terça-feira, 24 de novembro de 2009

O Gene que Me Falta

Às vezes adorava ser como aquelas mães nórdicas com os putos às costas, que dão a volta ao mundo com o bebé aos gritos pendurado no lombo e o alimentam com o que vão recolhendo pelo caminho, seja McDonalds com coca-cola no biberon, ou feijoada com couve lombarda em estômago lactente.
Adorava ter a descomplicação de deixar a fralda com cocó verter cá para fora até o rabo explodir e quando isso acontecesse, com um sorriso tranquilo, enfiar o bebé no capot do carro com 20 graus negativos e mudar tudo ali mesmo.
Adorava ficar indiferente ao choro, às birras, ao cansaço e passear-me com as crias pela 5ªAvenida com o mesmo à vontade com que as passeava no parque infantil.
Adorava descomplicar, desdramatizar, relativizar, dizer que "tudo se cria".
Mas não tenho, sou uma chata do caraças, uma preocupada, uma cocózinha, alguém que não tem paciência para birras e que gosta de zelar pelos sonos dos putos, sabendo que são esses sonos que nos dão tréguas.
É precisamente por isso que sei não ter dentro de mim o gene de parideira/mãe de prole infinita que assiste a tantas mulheres. É precisamente por isso que quando me perguntam para quando o terceiro, estando eu ainda à espera do segundo, a única coisa que me ocorre é um desferir um soco...

19 comentários:

Melissinha disse...

Neste ponto, como sabes, somos iguaizinhas. Eu simplesmente não piso o bem-estar do Gabriel. Ele já tem de adaptar a tanta, mas tanta coisa, que tento respeitar o mínimo de espaço que é realmente dele: a hora e ambiente do sono, da fome, da birra.
É das únicas coisas que permanecem iguais desde que engravidei: eu e o Hugo sempre dissemos que não íamos levar o bebé para jantaradas ou sair muito tarde de shoppings, etc. Não é por ser cocó, é por respeito. Ele veio ao mundo por minha vontade, portanto o mínimo que posso fazer é tratá-lo como... um bebé.

Miguel disse...

De facto só te falta isso porque alta e loira já tu és!!

Melissinha disse...

e curte salmão e carrinhos de bebé dos anos 70.

Raquel disse...

Dá-lhes 1 soco por mim! Odeio essas perguntas! Quanto a ser mãe babada/ galinha/ cocózinha ou seja lá o que for, acho muito bem. É isso que nos distingue, mulheres, das vacas dos campos.

gralha disse...

Amen!

ergela disse...

Tens um mimo na minha casinha.

Beijão.

JS disse...

Eu acho que com o segundo é tudo menos complicado. Com a Leonor acho que me soltei mais do que quando nasceu a Francisca e acho que isso se reflecte bastante na personalidade delas.

Mas compreendo perfeitamente que existem formas de criar os filhos que estão fora daquilo que achamos normal.

Seja como for, acho que vais notar alguma diferença, estamos mais calmas e seguras e por isso menos preocupadas.

Um abraço cheio de saudades****

Precis Almana disse...

Ahahahah!
Em Copenhaga vi mães que deixavam os filhos dentro dos carrinhos à porta dos supermercados (mais médiomercados do que super) e entram para fazer as compras...
Hoje sonhei que te tinha encontrado e à Alice ali para os lados do Saldanha. O sonho foi daqueles que não tem princípio, meio e fim, mas lembro-me de sentir uma empatia grande :-)

Ana. disse...

Já sabes o que penso dessas maravilhosas perguntas... e sim, um murro será uma das reacções mais adequadas!
Que nervos!
Metam-se na vossa vida e quando não tiverem mais nada para dizer, é fácil... fiquem caladinhos!

;)

Ana C. disse...

Melissa mas há mães mais descontraídas que outras e às vezes sinto que são mais felizes assim :)
Quanto ao resto sou da tua linha, não dá, não consigo puxar o bebé para programas de adultos, não é para ele nem para mim...

Ana C. disse...

Miguel tanta gracinha vinda de um sueco, alto, loiro e de olho azul.

Ana C. disse...

Raquel vacas dos campos? ahahahahahah
tirando quando se dá de mamar é claro, porque aí ficamos tremendamente parecidas :)

Ana C. disse...

gralha estamos no mesmo barco eu sei :)

Ana C. disse...

ergela já vou espreitar homem, muito obrigada :)

Ana C. disse...

JS tenho a certeza que tens razão, mas também sei que as mulheres são feitas de diferentes materiais. As mais descontraídas conseguem ter uma prole mais abrangente, tenho a certeza disso :)
Eu sou uma grande chata.
Também já tinha saudades tuas.

Ana C. disse...

Precis no Saldanha? Hmmmmm não sei, talvez :)
Qualquer dia cruzamo-nos mesmo...

Ana C. disse...

Ana. estou indecisa entre o murro nos queixos, ou na boca mesmo. Que grávida doce e serena que eu sou :)

Lia disse...

eu por enquanto só me preocupo com o meu "enteado" e já sou uma melga do caraças...cuidado c as fraldas, c o sono, c a qualidade da alimentação e é só de 15 em 15 dias! qd for a tempo inteiro n sei mto bem cm vai ser!

Brisa disse...

É admirável o poder de descontracção de algumas mães, que não deixam de fazer algo porque têm crias, não se privam porque a criança está a chorar... Mas, bolas, às vezes há algumas que exageram um bocadinho nessa descontracção... digo eu (que não sou, de todo, mãe-galinha).