sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Rita

Hoje faz 1 ano sobre o lançamento do meu livro e não é no meu livro que penso, é em ti, Rita.
Querias fazer-me uma surpresa, tinhas comprado um bilhete de avião e preparavas-te para aterrar inesperadamente naquele evento, que me trazia nervosa há tanto tempo, por ser esta coisa tímida e sem jeito para eventos de espécie alguma.
A doença trocou-te o destino, programado com tanto carinho e ficaste retida em Paris, mas enviaste a tua irmã e o teu padrasto em tua representação.
Queria dizer-te tudo aquilo que ainda sinto quando me recordo da nossa breve amizade e confirmar-te que não deixo de pensar em ti, só porque vai fazer um ano que morreste. Sei que existe uma certa solenidade, uma quase incapacidade de falarmos nos nossos mortos, com medo de abrir feridas naqueles que te foram mais próximos, mas acho tudo isso uma profunda estupidez, pois as pessoas não morrem só porque morreram e tu, Rita, jamais serás uma ferida aberta, mas uma memória que farei questão de não tapar com sombra alguma.

8 comentários:

gralha disse...

Era a bicicleta dela? :)
Obrigada por a manteres um bocadinho mais próxima com a tua recordação (e já 10 meses, como é possível...?)

Ana C. disse...

Era, tirei do blogue dela...

Naná disse...

Falar de quem já partiu nunca será abrir feridas... pode custar sim, mas acho que se deve falar deles sim, porque isso é recordá-los e de alguma forma mantê-los bem vivos!

Sandra disse...

Um ano? Como voa o tempo...Um beijinho e que as boas memórias nunca se apaguem, de quem nos deixou uma marca assim no coração.

Ana. disse...

Eu tenho uma gola de malha cinzenta que ia enviar para a Rita quando soube que ela vinha para Portugal. Já não fui a tempo.
Nunca a consegui usar, mas há uns dias pu-la ao pescoço e fiquei de coração aconchegado!
...

Melissinha disse...

Ela tava tão empolgada com essa surpresa! Uma merda.
De qualquer forma, o lançamento estava cheio de Rita... na Marina, na Patrícia, em mim, na Ana. É o que me consola.
E parabéns pela efemeride, casaca! Foi um caminho muito giro, o do livro, e adoro ter estado lá desde o comecinho. "P...ta, tive uma ideia: e se um padre recebesse umas cartas... "

Melissinha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Luísa Livros disse...

Concordo contigo! Acho sim que devemos falar das pessoas que nos foram (são) queridas, devemos recordar, só assim as mantemos vivas, pois as pessoas só morrem mesmo quando as arrancamos do nosso coração e se continua lá, temos de falar nelas! Temos de as sentir no nosso dia à dia! ;)