quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Um Ritmo Diferente

Eu sabia que muita coisa ia mudar quando decidi ser mãe. Muita coisa para melhor, outra para simplesmente diferente. De entre tudo o que ficou diferente no meu dia-a-dia, aquilo que mais me marcou foi o ritmo dos passeios.
Passear, ver montras, ir comprar um par de sapatos, dar uma volta no shopping, ou na rua das lojas nunca mais foi o mesmo.
Senão vejamos, um percurso que demorava 5 minutos a fazer agora percorro-o em 20 minutos. Ela pára em todo o lado, delicia-se com um banco de jardim mais exótico, com alguma coisa que vê numa montra, com um cão sarnento e abandonado que deambula pelas ruas, ela detém-se quando vê um McDonalds e diz-me sempre que está cheia de fome (treta absoluta, ela só quer o brinquedo do HappyMeal que nem gosta de comer), ela dá pequenos saltinhos vagarosos, ora com os dois pés, ora a pé coxinho. Mas andar ao meu ritmo não, simplesmente não o faz, não sabe, não consegue, não está no seu mapa mental andar depressa.
Por isso quando vejo a livraria que quero alcançar a poucos metros de distância sei que vou demorar uma eternidade a atravessar as suas portas e uma dupla eternidade para voltar a sair.
Se há dias em que esbanjo paciência, outros há em que suo em bica, em que só quero despachar-me de uma vez por todas. Mas em ambas as situações é-lhe perfeitamente indiferente o meu estado de espírito, ela só anda ao seu próprio ritmo e eu, tenho que abrandar o meu, custe o que custar...

18 comentários:

JBrito disse...

A pois é!?
Egocentrismo próprio (do raio-ca-parta)da idade.
Como por vezes o sair de casa, está lavada, vestida, perfume, casaco e coiso, vais buscar as chaves e, quando dá por ela, está-se-me a brincar no quarto com tudo dessarrumado (de novo), como se fosse passar a tarde/manhã em casa.
É enervantemente LINDO!?

Melissinha disse...

haha uma lição de humildade a cada minuto para todos nós, é o que é a p da maternidade.

Lia disse...

não podemos exigir que sejam eles a mudar por nós, porque simplesmente não o sabem fazer! Aproveita para, também tu, contemplares os sitios por onde vais passando com outros olhos, com mais calma!

Naná disse...

Ainda não cheguei a essa parte, mas concerteza que vai ser no mínimo um jogo de compromisso... mas como ele até agora tem sido um "mansinho" pode ser que se eu for a 3 lojas que ele quer ver eu consiga ver uma que eu quero!... A ver...

CarlaB disse...

Como te compreendo.

Only Words disse...

Sabes...não sou mãe, não sei o que isso "obriga", mas de uma coisa tenho a certeza, daqui por uns anos vais olhar para traz e recordar com saudade o ritmo da pequena Alice. Quando te assaltarem estas recordações, será tu quem não acompanhará o ritmo dela! É a lei da vida, regida por ciclos! Aproveita o mais que possas o processo de crescimento da Alice o do pequenote que vem a caminho ;)

Ginguba disse...

Ana aproveita mesmo bem esse andar devagar da Alice. Também eu, às vezes, perdia a paciência com o ritmo de criança mas como eu queria agora que a minha filha andasse mais devagar...

Mariana disse...

Só uma mãe para compreender isto. E como e um feito conseguir, numa manhã, de mão dada com um filhote, conseguir ir ao banco, aos correios e às compras. Acho que nunca me vou habituar completamente - mas ajudou-me imenso a acompanhar o ritmo dos idosos!

Miguel disse...

Truque: "Filhote, queres ir nos ombros do papá??"
Resposta invariável: "SIIIIM"

Ana C. disse...

JBrito Ah Ah como te entendo. Eu de carteira a tiracolo, chaves do carro penduradas ao pescoço, óculos escuros na mona, ela prontinha para sair, desaparece. Ter filhos é um grande exercício de paciência, da chinesa, aliás, tibetana.

Ana C. disse...

Melissa nem mais. Constantemente a vergar, a dobrar, a aprender...

Ana C. disse...

Lia isso é tudo fantástico e romântico, mas e quando estou com PRESSA????

Ana C. disse...

Naná o grande problema é conseguires chegar às lojas ;)

Ana C. disse...

CarlaB é tão bom partilharmos experiências com outras mães/pais e ficarmos a saber que não é só connosco...

Ana C. disse...

OnlyWords é claro que tens razão, tenho consciência disso, aliás tenho sempre consciência de que tudo é tremendamente rápido com os filhos. Não tarda está a 190/h no seu carro AHHHHHHHHHHHHHHHH não me angusties!!!!

Ana C. disse...

Ginguba tenho essa consciência, claro que tenho. Tudo passa depressa demais. Não tarda está ela a querer andar a mil à hora e eu cheia de dificuldade em acompanhar o andamento...

Ana C. disse...

Mariana AH AH AH ajudou-te a acompanhar o ritmo dos idosos. Perfeito, visto por esse prisma, é claro que nos torna pessoas mais pacientes, sim.

Ana C. disse...

Miguel o problema é que isso só pode ser ao fim de semama. Se lhe disser: Filhota queres vir aos ombros da mãe? Parto a espinha.