sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Sim, Aceito



A mulher que disser que não sonha ser pedida em casamento está a mentir. Ou então ainda não conheceu a pessoa certa.
Eu sempre disse que não queria casar-me, que me bastava viver com a pessoa que amava, sem papéis assinados, sem trâmites legais, sem vínculos formais para além do amor que nos unia.
Sempre disse que as festas de casamento eram apenas mais uma forma de chupar dinheiro aos noivos de tal maneira que os deixava deprimidos por antecipação com o dinheiro que iam gastar no evento.
E depois ser o centro das atenções, vestir-me de branco, entrar na igreja. Nunca, jamais em tempo algum.
Sempre me achei dona desta verdade até ao dia em que comecei a sentir que precisava do passo seguinte. Precisava de serenar, de começar a caminhar na direcção certa. E sim, precisava de um momento que simbolizasse tudo isso e de ter a certeza que era assim tão importante para alguém.
Casámos sem coro de vinte elementos. Apenas uma rapariga ruiva, com uma guitarra que entoou as músicas que nos diziam tanto. Apenas com aqueles que mais amávamos junto de nós. Sem convites em papel de seda extensivos a mil pessoas, sem bandas a cantar apita o combóio. Ninguém teve que ir de fraque, nem usar gravata de cor pré estabelecida. Eramos poucos, mas os que lá estavam importavam. Comoveu-me a expressão do meu pai, o sorriso da minha mãe. Ninguém estava ali por frete.
E agora que olho para trás, para aquele dia naquele farol junto ao mar, onde trocámos as nossas promessas, sinto que não podia ter sido de maneira diferente. A maneira como começámos a nossa família deu o mote para a forma como haveriamos de vivê-la...

18 comentários:

McSleepy disse...

Só tenho uma coisa a dizer: FÓNIX!!
Tenho dito!

Sunrise disse...

Uma linda história de amor que poucos têm o privilégio de viver! Just for some!

AnaMoreira disse...

Um texto lindo, sempre escrito com tanta emotividade!

Bj

InêsN disse...

eu nunca sonhei ser pedida em casamento...JURO!

e já encontrei o homem da minha vida...e não casei e não quero casar.

e nem os dois filhos me mudaram a opinião...

são modos de estar na vida, nada mais.

Melissinha disse...

Concordo com tudo, menos com o chupar dinheiro aos noivos: hoje em dia, é uma maneira de chupar dinheiro aos convidados! Um chulanço descomunal! As pessoas casam e esperam que a malta lhes pague o copo d'água... Arre!

Por acaso, na minha vida, foi a única coisa a faltar: um pedido à americana, num joelho só, com nome e sobrenome, a varrer-me das bases. Não houve pedido nenhum, já vivíamos juntos há três anos e eu não sou filha de chocadeira para viver amancebada, hehe.
Portanto, combinámos casar.

- Hugo, bute casar.
- (enfadado) Tá bem, vá.
- Em outubro, o que é que achas?
- (enfadado) Tá bem, vá.

Melissa agarra no telemóvel e liga ao pai na África do Sul.

- Pai, vamos casar em outubro.
- (em off) YESSS! YESS! QUE GRANDE IDEIA! YESS! VOU TER NETINHOS!CADÊ O HUGO? QUERO DAR-LHE OS PARABÉNS!!!
- Está aqui ao lado um cadinho a dar para o arroxeado.


Meses depois, fui levada ao "altar" montado no self service do bairro ao som de Marisa Monte, de mãos dadas ao meu pai e ao meu irmão. Cumprimentei os meus convidados com beijinhos antes de chegar ao Hugo, que me esperava ao pé da conservadora com os seus all-stars. A mãe dele não perdoa até hoje.

Hei-de te mostrar o nosso convite. Morro de orgulho do raio do convite.

Ana C. disse...

Mcsleept, pois Fónix para ti também
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Sunrise, acho que muitos podem viver uma história simples, sem grandes complicações. Somos nós que fazemos o amor (salvo seja)
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Ana, obrigada. Eu não sei viver muito bem sem emoções, é verdade :)

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Inês N, só te posso dizer uma coisa: A excepção confirma a regra ;)

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Melissa, de onde é que deduziste que eu fui pedida em casamento? Connosco também foi como vocês. Não foi bute aí, mas quase. Tive um anel muito pouco precioso uns dias depois e também liguei à minha mãe que estava nos EUA a dizer-lhe que iamos casar, mas que tinhamos a gentileza de esperar que ela chegasse ;) Ah e nós não chulámos os convidados para termos retorno do dinheiro investido.

Melissinha disse...

Nós também não, mas encheram-nos de cheques à mesma.
Soube bem.

Joanissima disse...

Pois eu fui pedida em casamento "à filme" e adorei, de facto. Pena que, por motivos alheios à minha vontade (e às minhas fantasias de menina) o dia do meu casamento tenha sido um dos mais tristes da minha vida...
Acho que essa é uma experiencia que se deve ter pelo menos uma vez na vida, sim. Para a menina poder ser mulher sossegada.
Hoje acredito mais na cumplicidade que no casamento. Mas quero acreditar que, quando os dois se encontram, a felicidade é maravilhosa.

A tua historia é uma ternura.
Obrigada por a partilhares.

Ana C. disse...

Joaníssima, o casamento é o culminar de uma coisa. É uma outra fase. Tem que haver cumplicidade para estarmos casados com alguém, se não é muito complicado. Eu já tinha essa cumplicidade porque viviamos juntos. Não fui propriamente às cegas ;) Tenho pena que não tenhas usufruido do dia do teu casamento como merecias bjs

Joanissima disse...

Outros dias vieram e virão que me saberão e soarão a dia de casamento... : )

Descobro o amor de outra maneira... : )

beijos!!!

Melissinha disse...

Outra coisa em que concordo contigo é a necessidade de ritualização da vida de modo a não banalizá-la. Eu tenho esta necessidade de pontuar os acontecimentos. Sempre fiz grandes festas de anos, mesmo já sendo casada pelo banco (crédito à habitação..) fiz questão de casar pelo civil e trocar sobrenomes, e, mesmo estando de costas voltadas com a minha igreja há algum tempo, quero ver se convenço o pai a deixar-me baptizar o Gabriel.

Também nos maus momentos sou assim, e a minha mãe teve direito a uma missa de sétimo dia belíssima no Brasil, com a igreja decorada como o jardim que ela adorava.

Não quero dizer com isso que sou mais casada do que as não casadas, ou mais filha, ou mais mãe, porque não sou MESMO. Sou apenas cínica mais romântica que conheço.

Ana C. disse...

Pois é Joaníssima, tenho a certeza que sim :)

Ana C. disse...

Melissa, também acho que devemos sempre assinalar as etapas da nossa vida. É sinal de que estamos vivas, não é? Quanto ao baptizado, eu também optei por baptizar a Alice. Já sei que ela podia decidir sozinha mais tarde etc etc, mas ainda não ouvi ninguém queixar-se por ter sido baptizado contra vontade :), mais tarde se quiserem, confirmam, ou não. Também é uma cerimónia de passagem, que marca e fica na nossa memória. E eu também sou uma grande romântica sob uma pele sarcástica.

Sunrise disse...

Ana C., sim, muitos podem viver bonitos amores, mas nem todos. Às vezes acho que há pessoas que não estão talhadas para isso... não sei... Bjnh

Sunrise disse...

Dá uma vista de olhos no meu penúltimo post. Por acaso dediquei-o a esta temática. Jnhs

Eumesma disse...

É um momento que fica na memória , um nomento que penso só ser comparado em termos de importância com o facto de ser mãe, um momento que deveria ser vivo por todos.
No meu cao fiz questão, porque a outra parte até nem queria, queria era viver só juntos (se soubesse o que sei hoje teria ido por aí,mas por outras razões) mas apesar de tudo foi um momento lindo.
E não é preciso festa de facto, nem luxos, acho que qto mais simples, com mais intensidade se vive e fica para sempre registado o momento. :-)

Bjs

Ana C. disse...

Eumesma, tenho pena que não tenha resultado. Aliás, começou apenas com uma vontade. Isso diz tudo...
Tens que fazer das tuas derrotas lições para não caires nos mesmos erros de novo.

Ana C. disse...

Eumesma, tenho pena que não tenha resultado. Aliás, começou apenas com uma vontade. Isso diz tudo...
Tens que fazer das tuas derrotas lições para não caires nos mesmos erros de novo.