quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Tempo para o mais importante

Vi um anúncio de uma escola que está aberta das 7 da manhã às 8.30 da noite e tudo isto com pop ups, qual discoteca anunciando copos à borla.
Havia também o atractivo das noites de sexta feira, em que os putos podiam ficar até às 2 da manhã para os pais poderem sair, como parece que agora é moda fazer-se nas escolas.
Provavelmente não fecha o ano inteiro e, tal como a proposta do governo para fazer as pessoas trabalharem mais horas nos seus locais de trabalho, arrancando-as de outras obrigações relevantes, acompanham assim esta maré de desumanização da família e da vida em sociedade.
Sim, é perfeito para quem trabalha como um cão e não tem avós a quem recorrer para oferecerem ninho aos netos.
Sim, é perfeito para quem acha que depositar os filhos numa escola, deixando-os ao cuidado de terceiros, é o paraíso necessário à sobrevivência diária.
Sim, é perfeito para uma sociedade que se esqueceu de como se criam putos sem a ajuda das escolas.
Sim, é perfeito para uma sociedade que se esqueceu de como era antigamente, quando as férias eram férias e não Atl's, de quando as famílias eram elos e não elementos dispersos.
O governo acha, do alto do seu nazismo capitalista, que mais horas de trabalho correspondem a mais produtividade, qual fábrica, em que é preciso produzir numa linha de montagem, sem grande espírito envolvido.
O governo não flexibiliza, não humaniza, não se preocupa com as famílias e acredita, do alto da sua ideologia totalitária, que os trabalhadores serão mais produtivos com mais horas no couro, com mais espadas em cima da cabeça, com mais medo.
Não nos deixemos nós cair na mesma ideologia. As escolas não podem ser depósitos onde deixamos o que nos cansa, alivando assim um fardo demasiado pesado.
As escolas auxiliam-nos, sim, na educação dos grandes amores das nossas vidas, mas não são mais do que isso, auxiliares. Cabe-nos a nós, pais e, deixem-me sonhar, ao governo deste país cada vez mais merdoso, zelar para que haja tempo, porque o tempo que perdemos longe das coisas que nos são importantes, não se recupera nunca.

25 comentários:

macaca grava-por-cima disse...

:-(

disse...

Ana, concordo com tudo o que dizes e a escola não pode nem deve ser um depósito de crianças. Mas até à data quem mais foi e continua a ser penalizado em carga horária são os trabalhadores do privado, até à data os funcionários públicos têm o privilégio de ter mais tempo para dedicarem aos filhos caso seja essa a sua opção.
Existem poucas ou nenhumas empresas privadas com um horário das 9 às 5.

Para mim uma sociedade ideal seria aquela onde uma mãe poderia ter um emprego em part-time e sair a horas decentes de poder ir buscar os filhos à escola e poder acompanha-los...

disse...

Só um pequeno exemplo:
No privado em que o teu horário de saída é às 18h se o telefone tocar às 18h15 alguém há-de atender. No público em que o teu horário de saída é às 16h se ligares às 16h01 já ninguém atende. O serviço encerrou.

Ana C. disse...

Eu tenho alguém que trabalha na função pública, apesar de não ser funcionário público, e chega todos os dias a casa depois das 19. Nunca soube o que era isso de sair às 16.
Há objectivos a cumprir e o que importa é cumpri-los, saias às 18, ou às 16, trabalhes no local de trabalho, ou no computador em casa.
O teu raciocínio não deveria ser: Se o privado faz mal, o Estado também deve fazer. Devemos pensar que se o privado faz mal, deve deixar de o fazer e o Estado deve dar o exemplo.

Ana C. disse...

Entendo a imagem que tens da repartição pública que encerra as portas às 16 e não há mais nada para ninguém, mas a Função Pública é muito mais do que isso, acredita.

Melissinha disse...

Concordo com tudo, acho tristíssimo uma criança que tenha de passar o dia alienada dos pais e da família. Com tudo, menos com isto:

Havia também o atractivo das noites de sexta feira, em que os putos podiam ficar até às 2 da manhã para os pais poderem sair, como parece que agora é moda fazer-se nas escolas.

ACHO FABULOSO. Que a moda pegue, porque há muita gente que não tem com quem deixar as crianças e não sai num date há anos. Para mim, tempo sem crianças não é só valioso, é necessário, e as babysitters estão pela hora da morte (e têm mais é de estar, porque ficar com putos é trabalhoso mesmo).

Ana C. disse...

Mas duas da manhã, Melissa? Acho uma estica absoluta.

Melissinha disse...

Eu preferia ir buscar de manhã :P

dona da mota disse...

Ahahaahah, Melissa, muito bom!
O meu mais velho outro dia dormiu na Biblioteca, na escola também deve ser fixe!

Fora de brincadeiras, Ana C., este assunto é muuiiitooo sério, demasiado. E nem devia ser uma questão.

Mas vou dizer-te o que também vejo: pais em casa e filhos no complemento de horário que, aqui, só fecha 2 ou 3 semanas/ano e é gratuito...
Mais triste ainda, alguns, se calhar, estão melhor lá...

gralha disse...

Deve ser a nova que abriu agora, que funciona também aos sábados e domingos e manda o jantar já feito para casa.
Abstive-me de fazer um post destes mas tive muita vontade. É-me extremamente difícil não julgar não só os governantes responsáveis mas também os progenitores irresponsáveis que têm filhos como quem tem um canário e depois quase não o vê. Tenho um caso na família e custa-me mesmo muito...

gralha disse...

dona da mota: se calhar estava na hora desses pais começarem a pagar o CAF. Se não há dinheiro para pagar aos professores que são despedidos todos os anos também não devia haver para esse tipo de facilidades cegas às diferentes possibilidades dos pais.

Ana C. disse...

gralha e dona do motociclo, quando comecei a escrever isto era nesse sentido, sim. De escolas como depósitos de fardos. Depois lembrei-me que as escolas seguiam a linha do governo...
Mas, fecunde-se, para quê gerar putos se é para não passar tempo com eles? Para quê? A sério, não entendo. Não é obrigatório ter filhos para uma pessoa se sentir realizada, mas já que os temos, fecunde-se mais uma vez, é bom que tenhamos noção de tudo o que implicam.

A. F. disse...

Grande post, Ana! Disseste todas as verdades. Então no que toca ao governo que temos... Temo por nós e pelas futuras gerações. Que raio de gente é esta, pá?!

Melissinha disse...

Quando estava à procura, vi uma no Cacém que entregava a criança de banho tomado, hahahaha

Mas o meu pensamento imediato não é de repulsa, é mesmo de que deve dar jeito a muita gente que trabalha por turnos, etc etc. É triste que assim seja, mas eu, pelo menos, não deixaria de ter um filho por causa disso. Tentaria mudar tudo para o acomodar, sim, mas no pior das hipóteses faria o tempo juntos contar. Conheço de perto - e morro de pena - dois miúdos pequeninos que não têm outro remédio se não passar o dia na creche, e não são mais infelizes ou menos amados do que os meus. Os pais são extremamente dedicados e concentrados neles (ao contrário de mim, que enquanto estou no parque com o meu, apanho-me mais vezes do que o recomendável a pensar na morte da bezerra).

Enfim, isto para dizer que há mais situações entre o céu e a terra do que vemos à primeira, como disse o bom David Foster Wallace.

(Escrevi assim um montão porque hoje é claramente um daqueles dias que teria pago a uma creche para dar banho, pijama e jantar ao meu).

Melissinha disse...

*Eu disse ali em cima "menos amados do que os meus". Não sei que raio de ato falhado foi esse. Continuo monofilho!

Ana C. disse...

Acho q há pessoas q já n sabem gerir os filhos no seu quotidiano e outras q desejariam ter mais tempo e não podem. Aqui há um mundo inteiro de diferença... Um filho é um empreendimento de vida e os pais têm q dispender algum tempo de qualidade seu. Em qq dos casos,é triste o depósito escolar.

Ana C. disse...

Além do depósito temos uma modalidade mais glamorosa:actividades extra curriculares

M.Luz disse...

Muitos Parabens, vou partilhar!

M.Luz disse...

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M.Luz disse...

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dona da mota disse...

Gralha, aqui a Câmara apoia muito a escola, a maioria das auxiliares são funcionárias da Câmara.

Ana C, um dúvida: Em relação a "actividades extra curriculares", como é ai? Aqui são 2 disciplinas: ed, física, inglês e ed. musical que os meninos da primária têm distribuídas pelo horário entre as 15h30 e 17h30, ou seja, depois de a professora sair. Têm 2 ou 3 vezes por semana, 2 disciplinas por dia.
No geral, todos os pais inscrevem os filhos. Os meus têm, embora por vezes questiono-me se vale a pena, o que eles aprendem de inglês... de música, a ginástica... não sei se vale a pena, se os hei-de tirar, se não. É facto que não são obrigatórias, mas quase todos têm e pensamos sempre que pode ser uma boa base para o futuro, o que com a experiência do ano passado, já não sei se é...

dona da mota disse...

são 3 e não 2 disciplinas...

Naná disse...

Ora bem... por partes... infelizmente há escolas como essa porque há quem precise mesmo, porque tem um sistema de apoio fraquíssimo (no qual eu me incluo, lamentavelmente...) e porque a profissão encerra exigências excessivas e conjugações complicadas do género "mulher-a-dias e guarda-nocturno". Mesmo com este tipo de "oferta" por vezes é complicado gerir e implica uma ginástica e logística tremenda!

Depois, sim, há pais que não têm a realidade que acima descrevo e mesmo assim, os putos gramam o "horário completo"... isso sim é de lamentar, mas eu já deixei de opinar sobre isso... como alguém por aqui disse, é capaz de ser melhor assim, pelo menos para as crianças...

quanto aos funcionários públicos, não se esqueçam que há muitos que o são e que não têm um horário "9 to 5"