sexta-feira, 4 de julho de 2014

Aceitar

Penso muitas vezes em todas as coisas complicadas da vida e, na maior parte das vezes em que penso nas coisas complicadas da vida, concluo que o mais difícil é a aceitação.
Aceitarmos que não podemos modificar comportamentos.
Aceitarmos que nem tudo é moldável à nossa vontade.
Aceitarmos que o passado é estático e não pode ficar diferente, por muito que queiramos que tivesse sido diferente.
Aceitarmos que somos como somos e pararmos de lutar contra nós próprios.
Aceitarmos que os outros são como são e pararmos de lutar contra eles.
Aceitarmos que o mundo, invariavelmente, não quer saber dos nossos passos, nem abranda o ritmo para que consigamos acompanhá-lo.
Aceitarmos que temos de abrandar, a fim de conseguirmos acompanhar o que nos sucede.
Aceitarmos.
Depois de conseguirmos aceitar chega uma doce, quase transcendente, paz e pensamos como é que tudo sempre esteve ao nosso alcance e como é que nunca parámos antes para aceitar o inevitável.

5 comentários:

gralha disse...

Muito, muito difícil aceitar.
Por muitas razões. E porque é um bocadinho abdicar da falsa noção de controlo (quando, na realidade, é tantas vezes a única maneira de o recuperarmos).

Ana C. disse...

gralha, é precisamente essa a ironia. Tu só estás verdadeiramente no controlo da situação, quando aprendes a aceitá-la ;)

Melissinha disse...

O meu problema neste momento é descobrir aquele sweet spot entre o que devo ou não aceitar. A sabedoria de distinguir entre o que posso mudar e o que não consigo. Não há paz dentro desta minha cabeça.

Naná disse...

Ainda me falta aceitar que as circunstâncias são assim, que mudaram e que não há volta a dar, que há pessoas que seguiram o seu caminho...

Há dias que aceito melhor que outros, mas eu sou de "aceitação lenta"!

Merenwen disse...

Diz quem percebe da vida que aprender a aceitar faz parte do processo de ser adulto. Difícil a todos, aceitar é particularmente mais duro aos sonhadores e aos optimistas, que acham que vai sempre haver um jeito. Eu cresci muito depois da minha prova maior de aceitacao até hoje, mas também fiquei mais desencantada e mais desapegada talvez. Gostava mais de poder nao ser adulta nunca!