quarta-feira, 5 de março de 2014

pedantismo

Ontem falava com a Melissa sobre pedantismo e como é importante, tantas vezes, o autor, tradutor, jornalista, ou o diabo que o carregue, conseguir desaparecer em prol da história.
Quanto menos se notar dele, mais sublime fica o trabalho.
Mas sei que é complicado despirmos o ego e desaparecermos, em prol do que quer que seja, pois gostamos sempre de enfiar uma qualquer bandeira que diga ao mundo inteiro que fizemos aquilo, que sabemos daqueloutro, que dominamos mais outra coisa qualquer e vamos enfiando pistas, deixando marcas de nós por todo o lado, quais canídeos marcando território.
Nos dias que correm, a "invisibilidade" é tarefa praticamente impossível de levar a cabo, pois a vaidade está sempre ali a querer saltar por todos os lados. Assim, é vinte vezes mais gratificante quando descobrimos apenas a ponta do véu, o latente, o guardado com recato.

8 comentários:

Ana. disse...

Agora que falas nisto, que sistematizas a coisa desta forma, fiquei aqui a achar-me terrivelmente pedante por deixar a minha marca nos livros que faço, não deixando transparecer que é uma tradução, que isso acho que consigo não fazer, mas por optar sempre por determinada palavra que adoro, como por exemplo o chiça para "damn"!
:(

Ana C. disse...

Pois é pouco, eu cá poria chiça penico! :)

Naná disse...

Desde que não esfregues na cara dos demais... não vejo mal por aceitares os louros de um trabalho que foste tu que fizeste.

Melissinha disse...

Chiça é perfeitamente reconhecível, não é nada pedante! No caso das traduções, acho que pedantismo são aquelas escolhas forçadas, pouco nítidas e a querer "melhorar o autor".

No caso dos filmes e livros, é querer sobrepor-se à história. A história tem de ser o principal, e não a linguagem ou a realização. Se querem ser puramente estetas, vão fazer instalações para vender ao Berardo (nada contra e tudo a favor, mas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa).

Ana. disse...

Ai, adoro essa expressão, Mel, Uma coisa é uma coisa, outra cosia é outra coisa! Dava para escrever um tratado!

Ana C. disse...

Pois, a Melissa sabe explicar melhor aquilo que eu própria quis dizer :)
Naná, aceitares os louros de algo que fizeste está muito bem, mas eu falo de outra coisa, é precisamente o quereres sobrepor-te ao trabalho que fazes.
Existem profissões em que, quanto menos te fizeres notar, melhor...

Melissinha disse...

É como o "certas e determinadas", Anamê! :D

dona da mota disse...

É por isso que nunca imaginarão o que faço, ahahahahahaahah
Foi uma piada!
Ele há coisas do caneco. Na segunda houve uma coincidência na minha vida com o que a Mel disse, hoje contigo, ou com ambas as duas. É que tive uma conversa na sexta-feira sobre uma pedante e quando me disseram isso achei piada fazerem essa relação com essa pessoa. É triste o pedantismo, já o pedalismo requer mais esforço!
Este sol baixa em mim todo um sentido de humor p'ró parvo, não é?!!! :)