segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Comida e Amor

Desde sempre que a comida, o alimento é associado a conforto e amor.
Quem providencia a comida às crias, é quem mais as ama. A reunião familiar em redor de uma mesa com comida é tida como um momento de união.
A mãe que acha que o filho nunca comeu de mais, havendo sempre espaço para um segundo almoço, um segundo lanche, uma terceira vez. A mãe que quer sentir-se no topo da lista das que providenciam o alimento preferido do filho.
A mulher que conquista pelo estômago.
E eu pergunto porquê? De onde vem isto de associarmos comida com amor?
Não que eu faça diferente. Gosto de ter um bolo à espera da minha filha quando ela chega da escola, pois sei que isso lhe traz uma sensação de conforto. Mas porquê?
Porque é que comida, não é simplesmente isso mesmo. Comida?

8 comentários:

_+*Ælitis in Angola*+_ disse...

Porque o alimento, tal como o amor, é uma necessidade diária. Apesar de algumas pessoas viverem sem amor - e não por escolha - é uma necessidade quotidiana. E é nos gestos do dia a dia que transmitimos as maiores das mensagens. Porque não pela comida? Ha pessoas (pais) que nao sabem dizer aos filhos que os amam. Mas alimentar, para todas as culturas, até os animais, é cuidar. E esta é a sua única forma de cuidar de alguém.

Um beijinho.

Ana C. disse...

Elite, tens toda a razão, mas associar a comida a amor pode ser muito perigoso, mais precisamente quando sentes falta de amor e compensas com uma das únicas coisas que associas a esse sentimento.
Se há pessoas que têm uma relação serena com a comida, outras há que a tratam com o carinho e dedicação que não recebem, ou não dão por outras vias...

Melissinha disse...

Começa na mama. Não vale a pena fugir disso - e nem tem de ser uma coisa ruim.

Acho que o descontrolo vem do não observar os apetites. No entender a recusa de comida como ofensa, no ter de comer tudo até à última migalha. Esses é que são significantes nefastos. Mas acarinhar com comida é, como diz a Elite, primordial, bastante mamífero :)

ouvirdizer disse...

Este é um problema que, para mim, é recorrente, demais...
Comecei a engordar na adolescência, como conforto, nada mais.
Agora que já identifiquei o problema devia conseguir resolvê-lo, não?!!!
É uma luta, diária. O meu marido come o que sente que precisa, quando precisa. Sal, se o corpo pede sal, doce se o corpo pede doce. Pode passar semanas sem tocar num doce mas há aquele dia em que o corpo o pede e ele come, se for preciso, 3 fatias de bolo seguidas. E pronto, acabou-se. Depois é só quando o corpo voltar a pedir...
Há lá coisa mais maravilhosa do que esta? Eu nem tinha percebido que podíamos, simplesmente, ouvir o corpo...
Ele não percebe, por exemplo, que se eu pensar num mil-folhas, salivo, é o meu bolo preferido... ele não percebe como é possível ter-se um bolo preferido... e realmente é coisa para ser estúpida...
É uma luta, Ana C, é uma luta...

disse...

Noutro dia fiz uns croquetes (casada quase há vinte anos, foi a primeira vez que me aventurei neste prato :)))) que ficaram com tão mau aspecto que se os visse à venda, nem que me pagassem! Contudo o sabor estava ótimo e todos elogiaram apesar do mau aspecto "físico" da coisa :)
Os olhos são os primeiros a comer e depois a barriga e a boquinha não se fecha, porque o problema não é comer, é comer mais quantidade do que aquilo que seria necessário.
Se apetece comer chocolate porque não comer uma tirinha, e isso não faz mal a ninguém. mas não, vai logo um chocolate inteiro :)))

Melissinha disse...

Vera, eu daria um braço por este sistema autoregulável que os nossos maridos têm - comida é um prazer só quando se tem fome e pela duração da fome.

Por cá, ou eu sou surda ou o meu corpo é autista. A regulação é totalmente artificial (= dieta), e não baseada na fome, que é o meu objetivo final.

ouvirdizer disse...

Melissinha... corpo autista é muito bom...

Outro dia li que o corpo leva 3 dias a ficar com uma dependência e 30 dias a perdê-la. A sério, após andar na linha tantos meses, eu sei que me bastam 2 ou 3 dias a comer mais que é coisa que não pára mais. Ando com esta ideia de ficar 30 dias sem tocar num doce, a ver se me passa... so help me god...

sol disse...

Cuidar pelo alimento é apenas uma vertente do amor e que começa com a amamentação... ou ainda antes.
Depois, há pessoas que se cristalizaram nesta forma de dar/receber amor e que acham que a comida preenche todos os vazios internos.