terça-feira, 29 de março de 2011

Para Todos os (bons) Pais

"Porque as coisas, felizmente, estão feitas de uma maneira que chega o dia em que a criança percebe que o pai também tem uma função na sua vida, que é protegê-la. O pai é o guarda armado do seu sono, o defensor da casa e o matador dos monstros e dos perigos. Por isso ela precisa do pai em casa, para a proteger, a si e ao seu mundo.
Mas não é apenas o filho que precisa de sentir que o pai o protege: É o próprio pai que precisa disso, porque o seu instinto assim o reclama. Conheci um pai divorciado, que todos os dias, às 4 da tarde, largava o trabalho e ia espiar a saída do filho da escola. Para não criar problemas com a mãe e não colocar o próprio filho numa situação embaraçosa, nunca se deixava ver. Limitava-se a ficar emboscado à distância, dentro do carro, e seguia-o à distância, enquanto ele caminhava a pé para casa.
E depois voltava para o trabalho, em paz consigo mesmo. Um dia, jurei a mim mesmo, hei-de encontrar este filho já crescido e vou contar-lhe o que ele não sabe, mas que o pai merece que ele saiba."


Acabei de abrir uma pasta muito velhinha, cheia de recortes de jornais, revistas, artigos de vários jornalistas que venerava quando era mais jovem.
Adivinhem lá de quem é este artigo (ainda continuo a venerar a sua escrita).

8 comentários:

Espiral disse...

hum, fofo. Não sei, mas quero saber =)

Arrisco o único nome que me ocorreu . MEC?

Ana C. disse...

Espiral, apesar de também venerar o MEC, é de outro M que falo :)

Kelle disse...

MST?

Ana C. disse...

Kelle :) YES

Paulo Porto disse...

Incrivel o MST escrever algo do género. Ainda me levas a espreitar a sua "obra"...

Ana C. disse...

Paulo, uma coisa que adoro no MST, é a sua grande dualidade. É bruto como as casas, ou sensível de fazer chorar. E este não é dos textos mais sentimentais dele que encontrei. Tenho verdadeiros tesouros ;)
Ele tem várias costelas da mãe.

Ana. disse...

Quando li as crónicas do "Não te deixarei morrer David Crockett", fiquei tão surpreendida por um aparente brutamontes como ele saber escrever assim. Desde essa altura, passei a considerá-lo como uma espécie de homem-cebola, com várias camadas!
;)

Ana.

Dorushka disse...

"Equador" é um dos livros da minha vida. E penso que é um belíssimo exemplo de como uma "besta quadrada" como o MST (pelo menos é o que transparece quando fala...) pode ser capaz da maior doçura e romantismo.