sábado, 4 de maio de 2013

na primeira pessoa do singular

Nada sei de onde te encontras e se aí é realmente a ausência de tudo o que te perturbava. Se parou tudo o que querias que parasse, se foi tudo como quiseste que fosse, se fomos todos o que era suposto sermos na tua vontade.
Nada sei das demandas que empreendes agora, se é que demandas existem aí onde te encontras. Mas gosto de pensar que as empreendes mesmo assim, pois imaginar-te sem grandes empreendimentos é impossível.
Sei apenas dos sorrisos que já não rasgas, das palavras que deixaste de dirigir aos que gostavam de te escutar, do som que certas partes de ti já não provocam na vida dos outros e isso faz com que tudo o resto soe absurdo, bem como o sítio onde te encontras.
Isso faz com que o consolo se evapore numa espécie de mágoa sem retorno, que não me devolve a tua vida, que não me diz de aí onde te encontras, se encontraste o que querias.
Nada sei das dores dos que dizem que tudo ficou melhor assim, pois para mim nada poderia ficar melhor assim, sem ti aqui.
Calem-se os que julgam confortar com as palavras vãs dos manuais de pesar. Calem-se todos ao redor da tua lembrança e escutem apenas o silêncio que faz agora.
Calem-se as frases comuns de conforto e deixem que se escute o silêncio que faz agora. Só o silêncio explica o que acontece dentro de todos os que ficaram sem ti. Apenas ao vento é permitido soprar, para manter a lembrança de que tudo prossegue apesar de estares agora aí onde te encontras.

3 comentários:

Melissinha disse...

Não há nada a dizer, mesmo. É deixar que o tempo corra e esbata as injustiças sem jeito deste mundo.

Naná disse...

No meio do silêncio que se ouça apenas o suave pedalar :)

saudosa disse...

E sabes o que é mais curioso... quando leio estes posts a ela dedicados.... neste ou noutros blogs, ... abro sempre a caixa de comentários na esperança vã de que ela, lá de onde está, venha aqui deixar um comentário... irónico como só ela conseguia ser em tanta coisa....