terça-feira, 7 de maio de 2013

No meu tempo é que era bom

Exames aos putos de 9 anos.
É preciso fazer esses maiores de idade, sacaninhas com vontade jurídica assinarem um compromisso de honra.
É preciso afastar alguns desses sacaninhas cábulas dos seus professores de origem e fazer com que se desloquem a outra escola e sejam vigiados por outros professores, que nada têm a ver com o ensino da disciplina avaliada.
É preciso - e este factor é de relevância indiscutível - que levem uma caneta preta. Não podem esquecer a caneta preta.
É preciso a solenidade e o acagaçar, factores fundamentais para enrijecer o caracter de um futuro adulto e formar um estudante exemplar, sem complacência de qualquer espécie.
É preciso voltar "ao nosso tempo é que era bom".
É preciso voltar para trás.
O único estranho problema é que o ensino em si nada tem do tempo em que era bom, quando se empinava conceitos básicos e se decorava nomes de rios e de reis e de coisas concretas e simples de explanar num exame.
O único estranho problema é que se quis retornar aos "tempos em que era bom" apenas nos exames às crianças pequenas.
E ainda em relação a esta coisa dos que dizem que "no meu tempo é que era bom, pois que se fazia exames e não era preciso levar as crianças ao médico tanta vez e trabalhávamos de sol a sol desde o berço e não tínhamos cadeirinhas no carro para os putos e não havia cá essas paneleirices." Aos que dizem indiscriminadamente, com uma nostalgia enjoativa e cega que no seu tempo é que era bom, tenho novidades chocantes para vós:
- No tempo em que era bom, nem tudo era assim tão bom. Se não, enfiemos os olhinhos na classe política saída do tempo em que tudo era bom.

Eu nada entendo de políticas de educação, nem de outras políticas quaisquer, mas se exercesse um cargo de poder na educação (bate na madeira), acho que fazia batota e usava cábulas e o único compromisso de honra que assinaria, com caneta preta claro, seria o de copiar bastante o sistema educativo sueco, por exemplo. É que parece que eles devem estar a fazer qualquer coisa bem e também não me parece que tenham tido que voltar aos tempos em que tudo era bom e não havia cá meninos da mamã com nervoso e ansiedade.

6 comentários:

mãeee disse...

Concordo com tudo. Como mãe de uma estudante que levou duas canetas pretas de tinta indelével, o cartão de cidadão, a declaração para assinar (embora tenha tido resposta do Governo sobre a mesma, e as crianças possam colocar "não assino" no local da sua assinatura e ter a mesma validade), mudou de escola, de está neste momento a realizar a Prova de Português.
Só sabemos voltar atrás no acessório, só sabemos copiar ao lado do produtivo e eficaz. São inquietantes os tempos de hoje.

Beijo

Naná disse...

Esquecem-se é que no "tempo em que era bom" havia muitos meninos em idade escolar que eram analfabetos, alguns só tinham um fatinho domingueiro e andavam a pé descalço.

ouvirdizer disse...

Isto é tudo muito estranho... Hoje fui levar o mais velho à escola sede onde ficará toda a manhã a fazer actividades desportivas para não haver barulho na EB1. E quando fui levar o do meio ao jardim tive que ficar ao portão e ele seguiu com uma auxiliar, em silêncio. Ora bem, primeiro não sou pessoa para andar aos berros quando vou levar os miudos á escola e acho mesmo parvo ter ficado barrada no portão, até porque há carros a passar na rua ali ao lado e as buzinas dos carros são mais estridentes do que eu...; segundo, o jardim-de-infancia é noutro edifício, onde por acaso estão 100 crianças que, aposto, hoje vão passar a manhã a toque de promessas de catigos para estarem caladinhas... Posto isto, e como sexta-feira a cena se repete, as minhas crias vão ficar com os avós, a descansar... já lhes basta entrar nos meandros da caneta preta daqui a 2 ou 3 anos...
E se é para imitar qualquer coisa de jeito, façam mas é turmas com metade dos alunos e dêem emprego a mais professores. O mais velho, na 1.ª classe, são 25 alunos, mas alguém acha isto normal???? Quando se sabe que as escolas de onde saem alunos com as melhores médias têm turmas de 11, 12 alunos(como a S. João de Deus). Mas o estado não sabe que é ridículo enfiar 25 crianças numa sala no ensino básico, onde se adquirem as bases, onde tudo começa, tão importante, a primária?... Nojentos, pá...

gralha disse...

9 anos parece-me uma idade perfeitamente razoável para aprender a cabular. Eu só aprendi lá para os 10/11, e houve logo um colega que foi fazer queixinhas à Professora. A preparação para a vida real deve vir de tenra idade.

Helena disse...

Não podia estar mais de acordo Ana.

Mariah disse...

A Helena sou eu :)