segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Quando só os cifrões importam

Já alguém ouviu falar de escolas privadas que pedem ajuda a voluntárias para darem comida aos miúdos etc.?
Acho isto o cúmulo da política do cifrão.
Ouvi outro dia pela primeira vez e soube também do choque de uma voluntária ao aperceber-se da negligência com que eram tratadas as crianças. Desde despejar de novo para o prato a comida que os miúdos deixavam cair, a não lhes lavarem as mãos antes das refeições (pois dá demasiado trabalho), empurrarem com impaciência crianças.
Só me ocorre dizer foda-se.
Nós não sabemos realmente onde é que deixamos os nossos miúdos e até à idade em que sabem queixar-se, é tremendamente angustiante.
Visitas surpresa à escola é o que está a dar.

12 comentários:

Melissinha disse...

Como é que é? escolas privadas com voluntárias?

Marcia P. disse...

E quando elas deitam sopa quente (acidentalmente) nas crianças. Quando questionadas, não querem dar muitas explicações.

I. disse...

No colégio da minha sobrinha servem muitas vezes empadão de sobras (peixe com puré, frio, pelo que ela conta), pizas e outros mimos da boa nutrição. Espanfástico. Na cantina das minhas escolas (públicas, todas) comia-se melhor (sopinha, prato e fruta, tudo servido pelo pessoal da cozinha, de bata e touca, com filinha de alunos de tabuleiro).
Havia de ser minha filha, que já lhes tinha cantado o fado ratinho.

ANTIFALSIDADES disse...

E quando são todos simpáticos na altura da primeira inscrição? Tudo é maravilhas...Depois quase que voltam as costas na "secretaria" quando se vai buscar as crianças. Enfim é o "dark side" do tuga

La Boheme disse...

É por isso que elas estão sempre a dizer "oh mãe vá lá descansada que ele fica bem e não convém vir aqui muitas vezes de surpresa senão depois custa-lhe mais a habituar-se" Pois...

Precis Almana disse...

A minha irmã é educadora de infância. E não sei se será exemplo a escola onde ela anda - que nem sequer é caríssima nem no centro de Lisboa - mas nunca ouvi falar dessas barbaridades e conheço a escola e as colegas (aliás, é onde andam os meus sobrinhos). Há, é verdade, é estagiárias. E essas, por vezes, se calhar não recebem, (não era o caso da minha irmã, que começou a trabalhar como auxiliar antes de começar o curso e, por isso, teve sempre ordenado). Só que isso de os estagiários não receberem não é só de infantário e escolas, é de empresas mesmo.
Quanto às visitas surpresa, Ana, podes fazê-la, não te digo que não faças. Só que imagina que todas as mães o fazem, e com frequência, e imagina a balbúrdia em que a escola se pode transformar. As crianças poderão não queixar-se muito bem, mas dão sinais. E olha que se a Alice é esperta para as coisas que contas, há-de ser esperta para transmitir se não gostar de alguma coisa ou se sentir incomodada com alguma coisa.
E é curiosa a visão do outro lado. A minha irmã queixa-se que as mães só mandam bollycaos e batatas fritas para os pequenos lanches das crianças ;-) Entre outras queixas, mas poucas porque ela dá-se bem com aquilo e as mães dos miúdos gostam dela. E olha que eu não tenho por hábito defender os meus com unhas e dentes, chego a ser mais crítica até do que com os outros. Mas quis relativizar - e ajudar, se possível - um bocado. Espero ter conseguido.

Branco e Negro disse...

Eu diria escola pública. Enquanto tivermos empresas e a lógica do lucro a ensinar e a educar crianças estamos sujeitos ao que descreveste. Passam-se por aí coisas em colégios e creches privadas caríssimas e muito finas que se os pais soubessem caíam para o lado.

Ana C. disse...

Precis, não é na escola da Alice. E ela já tem idade para se queixar sim. Falo de bebés de 1 ano e menos que são deixados a chorar na cama, porque as auxiliares não deixam ninguém pegar-lhes e outras barbaridades.
Esta escola de que falo tem uma vertente de ajuda social, por isso chama voluntárias mesmo, não estagiárias.
Enfim, fiquei chocada. É claro que não é em todas as escolas que isto se passa, mas tenho a certeza absoluta de que há muita gente louca por aí e as escolas não são à prova de malucas ressabiadas, infelizmente não são.
Eu cá acho que devia haver câmaras e cada pai deveria poder ver on-line as várias divisões da escola. Pode parecer psicopata, mas eu já estou por tudo.

gralha disse...

Feliz ou infelizmente acho que não é questão de cifrão, é mesmo questão de sorte. Há escolas melhores e piores em qualquer lado e só rezo a todos os santinhos para que os meus filhos passem por escolas com Pessoas, daquelas decentes e com sentido de humanidade.

Melissinha disse...

My two cents:

Eu fui salva de uma péssima creche por uma visita-surpresa (de outro pai), como bem sabes. Mesmo assim, não sou defensora delas - a não ser que haja desconfiança, e, no caso, havia muita. Acho que visitas-surpresa sem motivo nenhum quebram um dos elos de confiança mais importantes da nossa vida, que é o com a educadora do nosso filho. Tem de haver segurança de ambas as partes. Têm de jogar na mesma equipa, e tem de haver diálogo. Mas acima de tudo, temos de as deixar fazer o trabalho delas - e acredito que a maioria é amorosa e gosta do que faz, e fá-lo bem.

Já sobre as câmaras, há infantários que as usam. Acho incrivelmente paranóico. Nunca saberia interpretar o que via e estaria sempre a correr para a creche. É impossível um bebé, num grupo de oito, ter a mesma atenção que teria em casa. Não quer dizer que esteja lá mal.

Enfim, eu que sou radical em quase tudo, aqui acho que o assunto é sempre delicadíssimo. Se às vezes me preocupo? Claro que sim. Aí falo com elas, vejo o tipo de resposta que dão e dou a minha opinião. Mas, por norma, nunca tive motivo para aparecer por lá - na creche em que ele passou dois dias seria uma questão de tempo até tê-los, tenho a certeza.

Rita disse...

É a primeira vez que ouço tal coisa, mas não me admira. Vê-se de tudo hoje em dia. *

Precis Almana disse...

Sim, acredito que haja maus, sei que há maus. Como em tudo :-(
Mais do que câmaras e acho que uma vez já falei sobre isto aqui, façam queixas, têm de haver livros de reclamações. Já fizeram na escola da minha irmã - no caso, infundada, eram os pais que eram totós e queixaram-se de se ter alertado para possível dislexia do filho (!) - e o inspector da Educação foi lá e aquilo foi tudo muito rigoroso. As creches e afins têm cumprir uma série de requisitos para poderem funcionar. E as queixas e procedimentos seguintes funcionam mesmo!