Em Setembro vou ver-te de mochila às costas e acenar-te com um sorriso confiante, enquanto te afastas mais um bocadinho de nós.
Em Setembro vais deixar o que foi o nosso mundo durante 4 anos e entrar num mundo onde já não estarei para te proteger a cada instante.
Em Setembro crescerás mais um bocadinho, tal como cresceste em Fevereiro depois do teu irmão ter nascido.
Sei, agora mais do que nunca, que serás sempre a minha menina e que o meu coração baterá sempre ao compasso do teu.
Estou para sempre presa neste feitiço que me lançaram tu e o teu irmão desde o dia em que nasceram, irremediavelmente entrelaçada, enredada nos vossos passos e se umas vezes é a melhor sensação do mundo, outras é uma espécie de abismo sem fim à beira do qual me sento a baloiçar os pés, esperando que a sensação de perda de mim termine.
Os nossos filhos roubam-nos e devolvem-nos a dobrar, arrancam-nos do nosso mundo, para nos atirarem de novo à vida com um simples abraço. Os nossos filhos são a ténue barreira que se sente quando fechamos os olhos e temos a certeza que tudo faz sentido.
Teleconsulta no SNS às três da manhã
Há 1 semana