terça-feira, 9 de outubro de 2012

Partilhando Hugo às Postas

Ora então, aqui vos deixo com o Sr. Hugo às Postas:

Adoro o filme Alta Fidelidade e quanto mais velho o vejo mais o entendo. Se pensar em todo o universo de filmes e livros, a personagem do John Cusack, Rob Gordon, é a mais parecida comigo que já encontrei. Na verdade, todos os homens quarentões ou a chegar a isso devem achar o mesmo.
Mas sempre que vejo o filme sinto uma nostalgia enorme e revivo os meus 20 anos na minha cabeça e relembro as carradas de CD’s que faziam parte da minha vida. Se calhar hoje tenho uma ideia mais romantizada do que foi a minha existência nos anos 90 porque, na altura, garanto, nunca lhe achei muito piada.
Nos últimos dias temos levado a cabo uma série de alterações na nossa sala e as minhas dezenas discos das bandas chamadas indie da década de 90 têm de ir à vida. Não há espaço e já não oiço nada em disco e quando quero ouvir qualquer coisa faço-o em Mp3 pelo que, claro, tem sentido dar aquilo a alguém que faça bom uso da sonoridade que coleccionei durante anos. Sinto um aperto no coração em me livrar de tudo, e ao contrário dos meus livros, que são sempre oferecidos à biblioteca de Oeiras, acho que os meus discos merecem algo melhor.
Reparem, foi com Nick Cave que chorei o primeiro amor não correspondido, com os My Bloody Valentine o segundo, com o Tom Waits o terceiro, com os Violent Femmes o quarto, com os Sonic Youth o quinto, Nirvana o sexto…
Percebem a ideia.
Deixo então a pérola:
“What came first, the music or the misery? People worry about kids playing with guns, or watching violent videos, that some sort of culture of violence will take them over. Nobody worries about kids listening to thousands, literally thousands of songs about heartbreak, rejection, pain, misery and loss. Did I listen to pop music because I was miserable? Or was I miserable because I listened to pop music?”


Quanto a esta pérola final, tenho que dizer que não concordo. Para mim, a música pop veio sempre mostrar-me que não estava só na rejeição, desgostos de amor, dor. Nunca mos provocou. A música pop foi, em quase todas as circunstâncias da minha vida, a minha melhor amiga.




2 comentários:

Melissinha disse...

Poooois, a mim também! A música ligeira explicou-me a vida (através dos Beatles).

Naná disse...

Apenas posso dizer que a música pop ajudou a exacerbar o misery feeling