quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Mudar o Foco

Sempre invejei as pessoas que conseguem conduzir com penduricalhos no retrovisor, sejam eles árvores de cheiro, mulheres semi-nuas, ursinhos de peluche, flores, bandeirolas de um clube de futebol. Como conseguem eles conduzir sem estar permanentemente a olhar para aquele objecto saltitante, mesmo em frente dos seus olhos? Como conseguem abstrair-se daquela coisa que se agiganta e salta, sem desviarem o foco da estrada?
Isto vale para o resto das coisas na minha vida, pois é como se tivesse um auto-focus a funcionar na minha cabeça, uma espécie de programador automático que não me deixa apreciar as pequenas coisas, quando objectos maiores se atravessarem à minha frente.
Será que preciso de meditação, de yoga zen, ou yang? Será que preciso de rever os meus olhos-pós-operação-miopia, a fim de deixar de ser míope para as coisas do espírito?
Gostava de levar a cabo todos aqueles bonitos dizeres que nos mandam dançar à chuva em dias de chuva, pegar nos calhaus do caminho e construir castelos, juro que sim, pois ainda vejo a chuva como uma coisa desconfortável que me molha e me acinzenta e os calhaus, bem, acho que os calhaus, para mim, serão sempre calhaus.

6 comentários:

gralha disse...

Amen.

(mas sou suspeita, sempre tive hipermetropia, deve ser disso)

Ana. disse...

Pois digo-te que cá eu gostava de ter um bocadinho desse teu foco. É terrível não ser capaz de me concentrar numa coisa só, de estar sempre dispersa por milhentos detalhes, deixar-me distrair (os poetas diriam maravilhar) por cada folha que passa a esvoaçar com a brisa, por cada coisa que se atravessa à frente dos meus olhos.
Quem me dera conseguir olhar para uma meta, traçar um objetivo e não me distrair até lá chegar.
Dançar à chuva?... Isso é um romanticismo que Hollywood nos enfiou na pinha!
:)

Naná disse...

Sabes o que eu detesto andar à chuva??!!! Quanto mais dançar...
Quanto ao foco... pois... mas admito que com a idade comecei pelo menos a deixar de ligar a coisas e pessoas que não interessam...

Já os calhaus, por estes dias, se os tivesse guardado, acho que era bem capaz de os arremessar a alguém...

Gralha, somos umas hipermétropes, é o que é...

Melissinha disse...

Sou como a Mê, maravilho-me com as folhas na rua. Mas adoro, não quero me livrar disso nem por nada (só quando o prazo começa a apertar).

Vânia Silva disse...

Nem imaginas o que me ri e me identifiquei com este teu texto!
Beijinhos,

http://saladosilenciocorderosa.blogspot.pt

triss disse...

Eu, se tiver penduricalhos no carro, espeto-me contra uma árvore.