sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Nervoso grandinho

Fiz o curso de Direito, com direito a orais obrigatórias a todas as cadeiras. Ninguém dispensava de ir ao castigo oral, por muito boas que fossem as notas na escrita.
Queria a minha faculdade distinguir-se por formar alunos exemplares (ahahahah). Um aluno de Direito teria que saber articular-se, que saber falar, saber desenrascar-se, sem cábulas nos códigos que lhe valessem.
Vai daí, depois de ter passado por dezenas de orais e de ter perdido alguns anos de vida (quase todos, diga-se de passagem) com o nervoso que sentia, de cada vez que tinha que me submeter a esse castigo, perdi os nervos para quase tudo o resto na minha vida.
O quê? É preciso ir ao dentista? Canja de galinha, comparado com as orais.
O quê? É preciso ir parir? Isso não é nada, perante a recordação de algumas humilhações públicas pelas quais passei nos exames orais.
O quê? É preciso ir arrancar o dedo mindinho? A sério? Piece of Cake. Houve muitas vezes em que dava o meu mindinho para alguém ir fazer o exame oral por mim.
E assim foi. O curso teve o condão de me tirar os nervos para tudo o que veio a seguir na minha vida.
Até ao dia de hoje:
Já é certo que a Alice vai tirar os adenóides e pôr drenos nos ouvidos. Já tem a consulta com a anestesista marcada e eu nunca me senti tão nervosa na minha vida.
Sim, chamem-me piegas, cretina, exagerada, mãe-galinácea. Eu sei que é super simples, blá, blá, blá. A minha cabeça sabe isso tudo. Mas o meu coração pára de segundo a segundo e eu borro-me de cada vez que inspiro e expiro.
Uma coisa sou eu, outra coisa, aliás, outro departamento, são os meus filhos.

12 comentários:

Naná disse...

Ana Cê., eu que nunca fui de nervosismos e não me custa falar em público, ficaria pior ainda que tu, se me encontrasse nessa mesma situação... sei bem o estado de nervos em que fiquei no dia da cirurgia do meu pai e foram 14h longas horas de espera para ficar a saber que provavelmente nunca mais iria ouvi-lo falar comigo ou olhar para mim...

Melissinha disse...

(having children) is to wear your heart out, exposed to the elements.

(Hank Moody, do Californication).

Ana. disse...

esta cena de ter filhos é mesmo fodida...

Supertatas disse...

o meu tb vai fazer isso, i heart you

_ba_ disse...

Bom em Novembro, o meu filho fez a 3ª operação destas: tirou os adenoides e pôs os benditos tubos nos ouvidos.
Posso dizer-lhe que entrei sempre com ele no bloco e só saí quando estava "adormecido" ...e chorei que nem uma "maluca" dessas vezes todas :-(
É uma coisa simples mas bolas é o nosso filho que fica ali deitado.
Depois é uma chatice dizer-lhes que não podem pular nem saltar nem correr por causa das hemorragias uma vez que não lhes doi nada ...e quando acordam da operação então.
Este ano tive direito a xutos e pontapés pois o menino já tinha 5 anos e uns dias e é bem pesado ...depois a chatice é não poder entrar uma única gota de água daqueles ouvidos: eu mando fazer uns tampões à medida dos ouvidos que são óptimos. Piscina adeus ...pois mesmo com tampões basta entrar água no nariz para aquilo chegar a todo o lado.
No meu tempo era a garganta e lá tirei as amigdalas agora não sei que raio têm os miúdos que é tudo operado aos ouvidos e nariz ...até já perguntei se tinha feito alguma coisa na gravidez mas o raio do miudo parece que não ventila as trompas de eustáquio ...agora estes é para durarem mais tempo por isso talvez estejam lá 1 ano ou mais ...mas faço e farei tudo claro para que ele fique melhor :-)

Irina A. disse...

Mulher, essa coisa dos filhos é outro campeonato. Antes acontecer-nos tudo do que eles partirem um dedo.

JS disse...

Eu também tive orais obrigatórias mas nada se compara a ver um filho entrar numa sala de operações... e eu já vi três vezes, caraças!
Olha a Nôno tb fez isso, tb ia colocar os drenos, mas depois na hora o médico optou por um laser e olha, foi rápido e ficou super bem! Pensa positivo!

Melissinha disse...

Adorei ler isto tudo aqui e o meu coração está com todo mundo. O mais perto que cheguei disso foi um "o dr. acha que é cirúrgico", quando levei o pequeno com um ano às urgências com um problema intestinal. Saí de mim. Demorei imenso tempo até conseguir telefonar à avó emprestada para me vir dar apoio.

(Acabou por não ser nada além de uma grande azelhice do chefe de pediatria do hospital).

Por outro lado, acho que estarmos muito nervosas com isso indica a pouca gravidade da coisa. Mães de filhos com doenças verdadeiramente más são um poço de calma e lucidez até a tempestade passar.

Isto tudo para dizer que é tentar fazer a razão se deixar ouvir mais alto e confiar no sorriso da equipa . Vai correr bem e todo o sufoco dos últimos dois anos vai acabar - como já te disse, para mim, é Natal. :)

Força aí, miúda. Tenta gerir o frio na barriga. E qualquer coisa, apita que eu conto anedotas.

gralha disse...

Oh pá, compreendo perfeitamente. Alguém que te dê a mão, que tu também precisas (e não só a mãozita da corajosa Alice).
Fico a torcer para que corra tudo o melhor possível e que voltem à vida normal (mas com muito menos doenças) depressa, depressa.
Beijinhos e um abraço apertado!

Naná disse...

Melissinha, agora deste-me um murro no estômago... realmente nós somos umas borra-botas comparadas com as mães de crianças com doenças realmente más!

jmalho disse...

Como te percebo... duplamente :)
pelas orais obrigatórias em Direito e por ter um filho a ser sujeito a uma cirurgia, por muito mimimi que seja.
O meu foi operado ao ano e meio, nem sabia ao que ia mas eu... vivi desde que nasceu até essa data condicionada por um aperto crescente. Correu bem, eu sei mas que sofri como uma condenada, sofri!
Bjo grande

Silvina disse...

Boa sorte e força ai no controlo do stress. Custa um bocadinho na hora mas pensa que ela depois nem se vai lembrar mais disso... (Digo eu, operada aos 4 anos aos adenoides e não me lembro de nadinha!).
Um beijinho de coragem cirúrgica!*