segunda-feira, 4 de abril de 2011

Adoptar

Podia gastar muitas linhas a falar do que sinto sobre isto.
Tanto me revolta, quando entendo que as crianças adoptadas, são entendidas como matéria descartável, que se pode devolver quando não agrada. Ou que são escolhidas em função da idade, cor de pele, ou de cabelo. Como me encanta, de cada vez que vejo uma criança ganhar uma nova vida e conhecer o significado da palavra família.
Sei que há pessoas capazes de distribuir amor a estes miúdos carentes, sei que há pessoas, heterossexuais, homossexuais, verdes, castanhas, amarelas, solteiras, casadas, amantizadas, capazes de serem excelentes pais e mães para estes meninos que nada conhecem do que é ter uma casa para onde regressar depois da escola. Um porto seguro e quente, onde os beijem antes de adormecerem e onde os façam sentir que importam e que são válidos.
Por isso me chateam os entraves a isto. As picuinhices, as merdices, as burocracias.
Por isso admiro tanto quem luta por uma criança sem ninguém e a faz um pouco sua, mostrando-lhe que é possível conhecer o lado de dentro do amor, criando laços que jamais existiram, construindo um passado do zero, de peito aberto.

3 comentários:

Melissinha disse...

Tardias e interraciais: são as que eu mais gosto, porque são um acto de amor isolado e altruísta, não servem para preencher vazios pessoais. Espero que a vida me permita, mais lá para frente, dar a minha família a uma criança já fora da lista dos "preferíveis" e que, de outra forma, passaria a infância toda institucionalizada.


Sou completa e irrevogavelmente contra os candidatos poderem escolher características das crianças. Como disse não sei quem há uns tempos, a adopção não serve aos pais, não é um "direito do cidadão", mas sim, da criança. E uma criança de oito anos não poderia ser preterível a uma de dois, um negro a um branco, uma menina a um menino. Criança precisa de um lar em qualquer idade.

(Sim, este é um comentário cheio de julgamentos. Não pretendo defendê-lo de nada, foi-se o tempo em que ter razão tinha piada).

Ana C. disse...

Melissa, eu acho que adoptar é isso mesmo, adoptar por inteiro, de corpo e alma. Menos que isso, faz-me aflição. Só me lembro daquela história da criança que foi adoptada e devolvida, porque o cão da casa não se dava bem com ela.
Isto não quer dizer que eu fosse capaz de o fazer, quer dizer que tenho uma imensa admiração por quem o faz.

Melissinha disse...

É um passo que quero muito dar no futuro, mas só o farei numa família bastante sólida em que todas as partes desejem a criança, porque não vai haver retorno.