sábado, 9 de abril de 2011

Saudades do Volume no Máximo

Tenho saudades de ouvir música.
Não como barulho de fundo, ou como acompanhante de uma qualquer tarefa, mas ouvi-la, com toda a atenção e dignidade que merece.
Tenho saudades do volume no máximo, sem vozes a pedirem-me que baixe o som, ou sonos imperturbáveis.
Tenho saudades de ouvir uma ópera e não me dedicar a mais nada, além de sentir o balanço de cada nota entoada no meu interior.
Tenho saudades de fingir que rejo uma orquestra com uma esferográfica, de fingir que canto alguma coisa de jeito, tentando acompanhar os meus heróis e heroínas vocais.
Tenho saudades de me comover com uma voz, com uma ária, com uma nota estudadamente deslocada.
Tenho saudades de prestar homenagem à música com um copo de vinho e um cigarro (hoje em dia, teria que ser imaginário).
Tenho saudades de quando era antes de tudo, do quanto era antes de o tempo ter passado e me ter roubado estes momentos.
Hoje em dia, o único sítio onde me dou ao luxo de ouvir música com o volume no máximo, é nas minhas raras viagens de carro sozinha. Mas não presto aí homenagem à música. Assim que chego ao meu destino, desligo abruptamente o carro, sem grandes cedências e aquilo faz-me mal. Cortar assim a voz de alguém porque cheguei ao supermercado, é fodido, ofensivo até.

E pronto, usei tudo isto, como uma maneira subtil de limpar a minha reputação. Não podia vangloriar-me acerca dos Roupa Nova, sem deixar escrito que também curto outro género de música. Chiça, que sou mesmo polivalente e perfeita

2 comentários:

Naná disse...

Sabes, eu nunca fui muito adepta da música alta, mas sempre gostei de ter momentos em que a ouço com atenção. E actualmente, só no meu Mp3, que uso no trabalho. E sim, sou capaz de parar 10 minutos só para saborear uma melodia ou escutar com atenção cada pormenor duma letra!
Confesso é que árias e ópera não são muito a minha onda. Mas percebo bem o que dizes!

A mãe que capotou disse...

Estive uns 3 anos nas trevas, a pensar em posts assim, igaulmente perfeita e polivalente, claro. Até que descobri uma coisa ma-ra-vi-lho-sa e ja fui a opera, ja conduzi orquestas (pensava ser unica), ja fui a festas loucas, louquissimas de post-rock, ja fui DJs, eu se la !
Com auscultadores poderosos e sem fios. (Fecha as cortinas e no meio da loucura não vas para a varanda) (não sei potque é que disse esta ultima parte ...).