quarta-feira, 2 de junho de 2010

Às futuras mães de segundos

Comigo aconteceu e se puder dizer-vos que será normal sentirem-se assim direi.
Quando o António nasceu uma nostalgia tremenda abateu-se sobre mim e sobre o Hugo. Um aperto na garganta constante de cada vez que olhávamos a Alice, uma vontade imensa de abraçá-la a todo o instante, um recordar vívido do nascimento dela e de todas as fases pelas quais passou e nós com ela. Olhar as fotografias de quando ela era bebé levava-me às lágrimas e só desejava poder tê-la nos braços tal e qual tinha agora o António.
Foi muito estranho o primeiro mês, pois carregava a sensação constante que me tinha tirado a ela um bocadinho e sentia-me culpada por isso, tentando desdobrar-me em mil para atender a todos ao mesmo tempo, desejando sempre que ela sentisse exactamente a mesma dose de amor que sempre tinha sentido.
É claro que acabei por entender que era possível conciliar amores, tempos e ajustar ritmos. Ela também entendeu muito melhor do que eu. Mas a sensação "manchou" o primeiro mês com o António em nossa casa.
Eu tinha tudo preparado, tinha todos preparados por mim antes do nascimento, lia em todo o lado que o amor se desdobrava, que era maravilhoso. Mas o maravilhoso demorou a chegar, demorou cerca de um mês.
Hoje olho-os e sinto que não roubo nada a nenhum deles, mas esta serenidade não veio de rompante, como aliás nada vem na minha vida.

17 comentários:

Precis Almana disse...

Eu, como irmã mais velha de outros três, posso dizer-te que não senti que me tivessem roubado coisa alguma. Pelo contrário, deram-me três irmãos. E, não sei se é do meu feitio ou não, mas sinto que há um lugar especial para mim no coração da minha mãe. E quer dizer que há para todos? Acho que sim. Mas também quero acreditar que o meu é mais especial que os outros... ;-)

Miguel disse...

Também se aplica aos pais de segundos?

Melissinha disse...

Entendo tão bem, mulher. Aliás, disse-te isso quando ainda estavas grávida. Antes de ter o meu filho, ter o segundo fazia-me menos confusão.
É engraçado que há uns anos largos, larguíssimos, o meu pai confessou-me que quando a minha mãe engravidou do meu irmão ele estava a morrer de medo de não gostar tanto dele quanto de mim. Ou de deixar de gostar de mim.
É impressionante, tenho o mesmo medo, faz-me a mesmíssima confusão, não sei como vou lidar com isso quando chegar a hora, sendo eu o poço de nostalgia que conheces (se te lembras, quando soube que o Gabriel era menino, tive saudades da Pilar que não existiria, e senti isso durante uns dias. E é porque queria um menino.)

Enfim, coisa de cabeças de escritoras, de certeza. Complicamos tudo.

Melissinha disse...

E sabes... Não conheço, ainda, um primeiro mês que não tenha sido manchado por um motivo ou por outro. É tudo MUITO novo e esquisito e avassalador. São os babyblues/DPP, é o passar para segundo plano, é o não saber repartir atenções, é o corpo a habituar-se à falta de sono, é o cair na real de tantas, tantas maneiras.

Mãe da Tiz disse...

E esse é o meu maior "medo" em ter um 2º...

beijos***

Mãe da Tiz disse...

Concordo com a Melissa... o 1º mês é sempre "manchado" de alguma maneira... ;)

beijos***

Disse disse...

Ana C..... o amor nunca mancha, quanto muito tinge....

Madame Pirulitos disse...

Tudo o que é bom costuma vir de mansinho. E quase nada é exactamente como imaginamos.

E ao terceiro volta a acontecer tudo outra vez:)

Ana C. disse...

Precis é claro que tens razão, mas estas coisas não se explicam, sentem-se e eu senti-me assim durante um mês...
Aposto que a Alice não sentiu nem um cagagésimo do filme que se passava dentro de mim.

Ana C. disse...

Miguel eu também disse que o Hugo cedeu à nostalgia. Nunca o tinha visto assim...

Ana C. disse...

Melissa lembro-me que quando te contei o que me ia na tola foste 100% compreensiva. Eu acho que isto acontece a muita gente, mas a maior parte das pessoas não fala sobre as contradições que sente nestas alturas supostamente maravilhosas...

Ana C. disse...

Mãe da Tiz não tenhas medo, porque a maternidade é feita de fases de adaptação permanentes. Tudo passa e todos se adaptam, acredita ;)

Ana C. disse...

Disse quando amamos muito alguém de mãos dadas com esse amor vem sempre alguma dose de angústia. Pelo menos comigo que sou uma complicadinha do caraças...

Ana C. disse...

Madame Pirulitos nas coisas da maternidade mais vale não imaginar muito, é deixar correr ;)

gralha disse...

Olha, ainda são muitos os dias em que chego à noite a achar que o malabarismo de amores podia ter corrido melhor...

gralha disse...

Já agora, e respondendo à Melissinha: os meus "primeiros meses" correram sempre muito bem. Só me cai tudo ao chão a partir do segundo, deve ser das hormonas.

sonho de bebé disse...

Eu senti isso também, só me apetecia chorar, mas deve ser inevitável passar por essa situação é muita sensação nova, sentimentos, adapatcções... Qd a irmã nasceu, eu achava o meu primeiro gigante, a cabeça, as mãos e sentia-me culpada por isso, lol, fazia-me impressão mudar-lhe a fralda, era estranhissimo, quando à um mês apenas ele era o meu bebé.
Às vezes penso e se tiver um terceiro, como será?
Bjs