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sábado, 17 de julho de 2010

Setembro em Mim

Em Setembro vou ver-te de mochila às costas e acenar-te com um sorriso confiante, enquanto te afastas mais um bocadinho de nós.
Em Setembro vais deixar o que foi o nosso mundo durante 4 anos e entrar num mundo onde já não estarei para te proteger a cada instante.
Em Setembro crescerás mais um bocadinho, tal como cresceste em Fevereiro depois do teu irmão ter nascido.
Sei, agora mais do que nunca, que serás sempre a minha menina e que o meu coração baterá sempre ao compasso do teu.
Estou para sempre presa neste feitiço que me lançaram tu e o teu irmão desde o dia em que nasceram, irremediavelmente entrelaçada, enredada nos vossos passos e se umas vezes é a melhor sensação do mundo, outras é uma espécie de abismo sem fim à beira do qual me sento a baloiçar os pés, esperando que a sensação de perda de mim termine.
Os nossos filhos roubam-nos e devolvem-nos a dobrar, arrancam-nos do nosso mundo, para nos atirarem de novo à vida com um simples abraço. Os nossos filhos são a ténue barreira que se sente quando fechamos os olhos e temos a certeza que tudo faz sentido.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Dias Assim

Hoje tive um dia demasiado estúpido para ser importante. Quis sair de manhã e não consegui, quis sair de tarde e saí demasiado tarde.
Ouvi choramingar o dia inteiro e senti-me a pessoa com menos paciência à face da terra.
Gritei, refilei, barafustei e no começo do silêncio nocturno, quando a casa escureceu de choro e reclamações senti-me estranhamente culpada.
Entrei no quarto dela e enfiei o rosto na curva do seu pescoço, pedindo-lhe desculpa baixinho. Ela já a dormir respondeu entre sonho e realidade:
- Não faz mal mãe, adoro-te.
Depois regressei ao meu quarto e olhei aquela bolinha chorona e risonha a dormir como só as crianças conseguem dormir, envolto em harmonia e passei a mão sobre os seus cabelos desalinhados.
- Desculpa lá bebé, amanhã vai ser melhor.
Um pequeno suspiro disse-me que estava tudo bem, que não há semanas inteiras cheias de dias bons. Uns são melhores do que os outros, até para ele.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Às futuras mães de segundos

Comigo aconteceu e se puder dizer-vos que será normal sentirem-se assim direi.
Quando o António nasceu uma nostalgia tremenda abateu-se sobre mim e sobre o Hugo. Um aperto na garganta constante de cada vez que olhávamos a Alice, uma vontade imensa de abraçá-la a todo o instante, um recordar vívido do nascimento dela e de todas as fases pelas quais passou e nós com ela. Olhar as fotografias de quando ela era bebé levava-me às lágrimas e só desejava poder tê-la nos braços tal e qual tinha agora o António.
Foi muito estranho o primeiro mês, pois carregava a sensação constante que me tinha tirado a ela um bocadinho e sentia-me culpada por isso, tentando desdobrar-me em mil para atender a todos ao mesmo tempo, desejando sempre que ela sentisse exactamente a mesma dose de amor que sempre tinha sentido.
É claro que acabei por entender que era possível conciliar amores, tempos e ajustar ritmos. Ela também entendeu muito melhor do que eu. Mas a sensação "manchou" o primeiro mês com o António em nossa casa.
Eu tinha tudo preparado, tinha todos preparados por mim antes do nascimento, lia em todo o lado que o amor se desdobrava, que era maravilhoso. Mas o maravilhoso demorou a chegar, demorou cerca de um mês.
Hoje olho-os e sinto que não roubo nada a nenhum deles, mas esta serenidade não veio de rompante, como aliás nada vem na minha vida.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Adoro-Vos (no plural)


Ver-te pela primeira vez nos braços do teu pai, sentir-te junto a mim, cheirar-te num reconhecimento mútuo, apertar-te, sentir a tua pele com a ponta dos dedos, beijar-te, matar cada bocadinho da saudade de não te ver durante nove meses. Tudo isso foi suplantado por esta imagem.
Eu sei que deveria render-me a todas as emoções supostas, mas esta foi a maior de todas, suposta, ou não.
Foi minha também, vivia-a em cada segundo, respirei-a, pesei-a com a medida de amor exacta que se sente por dois filhos que se conhecem pela primeira vez.
O vosso encontro foi um dos momentos mais fortes da minha vida. Adoro-vos filhos (e como ainda é estranho falar no plural).