quinta-feira, 18 de junho de 2009

Dar uma Oportunidade ao Amor

Isto de lermos outros blogs às vezes faz-nos reflectir um bocadinho, por isso quando li ontem o post da Precis, no qual ela afirmava não acreditar em relacionamentos para sempre, mas sim em amor para sempre, a minha cabeça, depois de um longo jejum de neurónios, começou finalmente a carburar (obrigada por isso Precis).
Muitas pessoas pensam que o amor tem que ser sempre como no princípio. Por isso quando as coisas se modificam para a fase seguinte, sentem-se cair numa profunda decepção e milhares de perguntas começam a surgir: Será que o amo? Será que já não vai dar certo? Onde é que está o arrebatamento, a magia, a novidade que sentia no princípio? O facto de partilharmos o mesmo tecto fez desaparecer o encantamento inicial todo. Quem é este homem agora ao meu lado?
Nesse sentido entendo o que a Precis quis dizer, pois se não existir relacionamento, o amor será sempre perfeito dentro daquela caixinha que nunca chegou a ser aberta...
Abrir a caixa e deixar o amor crescer em todas as suas etapas, sem medo que ele azedasse, ou perdesse a validade, foi o meu grande desafio da vida adulta.
A exaltação cedeu lugar à serenidade. Onde havia inquietação há agora segurança. A incerteza passou a confiança. A novidade passou a uma doce previsibilidade.
Saber que vou chegar a casa e tenho alguém à minha espera. Saber que há alguém que se preocupa, que me pergunta como foi o meu dia, que me liga só para dizer olá, que partilha o meu silêncio, que enrosca os seus pés nos meus nas noites frias é a fase seguinte ao arrebatamento.
Tal como os filhos crescem e voam debaixo das nossas asas, também o amor cresce e evolui sempre para algo diferente, mas não necessariamente mau.
Há quem seja eternamente viciado nas borboletas no estômago, por isso quando estas deixam de esvoaçar partem em busca de mais sensações de começo, mas penso que a longo prazo se sentirão tremendamente desencantados com o amor.
É claro que há amores que morrem, que não evoluem, que se transformam em ódio, mas até para chegarmos a essa conclusão, ao fim do caminho, temos que ter dado um passo em frente, uma oportunidade ao amor...

21 comentários:

Brisa disse...

Tenho andado a pensar exactamente no mesmo. Que sinto saudades das borboletas, o que é que isso significa, mas depois deixo-me acarinhar pelos momentos de confiança, de uma certa rotina que equilibra e sossega. O amor possui muitas nuances, e, no fundo, o que é preciso é o sorriso continuar a desenhar-se sempre que nos lembramos do outro na nossa vida.

Melissinha disse...

Hoje em dia tudo tem de ser muito rápido, muito intenso, muito exacto. Temos a tendência a rotular tudo que nos parece brando ou a abrandar como pouco eficiente - e incluo aí as nossas relações. É como se houvesse um ritmo universal para tudo, e esse ritmo é vertiginoso.

Ontem o Hugo criticou-me por algo que depois achei caricato. Não fazia dois minutos que o Gabriel tinha comido a papa e já tinha a notícia no blog. É assustador, mesmo.

Acho que acabamos por exigir esse ritmo e intensidade frenéticas nos nossos casamentos, nas nossas amizades de infância. O interpretar um bom silêncio a dois como "já não temos nada a dizer um ao outro" é meio caminho andado para acharmos que o amor chegou ao fim. Se ouvirmos o silêncio, veremos muitas vezes - não todas - que não chegou nada ao fim, que só precisamos de algum silêncio, de algum refúgio.

(as borboletas na barriga duram aproximadamente 18 meses ou duas gravidezes! :D Leiam "A Anatomia do Amor", está lá tudo.)

Miguel disse...

O problema é que esse Amor maduro, seguro e sereno dá trabalho a manter. Exige abnegação e cedências de parte a parte e isso... bom, digamos que não é fácil!
Eu acho que, a partir do momento em que as "borboletas" nos abandonam temos que querer e trabalhar, para que elas nos visitem, de vez em quando.

PP_FANTASMA disse...

Boa reflexão Ana, ao teu estilo:)

Paulinha disse...

Eu concordo com o Miguel. Se as borboletas não aparecem posteriormente, nem que seja para uma visita de médico, há um desencantamento enorme :(

Apesar de conseguir perceber o teu ponto de vista, continuo a acreditar que facilmente o tempo leva as pessoas a confundir a fase do amor sereno e a segurança da relação com algum comodismo. Há casais com anos de casamento e que não consigo aperceber-me de um gesto de carinho entre eles e é tão fácil apanha-los a queixarem-se um do outro. Se lhes perguntares se há amor, respondem que sim, embora eu não entenda bem como! Fico a pensar se naquela história não houve um ponto de viragem em que continuar era o caminho fácil, o mais seguro, porque nem sempre o melhor caminho é o mais fácil e o medo da solidão faz com que as pessoas se acomodem a relações.
Claro que também há aquelas que as borboletas vão dar uma voltinha, mas que se vê que há muito amor entre as pessoas, embora ache que são casos raros :s
Não me considero céptica no que diz respeito ao amor para a vida, mas relações eternas é algo que me deixa com muitas dúvidas e na minha opinião em caso de dúvida mais vale ficar sozinha, ao menos só se estraga uma vida ;)

Marcia Parassol disse...

Lindo Ana, isto é exactamento o meu ponto de vista. Há 16 anos que alguem toca no meu ombro, olha dentro dos meus olhos e busca resposta nas estrelas.

Ana C. disse...

Brisa se sentes saudades das borboletas diz isso ao teu mais que tudo. Eu digo muitas vezes ao meu que estou a precisar de uma recarga de borboletas para me animar um bocadinho ;)

Ana C. disse...

Melissa é bem verdade, queima-se os cartuchos todos a uma velocidade assustadora. E também quem é que quer andar sempre com borboletas na barriga? Só se for para me tirar a fome e perder uns quilinhos. Aquilo ao fim de um tempo cansa imenso...

Ana C. disse...

Miguel às vezes as pessoas complicam muito. Para amar é preciso ceder sim, mas em pequenos egoísmos, não no fundamental de ti.
Quanto ao resto é claro que de vez em quando há que fazer qualquer coisa terrivelmente romântica, mas não pode ser todos os dias ;)

Ana C. disse...

PP Fantasma "Babalu p'ra pensar estou cá eu :)"

Ana C. disse...

Paulinha atenção. É claro que há amores que morrem, que se extinguem sim. Não digo o contrário. Mas falo de pessoas que nem sequer tentam ir mais além da fase das borboletas ;)
E é claro que mesmo nas relações mais maduras deve haver um bocadinho de romantismo de vez em quando.

Ana C. disse...

Marcia e eu fico muito feliz por ti :)

Cristina disse...

Gostei muito do post...

Cristina

Ana C. disse...

Cristina obrigada :)

Banita disse...

Penso como tu! Há algum tempo que as borboletas foram embora e de vez em quando aparecem só para me relembrar que o amo e sabe tão bem! Mas, é muito bom sentir a familariedade da relação, o adivinhar das reacções, a presença constante! O problema vem necessáriamente das histórias românticas que nunca mostram o que acontece depois do "viveram felizes para sempre". Se o mostrassem mais vezes, as pessoas também não tinham expectativas tão elevadas... Embora seja a favor do Romantismo, claro! Sem ele não havia lugar à existência do Amor!

Ana C. disse...

Banita não acrescento mais nada ao que disseste, concordo com tudo. Os grandes culpados são os filmes de amor (que adoro) com a Julia Roberts, Hugh Grant e outros sacanas do género.

Blue C disse...

Este teu post deixou-me a reflectir... Obrigada a ti e à Precis!

Há algum tempo que ando a ver se não me desencanto com a vida. E este post dá uma ajuda.

Ana C. disse...

Blue C ainda bem que te pusemos a pensar, espero não te ter baralhado as ideias...

Precis Almana disse...

Eu sei distinguir amor e paixão muito bem. Refiro-me mesmo ao amor que faz perdurar um casamento. Não acredito, desculpem, em amor juntamente com casamento (que entendo como conjugalidade e o viver junto). E, a julgar pelas taxas de divórcio, não sou só eu... e a realidade não me desmente.
Eu acredito no amor para sempre.
Mas para ele existir para sempre são precisas algumas condições. E essas passam por não se viver junto sempre. Passa por cada pessoa estar na sua casa e irem partilhando dias um com o outro. Uma espécie de amor eterno. E eu posso sonhar com isso, já que não conto ter filhos.
Já percebeste melhor?
Eu já não sou uma garota que fala inconsequentemente e cujos argumentos se destronam facilmente como os de me dizerem "ah e tal nunca te apaixonaste a sério". Ai apaixonei, sim. E sei do que estou a falar. Agora também sei que cada pessoa tem a sua opinião, claro. E eu só posso falar por mim :-)
Mas gostei de te ter levado a pensar. E, em todas as "regras", há excepções.
Desculpa só ter dado por este post hoje...

Precis Almana disse...

Li os comentários todos. E globalmente concordo com todos, que há de facto pessoas que depois das borboletas desistem e vão procurar outra coisa e talvez seja mesmo por isso que depois se desiste.
Não sou de desistir, gosto de sonhar. E sonho com um namoro eterno (era o que queria dizer no comentário anterior). Esse acredito que possa ser para sempre.
E casar é que não! Nunca! :-p
Obrigada outra vez!!!

Ana C. disse...

Precis penso que todas as pessoas são diferentes e têm anseios diferentes para si. Jamais me ocorreria julgar alguém que optou por levar a vida de outra maneira.
Eu durante muitos anos disse que não me queria casar, que não era necessário um contrato para formalizar uma coisa que já era formal dentro de mim. Mas quando a pessoa certa apareceu a vontade de dar o passo seguinte foi crescendo dentro de nós naturalmente.
É claro que nem toda a gente tem que sentir o mesmo e sei perfeitamente que és uma mulher madura que sabe o que quer.
Aqui falo apenas dos viciados em borboletas.