quinta-feira, 25 de março de 2010

Soren Filho ainda te lembro

Talvez devido ao facto de ser a tal adolescente cheia de profundidade neurótica e com tendência para a melancolia voluntária, sempre adorei Filosofia. Ouvir falar dos grandes pensadores, desde o chato Kant ao reaccionário Marx sempre me pôs a cabeça em fogo e o coração aos pulos. Como é que existiam pessoas que dedicavam a sua vida a pensar sobre o devir e questões tão essenciais como "uma pessoa nunca entra duas vezes no mesmo rio", ou "Deus está morto"? Como é que esta malta se lembrava de ser filósofa, de criar pensamento atrás de pensamento como modo de vida?
Vivia assombrada por aquilo tudo e escrevia tiradas desses homens que me ficavam a martelar na tola dias a fio, consumida na genialidade, no devir, na existência de Deus provada por equações de neurónios. Chiça que divino pontapé na cabeça era aquela malta pensante e como eu desejava também lembrar-me de coisas interessantes para provar.
De todos eles o que mais mexia comigo era um tal de Soren Kierkegaard, dinamarquês depressivo e soturno.
Dizia ele que as decisões importantes, aquelas de vida ou morte, do todo, ou do nada eram tomadas no escuro, na mais completa solidão, no abismo da dúvida e que só podiam ser suportadas por uma coisinha chamada fé.
Anos mais tarde, quando já não queria saber de filosofia para nada, nem dos grandes pensadores, haveria de me lembrar disto recorrentemente, vezes e vezes sem conta e ainda hoje acho que esta é uma grande verdade. Que quando temos que decidir sobre alguma coisa importante, por muitas opiniões que busquemos a decisão vem apenas e só de dentro de nós, alicerçada em quase nada...

14 comentários:

Miguel disse...

Tu davas uma excelente cantora gótica, na linha The Cure dos primórdios!! Chiça mulher que andas tomada pela melancolia!!

Melissinha disse...

Feuerbach!

Ana C. disse...

Miguel dizes isso porque nunca me ouviste cantar...
Quanto ao resto é do sono.

Precis Almana disse...

Não sabia que tinhas boa voz, mulher!

Ana C. disse...

Melissa Feuerbach também rules!!!

Ana C. disse...

Precis o que é que te levou a dizer isso? ahahahahaha até quando canto no banho me mandam calar aqui em casa.

Disse disse...

Eu só estou é a imaginar a junção das duas coisas: Tu a cantar a fundamentação da matafísica dos costumes em mi bemol durante o duche.

Ana C. disse...

Disse mas de tantas notas porquê o mi bemol ãh? Esse preciosismo matou-me :) Bem vindo.

Miguel disse...

Melhor que mi bemol só mesmo fá sustenido!

o Cheff disse...

Marx reacionário?????

Precis Almana disse...

Foi o comentário do Miguel, de que davas uma excelente cantora gótica :-) Se o gótica vi que veio do post, já a cantoria só pode ser por te conhecer... ;-)

Ana C. disse...

O Cheff reaccionário vem de reagir, no caso de Marx reagiu contra um regime capitalista ;)

Disse disse...

Há uns milhares de anos, tal como agora, a culpa também era do Sócrates...

Mi bemol porque.... sim.

Melissinha disse...

Eu adorei Feuerbach porque foi a primeira vez que ouvi alguém dizer que Deus não existia. Escandaloso, adorei.