domingo, 6 de março de 2011

Juízos de valor, quem os não tem.

Eu sou uma pessoa pensante e, como tal, emito juízos de valor a todo o instante, ou se não os emito, projecto-os no meu interior. Tenho valores, não sou amoral, é humano que o faça. Portanto, é apenas humano ter uma opinião quanto a determinado assunto, sendo que o aborto é um assunto sobre o qual temos que emitir juízos, é impossível não o fazer, é estranho não o fazer.
Há duas situações muito claras e que, quanto a mim, nada têm que ver:
Partindo do pressuposto que temos duas mulheres com o mesmo grau de escolaridade e informação.
- Uma mulher grávida de 3 meses que planeou, projectou e desejou a gravidez, perdeu o bebé.
- Uma mulher grávida de 3 meses que:
Não ficou grávida porque se rompeu o preservativo, porque a pílula falhou, porque a pílula do dia seguinte não resultou, porque o namorado não se revelou um filho da puta que fugiu para a pqp. Enfim, engravidou porque se esqueceu que podia engravidar quando copulava e decidiu correr o risco e até se esquece uma e outra e outra vez, repetidamente.
Nenhuma das duas deve ser criminalmente penalizada é ponto assente na minha óptica.
Mas que uma delas tenha direito a um subsídio e a outra não, é a minha opinião também, porque (e não me venham com merdas) não é a mesma coisa.
Tal como não é a mesma coisa eu atropelar alguém intencionalmente, ou atropelar alguém que se atirou para a estrada. Não é a mesma coisa eu dar um soco em alguém por legítima defesa, ou dar um soco em alguém porque estava de mal com a vida.
Enfim, a nossa legislação está pejada de valorações que fazem variar a pena a aplicar, ou o grau de culpa, ou incúria com que se praticou um acto.
Porque é que eu não hei de valorar e achar diferente uma mulher que aborta 15 vezes só porque sim (todos os abortos pagos pelo contribuinte, se entender recorrer ao SNS) e uma mulher que aborta espontâneamente?
Há realmente alguém que ache a situação idêntica?
Ah e como nota de rodapé, eu votei Sim à despenalização, mas voto NÃO a que a situação seja premiada com um subsídio.
Porque ninguém é a favor do Aborto (nem mesmo os que votaram sim, como eu). Mas há de facto pessoas que o encaram com uma ligeireza que me angústia.
E, apesar de não ser subsídio-dependente, pode chocar-me terem cortado os abonos de família aos milionários com mais de 600 euros por mês e não terem abortado o TGV, ou atribuírem subsídios de maternidade a quem aborta por livre e espontânea vontade, equiparando-os aos abortos espontâneos, ou a quem tenha tido efectivamente um puto com todas as despesas inerentes.
Se olharmos para a Suécia (país com uma elevada taxa de Natalidade), onde o apoio do estado a quem tenha putos é total, vemos que o desenvolvimento de um país, se mede também pela forma como se encara e se incentiva a maternidade.
E é este o meu juízo e o meu valor sim e nem percebo do que tenho que me envergonhar.

37 comentários:

Maggie disse...

envergonhar do quê?
Pensas bem, alguém disse o contrário? pensas o moralmente correcto e eticamente certo.

Tudo de bom
Maggie

Luisa disse...

Vergonha de ter uma opinião? Penso exactamente como tu sem tirar nem pôr e também votei Sim à despenalização.

Precis Almana disse...

Eu só acho é que quem abortar 15 vezes não é alguém que jogue com o baralho todo ou que tenha informação. É que abortar - nunca o fiz, mas imagino como seja - não é algo que se faça de ânimo leve nem que não tem consequências.

I. disse...

umas perguntas:
- conheces alguém que tenha feito 15 abortos? eu não.
- conheces alguém que tenha feito um aborto com ligeireza? eu não.
- por fim, que é que decidem quem tem direito à baixa paga, subsídio, whatever? quem é que, se a lei não distingue situações ou razões para abortar, vai perguntar à pessoa qual foi a razão, para saber se há direito à bagalhoça, e com que direito o faz?

Ana C. disse...

Meninas em que mundo idílico vivem vocês?
Se mulheres há que não encaram o aborto de ânimo leve quando a ele recorrem, outras há que o encaram como pílula do dia seguinte sim.
Não falo à toa, acreditem que sei do que falo.
Referi 15 apenas para frisar bem o absurdo que é não fazer juízos de valor, há sempre lugar a eles consoante a situação.
Conheço quem tenha feito 4 abortos, conheço quem tenha feito 8. Chega?
E de ser acompanhante em algumas situações pude observar raparigas que trocavam graças e risadas na sala de espera. E aqui ainda não tinha sido despenalizado (e ainda não saía do meu bolso a 4ª, ou 8ª interrupção).
Em teoria não há limite para o número de IVG que uma pessoa pode fazer a expensas do contribuinte.

Ana C. disse...

Já para não falar no "mais do que justo subsídio" inerente.

Ana C. disse...

Este post apenas tinha que ver com os terríveis e proibidos juízos de valor que pessoa cerebralmente superior não faz.
Quanto ao subsídio não retiro nem uma linha do post anterior. IVG não deve ter direito a subsídio de maternidade. E não sou eu do topo da minha sacrossanta maternidade que o digo, até porque eu já pensava e era cidadã activa antes de ser mãe. Se tivesse que recorrer a um aborto jamais me passaria pela cabeça recorrer a esse subsídio, got it?

Precis Almana disse...

Não serão, Ana, de todo, regra.

Eu também vivo no mundo que troca mails a dizer que no sítio x e y está o radar para identificar excessos de velocidade ou o local onde está a polícia a medir o grau de alcoolémia, para que desses locais se fuja. Eu pago internamentos dos acidentes de viação, prevenções rodoviárias, etc., e posso de repente achar que acho mal não ser premiada por não conduzir sob o efeito de álcool quando há tantos que o fazem.

O mesmo é dizer que agora quem é operado a pulmões ou faz quimioterapia porque tem cancro não devia receber baixas porque fumou porque quis (eu incluída). E devia ser penalizado por isso.

Etc.

Ana, os "pecadores" e a excepção não são a regra. E haverá sempre quem encontre em qualquer subsídio, quem se aproveita.

Não posso falar mais porque não conheço pormenores, li apenas os posts e os comentários. Só sei que as políticas sociais são sempre controversas...até ao dia em que precisamos, por alguma razão, de usufruir delas (por exemplo), ou que alguém próximo usufrua.

I. disse...

É baixa, se fizesses uma ivg, não tens direito?

E não respondes à questão mais importante, como se decide quem leva o sub. ou não? Partindo do princípio que a lei é geral e abstracta, considerando o sigilo médico envolvido, como se decide quem tem e quem não tem?

(eu tenho uma resposta bem boa, mas como não sou legisladora, não tenho cartão de partido e não me pagam para isso nunca me perguntaram)

Outra: as pessoas fazem ivg pagas pelo estado, mas não há consultas de planeamento familiar para todos, nem comparticipação ao implante subcutãneo ou sequer à pilula.

E deixa lá as ironias. Desculpa lá, mas se tens o direito a todos os juízos de valor que quiseres, também tens de aturar as críticas dos outros aos mesmos. Que mau encaixe, pá. Para a próxima, não faças o juízo na mesma frase/parágrafo em que dizes que és mãe, que fazes mais que os outros e que por isso mereces mais. Eu também tenho direito a fazer um juízo de valor sobre isto, não?

E se um dia fizer uma ivg, quero a minha baixa, sim senhora.

Ana C. disse...

I. cum caralhinho, o meu encaixe é grande e pensa o que quiseres à tua vontade, mas não me distroças que isso é que me lixa. Uma pessoa que tem filhos não é moralmente superior porra nenhuma, nem acha as outras todas abortadeiras, como referiste em tom irónico, mas tem mais despesas sim ponto. Era de facto a única coisa em questão.
É claro que tem direito a baixa e, como já disse, não se pesquisa nada, porque não tem direito a subsídio, apenas a baixa normal. E agora já enjoei, porque sinto que falo para las paredes.

Ana C. disse...

Sim quanto ao resto que falas das consultas de planeamento e afins, claro que sim. É por aí a chave da coisa.

Ana C. disse...

Precis que paralelo encontras no caso de um fumador que é operado e faz tratamentos a uma pessoa que decide abortar e tem um subsídio de maternidade?
Quando um fumador puxa de um cigarro não sabe com toda a certeza que vai contrair cancro, pensa sempre que não lhe vai acontecer.
Uma pessoa que vai fazer um aborto, sabe com toda a certeza que não quer levar adiante a gravidez, certo?
Repara que eu não me refiro ao aborto em si que, tal como a tua operação, é feito no SNS, livre de encargos. Refiro-me apenas ao subsídio. Um subsídio de maternidade que pode ir até 1 mês não é uma baixa por motivos de saúde.
Aliás, o Hugo teve aquela cena no coração e foi baixa normal por duas semanas a receber 65% do ordenado.

Precis Almana disse...

Continuei no exemplo que havias dado da mulher que utilizava o aborto como método contraceptivo: quando "prevaricava" também sabia que podia engravidar.

Quanto a essa questão, ao que li agora por alto, não foi inventada agora, é da lei de 2008. Descansa que não tardará a ser algo modificada ou a porem-se algumas limitações - se é que já não existem, eu não li e não gosto de falar do que não sei bem.
E lembrei-me entretanto de casos de interrupção "voluntária" de gravidez aos 5 meses quando o bebé morre e tem de ser abortado. E julgo que seria intenção do legislador contemplar casos assim... Mas não gosto de falar de cor, não sei em que situações se aplica nem se é 100% e etc, etc., etc.

Ginguba disse...

Ana, tu podes emitir juízos de valor sim! Claro que podes! Quem não os faz? Mas em relação a estes dois posts, naquilo que eu acho que estás errada é em considerar uma baixa um subsídio. Quando tu tens um filho ficas em casa, pagam-te o ordenado-licença de maternidade e atribuem-te o abono de família-aquele que agora te foi retirado e a mim também. Na ivg ou na img naõ te atribuem nenhum abono ou subsisidio extra ordenado. Após a intervenção tens direito a pelo menos 15 dias de baixa com o ordenado e essa baixa pode ir até um mês sob opinião do médico. Há mulheres que abusam? Haverá! Não são certamente a regra!

gralha disse...

E ainda bem que ainda há quem não tenha medo de emitir as suas opiniões.
E, Precis, sim, há muito quem tome essa decisão de ânimo leve. Há que dizer as verdades.

gralha disse...

Sou só eu que tenho a pílula de graça no centro de saúde de Lisboa? Mesmo vivendo nos EUA? Sim, todas vocês estão a pagar o meu planeamento familiar. Desde já, o meu obrigada.

I. disse...

Não distorci nada, simplesmente manifestas-te contra este subsídio e fazes a comparação com o facto de tu não teres o abono.Fazes o mesmo raciocínio daqueles grupos pró vida, e das associações pela família. É só. É um discurso maniqueísta, que assenta no facto de uns estarem moralmente certos, e os outros não. Se não consegues ver isso, sorry. Eu não consigo julgar os outros tão facilmente.

A questão das despesas é irrelevante: este subsídio compensa a incapacidade temporária para o trabalho, não dá um acréscimo de rendimento, como o abono.

E faço este desafio a qualquer pessoa que tenha perdido o abono: somem o total anual de abono de família que recebiam. Depois, o quanto gastaram com cada filho, em prendas de Natal. Tirem as vossas conclusões: o abono, no vosso caso, é uma ajuda efectiva ou uma esmolinha?. Há quem precise mais, mesmo e muito, os benefício sociais servem para atenuar assimetrias, não para fazer figura. O abono, na maioria dos casos que conheço, é só mesmo para fazer figura.

E não chateio mais (que se tens capacidade de encaixe, desculpa lá mas não se nota: caralhinhos para aqui e estou a falar para paredes para ali não é mostrar capacidade de encaixe ou para debater assuntos.)

Joanissima disse...

Toda a gente faz juizos de valor por uma razao ou por outra. Isso chama-se ter opinião e não me parece NADA de errado.

A forma como te têm dito aqui as coisas, Cê, é, de per sim, um grande juizo de valor sobre a tua pessoa (que nem conhecem).
Uma coisa é exprimir uma opinião outra, bem diferente, é roçar a agressividade em se defender uma opinião que é, claramente, um juizo de valor.

toda a gente faz juizos de valor, nao me lixem. esta hipocrisia é que me lixa.
e fazer juizos de valornão é necessariamente mau.

(e para mim não é uma baixa, Mel, é estupidez)

Pekala disse...

Alô?eu tenho planeamento familiar grátis e pílula GRÁTIS no meu centro de saúde.Só não vai buscar quem não quer.
Mais?ganho 500 euros,sou solteira e tiraram-me 6 euros ao abono de família portanto recebo agora cerca de 26 euros.
O valor da prenda que dei ao meu filho no Natal foi de 19 euros.
Chega?
e vou informando que este é um comment absolutamente irracional,baixo-nível e talvez até um bocado parvo portanto aproveito desde já pra mandar à merda quem acha que não se pode fazer juízos de valor.Quem quer fá-los,quem não quer não fá-los,get it?

I. disse...

Pékala, agradeço que me informe qual a carreira para ir à merda, e a que horas e de onde parte. Agradecida. Ressalvei as situações de quem precisa, parece que é o seu caso. Refile, então, requeira e mexa-se. Mas não é tirando dos outros para lhe dar a si.

Joaníssima: cada um tem direito à sua opinião, mas há comparações que são desnecessárias, por terem na sua génese uma depreciação do que é comparado. Espero que nunca tenhas de fazer uma ivg, então, e se fui agressiva, então caralhinhos.
Ainda aqui há tempos se falava neste blog de capacidade de encaixe, mas isso também só se aplica ao que interessa? E repito: gostava muito que os meus impostos fossem gastos num parque escolar decente, universal, gratuito, desde a mais tenra infância; saúde grátis e tudo o mais. Abono? Não. Se queres saber, desde sempre pensei assim, e sempre me envergonhou os 2.500$00 que os meus pais recebiam por cada um de nós. Parecia-me mal, porque na verdade nós não precisávamos.

Irina A. disse...

I., você é sempre assim uma mulher amarga, ou hoje está num dia menos bom?

Tem filhos? Não me parece que tenha.

Já fez uma IVG? Parece-me que sim!

Recebeu o subsídio? Também me parece que sim.

Pois eu também sou de opinar, e portanto agora vou opinar.
Eu acho que todas as grandes mulheres que fazem abortos só porque sim, deviam era pagar ao estado por estarem durante x minutos a ocupar um médico que podia muito bem estar a gastar esse tempo a salvar a vida de alguém.
Gajas que não sabem pinar e que fazem abortos só porque sim, deviam ter as trompas laqueadas porque estão a gastar dinheiro desnecessário ao estado. (É que, para quem não sabe, um aborto custa dinheiro).

Gajas que fazem abortos só porque sim e que recebem subsídio, deviam ser presas.


I., você que já provou aqui ser uma mulher às direitas, por isso, agarrava em si, entrava na Segurança Social e dizia: Ó faxavor, eu venho aqui devolver os 12ériosemeio que os meus pais receberam de mim até eu ter 18 anos, porque hoje já sou uma mulher e passo os dias sem conseguir dormir com tanta vergonha. Aposto que algures em Portugal estariam 25 ciganos agradecidos perante tanta generosidade.

Pois eu tenho imensa pena de terem acabado com os abonos, já tinha um shopping agendado com umas amigas e puff!, lá foram os planos por água abaixo :/

Atenção: Este meu comentário só deve ser lido por pessoas com forte poder de encaixe.

I. disse...

Ai Irina, tantos juízos de valor, e com tão pouco conhecimento de causa! Não me conhece de lado nenhum e aposta que já fiz uma ivg e recebi o subsídio. Ainda bem que não aposta a dinheiro: perdia. Nunca fiz uma ivg (nunca engravidei, já agora). E só conheço 3 pessoas que a fizeram, duas delas ilegalmente, que na altura era a única forma. Nenhuma de ânimo leve, e todas elas sofreram horrores com a decisão e o procedimento.

Quanto ao ter filhos ou não, não sabia que era pré-requisito para se opinar sobre o assunto. Mas já ouvi esse argumento muitas vezes, o de "não tens filhos não sabes"... ao meljor espírito sopeirinha ou mãe de Bragança. Espero que a Irina seja a excepção, não a conheço, não sei.

Quanto ao resto, esteja descansada que já devolvi tudo o que os meus pais receberam, e até mais. Não só nos impostos que pago, que são bem consideráveis, mas também retribuindo aos outros, partilhando a sorte que tenho de ter estabilidade e uma vida desafogada. Como? Não me costumo gabar disso, mas cá vai, pode ser que a Irina tire daqui umas ideias:
- donativo mensal à Unicef, destinado à educação de crianças em países onde o acesso à mesma não é universal e gratuito;
- donativo mensal à Amnistia Internacional;
- associada da AMI;
- compras de produtos Unicef, todos os natais;
- donativos esporádicos a outras associações de apoio à criança ou animais;
- contas poupança para os meus sobrinhos;
- participação em todas as campanhas do Banco Alimentar.
É pouco, eu sei. É o que posso.

Mais uma vez deixo aqui o desafio, ao qual ainda nenhuma das mães que me responde tão indignada soube ou quis responder: como se faz a distinção entre quem merece ou não merece o subsídio? Como se distingue quem aborta por boas ou más razões? Mandar tomatada é fácil, sugerir alterações viáveis à lei é que está quieto. Ou põem tudo no mesmo saco?

Espero que lhe tenha demonstrado a capacidade de encaixe que a Irina não soube ter. Veja lá, até perdi tempo a responder a alguém que começa por me agraciar com amáveis palavras, qualificando-me como amarga, e até acusando-me de ter abortado. Mas como me acho hoje imbuída de amor fraterno e universal, achei por bem esclarecê-la: não, não sou uma abortadeira nojenta. C'orror, deus nos livre dessas vacarronas que gostam de sexo e depois não querem parir.
Beijinho, querida.

Ana. disse...

Ó I, desculpe lá, mas a menina não tem mais que fazer à vida, senão andar a impor as suas justíssimas e absolutíssimas opiniões às outras pessoas? Ainda por cima numa "casa" que não é sua?

Quer uma resposta à sua questão sobre quem merece subsídio por fazer uma ivg?
Ninguém.
Ninguém merece uma ponta d'um corno por não QUERER ter um filho.

Se é uma escolha, uma opção pessoal, um direito individual da mulher, coisa por que tanto se lutou durante a campanha para a despenalização do aborto, então que cada mulher assuma os seus actos, sem precisar de rebuçados pagos por mim.

E sim, esta é a minha opinião, o meu juízo de valor, até lhe pode chamar preconceito, chame-lhe o que quiser, mas neste mundo virtual, onde se dizem as maiores barbaridades, as opiniões contrárias à sua também têm lugar.

E desista lá de chagar a paciência à autora deste blogue, que foi para lá de bem educada consigo. Se tivesse vindo com esta conversa no meu blogue já a tinha mandado à merda no segundo comentário.

Ana.

Ana. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana Alvarez disse...

Não consigo perceber como pode ser tão difícil discriminar o acto médico, pois infelizmente eu já sofri um aborto espontâneo, o qual teve de ter intervenção médica. Se nós até fazemos parte do país do Simplex penso que no papel que vai para a segurança social só tem de ser preenchido como baixa e não como subsídio, é uma questão de cruz.
Quem vai porque quer, no meu entender, quanto muito fica incapacitado, agora situações de más formações do feto e outras que aí sim são traumatizantes, devem ser entrar no subsídio de maternidade.
Minhas caras, eu conheço a Ana C. desde os meus 11 anos, conheço a minha amiga de sempre e entendo a sua indignação, pois eu também sou mãe, cada vez mais nos tiram no dia-a-dia em impostos e não percebemos bem para quê?
Cortaram-me no abono, no ordenado, sobem no IRS e quando estamos doentes ou os nossos, contamos com o quê? No meu caso vá de seguro de saúde para a malta toda cá de casa. Baixa = 65% do ordenado, é normal não andarmos todos muito contentes,
se querem falar sobre dar a quem precisa podemos falar de ciganos, rendimentos mínimos e de inserção social pois eu posso dar casos concretos para que servem. Por isso não digam que estamos a tirar a quem tem muito e dar a quem tem pouco.
A base de uma sociedade é a educação e a saúde, nós não temos nem educação nem saúde e aos poucos estamos a acabar com a classe média que é roda mestre de todas as economias.
Beijocas Ana.
Ana Alvarez

I. disse...

Ana querida, o facto de manifestar uma opinião que aqui é minoritária não quer dizer que a queira impor, tal como não acuso ninguém de me querer impor as suas opiniões, por muito diferentes que sejam das minhas. Só peço argumentos, e não insultos, mas parece que a querida Ana também não o consegue, visto que prefere atacar a pessoa e não os seus argumentos. Se estou a chagar a dona do blog, ela que o diga, não é incapaz e não precisa de procurador. Ou então fecha os comentários, ou apaga os meus.

Quem não tem capacidade para debater de forma civilizada pois que mande à merda. Eu não mandei ninguém a tal parte, mas já é a segunda comentadora que me manda a mim. Já viu, eu, a má, a destituída de razão, não insultei ninguém; e pessoas tão correctas e cheias de razão mandam-me? Que coisa! Não entendo.

Melissinha disse...

I., se leres tudo sem tanta fleuma, vais ver que a Ana C. só se defende de ti desde o começo. Não te atacou uma única vez.

Estou francamente decepcionada. Tens um bom ponto de vista, que, para mim, se perdeu na agressividade que só tu pareces não enxergar.

CLARO que ias acabar sendo atacada. Por estranho que pareça, e a mim parece-me realmente estranho, nunca pela autora do blog.

Não volto mais a este tópico distorcido, mal entendido, cheio de iscos para morderem.

I. disse...

Melissinha, tens todo o direito a te desapontares, embora ache exagerado que te desapontes com alguém que nem conheces. Não merece a pena. Não ataquei a Anacê, apenas o seu ponto de vista. Também não a acusei de me atacar, apenas de ter pouco poder de encaixe para uma opinião diferente. E dizer-me que está a falar para as paredes é o mesmo, na minha terra, que dizer que está a falar com gente burra, sem capacidade de entendimento.
Ser atacado nos pontos de vista é uma coisa, ser atacado pessoalmente é outra. A primeira é válida em qq discussão, a segunda é apenas lamentável. Para a primeira estou sempre preparada, e tb a uso; para a segunda defendo-me, não me belisca por aí além, mas fico chocada com a falta de discernimento de quem o faz. Se não distingues isso, também não vou alongar mais. Mas aqui mandaram-me à merda, acusaram-me de ter abortado para a seguir dizerem do pior de quem aborta. Fui insultada a nível pesssoal, e até agora ainda não apresentaram um único argumento contra o que defendo. Só crenças pessoais, juízos de valor não fundamentados.

Bom, resumindo, que isto já parece uma cena triste de recreio de primária, com as amiguinhas a defenderem a dona do elástico ou da corda, não levo desaforo para casa. Não gosto do tom de discussão de ódio que isto levou (até ciganos metem ao assunto, nem percebi a que propósito, num discurso xenófobo inenarrável). Ainda assim teto manter o nível.
É natural que tenhas as tuas lealdades, e que tenhas que as demonstrar, mas a forma como o fazes desaponta-me (nota: tu não me desapontas que não te conheço nem me deves nada, é o discurso que me desaponta).

A todas, só desejo que não suceda o que aconteceu a uma amiga minha, que chamava criminosas e pior a quem abortava, e que um dia descobrio que o seu amado e esperado filho tinha trissomia 21. Abortou. Ninguém, das que defendiam o aborto livre, a julgou. Engoliu tudo o que disse, e bem engolido, sem copo de água. Espero que nenhuma de vocês um dia se veja em semelhante dilema, ou que uma das vossas filhas também lá se encontre. Paz e amor.

Irina A. disse...

I., você afinal é uma pessoa do bem. Eu vou deixar aqui o meu NIB para ver se me dá uma ajudinha também. Tenho uma filha que come horrores e derivado de comer horrores caga pró mundo, é uma gastaria de dinheiro em leite e fraldas, assim uma ajudinha sua era óptimo. Você retira uns tostões a essa gente toda e dá-me uns érios a mim, hum? que tal?

E digo-lhe mais, você e essas suas 3 amigas deviam ser presas! A culpa de vocês andarem por ai é do Sócrates!

E mais, tenho a informar que sou uma mãe de Bragança e você ofendeu-me.

Precis Almana disse...

Melissinha
Desconheço se a I. vê a agressividade, mas eu não a sinto agressiva. Acho que expõe as ideias como no blogue e nos comentários que, em geral, leio dela (e que em assuntos assim menos corriqueiros, como é o caso, tendo a considerar inteligentes bem fundamentados). Não precisa de defensora e não é essa a minha intenção, claro, só queria juntar-me ao conjunto das "cegas" a respeito da agressividade que vocês leram.
Mas o que depois li foram insultos ... (a ela). E não me parece que houvesse qualquer necessidade, discutiam-se ideias e não questões pessoais. O que só prova que se as discussões orais de ideias não são fáceis, por escrito ainda menos...

Aminha singela opinião está dada nos comentários que fiz e em relação unicamente ao que conheço, o que é quase nada (como parece ser o caso da maioria aqui). E era sobre isto que deveria ter sido esta troca de ideias (principalmente sem os insultos).

Precis Almana disse...

E também não pretendo voltar a este tópico...

Ana C. disse...

Comparar-me a uma tal de Isilda Pegado, que parece que é uma espécie de beata anti sexo, anti-preservativo, anti-tudo, dizer que a minha opinião é de quem tem o cérebro a meio gás, afirmar que me arrogo de moralidade superior porque sou mãe e acho as outras todas abortadeiras, afirmares que o meu discurso assenta em padrões de censura moral em relação aos demais, num tom completamente arrogante, gelado até, como se não nos conhecessemos já destas andanças, não é de facto ofensa, de acordo com os teus padrões. Ofensa para ti é começar uma frase c'um caralhinho e dizer que falo para as paredes.
Agora acabou a troca de argumentos inteligentíssimos, porque o que se escreveu para aqui, dava para uma série de advogados, mas de tribunal americano, e isto é só um blogue modesto, sem pretensões a lei.
Aceito quem ache o subsídio justo, não aceito que me acusem do que não sou. Porque quanto a uma coisa tens toda a razão, aqui na blogosfera, ninguém conhece ninguém de verdade.

I. disse...

Para final de conversa, os argumentos que tu usaste são igualinhos aos da Isilda Pegado, até parecem decalcados. Se ela é uma beata anti sexo, desconheço, não conheço a vida privada da senhora nem avilto sobre a mesma. E sim arrogaste-te superioridade moral pela forma como falaste, levianamente, das mulheres que fazem uma ivg, comparando-as contigo, mãe de dois que contrubui para povoar o mundo. Não te achava capaz deste tipo de raciocínio, nem do tipo de argumentos de ódio que usaste (15 abortos? a sério? tenho bem mais dez anos que tu, conheço só 3 casos que, segundo a amiga Irina, deviam estar na cadeia, comigo a fazer companhia. e ela nem sabe as circunstâncias em que ocorreram, por aqui corre célere a superioridade moral!)
O teu raciocínio é igual ao defensores da família radicais de direita, sem tirar nem pôr. Assume, ao menos ficava-te bem. Como também te ficava bem assumires que nos comentários ao 1º post sobre este assunto disseste que não estavas a fazer juízos de valor, para neste vires defender que os fazem sim senhora e tens todo o direito. Contradizes-te e nem dás conta. E se achas que eu fui gelada, atenta lá no teu palavreado, de uma desconsideração total para com quem não é como tu. Deus queira (o teu deus, em quem sei que acreditas e eu não) que nunca sejas julgada como julgas. Acho de uma arrogância suprema vir falar dos outros como falaste aqui. Roça a maldade, é atroz, é mesquinho. Não to queria dizer tão in the face, mas a tua pose de ofensa de agora leva-me a isto. Pára e pensa. Pára e pensa. Que horror, que desumanidade para com os teus semelhantes, foge!
Estou sinceramente horrorizada com o que aqui li, de ti, desta Irina (cruzes, é mãe, é?), e da tal Ana. E muitas outras. Talvez a idade te traga um pouco mais de tolerãncia com os outros e um pouco mais de humanidade, é só o que te desejo, que agora te vejo como uma gaiata caprichosa e tola, que nem as lições que, julgava, tão contrariada, como eu recebeste numa escola de leis e justiça, te fazem ver o mundo e os outros com um pouco mais de abertura, calma e, principalmente, amor.

E esta Irina, que é do mais ordinário que há, basta atentar no último comentário que me fez, não é da tua entourage, Ana? Plize. Não é uma outra que também está noutro sítio? Hum? pega lá as amigas e fica com o recreio para ti. Não ando aqui para fazer amiguinhos e agradar, principalmente se para isso tiver que amputar a minha dignidade.

E agora sim, com muita jactância e malcriadamente, Irina, lave a boquinha com sabão antes de se me dirigir. As pessoas como a menina, tenham ou não dinheiro, venham de onde vierem, são aquilo que chamo gente das barracas. Que se pode tirar uma pessoa da valeta, mas não se tira a valeta da pessoa. E a menina tresanda a esgoto.

Ana C. disse...

Sim I., tudo bem, vá agora já chega.

Irina A. disse...

AHAHAHAHAHA Você é uma anedota AHAHAHAHAHA A esgoto tresanda você sua recalcada. Você é uma mulherzinha amargurada pela vida. Veja se entende que o mundo não conspira contra si, você é que é um ser raro que não se enquadra dentro da normalidade.

Deixe de ser recalcada, trate de arranjar um filho para ver se essa sua vidinha pobrezinha ganha alguma cor. Um filho ocupa o nosso tempo, sabia? Ocupa tanto o nosso tempo que até consegue fazer com que tenhamos pouco tempo para vir para a net de minuto a minuto destilar amarguras e veneno, entendeu? Arranje um filho e torne o seu tempo produtivo, porque caso você não tenha percebido, aqui já toda a gente deixou de a levar a sério e passou a gozar consigo, só que você é tão poucochinha que ainda nem percebeu isso. Ou você acha que eu alguma vez eu iria perder o meu tempo a pensar numa resposta à altura das suas dúvidas e das suas questões?
Tenha noção senhora Isabel. Arranje uma vida! Olhe, fecunde, fecundar faz bem ao corpo, à mente e ao recalcamento.

E olhe, gaita caprichosa e tola é a pata que a pôs, entendeu? Tenha noção e veja de que forma fala para as pessoas, porque garanto-lhe que eu ainda não baixei o nível, mas posso baixar se você quiser muito, sua recalcada.

Dedinho disse...

a minha opinião é assim:
quem faz um filho fá-lo por gosto
Lailailailai lailailaila laila lailaila
Laila laila lailalalai

Pekala disse...

eu baixo o nível na maior.
Pá ó I. VAI PÓ CARALHO!