sexta-feira, 26 de abril de 2013

queria dizer-te

que sinto muitas saudades tuas.
Que toda essa coisa da paz e do fim do sofrimento é absolutamente verdade, sim, mas não me consola, porque o que eu queria mesmo era que nunca tivesses ficado doente. Ainda que isso implicasse nunca ter-te conhecido, ainda que isso implicasse ter ficado uma pessoa mais pobre com a tua ausência na minha vida, trocava tudo isso num ápice, para que pudesses ter continuado na vida de tantas outras pessoas.
Hoje estou fodida com o pouco sentido que tantas coisas fazem. Mas acho que querer tirar sentido de tudo, da vida, da morte e do meio de uma e de outra, muitas vezes é um exercício estéril. Não nos leva a respostas nenhumas.
Nascemos, vivemos e morremos, com a mais absoluta falta de critério, ao sabor do livre arbítrio de coisa nenhuma.
Hoje sinto-me tremendamente só de ti e se sei que isto tem dias melhores do que outros e que amanhã me focalizarei na parte da paz e no final do sofrimento, mas hoje não.

5 comentários:

Naná disse...

Há dias para sentirmos a paz e sorrirmos ao pensar na pessoa ausente.
Depois há dias em que só podemos mesmo é render-nos à saudade imensa!

Catarina disse...

É exactamente isso, Ana. Há dias em que me consola pensar que foi melhor para ela porque com o passar dos dias ia sendo cada vez pior, e ela já tinha sofrido tanto. Há outros dias em que penso que foi uma vida interrompida e roubada assim sem mais nem menos de uma injustiça atroz. É que há tanta gente por aí que não faz falta a ninguém. E ela faz-nos tanta, mas tanta falta.

Vânia Silva disse...

Ás vezes parece que estou a ler a Alice...E percebo-te sim.
A saudade,embora seja só um lugar dentro de nós, é a corrente mais forte e mais precisa que nos liga à realidade.
Um beijinho de luz para ti, hoje :)

http://saladosilenciocorderosa.blogspot.pt/

Melissinha disse...

Há dias para chorar, mesmo. Não há consolo, não tem de haver consolo. Nesses dias, só a tentativa de consolo já nos sabe a insulto. Comigo são assim, estes dias. Cheios de verdade crua e dura, sem pitada de açúcar. A verdade de que a pessoa amada não está cá nem vai voltar a estar. "Ah, está bem, foi melhor para ela". Ok, mas E NÓS? O que fazemos CONNOSCO?

Olha, o que vale é que não há dois dias iguais nisto do luto.

os 3 Viajantes! disse...

Algo me diz que este livro me vai marcar de uma forma forte...Já olhei várias vezes para ele ali no meu montinho dos tesouros, livros que trouxe de Portugal para a 2ª temporada em Buenos Aires, e que de uma forma mágica e sem explicação lógica a vida me fez chegar esse livro extra pela mãos da Vânia :) Mas sabes tenho uma relação muito especial com os livros e acho que são eles que nos chamam na melhor altura para ler... e se este veio ao meu encontro a Buenos Aires é porque vai ser (já o sendo só pela história de como veio parar às minhas mãos) marcante e muito especial... E não me vou esquecer da surpresa que te prometi!;) "Existimos enquanto alguém nos recorda" :) Um sorriso da Argentina para Portugal!:)