
A mulher que disser que não sonha ser pedida em casamento está a mentir. Ou então ainda não conheceu a pessoa certa.
Eu sempre disse que não queria casar-me, que me bastava viver com a pessoa que amava, sem papéis assinados, sem trâmites legais, sem vínculos formais para além do amor que nos unia.
Sempre disse que as festas de casamento eram apenas mais uma forma de chupar dinheiro aos noivos de tal maneira que os deixava deprimidos por antecipação com o dinheiro que iam gastar no evento.
E depois ser o centro das atenções, vestir-me de branco, entrar na igreja. Nunca, jamais em tempo algum.
Sempre me achei dona desta verdade até ao dia em que comecei a sentir que precisava do passo seguinte. Precisava de serenar, de começar a caminhar na direcção certa. E sim, precisava de um momento que simbolizasse tudo isso e de ter a certeza que era assim tão importante para alguém.
Casámos sem coro de vinte elementos. Apenas uma rapariga ruiva, com uma guitarra que entoou as músicas que nos diziam tanto. Apenas com aqueles que mais amávamos junto de nós. Sem convites em papel de seda extensivos a mil pessoas, sem bandas a cantar apita o combóio. Ninguém teve que ir de fraque, nem usar gravata de cor pré estabelecida. Eramos poucos, mas os que lá estavam importavam. Comoveu-me a expressão do meu pai, o sorriso da minha mãe. Ninguém estava ali por frete.
E agora que olho para trás, para aquele dia naquele farol junto ao mar, onde trocámos as nossas promessas, sinto que não podia ter sido de maneira diferente. A maneira como começámos a nossa família deu o mote para a forma como haveriamos de vivê-la...