sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

canina

Parece que 17000 pessoas assinaram uma petição para salvar um cão que matou um bebé.
Parece que 17000 pessoas se deram ao trabalho de pensar no cão que matou um bebé, com profunda pena, arranjando desculpas, afirmando que talvez não tivesse sido bem assim e que a história está mal contada.
Parece que 17000 pessoas acham importante salvar um cão que matou uma criança, quando a criança ainda nem foi a enterrar.
Confesso que nem sequer pensei no cão. Um cão que ataque mortalmente alguém deve ser removido do convívio social e ponto final. Não há grandes raciocínios a fazer. Há riscos que não se correm por motivo algum.                              
Eu pensei nas pessoas. Nos adultos que permitiram o convívio de um bebé com um animal portador de mandíbulas de tubarão. Um animal que num minuto está bem e no outro se pode passar (afinal de contas, espantem-se, é um animal), porque o bebé o pisa, lhe grita, lhe enfia o dedo nos olhos (sim, as crianças tendem a fazer isso aos animais).
Eu pensei nos milhares de acéfalos por esse mundo fora (basta googlarem) que insistem em comprar animais com potencial assassino, sem terem mão neles, julgando ficar assim  imbuídos de poder, ou fazerem uma espécie de tunning ao seu status.
Que características tem um pitbull, ou um dog argentino, ou um akita, ou um merdita, diferentes de outra raça de cão,  que os torne assim tão apelativos e irresistíveis? O que é que os diferencia assim tanto, para a malta querer ter um? Cheira uma baixa de insulina num diabético melhor do que os outros, por exemplo? É excelente com idosos e deficientes? A única diferença é a fama que têm, uma fama merecida dizem as estatísticas, uma fama injusta, dizem os fanáticos.
Juro que gostava que me explicassem, porque é que, com centenas de raças de cães, a malta embica precisamente para aqueles e os passeia com descontração, muitas vezes arrastadas pelos bichos, sem açaime e sem mão, incomodando-me, assustando-me, não me deixando andar tranquila com os meus putos na rua?
Que direito têm eles de impor o seu cão na vida dos outros, sem se darem sequer ao trabalho de açaimá-los como manda a lei?
Que direito têm eles de colocar em risco a vida dos próprios filhos, porque acham piada a ter um cão daquele género?
Como é que se corre o risco, como? Se existe 10% de hipóteses que sejam, de o meu cão poder passar-se dos carretos e matar o meu filho, porque tem potencial físico e mental para o fazer, eu não vou correr esse risco jamais.
"Em nove anos, nunca fez mal a ninguém". Só me faz lembrar os jornalistas que vão à aldeia do assassino, ouvir os vizinhos dizerem: "Ele era amigo do seu amigo". Ou quando vou a uma loja reclamar de uma merda que avariou e oiço o funcionário: "mas nunca tivemos nenhuma reclamação".
O grande problema dos cães ditos potencialmente perigosos, é que são, regra geral, adquiridos por malta que diz coisas deste género e isto chateia-me, põe-me canina.

35 comentários:

Naná disse...

Sabes o que mais me choca nesta história toda???
É que não tenham assinado igualmente uma petição para a punição exemplar dos donos... porque afinal de contas, se vamos punir o animal, acho que temos que punir os donos também!

Só uma curiosidade: sabias que os chiwawas, aquelas amostrinhas de cão, são exímios a abocanhar pescoços de bebés, porque são altamente ciumentos?! Lembro-me que quando era miúda ter ouvido falar de 3 ou 4 casos de casais recém pais que viram os seus meia-lecas de cão ferir mortalmente os bebés... e nunca mais me esqueci que isso do porte nos animais é relativo...

Ana C. disse...

Naná, um chiwawa não é uma boa raça para crianças e é agressivo, sim. Mas não me lixes, ainda está para nascer um chiwawa com capacidade física para matar alguém. Resolve-se com um pontapé.

Ana C. disse...

Os donos deviam ir presos, obviamente. É como teres autorização para porte de arma e deixares a tua arma ao alcance de toda a gente.

Ana C. disse...

E neste caso, o mais provável é nem sequer haver licença de porte de arma.

ana disse...

A questão é que, segundo as notícias mais recentes, o menino não faleceu por mordida do cão. É essa questão que está na base da petição, as pessoas acharem que não se tratou de uma reacção violenta do cão mas possivelmente o animal ter feito um movimento mais brusco por susto, dado que a criança estava com o cão às escuras na cozinha e caiu em cima dele, e isso ter provocado o tal traumatismo craniano na criança após esta ter caído. A ser verdade esta situação, o que as pessoas defendem é que não se trata do animal ser violento mas sim de um infeliz acontecimento. Depois existem versões contraditórias em relação ao facto do cão já ter atacado outra pessoa da família.

Para mim a questão é apenas uma: quando se tem um cão, seja ele qual for, temos uma responsabilidade acrescida como temos com um filho quando vamos a uma loja cheia de copos de vidro expostos. Se a criança é sujeita a reacções próprias da idade, não controladas na perfeição pelos pais, não se leva a criança para esse local já que muitas vezes um segundo de descuido, perfeitamente normal, pode ser a morte do artista. Da mesma forma, se temos um animal, seja ele de que raça for, e existem crianças há que ponderar todas as situações de forma a minimizar acidentes. Porque até um caniche que esteja deitado, por mais meigo que seja, se tiver uma criança a cair em cima dele e se assustar pode reagir bruscamente provocando com isso um traumatismo craniano. Um labrador, pela sua genica para a brincadeira, pode ser demasiado brusco para uma criança. O problema não está na raça, penso, que acho que é demasiado enfatizada aqui pelos media e gera, por isso, logo julgamentos e o possível abate do cão. O problema é a vigilância dos adultos e, sobretudo, a pouca racionalidade para perceber que há situações que, quando se tem uma criança, temos que precaver. É o caso da existência de animais, o caso da existência de escadas, etc.

Ana C. disse...

Se houve um cão que atacou mortalmente alguém, esse cão tem que ser abatido. Ponto final.
Nem sequer percebo de onde é que surgiram as contradições.
Falo para todos os casos de pessoas que morrem, ou ficam gravemente feridas. Não se correm riscos destes. A vida humana é demasiado preciosa para isso.

anouc disse...

Ana, luta inglória esta que estás prestes a travar.
Partilho da mesma opinião que tu. 100%. E já penso dessa forma há alguns anos.
A questão é que há uma cegueira completamente obcecada nos donos de cães potencialmente perigosos. São tão ou mais ferozes que os animais que têm em casa.
É vê-los no face a postar fotos dos cães de 5 em 5m com frases do género "quanto mais conheço pessoas, mais gosto de animais" e outras coisas fofinhas destas.
Aliás, tenho um colega de trabalho com quem já tive acesas discussões, que acha absolutamente revoltante ter de passear o pit bull de açaime. Disse-lhe o mesmo que tu. Revoltante é uma pessoa não poder passear descansada com os filhos porque um cão desses pode passar-se e atirar-se à primeira pessoa que lhe aparecer à frente. Oh claro... o cão não é mau. O dono é que é (lógica do caralhE, if you ask me), mas quem leva com as dentadas é que sofre, ou não é?!?

Esta história DESDE cão tornou-se numa bela trapalhada. Desconfio que nunca se chegará à verdade... no entanto, arrisca-se?

ex ana disse...

Concordo Ana. Sobre uma das perguntas...há apostas em lutas de cães parece ser rentável.

gralha disse...

Ana, não haveria prisões no mundo suficientes para todos os pais que conduzem em excesso de velocidade, deixam as janelas de casa abertas, não protegem as escadas, não conduzem com a cadeirinha virada para trás, deixam embalagens de detergente ao alcance de bebés, têm cães de raças potencialmente perigosas, etc. Eu compreendo a tua revolta, compreendo. Mas não será excessivo dizer que estes pais deviam ser presos? Já te vi reconhecer muitas vezes que não há pais perfeitos - estes pecam, provavelmente, por falta de inteligência e de auto-estima (julgo ser este último factor que determina a escolha deste tipo de raças).

anouc disse...

http://www.dogsbite.org/

grassa disse...

"A vida humana é demasiado preciosa para isso."

Obrigado, Ana. Dei a gargalhada do dia. :D

Ana C. disse...

Gralha, não é comparável o que dizes, não é.

Ana C. disse...

Não podes comparar um acidente com uma escada, do que manteres deliberadamente o convívio de um cão, com vontade própria, instintos próprios e dentes próprios, com o teu filho que pula, salta, belisca o animal. Fazê-lo, é atribuir a um cão a mesma estaticidade de uma escada. Um cão tem instintos, não é uma natureza morta.

Ana C. disse...

E eu sei que é uma luta inglória, mas é apenas a minha opinião indignada. Eu sei que há certas cabeças que não entendem e que falar com certas pessoas fanáticas, é o mesmo que falar para paredes. Mas eu tenho direito à minha indignação.

Paulo Ferreira disse...

Ana estamos em sintonia hoje
http://ooutrojornal.blogspot.co.uk/2013/01/sobremaneira.html

ana disse...

Ana C., mas o problema é que a ser verdade o que se fala, insisto na dúvida pois não gosto de tirar conclusões sobre boatos, o acontecimento pode não ter nada a ver com instintos de animal. Dou um exemplo teórico: eu ia com uma faca na mão e ia contra alguém porque ia a olhar para o lado, a pessoa com quem choquei fez um gesto involuntário provocado pelo susto e a faca ficou espetada em mim causando-me a morte. Podemos afirmar que a outra pessoa me matou porque me atacou?

Para mim, moralmente, é diferente. E é baseada nessa teoria que surge a petição.

Era a mesma coisa que eu ter um labrador e ele aplicava a força que tem, sem maldade, pelo o seu instinto brincalhão, sobre um bebé e as consequências serem as mesmas. O cão deveria ser morto?

O que quis explicar do que li sobre as suposições das pessoas que assinaram a petição é que a atitude do animal pode não ter sido um ataque mas sim uma reacção ao susto por a criança ter caído em cima dele e ter causado a queda do bebé. E a ser assim, o cão é perigoso?

As contradições surgem quando o dono do cão afirma à comunicação social que ele não era agressivo e nunca atacou ninguém e houve alguém que afirmou o contrário, que o cão já tinha ferido alguém da família.

E só quando tudo for esclarecido é que podemos aferir sobre os instintos e motivações do animal, penso.

Quando comparei a uma escada foi em relação ao dever dos pais zelarem pela segurança dos filhos. Concordo contigo nessa questão. Mas quanto ao tirar a conclusão imediata de que o cão atacou a criança por ser violento e por isso deva ser morto, disso já não tenho tanta certeza, pelo que expliquei anteriormente.

gralha disse...

Para mim são mesmo coisas muito próximas, na linha ténue que separa a descontracção da negligência. A verdade é que nós não controlamos quase nada. É essencial ser cuidadoso mas há sempre azares. E se um filho nosso matar o outro? Nós devemos ir presos?

Ana C. disse...

Ana, a única coisa que eu ouvi foi uma notícia no telejornal, em que uma criança de 18 meses, tinha sido atacada por um pitbull, mordida na cabeça. Tendo sido por isso, provocado um traumatismo craniano. A mordidela (sabes que o tamanho e fragilidade da cabeça das crianças até aos 3 anos, é diferente dos adultos) Parti do princípio de que era apenas isto o importante da notícia. A menos que tivessem morto a criança e posto as culpas no cão.
O facto de ter, ou não ter "antecedentes criminais" é, na minha opinião, totalmente irrelevante. Não é preciso ter mordido antes para morder pela primeira vez, entendes?
Só isso.

Ana C. disse...

gralha, abstrai-te das crianças e dos pais, porque acho que isso não é fundamental. Aqui é toda uma mentalidade que está em causa.
Focaliza-te no facto de teres um cão com potencial para matar e andares a passear com ele, sem açaime e muitas vezes sem trela, como eu vejo inúmeras vezes, descontraidamente na rua. Se esse cão atacar alguém, também achas que não merece ser penalizado?

Ana C. disse...

O dono, quero eu dizer.

ana disse...

Mas isso foi o que tentei explicar no primeiro comentário. Surgiram notícias, não sei se falsas ou não, de que a autópsia era no sentido de que a criança não tinha sido mordida. Tinha, sim, um traumatismo craniano mas não teria sido mordida.

Baseada nessa dúvida sobre os acontecimentos é que não dou sentença ao animal. Era isso que estava a tentar explicar quando foste peremptória a achar que o cão deveria morrer. O que os media e a família descrevem como ataque pode não ser isso mas sim um acidente. E como existem aquelas contradições que a única coisa que nos podem fazer pensar, como disse também, é que a história é uma grande confusão, toda e qualquer conclusão é precipitada.

Infelizmente faleceu um bebé, isso é o certo. Agora os motivos e os culpados, falta apurar. Os pais foram negligentes, agora o cão não se sabe se foi violento. É essa a dúvida que persiste.

Não assinei a petição porque não sei como aconteceu tudo. E como sei que os media acabam por lançar a polémica e as redes sociais fazem o resto, apenas se pode esperar pela versão oficial para tirar conclusões.

grassa disse...

Penalizar o dono? Claro!

O cão? Poupem-no. E poupem-me, também. Concordo com a exclusão social de cães perigosos, tal como de qualquer outro animal com o mesmo cariz. Não vêem ninguém andar por aí com um urso grizzly pela trela, pois não?
O animal, independentemente da sua índole, não tem culpa, caralho. Se ele atacou, é porque foi imiscuído entre nós, por nós, e entregue à custódia de alguém que claramente não tem o arcaboiço responsável necessário para por ele zelar.
O cão não tem culpa alguma, e só concordaria com a sua morte se fosse na altura e em legítima defesa.

Parem de procurar bodes espiatórios para despejar um qualquer tipo de frustração, e vejam a cena pelo lado frio e lógico. E, já agora, correcto.

Ana C. disse...

grassa, eu não consigo parar de olhar para a tua foto de perfil. Estou hipnotizada. Nem consigo concentrar-me no que escreveste. Os olhinhos fogem-me a todo o instante para esse misto de Chucky meets Quim Barreiros. AHAHAHAHAHAH

Ana C. disse...

ana, eu não faço a menor ideia dos pormenores do que aconteceu, mas parti do pressuposto que as autoridades levaram o cão por algum motivo mais forte do que boatos, ou notícias de televisão. O que mobilizou milhares de pessoas, a mim não me move. Qualquer dia pedem todos cidadania russa, como a Brigite Bardot, não pela troika nos meter a todos na miséria, mas porque um cão perigoso foi removido do contacto social. Neste momento, há cenas mais importantes no mundo e há a vida de um bebé perdida, que merece, no mínimo, respeito.

gralha disse...

Repara que desde o início comentei apenas o teu comentário sobre estes pais deverem ser presos. Não falei do destino a dar ao cão nem de situações em que os donos de cães perigosos que ataquem terceiros devam ser condenados.
Se acho que este cão deve ser abatido? Infelizmente, sim - porque já está comprovado que não é de confiança. Se acho que ninguém devia ter estes cães e que é uma inconsciência tê-los e deixá-los conviver com crianças? Não. Estes cães precisam é de ter um treino sério e supervisão. Mas, lá está, há sempre azares...

triss disse...

Também estou de acordo contigo, o cão deve ser abatido sim.
Adoro cães, tenho um que é do meu namorado, mas agora também é meu, e tive outro durante 15 anos, e cuja morte hoje ainda me dói como se tivesse sido ontem (foi há 3 anos). Mas isto que aconteceu é inaceitável, e a petição é um desrespeito.

Também eu me choco com a leviandade das pessoas que têm esses cães, e andam com eles soltos. No outro dia saí deliberadamente de um jardim, com a minha filha ao colo, quando chegaram 2 pitbulls soltos com os donos. Na altura não me lembrei de telefonar para a polícia, mas para a próxima não escapam.

Se de facto os donos devem ser quase 100% responsabilizados pelo comportamento do seu cão, por outro há que ter bem presente como nasceu esta raça, e com que fim. E está tudo nos genes.

Melissinha disse...

Um bebé morreu, caraças. A indignação que o abate do cão provoca é ofensiva.

Melissinha disse...

Eu acho que os donos deviam ser 100% responsabilizados por terem um cão assassino e o cão deve morrer, porque é um cão assassino de uma raça assassina que não devia sequer existir. Eu atravesso a rua com o meu filho ao cruzar-me com pitbulls e rottweilers mesmo com açaime. E olho para o dono com cara de lepra. Se fosse um amante de animais, teria arranjado um rafeiro num canil. Têm essas bestas por serem acessórios de moda e estatuto. Não tem puto a ver com amor a cães.

Ana C. disse...

Adoro quando ando cheia de paninhos quentes e chega a Melissa e CABUUUUUMMMM!!!!!!!!!!!

Cláudia Costa disse...

O Hitler era, com toda a certeza, da sua opinião.

Cláudia Costa disse...

O Hitler era, com toda a certeza, da sua opinião.

Ana C. disse...

Cláudia, o Hitler matou pessoas e gostava muito de Rotweilers.

Ana C. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Melissinha disse...

Também estou em crer que Hitler se importava mais com cães assassinos do que com bebés.

Morgana disse...

Parabéns pelo blog em primeiro lugar. Acabei de passar por aqui... Neste assunto as opiniões divergem. Por isso somos todos diferentes. Concordo com muito do que foi dito por aqui. Ter um animal de raça e de grande porte pode significar "um acessório de moda"... Isto é verdade! Mas não podemos assumi-lo enquanto regra. Também não é isso que me fez dizer de minha justiça. Se se deve abater o cão? Se a petição deve ou não existir?...Também não o vou fazer. Corrijam-me se estiver errada: O bebé não tinha marcas de cão... A causa da morte foi traumatismo craniano... Tanto quanto sei uma criança estava sozinha (com 18 meses ) às escuras... esta história independentemente de petições, de donos e de cães ..... para mim está mal contada... Digo-vos apenas se o meu cão um bullmastiff com mais de 60kg,demonstrasse alguma instabilidade, eu mandava abater. Sei que faço tudo para que seja um animal equilibrado, não faz mal a uma mosca... Mas é um cão. Cabe-me a mim a defesa dos meus 3 filhos e das pessoas que me rodeiam. Um beijinho para todos e vou ficando..