quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Pilim

Não deixa de ser fascinante, em termos sociológicos, ou  arqueológicos, verificar a relação esquizofrénica que cada um tem com o seu dinheiro. É mais ou menos como a questão da comida, mas mais complexa ainda.
Temos as pessoas que têm pouco, mas que gostam de aparentar ter muito.
Temos as pessoas que têm algum, mas que não conseguem largar o síndrome de não ter cheta e pensam que têm que aparentar não ter nenhum, pois parece mal ter algum.
Temos os ricos forretas, que gostam de passar por pobres, os ricos que padecem de incontinência monetária, passando os dias a estudar e inventar necessidades urgentes onde gastar o seu dinheiro, os ricos que não conseguem decidir se já são ricos, ou se ainda não conseguiram atingir o patamar e vivem na angústia do limbo.
Temos os que pensam que estão sempre a tentar ir-lhes ao bolso e que tornam uma relação saudável virtualmente impossível.
São raras as pessoas que têm uma relação equilibrada com o dinheiro e isto é triste à brava e chato também, pois nunca sabemos bem como falar sobre esse bicho, como abordá-lo, como descomplexá-lo, quando há muito, ou quando há pouco.

15 comentários:

Naná disse...

Eu tenho uma relação de amor-ódio ao dinheiro. Amo-o porque vejo nele a possibilidade de obter coisas que gosto mesmo muito!
Odeio-o porque de vez em quando escasseia e tenho que me esmifrar para o ganhar e andar a contá-lo vezes sem conta porque tenho que pagar contas.
Para esta relação em muito contribuiu a forretice crónica do meu falecido pai, que o juntava todos os tostões que podia para deixar de herança...
No entanto, no que toca a aparências não me perco a tentar mostrar o que não tenho...

Melissinha disse...

Dinheiro e comida.

Naná disse...

Melissinha, tu aparentas ter comida ou é mais uma de esconder o que comes?

Melissinha disse...

escondo o que como :D

ouvirdizer disse...

Qual dinheiro? O meu quando chega ao banco é dividido à velocidade da luz por vários débitos directos e desaparece. Portanto: trabalho, tenho algumas coisas que são pagas com o dinheiro que supostamente recebo desse trabalho, quando essas coisas são pagas trabalho mais um mês para as voltar a pagar.
E é isto, anos e anos a fio.
Isto visto assim é tão, tão triste, e tão real.

gralha disse...

Detesto dinheiro. Retorno à sociedade de troca directa, já!

ouvirdizer disse...

Ó Gralha, mas isso já não é possível. Para mim só seria possível se a minha família se tivesse juntado e com pedras e barro construíamos a minha casa, ou com tábuas. Só que não juntaram... já não é assim. Se fosse assim poderíamos ter uma horta, criar animais e viver do amor ao próximo.
O avô do meu sogro fez isso, eram vários filhos e, entre todos, construiram uma casa para cada um. Isso é que era.

Mariana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
gralha disse...

ouvirdizer, só podes estar a fazer pouco de mim! Num sociedade dessas, serias a mais rica de todas as minhas amigas! Eu não tenho nem um canteiro para plantar salsa, só tenho estórias para a troca.

gralha disse...

Minto: ontem passou por mim um coelho na Gulbenkian. Podia arranjar uma caçadeira.

ouvirdizer disse...

Não estou nada a gozar contigo. Era giro mas já não é real, e também somos só duas irmãs, não sei que casa seria possível fazer...
Depois há outra questão e o que vou dizer é quase parvo, neste tema, mas é real, nós evoluímos e sim, é mais prático comprar uma casa e pagá-la toda a vida. Mas esta evolução acontece por vários motivos. Um dos irmãos do meu avô morreu na construção da própria casa, quando estava para casar. A sério, uma parede mal feita caiu-lhe em cima e não sobreviveu. É horrível, mas acontecia.
A minha conclusão é que a evolução se paga cara, e pronto!

(Agora vou comer uma ameixa, para relaxar da imagem de ti com uma caçadeira em punho atrás de um coelho na Gulbenkian, ahahahah)

Naná disse...

gralha, ahahahahahahahahah, tu de caçadeira na mão?? isso é quase um contrasenso: um pássaro armado de espingarda :P

podemos não voltar a construir casas uns entre os outros, mas há um revivalismo da troca directa, não só com bens como os hortícolas e afins, mas também com serviços: eu limpo a tua casa e tu costuras roupa para mim, ou um faz um babysitting e a outra corta-lhe o cabelo como paga. E por aí fora!

Ana C. disse...

Eu estou com a gralha. Troca directa, plantar e caçar, costurar a própria roupa e cortinados :) Vou virar hamish.

ouvirdizer disse...

De facto há certas coisas que não são possíveis mas andei há tempos com a ideia de falar a uma colega da minha mãe que eu sei que passa mal (o marido não recebe há meses) e propor-lhe que me passe alguma roupa semanalmente e eu dou-lhe um cabaz de comida... Simples, mas não é que tenho vergonha/medo que leve a mal?!... E se calhar não levava, não é?!...

Naná disse...

Ana C. os hamish não têm electricidade e não usam computadores ou telemóveis... :) mas lá está, constroem as suas próprias casas!