terça-feira, 19 de março de 2013

Luísa Castel Branco

A entrevista da Luísa Castel Branco ao Daniel Oliveira foi, muito provavelmente, a melhor de sempre. Ela quase destronou a entrevista do Miguel Sousa Tavares. Mas como sou estupidamente parcial em relação ao Miguel Sousa Tavares, ele continua no número 1.
Mulherão forte, frágil, sensível, racional, Mãe.
Fez o favor de me dar a conhecer uma frase magnífica de Saint Exupéry:
"Eu sou da minha infância, como se é de um país", no sentido de que a infância, quer queiramos, quer não, nos define de forma inexorável. Tal como traremos sempre as nossas raízes, o nosso país nos nossos genes, também a forma como vivemos a nossa infância ditará a forma como seremos pais, quer copiando, quer fazendo o oposto, ditará as nossas inseguranças, ou firmezas, ditar-nos-á.
Sempre defendi isto, mas não sabia que existia algures por aí, uma frase que o definisse tão bem.
Depois falou no medo e nas contas e nas ponderações que todos fazemos em relação a termos mais um filho. São duas escolas, duas despesas, duas bocas, tudo a dobrar. Mas esquecemos muitas vezes que o filho único trocaria, sem pensar duas vezes, o computador xpto, o colégio privado, a roupa de marca, por um irmão.
Numa época em que os ovários se suicidam de cada vez que Passos Coelho, ou Vítor Gaspar abrem a boca, é difícil pensar assim, bem sei. Mas não deixa de ser uma grande fonte de reflexão...
E é isto. Com uma simples entrevista, espremi sumo para várias horas de produção de pensamento.

5 comentários:

gralha disse...

Não vi a entrevista mas subscrevo o valor do ter-se irmãos (mesmo hoje, que estou num dia de discussão com o meu). Mas se antes tinha uma perspectiva romântica que onde comem X comem X+1, a verdade é que acho que estamos agora numa situação demasiado difícil para muita gente ter mais filhos. Para ter filhos ponto final.

Moimême disse...

Saint Exupery é simplesmente genial!

Ana C. disse...

gralha, tal e qual. É toda a questão do suicídio de ovários nos dias que correm...

Naná disse...

Ana Cê, obrigada por me mostrares que esta senhora afinal não é a parvinha detestável que eu a fazia, vá-se lá saber porquê... afinal de contas penso tanta coisa tal qual ela... mas sem ter passado pelas coisas que ela passou... prática e directa como eu gosto mesmo das pessoas!

Quanto ao suicídio ovariano... e ao irmão do meu filho... nem consigo elaborar... é demasiado intimo para conseguir fazê-lo!

Sílvia disse...

Eu vi e gostei muito, mesmo muito. Sempre que a ouvia em alguns programas de televisão ficava admirada e de boca aberta com as coisas tão acertadas que diz e no Daniel Oliveira foi igual mas para muito melhor.