terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Ohmmmmmm

A oportunidade surgiu quando reencontrei uma velha amiga que era agora professora de yoga. Decidi deixar de ser cobardolas e penetrar numa aula experimental, pois sempre senti que me faltava alguma da espiritualidade, tranquilidade e alma meditativa dos que se viram para o mundo de dentro, a fim de se conectarem com o universo de fora. Além da elasticidade, exercício e controlo da respiração, que este corpinho tenso e mole, se é que é possível estes dois adjectivos conviverem, ansiava por conhecer.
Vai daí, lá fui eu. Disposta a conectar-me com as energias do universo. Disposta a aprender a meditar ao som de Enya, ou ruídos da natureza modo cd. Disposta a ser uma gaja que sabe exalar e inalar tranquilidade, enquanto consegue pentear o cabelo com os dedos dos pés e entoar um mantra.
Depois desta experiência de 1 hora e meia, fiquei a conhecer ainda mais aspectos fascinantes sobre a minha pessoa. A saber:
- Não consigo manter os olhos fechados para meditar. A curiosidade de ver se os outros estão também de olhos fechados, ou se fazem batota, se o sol desponta lá fora, se o tecto tem teias de aranha, se alguém tem um macaco pendurado no nariz, vence sempre.
- Não consigo abstrair-me do que é que vou fazer para o jantar, do que é que tenho que trazer do supermercado, das calças de lycra que entram pelo meu regabofe adentro e que tento ajeitar sem que ninguém repare que me mexo do estado meditativo.
- A Enya continua a dar-me vontade de sair a correr, com um par de asas, pulando de nenúfar em nenúfar, pelos penhascos irlandeses, qual bailarina que nunca cumpriu o sonho de dançar e depois de se lançar num vórtice de voo pelo penhasco, se espatifa em soninho profundo lá em baixo.
- Estar deitada num colchão de ginástica, a escutar uma maré que vai e que vem, enquanto uma voz nos relaxa e impele a esquecer tudo o que há de supérfluo, é uma oportunidade única para eu bater um choco.
Além de tudo isto, fiquei uma semana a andar de pernas abertas.






15 comentários:

Naná disse...

HAHAHAHAHAHAHAH

Isso quer dizer que tens o que os budistas chamam de mente "macaco", não consegue sossegar!

E se calhar não fizeste tu uma aula de yoga nidra... é mesmo para dormir!

Melissinha disse...

Eu MEDITO, Casaca. Na escalada espiritual, já tou no rés-do-chão enquanto permaneces na cave.

Ana. disse...

Ahahahah! Muito bom!
Eu também não consigo sossegar a psique naqueles momentos em que devia estar a imaginar um sol a nascer-me na consciência! Começo logo a pensar se o sol é redondo ou meio ovalado, se estará muito quente e me vai queimar a consciência, se a cabeça (onde imagino que esteja a consciência) está a nascente, então os pés estão a ponte e que pena, ficam sempre para últimos... enfim, um drama! E quando a instrução é imaginar um triângulo?!! Tenho logo vontade de perguntar se é equilatero ou escaleno!

Estou portanto na sub-cave - há mais de quatro anos!!

triss disse...

Passei por tudo isso ao início, e depois consegui de facto abstrair-me do resto, e dos outros, mas não é fácil.
Ou , até pode ser que o yoga não seja a tua onda, graças a deus que não gostamos todos das mesmas coisas:-)

ouvirdizer disse...

Muito bom, este texto. Só tu, a sério...
Uma vez experimentei capoeira (sítio pequeno, pouca oferta, é ver o que aparece...).
Nunca percebi como é que as pessoas conseguem entrar nas cenas e vivê-las e senti-las e coiso... Há saltos e passos e movimentos... eu só pensava na figura que estava a fazer.
Ainda hoje, sobre todo o meu passado, o meu homem ainda não consegue perceber como é que eu andei na capoeira... :)

Naná disse...

Vera, se te serve de consolo, andei no karaté há um ano atrás, durante dois meses. O meu marido ia-se passando comigo, mas eu adorei! No entanto, não me estava a ver a ir praticar kumité (luta corpo a corpo) com ninguém!

gralha disse...

O problema é que chegamos todos carregadinhos de preconceitos ao yoga. Aquilo não serve para levitarmos nem para nos abstrairmos da maquina de roupa avariada, serve para aprendermos a ouvir o nosso corpo e tratarmo-nos melhor. O pessoal ocidental adulto é bronco e surdo, só compreende as mensagens do corpo através da dor ou do orgasmo. Eu também tive de engolir muita treta acerca do conhecimento do universo que penetra pela sola dos pés mas, passando isso, passei a ter outra postura - literal e figurativamente.

Maria João disse...

Ai o que já me ri!! Nunca experimentei, mas acho que a tua descrição seria mais ou menos o que aconteceria comigo! Não sou muito "suitable" para yoga!! Digo eu, que nunca experimentei!

Ana C. disse...

Mas eu queria muito ter conseguido entrar logo na coisa. Tentarei os meus próprios métodos de concentração e reflexão com afinco.
E gralha, isto foi antes da máquina da roupa, senão teria sido bem mais problemático. Eu tenho zero preconceitos contra o yoga, sempre quis experimentar e achei um sinal dos deuses, ter esbarrado com esta amiga que me convidou para a aula. Daí a minha frustração.

Ana C. disse...

Também acho que qualquer filosofia pessoal para aprendermos a conhecer melhor o nosso corpo e a desligarmos/controlarmos melhor a nossa mente, é válida.

gralha disse...

Insiste. Vai a mais aulas. Ri-te das tretas todas e ouve o resto.

(e espero que te arranjem a máquina em breve, que é impossível alcançar estados zen com um cesto cheio de roupa suja)

Ana C. disse...

Eu acho que o problema é da matilha. Eu sou uma loba solitária. Os meus melhores momentos zen são sozinha :)

Ana C. disse...

Mas as "tretas" todas também fazem parte do Yoga! Se calhar o que procuramos não tem que obedecer a padrões. Cada um terá o seu próprio método para o encontrar.

Melissinha disse...

Ó só, concentrar-se na respiração - e só na respiração - é um começo excelente.

Eu não gosto de yoga, sou muito gorda para 99% das posições e aborreço-me, prefiro habitar-me em aulas de dança e coisas mais mexidas. Mas o concentrar-se na respiração e voltar a ela vezes sem conta é perfeitamente exequível.

Cat disse...

eh eh eh escutar o som de uma maré que vai e vem ia dar-me era uma valente vontade de fazer xixi...