sábado, 5 de março de 2011

Abortem-se vocês

Adorei ficar a saber da existência de um subsídio de maternidade atribuído a quem, voluntariamente, decide abortar.
Eu tenho dois putos nascidos e em fase de criação e fiquei sem abono de família, sem uma parcela do ordenado paterno, pago mais pelo pão que lhes meto na boca, não posso deduzir tanto no IRS como podia.
Eu passo recibos verdes, pago o cú e as calças para a Segurança Social para nada, porque não tenho direito a nada, quando chega a hora da verdade.
Mas o governo é querido, fofinho até, e decidiu lembrar-nos que nascer em Portugal é uma merda, vai daí oferece um subsídio a quem decida que não quer trazer ao mundo mais um futuro enrabado. É que isto de fecundar o povo também deve cansar, por isso é bom que se trave o nascimento de mais povo.

32 comentários:

Joanissima disse...

excelente texto!!!!

País de merda, cada vez mais.
o subsidio é de quanto? e atribuido em função de que??

Joanissima disse...

Já fui pesquisar. É o DL 105/2008 de 25 de Junho.

inacreditavel. subsidio social, dizem eles. uau, digo eu.

Melissinha disse...

Desconfiei e fui ler a ver se era mesmo assim.

Caneco, não se entende.

gralha disse...

Estou a pensar fazer um abortinho quando for aí, dava-me jeito uns sapatitos e uma clutch da nova colecção da Zara.

Panda disse...

Lá está...e começar uma bruta petição a impedir isso não?

Naná disse...

Excuse me??????????? Palhaçada!! Eu para ter direito a abono pré-natal foi por uma nesga...
E depois dizem que a população está a envelhecer... não consigo entender porquê?!

Ceres disse...

Juro que não consigo entender o critério... Certas medidas ainda conseguem deixar-me boquiaberta...
Ridículo!!!

I. disse...

E eu acho uma afronta que se socorra os suicidas, com dinheiro dos meus impostos. E se calhar ainda levam com baixa paga, a seguir! Um horror.

(cuidado com este tipo de raciocínios. cuidado. isildaste-te? a lei pode-lhe chamar o que quiser, mas é uma baixa. e teres dois filhos não devia ser mencionado no mesmo post. ter filhos não te dá mais elevação moral nem direito a julgar que faz uma ivg, ou o que tem ou não direito quem faz uma ivg. há coisas que não concordo nesta lei, mas posturas a la isilda pegado, só para quem desligou metade do cérebro, desculpa a franqueza.)

Melissinha disse...

Mas isso é a baixa? Ou é o subsídio mensal pré-natal? Pelo que eu entendi, é o último, e recebe-lo mesmo que estejas a trabalhar. E se for, não entendo, seja interrupção voluntária ou aborto espontâneo.

Mas baixa é baixa.

Melissinha disse...

I., acho que a Ana só falava da atribuição do subsídio, e não da IVG em si. Pelo que entendi, "abortem-se vocês" é a quem atribui o subsídio.

Se for como os outros, com a duração de três meses, também acho uma aberração desnecessária.

Melissinha disse...

3 — Em caso de aborto espontâneo ou de interrupção
voluntária da gravidez o período de concessão varia entre
14 e 30 dias, consoante o período de incapacidade para o
trabalho determinado por prescrição médica.


É uma baixa. Assim, obviamente, é um direito do trabalhador.

Ana C. disse...

I, vais desculpar o meu cérebro meio desligado. Mas aqui não há julgamentos acerca de quem faz uma igv, há sim julgamento acerca da postura de um governo que atribui um subsídio a que chama de "maternidade" a alguém que decide interromper voluntariamente uma gravidez (ainda que seja a 10ª igv levada a cabo pela mesma mulher), subsídio esse isento de impostos e que pode ser gozado até 1 mês e me retira a mim um abono aos putos que ousei parir.
Não é uma baixa.
Chama torpe ao meu raciocínio, mas é assim que penso. Afinal de contas sou uma gaja inflamda, que perde o Norte com certas (tantas injustiças) levadas a cabo por este gov.
E ter dois putos para sustentar dá-me o direito a uma certa indignaçãozita extra sim. Elevação moral jamais, mas indignação sim.

Ana C. disse...

Como é óbvio, o título do post refere-se ao Governo.

Ana C. disse...

E indo um bocadinho mais além neste raciocínio Isildino (quem é a Isilda?):
Se uma mulher faz uma IVG sob ambiente médico controlado e não há complicações, como poderia haver se o fizesse num vão de escada (e esta é uma das grandes vantagens de se ter despenalizado a coisa), pode meter uma baixa de 3 dias e a coisa está feita.
Para que precisa ela de um subsídio de maternidade?
Acaso tem mais despesas, precisa de fraldas e leite?
Colocando-me na posição de alguém que faz um aborto, esta seria a minha postura.

Melissinha disse...

Porque, além de poder haver complicações, pode ter sido fodido psicologicamente, CêMaria.

Isto é como todos os subsídios sociais, vai haver sempre gente a abusar. Não é por isso que devam deixar de existir. Isso sim, seria pagar os justos pelos pecadores.

Ana C. disse...

Melissa, mas o subsídio de maternidade não é uma baixa por depressão. Se meteres uma baixa, tens direito a 65% do teu ordenado, é ligeiramente diferente.
Ninguém fala aqui do direito a uma baixa, aqui fala-se da atribuição de um subsídio social.

Ana C. disse...

Aliás, na lógica dos subsídios:
Quem é despedido pela Entidade patronal tem direito a subsídio de desemprego.
Quem se despede por vontade própria não tem.
Para mim isto é lógico.
Quem quer meter um puto no mundo, com todos os encargos que isso acarreta, é justo que tenha um apoio social.
Quem decide, de livre e espontânea vontade, interromper a gravidez, logo não ter despesa e encargo, não tem.
Não há aqui julgamentos de valor, apenas lógica, pura e simples.

Melissinha disse...

Pá, é baixa. Pode ser regido pelos mesmos termos que os subsídios de maternidade (e aí, entendo-te), mas é determinado por um médico.

Era rever os termos, se calhar. No caso do aborto espontâneo também, porque se não entramos nos juízos de valor (e a condição de encargos é igual).

I. disse...

Ai. Quem tem um filho não está a fazer nenhum favor à sociedade (está a cumprir um imperativo biológico e a satisfazer uma aspiração pessoal). Temos pena, quem tem filhos sustenta-os. Não pode, pensasse nisso. Era o que faltava ser o estado a alimentar e afraldar as crianças. Os incentivos não partem daí (talvez haver uma rede escolar universl e gratuita, que sei eu).
E não, não estão a cumprir uma função social, de aumento da população. Não há falta de crianças, há que cheguem, só que morrem cedinho. Se querem mesmo fazer um favor à sociedade, patrocinem uma criança do 3º mundo, a ver se passa dos 10 anos com saúde e 4ª classe feita.

(e digo-te que o teu post e os comentários estão cheios de juízos de valor, visto que tu, como mãe, te achas mais digna de apoio social que uma abortadeira)

I. disse...

Outra: conheci uma fulana que pensava assim, até votou não no referendo, e benzia-se toda a pensar no assunto. Até ao dia em que ficou prenhe de uma criança deficiente, que então tudo mudou. Para mim é igual, em termos de motivação, não querer ter um filho ou não querer ter um filho deficiente, (só no caso de violação acho que há uma motivação superior) e respeito-as a todas.
Tu também tiveste subsídio quando tiveste os crianços. Não sei que mais queres para além disso. E de escolas grátis desde a infantil, e vacinas ou cuidados de saúde gratuitos. Vales de leite (já têm leites comparticipados, que eu sei), de roupinhas ou fraldas já é abusar, hein?

Melissinha disse...

Resposta, da minha parte: o abono de família que nós, famílias de escalão 4 (salários a partir dos 600 eur) perdemos.

O abono de família não é exclusivo de Portugal, existe em todo o mundo industrializado (sou dum país de "3
º mundo", como se diz, e lá o abono é sagrado há várias gerações).

Perdemos este abono para crianças que existem, de facto. Da minha parte, acho sim, que uma mãe com despesas tem mais direito a um subsídio do que uma mãe sem despesas. E tou para aqui a tentar ver o julgamento nisso e não consigo.

De resto, não me pronuncio sobre a IVG, já que o post nem sequer é sobre isso.

Melissinha disse...

PS - mas ainda acho que é uma baixa.

Melissinha disse...

Mais ps - há duas maneiras de nós, na casa dos trinta, termos uma vaga esperança de termos reforma: importar as tais criancinhas de que falas, que me parece esquisito, ou incentivar a natalidade aqui, sim.

Ter filhos em países com baixa natalidade é muito mais do que um favor à sociedade. É um imperativo. É crucial e urgente. E deve ser incentivado pelos governos.

Ana C. disse...

I. O estado deixa-me ficar 6 meses à espera de uma consulta, por isso eu tenho um seguro de saúde que me permite usufruir de consultas sem ter que morrer antes da consulta.
Aqui o Estado não está sobrecarregado comigo, acredita.
A Alice está numa escola paga por mim. Aqui também não sobrecarrego o estado, por enquanto, pois tenciono pô-la numa escola pública no primeiro ano.
Sou uma contribuinte sem dívidas, nem fugas ao fisco, que paga os seus impostos e espera ver o outro lado da moeda com o mesmo grau de celeridade com que me exige o pagamento das minhas contribuições.
Não tive filhos a contar com o Estado, senão estava bem fodida, aliás, nem os tinha.
Tive filhos em consciência, porque assim o quis. Tal como há quem decida com toda a legitimidade não os ter, pelas suas próprias razões biológicas, ou racionais.
Nem entendo o que é que isto tem a ver com um subsídio estúpido (como tantos outros que existem).

Ana C. disse...

I. E na (tua) lógica de não se chular o estado só porque se quer ter putos por imperativo biológico, não vejo porque é que se há de chular o estado quando se recorre ao aborto como método contraceptivo.

I. disse...

Não falei em chular o estado. Mas se em vez de reclamares por perderes oos 11 ou 20 euros do abono reclamasses por não haver uma rede escolar gratuita, isso é que era de valor. Porque a ti digo o mesmo que disse ao meu irmão e aos meus pais (3 crianças): se têm guita para seguros de saúde, escolas privadas, e faustos natais, querem o abono para quê? É que não percebo.


Melissinha, isso é uma falácia. A minha geração e a tua não vai ter reforma, e não é por falta de crianças, é porque a SS é gerida como um esquema de pirâmide, tal qual Madoff, e vai rebentar não tarda.

Ana C. disse...

I. acredita que quem ganha 610 euros por mês não tem dinheiro para seguro de saúde, nem para dar um peido fora do penico, mas de acordo com o nosso estado, é considerado rico. Quando falo na primeira pessoa, não me refiro só a mim.
Se meteres 43 euros por mês numa conta poupança (como era o meu caso) até aos 18 anos tens 9072 euros poupados. Ajuda na faculdade e dizem que poupar é o que se deve fazer.

Precis Almana disse...

Mas oh Ana C., agora sou eu que te pergunto - à laia de advogada do diabo e para reflectir, atenção, que isto aqui não é para andarmos todos à estalada - a que propósito hei-de eu contribuir com os meus impostos para que tu recebas abonos de família para os teus filhos, e com isso poupes para eles - enquanto eu não consigo poupar, também à conta de não ganhar o suficiente, pagar muitos impostos e não ser aumentada? ;-)
É que a mim, que não tenho filhos, ninguém me dá euros para poupar...

Estás a ver como é possível ver as coisas por prismas que são sempre vantajosos para uns e prejudiciais para outros? Pois.

Ana C. disse...

Precis, se formos a ver a quantidade de coisas pelas quais pagamos, sem nada ver em troca temos um avc. Mas há simplesmente situações que indigam mais do que outras. Cada um tem as suas, esta é a minha mais recente aquisição ;)
E don't worry, porque a minha mama acabou.

gralha disse...

Realmente continua a incomodar-me que a decisão de abortar faça alguém ganhar dinheiro, seja lá como for. Em que é que essa quantia, mesmo que em forma de baixa, ajuda à recuperação do trauma de uma IVG (termo que eu detesto, porque não se está a interromper, está-se a acabar, mas enfim)? A sério, em quê? Já o abono pagava as vacinas não incluídas no plano nacional de vacinação = menos crianças doentes/ a morrer. Mas eu sou mesmo muito fascizóide, está visto.

Dina disse...

É revoltante! É a merd* de país que temos!

Dedinho disse...

aqui é que é:
Lailailailai lailailailai laila lailaila...
QUEM FAZ UM FILHO FÁ-LO (ihihihi) POR GOSTO!