sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Os Grandes Amores


Lembro-me da cassete que ele me gravou quando terminámos tudo, a fim de irmos viver a vida, fosse lá isso o que fosse. Essa mítica cassete continha apenas os pedaços importantes de letras das nossas músicas :
"Since The Last Goodbye, you and i came a long way"
"Little girl i wanna marry you, oh yeah, little girl i wanna marry you, yes i do"
"I Tell myself that i can't hold on forever" "You give my life directon"

E assim continuavam trechos e trechos de letras tremendamente românticas, retiradas do contexto, ou não, só para me transmitir, através das músicas que costumávamos ouvir, o quanto eu era de facto estupidamente importante para ele. Aquela cassete de 60 minutos, gravada dos dois lados e com uma capa personalizada, resistiu à passagem dos anos e dos namorados, dentro do fundo de uma gaveta.
Tinha quinze anos e pensei que jamais voltaria a gostar assim, de manhã à noite, a cada instante de segundo, a cada golfada de ar inspirada e expirada. Chorei, ri, sofri, deixei de sofrer. Afoguei mágoas e renasci finalmente para outro grandessíssimo amor qualquer.
Vários grandes e pequenos amores chegaram e partiram da tal vida que queria viver e a cassete continuou no fundo da gaveta, mesmo quando já não existiam leitores de cassetes em lugar algum.
Cansada dos amores pequenos, tremendos e assim-assim, fiquei sozinha durante o que me pareceu outra vida inteira. Não por escolha própria, mas porque assim foi.
Sozinha estava serena, sem palpitações cardíacas, interpretações de olhares, tons de voz, atitudes a analisar e escrutinar. Enfim, todas essas tretas que cansam o músculo cardíaco até à exaustão.
Sozinha era bom.
Até que sozinha deixou de ser bom.
Então veio aquele que seria o meu maior amor. Aquele que seria o princípio da minha família e eu cresci. Deixei de olhar tanto para trás, de inventar para a frente e comecei a olhar mais para o meu lado.
Abri aquela gaveta, tirei a cassete para fora e puxei pela fita velhinha, até deixar um esqueleto vazio no lugar da cassete transparente cheia de 60 minutos de palavras de amor.
Esse foi, então, o princípio do resto da minha vida.

8 comentários:

Mamã do Príncipe Pipoca disse...

Para não variar "muito"... LINDO!e...como sempre, mais que bem escrito! Mais uma vez, Parabéns!

Rainha Mãe disse...

Gosto tanto de "te ler"... Lindo!

margarida disse...

É preciso deixar os amores perfeitos do passado, e da nossa imaginação, para ter o amor verdadeiro no presente. É uma lição, mas como todas na vida, muito difícil de aprender.
Lindo post!

Mad Hattress disse...

Belo post. A história da cassete é muito bonita, mas não nos podemos prender a amores passsados para seguirmos em frente. Adorei o post e a lição de vida nele contido.

Mad Hattress disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Sofia disse...

LINDO!

Moleskine disse...

:) continua

Ana. disse...

Adoro quando escreves assim.

*
"And I can't take this feeling anymooooore.... I've forgotten what I started fighting fooooor..."
Ai as lembranças que isto me traz!...