quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Os anos uns atrás dos outros

Sinto-me cada vez mais tolerante. Não sei porque carga de água fiquei assim neste marasmo e pacifismo interior, mas acho que isto de fazer anos, uns atrás dos outros, nos traz coisas boas.
Deixei-me das certezas inabaláveis e universais da adolescência, divorciei-me dos planos mais do que certos, separei-me das grandes lutas por nada de especial e dos julgamentos à primeira vista.
Saltei fora das constantes opiniões não solicitadas e tentei dar um pontapé no que não é importante para me fazer parar mais do que um minuto.
Ainda me irrita o egoísmo, o egocentrismo, a falta de auto-conhecimento e de admissão dos próprios erros de muita gente e com isso a intolerância renasce em mim com todas as forças, mas de resto gosto de sentir que abraço pessoas diferentes de mim, visões opostas, ideias absurdas sob o meu prisma, mas válidas para outros.
Gosto de sentir que os anos, uns atrás dos outros, me fizeram mesmo alguma coisa jeito além dos cabelos brancos e das duas linhas vincadas no rosto e que não passei indiferente ao que me aconteceu, ou deixou de acontecer.
Gosto de sentir que não sou impermeável à vida.

7 comentários:

Rita disse...

Curioso, a mim está a acontecer-me o contrário.

Cada vez mais intolerante, mais angustiada e revoltada com aquilo que me rodeia.

Ana C. disse...

Rita, eu sinto que estou mais tolerante com muitas coisas mesmo, mas noutras a intolerância piorou. Para te dar um exemplo, estou cada vez mais tolerante com pessoas diferentes de mim e cada vez menos tolerante com merda de cão na rua, burocracia, perda de tempo com idiotices...

Mae Frenética disse...

Bem, este post foi lido (e escrito) no dia certo para mim.

Maria disse...

A idade tem-te trazido muita sabedoria. Tenho só 31 anos e sinto-me crescer também na tolerância. Mas ainda há muito trabalhinho ainda a fazer na minha psique...
É deixar o tempo passar e não fugir às experiências (boas ou más)...

Miguel disse...

Olha, comigo é o contrário! Mais intolerante e muito menos paciente com parvoíces!

cristina disse...

podia ter sido eu a escrever isto, mas ainda bem k foste tu, tens mais jeitinho! :-)

Quando e como eu quiser disse...

Acontece o mesmo comigo. Olho para trás e reparo que já fui muito mais intolerante, que já fervi em pouca água por coisas que agora já não têm a importância que tinham. E ainda bem. É sinal que evoluo e que, como dizes, não sou impermeável ao que acontece.