Pensei que vir dois dias para uma destas coisas com pulseirinha e tudo incluído me descansaria de todas as maleitas e cansaços rotineiros e me faria renascer enquanto ser divino que sei que sou. Vai daí considerei séria e filosoficamente a hipótese e reservei dois diazitos desta coisa de pulseira e descanso de obrigações culinárias.
Penetrei no recinto com esperança renovada no renascimento físico e mental e foi com um sorriso de esplendor que recebi a pulseira plastificada no pulso.
Pensei ter ouvido sinos e vozes angelicais entoando Aleluia, quando desci ao piso do restaurante, mas eis se não quando me deparo com algo inesperado. Um factor que não tinha considerado na minha equação de descanso físico e mental: Uma equação chamada Gado.
Eles vêm em manadas e puxam cadeiras com estridente alarido, pingando molho de carne e salada das beiças e falando alto. Eles esperam em ânsias a hora da janta, do lanche com Hamburgo e tosta mística, do almoço e formam aglomerados bovinos à porta do buffet, roçando o calcanhar no alcatifado, incentivando o próximo a chegar antes dele à mesa das carnes.
Eles coçam o umbigo e afloram a tomateira por dentro dos bolsos das bermudas pela canela, enquanto observam a unha engrossada pelo fungo, que amolecem com comovente dedicação na piscina do recinto.
Eles gritam com os putos para virem ao lanche e à bucha, enquanto eu grito com os meus putos para pararem de me pedir para irem ao sítio onde não estão, fazerem aquilo que não fazem, quererem aquilo que não têm.
Eles correm quando chamam para a Zumba à beira da piscina, ou para uma actividade de futebol nas bordas do relvado, tal e qual o gado conduzido no pasto.
Mas, acima de tudo, acima da terra e do céu, do esplendor e do pecado, do bem e do mal, eles vibram mesmo é com a comida e a bebida incluída e eu dou graças ao Espírito Santo por ter feito a experiência apenas por dois dias. É que o gado ruminante cansa e isto já não são férias nem são nada, é apenas um embuchar permanente e flatulento de coisa nenhuma.
É o que somos
Há 3 dias