Descobri que Nossa Senhora está no Facebook. Vou pedir-lhe amizade.

O que não nos mata, torna-nos mais fortes

Sempre tive dúvidas em relação a esta frase.
Umas vezes acho que sim, absolutamente sim.
Outras vezes sinto que nos torna mais frágeis e com tiques nervosos.
Outras tantas, sinto que nos deixa em coma.
Nada é linear, nem mesmo as frases que parecem feitas para nós.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Nem tudo são más notícias

lembram-se da reportagem daquele sem abrigo e do seu cão, que passou na sic?
Parece que os espectadores da sic já ajudaram. O senhor já tem emprego e casa :))))
Às vezes sabe bem ouvir uma boa notícia, para variar.

canina

Parece que 17000 pessoas assinaram uma petição para salvar um cão que matou um bebé.
Parece que 17000 pessoas se deram ao trabalho de pensar no cão que matou um bebé, com profunda pena, arranjando desculpas, afirmando que talvez não tivesse sido bem assim e que a história está mal contada.
Parece que 17000 pessoas acham importante salvar um cão que matou uma criança, quando a criança ainda nem foi a enterrar.
Confesso que nem sequer pensei no cão. Um cão que ataque mortalmente alguém deve ser removido do convívio social e ponto final. Não há grandes raciocínios a fazer. Há riscos que não se correm por motivo algum.                              
Eu pensei nas pessoas. Nos adultos que permitiram o convívio de um bebé com um animal portador de mandíbulas de tubarão. Um animal que num minuto está bem e no outro se pode passar (afinal de contas, espantem-se, é um animal), porque o bebé o pisa, lhe grita, lhe enfia o dedo nos olhos (sim, as crianças tendem a fazer isso aos animais).
Eu pensei nos milhares de acéfalos por esse mundo fora (basta googlarem) que insistem em comprar animais com potencial assassino, sem terem mão neles, julgando ficar assim  imbuídos de poder, ou fazerem uma espécie de tunning ao seu status.
Que características tem um pitbull, ou um dog argentino, ou um akita, ou um merdita, diferentes de outra raça de cão,  que os torne assim tão apelativos e irresistíveis? O que é que os diferencia assim tanto, para a malta querer ter um? Cheira uma baixa de insulina num diabético melhor do que os outros, por exemplo? É excelente com idosos e deficientes? A única diferença é a fama que têm, uma fama merecida dizem as estatísticas, uma fama injusta, dizem os fanáticos.
Juro que gostava que me explicassem, porque é que, com centenas de raças de cães, a malta embica precisamente para aqueles e os passeia com descontração, muitas vezes arrastadas pelos bichos, sem açaime e sem mão, incomodando-me, assustando-me, não me deixando andar tranquila com os meus putos na rua?
Que direito têm eles de impor o seu cão na vida dos outros, sem se darem sequer ao trabalho de açaimá-los como manda a lei?
Que direito têm eles de colocar em risco a vida dos próprios filhos, porque acham piada a ter um cão daquele género?
Como é que se corre o risco, como? Se existe 10% de hipóteses que sejam, de o meu cão poder passar-se dos carretos e matar o meu filho, porque tem potencial físico e mental para o fazer, eu não vou correr esse risco jamais.
"Em nove anos, nunca fez mal a ninguém". Só me faz lembrar os jornalistas que vão à aldeia do assassino, ouvir os vizinhos dizerem: "Ele era amigo do seu amigo". Ou quando vou a uma loja reclamar de uma merda que avariou e oiço o funcionário: "mas nunca tivemos nenhuma reclamação".
O grande problema dos cães ditos potencialmente perigosos, é que são, regra geral, adquiridos por malta que diz coisas deste género e isto chateia-me, põe-me canina.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

O Inverno do Chumbo

Serve de banco de apoio para os putos chegarem ao lavatório, serve para fechar com estrilho na cara de alguém que não se cale, serve como arma de arremesso e de defesa pessoal, serve para construir uma pequena cabana de papel.
Não serve para ler fora da cama, a menos que possuam dois braços robóticos que vos segurem no tijolo.
Não serve para lerem, enquanto degustam uma chávena de café (que linda esta imagem), pois não conseguem segurá-lo apenas com uma mão.
Não serve para levarem dentro do bolso do casaco, qual edição de bolso dos Capitães da Areia, a menos que tenham bolsos do tamanho de uma embarcação. E, neste caso, nunca é demais ressalvar a proibição de se inclinarem à beira rio, para espreitarem aquele peixe com bigodes que nada.
E pronto. Isto não quer dizer, de todo, que não goste de calhamaços. Quando a história é boa, eu até agradeço que nunca mais acabe.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

O Paciente Inglês


Tinha 21 anos e esperava sempre por um filme com a expectativa dos que aguardam a chegada de um grande amor. Era aquele que me arrebataria e me transportaria para bem longe dos meus dias sempre iguais.
O cinema sempre foi o lugar onde me era permitido sonhar. Chegava a sair de uma sessão e entrar na seguinte, para ver outro filme.
Andava à espera deste filme há meses. Por isso mesmo, entrei  na sala de cinema com a certeza de que iria assistir a uma história inesquecível.
Enganei-me. Foi uma tremenda decepção. Tirando a maravilhosa Juliette Binoche e a sua história, aquele casal gelado, de aspecto germânico não criou a menor empatia com o meu exigente coração e a história pouco me disse.
Mas a música, meu Deus, a música emprestou toda a emoção que faltava.
A banda sonora deste filme é simplesmente brilhante e ainda me acompanha nos dias em que preciso de chegar àquele lado onde ninguém me encontra.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Ohmmmmmm

A oportunidade surgiu quando reencontrei uma velha amiga que era agora professora de yoga. Decidi deixar de ser cobardolas e penetrar numa aula experimental, pois sempre senti que me faltava alguma da espiritualidade, tranquilidade e alma meditativa dos que se viram para o mundo de dentro, a fim de se conectarem com o universo de fora. Além da elasticidade, exercício e controlo da respiração, que este corpinho tenso e mole, se é que é possível estes dois adjectivos conviverem, ansiava por conhecer.
Vai daí, lá fui eu. Disposta a conectar-me com as energias do universo. Disposta a aprender a meditar ao som de Enya, ou ruídos da natureza modo cd. Disposta a ser uma gaja que sabe exalar e inalar tranquilidade, enquanto consegue pentear o cabelo com os dedos dos pés e entoar um mantra.
Depois desta experiência de 1 hora e meia, fiquei a conhecer ainda mais aspectos fascinantes sobre a minha pessoa. A saber:
- Não consigo manter os olhos fechados para meditar. A curiosidade de ver se os outros estão também de olhos fechados, ou se fazem batota, se o sol desponta lá fora, se o tecto tem teias de aranha, se alguém tem um macaco pendurado no nariz, vence sempre.
- Não consigo abstrair-me do que é que vou fazer para o jantar, do que é que tenho que trazer do supermercado, das calças de lycra que entram pelo meu regabofe adentro e que tento ajeitar sem que ninguém repare que me mexo do estado meditativo.
- A Enya continua a dar-me vontade de sair a correr, com um par de asas, pulando de nenúfar em nenúfar, pelos penhascos irlandeses, qual bailarina que nunca cumpriu o sonho de dançar e depois de se lançar num vórtice de voo pelo penhasco, se espatifa em soninho profundo lá em baixo.
- Estar deitada num colchão de ginástica, a escutar uma maré que vai e que vem, enquanto uma voz nos relaxa e impele a esquecer tudo o que há de supérfluo, é uma oportunidade única para eu bater um choco.
Além de tudo isto, fiquei uma semana a andar de pernas abertas.






E quando

Fazemos o telefonema para a assistência técnica, explicamos detalhadamente o problema do qual padece a nossa máquina de lavar a roupa, com pormenores, datas da ocorrência, comportamentos estranhos na centrifugação, limpeza do filtro já efectuada, perspectivas negras e angústias e a resposta é:
- Só um momento que vou passar aos colegas da assistência técnica.
 E percebemos que estivemos a partilhar a vida da nossa máquina com a pessoa errada e que teremos que repetir tudo com outra pessoa diferente.

*É oficial. Sou a pessoa com menos sorte, pelo menos em Portugal Continental, em matéria de electrodomésticos.

sábado, 5 de janeiro de 2013

As Mães ditadoras e cagadoras de sentenças

A propósito disto e disto eu tenho que voltar a falar sobre a amamentação e decisões sobre tudo o que implica os nossos filhos e a nossa forma de criá-los. Não sob a perspectiva de quem deu, ou não de mamar, já que das minhas mamas sei eu, mas da perspectiva da culpa.
Uma mãe, principalmente no primeiro filho, é um ser que se questiona, se culpabiliza, se martiriza, se auto julga a cada instante. Não há, portanto, necessidade de opiniões não solicitadas e intrusivas. Pois a mãe já fez as suas ponderações, antes de os outros as fazerem e apenas ela sabe o que é melhor para si e para o seu rebento.
Se correr bem, correu, se correr mal, correu. Não é o fim do mundo.
Cada mãe sabe da sua mama. Cada mãe sabe do seu filho.
Se mais mulheres se preocupassem em denunciar, por exemplo, situações de maus tratos a menores, ao invés de andarem preocupadas com a opção pela ordenha industrial ou artesanal de cada mulher, insinuando que o amor materno se mede pelo volume de leite sugado dos seus peitorais, ou com a escolha do ensino público, ou privado para os filhos, o mundo seria um lugar melhor e a maternidade uma experiência mais serena.
Adoro a cumplicidade feminina, mas deixem-me que vos diga, que quando lhes dá para serem competitivas no desempenho da maternidade, não há quem as ature.


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

lálálálá

Que bom aspecto que tem o trailer do filme Os Miseráveis. A história é boa, os actores parecem-me benzinho, a imagem excelente Então digam-me lá uma coisinha:
PORQUE CARAÇAS TINHAM QUE OS PÔR A CANTAROLAR???????!!!!!
Odeio filmes/musicais. Odeio.
Estamos no meio de uma cena altamente dramática e com elevada carga emocional e o personagem desata a cantar, qual filme da Disney? Nop, não é para mim.

As pequenas coisas que estragam tudo

Um homem pode falar sobre cocó, caganeira, desarranjo intestinal. Um homem pode passar horas infindas a dissertar sobre cores, formas e feitios, locais de descarga e a fazer piadas sobre o troço. Um homem que consiga ouvir-me explanar teorias sobre diarreia, qual criança que vibra de cada vez que se fala cocó, sem julgar a graduação do meu q.i., é de facto alguém com quem, certamente, gostarei de partilhar boas gargalhadas.
Agora não poderá jamais deixar a suspeita, ainda que subtil e leve, que efectivamente caga.
Um homem não caga. Fala sobre isso com um à vontade espetacular, formula piadas profundas, mas jamais nos deixará perceber quando e onde faz ele a sua descarga.
Portanto, aqui deixo eu o meu contributo sapiente na arte para um casamento harmonioso:
Não digam ao que vão quando têm que ir. Apaguem o rasto e apregoem aos sete ventos que padecem de um defeito físico raro, que consiste na arte de não passar merda pelo vosso organismo.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Capitães da Areia

Atirem-me areia para a boca e para os olhinhos se quiserem, mas nunca tinha lido Jorge Amado.
Nunca tive coragem de penetrar na linguagem tão carregada do Brasil. Adoro ouvir falar, ou melhor, cantar, porque os brasileiros não falam, cantam. Mas ler é outro departamento e sempre sofri de um auto boicote de leitura a tudo o que estivesse em português do Brasil.
Enterro agora a cabeça debaixo do pequeno livro que leio e desfiro vários golpes no meu próprio crânio com a capa do mesmo, para expiar este pecado capital.
Tem acontecido uma coisa absolutamente fascinante com os Capitães da Areia. Dou por mim a ler em voz alta, para ouvir o fraseado.
Escrever com o dom da oralidade, sem perder o tom das letras é puta de difícil cara, mas o Jorge Amado conseguiu-o com um coxame às costas.
Vou acabar este livro com fluência no calão do Brasil e anotar cada palavrinha maravilhosa que descubro. Palavras que só os brasileiros usam para definir coisas chatas e sem graça.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Para vocês aí desse lado. Um convite

Para todos os que ainda passam por aqui em busca de alguma coisa que vos faça sentido.
Para todos os que passam só de vez em quando, mas continuam a passar, ainda que de vez em quando.
Para todos os que gostam, os que gostam assim-assim, os que vão gostando, consoante a disposição solar, ou hormonal do momento
Para todos os que acham que isto faz algum sentido, ou sentido nenhum.
Gostava muito que aparecessem no lançamento do meu livro. Gostava mesmo muito.
Bem sei que aquilo que eu gosto, ou deixo de gostar, pode bem ser igual ao litro para a maior parte de vocês, mas é que eu gostava mesmo de vos conhecer, de vos ver materializados à minha frente, como que por magia :)
Topam?

# Vou dando novidades quanto à data e ao local, mas para conseguir dormir melhor, uma vez que isto de lançamentos é absoluta novidade para mim, a menos que falemos de lançamentos de sacos do lixo para o contentor, gostava de saber a vossa inclinação para este convite que vos faço.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

É obrigatório sonhar

Se ficar é morrer, partamos.
Se viver é ter que abdicar daquilo que nos é confortável, sintamo-nos incómodos. O incómodo será apenas temporário. Tomará do nosso tempo o estritamente necessário à conquista da vida. Da nossa vida.
Se tememos perder-nos, deixemo-nos de temores e ousemos arriscar um novo caminho.
É nos caminhos novos que se descobrem renovadas verdades de nós próprios. É nos caminhos novos que pode bem assistir-se ao milagre do inesperado.
Se é do risco que fugimos, por comodismo conformado dos que nada chamam de diferente, arrisquemos até que faça ferida. A ferida sarará para nos recordar que é possível sobreviver a quase tudo. Menos à morte.
Se já nada nos comove, se já nada nos move avassaladora e irreversivelmente. Se já nada nos impele a sairmos dos limites de nós próprios. Se sonhamos nada, é nada que somos. É nada. E então mais vale entregar os pontos de uma vez por todas. Mais vale o limite da terra sobre o nosso corpo frio e sem vida, do que o limite imposto à nossa inerte alma mutilada.
Sonhemos então que é possível continuar a sonhar.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Natal... Na província neva

Natal... Na província neva.

Nos lares aconchegados,
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.

Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo,
Stou só e sonho saudade.

E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei!

Fernando Pessoa




Para a Silvina



Para a Silvina, desejo-lhe todos os abraços do mundo, todos os beijos trocados, todos os significados possíveis da palavra amor.
Para ela desejo um mundo inteiro de sentimentos bons por si própria. Porque ela é muito provavelmente, a pessoa mais merecedora deles que conheço.

Não é assim tão complicado


Cresci sem grande amor ao Natal. Nunca ninguém fingiu gostar das festividades, nem nunca ninguém colocou um bocadinho de magia, ainda que fingida ( como, aliás, toda a magia) durante dois dias seguidos.
Cresci a pensar que o Natal mais não era do que hipocrisia e frete supremo e foram precisos alguns anos até aceitar esta época com serenidade, sem complexos. Com a relevânica que merece.Nem de mais, nem de menos.
Foi preciso olhar pelos olhos da minha filha para reaprender tudo o que desaprendi na minha infância.
Temos saúde (ó meu Deus, como importa celebrar isto), temos amigos, temos família (ainda que ligeiramente disfuncional) e temos amor.
E não faz mal tirarmos um dia do calendário, para celebrarmos o que realmente importa, com doces, vinho e o diabo a sete (blasfémia).
Sim, é claro que podemos fazê-lo todos os dias sob todas as formas.
Mas termos datas fixas, em que eles já sabem que se celebrará de determinada maneira. Em que eles antecipam a reunião familiar com expectativa comovente, abrindo janelinhas de um calendário. Termos datas fixas que nos recordem a importância de termos tudo aquilo que nos é fundamental, é bom.
É bom, sim. E não me lixem os bons na minha vida. Deixem-me agarrá-los com força, enquanto os há.
Por isso, acho importante pegar nestes dois dias e tentar, repito, tentar, entre pratos de papel para deitar fora, bocados de rabanada colados nos sofás, putos enlouquecidos pela excitação, migalhas de bolo rei dentro da cama e familiares chatos como piolhos púbicos, fazer deles uma boa memória.
Não é assim tão complicado. Nós é que gostamos de complicar.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Porque nem só de cabrice se trilha o caminho da maternidade

Andei perdida.
Durante demasiado tempo, escrevi apenas para ti. Para que te lembrasses sempre que escrever é o que mantém vivo o nosso amor.
Não cabiamos aqui. Aqui era apenas o meu lado menos triste. Menos sério. E esqueci que o Vontade de Regresso, foi criado para que jamais me esquecesse da importância de ter para quem regressar, quando se parte. As coisas importantes na minha vida, nem sempre se revestiram de facilidade, pois foram coisas do coração e termos que correr por aí, de coração exposto e despido, para que qualquer um possa lê-lo, interpretá-lo, amachucá-lo é difícil. É coisa de grandes pessoas e eu sou uma pessoa pequena, cheia de medos e inseguranças.
Por isso, o meu coração saiu um pouco daqui. Criei um espaço onde escrevia o quanto eras importante, para que soubesses sempre, pela palavra escrita, que eras o meu amor maior.
Depois nasceu o teu irmão e a ponta dos meus dedos desenhou vezes sem fim, palavras para os dois, para um de vocês e de novo para os dois, pois sempre fiz questão de vos envolver dentro do que mais me importava a mim. Dentro das letras que me dizem e que vos descrevem.
Ontem percebi que também vocês me escrevem já.
Tenho as tuas folhas riscadas, guardadas como um tesouro, António.
Tenho as tuas cartas, escritas com a incerteza dos primeiros passos, com os erros das primeiras letras unidas, mas com mensagens determinadas e constantes. Mensagens de amor. E guardo-as dentro das páginas do livro que leio todas as noites, para lhes poder mexer. Dentro das gavetas onde vou diariamente, debaixo do meu pequeno e gasto computador.
Tenho-as sempre por perto, para que possa relê-las e saber-me importante. Saber-me enorme, saber-me merecedora de um amor maior.
Vocês têm sido o caminho mais sinuoso e mais a direito da minha vida.
Vocês são aquilo que importa. E eu hei-de regressar aqui, de vez em quando, de coração exposto e despido, sem medo de amachucá-lo, pois ele bate na mesma e é lamechas, sim. Tão lamechas quanto o coração de uma mãe consegue ser. Mas isso não é necessariamente mau. Isso sou eu.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Detesto tentar gostar

de pessoas, de filmes e, acima de tudo, de livros.
Não deveriamos ter que tentar gostar. Tentar gostar é um dos esforços mais inúteis do planeta. Ou se gosta, ou não se gosta.
O gostar mais ou menos, cai na esfera do não gosto, mas causa-nos aquele impulso estúpido de não desistir logo. Pode ser que melhore, pode ser que esteja enganada, pode ser que...
É precisamente o que me está a acontecer com este livro. Alguém me explique, por favor, o que é que leva alguém a pensar que a sua vida profundamente bocejante, reveste alguma espécie de interesse para o comum dos mortais, como eu?
É certo que ainda não cheguei a meio do livro, mas até agora, fiquei a saber mais sobre a vida do criador do Peanuts (charlie Brown e companheiros) do que da história do auto biografado.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Abracemos a nossa Cabrice

Um dia ainda vou escrever crónicas (adoro a palavra crónicas, dá todo um outro status às merdas que alguém decide escrever) que ajudem as mulheres a sentirem-se menos culpadas.
Crónicas que as ajudem a perceber que nenhuma mãe é perfeita e que todas nós gritamos com os putos de vez em quando e desejamos embarcar numa nave espacial em direcção a Marte, só para termos um bocadinho de silêncio.
Não é crime de lesa majestade, se os putos não andarem com a roupa bem passada e jantarem cachorros quentes de vez em quando. Tal como não é crime de lesa pátria não andarmos constantemente aprumadas para irmos despejar o lixo, ou passear o cão.
Todos, repito, todos os putos fazem cenas e são insuportáveis de vez em quando. Os vossos crianços não têm que ser perfeitos para serem amados. Digo-vos, sinceramente, apesar de ter a certeza absoluta de que os meus filhos se adoram um ao outro. Muitas são as vezes em que tenho que apanhar pedaços do meu próprio cérebro pelo chão, quando ambos decidem pedir-me justiça e que decida qual deles tem razão e que interceda e que reaja e que faça qualquer coisa.
Mil vezes pior do que o Juiz Decide, é a Mãe decide, sem martelo para bater sobre a mesa, nem sobre as suas ricas cabeças.
Ter que passar o dia inteiro a fingir que não sou uma cabra cruel de vez em quando, é cansativo, caraças. Muito cansativo. Libertemo-nos do estigma da perfeição e assumamos a nossa cabrice esporádica. Não é crime, é apenas humano.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Onde é que ouvi isto?

Não me lembro onde, mas era mais ou menos assim:
Muitas vezes os medíocres singram, porque têm uma capacidade notável para promover a sua pessoa.

Urgências para 2013

Deitar a maior parte da minha insegurança no caixote do lixo sentimental.
Deixar de usar garfos de metal nas frigideiras anti-aderentes.
Ambas com a mesma ordem de urgência.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

meninos da mamã (um tema recorrente)

A minha alma fica sempre um bocado atrofiada, de cada vez que vejo um pai, ou uma mãe impedir os filhos machos de brincarem com cozinhas e ferros de passar.
Os putos gostam de fazer os cozinhados e servir cafés, mas não podem, pois que não é coisa de rapaz e são constantemente chamados à atenção por isso.
Muitas vezes estas proibições chegam das mulheres que mais se queixam de os maridos não fazerem a ponta de um corno. Vai daí, o melhor que se lembram de fazer é boicotar as capacidades dos próprios filhos.
Alguém que me explique esta mentalidade, porque eu não chego lá.
Quer dizer, eu até entendo barbies, mas caraças, uma cozinha?
Não é assim que vamos contribuir para uma geração livre de meninos da mamã.
É importante o ninho e as raízes, sim. Mas mais importante ainda, são as ferramentas que lhes damos para conseguirem voar sozinhos.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

prefiro atirar notas de euro pela sanita

a gastar dinheiro em:
Velinhas perfumadas-que-me-provocam-náusea-incontrolável.
Ambientadores que se ligam às tomadas, ou que projectam esguichos de cheirinho para o ar, quais mini câmaras de gás, que nos apanham desprevenidos com odor fantasmagórico. Sendo que estou plenamente convencida dos danos cerebrais a longo prazo, que a exposição aos esguichos e odores acarreta.
Ambientadores que, supostamente, servem para apertar após uma ida à casa de banho e resolver toda a questão do cheiro das nossas entranhas.
Cenas para colorir a água do autoclismo, ou perfumar a mesma.
Odeio. Se a vossa casa cheira mal, ficará apenas a cheirar a merda com perfume.



terça-feira, 11 de dezembro de 2012

adenda para a gralha

que quer fazer bolachas de manteiga de amendoim e não sabe o que é papel celofane (shame on you, sua Martha Stewart de terceira categoria).

Dicas para Desenrascar com classe

Agora a sério, quem é que não anda teso, ou com falta de vontade de gastar dinheiro em presentes para adultos-que-já-têm-tudo?
Apesar de aqui em casa termos instituido a regra (maravilhosa, diga-se de passagem, tirando a parte em que eu própria não tenho direito a presentes) de presentes só para putos, também sei que poderemos gostar de dar mimos a pessoas de tamanho crescido, que os mereçam, claro está.
No Ikea, têm estes frascos para especiarias. Um pack de 4 custa 3,50€.
Se tiverem Bimby, saquem uma receita de doce de abóbora, de laranja, de marmelo, de cocó, porque é certo que sairá bem e com esforço zero. Depois podem gabar-se e dizerem que gastaram imenso tempo na trabalhosa confecção da compota caseira.
Se não tiverem bimby, comprem um frasco de geleia de um fruto qualquer e vertam o conteúdo para dentro dos frasquinhos. Podem gabar-se da confecção à mesma, mas certifiquem-se que fogem à questão, sempre que vos perguntam como fizeram o doce. Utilizem frases vagas e evasivas e sorriam muito.
Depois, peguem num pequeno penduricalho da árvore de natal (não falo de bolas gigantes de vidro, claro está), daqueles que têm um fio para prender, ou um lacinho, ou até aqueles identificadores de prendas, com um pequeno fio e coloquem em redor da rosca do frasco, para personalizarem.
Podem fazer um upgrade e acrescentarem uns biscoitinhos de gengibre com motivos natalícios. Neste caso, teria mesmo que comprar feitos, pois todos os meus biscoitos ficam perfeitos para partir cremalheiras.
Agora façam vénias ao meu génio natalício e gritem oh-oh-oh

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

dissecando os maridos das outras



1- Esta é, muito provavelmente, a música mais ingénua jamais escrita por um gajo.
2- Por outro lado, é também uma das músicas mais perigosas em termos de lavar o cérebro aos nossos pequenos rebentos femininos.
Vejamos:
"Toda a gente sabe que os homens são brutos (...) Toda a gente sabe que os homens são lixo (...) Que cheiram muito a vinho (...) abaixo de bicho"
Ora, pois que isto está tudo muito certo, mas porquê estragar tudo com o refrão?
"Mas os maridos das outras não, pois que os maridos das outras são o pináculo da perfeição" (...)???!!!!
Tenho novidades chocantes para ti, Miguel Araújo. Novidades que talvez possam colapsar esse coração ingenuamente teenager. E vou dar-tas em modo canção, deixando-te com a minha refinada poesia:
"Mas os maridos das outras são, mas os maridos das outras são, iguaizinhos ao meu maridão".
Aos 37 anos, já deixei de pensar que os outros maridos das outras são melhores do que o meu.

Quanto ao ponto número 2:
Acho chato ouvir a minha filha de 6 anos cantarolar para o pai:
"Toda a gente sabe que os homens são lixo e que cheiram muito a vinho"
Não havia necessidade de macular tão pequeno cérebro com letrinhas que, apesar de justas, precisam de percorrer o caminho necessário à assimilação.

De resto, confesso, que não fosse passarem-na tantas vezes na rádio, eu aprenderia a adorar esta canção, tirando o refrão.
Até porque tenho sempre vontade de assobiar e bater com a mãozinha no volante, ao ritmo dela. Tem qualquer coisa de Hawai e de Jack Johnson, que me deixa sempre bem disposta :)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

pessoas

que decidem ficar paradas à beira da passadeira para peões, como se fosse o sítio mais idílico para conversarem, ou pensarem na vida.
Pessoas que me obrigam a parar para vos deixar passar, quando na realidade não têm o menor desejo de atravessar. Algumas até esbracejam, para que eu retome o meu caminho, quase ofendidas com a minha travagem:
Arranjem lá um banquinho de jardim, sim?

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

* "You is Good, You is Kind, You is important"

Ontem, enquanto olhava as fotografias de Natal da escola da Alice e via o seu cabelo em desalinho. Ontem, quando me preparava para lhe dizer:
- Caramba, mas não sabiam pentear-te? Olha só para o teu cabelo, que desgraça!
Virei-me para ela e dei de caras com o seu olhar risonho, pleno de orgulho pelas fotografias, a transbordar vontade de partilhá-lhas comigo.
Ontem mordi a língua e guardei as considerações para mim.
- "Estás tão bonita Alice, olha só para este sorriso, que maravilha!"
E fiz questão de espetar com uma das fotografias na minha parede magnética, bem no centro.
Ontem e todas as noites, quando vou deitá-los e aconhegá-los, faço questão de lhes dizer:
- És a(o) melhor filha(o) do mundo. Vou sempre estar pertinho de ti e ajudar-te em tudo. Sempre, sempre, sempre.
Ele ainda não percebe patavina das minhas considerações maternas, mas gosta do mimo e já responde que me adora.
Ela fica nas nuvens.
- Sabes, Alice, quando fores mais crescida vou sempre ajudar-te. Vou ajudar-te com os teus filhotes, com as tuas dificuldades. Vou fazer festas com as tuas alegrias.
- Mãe?
- Sim.
- E se eu tiver tantos filhos como os dálmatas?
-Cof.Cof (quase me borro pelas pernas abaixo). Bem, nesse caso vou precisar da ajuda de mordaças, cordas e algemas, mas conta comigo . Conta sempre comigo.


*A  Aibileen, do livro "As Serviçais", sussurrava estas palavras ao ouvido da menina que ajudava a criar, como se assim pudesse imprimir-lhe o amor próprio que os pais da criança lhe negavam.
O que me leva a outra questão, se ainda não leram as Serviçais, deviam.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Jaikei Rolando

Esta senhora andou demasiado tempo presa ao universo Harry Poteriano. Se tivesse começado a escrever mais cedo sobre universos reais, eu já teria papado todos os livrinhos dela.
Ela escreve muito bem e este é um livro do caraças.

3 coisinhas estupidamente complicadas de fazer, depois de ter sido mãe

1
- Telefonemas em silêncio.
Quanto mais cerimonioso é o telefonema, maior o ruído de fundo. Ao ponto de parecer que estou a atender a chamada directamente da jaula dos macacos, no jardim zoológico.
2
- Ter a televisão só para mim e ver filmes a qualquer hora do dia que contenham cenas de sexo, sem estar constantemente a olhar por cima do ombro. Aliás, ver filmes a qualquer hora do dia (tirando o horário nocturno) ponto.
3
- Não  revirar os olhos até ao interior do cérebro, de cada vez que oiço Miska, Muska Mikey mouse.  Estou prestes a cometer um raticídio nesta casa.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

:) :) :)

De todas as palavras que me ocorrem, nenhuma representa realmente aquilo que estou a sentir.
Tentei várias vezes, mas não descobri um único título que dignificasse o que aconteceu hoje.
Talvez porque nenhuma frase tenha o poder de espelhar um sonho, quando esse sonho salta para dentro da nossa vida, com um descaramento absurdo. Escancarando portas, durante tanto tempo fechadas, libertando grãos de pó, depositados na quietude das coisas que não se concretizaram e deixando a vida acontecer-nos.
É que a vida acontece-nos, sim. Tenho a certeza disso.
Hoje aconteceu-me a mim.
Se tudo correr bem (e tem que correr bem), a minha história vai ficar guardada entre uma capa e uma contra-capa, com uma pequena lombada lateral. A minha história ganhará vida ao som dos vossos olhos.
E se isto não é felicidade, não sei o que será :)

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Bons Hábitos

Este Natal gostava de pendurar estas pantufas espaciais à porta.
Não, nada tem que ver com presentes no sapatinho. Era mais para os calcantes dos convivas de Natal, chuvosos, enlameados e com hipotética caca de cão, ficarem lá fora.
Aqui está outra merda que deveriamos adoptar dos países mais a norte e do Japão. Deixar os sapatos à porta.
Eu já faço isso com a família mais chegada e acreditem, tenho poupado litros de detergente para o chão.

*Já estou a imaginar a malta toda com estes chinelos sexy a pisar suavemente o soalho flutuante, sem um som :)


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Donas de casa imperfeitas, não desesperem

E na senda do post anterior, eis que me ocorre  falar sobre outras tantas questões que nos aprisionam na domesticidade imposta (que linda frase).
Quantas vezes temos ânsias quando temos que fazer um mega jantar com mais de 8 pessoas?
Quantas vezes vencemos esse medo, compenetrando-nos que, de facto, até nem cozinhamos assim tão mal e damos efectivamente o jantar, mas como não temos criadas de servir (também adoro esta designação), ficamos o tempo inteiro enfiadas na cozinha, a levantar pratos e a dar em loucas, não usufruindo realmente do convívio?
Minhas amigas (dito em tom da amiga Olga), eu tenho duas soluções para isto. Postas em prática ao longo de vários jantares natalícios com mais de 15 pessoas aqui em casa:
Esqueçam lá o serviço de loiça pipi e os copinhos de cristal e abracem os pratos, copos e talheres de papel. O êxtase absoluto é uma toalha gira de papel (há muitas que parecem tecido e tudo), para que no final do cumbibio possam envolver aquela merda toda na toalha e despejar no lixo, juntamente com alguns convidados chatos.
Se têm problemas em relação ao que os outros vão pensar (eu já passei essa fase). Recebam-nos com uma garrafa de vinho na mão e um copo (para os mais enologamente esquisitos, podem ser copos de vidro) e perceberão que, depois de dois copos de um bom tinto, as pessoas estão-se basicamente a cagar para tudo o que seja parcimónia e querem é conversar.
Dispam-se do karma da dona de casa perfeita e tornem-se numas gajas mais descontraídas.
É claro que existem mullheres que não precisam de nada disto, pois não vertem nem uma gota de suor com estas coisas, mas não é o meu caso.
A mesa pode ficar linda com coisas descartáveis, acreditem.
Agora sim, estou pronta para escrever um manual sobre o assunto.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Mil vezes melhor do que queimar soutiens,

que sempre impedem as mamas de baloiçar ao sabor dos passos e as aconchegam num pedacinho esponjado de tecido, teria sido queimarem tábuas e ferros de engomar.
Mulheres que vivem sob o jugo da roupa irrepreensível, mulheres que pensam que o caracter e reputação dos filhos se define pela impecabilidade do tecido que os reveste e com que se apresentam na escola, ainda que os filhos digam merda e as mandem para o caralho. Não é tarde para vós. A patologia que vos foi imposta pelos vossos antepassados, sogras e mães, tem cura.
Para quem ainda não se rendeu às evidências da perda de tempo pura e simples em que consiste a actividade engomadeira e insiste num colarinho retesado, aqui ficam algumas dicas para deixar o vício. Pequenos passos, que ajudam à cura:
Comecem por cagar nas t-shirts. Uma t-shirt bem dobrada é mais  do que suficiente.
Os lençóis: Dobrem-nos em quatro, com ajuda, e passem o ferro sobre o lençol já dobrado, só para que possa caber no armário.
Camisas dos putos: Para começar e, como é Inverno, passem apenas as golas.
Camisas dos gajos: Eles que façam o que bem entenderem.
Inspirem e expirem e iniciem esta prática de libertação. Verão resultados imediatos, que vão desde rejuvenescimento da pele, a tempo para ler enquanto se faz cocó e terão o choque da vossa vida, quando compreenderem que são bem capazes de ser felizes, com a roupa enrugada.
É caso para dizer: Antes a roupa do que a pele.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Alguém que me explique, por favor



O sucesso desta merda.
Juro que não entendo a necessidade de se vestirem como retardados (sem ofensa para estes) para atraírem a miudagem.
Se as músicas forem de qualidade não é preciso tanto circo. Acreditem.
É isto e música clássica para bebés. Música clássica por si só não é suficiente para os bebés? É preciso enfiarem xilofones e caixinhas de música de fundo?


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

reticências

Se tenho dias em que acredito na força cósmica do universo. Outros tenho em que penso que o acaso é o único mestre nisto da vida e que essa merda do universo que  nos traz e nos leva o bom e o mau, em directa proporção com as nossas energias, foi inventada por alguém sob o efeito de drogas leves, ou embriagado consigo próprio.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A minha comida confortável *

De todas as comidas que me confortam a ialma, uma lata de sopa de tomate, com um ovo escalfado, está certamente no top 10.
Já experimentei fazer sopa de tomate várias vezes, mas, apesar do sucesso da demanda, nunca ficaram verdadeiramente como a da Heinz.
É um jantar mais do que suficiente para a minha mente e estômago :)
Descobri no programa da vaquinha da Nigela, que os Gnocchi de batata (nunca fui fã), podem ser cozinhados com um salpico de azeite numa frigideira, até ficarem torrados e crocantes. Meus deuses. Também entraram directamente para o top 10, assim que experimentei. Vão bem com tudo, até com uma simples tosta de fiambre de perú ao jantar :)

Agora aguardo convites para escrever livros de culinária, pois, logo a seguir às biografias históricas, parece que é o que toda a gente escreve.


*tradução parva da expressão confort food

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

socorro

O ano passado, no dia 25 de Dezembro, pela fresca, coloquei na lareira, uma agenda que a minha filha tinha namorado à minha frente, numa loja de brinquedos. Dei gritos mentirosos e eufóricos e ela desceu, quase caindo das escadas, para se deparar com o presente na lareira.
Sorriu, mãos trémulas e olhar assustado, pesquisando ao seu redor, para confirmar que o pai natal himself tinha abandonado a casa e desembrulhou a famosa agenda, com autocolantes, cadeado e o diabo a sete. Olhou-me nos olhos e perguntou:
- Mãe, como é que o pai natal sabia que eu queria esta agenda? Eu não lhe escrevi nada!!!
-O Pai Natal tem poderes e lê os pensamentos das crianças. - Respondi em tom de mistério.
Ela sorriu, perfeitamente satisfeita com a minha resposta e abraçou a agenda contra o peito. Orgulhosa por ter sido lembrada pelo barbudo.
Eu sorri com a minha resposta inteligente. Apesar de continuar a sentir-me culpada pela treta.
No meu íntimo, porém, sabia que isto não podia durar para sempre e que chegaria o dia em que a treta que construí em redor do senhor barbudo e barrigudo, se tornaria impossível de gerir. Pois bem, sei que esse dia chegou, quando apanho a Alice, de olhos fechados e mãos nas têmporas a olhar para o catálogo do Toys r' us.
- O que é que estás a fazer? - Pergunto.
- A pedir presentes ao Pai Natal.
- Mas, mas, mas e o que é que lhe vais pedir?
- Chiu, não é preciso dizer nada, ele sabe no que é que estou a pensar.
Estou fodida.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Agora a sério,

o vídeo do Professor Martelo é a gozar, certo?
Quando a coisa já estava que não se aguentava, eis que surge o Pai Natal a representar o subsídio de Natal e eu tive que fechar os olhos de vergonha.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

fucked up by their parents (porque não fica bem em português)


Estou a terminar um livro que me emprestaram e que tem várias biografias de mulheres famosas.
Já no fim da última história de vida, posso concluir que:
Todas foram "fodidas" no passado pelos pais. Transportam traumas, abandonos, indiferenças, falta de afecto.
Depois temos 3 grupos diferentes:
As que passaram o resto da vida a repetir os erros que as traumatizaram.
As que passaram a vida inteira obcecadas, a tentar fazer o oposto.
As que ficaram presas num limbo de insegurança, ora fugindo, ora congelando pelas memórias.

E, assim, depois deste estudo psicológico, tornado possível pelas biografias de divas famosas, conclúo que os pais têm um poder fenomenal para traçar o rumo sentimental dos filhos, para o bem e para o mal. E é o rumo sentimental, que definirá tudo o resto.

*A biografia vencedora, evidentemente, foi a da Audrey Hepburn. Que mulher querida, linda e humilde, meus deuses. Quando for à Suíça, visitarei certamente a sua casa e a sua última morada.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Sensibilidade e bom senso

Numa época de crise profunda e de miséria disfarçada em que vivemos, numa época de, mais do que justificadas, sensibilidades à flor da pele, é de senso comum que não se fale em público, quando de figuras públicas se trata, tudo aquilo que se pensa.
Aliás, esta regra aplica-se à vida em geral.
Eu posso pensar que somos todos uma cambada de preguiçosos, que se sobre-endivida e vive de aparências e choraminguices, mas, por uma questão de respeito à maioria que não o é e que sofre efectivamente na pele esta profunda crise.  Uma maioria que se debate todos os dias com o esticar de um orçamento miserável, ou com a falta de orçamento, uma maioria que trabalha com afinco, apenas para ver o seu salário real, já de si miserável, diminuir dia após dia. Por respeito a essa maioria, calo o bico.
É evidente que a senhora Jonet tem um trabalho de voluntariado louvável, mas não menos louvável do que as famílias que, com graves dificuldades financeiras, arranjam sempre um extra, para contribuirem para o Banco Alimentar. Famílias, sem as quais, o Banco Alimentar nem sequer sobreviveria. Famílias essas que agradeciam que a senhora fizesse uma retratação.
Noutros moldes, diferentes, mas da mesma maneira ofensivos. Ofende-me o silêncio do Presidente da República. Ofende-me o Não Comento, Não é a altura apropriada, este não é o momento. Porque, afinal de contas, estamos a pagar-lhe um ordenado, para ele não fazer a ponta de um corno.
Também me ofendem os banqueiros que gritam para um microfone: "Ai aguenta, aguenta".
Enfim senhores, a cena é:
Há coisas que devemos guardar para a intimidade da mesa de jantar, em família.
Há outras que devemos falar, mesmo quando os nossos tomates estejam a sentir-se do tamanho de ervilhas.
É tudo uma questão de sensibilidade. Sensibilidade e bom senso.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Eu também tenho conselhos inteligentes a dar para combater a crise

Para um amigo meu, que ganha 600 euros por mês e que tem de despesas fixas:
100 euros para a pensão de alimentos do filho
300 euros para a renda da pequena casa
passe social para pagar
Água
Luz
Gás
Supermercado

Ouve esta sapiente pessoa que te escreve e segue estes conselhos, que te conduzirão a um destino de bem estar monetário sem igual:

Deixa de ser esbanjador e não vás beber café a um café. Leva um copo térmico de casa e senta-te em frente do café. Mas não precisas de comprar o copo térmico, porque é caro. Pensa na ideia de um copo térmico, enquanto bebes café por um copo de vidro.
Não vás para o shoping. Apanha ar fresco com o puto e vai para o parque, mas vai a pé. Imagina que vais de carro. É exactamente a mesma coisa e sorri, enquanto pensas que poupas na gasolina.
Come mais sopa e menos carne. Mas quando estiveres a comer a sopa, imagina que comes um bife do lombo. É tudo uma questão psicológica.
No Inverno, passa a tomar duche apenas uma vez por semana. É o suficiente. Se não for, pensa que é e pensa que poderás dar-te ao luxo de, uma vez por mês, entrares de facto no café para uma bica.
Ensina o teu filho que não pode ter aquele pequeno brinquedo que tanto deseja. O consumismo é para os fracos de mente e tu não queres que o teu filho ajude a dar cabo do que resta do nosso país, com o seu desenfreado consumismo. 
Tenta ter sempre um pé de meia, para uma eventualidade, como por exemplo, o teu filho cair na escola e precisar de tirar uma radiografia de urgência.
Agora agradece-me esta visão brilhante que te ofereci e aguenta. Ai aguenta, aguenta e não mexe.




quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Devemos estimá-los na velhice




E esta frase aplica-se, não só aos nossos queridos idosos, mas também aos nossos carros, que nos acompanharam ao longo dos momentos mais importantes das nossas vidas.
São pequenos sinais que fazem com que tema sinais mais graves.
Pequenas coisas sem importância, como os pneus mais uma vez nas últimas, as luzes que se vão apagando, uma após a outra, fundindo-se sem dó, nem piedade, um barulho na suspensão, que ignoramos com autismo e sorriso forçados.
Enfim, eu quero convencer-me que o meu carro teve uma ideia luminosa e não mais uma luz fundida (que é para não dizer fodida).
Quero convencer-me que ainda está bom para mais 100 000 Km (e provavelmente está). Mas já não há aquela descontração natural, que me fazia galopar por montes e vales com confiança absoluta. Agora sinto que tenho que tomar conta dele. Estar atenta aos sinais, fazer-lhe festinhas no lombo e acompanhá-lo até à minha ruína financeira.