quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

culpa

Há muito tempo que tento imaginar-me sem ela.
Tenho-a, sinto-a, desde as entranhas até à ponta da língua e não sei exactamente porquê, já que não existem razões racionais para tê-la, mas penso que isto de nos sentirmos responsáveis por tudo, mesmo por aquilo que não depende directamente de nós, é da condição feminina do princípio dos tempos. Só pode ser.
O dia em que aceitar, mas aceitar mesmo, que não posso ser responsável pelo bom funcionamento do mundo em geral e pela vida dos outros em particular, será o dia em que serei um bocadinho mais pessoa e quem sabe até me lembre de como se respira.

3 comentários:

clara disse...

Tenho andado para escrever sobre a culpa e sobre como não nos sentimentos suficientes só por causa das coisas que não controlamos... Mas não o faria tão bem. Só por isso, essa vontade e essa frutação, acho que posso dizer: já somos muito.

gralha disse...

Uma coisa que me ajuda um bocadinho a combater este tipo de hábito é pensar no modelo que quero ser para os meus filhos. Não quero que eles cresçam sentindo-se culpados de tudo e mais um par de botas? Então tenho de arranjar maneira de me dar algum desconto.

Melissinha disse...

Estou tentando trilhar este caminho: o mundo não gira em torno do meu umbigo, as coisas não dependem todas de mim, não sou a força motriz do universo e o meu raio de ação é mínimo, absolutamente mínimo. E só sobre este mínimo posso responder.