segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Não é o fim do mundo em cuecas, mas...

Gosto muito da escola da Alice. Tem espaços verdes, fazem piqueniques nos dias de sol, brincam tanto quanto trabalham e é um ambiente luminoso e alegre, que me inspira alegria de cada vez que entro nos seus portões. Muitas vezes saio de lá com vontade de cantar o Sound of Music.
Mas quando fizer 3 anos, o António marchará para a pré-escola e, por muitas voltas que se dê, não é possível manter os dois na mesma escola. Por isso, a Alice seguirá para uma escola pública para fazer a primária.
Que sorte que temos, com uma escola básica a um minuto a pé aqui de casa. Por isso, ontem decidimos ir espreitar a escola.
Demos as mãos e caminhámos os poucos passos que separam a nossa casa desse edifício "idílico".
À medida que nos aproximávamos, esquivando-nos das pedras da calçada soltas e dos cagalhões caninos pelo caminho, uma sensação de tristeza foi invadindo o meu olhar.
Um pré-fabricado, rodeado de cimento, salpicado de mato aqui e ali. Valetas, calhaus e muito poucas condições de segurança. Respirámos fundo e dissemos: Não é assim tão mau. Podemos vir levá-la a pé e isso é do caraças. Ouvimos a campainha do recreio tocar aqui em casa e uma coisa compensa a outra.
Depois fomos ver outra, que fica a 3 minutos de carro. O edifício mais composto, apesar de ter pedaços de parede soltos. Mas o recreio, caraças. O recreio é um pedaço de cimento com degraus de cimento a caírem aos bocados.
Sei que sou comichosa, mas a sensação de desolação ficou.
Pensei nos cortes que este governo encavador fará na educação, no cimento que rodeava o espaço e respirei fundo. Não é o fim do mundo, mas é um mundo mais cinzento, sim senhor. Custa assim tanto rodearem as escolas com um bocadinho de verde? Sempre enganava o olho.

11 comentários:

Maggie disse...

Eu não acho que sejas comichosa, as escolas deveriam ter todas um espaço agradavel á vista.

Maggie

Naná disse...

Tu tens a sensação comichosa que qualquer pai, que goste minimamente dos seus filhos tem!... Se eles vão lá passar mais tempo do que em casa, é bom que o espaço seja agradável e de preferência não parecer uma ruína...

Ana C. disse...

Ó meu Deus, que neura, meninas, que neura.

Melissinha disse...

Sabes que quando passei ao pé aí da escola, só pensei no lado bom, mesmo sem saber que ias pôr a Alice no público: as escolas daí têm turmas pequenas e não há muitos problemas. Lembro-me que na escola das Azenhas havia turmas de 10 alunos, um luxo.

Quando fui dar aulas na primária, mudei completamente a ideia que eu tinha delas: têm montes de actividades extra-curriculares gratuitas, como inglês, natação, dança (a minha sobrinha, na primeira classe, tem até hip hop!). Há PCs nas salas de aulas. As refeições são boas. Fiquei mesmo bem impressionada. E eram escolas em bairros mais chatinhos do que o teu. Faziam montes de festas e os pais envolviam-se imenso. Têm hortinhas, quintinhas, fazem montes de passeios.

Sim, as instalações das escolas mais velhas são uma merda, isso é verdade. Mas vai lá visitar na festa do Natal, ou isso. Se calhar surpreendes-te.

O Gabriel está inscrito numa cooperativa de ensino, sim. Também prefiro que esteja num ambiente não tão vulnerável às esquizofrenias do Governo. Mas digo-te, sem medo de ser feliz, que se não conseguir vaga, ele vai para a primária do bairro.

Mais importante que o ambiente da escola, na minha opinião, é o comprometimento de todas as partes.

E mais diria, mais diria, mas vou tomar um duche.

Ana C. disse...

Melissa, estás enganada. Estava já afixadas as turmas e eram cerca de 30 por turma. Não te esqueças da crise :)
Mas podes continuar a falar, porque me animaste um bocadinho.

Melissinha disse...

Olha, posso dizer-te - e apresentar-te - a minha sobrinha Adriana, que tem um ano a mais que a Alice e está no público desde o ano passdo - já fez a pré no público. É uma escola da margem sul cheia, mas cheeeia de miúdos, mas os resultados e empenho são excelentes na mesma.

Fora isso, há um elemento que valorizo tremendamente: o ter contacto com todo o tipo de miúdos, e não só os da nossa "classe" - que diabo é classe, afinal? Acho tremendamente fixe, por exemplo, na escolinha do Monte Estoril (muito gira) teres 14 nacionalidades misturadas e filhos de padeiros e de advogados na mesma turma. Acho positivo para todo mundo, inclusive para os pais.

E mais diria, e mais diria!

Sandra disse...

Querida Ana: Ontem foi a primeira reunião, na primeira escolinha do meu filho. Amanhã será o seu primeiro dia na pré-escolar. Tem 4 anos e meio e ainda é um dos miudos sortudos que ficou com os avós desde os 4 meses. Não é, no entanto, um miúdo mimado, desconhecido de vizinhos,de muitas outras crianças, brincadeiras na rua ou no parque infantil do bairro.Felizmente moramos num sítio que permite ainda e promove brincadeiras ao ar livre e convívio feliz para filhos de várias idades e respectivos pais. Chegada a hora de dar um passo em frente no seu desenvolvimento, preparando-o também para a novas rotinas que enfrentará na primária, inscrevêmo-lo na escola perto de nós. Não é de todo, das piores que já vi mas falta-lhe o tal "verde", o tal cuidado nos espaços envolventes e não é por falta de terreno. Tem algumas árvores mas rodeadas de muita terra. Faltam as verbas para a manutenção. Depois da reunião fui surpreendida para pior: falta de verbas para pessoal auxiliar. Faltam meios humanos para controlar entradas e saídas de pais e crianças, nas horas de almoço, até ao refeitório, no controlo das suas brincadeiras no recreio. O "verde", as paredes a precisar de pintura, o espaço coberto para a ginástica a precisar de remodelação passaram imediatamente para um plano longínquo. Apesar de todos os cortes e consequentes serviços precários num direito fundametal que é a educação, vi uma força e vontade enorme, um desejo de dedicação imenso a todas as crianças que entraram este ano naquela escola, por parte dos poucos que ficaram. Outro alento foi dado pelos representantes da associação de pais. Serei sócia à velocidade da luz. Por um valor mensal irrisório, há fundo de maneio e vontade de arregaçar mangas, lutar, intervir, mudar o rumo das coisas para melhor, muito melhor. É hora de mudança também para mim, como mãe. Desejo o melhor para os seus filhos, para todas as crianças, e um despertar de consciências rápido de (mais) um governo insensível a uma matéria que deveria ser prioridade neste país: A PASTA DA EDUCAÇÃO!

Melissinha disse...

Palmas para a Sandra :)

Sofia disse...

A melhor escola onde andei era em Chelas, em pavilhões pré-fabricados. Foi a única onde tive de facto a sensação que professores e funcionários se preocupavam connosco e guardo muito boas memórias de lá.
Se servir de consolo.
Bjocas

Ana C. disse...

Sandra, sabes que pensei precisamente o mesmo?
Os pais deviam unir-se com mais força, para, todos juntos, conseguirem mudar alguma coisa.
O mesmo para as associações de moradores e todas as organizações de gente normal, que se une em torno de um objectivo comumm.
Queixamo-nos, queixamo-nos, mas não somos muito pro-activos.
Obrigada e toda a sorte do mundo para esta nova etapa na vossa vida.

Ana C. disse...

Sofia, eu falo, falo, mas a melhor experiência escolar que tive também foi numa escola pública...