terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

MoMA, que se faz tarde

"Nos anos 70, Marina Abramovic viveu uma intensa história de amor com Ulay. Durante 5 anos viveram num furgão realizando todo tipo de performances. Quando sentiram que a relação já não valia aos dois, decidiram percorrer a Grande Muralha da China; cada um começou a caminhar de um lado, para se encontrarem no meio, dar um último grande abraço um no outro, e nunca mais se ver. 23 anos depois, em 2010, quando Marina já era uma artista consagrada, o MoMa de Nova Iorque dedicou uma retrospectiva a sua obra. Nessa retrospectiva, Marina compartilhava um minuto de silêncio com cada estranho que sentasse a sua frente. Ulay chegou sem que ela soubesse... e foi assim." (roubado da Naná).




Um casal normal teria dito qualquer coisa do género:
- Continua a mandar postais, vai com os porcos, vai pastar, vou comprar cigarros e já venho.
Mas este dois foram mais além. Estes dois decidiram que era muito mais porreiro atravessarem a muralha da China e só depois formalizarem a despedida.
Quem é que consegue competir com uma criatividade assim?!
Quantos namoros terminados que se ficaram pelas banalidades de um vai à merda, se sentirão agora humilhados perante tamanha manifestação artística?
E eis que se reencontram. Não na muralha da China, não nos destroços do muro de Berlim, não numa nave espacial. Mas em Nova Iorque, num museu consagrado, numa exposição com uma retrospectiva do trabalho dela (lacrimejo neste instante) sendo que aquela inclui poder passar-se entre duas pessoas completamente nuas (a arte da performance sempre passou ao lado do meu débil entendimento).
Ela sem comer, nem beber (substâncias legais, entenda-se) só a contemplar estranhos em silêncio. Enfim, eu cheguei às minhas muito únicas e óbvias conclusões:
Os ácidos são capazes de coisas grandiosas no espírito humano.





7 comentários:

Ana. disse...

Eu sou mesmo uma grande besta no que diz respeito à arte!...
Acho lindo observar a reação destes dois (aliás, fiquei com vontade de percorrer também a muralha da China), mas que raio de conceito é este de ficar a olhar para uma pessoa sem silêncio?... Eu lá me sentava naquela cadeira, para ela me observar as rugas e as olheiras?!!!
Nááá...

Naná disse...

Ahahahahah... só tu Ana Cê!!!

E realmente aquele momento de passagem exígua entre os dois jarrões humanos é o top! Com tanto sítio por onde deambular pela exposição, não havia mais lado nenhum para passar?! É que esta pergunta está claramente escarrapachada nas trombas do mocinho imberbe...

E com ácidos ou sem... aquela emoção de se ver alguém que reconhecemos, com quem partilhámos experiências e momentos inesquecíveis e de quem nos apartámos pacificamente, consegue comover-me profundamente!

Melissinha disse...

Adoraria ir a essa retrospetiva. Raios partam a pobreza.

Melissinha disse...

(Não, nunca tinha ouvido falar nela, mas gosto do ponto de vista).

Melissinha disse...

quanto ao reencontro... puhleez. Marketing puro. Nada de puros cristais de cloreto de sódio a brotar de dentro dos meus mais profundos saberes e sabores neste momento.

Ana C. disse...

Então a gaja não sabia que ele ia? Devia ser a única, com tanto aparato à volta dele...
Mas ela resistiu à vontade de lhe saltar para a espinha. Limitou-se a deixar brotar cloreto de sódio, pois há que respeitar a performance.

Naná disse...

Oh mulheres de pouca fé no romantismo...